A Grain of Wheat Ministries

A Grain of Wheat Ministries


Início Sobre Nós Publicações MP3 Pedidos Contato



SEMENTES

UMA COLETÂNEA DE ESCRITOS










PREFÁCIO




Este livro é uma coleção de escritos feitos durante os últimos 35 anos. Alguns destes artigos foram publicados como panfletos e enviados esporadicamente com nossas notícias pelo correio aos interessados.

Alguns dos escritos mais antigos foram revisados antes de entrar neste livro. Por exemplo, enquanto estava revisando algumas partes de mensagens, achei os conteúdos um pouco severo ou “zelosos” demais.

Esse problema foi detectado principalmente nos capítulos “Frutificando” e “O Amor de Deus.” Consequentemente, foi feito um esforço em mudar o tom desses escritos para corresponder melhor com o que agora sentimos expressar melhor o coração de Deus.

No caso de “Você Está Enganado?”, este capítulo sofreu uma revisão bastante radical. Muita coisa nova foi adicionada tornando-o, assim, muito diferente. Só a parte final sobreviveu ao corte.

Este volume representa muito tempo, esforço e busca pelo Senhor. Está sendo oferecido com a intenção de edificar o corpo de Cristo e a preparar para a vinda Dele.

É a oração de todos os envolvidos com este ministério que o leitor ache, nessas páginas, bastante edificação e benção.

D.W.D.






1.



NÃO OBSTANTE






No livro de Deuteronômio, no Velho Testamento, nós aprendemos que, enquanto os Filhos de Israel se preparavam para entrar na terra de Canaã, Deus deu a eles algumas instruções específicas. Entre estas diretivas estava uma exortação referente à adoração.

Veja, os habitantes da terra, que estavam sendo substituídos pelo povo de Israel, tinham certos hábitos de adoração que Deus ordenou ao Seu povo para não imitar. Parece que, quando os cananeus viram um confortável arvoredo ou um lugar bonito e elevado, escolhiam esse lugar para erigir seus ídolos. Esses lugares, naturalmente agradáveis e destacantes, tornavam-se o centro de sua adoração idólatra – os “bosques” e os “lugares altos.”

A respeito destas coisas, Deus lhes ordenou: “Vocês destruirão totalmente todos os lugares em que as nações que vocês irão desapossar serviam aos seus deuses, sobre as altas montanhas e sobre as colinas e debaixo de toda árvore frondosa.” “Vocês não devem fazer assim para o Senhor Seu Deus” (Dt 12:2,4). O Senhor deixou perfeitamente claro que eles não tinham liberdade de utilizar esses locais.

Ele disse: “Guarda-te para que não ofereças teus holocaustos em cada lugar que vires, mas no lugar que Deus escolher ...ali vocês devem oferecer seus holocaustos e ali devem fazer tudo o que eu ordeno a vocês” (Dt 12:13,14).

Deus tinha em mente um tipo definido de adoração para Seu povo. A verdadeira adoração do Velho Testamento devia ser centralizada em torno de um lugar específico, determinado. Novamente Ele os admoesta, dizendo: “Quando vocês cruzarem o Jordão ...haverá um lugar que o Senhor Seu Deus escolherá para ali fazer habitar Seu nome. Para ali vocês deverão trazer tudo o que Eu vos ordenar: seus holocaustos, seus sacrifícios, seus dízimos, a oferta alçada de suas mãos e todas as ofertas escolhidas que vocês dedicarem ao Senhor” (Dt 12:10,11).

De acordo com as sagradas escrituras, o povo de Deus não era livre para selecionar e escolher seus próprios lugares e maneiras de louvar. Ninguém era livre para fazer “...o que é correto aos seus próprios olhos” (Dt 12:8). Em vez disso, havia uma limitação definida, específica, imposta a eles. Seu louvor deveria ser feito em um lugar determinado. (Dt 12:5-7).

Claro que a maior parte de vocês, leitores, estão cientes do fato de que o lugar, enfim, escolhido por Deus para este propósito era o Monte Moriá, na cidade de Jerusalém. Foi lá que o rei Salomão construiu o templo, era aquele “lugar” que Deus honrava com Sua presença (2 Cr 5:13,24) e foi aquele local que se tornou o centro de toda verdadeira adoração judia.

Não obstante, assim como a maioria das outras instruções de Deus, o povo judeu não obedeceu Sua ordem. Antes da construção do templo em Jerusalém, o Tabernáculo era o lugar designado para a adoração. Em vez de enfrentar todos as dificuldades da jornada para o lugar onde o Tabernáculo foi erigido, eles começaram a utilizar os velhos e convenientes locais dos cananeus. Com o passar de tempo, esta se tornou a prática comumente aceita (1 Rs 3:2).

Logo, mesmo os líderes, que deveriam ter tido melhor conhecimento, foram levados a esta apostasia. Samuel fez sacrifícios em Ramá e Gilgal (1 Sm 7:17; 11:15). Salomão não apenas louvou em muitos lugares altos diferentes incluindo Gibeom (1 Rs 3:3,4) como chegou a ir mais longe, construindo ídolos para suas esposas estrangeiras (1 Rs 11:7).

(Aqui é importante compreender que, mesmo que os israelitas fossem a esses locais para sacrificar, eles não estavam necessariamente reverenciando ídolos. Embora o pecado da idolatria certamente ocorreu, parece que os judeus frequentavam esses “lugares altos” em busca do Deus verdadeiro. Suas intenções pareciam ser corretas, embora seus atos estivessem errados).

Agora, como tal coisa se aplica a nós hoje? Nós aprendemos que toda escritura nos é dada para nosso benefício. Então parece razoável que esta advertência referente ao lugar específico para o louvor deve ter alguma aplicação em nossa situação atual. Para compreender a resposta aqui, precisamos saber que muitas das instruções religiosas do Velho Testamento são, na verdade, tipos ou “sombras” de uma futura realidade espiritual.

O cordeiro oferecido na Páscoa dos judeus é um dos mais óbvios exemplos disso, claramente apontando para o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo. No que diz respeito à nossa presente discussão sobre o lugar adequado à adoração, o Novo Testamento também nos fornece a execução desta tipologia.

Como era sob o velho pacto, assim é no novo. Deus nos instruiu acerca de um lugar definido para a adoração. Há um lugar específico ordenado por nosso Senhor, onde nós devemos adorar se somos obedientes e queremos agradá-Lo. O próprio Jesus revelou esta verdade em Sua discussão com uma mulher samaritana. Quando ela O questionou sobre o centro religioso de Jerusalém, Ele respondeu: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito” (Jo 4:23).

Aqui está o local! Aqui está o cumprimento espiritual do modelo terreno! A verdadeira adoração deve hoje ser feita em Espírito ou será feita em desobediência a Jesus. Paulo, o apóstolo, confirma isso em Filipenses 3:3, onde ele diz: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito e nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne.”



OS LUGARES ALTOS




Então, se a cidade de Jerusalém simboliza para nós o lugar apropriado para a adoração – que hoje significa estar no Espírito – como podemos compreender o significado do aviso contra o uso dos lugares altos?

Os bosques e os lugares altos são símbolos de outros “lugares” nos quais o louvor pode ser feito. Eles são um substituto para a verdade. Eles são as substituições religiosas para a verdadeira adoração espiritual. Esses são os ornamentos terrenos que nos fornecem uma “forma de religião”, mas que são destituídos do poder do Espírito Santo (2 Tm 3:5). Eles oferecem aos cristãos de nossos dias um modo conveniente e socialmente aceitável de prestar culto que não exige que eles tenham um relacionamento íntimo e espiritual com Deus.

Parece interessante parar um momento aqui e discutir alguns dos mais comuns desses atuais “lugares altos” no intuito de oferecer uma compreensão mais clara de nosso assunto. Mas, antes de prosseguirmos, devo avisá-lo que estas coisas podem ofender você. Entretanto, se você escolher continuar a ler, por favor, faça todo o possível para desejar ouvir de Deus e mudar qualquer de suas atividades que se revelem como desagradáveis a Ele.

Alguns dos itens que hoje fornecem uma substituição para a realidade espiritual em encontros cristãos são: liturgias, rituais, formalidades, “serviços” pré-planejados, programas de música, oratória, etc. e liderança e organização humana. Enfim, quaisquer atividades religiosas que oferecem ao homem uma alternativa para “estar no Espírito.” Elas são práticas que parecem religiosas, mas não requerem dos participantes um relacionamento real com Deus, qualquer obediência à Sua vontade ou qualquer desejo de viver pelo Espírito em vez da carne.

Eles são substitutos terrenos, humanos, para uma experiência espiritual essencial. Eles são “lugares” ou meios de adoração comuns na Igreja de hoje, mas que são proibidos por Deus. Nenhuma outra adoração é aceitável a Ele, exceto aquela que Ele prescreveu. Verdadeiros adoradores devem adorar somente em Espírito.

As pessoas tendem a supor (consciente ou inconscientemente) que, por se aproximar de Deus de uma forma particular, em um edifício especial ou de acordo com a orientação de um religioso, seu relacionamento com Deus será intensificado. De fato, elas muitas vezes aprenderam, seja diretamente ou através de exemplos recebidos, que tais coisas são essenciais para a genuína adoração. Entretanto, o único lugar no qual a real comunhão com Deus é possível é em Sua presença. E estar em Sua presença requer nada mais que estejamos no Espírito.

Quando vamos a outros “lugares” para adorar, nós O substituímos por eles. Nós, ao longo do tempo, começamos a depender dessas práticas e desempenhos como garantia de que estamos em um relacionamento correto com nosso Salvador. Essas coisas, então, se tornam as estruturas de suporte para nosso Cristianismo, substituindo a necessidade de realmente andar em intimidade diária com Deus. Deste modo, a necessidade de estar no Espírito é sutilmente substituída pelas práticas religiosas superficiais.

Duvido que alguém questione o fato de que as pessoas podem participar das práticas acima mencionadas mesmo sem serem verdadeiros crentes. O que não parece ser tão aparente é que cristãos não podem louvar nesses outros “lugares” e estar agradando completamente a Deus ao mesmo tempo.

Não estamos “O.K.” com Ele se nos envolvemos em formalidades religiosas que são isentas do Espírito Santo ou que roubam Dele o Seu lugar legítimo. Do mesmo nível que nós fazemos o que é correto aos nossos próprios olhos e participamos de louvores não espirituais, nós, simultaneamente, colocamos Deus de lado. Quando louvamos nesses outros “lugares,” nós negligenciamos Sua autoridade e desobedecemos Seus claros mandamentos.



VERDADEIROS ADORADORES




Para melhor compreender essas afirmações, talvez aqui seja necessário investigarmos juntos sobre a adoração verdadeira e espiritual. Primeiramente, para adorar no Espírito, precisamos ser nascidos do Espírito. Nenhum grau de instrução, rituais de Igreja ou laços familiares irá nos beneficiar. Só aqueles que realmente nasceram “do alto” (têm a vida de Deus gerada neles) podem se empenhar na verdadeira adoração (Jo 3:5,6).

Em segundo lugar, um adorador genuíno deve estar “cheio” do Espírito Santo. Se realmente queremos entrar no Espírito, é necessário nos abrirmos para sermos preenchidos pelo Espírito Santo.

Em terceiro lugar, para ter verdadeira adoração precisamos ser dirigidos pelo Espírito Santo. Este é, talvez, o item mais negligenciado na igreja hoje. Se desejamos estar no Espírito, mas não seguimos estritamente a liderança do Espírito em nossos cultos, estamos nos iludindo. Não podemos permanecer em Sua presença enquanto rejeitamos Sua autoridade.

Devemos ser extremamente sensíveis à Sua liderança se desejamos adorar no lugar que Ele escolheu para colocar Seu nome. Jesus não é um observador de nossa adoração, mas deve ser o líder e o Sumo sacerdote dela.

Este último item é precisamente onde todos os outros “lugares” religiosos de adoração falham no teste. Por exemplo, quando a “ordem de adoração” é estabelecida antecipadamente, Deus é desprovido de Sua oportunidade de liderar.

Quando simplesmente seguimos rituais e repetimos certas coisas, a presença viva e a autoridade de Jesus não são colocadas em seu devido lugar. Se simplesmente nos sentamos no culto, observando outros executarem várias cerimônias e entretenimentos, Sua legítima liderança é negada.

Envolvendo-nos nestas coisas nós bloqueamos a autoridade do Espírito Santo. Nós O limitamos pelas nossas práticas humanas. Em essência, nós dizemos a nosso Senhor: “Nós vamos adorar aqui, deste modo, e se você quiser se manifestar em nosso meio, você tem que se ajustar como puder.” Nós escolhemos nossos próprios “lugares” de adoração.

Alguns podem tentar se opor a essa afirmativa insistindo em que Deus certamente pode nos direcionar a arrumar as coisas antecipadamente. Por exemplo, Ele pode dar a um ou dois homens uma mensagem para os demais. Certamente que isso é verdade. Deus pode e às vezes nos prepara de maneira específica, para a nossa adoração em conjunto. Mas isto não justifica o fato de que a maioria dos cristãos se encontra semana após semana, ano após ano, da mesma maneira, usando a mesma liturgia, cantando canções do mesmo livro e passivamente ouvindo o mesmo pregador.

Certamente toda essa vã religião não pode ser explicada pela simples verdade que Deus pode nos preparar espiritualmente antes de nossos encontros. É claramente um caso de escolhermos nossos próprios modos e meios de adorar. Tal comportamento é uma violação do mandamento de Deus.

Um encontro correto da igreja, um que esteja no Espírito, opera assim: verdadeiros crentes se reúnem, abrem seus corações e suas reuniões e, então, Ele vem para preenchê-los e para liderá-los em sua adoração. Nesta situação, cada um é capaz de ministrar sua parte pela liderança do Espírito (1 Co 14:26-30). Cada um fala, começa uma canção ou hino, profecia, etc, de acordo com Sua direção. Ninguém é livre para fazer sua própria vontade ou dominar os demais com seu dom ou ministério.

Deste modo, o que Deus tem revelado a cada um e as coisas grandiosas que Ele tem feito em cada vida são compartilhadas com todos para a edificação de todos. O fornecimento de “cada junta” do corpo de Cristo é essencial para a verdadeira edificação do corpo (Ef 4:16).

Sim, há liderança aqui. Haverá sempre aqueles mais maduros e sensíveis ao Espírito que podem e devem ajudar a manter tais reuniões no fluir do Espírito. De fato, isso é essencial para se manter a ordem e os propósitos de Deus. Mas isto também deve ser feito pela direção de Jesus, não por mãos humanas. Todo o possível deverá ser feito para preservar o “lugar” de Deus em nossos encontros. Nós devemos adorá-Lo no Espírito para que nossa adoração seja aceitável. Essa é a Jerusalém de hoje. É a adoração que Ele ordenou.





MUITOS REAVIVAMENTOS




No Velho Testamento nós temos o registro de muitos reavivamentos que ocorreram durante o tempo dos Juízes e dos Reis. Como já vimos, os israelitas frequentemente se afastavam das ordens de seu Deus. Para contrariar esta propensão a apostatar, através de sua história, Jeová orquestrou muitos reavivamentos. Várias vezes Ele levantou homens e mulheres que trabalharam para trazer a nação de volta a Deus e a obedecer Suas leis e estatutos. Entre esses que Deus usou para cumprir esta tarefa estão: Eúde, Gideão, Débora, Davi, Asa, Josafá e Ezequias.

Esses indivíduos foram escolhidos e ungidos pelo Senhor para fazer trabalhos de restauração espiritual. Eles eram Seus instrumentos para derrubar ídolos, destruir os sodomitas e os falsos profetas e voltar o coração do povo novamente para seu Deus. É emocionante ler nos livros de Juízes, Reis e Crônicas, e ver como essas pessoas foram usadas pelo Senhor.

Ainda assim, no fim de muitos desses relatos de reavivamento, uma certa passagem aparece. Lê-se algo assim: “Não obstante, os lugares altos não foram destruídos e o povo ainda queimou incenso nos lugares altos” (1 Rs 15:14, 22:44, 2 Rs 12:3; 14:4, 15:4,35).

Apesar do fato de que houve reavivamento, mesmo que muito do que estava no coração de Deus foi restaurado através do ministério desses indivíduos, havia sempre um item que permanecia sem cumprimento. Havia sempre esse “Não obstante... não obstante... não obstante...” Havia inevitavelmente uma falha ao alcançar o alvo e voltar completamente para tudo quanto estava no coração do Senhor. O povo de Deus ainda se apegava às formas proibidas de adorar.



UMA HISTÓRIA PROFÉTICA




Conforme leio estes relatos do Velho Testamento, não posso evitar a suspeita de que estas histórias são como uma história profética da Igreja Cristã. Muito do que eles experimentaram é semelhante ao que estamos vivendo ou temos vivido desde que Jesus morreu. Parece que os cristãos, tanto quanto seus correlativos judeus, têm uma grande propensão para se afastar de Deus. Eles parecem ter uma tendência profundamente enraizada para emigrar do espiritual para o natural, do celestial para o terreno. Não demorou muito para que as primeiras igrejas do Novo Testamento saíssem da liberdade de seu início glorioso com a experiência do Espírito para a escravidão da lei e outras coisas religiosas superficiais.

É evidente nas Escrituras que Paulo, o apóstolo, tinha que passar muito tempo contrariando tais tendências. Sua ênfase sobre Cristo ser a substância, centro e preenchimento de todas as coisas era sempre ameaçada por aqueles que desejavam executar rituais e práticas externas.

Essa forte propensão ainda está conosco hoje. Não temos que procurar muito longe ou arduamente para descobrir uma grande diversidade de modos de adorar em vez de uma simples abertura para o Espírito Santo e obediência a Ele. O lugar em que nosso Senhor estabeleceu Seu nome, o lugar único onde a verdadeira adoração pode ser aceitável a Ele, foi substituído por muitos e variados tipos de “lugares altos.”

Oh sim, não há dúvida de que as pessoas ainda estão pretendendo adorar o único Deus verdadeiro com suas invenções e fórmulas. Talvez muitos deles tenham procurado evitar o pecado da idolatria. Por causa disso, é frequentemente difícil, para os crentes sem discernimento, compreender o que há de errado com o que eles estão fazendo.

Mas para aqueles que conhecem o coração de Deus, este louvor tão terreno é uma fonte contínua de tristeza. Em tais situações a realidade do Espirito Santo tem sido trocada por métodos, cultos organizados pelos homens e práticas vazias e terrenas. Estes são os “lugares altos” de hoje. Eles são um substituto para o tipo de adoração que Deus ordenou.

Não é de se admirar que tantas de nossas igrejas sejam tão fracas. Não se admira que nós estejamos produzindo bebês espirituais em vez de santos amadurecidos. Em vista de tudo isso, não é surpreendente ver que a Igreja não tenha evangelizado o mundo e que ela pareça ter tão pouco poder contra os inimigos de Deus.

Temos vivido em desobediência a Deus. Temos seguido nossas próprias ideias em vez das Dele. Temos escolhido nossos modos e meios de adorar e temos suposto que eles produziriam os mesmos resultados que os de Cristo. Mas Deus ordenou adoração espiritual por uma boa razão. Só desse modo Ele pode ser tudo o que Ele deseja ser entre Seu povo. E só deste modo eles podem amadurecer para se tornar o que Ele deseja que sejam.



OS REAVIVAMENTOS DO CRISTIANISMO




Os dias dos profetas e dos reis não foram os únicos tempos de reavivamento. A Igreja Cristã tem tido muitos. Uma rápida leitura da história da Igreja confirmará prontamente este fato. Só nos tempos recentes nós podemos lembrar nomes como Evan Roberts, Duncan Campbell, Charles Finney, John Wesley, George Whitfield, Andrew Murray, Charles Spurgeon e Dwight Moody, só para mencionar alguns.

Todos esses homens e muitos outros fizeram trabalhos poderosos para Deus. Eles perceberam num relance algo mais do que era comumente praticado e empenharam-se seriamente em trazer de volta para Jesus os corações do povo. Deus os ungiu e os usou poderosamente para trazer uma compreensão renovada de Seu amor e poder para ambos: Sua Igreja e o mundo descrente.

Milhares foram salvos nestes reavivamentos e um número incontável foi tocado pelo Espírito de Deus. Houve, todavia, em muitos aspectos, uma falha de alcançar às Suas intenções mais profundas. Muitas vezes ocorreram verdadeiros reavivamentos. Não obstante, as estruturas superficiais humanas não foram desmontadas e o povo ainda se apegou às práticas religiosas sem conteúdo verdadeiramente espiritual. Os outros “lugares” de adoração foram deixados intactos.

É verdade que Martinho Lutero e outros homens de Deus fizeram um progresso considerável em relação à aridez e decepção da religião formal. Embora, quase inevitavelmente, não houve um rompimento completo. A restauração de volta para o coração de Deus, para a adoração conduzida pelo Espírito, não foi levada até o final.

Para estar completamente justo, é preciso afirmar que algum progresso tem sido alcançado neste sentido na recente história da Igreja. Muitos grupos têm introduzido uma certa dose de liberdade espiritual em seus encontros, especialmente durante tempos de louvor e de cânticos. Esses movimentos são muito recomendáveis. Esta direção deveria ser aplaudida e encorajada. Entretanto, é ainda extremamente raro encontrar uma reunião de cristãos onde é permitido ao Espírito Santo, completa liberdade e autoridade total.

Normalmente, depois de um tempo de “louvor”, os encontros tendem a reverter para seguir formas e programas ou ser dominado por um ou dois líderes. Isto resulta na limitação da autoridade de Jesus, em sufocar o Espírito e “o lugar” de Deus se perde. Tal restauração é incompleta porque ainda deixa intactos os arvoredos e os lugares altos.



O MINISTÉRIO DE JOSIAS




Durante o período de Reis, só Josias seguiu o Senhor completamente neste assunto. Lemos “Antes dele não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças, seguindo toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro igual” (2 Rs 23:25). Ele não apenas removeu os ídolos, queimou as imagens de madeira, interrompeu a prática de ritual prostituição e destruiu altares de idolatria, mas ele também acabou com os lugares altos (2 Rs 23:8 e 2 Cr 34:3).

Finalmente Deus tinha encontrado um homem que fazia tudo o que estava em Seu coração e executava Seus julgamentos. Finalmente Ele tinha encontrado alguém puro, completamente livre de tudo o que havia ocupado o lugar de Seus mandamentos.

Glória a Deus! Não mais “não obstante... não obstante... não obstante..." Não mais restaurações parciais. Não mais medidas medianas. Aqui, finalmente, o que Deus almejava foi totalmente cumprido e o que Ele havia ordenado foi inteiramente obedecido.

Que tempo abençoado de reavivamento foi este! Mesmo a observação da “Páscoa" foi novamente instituída e o povo aproveitou um tremendo tempo de festas diante do Senhor” (2 Rs 23:22).

Agora, você não acha que Deus pode desejar algo semelhante a isto hoje? Você não supõe que uma completa restauração dos encontros da verdadeira igreja espiritual é algo que está em Seu coração? Nosso Deus é o mesmo, ontem, hoje e para sempre. Seus planos e propósitos não mudaram. Ele pode tolerar o comportamento desviado de Seu povo. Ele pode permitir a continuação de uma condição de mistura e de impureza. Ele certamente continua a nos amar e a nos guiar.

Mas não é certo que, no íntimo de Seu coração, Ele deseja algo muito maior do que isto? Como Ele deve ansiar por ser obedecido e entronizado completamente entre Seu povo!

Queridos amigos, vinho novo não se guarda em odres velhos. O fato de Deus nos permitir seguir nossos próprios caminhos e frequentemente nos abençoar mesmo quando não somos inteiramente obedientes, não muda o que está em Seu coração. Não podemos nos desculpar só porque o que estamos praticando é o mesmo que todo mundo faz.

Creio firmemente que antes que Jesus venha de novo, Ele gostaria de purificar Seu povo. Ele gostaria de limpar Seu templo de todas as coisas que O ofendem. Ele gostaria de estabelecer entre nós uma adoração pura que seja completamente aceitável a Ele.

Finalmente, gostaria de sugerir que Deus está, exatamente agora, procurando por alguém que seja inteiramente obediente, alguém que se levante e fique firme para Ele. Não há dúvida de que Deus está procurando os Josias’ de hoje.




2.



O BATISMO COM FOGO






Ao longo de muitas décadas, o “batismo com o Espírito Santo” tem se tornado um assunto amplamente debatido por diversas pessoas. O tema tem sido ensinado, debatido e discutido de diversas formas por quase toda comunidade cristã. De fato, é muito difícil encontrar um religioso de qualquer parte que não tenha forte convicção sobre o assunto.

Apesar da diversidade de opiniões que rondam o tema, parece que um aspecto central desse batismo tem sido negligenciado – o que se refere ao batismo com fogo.

João Batista declarou: “Eu na verdade vos batizo com água. Mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele tem a pá na sua mão para limpar a sua eira, e ajuntar o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga” (Lc 3:16,17).

