A Grain of Wheat Ministries

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BABILÔNIA









ÍNDICE












“Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite; mas o seu fim é amargoso como absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno” (Pv 5:3-5 VRC).





“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4:4 VRC).







PREFÁCIO




Como é fácil criticar os outros e pensarmos bem de nós mesmos! Como é natural enxergarmos as deficiências dos outros, e não percebermos nossos erros e falhas. É comum nos sentirmos bem, pensando que não somos tão maus, tão ingênuos ou tão errados como “os outros”.

Mas, como você já sabe, quem pensa assim está simplesmente revelando seu próprio coração, demonstrando o orgulho e o egocentrismo que está lá dentro. Está falhando em entender sua própria e real condição de vida.

A verdade é que, no fundo de nosso ser, ninguém é realmente melhor do que ninguém. Todos nós somos pecadores do pior tipo.

Tudo isso tem a ver com nosso assunto atual. Na minha vida, nunca ouvi alguém proclamando: “Faço parte da Babilônia!”, ou “Estou envolvido com adultério espiritual”. Sempre, são os “outros” que estão errados e não “nós”.

Não é difícil, entre os cristãos de hoje, ouvir alguém insistindo que “aquela igreja faz parte da Babilônia”, ou que “aquele sistema religioso é Babilônia”. Falando assim, as pessoas passam a se sentir bem, melhores do que aqueles que julgam errado.

Porém, acho que Deus está querendo mudar esse quadro. Ele está pretendendo acabar com esse hábito humano. O alvo de Deus nunca é expor os pecados dos outros para podermos nos sentir melhor. No entanto, Ele sempre está trabalhando para revelar a condição de nossos corações para podermos nos arrepender e, por consequência disso, recebermos cada vez mais da salvação que Ele tem para nós.

Com tudo isso em mente, gostaria de fazer um pedido aos leitores. Por favor, pelo menos por um momento, coloquem de lado os seus preconceitos. Arrisquem abrir suas mentes para algo que pode ser diferente do que já pensaram. Abram seus corações para Deus, pedindo que a luz Dele brilhe de tal maneira que vocês recebam uma nova revelação, um novo entendimento, que pode transformar suas vidas.

A revelação sobre a Babilônia, a prostituta destes últimos dias, é algo importantíssimo para todos os filhos de Deus. Minha oração é que Deus use este livro para abençoar e iluminar seus corações, preparando-os para a segunda vinda de Jesus, que será em breve.

D.W.D.






1.



A PROSTITUTA






Deus é infinito, eterno e todo-poderoso. Ele é o criador de todas as coisas. Não há nada de que Ele precise. Consequentemente, nós, seres humanos, temos muito pouco a oferecer-Lhe. Ele não precisa de nossa inteligência; não deseja o nosso dinheiro; não carece de nossos esforços em Seu nome. Isso até mesmo inclui os esforços “cristãos”.

Simplificando, Ele é capaz de fazer Sua obra sem a nossa ajuda – sem os nossos ministérios particulares, nossos dons e habilidades. Se necessário, Ele simplesmente pode suscitar “filhos a Abraão”, das pedras ao longo do caminho (Lc 3:8).

Contudo, há uma coisa que Deus realmente quer de nós. Ele deseja o nosso coração. Isso é algo que podemos dar a Deus que O agrada. Se e quando o nosso coração é inteiramente Dele, então, o restante de Sua obra pode ser realizado em nós e através de nós com poder, velocidade e eficiência.

Qualquer falta de inteligência, de dom, de coragem ou de habilidade de nossa parte pode ser suprida por Seu poder e graça. Quando o nosso coração é absoluta e completamente Dele, então, todas as coisas externas, envolvendo nossas necessidades pessoais e nosso serviço a Ele, podem ser realizadas com grande facilidade. Quando nosso coração é Dele, então, não há obstáculos tão grandes para nós, porque o nosso amado Mestre está no controle.

Naturalmente, você se lembra do primeiro mandamento que o nosso Senhor nos deu. Diz: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mt 22:37). Obviamente, uma vez que esse é o primeiro e maior mandamento, Deus está nos dizendo algo muito importante sobre como deve ser o nosso relacionamento com Ele.

Novamente Ele fala em Provérbios: “Filho meu, dá-me o teu coração...” (Pv 23:26). Esse versículo é a soma de tudo o que Deus realmente quer ou precisa de Seus filhos. Ele quer o nosso coração. Ele deseja uma entrega e rendição totais de nosso homem interior a Ele. Seu desejo é que nos entreguemos total e completamente a Ele. Essa é uma verdade essencial e fundamental da qual todos os Seus filhos devem estar cientes.



A OBRA DO DIABO




Contudo, Deus tem um inimigo, o diabo. Esse inimigo não é tolo. Ele compreende o que é que Deus deseja do homem, talvez muito melhor do que nós. Então, o diabo trabalha no sentido de distrair os corações dos homens de nosso Senhor. Ele trabalha intensamente, a fim de impedir homens e mulheres de entrar e/ou manter intimidade com seu Deus.

Por favor, preste muita atenção a isto: uma das principais obras e propósitos de Satanás é o de desviar os corações dos homens de seu Criador e fixá-los em outras coisas. Se e quando ele obtém êxito em fazer isso, os homens, então, tornam-se impotentes e inúteis no Reino de Deus para promover os Seus propósitos na terra.

Uma vez que os seus corações estão atraídos por outras coisas – uma vez que seu amor e afeição são dados a outra coisa qualquer – então, a obra de Deus neles e através deles é bloqueada.

O diabo é o “governante (ou príncipe) deste mundo” (Jo 14:30). Ao tentar Jesus, ele afirmou que todos os reinos do mundo e sua “glória” pertenciam a ele, e que ele podia dá-los a quem quisesse.

Lemos: “E, [o diabo] elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo. Disse-lhe o diabo: dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser” (Lc 4:5,6). Jesus não negou esse fato.

Agora, o diabo, em seu reino terreno, tem muito a oferecer para seduzir o homem natural. Seu arsenal de tentações é vasto e atraente. Ele tem riquezas a oferecer. Ele possui uma grande variedade de prazeres para presentear. Isso inclui, mas não se limita a sexo, drogas, entretenimentos, alimentos de vários tipos, fama, dinheiro, lazer e esportes.

Se você aprecia estímulo intelectual, ele pode oferecer educação, pesquisa ou até mesmo palavras cruzadas ou jogos triviais. Se você gosta de viajar, o mundo dele está cheio de diferentes destinações com suas vistas e diversões. Se você prefere fama e popularidade, ele irá ajudá-lo a perseguí-la – até mesmo dentro da igreja.

Se você deseja poder sobre as outras pessoas, isso também está disponível no campo dos negócios, da política, da religião, etc...

Que tal status ou sucesso? Isso atrai o seu coração? Você fica alegre quando os outros olham para você com inveja por causa de sua casa, de seu carro, de sua conta bancária, ou pela quantidade de coisas que você possui?

O diabo tem uma grande variedade de diversões e atividades terrenas com as quais ele trabalha para atrair e, então, capturar os corações de homens e mulheres. A lista acima de modo algum é exaustiva. Ela simplesmente serve como um tipo de base a partir da qual o leitor pode começar a entender o poder e a atração do reino do diabo.

Não apenas o diabo trabalha para distrair o homem comum de Deus, ele trabalha especialmente sobre os cristãos, a fim de capturar seus corações com as suas ofertas de realização, de excitação e de prazer. Quando e se os fiéis permitem ser seduzidos por essas atrações mundanas e prazeres, Deus chama isso de adultério.

Em Tiago 4:4 lemos: “Adúlteros e adúlteras! Não sabeis que a amizade deste mundo é inimizade contra Deus? Portanto, todo que quiser ser amigo deste mundo constitui-se inimigo de Deus” (VRC). Quando entregamos os nossos corações às atrações e prazeres deste mundo, cometemos adultério contra o nosso Senhor.

Quando o nosso coração ama alguma coisa acima Dele, nós O traímos da mesma maneira que uma adúltera usa de infidelidade para com seu marido. Desta maneira, encontramos a nós mesmos sendo inimigos de Deus.

O livro de Provérbios está cheio de advertências contra ser seduzido a cometer adultério. O capítulo 7 é particularmente enérgico e atualizado em suas instruções e advertências. Embora esses versos possam certamente ser aplicados ao adultério físico, suas admoestações sem dúvida alguma, também se aplicam a nós em nossa caminhada com Jesus. Penso que poderia ser importante para todos os leitores rever este capítulo aqui:

“Filho meu, guarda as minhas palavras, e conserva dentro de ti os meus mandamentos. Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã; e ao Entendimento chama teu parente, para que te guardem da mulher alheia, da estranha que lisonjeia com palavras.

Porque da janela da minha casa, por minhas grades, olhando eu, vi entre os simples, descobri entre os jovens, um que era carecente de juízo, que ia e vinha pela rua junto à esquina da mulher estranha e seguia o caminho da sua casa, à tarde do dia, no crepúsculo, na escuridão da noite, nas trevas.

Eis que a mulher lhe sai ao encontro com vestes de prostituta, e astuta de coração. É apaixonada e inquieta; cujos pés não param em casa; ora está nas ruas, ora, nas praças, espreitando por todos os cantos.

Aproximou-se dele, e o beijou, e de cara impudente lhe diz: ‘Sacrifícios pacíficos tinha eu de oferecer; paguei hoje os meus votos. Por isto, saí ao teu encontro, a buscar-te, e te achei. Já cobri de colchas a minha cama, de linho fino do Egito, de várias cores;. já perfumei o meu leito com mirra, aloés e cinamomo. Vem, embriaguemo-nos com as delícias do amor até pela manhã; gozemos amores. Porque o meu marido não está em casa; saiu de viagem para longe; levou consigo um saquitel de dinheiro; só por volta da lua cheia ele tornará para casa’.

Seduziu-o com as suas muitas palavras, com as lisonjas dos seus lábios o arrastou. E ele num instante a segue, como o boi que vai para o matadouro; como o cervo que corre para a rede, até que a flecha lhe atravesse o coração; como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto lhe custará a vida.

Agora, pois, filhos, da-me ouvidos, e sê atento às palavras da minha boca; não se desvie o teu coração para os caminhos dela, e não andes perdido nas suas veredas; porque a muitos feriu e derrubou; e são muitos os que por ela foram mortos. A sua casa é caminho para a sepultura que desce para as câmaras da morte” (Pv 7:1-27).

Claramente essa “prostituta” não é solteira. Ela possui um homem em sua vida (vs 19). Contudo, ela está seduzindo os incautos entre o povo de Deus.

Da mesma maneira, o diabo também tem sua “mulher”, sua prostituta. Ela é extremamente bonita e atraente. Ela é sedutora ao extremo. Ela se chama: “o mundo” e “tudo o que há no mundo”. Dessa forma, ela seduz os corações dos homens de Deus e embaraça-os numa teia de prazeres e procuras terrenas cometendo, assim, adultério espiritual contra Deus.


A MULHER DO DIABO




Por favor, não esqueça esta verdade: a prostituta do diabo, sua “mulher”, por assim dizer, não é uma bruxa feia. Pelo contrário, ela é incrivelmente bonita. As coisas que ela oferece aos homens e mulheres, a fim de capturar e distrair seus corações, são as coisas mais atraentes e sedutoras disponíveis neste mundo.

Embora haja certamente uma decepção aqui, uma vez que nenhuma dessas coisas finalmente satisfaz o coração do homem, a aparência delas é das mais desejáveis, atraentes e prazerosas possíveis.

Agora, o diabo é muito generoso com essa mulher, sua prostituta. Ele alegremente irá compartilhá-la, com todos os seus prazeres, com qualquer um que esteja levemente interessado. Ele generosamente ofereceu a Jesus todos os reinos deste mundo e sua glória (Lc 4:5,6). Assim, hoje, ele está disposto a compartilhar os “prazeres” de seu reino com todos os que abrirem seus corações a eles.

Vamos esclarecer que muitas das ofertas do diabo não são pecados em si mesmas. Ganhar dinheiro não é pecaminoso. Comprar coisas não é pecaminoso. Ter algum entretenimento ou tempo de lazer não é pecaminoso. Porém, se não formos cuidadosos, essas e muitas outras coisas que o mundo tem para oferecer começam a capturar nossos corações. Elas começam a nos seduzir, tomando o nosso tempo, nossa atenção e afeições. Elas começam a ocupar um espaço em nossos corações que deveria estar reservado somente para Deus.

Lemos: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele...” (1 Jo 2:15). Nosso Deus é um Deus ciumento. Ele tem ciúme dos nossos afetos. Ele quer ser Aquele que enche os nossos corações. Ele é Aquele pelo qual devemos desejar, e Ele deve ser o foco de todos os nossos desejos. Isso não é somente o que Ele procura, mas também a única coisa que irá verdadeiramente satisfazer o coração do homem.

Nós fomos criados para estar nesse tipo de relacionamento amoroso com o nosso Deus. Por isso, é somente quando nos inclinamos para Ele em completa rendição, que encontramos satisfação. É somente então que nos acharemos completos e contentes.

As delícias, as buscas e os objetivos que o mundo oferece são sempre ilusórios. Mesmo se nós os conseguirmos, eles jamais corresponderão. Quando perseguimos as ofertas de prazeres terrenos do diabo e/ou realização, nunca ficamos em paz e nunca encontramos verdadeiramente a satisfação que buscamos. Nós fomos criados por Deus e para Deus. Assim, é somente quando encontramos o nosso tudo Nele, que também ficaremos contentes e em paz.



BABILÔNIA




Nas escrituras, a “mulher” do diabo, sua prostituta, tem outro nome específico. No livro profético, Apocalipse, ela é chamada de “Babilônia”. Babilônia é uma mulher que está belamente vestida. Ela está adornada com pedras preciosas, pérolas e ouro. Ela não hesita em ter sua maquiagem bem feita e seu cabelo habilmente penteado.

Essa mulher é sensacionalmente atraente. Ela representa as melhores e mais sedutoras coisas e prazeres que este mundo tem para oferecer. Toda a sua função é seduzir os corações dos homens, apartando-os de Deus para as riquezas e delícias que este mundo tem para oferecer.

Em Apocalipse, capítulo 17, lemos sobre ela. Parece que ela está cumprindo bem o seu papel. Os reis da terra estão se corrompendo num relacionamento adúltero com ela, e os moradores do mundo estão embriagados – literalmente intoxicados – com os prazeres e coisas que ela tem para oferecer (vs. 2).

Eles estão todos cometendo adultério com ela. Seus corações estão longe de Deus e de um relacionamento amoroso com Ele e, ao contrário, estão insaciavelmente perseguindo satisfação com a prostituta do diabo. Eles estão todos numa corrida insana, a fim de obter e desfrutar de tudo o que o mundo do diabo tem a oferecer.



POR QUE O NOME “BABILÔNIA?




Por que é ela chamada de “Babilônia”? É porque o lugar Babilônia, no Velho Testamento, foi a síntese de tal comportamento mundano. Ele era o centro de uma cultura indulgente, pecaminosa, repleta de excessos de todo tipo. Era o lugar mais luxuoso, próspero, e mais poderoso da terra na época.

Tudo o que o mundo é e tem para oferecer estava concentrado nele, no auge de sua influência e poder. Ele foi a síntese do mundanismo e pecado daquela época. “Babilônia”, assim, serve como um tipo, ou exemplo, de toda sensualidade, prazer e pecado que este mundo tem para oferecer desde aquela época.