Encontramos, aqui, um pronunciamento estranho. João diz que o filho de Deus, Jesus Cristo, o salvador do mundo, está vindo, e quando vier batizará homens e mulheres com fogo. Qual é o significado do fogo? Por que Deus derramaria fogo dos céus sobre aqueles que acreditam Nele? Esse será o foco de investigação nas próximas páginas.

Deus deseja purificar Seus filhos. Ele não deseja apenas ter comunhão com os que crêem Nele, mas Ele almeja também limpá-los e purificá-los para que apareçam diante Dele santificados.

Creio que esse batismo com fogo é o mesmo fogo do “fogo do refinador”. Essa comparação é amplamente mencionada em outras partes das escrituras (ver Ml 3:2,3; Zc 13:9) que significa um leito de brasas intensamente ardente, que faz parte do processo de refinamento de metais, usado para limpar as impurezas do ouro e da prata. De forma análoga, Deus está nos batizando com Seu fogo para nos limpar, para nos purificar e nos preparar para Sua volta.




PROVAS DE FOGO




O que significa na atualidade esse termo para os crentes? Pedro nos diz que não devíamos achar estranha a ideia de provas de fogo que vêm sobre nós (1 Pe 4:12). Nós, como crentes, não devíamos nos surpreender se na nossa caminhada com o Senhor passarmos por momentos de intensa dificuldade ou sofrimento.

Se enquanto estamos adorando ao Senhor de todo nosso coração e procurando servir-Lo nos encontrarmos cercados de adversidade, angústia e problemas nós não devíamos ser surpreendidos. Isso é simplesmente a prova da nossa fé (1 Pe 1:7).

Uma vez que nós recebemos o Senhor Jesus Cristo, isso é apenas o início de um processo vitalício durante o qual Deus nos purifica interiormente. Jesus Cristo veio não apenas para nos perdoar pelos nossos pecados, mas para nos libertar do pecado (Jo 8:31-36).

Desde Sua ressurreição da sepultura, Ele tem o poder não apenas para perdoar pecados, mas de purificar do pecado, fazendo com que nós sejamos como Ele e para que nós não vivamos mais no pecado. A vida de Deus vivendo dentro de nós, nos viabiliza a vivermos acima do pecado.

Não estou dizendo aqui que um cristão purificado jamais poderia pecar, mas a tendência a pecar é tirada. O desejo de pecar é removido e, em grande medida, suas vidas são aperfeiçoadas.

Infelizmente, esse tipo de vida santa não é nem barata nem fácil. Para atingi-la, nossa vida deve ser provada. Ninguém chega à santidade naturalmente, mas apenas após os mais severos testes. As coisas através das quais Deus está lhe colocando hoje são exatamente o que você precisa para ser purificado. Não pense que sua situação é tão difícil ou que é algo do diabo, algo “não de Deus”.

Não, onde você está hoje é exatamente onde Deus quer que você esteja. As provações que você está suportando são perfeitas para sua situação. Acredito que foi o famoso pregador Charles Spurgeon quem disse algo do tipo: “Se Deus, em Sua infinita misericórdia, pudesse encontrar um lugar melhor para você estar hoje, Ele teria colocado você lá”.

As dificuldades pelas quais nós estamos passando são designadas por Deus para alcançar dentro do cerne do nosso ser e tocar aquelas coisas que Ele sabe que ainda estão caídas, naturais e vivendo em inimizade com Sua natureza.

Se nós, por nosso próprio poder, conseguimos nos desprender dessas situações difíceis, se nós conseguimos encontrar alguma saída, esse alívio será apenas temporário. Deus trabalhará de novo na nossa situação e no nosso meio para nos trazer novamente o sofrimento ao ponto onde Ele pode colocar pressão naquela área particular da nossa vida que precisa de refinação.

Alguns crentes, por exemplo, ao terem dificuldades em seus casamentos, pensam que o divórcio seria uma forma de escapar da pressão na qual eles se encontram. Mais tarde eles percebem que essa era a coisa errada. Segundos e terceiros casamentos começaram a desmoronar do mesmo jeito.

Nenhuma felicidade ou alívio são encontrados em muitos casos pelo fato das pessoas estarem simplesmente fugindo das mãos do Senhor. Muitas vezes os novos casamentos ficam ainda pior.

Precisamos entender que as circunstâncias extremas pelas quais nós estamos passando são Dele, e que Ele está permitindo essas coisas virem sobre nós porque Ele nos ama e Ele deseja que nós sejamos santos. Ele está derramando Seu batismo de fogo do Espírito Santo sobre nós para mudar nossas vidas, nos purificar, para queimar dentro de nós de modo que apenas o que é de essência eterna permaneça. Em vez de reclamar e procurar uma saída para nosso problema, nós precisamos aprender a reconhecer o trabalho da mão Dele e agradecê-Lo por isso.



DAR GRAÇAS




A escritura diz: “... em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18). Em outro lugar ela diz: “... sede agradecidos” (Cl 3:15).

Se pela Sua misericórdia, no meio do fogo e da tormenta de algumas circunstâncias presentes nas quais nós nos encontramos, nós voltarmos nosso coração para Deus e dissermos, “Senhor, obrigado. Obrigado por me permitir sofrer este teste para que eu possa ser purificado, para que as impurezas na minha vida possam ser queimadas, para que o mal que está em mim possa ser removido e eu possa ser como Tu...”

Se nós pudermos fazer isso, nós encontraremos a ajuda que nós precisamos. Devemos entender que nós, povo de Deus, estamos sendo aperfeiçoados através do sofrimento.

Uma amiga minha uma vez me disse algo que eu acho que vou sempre lembrar. Ela disse: “Você sabe que nosso Cristianismo não é revelado pela forma como nós agimos, mas como nós reagimos”. Na hora eu me perguntava por que essa querida irmã estava dizendo isso pra mim.

A verdadeira vida cristã não consiste em padrões de comportamento aprendidos, mas no que nós realmente somos por dentro. É muito fácil pra nós enganarmos a nós mesmos e aos outros fingindo ser muito santos e religiosos. É bastante fácil reproduzir um ato e fazer um tipo de “teatro” cristão.

Mas nada vai expor mais nossa condição interior do que uma pequena pressão. Quando nossa esposa está com raiva, as crianças gritando, o cão latindo, o telefone tocando e a comida queimando no fogão, quando nós estamos sob pressão intensa, é então que o que está dentro de nós sai.

Muitas vezes Deus aplicará pressão sobre nossas vidas para nos mostrar exatamente como nós somos, para nos revelar o tipo de coisas que está circulando em nossos corações.

Ele faz isso para o nosso próprio bem. Deus não está nos punindo. Ele está nos amando. Em Sua infinita misericórdia Ele está fazendo com que nós vejamos o mal no nosso coração para que nós possamos nos voltar para Ele. Uma vez que nós estamos tão expostos, nós podemos pedir perdão, concordar com o julgamento Dele sobre tal tipo de pessoa (arrepender), e render a Ele aquela parte da nossa vida completamente.

Então nós podemos começar a cooperar com os trabalhos do Seu Espírito Santo enquanto Ele purifica aquele pecado das nossas vidas. Irmãos e irmãs, essa é a misericórdia de Deus. A circunstância na qual você se encontra pode ser a mão do amor de Deus, a expressão da Sua afeição sincera por você, para que você ganhe uma eterna carga de glória.

É claro, nenhum sofrimento parece ser nada agradável quando nós estamos passando por ele. Normalmente é difícil e doloroso. Muitas vezes nós ansiamos sair da situação e escapar das coisas que estão nos causando desconforto e dor.

Mas a verdadeira resposta raramente se encontra na fuga. Ela se encontra, em vez disso, em voltarmos nossos corações para o Senhor e encontrar, como Sadraque, Mesaque e Abedenego no meio da fornalha de fogo ardente, alguém “... semelhante ao Filho de Deus” (Dn 3:25).

Se quando nós nos encontrarmos no meio de situações ardentes, dolorosas e difíceis, nos rendermos ao Senhor e nos abrirmos paro o Espírito Santo, Ele nos preencherá, Ele nos fortalecerá; Ele nos proverá exatamente o suficiente para que nós possamos passar.

Essa é a real essência de uma vida cristã vitoriosa. Não é que nós escapamos. Não é que nós aprendemos como manipular nosso ambiente para deixar de ser atingido por qualquer dor ou sofrimento. É que nós aprendemos nas nossas provas e tribulações a entrar no Espírito, a encontrar um descanso em Deus e ser erguidos acima das circunstâncias pela fé.

Muitos grandes servos de Deus ao longo dos séculos foram aprisionados, castigados ou mesmo torturados pela sua fé, e ainda encontraram no meio dessas coisas uma sensação da graça sobrenatural. Eles se encontraram sendo elevados acima das suas circunstâncias e das suas situações. Alguns, enquanto estavam sendo queimados na estaca experimentaram sua alma sendo preenchida com júbilo e cantaram louvores ao Salvador. Isso é vitória genuína sobre nós mesmos e os inimigos.

Nós devemos perceber que não é suficiente quando nós nos encontramos em circunstâncias difíceis, simplesmente “passar”. Não é suficiente apenas aguardar até sairmos para o outro lado. Esse tipo de Cristianismo realmente não faz nada por nós. É somente quando nós entramos em Deus no meio das nossas provações que nós estamos ganhando alguma coisa. Uma simples mudança de situação não nos levará a ser mais semelhante a Cristo.

Mesmo os ímpios atravessam provações penosas. Mas quando nós voltamos nosso coração para Jesus, quando nós agradecemos a Ele pelo que está acontecendo, quando nós entregamos nosso ser inteiramente a Ele, então, e só então, alguma mudança interna opera no nosso ser.




FOGO PARA PURIFICAÇÃO




Jesus disse: “Vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12:49 NVI). Não há dúvidas que Deus quer purificar Seus filhos. Ele não quer livrá-los apenas do que eles fizeram, mas também do que eles são. Ele quer purificá-los interiormente para que eles sejam da mesma natureza e essência Dele.

Efésios 5:27 fala a respeito da igreja que Jesus deseja “... apresentá-la a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.”

Uma coisa dessas requer o batismo de fogo. Não apenas nós devemos ser batizados com o Espírito Santo para nos preenchermos com a vida e o poder de Deus, mas também devemos ser batizados com fogo, que purificando, refinando, queimando internamente nos derrete, nos muda, consome as impurezas e faz com que sejamos como Ele.

Quando Jesus Cristo voltar para habitar no meio do Seu povo, Ele quer encontrá-lo preparado. Ele deseja que sejamos o tipo de povo santo que Ele pode confiar e usar. Ele está ansioso por aqueles com quem Ele tem íntima comunhão.

Sem dúvidas todos nós encontramos esses sofrimentos e provações difíceis. Com certeza esse caminho não é fácil. No entanto, nós devemos saber que esse processo de purificação – a provação da nossa fé – é muito mais precioso do que qualquer substância terrena.

Os sofrimentos pelos quais nós passamos no presente momento não se comparam com a glória que há de ser revelada em nós e por meio de nós (Rm 8:18). Nossos poucos anos na terra são apenas um tempo de preparação para algo que está chegando que será de grande e inimaginável alegria. Aqueles que se submetem debaixo da poderosa mão de Deus, hoje, descobrirão algum dia que tudo aquilo que ocorreu valeu a pena. O que Deus operou neles hoje terá consequências eternas. Eles serão os que são capazes de experimentar livremente tudo o que Deus tem preparado para nós.

Verdadeiramente nós não deveríamos estranhar quando dificuldades surgem em nosso caminho. Ao contrário, nós devíamos nos regozijar e ficar demasiadamente contentes percebendo que é Deus quem está trabalhando em nós tanto o querer quanto o fazer da Sua boa vontade. É a mão amorosa do Pai Celestial nos preparando, purificando e refinando para o glorioso dia.

Creio que se você for capaz de voltar o seu coração e dar graças a Deus pelas coisas que Ele está fazendo na sua vida, então você virá a conhecê-Lo de uma forma que você nunca O conheceu antes. Se você puder louvá-Lo e agradecê-Lo pelo trabalho que Ele está fazendo, ao em vez de murmurar e reclamar como os filhos de Israel fizeram no deserto, você encontrará um suprimento sobrenatural de fortalecimento interior.

Na realidade, recusar-se a reconhecer a mão de Deus é rebelião. Mas se sujeitar a Ele, agradecê-Lo pelas nossas circunstâncias e buscar a Sua graça para suportar cada situação é o tipo de obediência que Ele deseja. E para aqueles que se voltam para Ele desta forma, Cristo tem uma benção especial. Ele virá e provê-los-á com tudo aquilo que eles necessitam para perseverar em face da mais severa tribulação.

Irmão em Cristo, você acha que sua esposa é difícil? Irmã, você acha que seu marido é insuportável ou que suas crianças são demais? Você acha que seu emprego é o problema ou que você não ganha dinheiro suficiente?

Deixe-me lhe falar, Deus está trabalhando em seu coração. Ele está fazendo algo de significância e valor eternos. Não seja enganado pela aparência exterior dessas coisas, mas em vez disso passe a ver a mão invisível de Deus trabalhando na sua vida.

Quase sem exceção, descobri que quando eu tive dificuldades com outras pessoas, eu mesmo tinha alguma coisa que precisava ser mudada. Muitas vezes eu descobri que havia algo em mim no qual Deus estava trabalhando – alguma coisa no meu coração precisava ser purificada.

Descobri que quando eu acertava meu coração com Deus, de alguma forma milagrosamente, as outras pessoas ao meu redor com as quais eu estava tendo dificuldades começavam a mudar também. A escritura com verdade diz: “... tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mt 7:5).

Jesus nos prometeu o batismo com fogo. É através desse fogo que nós devemos passar se quisermos estar preparados. Somos informados de que um dia quando nós estivermos diante Dele nós seremos provados por esse mesmo fogo (1 Co 3:14). Se enquanto nós estamos nesta terra nós nos rendermos a Ele e permitirmos que Ele purifique nossas vidas, o fogo da Sua presença não encontrará nada para incendiar naquele dia. Nós podemos permanecer ilesos e desembaraçados diante do nosso Deus.

Concluirei com uma imagem que eu realmente gosto do livro do Apocalipse (Ap 15:2-4). Esta passagem é sobre alguns santos de Deus que estavam em pé junto, andando em cima de um mar de vidro misturado (ou mesclado) com fogo, cantando um cântico de vitória ao Senhor.

Quando este mundo tiver terminado, o julgamento de Deus sobre os homens rebeldes terá tomado duas formas – água e fogo. O último julgamento é aquele de fogo puro. Mas aqui, em Apocalipse, nós vemos alguns dos homens e mulheres de Deus que foram tão purificados que eles podiam ficar de pé no meio de um mar de vidro misturado com fogo e cantar Seus louvores.

E onde fica este fogo? Está exatamente diante da presença do Senhor, bem em frente ao trono Dele. E o que é este fogo? É a própria pessoa Dele. Lemos “...pois o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12:29). É simplesmente a intensidade da pura e santa natureza Dele.

Os julgamentos de Deus não encontraram nenhum lugar para queimar os Seus servos fiéis. Eles são tão purificados, tão aperfeiçoados, tão entregues a Ele, que no meio da provação de fogo, eles são capazes de cantar e adorar na presença Dele intensa como fogo. Irmãos e irmãs, você pode fazer isso hoje? Se hoje pode, amanhã poderá também.





3.



A SUBSTÂNCIA DE FÉ






Hoje entre os cristãos ao redor do mundo, há muita discussão sobre fé. Muitos pregadores consistentemente expõem este tópico. Outros escreveram livros sobre apenas este assunto. Denominações inteiras estão até mesmo sendo organizadas centradas neste aspecto da revelação de Deus. “Fé” está ficando bem popular.

Em vista destas coisas creio que vale a pena para nós como cristãos tirar um pouco de tempo para investigar exatamente o que é a substância da fé. Se nós vamos falar sobre fé e de ter fé (fé genuína) nós devemos entender o que realmente é.

Não é suficiente apenas ter um conceito ou ideia natural, mas como em todas as coisas contidas na Bíblia, devemos ter uma revelação sobrenatural para entendermos fé. Para nós verdadeiramente sabermos o que é fé, então nós devemos ter tido a revelação de Deus. Vamos juntos orar para que Deus use esta mensagem para realizar este propósito.

Talvez a melhor forma de compreender fé é dar uma olhada na experiência do pai da fé – Abraão. Examinando como ele chegou à fé, talvez nós possamos descobrir exatamente qual é o caminho de Deus para a fé. As escrituras dizem: “Depois dessas coisas, veio à palavra do Senhor a Abraão, numa visão” (Gn 15:1). Então nós vemos: “E ele (Abraão) creu no Senhor, e isso lhe foi imputado por justiça” (Gn 15:6).

A ordem na qual estes dois eventos se passaram é muito significante. Primeiro Deus sobrenaturalmente manifestou Sua glória a Abraão. Então, ele creu. Sua resposta para esta divina visão foi fé. Ele reagiu à revelação divina por crer que Deus existia e o que Ele disse era verdade.

Por outro lado, note como sua fé não aconteceu. Abraão não estava caminhando numa noite deserta e estrelada olhando para o céu e de repente pensou: “Deve haver um Deus. Pelo amor de Deus! Eu acho que realmente há Deus. Creio, eu creio que há um Deus e Ele certamente deve querer que eu tenha muitos descendentes.” E Deus ao ouvir estas “palavras de fé” não desceu correndo e Se revelou a Abraão.

Não, a fé de Abraão entrou exatamente de maneira oposta. Primeiro Deus Se revelou, e então Abraão creu. Foi este tipo de fé que agradou a Deus e levou-O a rotular Abraão como justo.

Que acontecimento maravilhoso deve ter sido aquele quando Deus primeiramente Se manifestou a Abraão. Você ainda se lembra do tempo quando Deus primeiro Se revelou a você? Se você é um cristão hoje, é porque Deus manifestou-Se em algum tempo e de alguma forma, e sua resposta para isto foi fé. Você talvez tenha dito algo como, “Deus é real. Eu O vi. Ele Se revelou a mim e agora eu creio Nele.”

A menos que Deus tenha Se revelado pessoalmente a você por meio de Jesus Cristo, você não pode ser um cristão verdadeiro. Você pode estar convencido em sua mente sobre alguns fatos em relação a Jesus de Nazaré. Você pode pensar que Deus provavelmente existe. Mas a menos que, e até que, Ele tenha Se revelado de alguma forma, você não tem o que a Bíblia chama de “fé”. Você não pode ser convertido.

Vamos continuar aqui com uma breve definição de fé. “Fé é a resposta do coração humano à divina revelação.” Uma vez que Deus nos mostrou algo Dele mesmo, então nós podemos crer. Mas a menos que Ele escolha revelar-Se a nós, nada que fizermos ou pensarmos qualificará como fé verdadeira. A menos que nós O tenhamos visto em alguma dimensão, nós não podemos crer Nele. Nós talvez possamos dar nossa aprovação mental a algo que nós lemos ou ouvimos sobre Deus, mas isto não é o que a Bíblia chama de “fé.” Tiago nos fala que até mesmo os demônios têm um tipo de fé. Eles creem e tremem (Tg 2:19).

Talvez seria interessante falar um pouco sobre esta “fé” que os demônios têm. Isso é interessante porque é uma fé que não traz benefício para eles. A “fé” deles é uma fé meramente em fatos. Não é uma resposta positiva dos seus corações. Parece que eles conseguem perceber algo de Deus, mas não amam o que eles percebem.

As crenças deles são o seguinte: eles creem que existe um só Deus (Tg 2:19). Eles creem que Jesus é o “Filho de Deus” e que Ele vai julgar o universo (Mt 8:29). Eles até confessam isso com suas bocas! Eles reconhecem os verdadeiros servos de Deus (At 19:15, 16:17). Sob pressão, eles obedecem o Senhor! (Mt 17:18).

Isso parece uma fé superior do que muitos que se dizem cristãos têm hoje. Porém, isso é uma fé só nos fatos, mas não é uma fé que agrada a Deus. No interior deles, não respondem positivamente a essas coisas. De fato, eles odeiam o que percebem de Deus.

Mas a fé de salvação (genuína fé) o tipo de fé que justifica perante Deus aqueles que a possuem, é uma resposta positiva da revelação de Deus. É quando nossos corações aprovam o que vislumbramos e respondemos em amor a esta revelação. Quando percebemos Jesus e amamos o que vimos, isso é o que é chamado de “fé.”

As escrituras explicam que fé não vem de nós mesmos, mas, antes, é um dom de Deus (Ef 2:8). Isto significa que fé não se origina de dentro de nós, mas que Deus nos dá pela revelação Dele mesmo. E, depois que Ele Se revela, nossa resposta positiva é fé. Isso é tão verdadeiro que muitas vezes no grego original, a Bíblia usa a frase: “a fé de Cristo” em vez de “a fé em Cristo” para descrever nossa fé (por ex. Rm 3:26).

Infelizmente, nem toda reação do homem à divina revelação é fé. Muitas pessoas que nós lemos a respeito na Bíblia reagiram à manifestação do poder e divindade de Deus com descrença.

A maioria de nós provavelmente imaginaria que se Deus falasse do céu audivelmente todos certamente creriam. Apesar de tudo, este não é o caso. Várias vezes, nos Evangelhos, ficou registrado que Deus fez exatamente isso. Uma vez Jesus estava orando ao Pai e disse: “Pai, glorifica o Teu nome.” Em resposta a isto uma voz veio do céu dizendo, “Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei” (Jo 12:28).

Embora toda a multidão tenha ouvido a voz de Deus, nem todos creram. Alguns deles disseram, “Certamente deve ter havido um trovão.” Suas reações foram de completa descrença. Eles ouviram Deus audivelmente e ainda assim, a resposta deles foi não crer na realidade do que acabou de acontecer.

Ainda outro momento notável de tal descrença é visto quando Jesus ressuscitou Lázaro da morte. Depois deste evento, nos foi dito que muito de Seus discípulos creram Nele. Mas alguns entre a multidão correram a relatar aos fariseus. Embora eles tenham visto o morto se levantar, eles não creram. Pelo contrário, seus corações endureceram e eles foram denunciá-Lo às autoridades.

A verdadeira fé ocorre quando o coração humano responde positivamente a Deus. Não é algo que se origina de dentro de nós mesmos. Quando Deus, pela Sua misericórdia, revela a Si mesmo a nós de alguma forma, nós, então, temos nossa resposta. Nós respondemos em fé ou não.

Ainda assim, mesmo esta habilidade de responder corretamente, também vem de Deus. A escritura é explícita que em alguns exemplos, Deus endurece os corações de alguns indivíduos e cega suas mentes a fim de que eles não creiam (Rm 9:18, Jo 12:40).

Não é apenas o ato inicial da revelação algo proveniente das alturas, mas é somente pela misericórdia de Deus que alguns de nós cremos. Ele é o único que dá fé aos homens, por revelar-Se a eles e capacitá-los a responder crendo. Isto é a verdadeira substância da fé.

Talvez lendo Hebreus 11:1 numa nova versão pode também nos ajudar aqui a entender o que realmente é fé. Vemos que: “Agora fé é quando o que é esperado se torna real para nós (no espírito). É quando nós temos uma convicção genuína em relação a coisas invisíveis” (Versão ZOÊ).



FÉ NÃO É ESPERANÇA HUMANA




Muitas pessoas hoje, não entendendo esta verdade, pensam que fé é um tipo de esperança humana. Eles equivocadamente ensinam que se você simplesmente ler a Bíblia, escolher passagens que agrada você e reinvidicá-las, reafirmando constantemente sua concordância com elas, você chegará, por meio desta prática, à fé e receberá algo de Deus.

Este método é tão difícil quanto se erguer por seus próprios esforços. Nenhum amontoado de repetidas e contínuas declarações das verdades das escrituras nos levarão à genuína fé. Somente a revelação sobrenatural de Deus pode realizar isto.

Nós lemos: “E assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10:17). Mas esta “palavra” no grego é REMA, no qual significa “que é falada por uma voz audível”, ao invés de algo de uma página impressa que pode ser traduzido por LOGOS. Isto afirma o que nós temos dito que a verdadeira fé só pode vir de Deus Se revelando a nós, que neste caso seria pelo falar diretamente a nós.

As escrituras dizem que Jesus “...manifestou Sua glória; e Seus discípulos creram nele” (Jo 2:11). Isso é como aconteceu com eles. Jesus revelou Sua glória. Isso, então, gerou uma fé neles. Uma vez que seus olhos abriram e eles viram quem Ele realmente era, então eles creram. Este é o tipo de fé que a Bíblia está falando.

Quando Pedro confessou pela primeira vez que Jesus era o Cristo, Ele respondeu afirmando que esta revelação tinha origem divina. Pedro não tinha simplesmente pensado de si mesmo. Sua confissão não era um produto da razão e dedução humana. O Pai celestial tinha revelado isto para ele.

Jesus confirmou isto ao declarar: “Bem-aventurado és, Simão filho de Jonas! porque isso não lhe foi revelado por carne e sangue, mas por meu Pai que está nos céus.” (Mt 16:17).