Naturalmente, hoje essa mulher espiritual, imoral, ainda existe. Na verdade, ela está claramente visível neste nosso mundo atual. Lemos que esta prostituta está “assentada sobre muitas águas” (Ap 17:1).

Isso significa que sua influência está espalhada. Ela alcança a todos ao redor do globo. É dito que “As águas que vistes, onde a prostituta se assenta, são povos, multidões, nações, e línguas” (Ap 17:15).

Em sua mão está um cálice de ouro. Esse cálice está cheio de seus atrativos sedutores. Está cheio de sua “fornicação”. Representa todas as coisas que o mundo tem a oferecer. Ela está oferecendo esse cálice a todos, induzindo-os a virem e beberem até seus sentidos se embotarem e seus corações se abandonarem à procura das coisas deste mundo. Grandes multidões estão se entregando a esta “bebida”, tão rápidas quanto podem, rendendo-se completamente a um relacionamento adúltero com a mulher do diabo.

Não importa para onde você possa viajar neste mundo, a maioria das populações das nações está embriagada com esse vinho. Está loucamente buscando sucesso, fortuna, lazer, bens e tudo o que o mundo tem para oferecer. Está numa impetuosa corrida a fim de adquirir mais e mais de tudo aquilo que é realmente parte do reino do diabo.

A estratégia de Satanás, seu truque sutil de oferecer a homens e mulheres uma atraente substituta para um relacionamento com Deus, está funcionando. A maior parte do mundo, tanto dentro como fora da igreja, está num frenesi, a fim de tentar satisfazer seus desejos, entregando-se a todos os muitos prazeres que essa “mulher” tem para oferecer. Está, de fato, embriagada com o vinho de sua fornicação.

Consequentemente, seus corações estão longe de Deus. Suas afeições têm sido arrastadas e capturadas pelas ofertas do reino do diabo.






2.



O SANGUE DOS MÁRTIRES






Outra marca dessa prostituta é que ela também está muito embriagada. Mas ela está embriagada com uma substância diferente. Ela está intoxicada com o sangue dos santos e mártires de Jesus (Ap 17:6).

Embora isso possa parecer um pouco estranho, na verdade é bem bíblico. 1 João 3:13 nos alerta: “Irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia.” Também lemos: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (Jo 15:18).

Você sabe, aquelas pessoas que estão se entregando ao reino deste mundo irão sempre odiar os que não estão. Até mesmo a presença dos que não estão cometendo adultério com a prostituta é uma condenação silenciosa aos que estão.

Esse testemunho da justiça e do amor a Deus causa uma reação naqueles que amam o mundo. Eles não podem ajudar a si mesmos. Eles começam a odiar os que não são como eles. Eles têm outro pai, o diabo (Jo 8:44); e outra paixão, as coisas e prazeres deste mundo. Por isso, as pessoas do mundo não podem suportar as que não são como elas.

Com o passar do tempo, esse ódio culmina num desejo de matar os santos. A fim de se livrar deles, de eliminar o efeito negativo que pessoas justas têm sobre suas consciências culpadas, elas acabam matando os santos.

Foi isso que induziu as pessoas do tempo de Jesus a matá-Lo. É isso que tem precipitado a morte de todos os mártires desde aquela época. Fiquem atentos, esse mesmo ódio ainda está em vigor hoje.



RELIGIÃO TAMBÉM É MUNDANA




Embora muitos não percebam isto – talvez simplesmente não tenham pensado a respeito – toda e qualquer religião é também mundana. É um produto e parte do sistema deste mundo. É parte do reino do diabo.

É claro que as religiões que os cristãos consideram errôneas não têm sua origem em Deus, mas neste mundo. Por exemplo, podemos estar certos de que o único e verdadeiro Deus não estabeleceu o Budismo, o Hinduísmo, o Islamismo e uma grande variedade de outras religiões. Assim, sabemos que elas têm outra fonte.

Embora alguns dos seguidores de tais religiões exibam um tipo de “piedade” em jejuns, autonegação, etc., o fato é que tais exercícios não são santidade genuína, mas uma imitação humana (e por isso terrena) do divino. Tais coisas também são parte do sistema deste mundo. Elas são tão injustas e rebeldes como outros pecados, tais como embriaguês, sexo fora do casamento, assassinato, etc.

Embora seja óbvio que excesso de sensualidade, de busca de fama e de poder, etc., são parte das ofertas da prostituta do diabo, talvez seja menos evidente que ela também tem alguns segmentos para aqueles que gostam de pensar bem de si mesmos.

O diabo também tem espaço em seu reino para o presunçoso, para o orgulhoso, para o que desdenha dos outros, para o autoconfiante e para o que é justo a seus próprios olhos. Há espaço para aqueles que têm grande força de vontade e gostam de demonstrar isso através da autoprivação, austeridade e abnegação.

Para alguns desses, a religião é um veículo perfeito para expressar sua superioridade. Através da adesão a algum conjunto de padrões religiosos, eles podem demonstrar sua habilidade em controlar suas paixões naturais e em seguir um conjunto de práticas autoimpostas e, assim, demonstrar quão melhores são que outras pessoas “menos capazes” ao redor.

Também é possível para tais pessoas usar o Cristianismo para alcançar seus objetivos. Elas se tornam muito religiosas usando a Bíblia. Tanto cristãos como judeus podem usar as escrituras de uma forma que não tenham sua fonte em Deus.

O ser humano natural, usando o seu intelecto, pode produzir um tipo de filosofia religiosa – um código de comportamento aparentemente bíblico e ético a ser seguido, produzindo um “justo” de aparência – sem muito (se algum) relacionamento com o próprio Deus.

Isso também é humano e terreno. Também é parte do sistema deste mundo. É parte do reino do diabo.

Os fariseus da época de Jesus foram um grande exemplo disso. Eles eram extremamente religiosos. Eles não apenas tentavam rigorosamente seguir a lei de Moisés como a extrapolavam, a fim de incluir uma quantidade enorme de pequenas regras e regulamentos.

Para eles, esse comportamento religioso era de máxima importância. Seguir essas regras dava-os um falso senso de segurança e de auto-importância. Eles se sentiam superiores a todos os demais que não tinham a força de vontade para aderir ao seu código de comportamento.

Assim, quando Jesus veio e demonstrou a verdadeira santidade, que não era baseada num conjunto de regras, mas num relacionamento com o próprio Deus, eles ficaram ofendidos. Ficaram zangados.

Essa manifestação de justiça genuína, cuja fonte era a vida de Deus, mostrou que o sistema dos fariseus estava errado, era humano e terreno. Revelou-se ser simplesmente uma religião natural e carnal, que ficou sem o poder para mudar a feiura da natureza humana caída. Era, na verdade, um segmento do reino do diabo.

Por essa razão, Jesus podia justamente dizer a eles: “Vós sois filhos do diabo” (Jo 8:44). Eles aparentavam seguir a lei de Moisés, mas, na verdade, simplesmente expressavam uma parte do reino das trevas. Eles estavam no segmento religioso do sistema mundano, a prostituta.

Quando Jesus expôs o sistema religioso mundano daqueles fariseus, isso inflamou um ódio no coração deles. Mais tarde, o ódio os levou ao assassinato.

As coisas não são diferentes hoje. A religião ainda é a mesma. Pessoas religiosas sentem e agem da mesma maneira. Uma vez que sua “santidade” não é produto de seu relacionamento com o próprio Deus, elas odeiam, perseguem e até matam as pessoas cujas vidas são verdadeiramente santas.

Esta doença não está limitada somente aos fariseus. Ela também opera naqueles que chamam a si próprios de cristãos. Até mesmo entre alguns que são “nascidos de novo” é realmente a carne – a natureza humana caída – que está ativa em suas vidas religiosas.

Para muitos, seguir um conjunto de regras – sejam elas as leis do Velho Testamento ou os princípios do Novo Testamento – é a fonte de sua segurança e “justiça”. Infelizmente, o Cristianismo de muitos é simplesmente o homem natural tentando viver alguns padrões, crer em algumas doutrinas e seguir algumas práticas prescritas.

Assim como os fariseus, tais cristãos também podem tornar-se muito religiosos. Embora eles acreditem estar seguindo a Jesus, por conformarem a si próprios a alguns padrões bíblicos, em muitos casos, é simplesmente a sua carne adaptando-se a um novo código de ética e de comportamento.

Como no caso dos budistas, hindus ou muçulmanos, a carne também pode fazer uma bela demonstração de religião no Cristianismo. Quando as mudanças feitas em nossas vidas não são fruto de intimidade com Cristo – que produz uma transformação genuína e espontânea – então, é apenas a carne tornando-se mais religiosa. É possível a alguns que afirmam ser cristãos fazer um bom espetáculo de sua religião. Talvez eles parem de fumar, de beber. Talvez mudem seus modos de vestir. Possivelmente comecem a carregar uma Bíblia e alterem seus padrões de fala. Podem tornar-se zelosos, participantes fiéis de algum grupo cristão.

Porém, muito disso pode não significar transformação genuína. Pode muito facilmente ser a carne se tornando religiosa.

Talvez o exército seja uma boa analogia sobre isso. Lá todos são conformados ao mesmo padrão. Suas roupas, palavras e ações são todas programadas e reguladas. Eles aprendem a marchar no mesmo passo. São ensinados a como se dirigir aos seus superiores. São todos treinados no mesmo padrão. Porém, tudo isso é simplesmente algo feito pela energia da carne, pelo homem natural. Muito do Cristianismo hoje também se encaixa nesse modelo.

Quando o nosso Cristianismo é religioso, em vez de real, ele irá se manifestar de várias maneiras. Uma delas é o ódio pelas pessoas que não concordam conosco. Irá se manifestar numa antipatia pelas pessoas que têm uma vida de intimidade com Jesus, que expõe a nossa verdadeira condição.

O Cristianismo religioso é revelado em nossa falta de amor pelas pessoas, incluindo os nossos inimigos. Esse tipo de Cristianismo é evidente numa pessoa que pensa principalmente em si mesma, que é facilmente irascível, ambiciosa por posição, que ama o dinheiro e as coisas do mundo, que usa as pessoas para o seu próprio benefício, que pega emprestado e não devolve, que promete e não cumpre aquilo que falou, e muitas outras coisas semelhantes.

Embora seguir um conjunto de regras e princípios possa produzir uma aparência superficial de piedade, nossa vida diária irá sempre revelar aquilo que realmente está em nossos corações.

É por isso que Jesus insistiu que alguns na igreja de Filadélfia eram, na verdade, parte da “sinagoga de Satanás” (Ap 3:9). Aquelas pessoas professavam ser “Judeus”, povo de Deus. Elas estavam, obviamente, praticando algum tipo de religião que consideravam bíblica e, provavelmente, participavam na igreja.

Contudo, a vida delas era uma mentira (vs. 9). Era apenas a carne caída se tornando religiosa e, consequentemente, era uma manifestação do reino do diabo. O Cristianismo delas era simplesmente a “sinagoga de Satanás”.

Por isso, fica muito claro que ser seduzido pela religião, mesmo que tenha uma “forma de piedade” (2 Tm 3:5) ou de Cristianismo, não é diferente de ser seduzido pelo sexo, drogas, álcool, fama, riqueza ou poder.

Essa sedutora força religiosa também é parte de um aspecto do reino do diabo. É parte de Babilônia, a prostituta. É simplesmente outro método que Satanás usa para desviar os corações dos homens e mulheres de uma genuína intimidade com Deus e capturá-los com um falso, embora sutil, substituto.



O SANGUE DOS MÁRTIRES




Com isso em mente, podemos discutir com mais clareza como a prostituta, Babilônia, que é revelada no livro de Apocalipse, pode estar embriagada com o sangue dos mártires.

Está claro que muitas pessoas mundanas, movidas por um ódio crescente contra aqueles que não compartilham seu estilo de vida, têm matado muitos santos de Deus ao longo dos anos.

Isso foi verdade na igreja primitiva, durante o Império Romano. Muitos cristãos foram mortos por esporte nas arenas. Desde aquele tempo, incontáveis números de cristãos têm sido assassinados por vários governantes e outras pessoas mundanas, por causa de seus testemunhos.

O que confunde alguns cristãos é quando algo chamado de “Igreja” também começa a matar cristãos. Por alguma razão, eles não conseguem ver que isso é meramente outro segmento do reino mundano de Satanás. Desde que tenha uma aparência religiosa, ou mesmo “cristã”, eles falham em discernir que tal segmento não difere do resto do reino do diabo.

Em anos recentes, muitos têm tentado imaginar, por exemplo, que o Cristianismo religioso – principalmente na forma da Igreja Católica – tem sido a fonte primária de perseguição aos cristãos durante os séculos anteriores. Mas isso não é verdade.

Embora tenham sido os líderes nesta perseguição, por um período chamado de “a Idade das Trevas”, muitos outros governantes, grupos e pessoas também foram responsáveis pela morte de milhões de cristãos em outras épocas.

Os vários impérios muçulmanos mataram incontáveis cristãos. A União Soviética também matou. Hoje, milhares de cristãos são presos, torturados e martirizados na África, China e em muitas outras partes do mundo. A Igreja Católica não pode ser culpada por tudo isso. Entretanto, vemos que a Prostituta é uma entidade multifacetada, a corporificação de todas as ofertas mundanas do diabo.

Essa prostituta, em Apocalipse, não é só culpada pelo sangue dos mártires. Seu pecado é muito maior que isso! Ela é realmente culpada pelo sangue de “... todos os que foram mortos na terra” (Ap 18:24). Isso parece indicar que todo assassinato e até mesmo toda morte por guerra podem ser lançados aos pés dessa prostituta.

Como pode ser isso? É porque o reino do diabo tem trabalhado desde a criação. Caim matou Abel por causa de inveja. Outros, desde então, têm se matado uns aos outros por causa da inveja, do ódio, da ganância, do medo, da luxúria, do poder e de todas as outras coisas que são marcas da mulher de Satanás.





O VERDADEIRO CARÁTER DE BABILÔNIA




Precisa ficar claro a qualquer leitor honesto, a partir dessa discussão que, apesar de muitos insistirem, a Igreja Católica não pode ser considerada como a soma do significado pretendido pela palavra “Babilônia” no livro de Apocalipse.

Essa prostituta que o diabo usa para seduzir o mundo é muito mais do que mera religião. Ela é a corporificação de tudo que este mundo tem a oferecer para seduzir os corações de homens e mulheres e, assim, mantê-los longe de uma intimidade com Deus. Babilônia representa uma vasta variedade de atrações que é parte do reino de Satanás.

A prostituta Babilônia está tendo muito êxito. Ela está sendo bem sucedida em seduzir muitos homens e mulheres, tanto no mundo quanto na igreja. Ela também está encontrando prazer na matança de homens e mulheres, os quais são feitos à imagem de Deus, quando e onde ela pode conseguir isso.

O reino deste mundo, a prostituta do diabo, é responsável por todo derramamento de sangue que tem acontecido na terra desde o princípio até hoje.

O sedutor reino do diabo existe desde o princípio deste mundo. Satanás certamente teve êxito em seduzir Eva a comer o fruto proibido, mostrando a ela que este era atraente, delicioso e a tornaria sábia e autorrealizada.

Através de toda a história da humanidade, o diabo e a prostituta também têm prevalecido em capturar os corações de muitos – até mesmo de homens e mulheres de Deus. Lemos: “Porque a muitos feridos derribou; e são muitíssimos os que por ela foram mortos” (Pv 7:26).