Infelizmente, os seres humanos estão frequentemente cegos às coisas espirituais pelas definições deste mundo. Simplesmente porque crescemos pensando que nós sabíamos o que era fé, isto é, dando nossa aprovação mental a alguma ideia, nós imaginamos que esta mesma definição será boa o suficiente para usar em nossa vida cristã.

Tristemente, este tipo de atividade mental nunca funcionará. Apenas aqueles que viram a Deus, e O conheceram, creem numa forma de serem considerados justos e Ele os capacitará a receber algo Dele.

Com frequência, pregadores de todo tipo, incluindo aqueles que têm o dom de cura, encorajam crentes a se esforçar, tentando fazer suas mentes crer que algo ou alguma cura será realizada. Muitas vezes estas pessoas são grandemente desapontadas. Em alguns exemplos eles são até mesmo condenados por seus fracassos e dizem que não têm fé o suficiente. É explicado a eles que, na essência, é sua culpa. Que simplesmente não tentaram crer o suficiente.

Por outro lado, quando Deus revela a você (seja por meio das escrituras ou diretamente pelo Seu Espírito) que algo vai acontecer, você pode então saber que, sem sombra de dúvida, acontecerá. Você pode reagir a essa revelação da mesma forma que Abraão fez – simplesmente crendo. É este tipo de certeza sobrenatural que é a substância da fé, e apenas quando nós temos esta segurança que nós temos a verdadeira fé.

Deveria ser dito aqui que realmente há grande valor em encorajar as pessoas a crer quando isso é feito apropriadamente. Muitas vezes Deus revela a Si mesmo aos cristãos, mostrando a eles algo no qual eles podem compreender por fé, ainda que eles não creiam. Seus corações podem estar amarrados com o medo, amargura, depressão, decepção, ou na escuridão ou em inúmeras outras coisas que os impede de responder ao que Deus está revelando.

Aqueles que estão nesta situação deveriam ser exortados crer no que Deus está mostrando. Eles precisam ser encorajados a exercitar sua fé – a reagir com toda sua vontade, escolhendo crer em Deus.



A FONTE DE NOSSA FÉ




Claro que nesta situação, como em outros exemplos sobre o que nós temos falado, Deus deve ser o iniciador desta fé. Não é suficiente esperar que algo seja verdadeiro e tentarmos por nós mesmos a crer nisso.

Mas se o Senhor está nos movendo, se Ele já nos mostrou algo Dele mesmo e Seus propósitos, então nós devemos crer para continuarmos a caminhar com Ele em toda a plenitude que está disponível a nós.

Fé não vem meramente da leitura da Bíblia. Agora, antes que você se ofenda com isto, por favor, permita-me um momento de explicação. Verdadeiramente “... fé vem pelo ouvir, e ouvir a palavra de Deus” (Rm 10:17). Mas a razão que nossa fé pode aumentar pela leitura ou pelo ouvir as escrituras é que Deus revela a Si mesmo por estes meios. Páginas de um livro nunca podem transmitir fé, a menos que Deus escolha usá-los para nos mostrar algo Dele mesmo.

É um grande engano estudar a Bíblia, tentar entender qual é a vontade de Deus, e então tentar “crer.” Isso é simplesmente um esforço humano, natural. Tais tentativas não podem nunca produzir algo de valor espiritual. A carne nunca produzirá algo eterno.

Quantos cristãos desperdiçam tempo valioso desta maneira! Jesus repreendeu os fariseus exatamente por isso. Ele disse: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque supõem que nelas receberão a vida eterna (ou fé); e são as Escrituras que testemunham a meu respeito, contudo não querem vir a mim para terem vida” (Jo 5:39,40 Williams). Quando abrimos a Bíblia devemos abrir nossos corações para Deus.

Claro que não estou defendendo uma revelação extrabíblica. Devemos sempre pesar e comparar o que nós pensamos com as escrituras. Nem devemos ser ignorantes nas coisas as quais estão escritas na Bíblia. Realmente os cristãos deveriam passar mais tempo possível meditando nas escrituras.

Contudo, é apenas quando nos contactamos à pessoa de Jesus enquanto lemos as escrituras, que nossa fé cresce. Ele é verdadeiramente o “Autor (Originador) e Consumador da fé” (Hb 12:2).

A razão de tudo isso é que Deus é a fonte da verdadeira fé. Quando nós desejarmos fé, nós devemos ir a Ele e somente a Ele. Nenhum de nossos próprios conceitos ou racionalização das escrituras funcionará. Apenas a manifestação sobrenatural de Deus gerará fé em nos e nós capacitará a receber algo Dele.

Vamos assim nos abrir para Ele – focar nossos olhos Nele – e permitir que Seu Espírito fale aos nossos corações. Assim, cada vez mais que conhecermos a Deus na intimidade, no caminhar pessoal, nossa fé crescerá e nossa vida será enriquecida.

Para finalizarmos, deixe-me dizer que a substância da fé não é uma coisa pequena ou sem importância. É crucial ao nosso Cristianismo. Se nossa caminhada com o Senhor deve ser genuína e nossa experiência com Deus deve ser verdadeira – se nós temos que escapar do engano e futilidade – então nós devemos evitar toda irrealidade em nossa fé.

Nós devemos concordar apenas com o que Deus nos revelou. Uma vez que Ele nos mostra alguma verdade, aí nós a conhecemos, certamente. Nós podemos também ser como Isaías que “...viu a glória dele (e então) falou a Seu respeito” (Jo 12:41).







4.



O CAMINHO DE CAIM






Hà muito tempo atrás, no Jardim do Éden, o primeiro homem, Adão e a sua esposa, Eva, caíram. Eles haviam pecado contra o Altíssimo, fazendo a única coisa que Ele havia ordenado que não fizessem. Agindo assim, estas duas primeiras pessoas danificarem seu relacionamento com Deus e tiveram ciência de sua própria nudez.

Embora tivessem tentado se cobrir juntando folhas de figueira, quando ouviram a voz do Senhor que passeava pelo jardim na viração do dia, eles se esconderam e estavam assustados. O homem, que havia sido criado por Deus e gozado de doce comunhão com Ele, agora estava se escondendo de Deus, nu e envergonhado.

Conforme nós sabemos agora, isto não foi uma surpresa para o Senhor. Ele sabia de antemão que o homem que criou iria desobedecer a Seu mandamento e cair em pecado. Já que Deus não é limitado pelo tempo e compreende simultaneamente tanto o princípio como o final de todas as coisas, Ele já havia preparado o caminho da salvação.

Neste exemplo, em favor deste primeiro homem, Deus deve ter matado algum tipo de animal, porque somos ensinados que Ele fez roupas de pele para o casal. Foi tirando a vida de uma outra criatura que Deus providenciou uma cobertura que Adão e Eva tão desesperadamente necessitavam.

Agora gostaria de sugerir a vocês que o animal morto por Deus era um cordeiro. Embora isto não possa ser provado, sinto que existe uma grande possibilidade. Harmoniza lindamente com o resto da Escritura e com o supremo plano de redenção de Deus. Esta atitude, sem dúvida, estava apontando para o tempo em que Ele permitiria que Seu único Filho, o Cordeiro de Deus, fosse morto como cobertura para os nossos pecados – escondendo nossa nudez e rebelião contra Deus.

Também mais adiante, no livro de Gênesis, temos uma insinuação de que talvez fosse mesmo um cordeiro que foi morto por causa de Adão e Eva. Quando examinamos rigorosamente as escrituras, surge um quadro. Aprendemos que Abel era um pastor, enquanto Caim era um lavrador da terra, um agricultor.

Já que Deus não havia permitido ao homem que comesse carne antes do dilúvio, mas eram herbívoros (Veja Gn 1:29,30 e 9:2,3), podemos indagar porque Abel estava zelando de cuidar por cordeiros. Por que ele gastou seu tempo cuidando de animais se não podia comê-los?

A resposta é, muito provavelmente, encontrada na ideia de que estes animais eram usados para fornecer vestimentas. Estas ovelhas devem ter sido criadas por causa de sua lã ou por causa de sua pele, que eram usadas como cobertura, dando assim, suporte à ideia que foi Deus quem havia dado o exemplo a eles.

Tanto Caim quanto Abel, provavelmente, tinham conhecimento do que havia ocorrido com seus pais no Jardim do Éden. Estou certo que, como pais fiéis, os dois compartilharam com seus filhos tudo o que ocorrera e tentaram instruí-los na maneira correta de caminhar com Deus.

Quando lia no livro de Gênesis que Deus rejeitou a oferta de Caim, eu me preocupava porque esta rejeição parecia arbitrária. Não conseguia compreender como Ele podia julgar entre esses dois homens se ambos estavam agindo puramente por instinto. Entretanto, agora sinto que Caim sabia tanto quanto Abel o tipo de sacrifício que Deus requeria. Ele sabia, pelo testemunho de seus pais, que eles haviam sido cobertos pela morte de um cordeiro e que Deus exigira o derramar do sangue para a expiação do pecado.

Todavia, Caim escolheu seguir seu próprio caminho, embora sabendo da justa exigência de Deus. Ele deliberadamente O desobedeceu, ignorando o que havia sido evidentemente providenciado. Em vez disso, ofereceu algo de sua própria invenção, algo de sua própria imaginação, algo que ele mesmo podia produzir.

Ele pode ter pensado algo assim: “Porque eu devo oferecer um cordeiro? Os vegetais que eu plantei são ótimos, não há nada de errado com eles. De fato, eles são os melhores vegetais das redondezas. Por que não posso oferecer a Deus o que tenho de melhor? Não é bom o bastante? Não há dúvida que Ele vai reconhecer isto e recebê-lo.”

Mas, como lemos em Gênesis 4:5, Deus rejeitou a oferta de Caim. Não importava quão boa ela era, não importava o quão maravilhosa parecia ser. Ainda que Caim houvesse trazido o seu melhor, Deus não estava satisfeito. Ele já havia demonstrada qual era o sacrifício necessário. Ele já havia estipulado o formato para que os verdadeiros adoradores O seguissem e era apenas através da obediência que o Seu prazer e favor poderiam ser ganhos.



UMA MENSAGEM PARA HOJE




O que esta história tão antiga nos fala hoje? Como é que nós, crentes, podemos aprender da experiência destes primeiros homens e evitar o caminho de Caim? No Novo Testamento, assim como no Velho, Deus determinou a todos os crentes o modo adequado de adoração. Vemos no livro de João 4:23,24 a seguinte declaração: Jesus diz, “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.”

Por favor, notem o tempo do verbo aqui. As Escrituras não dizem que “podem” ou mesmo “talvez devessem”, mas afirma especificamente que aqueles ADORARÃO a Deus no espírito. Tal adoração não é opcional. Qualquer coisa menos que isto não atinge o objetivo do claro mandamento de Deus.

Você vê, tanto no Novo como no Velho Testamento, um cordeiro foi morto para a cobertura de pecados. Deus tinha providenciado um Cordeiro! E este Cordeiro deve ser a nossa oferta. Nada mais é adequado. Não importa quão bom possa parecer; não importa quão correto “segundo as Escrituras” possa aparentar; não importa quão reverente, adornado ou musicalmente excelente possa ser; nenhuma outra coisa será satisfatória. Somente o Cordeiro irá satisfazê-Lo.

Este fato tem uma importante aplicação para nós, como cristãos. Quando nos reunimos para adorar o Pai, precisamos adorá-lo em Espírito. Quando estamos juntos, é essencial que entremos no Espírito de Jesus Cristo para que nossa adoração e nosso louvor e, na verdade tudo o que fazemos, se origine Nele. Ele é quem deve estar dirigindo nossas reuniões na igreja. Além disso, é este Cordeiro que deve ser a essência deles.

Mas, o que significa “estar no Espírito”? Significa que estamos em um certo estado de ânimo? Será que ele indica que entramos na emoção de uma determinada situação? Não. Significa que nós realmente entramos na presença de Deus através do Santo Espírito. Significa que estamos “plenos” do Espírito de Jesus Cristo e sendo dirigidos por Ele.

Vemos nos Evangelhos: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Jesus não vem às nossas reuniões como um espectador. Ele não vem para nos ouvir em nossas cerimônias ou “serviços”.

Cristo tem aparecido como nosso Sumo Sacerdote, para nos dirigir em louvor e adoração ao nosso Deus. Quando Jesus vem para o nosso meio, vem como Aquele que vai dar origem a todas as coisas. É Ele quem deve estar escolhendo as músicas e é Ele mesmo quem deve Se derramar em nossas orações e através delas. É o Espírito de Jesus quem deve emanar da ministração da Palavra. Deus Se satisfaz apenas com a oferta de Seu Filho e é somente quando nos reunimos e oferecemos a Ele tudo o que flui de Jesus Cristo que o Pai se agrada. Qualquer coisa menos que isto é apenas “vegetal”.

Talvez alguns acreditem que o objetivo em nossos encontros deve ser que os mesmos sejam de acordo com a Bíblia. Imaginam que, se simplesmente imitarmos aquilo que achamos que os crentes do Novo Testamento faziam, Deus se sentirá satisfeito. Isto leva tantos cristãos em seus encontros a tentar encontrar as bênçãos de Deus através de “fazer adoração” ou de pregação.

Isto é uma prática muito incerta. Às vezes, parece que acertamos, outras vezes, não. Quando as coisas não correm muito bem, é comum os líderes culparem os que se assentam nos bancos pela falta de entusiasmo ou consagração.

Mas o problema com esta prática é o seguinte: Quais das milhares de coisas das escrituras Jesus deseja que façamos hoje? A Igreja primitiva fazia muitas coisas. A Bíblia está repleta de coisas que Deus deseja que digamos ou façamos em uma determinada situação. Então, sabendo como Ele está nos liderando agora é a única maneira de obter a benção.

Para acertar isto, precisamos estar no Espírito. Precisamos ter um relacionamento real e íntimo com Ele. Deste modo, podemos sentir Sua liderança, segui-Lo naquilo que Ele está fazendo e, assim, alcançar a satisfação da verdadeira adoração espiritual.

Quão frequentemente nós, povo de Deus, temos ido pelo caminho de Caim! (Judas 11). Quantas vezes nos reunimos e oferecemos a Deus o que se origina exclusivamente em nossos próprios corações! Nossas próprias ideias, invenções dos homens, coisas que têm uma mera qualidade da alma, têm sido colocadas no lugar de Cristo, como substitutas.

Temos erradamente suposto que, se o que fazemos é bom, se é suficientemente bíblico, se é bastante elaborado, se é suficientemente melodioso, Deus estará satisfeito. Não há dúvida que nós, como seres humanos, oferecemos a Deus o que temos de melhor. Tudo o que fazemos tem as melhores intenções, humanamente falando.

Entretanto, mesmo com todas estas coisas, Deus não Se satisfaz. Ele não pode Se satisfazer. Ele mesmo nos ensinou o Caminho e nós temos que andar Nele.



MUITAS OBRAS MARAVILHOSAS




Oh, as catedrais que têm sido construídas, as liturgias que têm sido formuladas, os arranjos musicais que têm sido criados, as mensagens que têm sido pregadas, as peças de teatro, dança, mímica, etc. que têm sido feitas – tudo em nome da adoração! Entretanto, Deus não aprova nenhuma destas coisas se não foram iniciadas por Ele.

Elas e muitos outros itens desta natureza, são realizações tremendas, porém humanas. Não estou tentando diminuir a excelência de nenhuma delas. Ainda assim, o seu valor é nulo se comparado com a beleza e a glória do que Deus providenciou. Muitas destas coisas são apenas obras humanas, as melhores que podemos produzir. Ainda assim elas não podem atingir o alvo, a exigência de Deus.

É comum que os homens apreciem tais coisas com sua alma, seus sentidos e frequentemente confundam esta apreciação com alguma bênção espiritual. Entretanto, Lucas 16:15 afirma que “...pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus”.

Coisas meramente naturais não têm absolutamente valor espiritual. Elas nada fazem para intensificar nossa adoração ou para atrair a presença de Deus. A razão pela qual Deus rejeita tais coisas é que elas são uma substituição humana para a verdadeira oferta que Ele providenciou.

Consequentemente, o espírito do homem é deixado sem ministração quando estas coisas naturais predominam em nossas reuniões cristãs.

Quantas vezes você saiu de um culto insatisfeito? Quantas vezes você ouve muitas mensagens em muitos encontros, conseguindo apenas umas migalhas da mesa do Senhor? Quantas vezes nossa adoração a Deus é formal, “religiosa”, até energética mas espiritualmente morta? Tudo isto somente serve para provar que temos seguido o caminho de Caim. Temos oferecido nossos melhores vegetais a Deus.

Nenhuma de nossas ideias ou invenções, não importa quão boas ou “corretas” elas possam ser, poderá satisfazer a Deus. E quando Deus não está satisfeito, nós também não poderemos estar espiritualmente satisfeitos.

Oh, mas que diferença há no Filho! Quando o povo de Deus se reúne e se abre para Ele, permitindo que o Seu Espírito Se mova em nosso meio, permitindo que o Sumo Sacerdote de nossa confissão dirija a adoração, o louvor e o ministério, quão satisfatórios estes encontros podem se tornar! Como serão cheios do Espírito e de Verdade! Como estes encontros serão ungidos e agradáveis! O homem se satisfaz porque Deus está satisfeito, tendo visto e aceito a oferta de Seu Filho.



FOGO ESTRANHO




No Velho Testamento temos um outro exemplo da vã religião humana. Nadabe e Abiu eram filhos do Sumo Sacerdote. Eram os filhos mais velhos de Arão e foram consagrados a Deus juntamente com ele para ser sacerdotes ao Senhor. Os dois tinham bastante experiência em adorar ao Senhor e até chegaram a ver fogo cair do céu sobre os sacrifícios que ofereciam (Lv 9:24).

Então, começaram a achar que tinham um bom domínio no negócio da religião. Pensavam que já eram capazes de inventar algo para adorar a Deus. Tiveram a ideia de colocar um pouco de incenso em seus incensórios e foram para o santo Templo. O resultado foi desastroso. Veio fogo do céu e os consumiu. Esta foi a reação de Deus às suas inovações (Lv 10:1,3).

Talvez estas coisas podem falar algo para nós hoje. Como homens, temos uma profusão de ideias para contribuir com as reuniões das igrejas – apresentações dramáticas, danças, mímica, adoração pré-planejada, performances musicais, práticas tradicionais, muitos dos adereços e formatos que achamos tão normais hoje na religião cristã – todas estas coisas podem ser apenas fogo estranho oferecido ao Senhor.

Nós, povo de Deus, deveríamos chegar diante Dele com temor reverente. Deveríamos tomar cuidado para não seguirmos o caminho de Caim! É essencial que nossa adoração seja algo verdadeiramente espiritual, que venha do próprio Deus jorrando dentro de nós e Se derramando através de nós! Não é suficiente que, quando estamos juntos, sejamos simplesmente informados, emocionalmente estimulados ou entretidos.

Ele, tão somente Ele, é a fonte de genuína oferta espiritual. Deus pode tolerar nossos exercícios religiosos hoje em dia. Hoje, Ele não manda fogo do céu para destruir estas coisas que muitos de nós estamos fazendo. Entretanto, somos ensinados que um dia nossas obras passarão pelo teste do fogo e, se estivemos construindo com madeira, feno e palha, nossa obra será consumida. Lemos que o Senhor virá repentinamente ao Seu Templo e irá purificar os filhos de Levi de modo que sua oferta seja feita em justiça (Ml 3:1-3).

Por favor, não me entendam mal. Não há dúvida que Deus pode nos conduzir em nossa adoração enquanto cantamos, dançamos ou fazemos muitas outras coisas. O Rei Davi dançou diante do Senhor com toda a sua força (2 Sm 6:14). Débora, Moisés e muitos outros, compuseram canções de louvor.

Entretanto, fizeram estas coisas porque estavam transbordando de unção do Espírito Santo. Não fizeram isto por achar “apropriado”, “sagrado”, “bonitinho”, ou “comovedor”. Aquilo que se origina em Deus e as invenções dos homens podem parecer iguais. Podem até mesmo ter a mesma forma e aparência. Entretanto, há um universo de diferença!

A questão não é realmente sobre a forma, mas sobre a fonte destas coisas. Se a fonte não é Deus, não importa o quão maravilhoso possa parecer, não importa que a doutrina possa estar correta, não importa que seja bom de se ver, isto é rejeitado por Ele. Por outro lado, tudo o que é inspirado pelo Espírito Santo, é importante e deveria ser incluído em nossa adoração.

Como nós, os filhos de Deus, precisamos aprender a discernir entre o sagrado e o profano, entre o limpo e o sujo (Ez 22:26)! É triste, mas é verdade que muitos cristãos não aprenderam a discernir entre a alma e o espírito (Hb 4:12). Muitos passaram tão pouco tempo na presença de Deus meditando sobre as escrituras que nunca experimentaram a Sua espada do Espírito separando o que é natural e humano daquilo que é espiritual.

Frequentemente, não temos crescido em nosso discernimento para sabermos o que Deus está pedindo. E, agindo assim, temos falhado em atingir Seus objetivos – adoração em Espírito e em verdade.

Há uma tendência entre alguns homens de apreciar coisas com as quais estão habituados ou que existem há muito tempo. Outros gostam de inovações em sua adoração. Entretanto, tudo deve ser levado ao controle do Espírito Santo e somente Ele deve ser soberano sobre tudo o que fazemos.

Além disso, já que Jesus é uma pessoa viva, as práticas e experiências em que Ele nos lidera, poderá mudar. Assim como o nosso relacionamento com outras pessoas está em constante transformação, assim também a misericórdia de Deus se renova a cada manhã (Lm 3:22,23). Portanto, devemos estar em constante comunhão com Ele de maneira que possamos sentir e seguir o que Ele está fazendo hoje.

É possível que muitas pessoas não compreendam o que estou dizendo e se sintam ofendidas por minhas palavras. Porém, meu alvo não é ser ofensivo, mas é que todos possam experimentar cada vez mais da realidade do Espírito Santo em suas vidas. Por favor, reveja a passagem em Lucas que declara o quanto o Pai do Céu deseja derramar de Seu Espírito sobre aquele que Lhe pedir (Lc 11:11-13). Ele anseia que saibamos a diferença entre o que é espiritual e o que é natural, para que possamos ofertar coisas que são aceitáveis e agradáveis a Ele!

Deus nos ama muito. Ele derramou sobre nós o Seu Espírito. Ele nos ofereceu o Seu único Filho. Deus não guardou de nós nada que fosse necessário para uma verdadeira adoração e um puro relacionamento com Ele.

Como nós, como homens, precisamos aproveitar tudo que Deus nos tem dado! Oh, que tenhamos o discernimento para saber o que se origina na alma e o que vem do Espírito. É em nosso espírito que nos ligamos a Deus (1 Co 6:17). E é somente através do Espírito Santo que podemos oferecer um sacrifício que seja aceitável.

Para conseguir encontros genuinamente espirituais nós, assim como nosso devoto antecessor Abel, precisamos estar trabalhando durante a semana naquilo que Deus providenciou – o Cordeiro. Se chegamos de mãos vazias aos nossos encontros na igreja, se não estivemos na presença do Senhor nos alimentando e não sentimos o Seu Espírito Se movendo dentro de nós, não teremos nada para oferecer. Se não nos empenharmos nas escrituras em andar em comunhão com o Cordeiro durante a semana, como podemos trazê-Lo como uma oferta?

Nesta situação, muitos cristãos são tentados a oferecer vegetais. Talvez pela falta de experiências espirituais, talvez pela falta de um relacionamento íntimo com o próprio Deus, eles são deixados sem o Cordeiro e só podem oferecer aquilo que cresce do solo – algo terreno, algo natural. Estas coisas são espiritualmente insatisfatórias.

O fato que o Pai procura homens e mulheres que O adorem em Espírito deveria realmente nos impressionar. Agora mesmo Ele está procurando por adoradores! Seu coração hoje está ansiando por verdadeiros adoradores que ofereçam sacrifícios de louvor, o fruto de seus lábios, aqueles que irão oferecer a Ele o que Deus forjou neles através de Jesus Cristo.

Oh, como precisamos orar, como necessitamos procurar a Sua face para que possamos experimentar este tipo de adoração! Não pode ser difícil. Na verdade, não deveria ser, porque Cristo morreu para que fosse assim. Nada tem sido negado a nós.

O sacrifício do próprio Deus está completamente à nossa disposição. Portanto, vamos chegar até Ele e nos encher com o Cordeiro de Deus de maneira que, quando estivermos reunidos e Ele estiver no meio de nós, possamos oferecer um doce aroma, santo e agradável a Deus. Que possamos ser, como Paulo diz: “...a circuncisão, que adoramos a Deus em Espírito” (Fp 3:3).

Irmãos e irmãs, eu oro sinceramente para que estas coisas se tornem a sua realidade.





5.