Ainda no final do Novo Testamento, João registra uma visão dessa prostituta com uma nova forma. Tal visão contém muitos aspectos a serem também entendidos. Iremos examiná-los no próximo capítulo.







3.



A BABILÔNIA DE HOJE






Aprendemos, a partir do livro de Apocalipse, que a Babilônia antiga não foi a única vez que a prostituta veio à tona. Não foi a única vez que o mundanismo se mostrou. Não foi o único período ou lugar, na história desta Terra, no qual tudo que o mundo tem a oferecer – incluindo entretenimento, sexo e pecado – foi manifesto em plenitude.

De acordo com o nosso texto em Apocalipse, houve outros lugares e ocasiões onde a luxúria e a depravação vieram à tona. Parece ter ocorrido, até hoje, seis manifestações semelhantes dessa prostituta.

Como podemos saber tal coisa? Vamos investigar isso juntos. Foi dito que essa prostituta está montada sobre uma besta que possui sete cabeças. No livro anterior – Anticristo – entendemos que, em profecia bíblica, quando uma besta numa visão tem múltiplas cabeças isso se refere a uma sucessão de governantes ou reinos. Aplicando este princípio, podemos concluir que Babilônia irá chegar ao topo sete vezes na história da humanidade.

Depois, fomos informados que cinco dessas manifestações já tinham vindo e ido na época que João teve tal visão.

Lemos: “Cinco já caíram...” (Ap 17:10). Cinco desses lugares, onde o espírito de Babilônia alcançou proeminência, tinham já chegado ao pico e, então, desaparecido antes que João tivesse essa visão.

Embora não possamos saber exatamente quais impérios passados também estejam incluídos nessa lista, juntamente com a antiga Babilônia, é possível que o antigo Egito, sob alguns dos faraós possa também ter alcançado a condição de excessos que descrevemos no capítulo um.

Possivelmente o império Medo-Persa, ou o reino seguinte – de Alexandre, o Grande – ou mesmo a Assíria antiga poderiam se encaixar em nosso modelo. Exatamente quem eles foram não é crucial ao nosso entendimento. Com certeza foram cinco e já tinham vindo e ido ou “caído”.

Então lemos: “um é”. Quando João teve essa visão, ele estava, na verdade, testemunhando a sexta das tais “corporificações”. Naquela ocasião, o Império Romano estava qualificado a ser um tipo de encarnação da Babilônia.

Certamente esse império foi notado por seus excessos carnais e mundanos, em cada aspecto de sua cultura. Roma era o centro cultural, econômico e político do mundo ocidental daquela época. Era famosa por seus excessos na área do pecado. Embriaguês, orgias, eventos esportivos que incluíam assassinatos, entretenimentos e todos os prazeres que este mundo tem a oferecer eram encontrados lá em abundância.

Sexo, opulência, lazer, luxúria, riquezas e todas as outras coisas que caracterizam o sistema deste mundo eram abundantes ali. Com certeza esse império se qualifica a ser uma das manifestações da prostituta do diabo. Assim, vemos que Roma antiga se encaixa exatamente no modelo que temos descrito. Essa deve ser a “Babilônia” do tempo da visão de João.

Porém, mesmo quando incluímos Roma como aquele que “é”, isso ainda nos deixa com apenas seis “Babilônias”. Ainda falta uma.

Então aprendemos o segredo. A última corporificação de Babilônia está ainda por vir. Ela irá aparecer em algum tempo no futuro. Ele diz: “... e a outro ainda não é vindo” (Ap 17:10).

Aqui entendemos que haverá, no final desta era, uma última manifestação de Babilônia. Será a corporificação final da prostituta, um lugar na Terra que nos últimos dias será um símbolo de todas as atrações e seduções de Satanás.

Haverá nesta Terra, no tempo do fim, uma nação que se tornará extremamente rica e decadente. Este “império” será famoso por seus excessos e extravagâncias. Será uma “reencarnação” do Império Romano e da Babilônia com todos os seus excessos e pecados mundanos.

Iremos ver um lugar que resume todos os prazeres sensuais, materiais e mesmo intelectuais que este mundo tem a oferecer. Esta será a sétima manifestação dessa prostituta maligna. É este lugar, a última Babilônia, que será destruído pelo Anticristo e seus dez reis (Ap 17:16,17).

(Para uma investigação mais detalhada dessa profecia, por favor, veja a nota no final do último capítulo deste livro, na página 91.)

Vimos como a prostituta que a Bíblia descreve é, na verdade, o sistema deste mundo. É a “mulher” que o diabo usa para seduzir os corações dos homens para longe de Deus. E também vimos que essa “mulher” teria uma manifestação física no mundo durante os últimos dias.

Então, se estivermos no fim da presente era, onde está a Babilônia de hoje? Há neste momento um lugar que cumpre essa profecia? Há um lugar que pareça se encaixar em tudo o que temos descrito? Vamos examinar a Bíblia juntos e ver como essas coisas podem se encaixar em nosso cenário mundial atual.



A GRANDE “CIDADE”




Ao lermos esses capítulos, procurando pela identidade de Babilônia, duas coisas são bem evidentes. Primeiro que se trata de uma “grande cidade” (Ap 17:18). E, também, que essa cidade será destruída pelo fogo (Ap 17:16). Assim, podemos concluir que ela (tal cidade) de fato é um lugar real e físico, e não meramente um tipo de entidade “espiritual”.

Embora – como já estudamos – há um aspecto espiritual da Babilônia, é claro que há também um local definido e físico, que representa o espírito de Babilônia, que será destruído pelo fogo.

No Velho Testamento havia uma cidade real de Babilônia. Era a capital de um império que também era chamado de Babilônia. A cidade era o centro de tudo e, portanto, era o símbolo de todo o império.

Por isso, pode ser que essa “cidade” do Novo Testamento seja mais do que simplesmente uma cidade, mas sim uma nação inteira que é tipificada pela cidade. Dessa forma, aquilo que estudaremos sobre a cidade de Babilônia provavelmente se aplica a toda uma nação e sua cultura.

Embora haja aqui alguma especulação, a evidência disso se tornará mais clara à medida que prosseguirmos.


O MERCADO MUNDIAL




Em nossa busca pela identidade de Babilônia, começaremos com as partes mais claras da revelação bíblica. Uma coisa que é muito evidente sobre a leitura desses dois capítulos é que a última Babilônia é o mercado do mundo.

Esse fato é muito importante! Aqui é confirmado que ela não é meramente uma entidade espiritual. Babilônia é o centro do comércio. É um lugar onde todos no mundo que têm algo para vender fazem comércio.

Esse mercado compra tanto, que os mercadores de toda a terra ficaram ricos através da abundância de sua riqueza (Ap 18:3). Assim, se quisermos identificar esta mulher (Babilônia), devemos olhar para algum lugar real sobre a Terra que se encaixa à descrição.

Temos uma grande lista de bens luxuosos que têm sido comprados por Babilônia. O versículo 12 diz: “...comércio de ouro e prata, pedras preciosas e pérolas, linho fino e púrpura, seda e escarlata, toda espécie de madeira odorífera, todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro, de mármore; canela, especiarias, perfume, mirra e incenso, vinho e azeite, flor de farinha e trigo, e gado, ovelhas, cavalos e carruagens, escravos e até almas de homens.”

É uma lista completa. Ela inclui todo tipo de item que era considerado de alto valor, atrativo e desejado nos dias em que essa revelação foi dada. Representa o melhor de todas as coisas que o mundo tem pra oferecer.

Uma vez que quase 2000 anos já se passaram desde a escrita dessa lista, algumas coisas mudaram. Temos concluído que a Babilônia que será destruída não é aquela antiga, mas uma entidade de nossos dias, consequentemente, não estaríamos extrapolando o sentido das escrituras, se afirmássemos que essa lista poderia incluir outros itens.

Talvez atualmente a lista possa ser: joias, roupas (linho, púrpura, seda, escarlata), automóveis (carruagens), mobílias (madeira preciosíssima), granito e mármore (usados nas cozinhas e banheiros atuais), todos os tipos de comidas importadas, frutas e vegetais, perfumes, especiarias e todos os tipos de animais domésticos e até mesmo empregados que são explorados por não serem cidadãos natos.

Em resumo, Babilônia importa tudo aquilo que é fabricado e produzido no mundo e que é desejável, a fim de satisfazer sua cobiça e luxúria. Portanto, para que possamos identificar Babilônia hoje, devemos encontrar uma cidade/nação que tem um insaciável desejo por todo tipo de item que seja belo e ornamental.



A GRANDE “IMPORTADORA”




É interessante que essa “cidade” demonstra que ela mesma não fabrica muito. Muitos dos artigos que ela consome são importados. Assim, podemos concluir que ela é primariamente uma nação importadora e consumista, e não produtora.

Isso é muito claro nos versículos que já lemos sobre os “mercadores da terra”, que vendem a ela tudo o que a mesma deseja. Também, no versículo 15 do mesmo capítulo, quando Babilônia é destruída, lemos que: “Os mercadores dessas coisas, que se tornaram ricos com ela, irão ficar ao longe por causa do medo do seu tormento, chorando e lamentando.”

Isso nos mostra que eles e suas mercadorias sobreviveram ao julgamento, indicando que eles não viviam ou produziam em Babilônia.

Não apenas isso, mas a Palavra de Deus nos diz como essas mercadorias chegavam a Babilônia. Isso nos dá uma importante pista a fim de que possamos identificá-la. Por favor, preste bastante atenção ao seguinte: Essas mercadorias chegavam de navio.

E não faz referência apenas a uns poucos navios, mas parece que o apetite da prostituta exige os serviços de quase todos que são donos de navios e neles trabalham, no mundo inteiro.

Os versos 17 e 18 dizem: “Todo piloto, e todo que navega para qualquer porto, marinheiros, e todos os que trabalham no mar se puseram de longe, e, contemplando a fumaça dela, clamavam.” E novamente no verso 19 esse fato se repete, os marinheiros e todos os donos de navios choravam e lamentavam, dizendo: “Ai! Ai! Da grande cidade, na qual todos os armadores se enriqueceram em razão da sua opulência!”

(A antiga cidade de Babilônia, que Saddam Hussein tentou reconstruir, não poderia ser o cumprimento dessa profecia. A Babilônia do Iraque fica centenas de quilômetros do mar, subindo o rio Eufrates, o qual não é navegável por navios).

Assim, podemos entender que Babilônia é um lugar que produz pouco e importa muito. Boa parte do que ela importa chega pelo mar. Ela mais consome do que produz. Possivelmente, sua balança comercial esteja bastante desequilibrada. Isso pode significar que a economia de Babilônia está voltada mais para o setor de serviços do que para a produção de mercadorias.

O grande volume de comércio que é feito com Babilônia suporta a ideia de que ela não é meramente uma cidade, mas uma cidade que representa uma nação. Nenhuma cidade, não importa quão grande seja, jamais poderia consumir tanto, a ponto de exigir os serviços de virtualmente todos os armadores do mundo, a fim de satisfazer os seus desejos.

Além disso, podemos seguramente concluir, a partir dessas escrituras, que a Babilônia atual, deve ter acesso por mar. De fato, deve ser bem acessível. Ela é um lugar que demanda muitas mercadorias que são importadas através de navios.

Portanto, Babilônia deve ter muitos, muitos portos, para permitir o acesso a todos os “pilotos” (Ap 18:17) do mundo, a fim de servi-la. Nenhuma cidade no mundo possui tão grande espaço portuário para acomodar tantas dezenas de milhares de navios.

Babilônia é excessivamente rica. Portanto, ela deve ser uma das nações mais ricas do mundo, ou até mesmo a mais rica. Essa é uma conclusão muito razoável a que poderíamos chegar, uma vez que, a fim de poder comprar tantos dos bens mais valiosos do mundo, ela deve ter uma grande abundância de dinheiro.

Em Apocalipse 18:19 está claro que: “...todos os donos de navios se tornaram ricos com sua opulência.” Assim, quando procuramos identificar a Babilônia moderna, devemos certamente olhar para um lugar do mundo que é conhecido por sua notável gastança e abundante riqueza. Sua população em geral possui uma renda elevada, que é gasta para satisfazê-la.

Quando falamos sobre a Babilônia física, naturalmente estamos nos referindo às características gerais de sua população. É o povo que vive em Babilônia que age de uma determinada forma, que dá a ela certa fama internacional.

Naturalmente que há exceções. Entre os habitantes da Babilônia de hoje deve existir, assim como existia nos dias de Ló em Sodoma, pelo menos uma pessoa justa.

De fato, podemos estar certos disso uma vez que Deus fala para o Seu povo que ali vive para que saiam dela (Ap 18:4). Mas, em geral, entendemos que embora haja pessoas justas vivendo nesse lugar, a principal característica de sua população é a que está descrita em Apocalipse.



BABILÔNIA ADORA O LUXO




Outra importante característica de Babilônia, uma que irá nos ajudar a identificá-la, é que ela adora o luxo (Ap 18:7,9). Na verdade, ela é viciada nisso. Ela se delicia com cada compra imaginável, com a qual ela pode satisfazer a sua alma.

Talvez suas casas estejam cheias de todo tipo de ornamento e decoração. Podemos imaginar que seus “carros” sejam bem polidos e novos. Não há dúvida de que a sua atenção está voltada constantemente para si mesma, procurando satisfazer cada vez mais a sua sede por mais conforto e prazer.

Isso, provavelmente, inclui todo tipo de compras, mais e mais roupas, mais e mais joias (Ap 17:4) e uma busca infindável pelas comidas e bebidas mais finas. Podemos dizer que ela desperdiça muito do seu tempo em compras, restaurantes e cafés.

O entretenimento também ocupa uma boa parte do seu tempo. Todo tipo de cinema, eventos esportivos, teatros e festas são o foco de sua atenção. Pode até mesmo ser verdade que carros novos, equipamentos de esporte, barcos, motor homes, jet skis e muitas outras coisas, consumam uma fatia considerável da sua renda disponível.

É provável que as pessoas da classe média da Babilônia final tenham um padrão de vida que, até muito recentemente, apenas reis e nobres podiam ter. Pode ser que suas casas estejam cheias de todo tipo de conveniência, luxo e até extravagância.

Suas televisões são grandes e seus sofás confortáveis. Seus closets nunca são grandes o suficiente para acomodar todas as roupas que eles lá empilham. Eles têm os seus “servos” eletrônicos para lavar as roupas e os pratos. E cada vez mais, em vez de prepararem suas próprias refeições, eles almoçam e jantam em restaurantes.

Se eles sentissem falta de alguma coisa, simplesmente pegariam seus “carros” e, dentro de alguns minutos, seus desejos seriam satisfeitos. Eles vivem como reis, em todos os aspectos.

Talvez você ache que estou exagerando em minhas postulações sobre Babilônia. Mas a Bíblia nos diz claramente que Babilônia vive “luxuosamente” (Ap 18:7). No mundo de hoje, viver dessa maneira deve ser viver exatamente como descrevemos. Ela é a meca do consumismo.

Babilônia acumula para si tudo o que possa conseguir. Sua economia parece ser muito dependente do consumismo. Ela ama o mundo e todas as coisas que há no mundo. Seu coração está completamente devotado em buscar tudo aquilo que este presente mundo tem para oferecer. Todos os prazeres sensuais, entretenimentos, bens e confortos disponíveis são sua constante procura.

Verdadeiramente, “...ela se glorificou a si mesma e vive em ostentação” (Ap 18:7). Em nenhum lugar, nunca, na história do mundo houve uma nação como Babilônia.