FRUTIFICANDO






O desejo de Deus é que Seu povo frutifique. Em João 15:16 Jesus diz: “Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis frutos.” Romanos 7:4 afirma que “...a fim de que frutifiquemos para Deus”. Pedro, o apóstolo, nos exorta que não deveríamos ser “...nem estéreis, nem infrutíferos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pe 1:8).

Qual é este fruto que Deus nos deseja ver produzindo? O que é que nosso Senhor está requerendo de nós? Com isso em mente, sendo Seu povo, devemos perguntar se estamos fazendo aquilo que Jesus evidentemente deseja.

Dar frutos significa nada mais que fazer as obras de Deus. Colossenses 1:10 diz: “...a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus.”

Ser frutífero inclui várias atividades. Levar pessoas a Cristo, ajudá-las a crescer na fé, atender às necessidades dos outros e, em geral, fazer tudo o que o Espírito Santo de Deus está dirigindo você a fazer.

As pessoas cristãs devem ser pessoas ocupadas. Jesus disse quando estava neste mundo: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9:4). Ele também afirmou: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também.” (Jo 5:17) A vida de Jesus era um claro exemplo para nós da atividade dirigida pelo Espírito Santo, que era Sua obsessão diária.

Infelizmente, muitos cristãos sentem que suas vidas podem ser qualquer outra coisa, menos frutíferas. Incontáveis crentes se sentem não usados e impotentes, sentindo que não estão afetando aqueles que estão à sua volta e que suas vidas realmente não estão sendo úteis ao Reino de Deus. É para estas pessoas – estas que imaginam não estar dando frutos para Deus – que esta mensagem é especialmente direcionada.

Para começar a dar frutos – para ser realmente usado pelo Senhor – uma coisa se sobressai: É a questão “Quais são as nossas prioridades?”.

Por favor, não perca este ponto absolutamente crucial desta questão. Já que existem tantas coisas neste mundo – tanto espirituais quanto físicas – que nos mantêm fora da vontade de Deus, a menos que tenhamos este assunto corretamente focalizado, não iremos a lugar algum.

A prioridade bíblica, que é claramente ilustrada para nós pela vida de Jesus e de Seus discípulos é esta: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus”. Todas as outras considerações (tais como comida, abrigo, roupas, etc.), devem ser secundárias. Até chegarmos a este ponto de estarmos inteiramente desejosos de colocar os interesses de Deus em primeiro lugar, não estaremos em posição de ser grandemente usados por Ele.

Este é o ponto de partida. É um lugar de total consagração. Quando nos colocamos no altar de Deus com tudo o que somos e tudo o que temos e com tudo o que poderíamos ser neste mundo, quando nos chegamos a Deus completa e absolutamente à Sua disposição então, e somente então, estaremos prontos para começar a dar frutos.

Por favor, não me entenda mal. Não estou dizendo que os outros nada podem fazer pelo Senhor. Entretanto, conforme iremos ver mais tarde, somente nós, que começamos aqui no altar, entregando o nosso “Isaque” conforme fez Abraão – aquilo que é mais precioso para nós – é que estamos em posição de entrar completamente na vontade de Deus.

Qualquer um que seja indeciso não vai permanecer na obra de Deus. Uma vez que um crente chegue a este ponto de total rendição, uma vida verdadeiramente frutífera pode começar.

Um problema que muitos têm encontrado é que eles, na verdade, começaram bem mas acabaram se desviando do caminho. Quando se tornaram filhos de Deus, esta era a sua atitude: desejavam ir a qualquer lugar e fazer qualquer coisa por amor ao Seu Nome.

Entretanto, às vezes conforme o tempo foi passando, este zelo inicial desapareceu. Pouco a pouco outras coisas se insinuaram para diluir este primeiro amor. Vagarosamente, o compromisso que antes professavam foi enfraquecendo e suas vidas foram se tornando cada vez mais improdutivas e espiritualmente insatisfatórias.



PERMACENDO NA VIDEIRA




É evidente que, para produzir frutos, precisamos permanecer na vinha. Lemos: “Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (Jo 15:5). Essa permanência deve se referir a andar em intimidade com Jesus. Está falando de um relacionamento com Deus que captura completamente nosso coração, incluindo todo o nosso tempo e atenção.

Frutificar exige que estejamos encantados com Jesus. Ele deve ser o que ocupa nossos pensamentos e sentimentos. Este “permanecer” envolve uma intimidade, uma comunhão espiritual que caracteriza nosso viver. Envolve também andar com Ele como os primeiros discípulos fizeram.

Para seguir Jesus, precisamos estar íntimo com Ele. Quero dizer que nossos corações estão voltados para Ele e estamos prontos a obedecê-Lo. Se há dentro de nós qualquer resistência ou estamos indecisos a respeito do que nós queremos, isso vai atrapalhar nossa intimidade com Jesus, e impedir que andemos com Ele em obediência.

Quando estamos apaixonados por Ele e temos uma entrega completa de tudo de que somos, então podemos manter essa doce comunhão e intimidade com Ele. E, assim, andar nas obras Dele.

Somente deste modo nós estaremos produzindo este fruto sobrenatural que Ele requer. Por falar nisto, esse fruto não é resultado do esforço próprio e empenho pessoal, mas um resultado espontâneo de um relacionamento íntimo com Jesus.



A PARÁBOLA DO SEMEADOR




Para ajudar aqueles que se acham improdutivos e estão procurando o caminho, vamos agora examinar uma porção da Escritura que fala especificamente sobre este problema. É a parábola do semeador, encontrada em Mateus 13, Marcos 4 e Lucas 8. Aqui, temos detalhados alguns itens que tornam os cristãos úteis ao Reino de Deus.

Como o leitor, sem dúvida, já está entendendo, o estado de improdutividade é um problema de coração. É uma condição que revela haver algo de errado em nosso interior. De algum modo, nossa completa entrega ou nossa paixão por Jesus sofreu um impacto negativo. Algo está errado.

Mas, com a ajuda de nosso Senhor – uma vez que identificamos as coisas em nossos corações que estão em choque com nossa intimidade com Deus – poderemos extirpá-las e entrar de novo em uma experiência cristã alegre e produtiva.

Não há dúvida que esse trabalho pode ser um pouco doloroso. Alguns podem até sentir medo. Mas me deixe lhes dizer que isto será muito valioso quando vocês atingirem as coisas que Deus tem preparado para vocês.

A parábola do semeador é uma história muito familiar a todos. Ela conta como um semeador saiu a semear e espalhou suas sementes, que caíram em diferentes tipos de solos, produzindo resultados variados. Algumas não fizeram coisa alguma. Outras se esforçaram bastante, mas pareciam murchar. Outras ainda foram sufocadas e se tornaram infrutíferas. Mas, umas poucas sementes caíram em solo bom e trouxeram frutos para Deus, algumas a trinta, outras a sessenta, e algumas a cem por um.

Somos ensinados que esta semente que foi semeada era a Palavra de Deus. (Vamos lembrar aqui que “a Palavra” da qual estamos falando não é um livro, mas sim é uma Pessoa que amamos.) A Palavra de Deus hoje está sendo semeada nos corações dos homens. Deus está semeando essa Sua Palavra com a expressa intenção de nos fazer produzir frutos.

Assim como o semeador antecipou o crescimento da safra destas sementes, assim também Deus tinha o propósito que Sua Palavra trouxesse frutos para o Seu louvor, Sua honra e Sua glória. Efésios 2:10 diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”

Por não termos espaço aqui para examinar completamente cada aspecto desta parábola, quero me concentrar em um tipo particular de solo no qual caíram estas sementes, porque sinto que é uma condição primordial entre os cristãos hoje. Este é o caso das sementes que caíram entre os espinhos.

Estas pessoas são do tipo que recebem a Palavra, que acreditam em Jesus, que são evidentemente cristãs, mas que nunca parecem fazer muita coisa. Elas nunca terminam as obras que Deus planejou que fizessem.

Talvez sejam “bons” crentes, que frequentem os cultos na Igreja. Possivelmente não haja pecados grosseiros em suas vidas. Entretanto, suas vidas não estão cheias de frutos. Elas não são produtivas. Não parecem estar vivendo completamente para Aquele que as comprou com Seu precioso sangue.

De acordo com esta parábola, quando colocamos juntas as evidências encontradas nos três evangelhos, essa condição infrutífera é causada por quatro coisas: os cuidados do mundo, a ilusão das riquezas, os prazeres desta vida e a lascívia por outras coisas. Vamos empregar um pouco de tempo para examinar cada um destes problemas.



OS CUIDADOS DO MUNDO




Para começar, é muito fácil para os cristãos se envolverem e até ficarem atolados naquilo que as Escrituras chamam de “os cuidados do mundo”. Esta categoria abrange coisas tais como: comida, abrigo, roupas, educação, companheiros de vida, oportunidades de carreira, sustento e outros similares. Todas estas são coisas com as quais o homem naturalmente se preocupa. Para muitos, estes interesses são tão importantes que se tornaram o ponto central de suas vidas.

Entendendo esta tendência humana natural, Jesus contou outra parábola sobre os pássaros no ar e as flores do campo – como eles são vestidos e alimentados pelo próprio Deus. Sua censura aos seus discípulos foi bem clara: eles não deveriam se preocupar com estas coisas. Deixe-me repetir isto: “Não se preocupar com elas!” O ensinamento de Jesus foi que os cristãos não devem estar focalizados nestas coisas. Ele tomaria conta delas.

Como pode tal coisa ser verdadeira? Será possível que Jesus não queira que prestemos atenção ao nosso futuro? A nossa educação não é do maior importância? A nossa segurança financeira não é algo com que devemos dar séria e prolongada consideração? Estas coisas não são essenciais à nossa existência?

De acordo com as Escrituras, a resposta é “NÃO”. Somos advertidos a não nos preocupar com estas coisas (Mt 6:25). Certa-mente isto significa que não devemos dar tempo e atenção a elas. Ao contrário, somos instruídos a trabalhar para o Senhor e para o Seu Reino com prioridade.

Por que Jesus nos exortaria a não nos ocuparmos com coisas que parecem tão vitais à nossa existência? Como poderemos viver neste mundo sem prestar bastante atenção a estas coisas? As respostas a estas questões são razoavelmente simples. Seres humanos são criaturas finitas. Seus corações e mentes só podem se ocupar com um número limitado de considerações.

Quando nossa afeição é dividida e focada nessas considerações terrenas, pensamentos direcionados para Deus e sobre o Seu Reino ocupam, automaticamente, o segundo lugar. Estas coisas começam, então, a tomar um lugar em nossos corações, que deveria estar reservado apenas para Deus.

Ele pretende que nós O olhemos como Provedor de todas as nossas necessidades e quer que aprendamos a confiar Nele completamente. Deste modo, nossas mentes e corações estarão livres para procurar Seu Reino em primeiro lugar – procurar Sua vontade, passar tempo em oração e em nos concentrar como poderemos executar da melhor maneira possível aquilo em que Ele está nos liderando.

Como é fácil estar no estado em que Marta se encontrava quando Jesus veio visitá-la em sua casa em Betânia: “estar distraída” com muitos afazeres (Lc 10:40).

Crianças, limpeza de casa, emprego, roupas novas, compras de supermercado e muitas outras obrigações do dia a dia, tornam-se, para algumas pessoas, o centro de sua existência. Seu trabalho, seus negócios e suas casas se tornam o foco.

Eles sentem que estas coisas são importantes (e é claro que elas são!), mas o problema é quando elas começam a ocupar nosso tempo e atenção, deixando-nos longe do Senhor e focados em coisas terrenas. Jesus disse claramente que, se O procurarmos em primeiro lugar, Ele tomará conta de todas estas coisas e nos deixará livres para darmos frutos.



A ILUSÃO DAS RIQUEZAS




Uma segunda coisa que impede nossa produtividade espiritual é a ilusão de riquezas. É realmente difícil alguém que esteja correndo avidamente atrás de riquezas, algum dia, ser capaz de reconhecer que está longe do plano de Deus. O poder do dinheiro é extremamente sedutor.

Na verdade, hoje existe um completo segmento da população cristã que está ativamente perseguindo as riquezas e ensinando aos outros que esta é a vontade de Deus para as suas vidas. Ainda ouvimos as Escrituras dizerem que “Aqueles que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1 Tm 6:9).

Perseguir riquezas é perseguir o vento. Nada está mais distante do modo de Cristo do que procurar avidamente por dinheiro. Muitos grandes homens de Deus se arruinaram por isso. Deus é o dono do gado em milhares de colinas. Ele possui tudo. E Ele dará aos Seus servos aquilo que lhes é necessário. Se nós temos em abundância, devemos agradecê-Lo por isto. Se estamos humilhados, a resposta ainda é a mesma. A Bíblia diz que: “Em tudo daí graças, pois esta é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, no que toca a você” (1 Ts 5:18).

Os cristãos precisam aprender a ser gratos a Deus pelo que têm e a confiar que Ele vai cuidar de tudo. Este é um segredo que Paulo descobriu. Ele disse: “Eu aprendi, não importa o estado em que eu esteja, a estar contente” (Fp 4:8).

Quando perseguimos dinheiro, salários mais altos, empregos melhores ou mais educação com propósitos financeiros, nossas mentes e corações facilmente se afastam das obras de Deus. Os resultados são desastrosos. Rapidamente nos tornamos infrutíferos em nosso trabalho para Jesus. Nada pode afligir mais o Senhor do que ver o Seu povo perseguindo tais vaidades. Ele tem tanto para nos dar e haverá muito mais ainda de valor eterno esperando por nós quando Ele voltar.

Como precisamos passar nosso tempo na Terra trabalhando ativamente pelas coisas que levam à vida de Deus! As Escrituras dizem que devemos pensar nas coisas lá do alto e não nas que estão aqui na Terra. As coisas invisíveis é que são eternas. Perseguindo as coisas celestiais acumularemos tesouros que não podem ser consumidos ou destruídos.



A BUSCA PELO PRAZER




Uma terceira coisa que impede muitos crentes de fazer a obra de Deus é a busca pelo prazer. Nossa sociedade, hoje, parece estar centralizada no conforto e no prazer. A TV, o teatro, o cinema, os esportes e os entretenimentos de todo tipo dominam a vida de muitas pessoas.

Alguns se sentem mal se passam um dia sem ler a coluna de esportes de seu jornal ou sem descobrir as atividades de seus times favoritos.

Os cristãos desperdiçam muito dinheiro buscando o prazer. Eles também desperdiçam um tempo valioso que Deus poderia estar usando para Seus próprios propósitos. Caros jantares recreativos, esportes, festas, vários passatempos – qualquer coisa desta natureza – podem direcionar nossos corações para o desejo de mais e mais prazer.

Uma das coisas mais preciosas que temos para oferecer a Deus é o nosso tempo. Se Ele não possui o nosso tempo, também não nos possui. E, a menos que Ele nos possua, não poderemos ser frutíferos da maneira que Ele deseja. A maneira que estamos usando nosso tempo é um indicador seguro de quais são as nossas prioridades.

Alguns crentes gastam horas incontáveis assistindo a programas de TV que são moralmente questionáveis ou porcaria pura. Outros gastam seu tempo de sobra, dinheiro e energia, construindo uma casa de férias onde podem passar seu tempo de lazer. Indo à academia todo dia e a preocupação com praticar esportes voltam a atenção de muitas pessoas para a condição de seus corpos.

Bem, não estou dizendo que os cristãos não têm necessidade de, ocasionalmente, ter algum tempo para relaxar se estiveram trabalhando demasiadamente na obra de Jesus. Mas muitos crentes desperdiçam muito mais tempo do que o necessário simplesmente se divertindo. Isto não apenas entristece o Espírito Santo, mas nos torna infrutíferos, frustrando e impedindo os propósitos de Deus na Terra. Mais uma vez, aquilo que fazemos com o nosso tempo mostra onde realmente está o nosso coração.

Não há dúvida que muitos dos filhos de Deus terão dificuldades em compreender o problema de que as diversões aparentemente inocentes poderão impedir a sua caminhada espiritual. Tenho conhecido muitos que até se ofendem quando este tipo de questão se levanta.

Tudo o que tenho a lhes dizer é isto: Se vocês desejam uma vida espiritual frutífera e abundante, devem ser daqueles que não se envolvem em busca de interesses próprios. Devem ser aqueles completamente consagrados a Deus em todas as coisas.

Nenhum cantinho de sua vida é pequeno demais ou nenhuma área é tão sem importância, de maneira que Deus não a deseje possuir. Como esta parábola mostra claramente, se nossas vidas estão espiritualmente letárgicas e improdutivas, esta poderia ser a razão.



A LASCÍVIA POR OUTRAS COISAS




Um quarto item mencionado nesta parábola, que faz as sementes serem infrutíferas, é a lascívia por outras coisas. Alguns desejam ser famosos. Outros almejam uma posição particular na comunidade ou sucesso nos negócios. Alguns querem um carro novo, um barco, terras ou uma casa. Pode ser qualquer coisa. Somente você pode saber, diante de Deus, o que está em seu coração que o faz buscar ansiosamente e que está impedindo seu coração de ser inteiramente Dele.

Nosso Deus é um Deus ciumento. Ele quer possuir nossos corações por inteiro. Ele já sabe o que está dentro de nós que está tomando o lugar em nossas afeições que deve ser reservado somente a Ele. Se continuarmos nessa condição sem arrependimento, vamos ser expostos naquele Dia do Senhor como servos rebeldes e infrutíferos.

Não podemos servir a dois mestres. Não podemos servir a Deus e a mamon (Lc 16:13). A lógica disso é que quando nossos corações ficam divididos, acabamos nos afastando do que é menos tangível, menos palpável. E quando nosso coração se afasta de Deus, o suplemento de vida sobrenatural que produz os frutos em nós diminui ou até acaba. Quando nosso Mestre percebe que estamos amando outras coisas e que essas estão tomando o lugar Dele, Ele Se afasta de nós também. O resultado desse mal é uma existência infrutífera e carente da presença de Deus.

Mas se hoje você se ajoelhar diante Dele e abrir seu coração, permitindo que o Espírito Santo perscrute seu interior e o ilumine, você poderá descobrir quais são estes impedimentos. Eu lhe peço, permita que a luz de Deus penetre em seu coração. Permita que Ele exponha estas coisas.

Não tenha medo. Parecerá doloroso apenas por um momento. O que Deus trará para você em substituição a estas coisas as quais você se apega desesperadamente, é muito mais do que você pode pedir ou sequer imaginar. Uma vida cheio do Seu Espírito e ocupada com as obras de Deus é a coisa mais satisfatória e recompensadora na qual uma pessoa pode se engajar.

Entretanto, muitos ainda são afastados desta vida de plenitude e de glórias por estas coisas ilusórias, terrenas e servis, que faz com que a Palavra Viva neles fique infrutífera.

Você deve ter notado que no final desta parábola não se diz que estas pessoas não fizeram coisa alguma ou que elas não eram “boas cristãs” ou mesmo que nunca cresceram um pouco ou que nunca tiveram nenhuma experiência com Deus. Ela simplesmente afirma que eles não deram frutos “à perfeição” – ao amadurecimento.

Talvez haja umas poucas uvinhas, por assim dizer, pendurados em sua videira. Talvez você considere adequado que Deus tenha usado você para dar frutos tais como duas ou três uvinhas.

Mas o desejo de Cristo é que possamos dar muitos frutos, até a perfeição, para cumprirmos o ministério que Ele nos deu. Ele quer que nos enchamos completamente à medida que Deus planejou para nós. Uma vida investida na obra de Deus servindo aos outros, resultará na maior recompensa que uma pessoa pode ter. Ninguém que busque este procedimento se arrependerá.

Se você estiver interessado neste tipo de existência, deixe-me reiterar que o único caminho para que isto aconteça é tomar a firme decisão de, a partir deste dia, render sua vida completamente a Jesus e colocar o reino Dele em primeiro lugar. Nós, Seu povo, precisamos oferecer nós mesmos no altar de sacrifícios. Romanos 12:1,2 diz que “isto é razoável, aceitável e agradável a Deus”.

Uma vez que já nos entregamos sem reservas, então Ele pode começar a nos usar, a Se mover em nós e através de nós, para cumprir os Seus propósitos. Não há dúvida que é isto o que Deus deseja. Também é inquestionável que haverá um preço. Deus requer tudo o que somos, tudo o que temos e tudo o que podemos ter ou ser. Em lugar disto tudo, Ele nos dará tudo o que Ele é e tudo o que Ele tem.



NÃO SÃO NOSSOS ESFORÇOS




Temos falado aqui sobre servir a Deus e frutificar. Mas, gostaria de deixar bem claro que nada disso é feito com nossos próprios esforços. Deus não está procurando algo que podemos fazer para Ele. Em vez disso, Ele quer trabalhar por meio de nós. A obra que Ele tanta deseja não é algo que podemos fazer. A obra de Deus é de fato, a obra Dele. É algo que somente Ele pode realizar. Nossa rendição abre o caminho para que Ele possa trabalhar em nós e através de nós. Como um galho de uma videira não pode dar fruto sozinho, também nada podemos se não ficamos intimamente ligados a Ele.

Há alguns que, após anos de tentativas e desempenhos, desistem da “obra de Deus.” Muitas vezes estão frustrados e esgotados. Isso é simplesmente um resultado de tentar servir a Deus com nossas próprias forças e energias. Nós temos seguido nossos planos e esquemas, tentando fazer uma obra para Deus, mas não foi Deus trabalhando por meio de nós. Em vez de ser liderado pelo Espírito Santo, fomos guiados por nossa própria ambição, ego e desejo por sucesso.

Agora é a hora de desistir de tais coisas e voltar nossos corações para Deus. Precisamos arrepender de tudo que temos feito em Seu nome que não se origina Dele. Depois disso, em completa submissão, devemos deixar que Ele cumpra Sua vontade em nós.

Este é verdadeiramente o caminho. Se pela misericórdia de Deus você compreende que você abandonou seu primeiro amor, e que seu antigo zelo se esgotou, esta é a resposta. Venha abertamente para Deus. Permita que o Seu Santo Espírito perscrute o seu coração e, seja o que for que Ele encontrar lá, pela Sua graça, submeta a Ele.

Queridos amigos, não há caminho melhor. Que nós possamos escolhê-lo por Sua misericórdia, antes que Ele volte.






6.



O SACERDÓCIO






Quando, no século XVI, Martinho Lutero pregou suas 95 teses na porta daquele templo, acabava de iniciar o movimento que hoje conhecemos por “a Reforma”. Sua intenção foi de expor os erros da Igreja Católica para trazê-la de volta a Deus. Naqueles dias, grande parte da revelação divina havia sido perdida. Muitos aspectos elementares da vida espiritual, tais como a salvação pela fé – hoje considerados certos e indiscutíveis – eram então desconhecidos.

Deus, naquela época, usou Lutero para mostrar que o cristianismo seguia por um caminho errado, contrário à Sua vontade. No entanto, muitos enganos e desvios do cristianismo não chegaram a ser notados por esse irmão.

Então, à medida que passaram os séculos, Deus continuou a revelar outras verdades esquecidas, tais como, o uso e função dos dons espirituais e o verdadeiro significado da adoração e da santificação. O que se pode notar é que, desde o tempo de Lutero, tem havido um contínuo aumento das revelações divinas para o Seu povo.

Mas essa evolução ainda não terminou e prosseguirá até que Cristo venha em Sua glória. Por essa razão, devemos estar sempre prontos para receber a orientação de Deus e agir de acordo com o que Ele atualmente estiver nos revelando, hoje.

Esta mensagem faz parte do que, segundo penso, Deus deseja restaurar nestes dias. Em verdade, não chega a ser algo “novo.” Tampouco é minha própria e independente revelação. São aspectos da vontade de Deus compreendidos por muitos cristãos sinceros por pelo menos um século. Não obstante, como veremos, as tendências naturais do homem tornam tais verdades difíceis de praticar e preservar.

Desde o princípio, os desejos de Deus para o homem são os mesmos. Ele anseia continuamente andar conosco em intimidade e doce comunhão. Era esse o Seu propósito ao criar Adão e ao chamar para Si os filhos de Israel e, por certo, é o Seu desígnio hoje em relação à Igreja. Esse desejo amoroso tem em mira não só o “corpo de Cristo” como um todo, mas também cada um de nós individualmente. A intenção de Deus é estabelecer conosco um relacionamento íntimo, o qual transformará nossa natureza e caráter para serem como os Seus.

No início, Deus trabalhou apenas com indivíduos, como Noé, Sete e Enoque. Posteriormente é nos apresentada a ideia de “povo de Deus”, ao lermos a respeito de Moisés e dos israelitas no deserto. Mas mesmo naquela época Ele não buscava apenas uma multidão de adeptos religiosos. Ao contrário, o que desejava ardentemente era um relacionamento pessoal e íntimo com cada um.

Já no começo, cerca de três meses após a saída do Egito, Deus falou a Moisés com relação aos israelitas. Revelou Sua intenção original e mais sublime para com eles. Disse Ele: “...vós me sereis reino de sacerdotes...” (Ex 19:6).

Essa declaração demonstra o tipo de relacionamento que Deus pretende ter com cada um de nós. Ele planejou uma intimidade que os qualificaria a estarem em pé em Sua presença e a desempenharem as funções sacerdotais. Entre elas, incluía-se o ministrar a Ele em adoração e intercessão e, a seguir, ministrar a outras pessoas, a partir do que fluísse de Sua presença durante aqueles momentos.

Seu plano não era simplesmente que aprendessem algumas informações a Seu respeito e, depois, se envolvessem periodicamente com algumas atividades religiosas. Nosso Deus desejava intensamente que Seu povo O conhecesse e se relacionasse com Ele pessoal e intimamente.

Entretanto, é claro que os filhos de Israel fracassaram, não entrando nesse relacionamento com Deus. Quando Ele começou a aproximar-Se e a revelar-lhes Sua santidade no monte Sinai, afastaram-se Dele e transferiram a incumbência a um único homem. Eles disseram a Moisés: “Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos” (Ex 20:19). “...O povo estava de longe em pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura, onde Deus estava” (v. 21).

O coração daquelas pessoas não estava correto para com Deus, e, por isso, quando Ele passou a falar-lhes, não puderam suportar. Exatamente naquele instante, abandonaram o nobre chamamento que Deus lhes fizera a ser sacerdotes Dele e ficaram satisfeitos em deixar que outro indivíduo se relacionasse com Deus em seu favor.

Em vez de se arrependerem, depois de ouvirem as palavras sobre a justiça divina, e de permitirem que Deus os limpasse, decidiram aumentar ainda mais a distância entre eles e Deus. Eles acabaram colocando um mediador que arcasse com toda a responsabilidade de intimidade com Deus em seu benefício.

Esse afastamento do ideal divino logo produziu seus frutos. Enquanto Moisés gastava tempo na presença de Deus, o povo foi seduzido pelas próprias paixões. O relacionamento pessoal com o Criador era tão limitado, que logo estavam duvidando de Sua existência e de Sua capacidade para cumprir promessas feitas.

A solução encontrada foi criar, para eles mesmos, um deus impessoal, profano e de fácil manipulação – um deus que não os amedrontasse e cuja presença não exigisse uma santidade que não conseguiam praticar. A essa ponto, Deus os abandonou quase totalmente e tornaram-se inaptos para andar de acordo com a Sua intenção original (Ex 32:9-10).

É provável que, por não haver o coração do povo em geral correspondido à Sua vontade, tenha Ele designado um grupo especial de sacerdotes. Talvez a tribo de Levi tenha sido escolhida porque estava pronta para ouvi-Lo, ao menos até certo ponto, bem como para executar Seus julgamentos (Ex 32:28).

Vemos, portanto, que com a ordenação de um sacerdócio especial, para se aproximar de Deus no lugar do povo, a maioria da assembleia perdeu o privilégio de se tornar aquilo que seu Criador desejava que fosse. O sacerdócio levítico transformou-se numa espécie de obstáculo ou barreira, destinado a fazer Deus parecer mais remoto, de modo que os outros se sentissem mais à vontade.

Um evento semelhante é encontrada no livro de 1 Samuel, quando Deus permitiu ao povo ter um rei. Os filhos de Israel nunca haviam tido um rei até então. O pensamento de Deus era que fossem únicos entre os povos da terra: um povo governado exclusivamente pelo Deus poderoso e invisível.

Eles, contudo, rebelaram-se contra tal proposta. Para se adaptarem a essa forma de governo que Deus desejava, era necessário que cada um deles mantivesse um relacionamento pessoal com Ele. Isso não era fácil, principalmente para o homem natural. Portanto, aquelas pessoas mais uma vez rejeitaram os objetivos divinos e insistiram em ter um rei terreno. Ansiavam por um líder palpável, um ser humano que pudessem enxergar; alguém que assumisse a responsabilidade de guiá-los; alguém que se colocasse entre eles e Deus.

Samuel foi totalmente contrário a essa outra proposta. Mas Deus o confortou, dizendo: “Não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele” (1 Sm 8:7).

Esse episódio nos traz para a situação de hoje. Não é de se espantar que haja grandes semelhanças entre os cristãos e o povo de Deus do Velho Testamento. A história da Igreja informa que, logo após a partida dos apóstolos, os líderes das igrejas começaram a obter um destaque cada vez maior. Bispos passaram a estender sua autoridade para além de uma cidade, por fim “cobrindo” regiões inteiras. Mais e mais ênfase foi colocada em posições religiosas e sobre a necessidade de submissão àqueles que as ocupavam.

Essa tendência continuou através dos séculos até atingir seu apogeu com o aparecimento de chefes supremos, “infalíveis”. Pouco depois, as Escrituras foram completamente arrancadas das mãos das pessoas e essa inclinação por um intermediário, sobre a qual estamos comentando, chegou à sua expressão mais intensa. Tal resultado não deveria nos surpreender. É a tendência natural do homem. A menos que não nos esforcemos juntos contra essa tendência, é natural que todos os movimentos cristãos se deixem levar para essa direção.

Atualmente, embora o protestantismo tenha feito algum progresso, libertando-se da escravidão das trevas e da idolatria encontradas no sistema do qual saiu, infelizmente ainda conserva alguns de seus erros.

Apesar das Escrituras ensinarem o sacerdócio de todos os cristãos (1 Pe 2:5,9), a maior parte do moderno cristianismo o nega na prática. O que vemos em grande parte hoje nas igrejas é o ministério de apenas um ou, quem sabe, de uns poucos indivíduos escolhidos, ao passo que a maioria permanece como passiva observadora.

Compreende-se perfeitamente o fato de geralmente não rotularem de “o sacerdote” a condição reinante entre os grupos cristãos. Seria um termo manifestamente antibíblico. Em substituição, temos outros títulos, tais como os de “pastor”, “reverendo,” “apóstolo” etc.

Contudo, a função dessas pessoas é, normalmente, quase igual ao serviço desempenhado pelo sacerdote levita. São eles que “ouvem de Deus”, transmitem a maior parte dos ensinamentos e do aconselhamento, cuidam da organização etc. É lamentável, mas a verdade é que em muitos casos o “pastor” é obrigado a fazer quase tudo.

Já que essa é a situação predominante nos grupos cristãos hoje em dia e, ao que parece, universalmente aceita, muitos, talvez, perguntarão o que haveria de errado em tudo isso. Para chegarmos à resposta, devemos, primeiramente, abondonar nosso gosto e concepções pessoais e ter uma reverência genuína pelos interesses e objetivos divinos. Se o homem fosse a única parte em jogo nessa situação, nossa discussão não precisaria ser levada tão a sério.

Olha, acontece que estamos aqui procurando entender e satisfazer as exigências de Deus e, por essa razão, devemos abordar o assunto com reverência e temor. Mas isso não é tudo.

Deveria estar patente para nós que Suas intenções visam, também, o nosso próprio bem. Em verdade, quanto mais enxergarmos a vontade de Deus, mais perceberemos que Suas diretrizes e exigências não objetivam apenas Sua própria conveniência, mas destinam-se, igualmente, ao nosso eterno benefício.

O plano de Deus para a Igreja é duplo. Primeiro, Ele nos instruiu a levar as boas-novas até os confins da terra. Em segundo lugar, quer que sejamos transformados à Sua imagem. Pois bem, se formos cumprir essas instruções total e eficazmente para atingir tais objetivos, precisaremos antes ser pessoas íntimas de Deus!

Cada um de nós tem que entrar num relacionamento próximo e pessoal com o Criador e preservá-lo. Todos fomos convocados para ser sacerdotes. Desse relacionamento, então, brotará o ministério sacerdotal em nós, permitindo que os desígnios de Deus sejam atingidos.

Jamais deveríamos depender de líderes ou de indivíduos dotados para darem conta de tudo. Não deveríamos apoiar-nos em organizações humanas, nem em animadas campanhas. Todos nós arcamos com uma parte dessa responsabilidade. A verdade é que se não estivermos ativamente engajados no trabalho de servir aos outros, quer pela pregação do evangelho, quer pelo exercício de nossos talentos espirituais, já caímos no erro.

Deus espera que cada um de Seu povo esteja empenhado em Seu trabalho. Somos todos “ministros” e todos fomos chamados e ordenados por Ele para realizar um trabalho do serviço sacerdotal até a Sua volta (Jo 15:16).

Quando Jesus Cristo ascendeu ao Pai, deu dons à Sua Igreja. Esses talentos ou dons espirituais não foram só a uns poucos escolhidos, mas a todos (1 Co 12:7). Cada função e cada parte é vital, à semelhança do que acontece com nossos diferentes órgãos e membros do corpo físico. Quando uma parte aparentemente pequena ou insignificante não está funcionando normalmente, todo o resto sofre. Dá-se o mesmo com a Igreja hoje.

Quando todo o trabalho é feito pelos superdotados, talentosos ou treinados, existe uma grande perda para o corpo de Cristo e para Deus. Deveríamos nos interessar seriamente por essa verdade. Pouco importa o que você pensa de si mesmo ou de suas habilidades espirituais. Também não têm importância as diferenças existentes entre você e os demais. Mesmo aqueles que possuem um só talento são e serão solicitados por Deus a usá-lo ao máximo (Mt 25:14-30).

Se nos acovardarmos, comparando-nos com outros, ou se ficarmos temerosos e não fizermos nada, teremos de prestar contas um dia ao nosso Criador. Temos, é certo, o privilégio, mas também a séria responsabilidade de descobrir diante de Deus a que trabalho Ele nos chamou a realizar, para então começar a aprender pelo Espírito Santo a nos exercitar na função que nos foi confiada.

Sem esse tipo de ministério não cresceremos adequadamente. Sim, talvez obtenhamos algum progresso principalmente no início mas, para que de fato atinjamos a maturidade, nós mesmos precisamos começar a ministrar. À medida que dermos, mais nos será dado. Trata-se de uma lei espiritual.

Se somos meros recebedores – semana após semana escutando de outros que, é esperado, gastaram seu tempo na presença de Deus – nosso conhecimento provavelmente aumentará, mas nossas vidas não serão mudadas. Essa é a infeliz condição de muitos e muitos na Igreja de hoje. Temos nossos “superastros,” talvez famosos e ocupados dia e noite, mas temos igualmente a “maioria passiva” a depender de outros para a realização do trabalho.

As consequências danosas desse fenômeno às vezes não estão evidentes à primeira vista, principalmente numa organização “bem lubrificada”; contudo, elas estão ali ocultas. Inúmeras reuniões cristãs estão repletas de bebês espirituais superalimentados que permanecem inativos. Eles vêm semanalmente para receber e imaginam que, porque ouvem uma boa mensagem, estão bem com Deus. Não raras vezes, entretanto, tais indivíduos ainda possuem pecados escondidos e sérios desvios de caráter.

Ao procurarmos servir aos outros, essas falhas ficam expostas. Quando começamos a ministrar, percebemos o quanto nossas vidas precisam de transformação e isso nos estimula a buscar o Senhor para nos libertar. Se desejamos verdadeiramente avançar em direção à maturidade, é essencial que todos nos tornemos sacerdotes: sacerdotes que estejam exercendo suas funções na casa de Deus.

O ministério espiritual não tem como finalidade apenas o nosso crescimento, mas também o progresso dos demais. Não importa quais sejam as suas funções espirituais no corpo, existem sempre pessoas que precisam do que você tem. Quer seja uma pequena ou grande porção, é absolutamente indispensável. Em algum lugar, entre os cristãos que você conhece ou no mundo à sua volta, existem pessoas para as quais sua porção é muito importante.

Por exemplo, os cristãos com quem você se relaciona podem estar buscando aquela porção específica de discernimento espiritual que você possui. É possível que muitos que você conhece estejam sofrendo porque você não reservou um tempo para orar por libertação, nem buscou uma palavra de Deus para encorajar ou admoestá-los, nem deu atenção às suas necessidades. É sempre mais fácil criticar ou fazer fofocas, do que orar ou auxiliar.

Sua porção é certamente essencial para o crescimento e bem-estar espiritual dos outros. Deus a entregou a você por causa deles, sendo, portanto, importante exercitá-la. Em Sua sabedoria, nosso Pai construiu a Igreja de tal sorte que cada membro depende dos demais. Assim sendo, para que “todos cheguemos” à maturidade (Ef 4:13), a colaboração de cada parte é indispensável.



MAS, QUAL É O PAPEL DOS “LÍDERES”?




A esta altura, alguém perguntaria: “Qual é o papel dos líderes?” Sem dúvida a liderança tem base nos ensinamentos bíblicos e é necessária para uma condição saudável da igreja. Muitas vezes, entretanto, é também mal compreendida.

O papel do líder é liderar. Isso não significa dominar ou controlar os outros, mas sim tomar a dianteira e avançar! Os demais irão notá-lo e segui-lo. As palavras “presidir” e “guias” encontradas em 1 Timoteo 5:17 e Hebreus 13:7,17 e 24, da tradução de Almeida, talvez tenham sido a fonte de muitos mal-entendidos. Estas palavras vêm do grego PROESTEMI e deveriam ser traduzidas como “andar em frente” ou “preceder”. Isso não tem nada a ver com “controlar” ou “organizar”.

A função de um verdadeiro líder não é o de dirigir a igreja, mas sim o de auxiliar os outros a cumprirem o seu ministério, crescendo em tudo o que Deus lhes preparou. Tais líderes são facilmente reconhecíveis, pois sempre terão como prioridade os interesses e o progresso espiritual dos outros.

Infelizmente, a tendência humana é outra. O anseio por estrelismo, destaque, fama, poder, etc., é, não somente permitido, mas considerado bom na igreja de hoje. Muitos estão impelidos, por ambição própria ou pelos outros, a buscar posições de autoridade sobre os outros e a liderança. Mas tudo isso é proibido por nosso Mestre Jesus.

Ele disse: “Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22:2526).

Os “líderes” que estão apenas alimentando a si mesmos (edificando seu próprio ministério, forrando seu próprio ninho financeiro etc.) e, como consequência, mantendo passivos aqueles que estão sob seus cuidados, enfrentarão o julgamento divino. Os que se exaltam e impedem o progresso dos demais, objetivando a sua própria posição, segurança e autoridade, enfrentarão juízo ainda mais severo. Quem abusou de seus conservos vai ser castigado com muitos açoites (Mt 24:49-51).

A verdadeira liderança sempre é, na realidade, algo que Deus faz. É somente Ele movendo por meio de Seu povo que providencia liderança real que beneficia Seu povo. Se a obra de quem está “liderando” é um resultado apenas de instrução teológica, de designação para um cargo ou de ambição pessoal, por certo se constituirá num obstáculo para o progresso espiritual.



A ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA HUMANA




A organização religiosa e rígida também é um empecilho para o cumprimento dos desejos de Deus. Quando uma pessoa ou até algumas pessoas estão dando conta de todas as tarefas – e por consequência disso, mantendo todas as outras inativas – isso resulta em imaturidade espiritual.

Muitas vezes, uma organização religiosa abafa o desenvolvimento dos ministérios dos membros dela. Se a obra que Deus chamou você não encaixa bem na organização do qual você pertence, vai precisar servir os outros fora desta restrição.

Talvez você esteja se reunindo com um grupo de cristãos onde inexiste qualquer encorajamento ou oportunidade para que você cresça em sua função. É provável que nesse grupo a experiência seja a de ter “um homem em evidência” ou de ter tudo tão organizado sem a orientação do Espírito que o funcionamento de cada membro não está em evidência. O seu talento pode estar sendo negligenciado, mal utilizado, ridicularizado ou até desencorajado.

Nada disso, contudo, poderá servir de desculpa à passividade. Quando você estiver diante do Rei, já não haverá ninguém mais para levar a culpa pelo descumprimento de suas funções sacerdotais.

Não deve esperar até um grupo reconhecer seus dons e liberar um espaço para você. Não pode depender de outros homens para dar uma abertura ou “força” para você começar a servir. Fica você incumbido em seguir a liderança do seu Mestre. Comece onde Ele abre as portas e continue seguindo Seu Espírito. É essencial aprender a não depender dos homens mas saber seguir Jesus. Nosso serviço no corpo Dele tem que ser liderado por Ele também.

Em Seu plano, a programação humana é substituída por ministérios espirituais, levantados por Ele em nosso meio. Planos futuros decorrem de Sua orientação e a autoridade organizacional ou posicional é substituída pela verdadeira autoridade Dele, que é espiritual.

A tarefa à mão não consiste em desenvolver grandes ministérios “bem sucedidos” ou ter pessoas comparecendo às centenas. Tudo isso pode ser alcançado sem que a vontade de Deus tenha jamais sido atendida. Nosso papel é, na simplicidade, obedecer a Jesus. Vamos colocar de lado toda ambição, desejo por reconhecimento e fama. Vamos abandonar qualquer cheiro de ego humano e autosserviço.

Vamos nos humilhar, como Jesus fez, e nos vestir com a toalha. Vamos começar lavando os pés daqueles ao nosso redor que precisa do que Deus tem nos dado. Nossa recompensa não será aqui, nesse mundo. Não será que as multidões vão nos apreciar. Servir Jesus por meio de servir o corpo Dele, significa que vamos nos tornar escravos, servindo em obediência sem motivo próprio.

Considerando que Deus o preparou e chamou, Ele também irá prover uma forma de você começar a servir. Por exemplo, você poderá orar em qualquer lugar, a toda hora. Você pode proporcionar ajuda material sem precisar de uma permissão “oficial” de alguem. Pode ensinar e aconselhar. Quando você realmente começar a agir na função para a qual Deus o designou, as portas se abrirão diante de você e as pessoas reconhecerão a mão divina em sua vida.

Provavelmente tudo começará aos poucos e poderá até parecer pequeno e insignificante (Zc 4:10). Todavia, à medida que você exercitar os talentos que Deus lhe deu, fiel e diligentemente, estes crescerão e você igualmente crescerá.

Não fique surpreso se, com o passar de tempo, você encontra oposição. Se o que está fazendo é de Deus, isso vai acontecer. Quando Deus começa a usar você, o inimigo vai tentar lhe derrubar. Usando outras pessoas que se sentem ameaçadas, enciumadas ou competitivas, o diabo, com certeza, vai levantar dificuldades e barreiras tentando lhe desanimar.

Isso é normal. Faz parte de ser um servo do Altíssimo. Mas, se somos servos fiéis, precisamos continuar em fé, não desanimando por causa de outros homens, e cumprir a obra que Deus nos concedeu. É a Ele que vamos prestar contas naquele Dia.

A vontade de Deus é que sejamos, para Ele, reino de sacerdotes. Somos todos Seus profetas (Ap 1:5-6 e 1 Co 14:1,31). Cada um de nós possui um ministério para ser desempenhado e serviços espirituais para realizar, os quais ninguém mais conseguirá levar a cabo da mesma forma que nós o faríamos.

Quando aparecermos perante Ele, teremos de prestar contas de nossas obras (Ap 2:23). Naquele dia, aquilo que realizamos testificará a nossa verdadeira condição espiritual. Não poderemos dizer que não conhecíamos as necessidades ou que não estávamos qualificados. Não poderemos culpar outros por não nos “deixar” exercitar nosso serviço em um determinado lugar ou ambiente.

Lembre-se que foi Deus que chamou você. É Ele que abre as portas que ninguém fecha (Ap 3:7). O mesmo Deus que operou poderosamente nos apóstolos e profetas vive também em cada um dos Seus filhos. Ele é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos se apenas O obedecermos.

Precisamos encarar essas considerações com seriedade. Devemos analisar nossas próprias vidas e ver se somos trabalhadores realmente ativos para o nosso Rei ou se somente somos passivos observadores. Teríamos acaso estabelecido uma distância “segura” entre nós e Deus e deixado que outros assumissem a responsabilidade em nosso lugar? Será que nos retraímos em decorrência do medo ou da incapacidade humana e permitimos que outros realizassem o trabalho?

Em caso positivo, paremos por um momento e arrependamo-nos diante Dele. Entreguemos novamente toda a nossa vida a Deus. Digamos-Lhe que, de agora em diante, estamos totalmente dispostos a nos tornar um vaso para o Seu serviço. Depois disso, à medida que Ele nos dirigir, cooperemos com Ele diligentemente em Sua vinha. Todos nós somos chamados para ser sacerdotes.







7.



O SÉTIMO DIA






O cenário era aterrorizador. A montanha estava envolvida em uma camada de fumaça produzida por um fogo devastador. O chão tremia e uma voz de trombeta, mais alta que qualquer outra ouvida anteriormente, abafava o som do trovão retumbante enquanto os raios pontuavam os pronunciamentos do Deus Todo-Poderoso.

O homem, Moisés, tomou seu caminho montanha acima e desapareceu naquela conflagração. Sem dúvida, ele também estava assustado. Seria natural se seus joelhos tremessem e se seu coração batesse forte dentro do peito conforme ele observava o dedo de Deus aparecer e inscrever Seus mandamentos em duas tábuas de pedra.

O Altíssimo estava mostrando claramente que Seus mandamentos não podiam ser violados. Esta terrível demonstração do poder de Deus pretendia produzir naqueles que observavam um medo santo e solene que os levariam a obedecê-Lo.

Tal é a origem do que conhecemos como “Os Dez mandamentos”. Entretanto, é evidente que hoje eles não são tidos em tão alta consideração como foi no tempo em que foram dados pela primeira vez. Afinal, muitos cristãos parecem acreditar que Jesus veio para abolir tais decretos assustadores substituindo-os por admoestações muito mais agradáveis e fáceis de serem cumpridas.

De fato, suspeito que frequentemente entre os cristãos modernos é crido (se não ensinado abertamente) que os mandamentos de Deus ao Seu povo devem ser considerados como “pequenas sugestões” em vez de qualquer tipo de ordenanças inflexíveis.

Além disso, continua a suposição de que as consequências da falha – a penalidade por violar qualquer das leis de Deus – foram inteiramente removidas através de Jesus e assim, se nos moldamos ou não ao Seu padrão, não é de muita importância.

O apoio a esta presente indiferença da moderna cristandade para com as instruções de Deus e a evidente falta de temor a Deus tem sua base em um mal-entendimento referente ao Evangelho. O que Jesus veio fazer por nós e como Ele está cumprindo Seus objetivos não é bem compreendido por muitos crentes.

A noção de “consequências” de qualquer tipo referente ao comportamento dos cristãos tem sido reduzida a um conto de fadas sobre ser grande ou pequena a mansão que receberemos ou quão luxuoso será o carro que dirigiremos quando nosso Senhor voltar com Sua recompensa.

Tal espécie de evangelho superficial tem produzido adeptos igualmente superficiais. Uma lacuna de revelação concernente à Pessoa, os propósitos do Deus vivo e as consequências deste entendimento resultaram em uma mensagem que tem muito pouco poder de transformar as vidas dos ouvintes. O “temor do Senhor”, que deveria formar uma espécie de alicerce na vida dos crentes tem sido tirado e substituído por um caminho fácil e amplo que não tem lugar em nenhuma compreensão genuína do evangelho.

Isto nos leva ao propósito deste texto. É tentar, de maneira tanto bíblica quanto esclarecedora, apresentar o evangelho de uma nova perspectiva que tratará de algumas das modernas concepções erradas, tão predominantes entre nós. Vamos orar juntos para que Deus unja e use esta mensagem para Seus objetivos eternos.

Para começar, é importante afirmar que Jesus não veio para abolir a lei. Pelo contrário, Ele veio cumpri-la. Além de não eliminar as exigências dos mandamentos de Deus, Jesus as elevou ainda mais! Na verdade, os ensinamentos de Jesus elevaram as exigências para o povo de Deus ao invés de reduzi-las. Um simples exame de dois dos Dez Mandamentos tornará esse fato perfeitamente claro.

Por exemplo, o sétimo mandamento nos proíbe de cometer adultério. É possível para muitas pessoas manter essa orientação. Elas podem nutrir certos pensamentos e desejos em relação a certos membros atraentes do sexo oposto e elas podem até ter fortes impulsos nessa direção. Mas conseguem, através da força de vontade, ou de outros meios, suprimir esses desejos e evitar esse pecado. Essa abstinência os teriam qualificados a serem julgados obedientes à lei nos dias de Moisés.

Mas quando Jesus veio, Ele tornou as coisas muito mais difíceis. Ele declarou que o simples pensamento é tão pecaminoso quanto a própria prática do ato. Isso tornou a justiça impossível do ponto de vista humano. Neste caso, só evitar o ato não é suficiente. Você nem pode pensar nele. Se você for honesto, irá admitir que muitos poucos passaram pela vida sem um desses pensamentos. Aqui, em apenas essa única lei, quase todos são culpados.

O mandamento contra o ato de assassinar também faz parte desse quadro. Sem dúvida, houve momentos em nossas vidas quando outros nos ofenderam, ou mesmo nos prejudicaram significativamente, nos deixando extremamente zangados. Espero que tenhamos conseguido resistir à tentação de matá-los. Talvez a influência inibidora da polícia, tribunais e prisões tenha ajudado a tornar o trabalho de controlar nossos sentimentos um pouco mais fácil.