A DOMINAÇÃO MUNDIAL




Outra característica de Babilônia que nos ajudará a identificá-la é que ela detém uma composição de domínio no cenário mundial. A palavra de Deus nos diz que: “...a mulher que vistes é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” (Ap 17:18). Isso é incrível! Babilônia é algum tipo de cidade/nação que está dominando o cenário mundial. Ela é tão poderosa e influente que podemos dizer que ela “reina” sobre outros governantes da terra. Isso nos diz que devemos olhar para um lugar que é uma espécie de superpotência, talvez a superpotência.

Babilônia deve ser obviamente um local muito proeminente. Embora ela provavelmente não governe o mundo de forma direta, ela domina os outros governantes e nações. Ela encontra maneiras para influenciar os outros países, fazendo com que façam a sua vontade. Nós não podemos afirmar, a partir das escrituras, se isso é feito de forma diplomática, militar ou por meio de pressão econômica, mas é claro que o seu poder e influência são tremendos.

Sem dúvida alguma, devido a sua posição dominante, Babilônia está orgulhosa. Seu coração está exaltado por causa de sua posição e poder. Ela está totalmente voltada para si mesma e acha que é a melhor, em todos os aspectos.

Alguns dos mercadores de Babilônia (e talvez corporações) são mundialmente famosos. A influência financeira deles domina. Talvez alguns desses mercadores têm se tornado bilionários, e os seus nomes são conhecidos por quase toda parte. Lemos: “Porque seus mercadores eram os grandes homens da terra” (Ap 18:23).

A final manifestação dessa prostituta está totalmente confiante em sua força e invencibilidade. Provavelmente, ela fica numa localização que está isolada do resto do mundo e, assim, sente-se muito segura. Ela imagina que ninguém poderia derrubá-la. “Ela diz em seu coração, ‘Estou assentada como uma rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto’ ” (Ap 18:7).

Talvez ela até acredite que sua posição e riqueza são frutos da benção de Deus. Essa atitude de orgulho, dominação do mundo e senso de grande segurança são características que podemos usar, a fim de identificar a Babilônia moderna.



ENFATIZANDO O SEXO




Um dos atributos mais óbvios que usamos para identificar uma prostituta é a promiscuidade. Babilônia não é apenas uma prostituta, mas a “grande” prostituta (Ap 17:1). Portanto, o que podemos esperar ver é que a sociedade de Babilônia está obcecada por sexo. Ela está obstinada por isso.

Talvez a mídia dessa localidade esteja impregnada por todos os tipos de fotografias sugestivas, artigos sórdidos e filmes indecentes. Ela está provavelmente sempre procurando cada vez mais estímulo na área do sexo. Portanto, nudez e imoralidade de todo tipo e descrição devem ser muito comuns em suas fronteiras.

Podemos esperar que aqueles que têm influência nas indústrias do entretenimento, tais como cinema, música e imprensa, estejam constantemente tentando se superar, para ver quanto de imoralidade podem promover.

Antes de chegar o seu julgamento, Babilônia provavelmente estará igual ou pior do que Sodoma e Gomorra. Estará tão perversa quanto os habitantes da terra, nos dias de Noé. Seu apetite pelo luxo estará no mesmo patamar que a sua concupiscência pelo sexo de todo tipo.

Sabemos, por exemplo, da história de Ló e da sua fuga de Sodoma, que os cidadãos daquela cidade se ajuntaram à sua porta, exigindo que ele lhes entregasse os dois varões. Eles queriam abusar deles sexualmente, à vista de todos.

Podemos imaginar que Babilônia também, antes de vir o seu julgamento, abandone qualquer vestígio de consciência ou pudor. Ela irá mergulhar em todo tipo de sexo.



SEXO LIVRE GERA VIOLÊNCIA




Não sei por que, mas estas duas coisas – sexo livre e violência – andam de mãos dadas. Nos dias de Noé, não apenas havia imoralidade de toda sorte, mas “a terra ficou cheia de violência” (Gn 6:11). Assim, podemos esperar que, antes do final desta era, iremos ver não apenas uma ênfase cada vez maior sobre a nudez e sexo, mas também um aumento da violência.

Até que, finalmente, Babilônia se torne tão cheia de imoralidade, perversão e concupiscência irrestrita, que uma legião de demônios e espíritos imundos são atraídos a ela. Quando a sua depravação atinge o ápice, ela então se torna “...uma habitação de demônios, e guarida de todo espírito imundo e de toda ave imunda e detestável” (Ap 18:2).

Sem dúvida alguma, esses espíritos malignos proliferam lá, como moscas sobre carcaças mortas, a fim de poderem participar do ato e de estimular mais e mais os apetites impuros de seus habitantes.

Por muitos anos, quando lia essa passagem, achava que a condição de Babilônia de estar saturada por demônios era algo que aconteceria após a sua destruição. Mas hoje, uma leitura cuidadosa mostra algo diferente.

Vemos que essa é a sua condição antes de ser julgada. É o seu estado decadente e caído que atrai todo tipo de espíritos malignos e demônios. Essa infestação de demônios aparentemente acelera sua queda moral, levando-a, assim, ao julgamento.

Nenhum de nós sabe a quanto tempo estamos do fim desta era. Qualquer um que afirme saber isso está enganado e não deve ser ouvido. Portanto, devemos presumir que, embora Babilônia, no fim irá chegar ao extremo do egoísmo, sexo livre e violência, ela provavelmente ainda não alcançou esse nível. De fato, ainda não há no momento, nenhum lugar no mundo, que poderia cumprir completamente essa descrição.

Consequentemente, devemos concluir que Babilônia ainda não chegou a essa condição, mas que está a caminho. Lemos em Apocalipse 18:2 que “Caiu, caiu a grande Babilônia.” Aqui vemos que Babilônia não começou nesse estado moral caído.

Evidentemente ela um dia já esteve melhor do que isso, mas caiu cada vez mais até ficar duas vezes caída. Assim, quando procurarmos identificar a Babilônia de hoje, devemos olhar para uma cidade/nação rica e consumista, que esteja num processo evidente de declínio moral.



O VINHO DE SUA FORNICAÇÃO




Na mão da grande prostituta está um cálice de ouro, o qual está cheio de alguma coisa. Essa alguma coisa é a “abominação e a imundície de sua prostituição” (Ap 17:4). Esse cálice contém uma mistura da sua concupiscência desenfreada por riquezas, conforto, prazeres e sexo, incluindo perversão de todo tipo.

Seu cálice está cheio – isto é, seu pecado alcançou o ponto de saturação. Mas está ela arrependida? Está ela procurando perdão e libertação de sua situação degradante? Não! Em vez disso, ela está ocupada, tentando seduzir outros a beberem do mesmo cálice. Usando todo o seu poder, ela está levando outros ao mesmo estado vergonhoso em que se encontra. E ela está sendo bem sucedida.

A Bíblia diz que os “...habitantes da terra se embriagaram com o vinho de sua fornicação” (Ap 17.2). Não apenas ela “reina” sobre as nações, manipulando-as para que façam a sua vontade, mas ela também usa a sua proeminência para espalhar a sua sujeira e costumes imorais sobre todo o globo.

Mas como ela consegue fazer isso? As escrituras não mostram, mas podemos deduzir um pouco. Pode ser que através da mídia: dos produtores de filmes, dos editores de revistas e da indústria da música, Babilônia esteja publicamente desempenhando o seu papel de prostituta e seduzindo as pessoas a agirem do mesmo modo que ela.

Poderia ser que o cinema e os espetáculos de televisão que ela produz estejam cheios de todo tipo de piadas sujas, imoralidade sexual, um aumento da nudez e uma ênfase na perversão. É possível que os artistas e cantores de Babilônia glorifiquem, através de suas formas artísticas, todo tipo de concupiscência satânica, impureza sexual e rebelião contra as leis de Deus.

É bem possível que, em vez de ficar envergonhada, ela ainda glorifique a sua imoralidade e concupiscência desenfreada pelo prazer, numa tentativa de atrair a outros.

O triste é que ela está obtendo êxito. Ao redor do mundo, as pessoas estão bebendo desse vinho. Eles estão escutando, lendo e vendo – através de muitas fontes – sobre o comportamento vergonhoso da prostituta. Em vez de ficarem chocados, eles ainda correm cegamente atrás dela.

Sim, as nações estão embriagadas com o vinho de sua fornicação. Elas estão fazendo de tudo para ficar parecidas com ela. Há um lugar no mundo hoje em dia que as nações invejam e ambicionam imitar. Quando identificarmos esse lugar, então também identificaremos a Babilônia física de hoje.

Por toda parte que você vá, em muitas nações, homens e mulheres estão intoxicados com uma única ideia: ser próspero e bem sucedido, assim como Babilônia. Eles admiram sua infraestrutura integrada. Eles gostam da maneira como a sociedade de Babilônia parece funcionar. Eles desejam alcançar o mesmo padrão de vida. Eles têm inveja do aparente senso de segurança e do padrão de vida que ela exibe.

Todo aquele luxo, prazer, riqueza e imoralidade parecem ser muito atraentes para a maior parte dos habitantes da terra. Eles estão profundamente entorpecidos com a ideia de ser exatamente igual a ela.

Sem nenhuma dúvida, algumas nações têm inveja, mas fingem que não, porém lá dentro todas desejam ter aquilo que Babilônia tem. Elas querem ser tão ricas, poderosas, confortáveis e pecadoras quanto a prostituta. É dessa forma que Babilônia está dando à luz as suas filhas. Ela está se reproduzindo em todo o mundo. Assim, ela se torna conhecida como “...a mãe das prostitutas e das abominações da terra” (Ap 17:5).

Esse é o nome que Deus dá a ela. Ela está fazendo o máximo para trazer todos que puder ao seu nível, para que bebam e rolem na sujeira com ela. Você conhece algum lugar parecido com isso? Se você nunca viajou para outros países, talvez nunca tenha observado essa intoxicação nas outras nações em querer ser igual à Babilônia. Mas quando você visitar outras partes do mundo, logo irá perceber que há um lugar, apenas uma nação, com quem todas as outras querem ser parecidas, ou para onde as pessoas querem se mudar. Isso é os Estados Unidos da América.

Muitos irão insistir que a desprezam, mas em seus corações eles querem ser como ela. Verdadeiramente as nações estão embriagadas com o vinho de sua fornicação.








4.



A DESTRUIÇÃO DE BABILÔNIA






Na seção seguinte, nós nos engajaremos em certa especulação sobre como alguns eventos futuros se desenrolarão. Portanto, as ideias a seguir devem ser tomadas com certa precaução, à medida que esperamos para ver o que ocorrerá, de fato.

Mas, se e quando essas coisas começarem a se tornar reais em nosso mundo, quando o noticiário estiver cheio de histórias que se harmonizam exatamente com o nosso pensamento, então, é tempo de tomarmos seriamente as advertências contidas nesta série de livros sobre o fim dos tempos.

Como estudamos no livro anterior, Anticristo, o futuro Anticristo terá um problema, um problema de altíssima monta. Ele desejará consolidar o seu poder no Oriente Médio. Sua ambição é dominar o mundo e fazer com que os habitantes da terra façam a sua vontade: isso é, que convertam-se à sua religião. Mas, se ele se manifestar nestes dias, há uma nação que se colocará no caminho dele.

Este incômodo país, o “guardião do mundo”, os Estados Unidos, opor-se-á, sem dúvida, à ascensão ao poder do Anticristo e também ao seu controle sobre os campos de petróleo. Como têm feito no passado, os Estados Unidos certamente enviarão tropas, navios e mísseis, na tentativa de interromper qualquer tipo de empreendimento dessa natureza. Dessa forma, se o Anticristo quiser levar sua vontade a efeito, ele terá que eliminar os Estados Unidos do mapa.

Concomitantemente com a escrita deste livro, os Estados Unidos estão envolvidos em guerras muito confusas no Iraque e Afeganistão. Eles supõem que trarão paz e estabilidade àquela região.

Trate-se de uma parte muito volátil do mundo, onde quase qualquer coisa pode acontecer e, de fato, acontece. As chances de que eles estabeleçam uma paz duradoura são, de fato, zero.

Os povos que compõem aquela área estão divididos em muitas facções e são guerreiros. Embora os Estados Unidos pareçam ter algum sucesso, uma vez ou outra, a probabilidade de algum tipo de vitória que pacificaria a população definitivamente é quase nula. Quando as tropas americanas partirem, as chances de que ocorram novos conflitos serão enormes.

Além do mais, essas guerras estão ocasionando um forte impacto psicológico sobre o povo americano. Quanto mais tempo elas durarem e mais soldados forem mortos, menos o povo americano vai querer se envolver num conflito naquela região.

É possível que eles não suportem mais essas guerras, antes que elas terminem. É concebível pensar que, se a situação vier a se deteriorar no futuro, os Estados Unidos jamais desejarão enviar o seu exército para lá novamente.

Por exemplo, não acredito que a América enviaria tropas de volta ao Vietnã. Qualquer coisa poderia acontecer lá, mas os Estados Unidos não iriam a uma nova guerra. A dor emocional com relação ao passado é grande demais. Algo similar poderia facilmente ocorrer no Iraque, Afeganistão e Oriente Médio. Isso já aconteceu com o poderoso exército vermelho da Rússia.

Uma saída humilhante, ou menos satisfatória, daquela região poderia ser útil nas mãos do vindouro Anticristo. Ele poderia aproveitar essa ausência de poder, que tal situação criaria, juntamente com a improvável possibilidade de um retorno dos Estados Unidos, para se levantar e derrubar os governos de três nações (Dn 7:20). Essa não é uma possibilidade inconcebível, em vista dos atuais eventos.

Osama Bin Laden, apenas para tomá-lo como exemplo, certamente compreende isso. Consequentemente, ele e os seus aliados farão tudo o que estiver ao alcance para se assegurarem de que isso aconteça. Os ataques terroristas não cessarão mas, provavelmente, aumentarão. Ele, ou alguém como ele, poderia facilmente aproveitar-se do atual estado das coisas para lançar-se ao poder e à influência nessa região.

Suponhamos que alguém como Osama seja bem sucedido em tomar o poder e unir dez nações. Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde, ele teria a ameaça dos Estados Unidos a lhe resistir, se e quando ele tentar começar a controlar e converter o restante do mundo. Portanto, o Anticristo precisará encontrar um modo de paralisá-lo e/ou eliminar essa ameaça, a fim de que possa cumprir com os seus propósitos. Isso será absolutamente essencial.

Devido ao seu poderio militar esmagador, os Estados Unidos teriam que ser removidos do quadro mundial, se o Anticristo espera realizar tudo o que deseja. Para que qualquer ditador do Oriente Médio consolidasse poder e utilizasse seus recursos de petróleo para controlar o mundo, os Estados Unidos teriam, definitivamente, que ser removidos do caminho.

Outra peça deste quebra-cabeça é o tremendo ódio que os extremistas islâmicos têm aos Estados Unidos. Supondo que os EUA sejam uma nação cristã, e por testemunhar o luxo no qual ela vive, juntamente com a enorme quantidade de impureza sexual e imundície na qual ela se envolve, Osama e outros têm desenvolvido um intenso ódio a essa nação.

Há em seus corações, um firme propósito de destruí-la. Isso deve ser evidente para qualquer pessoa que está a par da presente situação mundial. Não pense que o evento de 11 de setembro foi suficiente para satisfazê-los. A meta dos mulçumanos radicais é a total destruição dos Estados Unidos.