Entretanto, essa abstinência não alcança o padrão do Senhor. No Novo Testamento, além de não estarmos livres para matar aqueles que nos perturbam, Jesus insiste que também devemos perdoá-los.

Ademais, além de não poder guardar ódio e amargura em nossos corações, nosso Senhor ainda insiste que amemos nossos inimigos. Como isso é possível? Mais uma vez, autocontrole não é suficiente. Uma completa mudança de caráter é necessária.

E assim é com o restante dos Dez Mandamentos. Os padrões do Novo Testamento são, na verdade, muito mais elevados do que os do Velho. É esperado que essa pequena amostra seja suficiente para demonstrar claramente que a justiça requerida pelos ensinamentos de Jesus está muito acima da qual é exigida pela lei.



A JUSTIÇA DE DEUS




Creio que a reação imediata da maioria das pessoas a tudo isso é se perguntar: “Como algo assim é possível? Como alguém poderia viver em tão completa perfeição que nem um pensamento, atitude ou ação impura poderiam se infiltrar em sua vida?”

Nós sabemos que os primeiros judeus tentaram durante aproximadamente 1.450 anos obedecer aos Dez Mandamentos. Está bem documentado que a história desse esforço foi de constante fracasso. Então, já que tem sido claramente provado por experiência milenar, sem qualquer sombra de dúvida, que o homem é incapaz de obedecer às ordenanças originais de Deus, como nós devemos entender o fato de que Jesus, aparentemente, tornou as coisas ainda mais difíceis?

O que devemos fazer, se o que Deus requer de nós está tão distante do nosso alcance e além das nossas habilidades, que se torna completamente impossível?

A resposta a essa pergunta é bem simples, ainda que tremendamente profunda. Para alcançá-la, é imperativo que cada crente chegue a um profundo e inabalável entendimento do seguinte fato: existe apenas uma Pessoa no Universo que é capaz de ser medido por esse incrível critério: o próprio Deus. Sua vida é a única vida que automaticamente e espontaneamente, expressa justiça genuína. Ele é o único que passa no teste.

Você percebe que Deus não precisa tentar ser justo? Ele apenas é! Ele não precisa tentar não ler revistas pornográficas ou evitar ceder às novelas apimentadas. Ele não está se esforçando para não mentir, não enganar, não roubar ou não tirar vantagem de alguém em Seu próprio benefício. Ele não gasta tempo desejando possuir coisas tão boas quanto as dos Seus vizinhos.

A verdade é que Deus não pode sequer ser tentado pelo pecado (Tg 1:13). Ele simplesmente não está interessado. De fato, Ele o abomina. Deus manifesta justiça simplesmente porque Ele é justo por natureza e é impossível para Ele ser de qualquer outra forma.

Não deveria ser segredo para nós que em um momento da história esta vida sobrenatural tenha sido manifestada (1 Jo 1:2). Esta vida incrivelmente justa veio à Terra na Pessoa do Filho de Deus, Jesus Cristo. Nós lemos: “A vida (de Deus) estava nele” (Jo 1:4).

Este homem era o depósito da vida do Pai. Além do mais, enquanto andou nesse planeta, Ele não agiu por si mesmo, mas simplesmente viveu Sua existência pelas inclinações da vida Divina que estava dentro Dele. Ele revelou esse segredo quando declarou: “...eu vivo pelo Pai” (Jo 6:57). Suas ações e até Suas palavras não eram “Suas”, mas simplesmente uma expressão da vida Daquele que vivia dentro Dele.

Ele afirmou isso dizendo: “As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14:10). Vemos então que Jesus foi verdadeiramente justo, como resultado da própria vida de Deus dentro Dele, que O motivava em todo aspecto da Sua vida.




UMA VIDA QUE NÃO É NOSSA




Isso, então, forma uma ilustração para nós, hoje. É totalmente impossível para nós atingirmos os padrões de Deus. Mas se somos crentes verdadeiros, esse mesmo Jesus que viveu na Terra 2.000 anos atrás e agradou ao Pai em tudo, agora vive dentro de nós.

A intenção do Pai é que Seu próprio Filho, vivendo dentro de nós e vivendo a vida do Pai através de nós, cumpra todos os Seus justos intentos. O próprio Jesus deve se tornar nossa motivação. A vida do próprio Deus deve se tornar a fonte de todos os nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações. Assim como o nosso Senhor foi animado pela vida do Pai, nós também podemos ser uma expressão Dele.

Dessa forma, nossas vidas manifestarão justiça. Dessa forma nós poderemos alcançar os padrões que nos foram dados no livro de Deus. Ainda assim, é uma justiça que não é nossa (Fp 3:9). Não somos “nós” que estamos atendendo às exigências, mas Aquele que vive em nós e através de nós.

Essa é a verdadeira “justiça da fé” (Fp 3:9). Nossa fé nos leva a estar em Deus e Deus estar em nós, de uma forma tão poderosa e profunda, que a nossa própria fonte de viver é mudada. O evangelho genuíno não é uma mensagem de esforço próprio. A verdadeira justiça não é alcançada por nossas tentativas de melhorar. Ao contrário, é alcançada por uma substituição sobrenatural.

Assim como Jesus agradou ao Pai, permitindo-Lhe que vivesse através Dele, nós podemos ser agradáveis a Ele da mesma maneira. Essa é a verdadeira vida cristã. É o “caminho estreito” a respeito do qual Jesus falou. Qualquer outro é apenas uma imitação terrena. O desejo de Deus não é que nós “vivamos para Ele”, mas que Ele viva Sua vida através de nós!

Você vê isso? Você é capaz de genuinamente alcançar a profundidade desse significado? Que liberdade gloriosa! Que alívio e contentamento!

Nós agora estamos livres do peso de tentar agradar a Deus. Alguém, que é infinitamente mais capaz, fará isso por nós. O Jesus vivo que agradou ao Pai enquanto esteve nesse mundo irá mais uma vez agradá-Lo em nós e através de nós.

Essa é uma revelação essencial que todo cristão deveria perceber. É algo também que deveria começar a ter um efeito profundo sobre nossa experiência. É uma verdade que deveria começar a alterar a base do nosso comportamento.

Por um lado, esse grande fato nos proporciona tremendo alívio, mas por outro, também nos traz uma incrível responsabilidade. Isso significa que o povo de Deus deve ser verdadeiramente justo. Ele deve ser santo. Deus espera que o povo Dele não apenas atinja os padrões da lei do Velho Testamento, mas também os padrões extremamente elevados, revelados por Jesus.

Na verdade, Ele não veio abolir a Lei. Pelo contrário, Ele veio cumpri-la mais completa e plenamente do que antes. Ele veio tornar milhares de homens e mulheres mais justos do que jamais se pensou que fosse possível. Sua intenção é que aquilo que não pudesse ser feito pela força do homem, na tentativa de obedecer a lei de Deus, seria então alcançado pelo Seu poder divino, operando através do Seu povo. Deus agora pode ter multidões expressando verdadeira santidade ao mundo e vencendo o diabo através do seu testemunho.

Espero que todos os leitores percebam que existe uma grande diferença entre a ideia de “guardar” a lei e “cumprir” a lei. “Guardar” a lei é algo que envolve os esforços da carne em obedecer a um padrão superficial, por exemplo, determinação, colocando alvos pessoais, etc.

O “cumprimento” da lei é o aparecimento Daquele que estabeleceu o padrão. Deixe-me dar um exemplo disso. Vamos supor que você não conheça minha adorável esposa. Para lhe ajudar a conhecer um pouco a respeito dela, poderia mostrarlhe uma fotografia dela. Vendo a foto, você poderia saber um pouco a respeito de sua aparência, sua cor de cabelo, sua altura e suas características faciais.

Entretanto, quando você finalmente conhecê-la face a face, ela é o “cumprimento” da fotografia. Você não precisa mais ficar olhando para a foto, porque ela está presente com você. Na verdade, ela ficaria ofendida se você continuasse olhando a foto e a ignorasse.

Da mesma forma, Deus nos deu a lei e os mandamentos. Eles são uma figura verbal Dele mesmo e de Sua justiça. Eles são obviamente verdadeiros, justos e bons, assim como a foto da minha esposa é uma fiel representação dela. Entretanto, de muitas formas, as leis e os mandamentos são incompletos, porque é impossível descrever em palavras humanas a totalidade do que Deus é.

Agora, no entanto, o “cumprimento” da lei chegou. A Pessoa representada pelos mandamentos apareceu na Terra, na pessoa de Jesus Cristo. A vida dessa pessoa “cumpre” a lei, simplesmente porque a lei era e é um tipo de definição do que Ele é.

De fato, Suas ações e palavras estão bem acima da lei, porque ela é uma mera sombra de tudo o que Ele é. Às vezes, Suas atitudes e ações pareceram, aos fariseus, estar em contradição com o entendimento da lei. Isso é porque eles interpretaram mal o que era a lei, e “Quem” realmente estava por trás dela. Eles apenas olharam fixamente para a “fotografia” e ignoraram a Pessoa. Estavam fixados em regras e normas e não perceberam o caráter da Pessoa atrás da lei.

Tentar “guardar” a lei resulta apenas em uma imitação humana do que Deus é. Mesmo se a pessoa mais determinada se forçasse a fazer “tudo certo” isso nunca resultaria em justiça verdadeira. Seria apenas um mero e natural ser humano imitando a Deus. Nós lemos, “por obras da lei ninguém será justificado {será considerado justo}” (Gl 2:16).

Mesmo se nós pudéssemos guardar toda lei, não seria aceitável diante de Deus. O que Deus está procurando é uma real expressão de Sua própria vida e natureza. Isso é o que Ele viu no Seu Filho. E é isso que Ele está procurando em nós também: a plenitude da Sua vida, saturando e permeando o nosso ser, de tal maneira que nós também nos tornemos uma expressão de Sua santidade.



O PROBLEMA DA VIDA VELHA




Porém, como todos nós sabemos, a real compreensão dessa verdade gloriosa não é tão simples como parece. De alguma forma, mesmo tendo essa vida sobrenatural vivendo em nós, não é sempre Ele que nós expressamos. Muito frequentemente, pensamentos, sentimentos e ações terrenas e más – pecados de todo tipo – operam em nós e são expressos através de nós. Qual é o problema, então? Por que nem sempre manifestamos a natureza de Deus em nossas vidas diárias?

Toda a raiz desse dilema está no fato de que ainda possuímos nossa velha vida. Assim como a vida de Deus é completa e plenamente justa, também a nossa própria vida – aquela com a qual nós nascemos – é inalteravelmente poluída com o pecado. Sendo assim, quando nos permitimos ser motivados por ela, naturalmente expressamos o que ela é: algo que não é muito santa. Quando nós vivemos nossas próprias vidas, quando permitimos que o “eu” seja a fonte da qual nós vivemos, os resultados são inevitavelmente pecaminosos e, por isso, rejeitados por Deus.

Isso, então, coloca o crente que deseja ser santo e fazer a vontade de Deus em um tipo de encruzilhada. Todo dia, e, na verdade, a todo momento de todo dia, os cristãos têm que fazer uma escolha. Eles devem continuamente decidir por qual vida irão viver. Qual é a vida que eles permitirão que os encha e os motive – a vida de Deus ou a sua própria? Qual vida será sua inspiração a cada momento?

Nosso Pai Celestial, em Sua grande sabedoria, não nos forçou a nada. Pelo contrário, se nós manifestarmos Sua vida será o resultado de nos rendermos continuamente ao Seu caminho. Se começarmos a exibir Sua natureza, será porque nós, dia após dia, escolhemos deixar Sua vida encher e dominar o nosso ser.

Além disso, significa que nós, ao mesmo tempo, decidimos negar à nossa própria vida a possibilidade de se expressar. Como é santo e precioso saber que o nosso Deus e Rei é tão sensível aos nossos desejos! Inversamente, que responsabilidade incrível nós termos de escolher corretamente a cada dia.



GUARDAR O SÁBADO




Com esta base, chegamos finalmente ao assunto desse artigo: a lembrança do sábado. No Velho Testamento, quando Moisés recebeu os Dez Mandamentos, a ordenança do sábado era uma exigência com respeito às ocupações do sétimo dia. Deus ordenou que, no dia do sábado, Seu povo deixasse de lado a maior parte das atividades físicas para que eles pudessem focalizar suas mentes e atenções na adoração a Ele. Resumindo, eles deveriam parar o que estavam fazendo e descansar. Embora possa parecer um mandamento fácil de ser cumprido, provou ser virtualmente impossível. Havia sempre alguma coisa na vida do povo de Deus que os levava à ação, mesmo que isso fosse violação da Sua vontade.

Mas se o decreto do Velho Testamento era impossível de ser seguido, como fica, então, o padrão da Nova Aliança? Naquela época os seguidores de Deus eram proibidos de trabalhar em um dia de sete, mas no Novo Testamento, requer-se de nós que deixemos de trabalhar totalmente. Somos admoestados a “cessar nossas próprias obras” completamente (Hb 4:10).

O padrão de descanso da Nova Aliança foi elevado muito além das atividades de um só dia. Passou a ser aplicado a toda a nossa existência. Nós devemos entrar nesse descanso de tal maneira que já não somos mais “nós” que vivemos. Agora, não apenas o sétimo dia, mas todos os sete dias da semana são santos para Deus. Assim, não há mais espaço para fazermos nossas próprias coisas e sermos o que queremos ser. Só há espaço para uma só Pessoa – Cristo Jesus.

Isso então nos traz a um entendimento correto do verdadeiro evangelho. É uma mensagem que declara que existe um “descanso” no qual o povo de Deus precisa entrar. Está disponível para nós a opção de parar de viver a vida pela nossa própria motivação e entrar na experiência de sermos animados em todo nosso viver por Deus.

A experiência genuína do sábado não é outra senão aquilo que temos falado. É simplesmente deixarmos Deus ser nossa vida e deixarmos de viver por nós mesmos. Isso é a realidade para a qual a “sombra” da lei do sábado apontou.

Quando entendidos corretamente, os mandatos da Velha Aliança são vistos simplesmente como expressões terrenas das eminentes realidades espirituais. Eles eram ilustrações naturais dadas a nós por Deus para nos ajudar a entender coisas espirituais e invisíveis. Com respeito a guarda do sábado, as escrituras nos ensinam que isso era apenas uma “...sombra daquilo que estava por vir, mas a substância (sua realidade espiritual) é de Cristo” (Cl 2:17).

Você vê isso? Sob esse prisma a verdadeira guarda do Sábado se torna uma das revelações mais importantes do Novo Testamento. Deixar de viver nossa própria vida e ceder nossas faculdades à inspiração de Outro são verdadeiramente o centro de todos os pensamentos e intenções de Deus. Foi por isso que Jesus veio e morreu por nós. Foi para nos revelar a Vida Divina do Pai, para que pudéssemos nos tornar participantes de Sua natureza e sermos verdadeiramente justos.

Não é à toa que o sábado é um dos mandamentos mais proeminentes, sendo mencionado 137 vezes nas escrituras. Não é surpresa, portanto, que o seu cumprimento tenha sido levado tão a sério por Deus e que seja enfatizado vez após vez pelos profetas, ao explicarem os fracassos do povo de Deus.

A importância dessa experiência – a centralidade dessa verdade – é tão profunda, que se uma pessoa não entendê-la, ainda não começou a compreender a mensagem de Cristo. Guardar o verdadeiro sábado, que resulta na substituição da nossa vida velha e perecível pela nova e eterna vida de Deus, é absolutamente indispensável.

Você guarda o sábado? Não estou perguntando se você trabalha regularmente aos domingos nem se cuida do seu jardim no sétimo dia da semana. Também não estou interessado em qualquer discussão infrutífera sobre ser o sábado ou o Domingo o dia correto para se adorar.

Essas coisas pertencem a uma realidade completamente diferente. Se você ficar preso a elas, já está correndo um sério perigo de perder a realidade espiritual a respeito da qual temos falado.

Paulo, o apóstolo, temia isso quando disse aos crentes gálatas, “...mas agora que conheceis a Deus, ou antes sendo conhecidos por Deus, como estais voltando outra vez aos rudimentos fracos e pobres (os mandamentos e leis), aos quais de novo quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco.” (Gl 4:9-11).

Ele estava preocupado que seus ouvintes tivessem apenas captado a aparência superficial das escrituras e passado por cima completamente da verdadeira mensagem. Sua apreensão era com que ao guardar as ordenanças terrenas, eles estivessem demonstrando claramente que não tiveram entendido o verdadeiro significado delas.

Isso então, queridos irmãos e irmãs, é o que estamos considerando. Será que estamos tendo a experiência do verdadeiro sábado? Será que estamos realmente parando com as nossas próprias atividades e entrando no descanso de Deus?

Estamos vivendo a nossa própria vida ou estamos deixando a Vida de Outro nos dominar e controlar? Quem é a nossa motivação diária? A quem estamos expressando dia após dia? Jesus voltará logo.

Apenas aqueles que amarem o sábado estarão prontos. Ouça a promessa de Deus: “Se desviares o teu pé de profanar o sábado, e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia, mas se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, (outro versão diz ‘falando suas próprias palavras’) então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse” (Is 58:13-14).




EXISTEM CONSEQUÊNCIAS ?




Há entretanto, um outro lado dessa consideração. Debaixo da lei, qualquer pessoa que violasse o sábado deveria ser executada. Qualquer pessoa que se recusasse a parar de mexer deveria ser morta. Êxodo 31:15 diz: “Qualquer que no dia do sábado fizer qualquer obra morrerá”. Esse mesmo julgamento é repetido em Êxodo 35:2.

Talvez você também se lembre da história do homem que foi pego apanhando lenha para a fogueira no Sábado, quando os filhos de Israel estavam no deserto. A congregação ficou um pouco insegura sobre o que fazer com esse homem e trouxe-o a Moisés e Arão que então consultaram a Deus. E qual foi a Sua resposta? “Então disse o Senhor a Moisés: Tal homem será morto; toda a congregação o apedrejará fora do arraial” (Nm15:35).

Nós vemos, então, que debaixo da Velha Aliança, as consequências de quebrar o sábado eram extremamente severas. Deus deixou bem claro que Sua ordenança era séria e que não deveria ser encarada de qualquer jeito.

Mas agora que nós temos uma ideia do que o sábado significa debaixo da Nova Aliança, o que devemos pensar? Será que também é algo muito sério? Existem consequências? Será que o cristão tem algo a temer com respeito à sua obediência a Deus em relação a entrar no Seu descanso?

Eu me preocupo com o fato de que a resposta da maioria dos evangélicos modernos seria “não”. Eles pensem algo como: “Quando você aceita a Jesus, não há nada mais a temer. Deus te ama e não faria nada para punir ou causar qualquer desconforto a Seus filhos”.

Este é um pensamento atraente, e tenho certeza de que muitos cristãos querem se agarrar a ele desesperadamente. Entretanto, ele não é verdadeiro. As escrituras são bem claras sobre isso. Tanto agora quanto no futuro, Deus não só pode como vai punir e disciplinar Seus filhos.

Hebreus 12:6 diz: “Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe”. Essa palavra “corrige” vem da palavra “castigar”, que de acordo com o Dicionário Webster significa “punir como chicoteando, disciplinar especialmente com um chicote, uma vara ou semelhante”. Queridos irmãos e irmãs, este não é um conceito da Velha Aliança, mas uma verdade do Novo Testamento.



O TRIBUNAL DE CRISTO




Nós sabemos pela Bíblia que deveremos todos comparecer diante do Tribunal de Cristo (2 Co 5:10). Lá receberemos uma “recompensa” ou prêmio pelo que nós fizemos durante o nosso tempo aqui na Terra, seja “pelo bem ou pelo mal”.

A maioria dos professores de Bíblia insistirão que, independente dos nossos atos terem sido “bons ou maus,” nós receberemos uma benção. Eles parecem pensar que Deus é algum tipo de simplório que não conhece nem se importa com o comportamento dos Seus filhos. Entretanto, a palavra “recompensa” aqui na língua grega não significa necessariamente algo maravilhoso. Significa que receberemos o que merecemos.

Se você planta milho, jamais brotará soja. Da mesma forma, se você acredita que pode plantar um estilo de vida pecaminoso e colher bençãos de santidade, então você está enganado, completamente enganado. Está claro que “...aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Esse é um princípio inalterável. Será que Deus irá punir Seus filhos desobedientes quando Ele voltar? Você pode ter certeza absoluta que sim!

O próprio Jesus nos ensina que: “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação, levará poucos açoites” (Lc 12: 47, 48).

Isso é algo que vai acontecer quando Jesus retornar para julgar o Seu povo (veja o verso 43). Paulo continua suas declarações a respeito do Tribunal de Cristo com essas palavras: “E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens” (2 Co 5:11). Isso demonstra claramente que existe algo a temer se nós estivermos vivendo vidas desobedientes.

Mas alguns irão questionar: “Isso não se refere a incrédulos?” Como uma resposta disso, deixe-me fazer outra pergunta: “Quantos incrédulos irão comparecer diante do Tribunal de Cristo?” É claro que lá não haverá não-cristãos.

Somente crentes serão arrebatados ou ressurretos nesse momento e portanto, só crentes comparecerão diante do Tribunal de Jesus. Os incrédulos serão, de fato, julgados, mas apenas 1.000 anos mais tarde, naquele que é conhecido como o “julgamento do grande trono branco”.

Portanto, o que é ensinado nas escrituras a respeito do Tribunal de Cristo se refere apenas a cristãos. Observe que Paulo usa a palavra “nós”, aqui, se referindo a ele e a outros crentes. Então, sabemos que o verso citado em cima sobre os servos sendo acoitados, somente pode se referir aos filhos de Deus, os crentes. A Bíblia ensina que o julgamento começa na casa de Deus (1 Pe 4:17). Se Deus não julgar corretamente Sua própria casa, como ele irá julgar o mundo com justiça?

Vamos ser bem claros a respeito de uma coisa. Quando falamos a respeito de Deus punir Seus filhos desobedientes, não queremos dizer que eles “irão para o inferno” ou se perderão. Deus não mata ou perde Seus próprios filhos e filhas. No entanto, como um pai amoroso, Ele os disciplina, algumas vezes de forma bem severa, para o seu próprio bem. Isso será especialmente verdadeiro na Sua volta.



MAS QUE TAL O SANGUE DE JESUS?




Alguns podem questionar esse fato afirmando que podemos ser perdoados e purificados pelo sangue de Jesus. Portanto, eles insistem, Deus não vai nos punir e sim nos perdoar.

Não conheço algo mais precioso do que o sangue de Jesus. Ele é eficaz para limpar todo pecado. O perdão amoroso de Deus é algo que está no cerne do evangelho. Entretanto, antes que o sangue de Jesus possa operar, existe uma condição importante: nós devemos nos arrepender e deixar nosso pecado.

Nos tempos do Velho Testamento, quando alguém vinha trazer uma oferta, se em seu coração não estivesse arrependido mas desejasse continuar com seu pecado, Deus não aceitaria a oferta de sua mão. Ele o considerava um hipócrita.

Se Deus não aceitava que o sangue de um animal cobrisse o pecado de um hipócrita, muito menos aceitará que o sangue do Seu precioso Filho libere um filho pecador de Sua justa punição, enquanto esse filho pretender continuar com seu pecado. Sem arrependimento não pode haver perdão de pecados.

Hebreus 10:26 em diante diz: “Porque se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectativa horrível de juízo...”

“Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei da Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: o Senhor julgará o seu povo.”

Essa passagem se refere aos filhos de Deus que tentaram tirar vantagem da graça e de Seu perdão. Eles vivem vidas pecaminosas e profanas e pensam que podem se salvar clamando pelo sangue de Jesus como se fosse um tipo de tinta para esconder o que eles realmente são por dentro.

Quando você se arrepende genuína e completamente, Deus lhe purifica e perdoa (1 João 1:9). Mas se você não está pronto para deixar seus pecados, não se engane: “de Deus não se zomba. O que você semear, isso você ceifará” (Gl 6:7, 8).

Ele julgará Seus filhos e filhas e eles receberão exatamente o que ganharam através de sua obediência ou desobediência. Quando Ele chegar, será tarde demais para alguém se arrepender e receber perdão. O trono da graça será substituído pelo trono do julgamento.



O DESTINO DA VIDA VELHA




Temos falado sobre castigo ou punição para os filhos rebeldes de Deus. Mas, existe ainda mais severas consequências. Existe a perda da alma.

Nossa alma humana, antes de conhecer a Cristo, é animada por algo chamado “a vida da alma” que é PSUCHÊ no grego. Essa vida é a vida natural humana que herdamos de nossos pais, que, por sua vez herdaram do Adão e Eva. Essa vida é, por natureza, pecaminosa. Ela peca espontânea e naturalmente. Ela não precisa de nenhum treino nesta prática.

Por isso, ela é condenada à destruição. Esta vida velha vai ser destruída por Deus. Veja bem, a tendência dessa vida pecar não tem cura. Enquanto vive, peca. Então no processo de limpar o Universo de pecado, Deus vai destruir toda vida que peca. Isso é um fato inalterável. De fato, Ele precisa fazer isso. Se Ele deixa um só pecador entrar na nova criação que vai fazer, mais cedo ou mais tarde, essa pessoa vai pecar. E esse único pecado destruirá a nova criação assim como um só pecado, na parte de Adão e Eva, destruiu o atual.

Porém, Deus não queria destruir os seres humanos que Ele criou. Por isso, Ele fez uma obra em nosso favor na cruz. Ele abriu a possibilidade de fazer uma troca. Podemos trocar nossas vidas pela vida Dele. Podemos, através da obra da morte e a ressurreição de Jesus operando em nosso interior, deixar de estar cheio de nossa própria vida e nos enchermos com a vida Dele que é indestrutível.

Nossa alma pode ficar cheia da vida de Deus. Podemos encher nosso interior com uma vida que não peca. Podemos deixar de ser motivados por nossa própria vida e permitir que a vida de Jesus nos domine. Podemos entrar no verdadeiro sábado. Podemos entrar no descanso do Senhor. É para isso que Jesus está nos chamando, agora.

Esse processo é chamado de “transformação.” É algo que acontece em nossa alma quando nós experimentamos ambos: a morte e a ressurreição operando em nós. É resultado de contemplarmos a glória de nosso Senhor cada vez mais (2 Co 3:18).

Por outro lado, qualquer “parte” de nossa alma que permanece cheia de nossa vida velha natural será destruída. A vida humana, com a qual nascemos vai ser queimada. Se não aproveitamos a oportunidade, hoje, de trocar nossa vida inferior e pecaminosa por uma tão elevada e santa, vamos sofrer as consequências. Amanhã, a perderemos. Lemos: “Porquanto, quem quiser salvar (reter) sua vida (a vida velha da alma, PSUCHÉ no Grego), perdê-la-á” (Mt 16:25; 10:39; Mc 8:35; Lc 9:24; 17:33; Jo 12:25). Não há sombra de dúvida nisso.



E AGORA, O QUE FAREMOS?




Com tudo isso em mente, vamos voltar à nossa discussão sobre o sábado. Na mente e no coração de Deus, esse descanso é uma questão extremamente importante. Hebreus 4:1 diz: “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado.”

Aqui entendemos que de fato existe algo a “temer”. A experiência de deixar de viver a vida para nós e por nós mesmos, não é algo para cristãos “maduros” ou “espirituais”. A expectativa de Deus é que todos nós experimentemos o real descanso do Sábado. Jesus abriu o caminho para que todos os Seus filhos sejam libertos daquilo que são. Ele morreu e ressuscitou para que nós também possamos morrer para nós e vivermos através de Sua vida ressurreta.

E você? Está usando o seu tempo sabiamente para adentrar tudo o que Deus lhe preparou? Será que você está, como um servo bom e fiel, experimentando o verdadeiro descanso de Deus todo dia?

Ou está se tirando proveito da bondade e da graça de Deus? Você está vivendo a vida para você e por você mesmo, buscando seu próprio prazer e falando suas próprias palavras? Será que o sangue de Jesus é precioso para você ou apenas uma maneira fácil de tentar escapar da punição que você merece pelo estilo de vida que está vivendo?

Queridos amigos e irmãos, vamos parar um momento e examinar seriamente os nossos corações. Com certeza “...todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos Daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4:13).

Os servos bons e fiéis estarão preparados para a Sua volta.







8.



A ESPADA E O REINO






A seguinte mensagem é retirada da experiência de um discípulo muito zeloso. Seu principal objetivo era fazer a vontade de Deus, e ele buscou esse objetivo com toda sua força. Este homem foi um seguidor do mestre chamado Jesus, que passou Sua jornada na terra proclamando boas notícias sobre o Reino de Deus. Sua mensagem era que esse reino estava próximo.

Na verdade, Jesus deixou claro aos Seus seguidores que Ele havia sido enviado por Deus para estabelecer Seu Reino na terra. Não apenas isso, mas também ficou entendido por aqueles que O seguiam que Seus companheiros mais próximos seriam cotados a ocupar posições de liderança e autoridade neste reino que seria estabelecido. Tudo isso alimentou, dentro do coração do nosso irmão, a necessidade de ver se a vontade de seu líder estava sendo feita e se os outros também entenderiam os planos de Jesus e tomariam partido deles.

Que quadro foi pintado por ele – através do Antigo Testamento e também dos ensinamentos de Jesus – de como seria esse maravilhoso reino! A paz reinaria na terra. Os inimigos de Israel – inimigos de Deus – seriam subjugados. Todas as formas de injustiça seriam eliminadas.

Justiça, verdade e humildade superariam a tirania, a mentira e o orgulho. Todos os males sociais, inclusive pobreza, fome e opressão seriam eliminados pelo representante pessoalmente escolhido por Deus.

Nessa descrição de mundo, o próprio curso da natureza seria transformado, assim animais selvagens não mais se alimentariam uns dos outros e cobras venenosas se tornariam inofensivas. Não existiria mais gerra em lugar algum. Apenas imagine um mundo onde há tranquilidade e harmonia entre os homens e a natureza e onde a justiça de Deus prevalecesse. Isso verdadeiramente soa como o paraíso.

Assim você pode entender bem o entusiasmo de nossos irmãos por esse projeto. Aqui, sob a liderança do milagroso trabalho de seu mestre, a perspectiva de um reino centrado em Deus, idílico, justo e de abrangência mundial surgiria a seu alcance. Que oportunidade!

Em algum ponto dessa linha, entretanto, as coisas pareceram estar dando errado. A multidão que antes seguia a Jesus parecia estar se afastando. A excitação deles passou a crescer cada vez menos quando Jesus não aceitou uma coroa e não se comprometeu a alimentá-los permanentemente. Não apenas isto, mas líderes religiosos foram se tornando cada vez mais resistentes e até mesmo hostis.

Também circulavam rumores de que eles estavam tentando matar Jesus. E o próprio Mestre não parecia enxergar as oportunidades que apareciam de reunir um exército e confrontar com a força dos romanos que estavam ocupando a terra de Deus. Ultimamente, Ele começara a falar estranhamente sobre ser crucificado e outras coisas igualmente não entendíveis.

Esse irmão sabia que Jesus possuía poderes sobrenaturais. Ele havia visto isso ser demonstrado muitas vezes antes. Não havia dúvidas de que Ele era ungido e escolhido por Deus – um homem como Moisés, um homem para conduzir o povo de Deus.

Nada menos do que vozes audíveis vindas do céu confirmaram esse fato. Não poderia haver dúvidas de que este era o homem certo a seguir, mas de alguma forma as coisas não estavam acontecendo de acordo com o plano – ao menos não de acordo com o plano deste discípulo. Algo estava dando errado.

Então, quando representantes de oficiais religiosos apareceram no jardim com uma multidão, ele sentiu que precisava fazer alguma coisa. Se Jesus não Se defendesse, ele teria que fazer isso por Ele. Seu senso comum lhe disse isso. Ele simplesmente não poderia ficar lá assistindo tudo o que Jesus veio fazer ser cancelado sem lutar. A fim de ver o sonho que havia nascido em seu coração trazido à realidade, essa oposição deveria ser eliminada.

Sem dúvida, a vontade de Deus, ao longo dos anos, sempre se cumpriu através de homens corajosos e determinados. Certamente Jesus esperava que Seus seguidores tomassem alguma atitude e usassem os recursos à disposição deles para ver a ordem celestial de Deus sendo estabelecida.

Então, com alguns desses pensamentos circulando em sua mente, nosso irmão Pedro desembainhou sua espada e cortou a orelha do servo do Sumo Sacerdote. Pedro havia efetuado uma grande e poderosa obra para o reino de Deus.

A reação de Jesus foi surpreendente. Em vez de partir para a briga e encorajar os outros a fazerem o mesmo, Ele ordenou que Pedro deixasse sua espada. E então, para enfatizar Seu propósito, Ele restaurou a orelha do servo.

O efeito desse episódio, combinado com todos os que se seguiram – a noite do julgamento, as furiosas multidões, e então a crucificação de seu líder – deve ter sido devastador para o nosso irmão. Todos os seus sonhos foram estilhaçados.

Evidentemente, Deus não pretendia fazer o que Jesus havia falado. Toda essa conversa de reino idílico, justiça social, retidão – havia sido para nada. Como isso pode ter acontecido? Como o Deus Todo Poderoso poderia ter permitido que o mal prevalecesse e deixar que Seu Ungido falhasse em cumprir Sua missão?

Parecia muito óbvio o que precisava ser feito e o que deveria ter sido feito, no entanto, Jesus parecia estar alheio a isso. Às vezes, Ele parecia viver em um mundo completamente diferente. Imagino que a miséria e a depressão que se instalaram no coração de Pedro enquanto ele meditava sobre essas coisas deva ter sido esmagadora.



UMA IMPORTANTE LIÇÃO




Mas através de tudo isso, nosso Senhor estava fazendo para Pedro e todo o resto de nós uma significativa observação. É uma lição de extrema importância sobre a qual nenhum cristão deveria ser ignorante. Na verdade, é minha oração que, através destes escritos, esta lição possa impactar nossas vidas e nos fazer pensar tanto quanto Pedro o fez.

A chave para compreender a forma pela qual Deus trabalha – a explicação para o comportamento de Jesus – é encontrada em Sua simples resposta a Pôncio Pilatos. Por favor, preste muita atenção a isso. Jesus disse: “Meu reino não é deste mundo”. Ele explica que se o Seu reino fosse deste mundo Seus servos lutariam, como Pedro tentou fazer, para estabelecê-lo e mantê-lo.

Entretanto, “agora” Ele disse: “Agora meu reino não é daqui” (Jo 18:36). Nada poderia ser mais claro. Embora Jesus pregasse e ensinasse sobre um reino celestial que viria sobre a terra, “agora” não era o momento.

Naturalmente, isso dá origem a uma pergunta muito importante: “Quando é o momento para este reino?” “Quando é que esse ‘agora’ vai chegar?” Esta questão é crucial porque, dependendo da resposta, nossas atividades como seguidores de Jesus Cristo seriam muito diferentes.

Se, por um lado, o Seu reino está aqui agora, então de acordo com as palavras inequívocas de Jesus em João 18:36, devemos fazer tudo ao nosso alcance para estabelecer uma ordem justa no planeta.

Isso incluiria coisas como votar, manifestar, protestar, organizar, concorrer a cargos públicos e até mesmo o uso da força física e até de armas para trazer o que Jesus ensinou aqui na terra.

Assim como os Filhos de Israel usaram todos os meios à sua disposição para conquistar a terra de Canaã, nós também seríamos cobrados a fazer o nosso melhor para trazer à realidade o que sabemos ser a vontade de Deus.

Mas por outro lado, se “agora” não é o momento para o Seu reino vir desta maneira, um plano totalmente diferente deve ser seguido.

Em vista disso, parece importante para nós descobrir, através das escrituras, exatamente o que é o tempo de Deus. Tal como aconteceu com nosso irmão Pedro, não seria apenas embaraçoso, mas fútil e possivelmente até mesmo destrutivo para nós sermos pegos tentando fazer algo que Deus não estivesse fazendo.

Para responder a esta pergunta, precisamos apenas olhar ao nosso redor e ver se os sinais deste maravilhoso reino celestial, como nos foram revelados na palavra de Deus, são evidentes no mundo. Para começar, poderíamos indagar se enxergamos Jesus reinando fisicamente como em Isaías 24:23, Malaquias 4:7 e Apocalipse 11:15, bem como em muitas outras passagens bíblicas. Em seguida, podemos perguntar se estamos reinando com Ele (Ap 20:4; 5:10, 2 Tm 2:12).

Então nós olharíamos para ver os 12 apóstolos sentados em doze 12 julgando as 12 tribos de Israel (Mt 19:28). Certamente, se esse fosse o reino sobre o qual Cristo falou, iríamos nos encontrar também em um banquete com Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8:11).

Além disso, todas as guerras teriam cessado (Is 2:4), animais carnívoros seriam herbívoros (Is 11:7), serpentes comeriam poeira (Is 65:25), espinhos e abrolhos deixariam de crescer (Is 55:13), mortes prematuras seriam uma coisa do passado (Is 65:20) e nosso inimigo Satanás se encontraria desamparado no abismo (Ap 20:2).

Não apenas isso, mas todas as nações seriam obedientes à vontade de Deus e a justiça reinaria em todos os lugares (Is 32:1). (É preciso entender que esta é apenas uma pequena amostra das diversas manifestações do reino de Deus dadas a nós na Bíblia.) Se tudo isto e muito mais descreve o mundo em que você vive, então nós (ou pelo menos você) estamos vivendo nos dias do reino celestial.

Ah, mas alguns dirão: “Deus depende de nós para realizar estas coisas e estabelecer Seu reino. Como podemos descansar enquanto vemos injustiça, pobreza, aborto, pornografia, violência e muitas outras coisas a nossa volta? Não podemos simplesmente sentar e esperar que Deus faça alguma coisa. Isso nunca acontecerá dessa forma. Logo que nós (com a ajuda de Deus, é claro) acertarmos as coisas, então Jesus poderá voltar e corrigir qualquer que falta. Teremos preparado as coisas para Ele”.

Coitado do irmão Pedro, também ele não entendeu o plano de Deus. Ele não foi capaz de sondar, a não ser mais tarde, as profundezas do projeto Divino. Só depois que todos os seus esforços falharam, ele estava pronto para aprender a realizar a vontade de Deus nesta época.

Entretanto, o encorajador é que este irmão se tornou um dos principais trabalhadores no sentido de estabelecer o invisível, presente reino de Jesus. Uma vez que ele descobriu como, tornou-se instrumento eficaz nas mãos de Deus.

Acredito que qualquer pesquisador honesto da pessoa de Deus, que seja imparcial, vai concordar que não vemos o reino de Deus e justiça aqui hoje. A única conclusão a que podemos realmente chegar é que o “agora” de Jesus ainda está em vigor. “Agora” Seu reino ainda não está aqui. É algo pelo qual esperamos um dia.



O REINO PRESENTE DE DEUS




Com isto em mente, gostaria de declarar tão claramente quanto possível o que acredito ser um princípio divino que servirá para guiar-nos em nossa compreensão da obra de Deus. É o seguinte: o presente trabalho de Deus em nosso mundo está acontecendo internamente e está centrado nos corações dos homens. Hoje, o Seu reino não é um reino exterior. Ele não vem com visível aparência (Lc 17:20).

É um trabalho secreto, invisível, acontecendo no íntimo de homens e mulheres em toda parte. Estes “vasos de barro” estão passando por uma mudança interior sobrenatural que, embora tenha sua evidência no mundo físico, não é realmente deste mundo.

O reino ou a regência de Deus estão sendo estabelecidos neste momento, não neste planeta, mas nos corações dos homens. Este ponto deverá ser bastante evidente para quem lê e procura entender as escrituras.

Agora, por que Deus está fazendo as coisas desta forma? Uma explicação poderia ser o fato de que Ele começou a trabalhar na área mais difícil primeiro. O curso da natureza pode ser alterado em um segundo. Nações podem ser derrotadas em poucos dias. Oh, mas o coração mau, enganoso e rebelde do homem. Que problema é para Deus e Seus planos eternos!

Se Jesus irá subjugar a terra à vontade de Deus, Ele deve primeiro conquistar os corações dos homens e mulheres. Em breve, nosso Senhor voltará para estabelecer o Seu reino aqui. Isso faz parte daquilo pelo qual Ele nos ensinou a orar.

Mas, para fazê-lo, Ele deseja ter um grande contingente de seguidores para ajudá-lo nesta tarefa. É desnecessário dizer que ninguém estabelece qualquer tipo de administração eficaz a menos que tenha pessoas qualificadas para preencher as vagas disponíveis.

Da mesma forma, Jesus não pode preencher as posições de responsabilidade em Seu reino com aqueles cujos corações não estão totalmente submetidos a Ele. Ele não pode dominar a terra rebelde tendo como Seus representantes outros rebeldes.

Acima de tudo, antes que Ele possa dar continuidade ao Seu plano, Ele deve ter um bom número de seguidores nos quais Ele possa confiar plenamente. Quando estes estiverem totalmente prontos, então Ele poderá voltar e estabelecer Sua autoridade sobre toda a Terra.

O entendimento acima deve ser de grande valor para nós ao determinar qual a nossa atual tarefa como seguidores de Jesus. Uma vez que agora Ele está trabalhando no interior dos homens, nós como Seus cooperadores devemos trabalhar nessa área também.

Esse deve ser o nosso ponto de foco e concentração. Nossa responsabilidade é ajudar a preparar o nosso coração, juntamente com os corações de muitos outros, para Seu breve retorno.

Mas alguns poderão perguntar: “Não devemos alimentar os famintos, vestir os nus, curar os doentes e outras coisas desse tipo? Não somos responsáveis por melhorar nossa sociedade?” Minha resposta a essas perguntas seria: Nós não somos livres para fazer nossas próprias escolhas. Não é nossa responsabilidade escolher algumas mazelas sociais ou outras necessidades que atingem nossos sentimentos e então tentar resolvê-los no nome de Jesus.

A Bíblia deixa muito claro que existem muitas obras consideradas excelentes, pelo mundo e pela igreja, que serão rejeitadas por Jesus no dia do juízo (Mt 7:22,23). Somos ensinados em 2 Coríntios 10:4 que as armas da nossa milícia não são carnais. Elas não são terrestres.

Hoje, o reino de Deus é espiritual e para estarmos verdadeiramente envolvidos nele devemos fazer um trabalho espiritual. Métodos mundanos e carnais nada podem fazer para promover os interesses de Deus. Além do mais, tais esforços serão expostos um dia como motivados por nos mesmos e fúteis.



A LIÇÃO DA HISTÓRIA DA IGREJA




A História da Igreja está cheia de exemplos de atividades não autorizadas por Deus. Quantos dos que vieram antes de nós têm sido tentados a levar os assuntos do reino por suas próprias mãos! Vários daqueles cujos nomes hoje são reverenciados pela Igreja Cristã até empregaram exércitos para matar outros crentes cuja doutrina era contrária à deles. Massas de “fiéis” marcharam para a “Terra Santa” para libertá-la dos infiéis. Muitas obras desse tipo foram feitas para tentar trazer o reino de Deus para a Terra.

Nos Estados Unidos, alguns anos atrás, muitos crentes se desgastaram para tornar o consumo de álcool ilegal. Eles marcharam, protestaram e se reuniram. Muitos pregadores e evangelistas entraram na briga. Em certo momento, seus esforços para estabelecer uma justiça superficial pareceram funcionar. Leis foram promulgadas. O consumo de álcool foi proibido.

No entanto, este “sucesso” não durou muito. Os corações de homens e mulheres não haviam sido alterados. Assim, depois de poucos anos, essas leis foram revogadas. Todo esse esforço carnal em nome de Jesus foi em vão.

Recentemente, milhares de pessoas gastaram incontáveis horas e fizeram um esforço incalculável para forçar uma cadeia de lojas a parar de vender pornografia. Talvez até mais recursos tenham sido empregados na tentativa de proibir o aborto. Tudo isso e muito, muito mais tem sido e está sendo feito por cristãos bem-intencionados que pensam estar servindo a Deus, assim como Pedro.

Acredito que valerá a pena o nosso esforço em analisar os resultados dos exemplos mencionados acima. É possível que muitos dos meus leitores não tenham a certeza de que essas coisas não são da vontade de Deus. Mas vamos pensar e ver se os propósitos de Deus têm sido promovidos por eles.

Quantos corações foram mudados pelos exércitos da Igreja? Quantos infiéis foram convertidos ao cristianismo? Durante os dias da “Lei Seca”, quantos se converteram a Cristo, como resultado da legislação contra o álcool? Quanto menos pornografia há agora no mundo como resultado da decisão daquela cadeia de lojas nos Estados Unidos de não vendê-la? Os corações de multidões de homens foram transformados?

Com relação aos esforços antiaborto, a fibra moral do país ou do mundo foi alterada? As pessoas se voltaram, em massa, para Deus? Teve início o avivamento?

Acho que não. Estes resultados falam por si mesmos. Esforços terrenos, carnais, para trazer a justiça e o Reino de Deus estão condenados ao fracasso.

Não pretendo focar nestes itens particulares como exemplos de impotência espiritual. Eles apenas são mencionados como amostras representativas das incontáveis tentativas de crentes bem-intencionados que não promoveram a expansão do Reino de Deus. Eles têm sido um completo desperdício de tempo. Ainda pior, eles têm sido feitos em rebelião contra Deus.

Tenho certeza que alguns apontarão que algumas pessoas foram levadas a Cristo por aqueles manifestantes do lado de fora das lojas de conveniência e que algumas mães solteiras foram salvas de determinado pecado ou possivelmente nasceram de novo.

Entretanto, esses fatos só servem para sustentar meu ponto de vista. Se todo o esforço desperdiçado nos projetos acima mencionados tivesse sido direcionado à transformação dos corações dos homens em vez da criação de leis ou mudança de situações superficiais, mais duradouros e espirituais teriam sido os resultados. O que teria acontecido se todas as horas de manifestações tivessem sido empregadas em orações ou em testemunhos de porta em porta?

Qual seria o efeito sobre o mundo e sobre a igreja se em vez dos esforços contra a legislação pró-aborto os cristãos tivessem se empenhado em atingir as mais de duas bilhões de pessoas que nunca ouviram o evangelho uma vez sequer? Quanto mais poderia ter sido feito para promover os propósitos de Deus se estes crentes apenas trabalhassem de acordo com Seu plano?

Não há dúvida de que poderosos e genuínos avivamentos muitas vezes provocaram mudanças nas leis e atividades das sociedades. A História da Igreja também nos dá ampla evidência disso.

No entanto, deve ser igualmente claro que mudanças na legislação e/ou clima social nunca produziram um avivamento. Isso nunca aconteceu. É apenas com a transformação no coração dos homens que quaisquer alterações significativas ocorrem em sua sociedade. Somente quando o arrependimento do pecado é o centro do trabalho que os propósitos de Deus são realmente promovidos.

Embora seja “permitido” usarmos as coisas deste mundo para trabalhar para Deus, somos alertados a não abusar delas. Nenhuma alteração na situação superficial do nosso país ou localidade vai ser de qualquer valor eterno. Pessoas bem alimentadas ainda podem acabar no lago de fogo. Mães impedidas de assassinar suas crianças mas que não nasceram de novo estarão lá também se não se converterem. Alcoólatras que não tocaram uma dose de bebida durante anos podem não estar regenerados ainda.

Tenho certeza que este ponto é inconfundível: se não chegarmos dentro dos corações daqueles pelos quais nos esforçamos em ajudar, então não temos dado a eles qualquer coisa de valor. Pior ainda é o fato de que temos desperdiçado um tempo precioso que Deus quer usar para estabelecer Seu reino invisível.

Entendo que as necessidades deste mundo podem tocar nossos corações humanos. Quando ouvimos sobre o sofrimento de vítimas da fome ou lemos sobre os milhões de bebês não nascidos que são massacrados em quase todos os países do mundo, somos impelidos a fazer algo a respeito. Assim como Pedro, o nosso homem natural se sente compelido a reagir a essas necessidades. Nós sentimos como se simplesmente não pudéssemos ignorá-las.

Muitas vezes, essa tendência é promovida por algum pregador ou um artigo que tenta nos atrair a um envolvimento (normalmente financeiro) em um esforço particular.

No entanto, devemos buscar a face de Deus até que nos tornemos motivados principalmente, como Jesus foi, pela mais profunda das necessidades humanas: a necessidade de ter o coração preenchido por Deus. Devemos obedecer ao Seu comando, lançar fora nossas “espadas” e trabalhar de acordo com Seu plano.



A SOLUÇÃO DE DEUS




Nosso Senhor não ignorou o sofrimento externo. Nós temos amplas evidências disso nos quatro Evangelhos. Mas Seu principal propósito com os milagres que Ele realizou foi apontar aos homens a resposta às suas necessidades espirituais mais profundas.

Sua principal missão não era alimentar, curar e libertar o mundo fisicamente. Ele percebeu muito bem que estas seriam soluções temporárias para um problema muito maior. Sua razão para vir foi salvar o mundo da terrível praga do pecado – a raiz de todos os problemas da humanidade – e levar os homens de volta a Deus.

Quando compreendidos corretamente, todos os sinais externos que Jesus fez tornam-se uma imagem gráfica de algum tipo de necessidade interior humana que Ele deseja resolver em nós. Cegueira, doenças, enfermidades incapacitantes e até morte – todos têm seus paralelos dentro do coração humano.

Jesus veio para mudar os corações e transformá-los de forma tão radical e eterna que, com o tempo, até mesmo o mundo seria impactado por tal mudança.

Não estou tentando desencorajar os cristãos a se envolverem no mundo ao redor. A verdade é exatamente o contrário. Há mais trabalho que nunca para ser feito hoje nos campos de colheita. Satisfazer as necessidades físicas, distribuindo alimentos e roupas, por exemplo, pode ser um poderoso veículo para pregar as boas novas.