A RICA E INDULGENTE BABILÔNIA




Esses pensamentos se harmonizam exatamente com o que já estudamos sobre a Babilônia. A partir do livro de Apocalipse, nós vimos a Babilônia revelar-se como um lugar de permissividade, opulência e pecado. Ela se mostra soberba, dominadora do mundo e pertinaz. Sua riqueza, extravagância e cobiça por mais e mais posses requer o serviço de cada navio, cada dono de navio e cada homem do mar (Ap 17 e 18).

A Babilônia está isolada do resto do mundo e pensa em si mesma, principalmente. A iniquidade dela, em termos de adultério, fornicação, aborto, homossexualidade e outras coisas desse tipo, tornaram-se dominante. Ela abandonou Deus, o seu protetor, expulsando-O do governo e escolas e voltando-se para ídolos, chamados de ciência e humanismo. Como consequência, Deus decide julgá-la.

Curiosamente, Deus escolhe o Anticristo e suas dez nações para serem os instrumentos do Seu julgamento. São eles que vão atacá-la e queimá-la completamente. Lemos: “Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo. Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus” (Ap 17:16, 17).

Olhemos para a frase “odiarão a meretriz”. Os atos terroristas perpetrados contra a América e os seus aliados hoje são motivados por um enorme e enraizado ódio. Esses indivíduos a veem como uma sociedade corrupta e imoral, que faz o que quer na cena mundial, atropelando qualquer um que se coloca em seu caminho.

Os esforços militares do Anticristo contra a Babilônia ocorrerão, provavelmente, em dois estágios. Primeiro, ele deve enfraquecê-la, até que consolide o seu poder. Então, biblicamente, ele a destruirá completamente.

Não importa quem ele será: os Estados Unidos se oporão, certamente, à ascensão ao poder do Anticristo no Oriente Médio, pois têm uma longa história de interferência naquela região. Assim sendo, como o Anticristo poderia neutralizar essa ameaça, à medida que estiver consolidando o seu poder?

O primeiro estágio para “enfraquecê-la” pode ser executado através de alguns ataques, a fim de humilhá-la diante do mundo, com armas de destruição em massa, sejam químicas, biológicas ou nucleares. Pode ser esse o fato a que a Bíblia faz referência, quando diz que o Anticristo “a fará despojada” (Ap 17:16). O sentido de conexão aqui é que, quando você despe uma pessoa de suas roupas, você a humilha.

Se o Anticristo puder adquirir algumas bombas nucleares ou outras armas semelhantes, ele poderá, então, colocá-las em navios cargueiros e introduzí-las em portos americanos. Ou ele poderá contrabandear algumas armas biológicas para dentro do país. Em seguida, ele poderá atacar algum lugar e, então, dizer aos Estados Unidos: “Eu tenho mais armas dentro do seu país. Ou você me deixa em paz ou eu o atacarei novamente”.

Por causa do temor que esse tipo de ataque poderia criar, o Anticristo possivelmente faria com que os Estados Unidos tolerassem os planos dele, pelo menos por certo tempo. Finalmente, após humilhar a nação americana e obter a cooperação relutante dela por certo tempo, ele, então, a destruiria com grande ódio.

É claro que ninguém pode prever como esses eventos ocorrerão. Tal especulação é fornecida apenas para mostrar como tais coisas seriam possíveis no mundo atual. Embora muitos americanos pensem que tais eventos não possam acontecer e creiam que o governo, e mesmo Deus, os protegerá, o fato é que Deus está do outro lado. O próprio Deus ajudará o Anticristo a executar o Seu julgamento sobre a Babilônia!

É isso mesmo. Deus porá o Seu poder por detrás do Anticristo e o usará para fazer Sua vontade. O próprio Deus dará poder ao futuro homem do pecado para destruir a mais poderosa e rica nação do mundo e julgá-la. Novamente, lemos: “... em seus corações incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus” (Ap 17:17).

Com tal unção divina, toda a proteção disponível, juntamente com todas as medidas de segurança, não serão suficientes o bastante para evitar a destruição final da Babilônia. Por favor, se você habita nela, para a sua própria segurança, não dependa de governo ou recursos humanos para se proteger.



A RICA E PECAMINOSA BABILÔNIA É DESTRUÍDA




A passagem em Daniel, capítulo 8, versos 2325, traz muitas confirmações a respeito de uma rica, poderosa e pecaminosa nação, tal como os Estados Unidos, que será destruída pelo Anticristo. Vamos gastar algum tempo e analisar essa passagem juntos.

Lemos: “Mas, no fim do reinado deles [os reinos das outras três bestas, possivelmente a Inglaterra, Rússia e Alemanha], quando os transgressores tiverem chegado ao cúmulo [aqui vemos que a iniquidade da prostituta precisa chegar ao seu auge, como aconteceu com a terra de Canaã antes dos israelitas a destruírem (Gn 15:16)], levantar-se-á um rei, feroz de semblante e que entende enigmas.

“Grande será o seu poder, mas não de si mesmo [no livro “Anticristo” vimos como a Besta receberá poder do diabo]; e destruirá terrivelmente [possivelmente referindo-se ao uso de ataques terroristas], prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos [isso poderia referir-se aos Estados Unidos] e o povo santo [isso deve ser uma referência à futura mortandade dos crentes]” (VR HAGNOS).

Indo à frente nessa passagem, lemos: “Pela sua sutileza fará prosperar o engano na sua mão; no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança [isso também está, provavelmente, falando sobre a destruição da próspera e “segura” Babilônia]; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes; mas será quebrado sem intervir mão de homem” (VR HAGNOS).

Outro verso que indica a destruição de certa específica poderosa nação ou nações encontra-se em Daniel 11:39, onde lemos: “Com o auxílio de um deus estranho [o Anticristo] agirá contra as poderosas fortalezas.”

Hoje, na área do globo que foi uma vez ocupada pelo Império Otomano (de onde surgirá o reino do Anticristo), há vários países que possuem, ou possuirão, em breve, armamentos nucleares. Esses mesmos países também possuem e estão no processo de aperfeiçoamento de mísseis, que podem transportar tais ogivas. Alguns desses países também possuem navios e submarinos nucleares comprados da antiga União Soviética.

Como especulamos no livro Anticristo, seria possível que os Estados Unidos fossem “destruídos em uma hora”, “por fogo”, mediante um ataque nuclear. Esse ataque seria realizado com, apenas, cerca de dez navios e outros dez submarinos, cada um carregando seus dez mísseis. Tais navios nem mesmo precisam ser navios de guerra.

Quase todo navio cargueiro pode carregar mísseis em seu porão. Esses mísseis podem ser acionados simplesmente retirando-se a capa que os esconde e pressionando-se um botão.

Esses navios poderiam muito bem ser mantidos fora das águas territoriais dos Estados Unidos e, ainda assim, atingir cada cidade mais importante, até mesmo no interior do país. Tal ataque, de 100 a 200 mísseis nucleares, atingindo muitas ou a maioria das cidades mais importantes, destruiria completamente o país.

Como um exemplo de como isso poderia acontecer, temos visto reportagens recentes na Internet, as quais indicam que o Irã está colocando alguns de seus mísseis de longo alcance em navios cargueiros.

Além disso, o atual presidente do país da Geórgia revelou que, em 1999, o seu país vendeu ao Irã doze mísseis cruzadores, abandonados desde a era soviética. Isso significa que o Irã teve doze anos (até hoje) para copiá-los e reproduzí-los.

Se e quando eles conseguirem produzir armas nucleares, eles poderão facilmente colocá-las em tais mísseis. Embora não possamos saber o futuro, ou se o Irã estará envolvido no cenário do fim dos tempos, ele certamente está no lugar correto, geograficamente.

Fui informado por um amigo, um cientista, que alguém com uma intenção realmente perversa poderia realizar um ataque ainda pior. Se uma significativa quantidade do metal cobalto for adicionada a uma ogiva (por exemplo, a embalagem em redor da real bomba) a área atingida pelo míssil será contaminada pela radiação, por um período de setecentos ou oitocentos anos, ou até mais. Isso significa que aquela região ficará inabitável, e ninguém poderá viajar com segurança por ela ou próximo a ela, por séculos.

Neste exato momento, os Estados Unidos estão trabalhando muito arduamente para desenvolver protetores contra mísseis. Eles estão inventando vários meios para interceptar e derrubar os mísseis lançados contra eles. Mas, se esses ataques forem lançados próximos da sua fronteira, pode ser que não haja tempo suficiente para detectá-los, ativar as defesas e, então, interceptar os mísseis.

A Bíblia diz que Deus vai agir contra a Babilônia e vai ajudar os inimigos dela a destruí-la. Ele ungirá o Anticristo e os seus dez reis para que executem o Seu julgamento contra a Babilônia. Ninguém deve colocar a sua esperança em algum tipo de defesa antimíssil. O próprio Deus estará orquestrando toda a situação.



A DESTRUIÇÃO DA BABILÔNIA




O leitor, talvez, queira usar algum tempo aqui e ler Jeremias, capítulos 50 e 51. Ali temos, em detalhes, a destruição da Babilônia. Mas, enquanto você estiver lendo, por favor, lembre-se que parte desta profecia se refere à antiga Babilônia, e parte, à moderna.

Alguns desses versos já se cumpriram e outros têm um cumprimento futuro. É bem possível que muitos tenham um significado duplo e se apliquem a ambas “Babilônias”. Quais versos exatos se referem a cada uma e quais se referem a ambas, é quase impossível precisar. À medida que você ler, você verá sem dúvida, em alguns versos, eventos que poderiam facilmente acontecer hoje.

Entre eles, há alguns pontos que parecem bastante claros:

A Babilônia é destruída por alguém que vem “do norte” (Jr 50:3), “um conjunto de grandes nações da terra do Norte” (Jr 50:9), “um povo” que “vem do norte” (Jr 50:41). Você deve lembrar-se que muito do antigo Império Otomano ficava ao “norte” de Israel. Essas passagens não parecem exigir que as nações que destroem “a Babilônia do fim dos tempos” estejam ao “norte” dela geograficamente.

A única nação literalmente ao norte dos Estados Unidos é o Canadá. A informação bíblica poderia meramente indicar onde tais nações estão localizadas em relação a Israel demonstrando, portanto, uma posição geográfica que os judeus daqueles dias pudessem entender. Essa interpretação corresponde exatamente ao que vimos com respeito ao império do Anticristo vindo do Oriente Médio.



DESTRUÍDA POR “FLECHAS”




À medida que você lê os dois capítulos de Jeremias, você, sem dúvida, observará que há uma forte ênfase nas “flechas”. A Babilônia é principalmente destruída por flechas. Lemos: “As suas flechas serão como de destro guerreiro, nenhuma tornará sem efeito” (Jr 50:9); “... contra a Babilônia, todos vós que manejais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas...” (Jr 50:14).

Também lemos: “Convocai contra a Babilônia a multidão dos que manejam o arco; acampai-vos contra ela em redor” (Jr 50:29); [os invasores do norte] “Armam-se de arco e de lança...” (Jr 50:42); “O flecheiro arme o seu arco contra o que o faz com o seu...” (Jr 51:3); e, “Aguçai as flechas!” (Jr 51:11).

Esses versos a respeito de flechas podem se referir, e provavelmente se referem, a mísseis lançados contra a Babilônia. Por exemplo, os mísseis voam no ar como as flechas.

É claro, essa ideia não pode ser provada. Nos dias de Jeremias, não haviam mísseis. As flechas ou lanças foram as coisas mais próximas a um míssil, que o povo daqueles dias poderia conhecer. Assim, não é impossível que Deus tenha usado a palavra “flechas” para simbolizar algo no futuro.

Olha, vale a pena considerar, com cuidado, que a Babilônia de outrora não foi destruída por flechas! Ela foi conquistada por pás. Os Medos e Persas gastaram o seu tempo escavando um canal para desviar o rio Eufrates. Esse rio corria por debaixo do muro da Babilônia, atravessava a cidade e saía do outro lado. Ao desviar o rio, os exércitos invasores abaixaram o nível do rio a uma altura que os permitiu entrar na cidade por debaixo do muro, conquistando, assim, a cidade.

Esses invasores encontraram pouca resistência. As defesas da antiga Babilônia se mostraram inúteis. Uma vez que a antiga Babilônia não foi literalmente destruída por arqueiros ou flechas, somos levados a concluir, com muita certeza, que esses versos se aplicam à Babilônia do fim dos tempos.

Outro aspecto desses dois capítulos é a destruição da Babilônia pelo “fogo” e a desolação que resulta disso. O resultado de tornar-se inabitável também é mencionado.

Jeremias 50:3 diz que o ataque “tornará deserta a sua terra.” “E, por causa da indignação do Senhor não será habitada, antes se tornará de todo deserta; qualquer que passar por Babilônia se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas” (Jr. 50:13).

Somos informados que a Babilônia tornar-se-á “objeto de espanto entre as nações!” (Jr 50:23) e que os invasores irão “destruí-la completamente” (Jr 50:26). O Senhor diz: “Porei fogo às suas cidades, o qual consumirá todos os seus arredores” (Jr 50:32).

A Babilônia “... nunca mais será povoada, nem habitada de geração em geração” (Jr 50:39). A destruição da Babilônia é comparada à destruição de Sodoma e Gomorra, sobre as quais caiu fogo do céu e as tornou inabitáveis (Jr 50:40).

Deus tornará a Babilônia um “monte em chamas” e uma “desolação perpétua” (Jr 51:25,26). Ela se tornará “em montões de ruínas, morada de chacais, objeto de espanto e assobio, e não haverá quem nela habite” (Jr 51:37); “Tornaram-se as suas cidades [novamente plural, indicando uma nação] em desolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela homem algum [possivelmente por causa do resíduo da radiação]”(Jr 51:43).

Se este autor estiver correto e a Babilônia moderna for destruída por um ataque atômico, isso produzirá todos os efeitos sobre os quais temos lido. Sem dúvida, um golpe assim tão forte também contaminaria o ar, à medida que ele circula ao redor do globo, afetando, assim, outras nações também.

Pode ser que outros países façam tentativas de combater os incêndios e as fontes de radiação, da mesma forma como fizeram quando o acidente de Chernobyl ocorreu na União Soviética, mas eles terão pouco sucesso nessa empreitada. Talvez seja essa a razão por que “...trabalharam os povos em vão, e para o fogo se afadigaram as nações” (Jr 51:58).







5.



SAÍ DA BABILÔNIA!






As consequências de um ataque como o que investigamos no capítulo anterior são extremamente severas e letais. Portanto, Deus constantemente adverte o Seu povo para sair da Babilônia. Deus diz: “Saí da Babilônia!” (Is 48:20). E, mais uma vez, ele diz: “Fugi do meio da Babilônia” (Jr 50:8). Ele adverte: “Fugi do meio da Babilônia, e cada um salve a sua vida!” (Jr 51:6). E Deus exorta mais adiante: “Saí do meio dela, ó povo meu, e salve cada um a sua vida do furor da ira do Senhor” (Jr 51:45).

Finalmente, Deus admoesta-nos com uma voz do céu, dizendo: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos” (Ap 18:4).

É possível que depois desse ataque, alguns habitantes da Babilônia ainda sejam capazes de escapar. É provável que muitos milhões sobrevivam ao ataque. Alguns, devido o local onde moram, serão capazes de cruzar as fronteiras ou se lançarem ao mar e ainda escapar de algumas consequências dos flagelos e da morte. A esses, Deus diz: “Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis” (Jr 51:50).

Isso significa que aqueles que sobreviverem deverão aproveitar cada oportunidade para saírem e continuarem tentando, até que cheguem a algum lugar seguro. Inacreditavelmente, mesmo depois de tal ataque, alguns ainda se mostrarão relutantes em sair! Mas Deus insiste com eles para que saiam, para o próprio bem deles.



DEIXANDO A BABILÔNIA ESPIRITUAL




Sair de Babilônia para muitos pode incluir deixar um lugar de grande conforto e prosperidade. Mas certamente é muito mais do que isso. Muitos cristãos que não vivem nos Estados Unidos, ainda assim estão amando o mundo. Eles estão gastando suas vidas buscando riquezas, bens e prazeres sensuais, os quais a mulher do diabo tem a oferecer. Estão cometendo adultério contra o seu Senhor.

Isto nos traz à seguinte verdade: todo o povo de Deus precisa sair de Babilônia! Precisa ter uma mudança de coração. Precisa desesperadamente parar com o seu amor pelo mundo e todas as coisas dele. Precisa imediatamente acabar com seu relacionamento adúltero com o reino do inimigo de Deus.

Tiago diz: “Limpai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações, vós de duplo ânimo” (Tg 4:8). Aqui o nosso irmão está falando à igreja. Ele está expondo uma condição comum entre nós.

Muitos estão vivendo uma vida dupla. Estão tendo um amor secreto (ou talvez não tão secreto) com a prostituta. Eles aparentam estar vivendo e participando no reino de Deus – talvez sendo membros de alguma igreja, por exemplo – e aparentemente fazendo aquilo que é esperado deles pelo grupo.

Mas em seus corações eles têm outro amor. Eles estão amando e buscando as coisas deste mundo. Estão se deitando na cama com as delícias e atrações deste mundo. Estão cometendo adultério com a prostituta.

Para alguns esse amor é o dinheiro ou o sucesso. Gastam muito de seu tempo e até mais de seus pensamentos buscando dinheiro. Em vez de meditar na Bíblia ou de ter comunhão com Deus, suas mentes estão constantemente ocupadas com os seus negócios, investimentos e projetos.

No lugar de dedicar seu tempo ao seu cônjuge, filhos e servir o próximo em nome de Jesus, seu tempo está completamente ocupado com seu empreendimento. Seu coração foi seduzido para longe de Jesus.

Para outros, o deus secreto é o vício pelos esportes. Gastam muito dinheiro colecionando uma parafernália que tem a ver com o seu time. Gastam bastante de seu tempo assistindo TV, a fim de ver quem ganha ou perde, saindo para ver jogos e conversar interminantemente com outras pessoas sobre o assunto. Deus, a família e os irmãos e irmãs ficam em segundo lugar.

Outros são obcecados pelo surfe, pela pesca, ou por outro passatempo. Seu tempo e dinheiro também estão voltados para essas diversões. Novo equipamento, revistas e roupas relacionadas a esse fim são suas principais despesas. O que realmente atrai sua atenção, o que os move, o que atrai seus corações é o esporte.

Alguns gostam de comprar. Estão constantemente procurando a oportunidade de adquirir coisas novas, sejam móveis, decorações ou simples bugigangas. Eles são insaciáveis, tentando a satisfação com cada nova compra.

Outros estão sempre preocupados com sua aparência, frequentemente indo a belos shoppings, comprando as últimas modas e sapatos, comprando todo tipo de bijuteria, lendo revistas sobre o assunto e assim por diante.

Outras estão constantemente pensando em sua estética, gastando bastante tempo e dinheiro indo a salões de beleza, etc. E ainda, outros estão sempre excitados com festas, novos filmes, novelas, indo a cinema e vários outros tipos de entretenimentos.

Outros, ainda, estão sempre cobiçando em seu coração por um novo carro, uma casa maior e por mais dinheiro em sua conta bancária. Almejam uma aparência de sucesso. Eles secretamente adoram quando as outras pessoas os invejam por aquilo que têm.

Quando dirigem aquele carro enorme, novo e caro pelas ruas, imaginam o que os outros estão pensando e alegremente interpretam os olhares que recebem como ciúme. Quando aparecem em público, usando roupas e joias caras, esperam que as pessoas percebam a marca do fabricante. Esses são sinais claros de que eles estão cometendo adultério com o mundo.

Até mesmo há alguns na igreja que pregam e ensinam, porém o seu objetivo secreto é fazer um nome para si próprio, tornar-se rico ou impressionar as pessoas. Outros têm ministérios de “louvor”, mas seus corações estão divididos. Embora talvez tenham o desejo de ministrar, também apreciam a atenção, a fama e os elogios que surgem pelas coisas que realizam. Muitos gostam de atenção e respeito que vêm de ter um título e uma posição religiosa tal como “pastor”, “diácono” ou até “apóstolo”.

Embora essas coisas pareçam ser parte da igreja, na realidade são parte do mundo. Aqueles que as buscam estão cometendo adultério com a prostituta. Seus corações não são puros para com o Senhor e com Seus propósitos, mas estão simplesmente usando as coisas de Deus para satisfazer desejos carnais por fama, atenção e dinheiro.

Esses são apenas pequenos exemplos dentre as muitas coisas que seduzem os corações dos cristãos para longe de Deus. Este mundo oferece uma grande variedade de atrações para capturar os corações dos incautos.

O maligno tem tido milhares de anos para estudar o comportamento e os desejos da humanidade. Ele tem adaptado suas ofertas ao longo dos anos para que elas encantem o maior número de pessoas. Ele também tem aumentado a variedade de suas distrações de modo que cada um possa encontrar algo que deseje em seu reino.

Muitos cristãos que estão seduzidos pelo mundo ainda ostentam uma aparência de Cristianismo. Figurativamente falando, eles ainda vivem com o seu esposo espiritual, porém estão traindoO, cometendo adultério com o mundo. Seus corações estão envolvidos com um outro amante.

É a essas pessoas que Tiago está falando. Ele as está admoestando a purificarem suas vidas. Ele as está chamando para purificar seus corações de relacionamentos adúlteros com o mundo. Ele está instando essas pessoas a tomarem uma profunda e sincera decisão de parar de cobiçar o mundo e as coisas que nele há e de se voltarem com inteiro coração a Deus.

Como vimos, a bíblia está cheia de admoestações e avisos para o povo de Deus sair de Babilônia. O juízo de Deus está chegando. Não está apenas vindo sobre um lugar que será o ápice do mundanismo, mas virá também sobre Seu povo que está cometendo adultério com o mundo. “O Senhor irá julgar o seu povo” (Hb 10:30).

Lemos: “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplice em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Ap 18:4). Se nos recusarmos a nos arrepender de nosso adultério e a sair dela e parar de participar de seus pecados, certamente também iremos “participar de suas pragas”.

Naturalmente muitos irão argumentar: “Todos nós temos que trabalhar para ganhar dinheiro. Temos que comprar roupas e vesti-las. Todos nós precisamos de carros e casas. Afinal de contas, diversão não é pecado”.

Tudo isso é verdade. Contudo há a questão fundamental: Onde está o nosso coração? O que estamos amando e buscando? O que tem capturado o nosso tempo, atenção e afeição? Estamos cem por cento buscando Jesus? Ou há alguma parte de nosso coração que está cometendo adultério com o mundo? Nós todos iremos fazer bem se ponderarmos sobriamente sobre essas questões. As escrituras admoestam aqueles que têm algum envolvimento neste mundo a não abusarem dele (1 Co 7:31). Assim como a pessoa casada pode ter algum contato com outras pessoas que não são seu cônjuge, porém devem manter sua fidelidade, da mesma forma nós obviamente podemos ter algum contato com o mundo, porém, não devemos permitir que nossos corações sejam seduzidos por ele.



DEIXANDO A BABILÔNIA FÍSICA




Para aqueles que vivem no lugar que temos identificado como a corporificação da Babilônia de hoje, a única maneira de ser capaz de sair fisicamente é primeiro deixar o mundo em seu coração. Enquanto o seu coração estiver preso pelo conforto, pelo luxo, pelo agradável e pela riqueza, você jamais será capaz de sair do lugar que oferece aquilo que seu coração realmente deseja.

A esposa de Ló era uma dessas pessoas. No caso dela, sua relutância em partir forçou os dois anjos a arrastar Ló e sua família para longe da destruição iminente. Porém, mesmo quando partiu, ela olhou para trás. Seu corpo estava partindo, mas seu coração ainda estava lá.

Assim, ela olhou para trás e “...foi transformada numa estátua de sal” (Gn 19:26). Cada um de nós é instado a: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. (Lc 17:32). Esta é uma exortação importante para todos nós.

Aqueles que vivem em Babilônia são instados a sair. Todos os cristãos que vivem hoje na Babilônia física precisam ter um real e profundo tempo de busca sincera diante de Deus e permitir que Ele os purifique de todas as coisas que os impediria de obedecê-Lo.

Eles devem purificar seus corações de seu amor pelo mundo e pelas coisas do mundo. Depois eles precisam começar a dar passos de obediência àquilo que Ele está falando agora mesmo, hoje. Quando nos arrependermos do nosso envolvimento neste mundo e nos movermos na direção dos propósitos de Deus, Ele irá nos guiar.





SAÍ DELA, POVO MEU!




Pode ser que alguns dos leitores vivam em um lugar que os lembre dessa Babilônia opulenta e sensual que temos descrito. É possível que você tenha visto a substância daquilo que constitui a grande prostituta, e perceba que você está bem no meio dela.

Porém, assim como Ló estava em Sodoma, talvez você esteja se sentindo muito bem no lugar que está. Você tem uma vida confortável, segura e agradável. Os salários são bons, o padrão de vida é alto. Bens de todo tipo são bastante acessíveis, e em grandes quantidades. A comida é abundante e os serviços públicos confiáveis. Hospitais, serviços de saúde, remédios e outras coisas mais estão bem à mão. Sua família e amigos estão lá, e a vida é ótima.

Pode ser que, assim como Ló estava, assim também você está preocupado com o aumento da imoralidade e de toda sujeira do pecado que aparece diariamente em todos os lugares. Mas você, talvez, apenas desliga a TV, fica indiferente e prossegue com a sua vida.

Contudo, se o lugar onde você vive é o local do qual a bíblia está falando, se você estabeleceu o seu lar bem no meio da Babilônia de nossos dias, então, algum dia algo irá acontecer. Algum dia Jesus irá dizer: “Saí dela”.

É muito claro em Apocalipse que o nosso Senhor, a quem devemos obedecer, dá uma ordem explícita aos Seus filhos a respeito do lugar chamado Babilônia. Ele diz: “Saí dela, povo meu” (Ap 18:4). Ele, sem dúvida, continua falando a mesma coisa hoje.

Aqui encontramos algo muito difícil. De fato, essa é uma palavra tão dura de ouvir que provavelmente a grande maioria do povo de Deus não estará apta a ouvi-la.

Imagine que Deus pudesse chamar você para um dia deixar tudo que lhe é querido, para abandonar sua casa, seus amigos e parentes, para deixar o conforto e a segurança de seu emprego e todo o seu ambiente, e partir para algum lugar onde seja muito mais difícil viver.

Você iria? Poderia você obedecer a uma ordem como essa de seu Salvador? Ou você acharia mil e uma razões para achar que isso não poderia ser Jesus falando a você? Minha opinião honesta é que, mesmo se aparecessem anjos ao lado de cada crente em Babilônia essa noite e claramente lhes falassem para se levantarem e partirem, apenas um pequeno número deles realmente iria.

Dois anjos foram a Sodoma. Eles falaram claramente a palavra do Senhor a Ló. Eles veementemente mandaram que Ló partisse imediatamente, dizendo: “...todos quantos tens na cidade – tira-os para fora deste lugar.” “Levante-se, tome a sua mulher e suas duas filhas que estão aqui, para que vocês não sejam consumidos pelo juízo que vai cair sobre esta cidade” (Gn 19:12,15).

Mas Ló teve muito problema em ouvir essa palavra. Ele se sentia feliz e confortável onde estava. Todo seu patrimônio e sua família estavam lá. Todo o seu ambiente era familiar e, portanto, ele se sentia seguro. Assim, ele “demorou-se”. Ele estava muito relutante em partir e também estava muito temeroso sobre o que iria encontrar “nas montanhas” (Gn 19:19).

Muitos dos seus parentes se recusaram a vir com ele. Achavam que ele estava brincando (Gn 19:14), ou talvez que estivesse fora de seu juízo perfeito. O dia do julgamento estava às portas, e Ló ainda estava relutante. Finalmente, os anjos tiveram que arrastá-lo, juntamente com sua mulher e filhas, para um lugar seguro.

Olha como a palavra de Deus ainda fala a nós nos dias de hoje! Muitos do povo de Deus estão vivendo em Babilônia. Eles se sentem seguros. Eles são prósperos e estão contentes. Mas há dois problemas sérios. Deus nos adverte a respeito de duas consequências de continuarmos em Babilônia.

Primeiro, começamos pouco a pouco a “participar dos pecados dela” (Ap 18:4).

A influência da imoralidade nesse lugar é tremenda. Seus moradores são bombardeados constantemente, principalmente pela mídia, com todo tipo de perversão e impureza. Cada vez mais, talvez até mesmo sem perceber, eles diminuem seus próprios padrões morais.

Eles são gradativamente influenciados a adotar os valores do mundo ao seu redor. E até mais do que isso, os filhos desses moradores estão, assim como estavam as filhas de Ló, profundamente influenciados pela crescente imoralidade.

Segundo, Deus nos avisa que Ele irá julgar essa “cidade”. Ela será destruída pelas “pragas”, principalmente pela “morte, pranto e fome.” “E ela será finalmente destruída pelo fogo, pois poderoso é o Senhor Deus que a julga” (Ap 18:8). Deixe-me adverti-lo bem claramente: Deus não irá voltar atrás nesse julgamento só porque você ainda está lá.

Se você não responder à Sua Palavra e tomar os passos necessários para deixar o local, irá sofrer as horríveis consequências do que Ele disse.



O PECADO DE SODOMA




Muitos cristãos que vivem em Babilônia hoje (ou mesmo aqueles que olham para ela de fora) não compreendem por que Deus iria pensar em julgar essa nação. Eles veem sua prosperidade e conforto como vindos de Deus.

Embora o aumento do pecado ao redor deles os incomode, eles não consideram a si mesmos como pecadores. Eles não podem imaginar que o seu estilo de “Cristianismo” fácil, próspero e egocêntrico possa ser algo que Deus não aprove.

Quando lemos sobre Sodoma no Velho Testamento, encontramos algo muito significativo. Deus declara exatamente qual era o seu peca

do.Contrariamente ao que possamos imaginar, Ele não lista muitos pecados sexuais depravados. Embora tais pecados certamente existissem e fossem repugnantes para Ele, o que Deus menciona como a razão para o Seu julgamento é outra coisa.

Em Ezequiel 16:49, lemos: “Eis que esta foi a maldade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado.“

Isto é realmente espantoso! O pecado pelo qual Sodoma foi julgada foi o “orgulho”, a fartura de boa comida e muita ociosidade. Esse foi o porquê de Deus tê-la julgado. Muitos de nós provavelmente não enxergamos essas coisas como más. De fato, nós muitas vezes buscamos essas coisas.

Contudo, aos olhos de Deus essas coisas eram uma grande ofensa. Vocês sabem, Sodoma tinha grande abundância, porém, de acordo com esse versículo, ela gastava essa abundância consigo mesma. Ela não usou sua riqueza para ministrar aos que eram pobres e necessitados.

Nos Evangelhos, Jesus nos ensina sobre o que é aquilo que sufoca Sua Palavra e a torna infrutífera dentro de nós. Reunindo os vários registros, há quatro itens básicos mencionados. São: “os cuidados deste mundo,” “a sedução das riquezas” (Mt 13:22), “os desejos por outras coisas” (Mc 4:19), e “os prazeres da vida” (Lc 8:14).

Esses quatro itens poderiam ser considerados como a definição exata da sociedade de Babilônia. É o que muitos chamariam de o “Sonho Americano”.

É por essa razão que Deus irá julgar Babilônia. Ele tem dado muito a ela, porém ela tem desperdiçado consigo mesma. Ela tem usado as bênçãos de Deus para esbanjar consigo mesma, tudo o que ela deseja, em vez de gastar seus recursos promovendo o Reino de Deus. Muito em breve, Deus irá julgar essa nação pela maneira como ela usou aquilo que Ele a deu.

Mas antes desse evento, nosso Senhor está instando a todo o Seu povo para fugir, por suas vidas. Ele os está instruindo a sair dessa nação, dessa cultura e dessa sociedade que irá sofrer Sua ira. Todos nós faremos bem em ouvir Sua voz.



A NAÇÃO DE DEUS?




Outro pensamento que pode impedir as pessoas de sair de Babilônia é este: “Deus ama a nossa nação. Ele nos tem abençoado grandemente. Há muitos bons cristãos aqui, homens e mulheres. Como poderia Deus permitir que esse país seja destruído?”

Talvez possamos encontrar algumas respostas para isso olhando novamente para o Velho Testamento.

Deus escolheu a nação de Israel. Ele guiou o Seu povo até lá. Era uma boa terra, cheia de todo tipo de boas coisas. Naquele tempo, ela era incrivelmente fértil. Ela “manava leite e mel.” Era o tipo de lugar no qual era fácil e confortável viver.

O Senhor abençoou o Seu povo lá. Ele permitiu que eles construíssem um templo em Jerusalém. Era o lugar escolhido de Deus, cheio de pessoas escolhidas por Deus, que adoravam no único templo de Deus sobre a terra.

Mas essas pessoas se tornaram desobedientes. Tornaram-se pecadoras, idólatras, imorais e orgulhosas. Elas nunca achavam que Deus as julgaria ou destruiria a sua terra, por causa dos fatos anteriores que mencionamos.

Contudo, Ele destruiu. Ele assim o fez por causa da pecaminosidade da população. Seus pecados se tornaram tão grandes que Deus finalmente virou Suas costas para eles e os julgou. Ele providenciou que outra nação invadisse a nação de Israel e a destruísse.

A Babilônia de hoje não é diferente e não irá ser tratada de forma diferente. Assim, se a Babilônia atual está massacrando milhares de bebês (pelo aborto) a cada ano; se eles estão sacrificando essas crianças no altar de sua própria conveniência; se muitos estão praticando regularmente a fornicação e o adultério, pois não são poucos os que têm diferentes parceiros a cada noite; se o divórcio, que Deus detesta (Ml 2:16) é tão normal, um produto do desejo insaciável por prazer instantâneo das pessoas; se a pornografia é epidêmica na internet, na tv e em outros lugares; se clubes de strip-tease e lojas de sexo estão se espalhando como cogumelos por toda parte; se a homossexualidade é incrivelmente comum e evidente; se a feitiçaria e todo tipo de ocultismo aumenta, especialmente entre os jovens; e se todos esses e muitos outros pecados são comuns ou até mesmo são tão comuns dentro das “igrejas” como são no mundo ao redor delas; não irá Deus julgar tal nação? Certamente Ele irá.

Se e quando uma nação que Deus anteriormente tem abençoado e usado para seus propósitos virar as costas para Ele, Ele também irá virar as costas e julgar essa nação.

Se e quando os habitantes dela entregam seus corações para buscar e louvar as coisas deste mundo caído, Ele os julgará. Se eles estão cometendo adultério com a mulher maquiada do diabo, a ira de Deus não irá tardar muito. Infelizmente, essa situação de adultério com o mundo, com frequência, faz parte da vida daqueles que “vão à igreja”, tanto quanto daqueles que nem pretensão de religião têm.



POR QUE SATANÁS DEIXA O ANTICRISTO DESTRUIR BABILÔNIA?




Chama a atenção o fato de que é o Anticristo – o fantoche de Satanás – quem destruirá a Babliônia, a encarnação da mulher do diabo. Como pode Satanás permitir que o Anticristo destrua tal instrumento poderoso? Depois de tanto tempo usando a Babilônia para enganar a humanidade, por que ele deixaria que ela fosse destruída? A resposta é bastante simples.

Um homem que controle prostitutas é chamado de cafetão. Ele usa as prostitutas dele para seu próprio benefício e propósitos. Mas, se e quando elas ficam doentes, fracas demais, feias ou de qualquer maneira não são mais úteis a ele, é comum que o cafetão as mate.

Da mesma forma, Satanás não tem nenhum compromisso com o sistema, as riquezas e coisas deste mundo. Mesmo que os habitantes desta Terra sejam apaixonados por elas, o diabo não tem a mínima atração. Os seres humanos são totalmente enganados, mas o diabo não. Ele já sabe que elas são uma ilusão. Ele mesmo não precisa nem de coisas, nem de dinheiro. Exatamente como o cafetão usa uma prostituta, ele somente usa essas coisas para seus propósitos.

Então, depois que o diabo consegue consolidar o controle dele sobre o mundo por meio do Anticristo, (usando o petróleo e o terrorismo, como especulamos no livro anterior, Anticristo) ele não vai mais precisar da prostituta dele. Ele não vai mais precisar enganar ninguém. Ele terá toda a humanidade na palma da sua mão. O controle dele será absoluto.

Consequentemente, destruir um lugar junto com um sistema financeiro, que talvez no passado tivesse uma semelhança com o Cristanismo, daria a ele o maior prazer e satisfação. Quando ele não mais precisar dela, ela fica descartável. A destruição da encorporação da sua prostituta não vai entristecer seu coração de maneira alguma. De fato, destruir faz parte do papel dele.



TALVEZ VOCÊ NÃO MORE EM BABILÔNIA




Talvez alguns dos leitores estejam compreendendo o conteúdo desta mensagem. Vocês compreendem como o amor por este mundo e por tudo o que nele há, incluindo o luxo, os excessos e prazeres, estão em oposição à vontade de Deus e ao Seu Reino.

Possivelmente vocês até estejam com o coração entristecido porque o mundo, em geral, se inclina na direção da promiscuidade e luxúria cada vez mais. Vocês estão vendo até mais claramente como o buscar essas coisas mundanas afasta o coração do homem da intimidade com Deus.

Mas, você diz: “O lugar onde eu vivo não preenche a descrição feita anteriormente. Não parece ser Babilônia do Apocalipse. Meu país não preenche os critérios discutidos neste livro.” Por exemplo, possivelmente onde vocês vivem não haja portos. Pode ser que a riqueza do seu país não seja a mesma da Babilônia bíblica. Talvez as tendências mundanas do espírito de Babilônia sejam limitadas à pobreza, considerações governamentais, etc. Consequentemente, não haja necessidade de vocês partirem para outro lugar.

Contudo ainda há uma questão crítica a ser considerada. Na condição de filhos de Deus, estão vocês buscando as coisas deste mundo? Elas atraem e prendem seus corações?

Embora vocês não vivam em Babilônia, gostariam de estar vivendo? Tem o vinho da fornicação de Babilônia contaminado vocês a ponto de fazê-los correr atrás de todos os prazeres e coisas que este mundo tem pra oferecer? Estão os pensamentos e o tempo de vocês sendo consumidos em busca do sucesso e do dinheiro?

Caso positivo, então há uma necessidade de um profundo arrependimento. Há necessidade de que seja feito um exame profundo em seus corações diante do Senhor. Tudo que Ele encontrar dentro de nós que não esteja buscando o Seu Reino em primeiro lugar precisa ser abandonado.

O envolvimento do nosso coração com as coisas deste mundo constitui-se adultério espiritual. Se formos encontrados nessa condição impura, com um relacionamento espiritual imoral, então precisamos desesperadamente nos arrepender.

Nestes últimos dias, todo filho de Deus deve colocar o seu relacionamento com Deus e a sua cooperação com a Sua vontade nesta terra em primeiro lugar. Pouco tempo nos resta. Não temos tempo para desperdiçar. Todo cristão deve estar dedicando todo o seu tempo, energia e dinheiro com a proclamação do Evangelho e deve estar servindo aos outros irmãos.

Em vez de usar nossos talentos e tempo para acumular riquezas e bens, deveríamos investir tudo o que temos – seja muito ou seja pouco – no serviço do Reino de Deus. Dessa forma, e somente assim, escaparemos do Seu julgamento, quando estivermos diante Dele.

Mais uma vez, ouvimos Deus dizendo aos Seus filhos: “Dá-me, filho meu, o teu coração” (Pv 23:26).







6.



A IGREJA CATÓLICA ROMANA








É com muita relutância que entro na discussão seguinte, mas é que me sinto forçado a fazê-lo devido às opiniões equivocadas que prevalecem. Há muitos, muitos cristãos que têm sido ensinados e que estão convencidos que a Babilônia de Apocalipse é a Igreja Católica Romana. E, a partir dessa conclusão, eles então começam a fabricar uma escatologia bastante fantasiosa.

Alguns têm o Papa como sendo o Anticristo. Outros pensam que a Igreja Romana domina o mundo secretamente. E ainda outros veem o movimento ecumênico, com a Igreja Católica à frente, levantando-se para dominar o mundo. Essas e inúmeras outras conclusões como essas são fruto de uma má compreensão de alguns simples versículos bíblicos.

Um dos mais proeminentes desses versículos é encontrado em Apocalipse 17:9, onde lemos que a prostituta está assentada sobre “sete montes”. Muitos professores da Bíblia têm olhado para esse versículo e pensado, “Ah, sete montes! Isso deve ser uma referência secreta a Roma”, uma vez que a antiga literatura secular se refere a ela como uma cidade sobre sete montes.

Eles, então, passam a concluir, a partir disso, que a Igreja Católica Romana é a “Babilônia” de hoje.

Tenho até ouvido dizer que João usou essa frase como uma espécie de código, para se referir a Roma. Alguns dizem que, uma vez que ele era prisioneiro dos romanos, ele não ousaria escrever o verdadeiro nome, mas teve que usar um tipo de cifra. À medida que prosseguir em sua caminhada cristã, você também, sem dúvida alguma, irá ouvir todo tipo de explanações, tais como essa. Mas a verdade é que João escreveu exatamente aquilo que o anjo mostrou a ele.

Vamos lembrar de que, nos dias de João, não mais havia sete montes proféticos! Como já vimos, cinco deles já tinham caídos! Isso nos deixa com apenas dois. Portanto, isso não pode e não é uma referência secreta a Roma. Consequentemente, a Igreja Católica Romana não está em vista.

Também, não podemos nos inspirar na literatura secular tal como a história de Rômulo e Remo, mas somente na palavra de Deus. Em nenhum lugar na Bíblia é Roma referida como a “cidade sobre sete montes”, ou qualquer coisa desse tipo.

Infelizmente, a versão bíblica King James, em inglês (e a New King James também), é responsável por grande parte dessa confusão. Já que muita doutrina atual tem origem na teologia que vem da Inglaterra e dos Estados Unidos, esse erro de tradução adquiriu uma aceitação bem ampla na igreja mundial hoje. Essa versão introduz uma palavra extra no texto que não está em nenhum manuscrito grego sequer, incluindo o Textus Receptus, de onde foi tirado o KJV. E é essa palavra extra que tem produzido tanto erro ao longo dos anos.

Esta palavra “ofensora” é a palavra “existe”. No texto de Apocalipse 17:9,10, na versão NKJV, lemos: “As sete cabeças são sete montes... existem também sete reis”.

Colocando a palavra “existem” nesse verso desassocia-se as montanhas dos reis, gramaticalmente. Agora, em vez de serem iguais, eles são adicionais. Assim, então, quando você lê: “Cinco já caíram”, isso pode se referir apenas aos reis, deixando as sete montanhas intactas.

Mas, de fato, nos textos originais gregos, a palavra “existem” não aparece. Todos os textos dizem: “As sete cabeças são sete montes... e são sete reis”. As cabeças, montes e reis são iguais. Sendo assim, quando lermos que “cinco já caíram”, isso não apenas se refere aos reis, mas também se refere aos montes e às cabeças. Consequentemente, não existem hoje, nem nos dias de João existiam, sete montes. Então, isso não é uma referência secreta a Roma e, portanto, não nos aponta para a igreja católica romana.

Tal sugestão, que faz referência a Roma, foi dada pela primeira vez séculos atrás, quando a igreja romana era influente e poderosa. Naquele tempo ela parecia excessivamente rica e dominava muito o cenário político da Europa. Contudo, os tempos mudaram.

De fato, Roma não cabe bem nos versículos que já examinamos. Por exemplo, Roma não é conhecida como uma cidade portuária. Ela está localizada às margens do Rio Tiber, que fica a certa distância do mar. O porto mais próximo de Roma, que poderia atender suas necessidades marítimas, não pode ser considerado como um dos principais do mundo.

Além do mais, não poderia ser dito hoje, ou até imaginado, que a igreja católica está deixando rico todos os donos de navios. Simplesmente não é verdade que todos os mercadores do mundo estão fazendo fortunas, vendendo as suas mercadorias ao Vaticano. Também já temos estudado sobre a dificuldade de uma única cidade ser a fonte de tanto comércio e de tanta riqueza.

E ainda, a influência do Vaticano sobre os governantes do mundo está diminuindo mais e mais a cada ano. Por exemplo, no Brasil, que é considerado o maior país católico do mundo, o percentual de católicos está decrescendo dramaticamente.

Embora a igreja católica ainda tenha influência em muitas partes do mundo, não poderíamos dizer que ela está “reinando” sobre as nações. Embora a igreja católica tenha perseguido e martirizado muitos crentes no passado, isso não é algo que está prevalecendo em nossos dias.

Tentar encaixar a igreja católica de hoje na profecia do apocalipse, é como tentar forçar algo que realmente não cabe.

Outra dificuldade lógica que encontramos em “Babilônia ser a igreja católica” é que Babilônia é destruída “em uma hora” (Ap 18:17,19). Embora isso possa não se referir a uma “hora” literal, porém indica um período de tempo muito curto.

Assim, como poderia alguém destruir a igreja católica em uma hora? Colocariam bombas sincronizadas em cada catedral, para que explodissem ao mesmo tempo? Isso é simplesmente ridículo.

Explodiriam eles apenas o Vaticano? Eliminar o Vaticano não acabaria com o catolicismo. Provavelmente isso ainda teria um efeito contrário. Muitas das religiões perseguidas acabaram apenas aumentando, em vez de desaparecerem.

Não há uma maneira lógica de alguém destruir a igreja católica com fogo em “uma hora”. Quando pensamos sobre isso calma e racionalmente, a igreja católica realmente não se encaixa em muitos dos detalhes claros que vemos nas escrituras.




AS DUAS “BABILÔNIAS”




Outra fonte desse ensino, onde se tem Roma como Babilônia, é o livro escrito por Alexandre Hislop, intitulado As Duas Babilônias, que foi primeiramente publicado em 1916. Nesse livro, Hislop pretende traçar muitos paralelos entre os rituais, vestimentas, práticas e símbolos da igreja católica com aqueles da Babilônia antiga.

Ler essa obra é uma tarefa árida. Embora o autor consiga demonstrar que a igreja Romana possui alguns símbolos e vestimentas semelhantes aos de Babilônia, isso não prova que ela é a Babilônia do Apocalipse.

O fato óbvio é que a igreja romana, e até mesmo muitas igrejas “evangélicas” de hoje, estão cheias de símbolos e práticas mundanos. Porém, muito mais do que isso é necessário (por exemplo, algumas escrituras concretas) para se concluir que a igreja católica é a Babilônia.



O ESPÍRITO DESTE MUNDO




Pode ser que muitas igrejas de hoje pareçam ser parte da Babilônia. Isso significa que elas têm o sabor e a característica deste mundo. Por exemplo, muitas usam meios e métodos cada vez mais mundanos para atrair e segurar os membros.

Frequentemente, igrejas atuais empregam um estilo mundano de estrutura de governo. Às vezes os “pastores” são escolhidos por causa de sua posição social ou econômica na comunidade. É comum que o conteúdo de suas reuniões e atividades seja muito mais mundano do que espiritual.

Muitas igrejas hoje dão ênfase à riqueza, ao luxo e à prosperidade. Algumas vezes, seus membros parecem estar mais interessados em perseguir as atividades do mundo do que as do Reino de Deus. Por isso, essas igrejas parecem Babilônia.

O que devemos entender disso: exatamente como no Velho Testamento, assim também é hoje, muitos filhos de Deus têm sido levados cativos para Babilônia. Eles têm sido seduzidos pelo espírito deste século. Eles estão rolando na cama com a prostituta do diabo. Eles estão presos ao luxo e aos caminhos dela. Eles estão cativos “em Babilônia”.

Porém, isso não significa que essas igrejas são a Babilônia, mas sim que elas estão em Babilônia, espiritualmente falando. Isso só revela que elas têm sido influenciadas e contaminadas pela prostituta. A antiga Babilônia também tinha algumas pessoas de Deus vivendo dentro dela. Lá, elas foram seduzidas por seus ídolos e práticas. Mas elas não eram Babilônia.

Claro que o adultério da igreja atual com o mundo é repugnante a qualquer crente que ama Deus. Porém, não podemos deixar esse sentimento forte governar nossa interpretação das escrituras.



BABILÔNIA RELIGIOSA?




Frequentemente tem sido ensinado que o capítulo 17 de Apocalipse fala da “Babilônia religiosa”, que muitas pessoas pensam que é a igreja católica, juntamente com outras instituições de igrejas. Então, essas pessoas ensinam que o capítulo 18 é uma descrição da “Babilônia econômica”, a qual é aquela que tenho descrito no início do livro.

Contudo, quando analisamos o capítulo 17, nós não conseguimos encontrar nenhuma evidência que claramente apoie tais afirmações. Nada religioso é encontrado aqui. Nenhum item religioso é mencionado! Não há ídolos, sacerdotes, ofertas, templos, vestimentas sacras, rituais, sacrifícios, nada que indique algo de religioso é achado. De fato, a “Babilônia religiosa” está notavelmente ausente do capítulo 17.

O texto original grego não estava dividido em dois capítulos. Não há uma razão que obrigue separar o texto e essa visão em duas partes. Verdadeiramente, existe apenas uma Babilônia, e não duas, descrita nesses dois capítulos.

Interessante é que tudo isso contrasta diretamente com as profecias do Velho Testamento, a respeito de Babilônia. Naqueles versículos nós realmente encontramos artigos religiosos tais como sacerdotes, ídolos, etc. Assim, você vê que a última Babilônia, que está revelada em Apocalipse, é realmente notável por sua falta de religião.

Em vez de ser uma entidade religiosa, parece ser bastante secular. O que realmente deve nos impressionar é a ausência de qualquer menção clara de algo religioso. Este autor é forçado a concluir que nenhuma “Babilônia religiosa” é encontrada no livro de Apocalipse.



BABILÔNIA NUNCA FOI A CIDADE DE DEUS




Muitos crentes imaginam que Babilônia é a igreja mundana de hoje. Eles baseiam suas opiniões no fato de que ela é chamada de “prostituta”. Por isso, acham que ela deve ter pertencido a Deus algum dia, mas que então se prostituiu, da mesma forma que a mulher do profeta Oséias (Os 1:2). Contudo, quando olhamos para as escrituras, de forma serena e racional, nenhuma indicação nesse sentido é encontrada.

A “mulher” de Deus é revelada em Apocalipse 12. Ela é santa, brilhante e gloriosa. Ela é perseguida pelo dragão e não se acha assentada sobre a besta. Ela é protegida por Deus, em vez de ser julgada por Ele. O “filho” dela é arrebatado aos céus, para governar as nações (v. 5). E seus outros filhos são os que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo” (v. 17).

Ela pode não ser perfeita, uma vez que precisa ser “alimentada” (v. 6), talvez indicando uma necessidade de mais nutrição espiritual. Mas ela certamente não é descrita como uma prostituta, ou chamada de “Babilônia”.

A mulher encontrada em Apocalipse 17 e 18 é uma história completamente diferente. Ali não encontramos nenhuma indicação escriturística de que ela algum dia já pertenceu a Deus. Na verdade, no instante quando ela aparece, está já montada sobre uma besta de cor escarlate. Ela é a mulher de Satanás desde o princípio. Ele é a sua fonte. A dependência dela está, e sempre foi, nele.

Além do mais, ela não é chamada de “adúltera”, que no grego é MOICHOS (Tg 4:4), indicando que alguma vez ela já teve um compromisso de matrimônio, mas é chamada de prostituta, PORNE (Ap 17:1) Para que uma mulher seja prostituta, não há qualquer necessidade de que ela tenha algum dia sido casada. Nenhum versículo demonstra que ela alguma vez sequer ficou noiva do Senhor.

E ainda, a Babilônia do Velho Testamento também nunca foi cidade de Deus. Ela não era o lugar nem o povo a quem o Senhor escolheu para Si mesmo. Deus nunca usa o nome Babilônia para descrever Seu povo ou Sua terra. Assim, quando Deus escolhe a palavra “Babilônia” em Apocalipse, para descrever a prostituta, Ele claramente não está tentando indicar Seu próprio povo ou Sua igreja.

Embora alguns dentre o povo de Deus estejam vivendo em Babilônia e/ou cometendo adultério com ela, ela não é e nunca foi Dele.

Quando olhamos para isso de forma mais racional do que emocional, vemos que essa “Babilônia” de Apocalipse não parece ser uma referência ao povo de Deus. Portanto, a suposição de que ela seja a igreja, ou uma parte dela que se tornou pecadora, não possui qualquer base bíblica.

É triste, mas é verdade que as igrejas de nossos dias estão se tornando incrivelmente mundanas. Os templos estão cada vez mais opulentos. A ênfase sobre o pecado e sobre o arrependimento está sendo substituída por outra maneira que seja mais fácil e confortável, onde Deus seja o nosso servo, e a nossa obrigação seja a de meramente frequentar regularmente as reuniões e dar ofertas generosas.

Contudo, tudo isso não qualifica essas instituições para que sejam Babilônia, mas apenas uma parte dela. Elas têm se tornado babilônicas em seu caráter e natureza. Elas têm sido levadas cativas para Babilônia, sendo seduzidas pela prostituta.



UM ESPÍRITO ERRADO




Um outro problema sério com o ensino que diz que a “igreja católica e as denominações” são Babilônia, é que esse ensino parece gerar um espírito errado. Em quase todos os grupos que tenho encontrado, que defendem essa opinião, há um forte sentimento de “superioridade”. Eles empinam o nariz, em relação aos que pertencem a um “sistema religioso”. Eles se sentem superior a todos os outros cristãos, que estão “corrompidos”.

Muito de sua unidade e grande parte de sua “espiritualidade” vêm do pensamento de que eles “saíram” de Babilônia e que são uma espécie de elite espiritual. Essa atitude não reflete o coração de Deus.

Pior ainda, muitos que ficam criticando “os sistemas religiosos” e chamando-os de “babilônia”, estão envolvidos com o mundo. Seguindo o padrão mundano, estão apontando o dedo aos outros, enquanto eles mesmos estão traindo Deus, adulterando com a mulher de satanás.

Se nós estamos em contato com o coração do Pai, e vemos qualquer querido irmão envolvido em uma religião impotente e mundana, isso deveria gerar em nós uma reação diferente. Nós choraríamos e oraríamos por ele. Tentaríamos, com muito amor, ministrar a ele a verdade.

Desde que escrevi a primeira versão em inglês deste livro, tenho recebido respostas vindas de crentes que insistem que Babilônia é a igreja de hoje. Muitos dos argumentos que ouço são fortemente “emocionais”.

Frequentemente os argumentos são tingidos por uma antipatia, ou até mesmo ódio para com algumas igrejas. Talvez esses irmãos tenham sido feridos por alguns grupos religiosos e, por isso, têm dificuldade de se desprender de suas experiências e olhar claramente para a palavra de Deus.

Virtualmente todas as provas oferecidas por esses crentes, a fim de demonstrar que Babilônia é a igreja católica (juntamente com as denominações), são muito vagas ou devem ser entendidas “simbolicamente”.

O perigo que vejo aqui é que, enquanto muitos estão olhando para essas “revelações” sem qualquer base bíblica, os fatos patentes desses dois capítulos de Apocalipse estão sendo ignorados.

Talvez o sentimento que alguns têm contra o “sistema religioso” esteja cegando-os para quaisquer outras possibilidades. Enquanto eles estão tentando provar uma Babilônia religiosa, parecem ignorar versículos claros, os quais precisam de pouca ou nenhuma interpretação.

Esses versículos são aqueles que apontam para uma “Babilônia comercial”. Eles apontam para um lugar físico, que podemos provavelmente identificar hoje. É uma “cidade/nação” rica, orgulhosa e cheia de si, que está importando quase tudo o que os mercadores da terra têm para oferecer. É um lugar físico, o qual devemos urgentemente ser capazes de identificar. E é esse lugar comercial, opulento e secular que logo será destruído por fogo. Por isso, precisamos identificar essa entidade.

Talvez você ainda não tenha sido convencido pelos meus argumentos contra a Babilônia religiosa e ainda acredite que ela seja “o sistema religioso”.

Tudo bem. Não preciso convencer você. Mas, por favor, considere cuidadosamente duas coisas. Primeira: Está bem claro que será uma “Babilônia comercial” que vai ser destruída pelo fogo. Sua presença lá não vai impedir esse evento.

Segunda: Deus vai te cobrar a respeito da condição de seu coração. Se você está namorando com este mundo e adulterando contra Ele, mesmo que você não more em “Babilônia”, você receberá o julgamento que merece.

Por isso, colocando as ideias religiosas de lado por um momento, cada cristão precisa muito examinar seus motivos e coração e, então, preparar-se, arrepender-se e, se for necessário, fugir de um lugar físico, antes que os julgamentos sobre ele cheguem.



NOTA: MONTANHAS, CABEÇAS E REIS




Vamos reexaminar agora uma parte da passagem de Apocalipse que é um pouco difícil. Por favor, acompanhe-me cuidadosamente através de alguns passos de lógica. Essa visão não é tão difícil de entender como parece à primeira vista. Tudo o que é exigido é um pouco de sabedoria, a qual Deus alegremente dará a todos os que lhe pedirem.

Somos informados que a prostituta está montada sobre a besta. Essa besta tem sete cabeças e dez chifres. Em outro livro, Anticristo, já examinamos esse assunto da besta e dos dez chifres. Por ora, iremos nos concentrar apenas nas sete cabeças da besta. O anjo nos ajuda, explicando: “As sete cabeças são sete montes sobre os quais a mulher está assentada, e também são sete reis” (Ap 17:9,10 ).

Aqui temos uma fórmula bem simples. Cada cabeça representa um monte e um rei. Poderíamos pensar sobre isso da seguinte maneira:

1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei

Então lemos: “Cinco já caíram” (Ap 17:10). Assim, aprendemos que de sete entidades, cinco delas já caíram. Isso significa que elas já surgiram e já se foram da história. Isso, então, deixaria-nos um diagrama parecido com esse abaixo, estando riscados os que já caíram, deixa-nos apenas dois grupos:

1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei

Sobre as duas entidades que restaram, lemos: “uma é, e a outra ainda não chegou; e quando vier, deve permanecer por pouco tempo” (Ap 17:10). Não há dúvida de que, após quase 2000 anos de história, a entidade que “é”, ou melhor, que existia no tempo em que o Apocalipse foi escrito, também já tenha “caída” ou desaparecida. Assim, podemos também riscá-la. Isso, então, deixaria-nos com apenas aquela a qual é dito “ainda não chegou”.

1cabeça = 1 monte = 1 rei 1cabeça = 1 monte = 1 rei

O que tudo isso significa? Em profecia bíblica, geralmente, uma “cabeça” sobre algum tipo de besta significa um líder, ou um rei. Já temos visto isso em nossa fórmula,

1 cabeça = 1 monte = 1 rei.

Os montes provavelmente representam reinos. Encontramos apoio para esta interpretação no livro de Daniel. Enquanto o profeta está tendo a visão, ele viu “uma pedra que fora cortada sem a ajuda de mãos” que esmagou os pés da grande estátua e “se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra” (Dn 2:35).

Isso, então, significaria que, quando o Senhor Jesus voltar, Ele irá esmagar o Anticristo e que o Seu Reino se tornará grande (uma grande montanha) e encherá toda a terra. Portanto, podemos concluir que montes representam reinos.



SETE “BABILÔNIAS”




Assim, o que já discutimos é que o espírito de Babilônia, com tudo o que ele representa, irá se manifestar, em toda a sua expressão, sete vezes através da história mundial, em sete reinos (sete montes) e sob a autoridade de sete reis. Cinco deles já vieram e já se foram, no tempo em que João teve essa visão. Um deles existia no seu tempo, e um último estava vindo.

Isso significaria que nós poderíamos olhar para trás, na história mundial, e encontrar cinco instâncias de um império que se tornou bem sucedido, rico e, então, totalmente decadente.

Embora este escritor não seja capaz de identificar precisamente cada um dos cinco reis que já caíram, mesmo porque identificá-los não é importante para o nosso entendimento, certamente houve cinco reis e eles já caíram.

A manifestação da Babilônia que “é”, ou que existia nos dias do apóstolo João, é mais fácil de identificar. O Império Romano, o qual era então proeminente, encaixa-se exatamente em nossa descrição.

Esse reino poderia, então, representar a sexta [1 cabeça = 1 monte = 1 rei ] entidade, que no tempo presente já tem sido reduzida a simples sombra de seu poder inicial, fama e pecado.

Mas, ainda tem uma manifestação faltando. Uma ainda está por vir. Parece que, nestes últimos dias, este espírito de “excessos” (incluindo religião) seria manifesto em toda sua plenitude em um lugar físico e num tempo determinado.

O que procuramos hoje é a última manifestação de Babilônia. Podemos esperar ver em nossa geração uma “cidade” que está se tornando tudo aquilo que o Império Romano foi, e até mais.

É certo que, no final desta era, irá aparecer uma última grande “Babilônia” que, em termos de luxúria, excesso e pecado, irá se levantar até ser julgada e destruída por Deus.