Os cristãos são orientados a manter as boas obras (Tt 3:8). Gálatas 6:10 nos ensina a “... fazer o bem a todos, especialmente para aqueles que fazem parte da família na fé”. Porém, estou preocupado de ficarmos presos a obras naturais. A nossa mensagem é uma mensagem espiritual. A nossa meta é uma meta celestial.

Só devemos gastar o nosso dinheiro, tempo e energia em empreendimentos que promovam o reino celestial de Deus. Enquanto os sofrimentos desta vida fornecem para nós uma oportunidade de servir aos outros e trazê-los a Jesus, nunca devemos perder de vista o objetivo de Deus – preparar os corações dos homens para o Seu retorno em breve.

Por favor, lembre-se, às vezes é muito mais fácil para a carne fazer “boas obras” no mundo, superficialmente, do que se envolver em uma atividade verdadeiramente espiritual. Quantos crentes atualmente têm tentado aliviar a consciência envolvendo-se no “serviço da igreja", reformas sociais ou outros projetos religiosos enquanto em todo tempo seus corações não estão realmente submetidos a Jesus? Até mesmo os incrédulos podem, às vezes, mudar as circunstâncias superficiais através de seus meios carnais.

Mas o verdadeiro trabalho do reino de Deus, hoje, não é nem exterior nem carnal. O verdadeiro trabalho espiritual é algo muito diferente. Ele exige que aqueles que o fazem tenham um relacionamento íntimo com Deus. Ele exige a entrega do controle de nossas vidas a Jesus. Ele envolve todas aquelas coisas sobre as quais Jesus ensinava, mas que Pedro não entendia.

Carregar a cruz, a abnegação, não procurar influência mundana ou poder, esses são os tipos de coisas escondidas que Deus está usando hoje para construir o Seu verdadeiro reino. Tais experiências são indispensáveis se quisermos ter uma poderosa mudança em nosso corações, trazendo um poder real que vai produzir o verdadeiro reino de Deus.

Pode ser que alguns dos meus leitores se ofenderão com o que tenho dito. É possível que esta palavra toque as situações de alguns. A verdade é que esta mensagem tem estado no meu coração há anos, mas não a tenho escrito porque sabia que poderia ser controversa e ofensiva.

Mas, queridos irmãos e irmãs, por favor, não desanimem por causa dessas coisas, mas leve ao Senhor em oração. Por favor, considere-as como uma admoestação de um amigo com o melhor interesse no coração.

Se eu estiver errado em insistir em colocar os corações dos homens em primeiro lugar, como acredito que Deus está fazendo, oro para que Ele me mostre. Por outro lado, se você está desperdiçando Seu tempo e até mesmo se rebelando contra Ele, só você vai arcar com as consequências.

Meus queridos amigos, por favor, lembrem-se que em todas estas coisas Deus deve ser prioridade. Ele está no comando e é a Sua vontade que devemos fazer.

Portanto, vamos abandonar nossas espadas carnais e segui-Lo, fazendo a Sua obra do Seu jeito. Temos a Sua garantia de que um dia em breve Ele voltará e corrigirá as muitas coisas de que lamentamos em nosso mundo.






9.



TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS






Esta mensagem trata de três verdades básicas sobre a igreja. Por isso, parece importante iniciar a discussão perguntando exatamente o que queremos dizer quando usamos a palavra “igreja.” A maioria dos cristãos definiria a igreja como sendo “o corpo de Cristo”, querendo dizer com isto que a igreja não é um prédio ou organização humana, mas consiste de pessoas.

Mesmo que seja verdade que a igreja é o corpo de Cristo e que é formada por homens e mulheres e não blocos e concreto, esse conceito, apenas, não alcança o sentido bíblico que a palavra transmite. Em consequência disso, como tantas outras verdades espirituais, a nossa experiência de igreja tem sido severamente limitada devido a nossa própria falta de compreensão da mesma.

Numa tentativa de superar esse problema e recomeçar a nossa busca por um entendimento mais profundo deste assunto, vamos definir a igreja nesses termos: “A igreja é uma realidade espiritual.” A igreja é uma realidade espiritual e esta realidade deveria ser nossa experiência!

Quando a bíblia usa a palavra “igreja,” refere-se a algo muito além de um número de crentes reunidos. O fato de que uma simples reunião de alguns cristãos não constitui a igreja permanece. Crentes podem-se reunir por diversas razões: por participar em várias diversões, por sentirem-se bem na companhia uns dos outros, ou mesmo para ouvirem uma pregação interessante e canções populares.

Mas a verdade é que, se não estiverem entrando juntos na presença de Deus e, consequentemente, experimentando a realidade do corpo de Cristo, aquilo que estão fazendo não corresponde ao significado bíblico de “igreja.” Possivelmente, muitos leitores não entenderão o que tenho dito, o que servirá, apenas, para salientar a dimensão e a gravidade do problema que enfrentamos.

A experiência de igreja acontece quando cristãos se reúnem e a presença de Jesus Cristo se manifesta no meio deles. A experiência de igreja se realiza quando homens e mulheres são levados, juntos em Cristo, a assentarem-se nos lugares celestiais (Ef 2:6). A experiência de igreja consiste em permitir que Deus ministre, Ele mesmo, para e através de cada membro do Seu corpo. A experiência de igreja acontece quando os crentes entram juntos no Espírito Santo.

Tais reuniões não deveriam ser raras ou não existentes. Na igreja primitiva, tudo isso acontecia naturalmente. Reuniões espirituais genuínas dessa natureza são essenciais se pretendemos ter o que o Novo Testamento chama de “igreja.” Gostaria de exortá-los a refletirem, seriamente e em oração, sobre o que temos feito que consideramos como sendo “igreja.”



DEUS ESTÁ SATISFEITO COM O QUE ESTAMOS FAZENDO EM SEU NOME?




Neste mundo, a igreja não é um fim em si mesma, mas apenas um meio para se chegar a um fim. É precisamente aqui que muitas pessoas cometem um grave erro. Eles frequentemente supõem que, se a igreja é bem-sucedida – do ponto de vista do mundo – (reuniões cheias, pregações agradáveis, um prédio novo etc.) então Deus Se agrada dos seus esforços.

No entanto, o prazer de Deus somente se alcança quando estamos realizando os Seus propósitos. À medida em que nossas atividades preenchem o desejo Dele, são aprovadas. Mas, no grau em que nossos empenhos falham nesta área, então, tornam-se inúteis e são perda de tempo.

Então, qual é o propósito de Deus para a igreja? Qual o objetivo que Ele tem em vista? É duplo. Primeiro, é transformar os seres humanos em Sua imagem e semelhança e, segundo, é evangelizar um mundo que perece. A experiência espiritual de igreja que temos descrito é o instrumento divinamente instituído para alcançar ambos esses propósitos.

O fato de encontrarmos tantas outras metodologias sendo empregadas para tentar alcançar os mesmos resultados testifica como nossa igreja se distanciou da intenção original de Deus.

Concernente ao primeiro propósito, a experiência espiritual do corpo de Cristo é o melhor ambiente para o crescimento espiritual. É um contexto sobrenatural, ordenado por Deus, onde podemos crescer até a maturidade. Quando a presença de Jesus se manifesta entre nós quando estamos juntos, isto verdadeiramente muda nossas vidas. O corpo é edificado como deve ser, quando Ele Se move no meio de Seu povo ministrando Ele mesmo para e através de cada um (Ef 4:16).

Não há substituto para esse tipo de ministério celestial. Esforço natural e humano nunca alcançarão os mesmos resultados. Treinamentos, conselhos, programas e tantos outros planos sendo empregados na “igreja” de hoje nunca vão chegar ao alvo. Isso é porque, se a presença de Cristo está em falta, nada de natureza eterna vai acontecer. Portanto, o real progresso espiritual se evidencia somente quando a realidade espiritual da igreja está sendo plenamente gozada.

Quanto ao segundo objetivo, tal ambiente também é a melhor situação para evangelizar. Quando os crentes têm a presença de Deus verdadeiramente no seu meio, quando entram genuinamente no Espírito, quando cada um tem a oportunidade de “profetizar”, então as pessoas incrédulas são facilmente convencidas de que Deus é real (1 Co 14:24-25).

Tal experiência coloca o Evangelho muito além da esfera de argumentos intelectuais. Não pode mais ser considerado como conto de fadas ou teoria. A sua realidade se torna visível na vida daqueles que estão participando da realidade da igreja e a presença do Deus vivo é real. O que defendo aqui, não é uma vaga esperança. É algo que eu mesmo e muitos outros temos experimentado.

Com tudo isso em mente, parece-me importante tomar um pouco de tempo aqui e olhar os três princípios essenciais que, seguidos, nos ajudarão a produzir a experiência mais verdadeira de igreja. Já que esse assunto é tão crucial e o seu impacto sobre nós e o mundo descrente é tão profundo, é mais do que razoável que examinemos de forma mais cuidadosa e séria esse assunto.

Nós precisamos investigar como podemos nos aproximar mais dos propósitos de Deus. E, enquanto fazemos isto, rogo-vos que abram os seus corações e mentes a Deus, permitindo que Ele nos fale através desses princípios. Não resta dúvida de que as verdades que estamos discutindo aqui têm consequências eternas.



PRINCÍPIO NÚMERO UM: VIDA




Qualquer corpo para funcionar tem que estar vivo. Consequentemente, os membros do corpo de Cristo têm que estar cheios da Vida divina. Isto tem certas implicações. Primeiro, o povo considerado parte da igreja tem que ser nascido do Espírito Santo (Jo 3:5). Precisam ser cristãos verdadeiros.

Quando Jesus veio ao mundo, Ele manifestou a vida de Deus aos homens (1 Jo 1:1). Após a Sua ressurreição e Sua ascensão à mão direita do Pai, Ele derramou o Santo “Espírito de Vida” (Rm 8:2), que entra em todos aqueles que creem em Seu nome. Se uma pessoa não tem o Espírito Santo dentro de si, não é um cristão verdadeiro. Somente pelo Espírito Santo é que alguém pode receber a vida de Deus.

Em segundo lugar, cada membro da igreja deve saber o que significa ser cheio do Espírito Santo. A vontade de Deus é que cada cristão seja cheio até que transborde do Seu Espírito. Ele deseja isso para nós tanto quanto um pai terrestre deseja alimentar seus próprios filhos (Lc 11:11-13).

Não é uma experiência para alguns eleitos. É o padrão normal da Bíblia. De fato, somos ordenados a sermos assim cheios (Ef 5:18). Não pretendo aqui me envolver numa controvérsia sobre “batismo no Espírito Santo,” nem tão pouco quero discutir como este seja manifesto. Apresento apenas os dois fatos seguintes que deveriam ser evidentes. Primeiro: A vontade de Deus é que cada cristão seja cheio do Espírito Santo. Segundo: É impossível ser cheio do Espírito do Deus Altíssimo e não saber disso.

Portanto, se a sua vida está destituída do Espírito, você não se converteu verdadeiramente ou você ainda não se abriu suficientemente a Deus para desfrutar daquilo que Ele tem para você. Se esta é sua situação, insisto em dizer que você deve se humilhar perante Ele, buscando a Sua face até que você saiba que está experimentando tudo o que Jesus veio para dar.

Em terceiro lugar, cada cristão deve ser continuamente “re-enchido” com o Espírito Santo. Isto deve ser a nossa experiência – dia após dia, hora após hora, a cada minuto – constantemente. Devemos andar e viver no Espírito (Ga 5:25). Tem muito cristão descansando no seu relacionamento com Jesus, baseado em experiências passadas há alguns anos.

O maná de ontem não alimentará ninguém hoje. Para que a nossa experiência de igreja esteja verdadeiramente viva, é essencial que cada membro se encha diariamente com a vida de Deus. Esta vida é concedida através do Espírito Santo.

Para consegui-la, cada um de nós precisa cultivar uma intimidade diária com Jesus Cristo. Podemos fazer isso meditando nas escrituras e orando no Espírito Santo.

Da mesma forma que nós precisamos comer a cada dia para vivermos normalmente, assim cada cristão deve passar um tempo adequado em comunhão com Deus. Não basta apenas “atirar” uma oração relâmpago, de vez em quando, quando estamos em apuros ou em tempos de necessidade.

Tão pouco basta, simplesmente, relaxar e receber a nutrição do ministério de outros. Ninguém pode carregá-lo espiritualmente. Você tem que aplicar-se em buscar a Deus diligentemente. Cada um de nós deve separar um tempo demorado, e sem interrupções, para estar em comunhão com Deus e gozá-Lo todo dia. Desta maneira seremos cheios de Sua vida.

Como pode imaginar, a experiência de cada pessoa afetará os demais. Quando cada membro se empenha em estar cheio de Deus, a igreja se beneficia. Quando todos participarem desta substância eterna e a comunicarem aos demais durante os momentos de comunhão juntos, a experiência de igreja de todos é realçada.

Ao contrário, quando as vidas espirituais de membros individuais estão em falta, a assembleia toda sofre. A solução que se tem usado demais para esse problema é de escorar a igreja com programas, liderança mais energética ou outras coisas externas. O remédio de Deus, por outro lado, é que cada um se arrependa de sua estagnação espiritual e novamente volte a um relacionamento vivo e íntimo com Ele.



PRINCÍPIO NÚMERO 2: UNIDADE




O segundo princípio sobre o qual falaremos é “unidade.” Outra vez vamos começar fazendo uma analogia com o corpo humano. Se você pegar uma pessoa e cortá-la em muitos pedaços, isto destruirá sua vida. O mesmo acontece com o Corpo de Cristo. Por essa razão, unidade é absolutamente essencial.

Como estamos tratando de um assunto enorme e repleto de considerações difíceis, por conveniência, vamos dividi-lo em duas categorias: unidade entre crentes individuais, uns com os outros e unidade entre diversos grupos cristãos.

Queremos, de início, dizer que nessa primeira categoria, unidade não é opcional. É ordenança de Deus. Deus nos manda amar uns aos outros como amamos a nós mesmos. Esse tipo de amor se torna possível somente através de um relacionamento com Deus. O amor de Deus para o mundo inteiro e para as pessoas em particular é tremendo. Por causa disso, quando nós estamos em contato com Ele, Ele nos supre para amarmos aos outros. O amor é a substância de unidade real.

Muitos grupos talvez tenham uniformidade, conformidade ou até unanimidade entre si, mas só o amor provê a realidade que estamos buscando aqui.

Unidade real, expressa em amor fraternal, manifestar-se-á em várias formas: servindo aos outros constantemente, orando por outros, edificando a fé de outros e buscando oportunidades de ajudar a outros financeiramente e de formas práticas. Quem tiver deste amor gastará tempo em comunhão com outros e, em geral, manifestará o amor que o Pai tem com eles.

Essa atividade será um exercício diário para eles. Pessoas que assim amam, nunca falarão palavras vãs contra outras pessoas e, especialmente contra seus irmãos e suas irmãs em Cristo. É fácil ver quanto a nossa experiência de “igreja” seria elevada se cada um praticasse esse tipo de comportamento. Igreja, igreja real, é composta desse estilo de vida. Nada diferente qualifica.

Infelizmente, amor genuíno não vem facilmente. A natureza caída do homem luta contra isso. A oposição que vem de dentro e de fora é tremenda. A experiência do amor genuíno começa com um compromisso especial. Para isso, será necessário que cada membro do corpo chegue a uma decisão consciente e deliberada de amar e servir aos outros incondicionalmente.

É absolutamente essencial! Se nós considerarmos o amor como sendo opcional ou se nos deixarmos governar pelos nossos sentimentos, o diabo fará o seu trabalho, a carne prevalecerá e nossa experiência de “igreja” será diminuída. Portanto, precisamos fazer uma firme decisão de amarmos uns aos outros e não permitir nunca que isso seja mudado.

Uma vez feita esta decisão, encontraremos uma fonte sobrenatural de Deus nos capacitando a prosseguir com o nosso compromisso. Assim, experimentaremos cada vez mais da plenitude de Cristo entre nós.

Isto nos leva a considerar a segunda categoria que é a unidade entre diversos grupos. Aqui também a resposta é amor fraternal.

Para alcançar sucesso nesta área, primeiramente temos que ser conduzidos por Deus a ver a Igreja através de Sua ótica. Sem dúvida, quando Jesus olha para a terra, vendo tantas “igrejas” diferentes, denominações e seitas, Ele reconhece aqueles que são Dele em cada uma. E, apesar Dele estar ciente que existe divisões – e tenho certeza que entristecem o Seu coração – ainda assim Ele vê os membros de Seu corpo como se fossem um (Ef 4:4). Enquanto a visão do homem na terra está embaçada devido à proliferação de vários grupos cristãos, Cristo, de Sua posição celestial, enxerga Seu povo, Sua Igreja.

Portanto, se nós pudermos ser levados por Deus a ver a Igreja como Ele a vê, jamais estaremos limitados por divisões no Corpo. Nosso amor deveria ultrapassar qualquer separação feita por homens. E, apesar de que nesta vida provavelmente não presenciaremos o fim de todas as divisões, em nossos corações podemos por fim a elas.

Quanto mais o cristão se posiciona em amor para com todos, melhor a situação se tornará. Não estou sugerindo que nos unamos a organizações com as quais não podemos concordar. Estou apenas dizendo que devemos amar “com um coração puro e ardente” os crentes que estão nesses grupos (1 Pe 1:22).

Com certeza, nunca vamos conseguir resolver o problema da divisão na Igreja atual. Há um único lugar onde podemos colocar fim à divisão. Isto é, em nossos corações. Se conseguirmos amar, o que nós podemos fazer será feito.

Como temos visto, a igreja não é um lugar ou um grupo mas uma realidade espiritual que podemos experimentar. Essa experiência pode penetrar qualquer barreira exterior. Podemos ter relacionamentos espirituais verdadeiros e comunhão com crentes em todo tipo de situação. Eis a única igreja real e verdadeira.



O PRINCÍPIO NÚMERO 3: “O CABEÇA”




O terceiro princípio que gostaria de mencionar aqui é o senhorio de Jesus Cristo. No Novo Testamento, Paulo o apóstolo, nos adverte sobre alguns crentes que não estavam “retendo a Cabeça” (Cl 2:19). O que isto significa? Simplesmente que Jesus Cristo não era a autoridade principal em cada aspecto de sua experiência de igreja. Em nossos dias, poderia significar que temos elevado outras coisas (como por exemplo: líderes, ritos, doutrinas, métodos, tradições, organizações, etc.) a um patamar que não deveriam ocupar.

A Bíblia nos ensina que Deus tem dado Jesus Cristo para ser “cabeça sobre todas as coisas na igreja, que é o Seu corpo” (Ef 1:22-23). Esta palavra “todas” tem significado especial. Quer dizer completamente tudo. Em outro lugar lemos que em todas as coisas Ele deve ter primazia (Cl 1:18).

Cada crente deve levar esse ponto muito a sério. Devemos, como cristãos, ser extremamente cuidadosos para nunca substituir ou impedir a autoridade de Jesus. Esta consideração pesa muito. Este conceito é crucial para a experiência genuína de igreja!

O corpo de Jesus Cristo não pode funcionar de forma certa quando a Sua autoridade é substituída ou limitada. Seria como uma pessoa paralítica ou decapitada. Creio que não há outra verdade mais negligenciada e abusada em nossas “igrejas” modernas. Creio que se Jesus asseverasse a autoridade que tem de direito sobre muitas assembleias cristãs de hoje, quase toda “mesa” seria virada.

Uma discussão do senhorio de Cristo sobre o Seu corpo vai incluir, necessariamente, dois aspectos diferentes: Sua autoridade sobre cada pessoa e Sua liderança nas reuniões da igreja. Para simplificar nossa investigação, vamos considerar cada item em separado.

Para começar, Jesus tem que ser Senhor de cada cristão. Significa que Ele tem de ter controle pleno sobre cada aspecto de sua vida. Nenhuma área deve ser retida Dele. Já que Jesus não exerce por força a Sua autoridade, temos que estar completamente dispostos a deixá-Lo reinar sobre e em nós. A única posição apropriada para o crente é de uma submissão total ao Espírito Santo. Quando esse elemento está em falta, a nossa experiência de igreja sofrerá em proporção.

Problemas sérios também podem ser causados por autoridade humana não bíblica. Quando cristãos começarem a ser influenciados demais pela liderança de um homem ou grupo de homens, o seu relacionamento com a Cabeça real é danificado. Sem dúvida, todos deveriam estar abertos para receber direção e conselhos de outros (e especialmente daqueles que são exemplos na vida espiritual). Mas se nós nos tornamos dependentes deles ou se os seguimos em vez de ao Senhor, estamos em perigo espiritual muito sério (Jr 17:5).

A autoridade de Deus flui da Cabeça para Seu Corpo. Aqueles que têm intimidade com Ele, muitas vezes são usados como canais desta autoridade. Porém, ninguém nunca se torna em si essa autoridade. Aquela posição é reservada eternamente para o Cabeça. Portanto, da mesma forma que é importante estar sensível à voz de Deus que nos fala através dos outros, é essencial que nenhum ser humano tome o lugar que pertence a Ele, por direito, em nossas vidas.

Outra dificuldade que temo ser muito comum é que a estrutura de muitos grupos cristãos não permite diversidade entre seus membros. Muitas vezes crentes são permitidos funcionar somente em formas que encaixem com padrões ou formatos pré-determinados. Talvez exista essa situação porque pessoas se sentem mais seguras com uniformidade.

Porém, tal comportamento restringe grandemente a autoridade de Jesus. O resultado é paralisação e falta de atividade entre os membros do Seu corpo.

Quantos cristãos hoje estão buscando outras coisas porque não foram permitidos achar abundância espiritual na igreja! Quantos grupos estão cheios de crentes superalimentados, mas imaturos que nunca tiveram oportunidade de se empenhar em servir aos outros! Esta situação triste não é só por culpa deles. Por muitas vezes, tais pessoas foram impedidas de desenvolver sua área de serviço por organizações terrenas e inflexíveis que consideravam ser “igreja”.



REUNIÕES DE IGREJA




Estas mesmas verdades também se aplicam às nossas reuniões na igreja. Jesus quer nos liderar em tudo que fazemos. Quando Ele chega em nosso meio, Ele não vem para assistir a nossos cultos. Ele vem como nosso Sumo Sacerdote para nos liderar em nossa adoração e ministração. Se a Sua autoridade for limitada para fazer isso, a realidade espiritual de nossas assembleias serão afetadas de forma dramática.

Algumas coisas que podem atrapalhar ou confinar a liderança de nosso Senhor são: reuniões pré-planejadas, cultos dirigidos do “púlpito”, formalidades religiosas e o controle do grupo pelo ministério de uma só ou algumas pessoas. Tudo isso é muito comum na igreja de hoje em dia. E tudo isso serve apenas para restringir a autoridade do Cabeça e sufocar a nossa experiência de igreja.

Infelizmente, muitos cristãos não reconhecem que Jesus, realmente, poderia dirigir reuniões de igreja. Talvez a ideia nunca lhes tenha passado pela cabeça. Possivelmente, estejam inseguros de que uma tarefa tão importante possa ser realizada por alguém que é ...ah, bem, invisível. Lamentavelmente, muitos acham mais seguro organizar algo e deixar que alguém mais “qualificado” seja o líder.

O fato é que Jesus Cristo é infinitamente capaz de dirigir as reuniões de Sua igreja. Simplesmente não temos dado a Ele oportunidade. Outra possibilidade é que “nós”, coletivamente, temos tão pouco contato real com Ele que não sentimos a Sua autoridade e, portanto, somos incapazes de seguir o Seu mover nas reuniões. Se estamos falhando em deixar Ele conduzir nossas vidas particulares é provável que não vamos confiar que Ele é capaz de liderar nossas reuniões.

Uma reunião na igreja, em conformidade com as escrituras, é dirigida pelo Espírito Santo e fornece uma oportunidade para cada membro funcionar. Em 1 Coríntios 14:26 lemos que quando a igreja se reúne, cada um pode ter um salmo, ensinamento, língua, revelação e interpretação. Efésios 4:16 ensina que é da fonte de vida de cada parte que o corpo é edificado.

Durante uma assembleia genuína, o Espírito Santo flui entre Seu povo e induz cada um a ministrar sua porção de Deus aos demais. Assim cada necessidade é suprida. Se apenas os “talentosos” funcionam, a nossa experiência será grandemente limitada. Ao contrário, quando todos têm oportunidade de compartilhar, podemos gozar plenitude tremenda. Alguns talvez pensam que estou falando contra o ministério de homens talentosos, mas não estou. Porém, muito do ministério ora realizado em reuniões de igreja – como pregações e ensinamentos extensivos – provavelmente deveriam acontecer em outro ambiente. Tempos e lugares separados podem ser facilmente arranjados para esses propósitos.

Claro que, às vezes, precisamos de um tempo para pregação e ensino na igreja, mas deve ser limitado para não ocupar o espaço dos demais ministérios (leia 1 Co 14:30-31). Ninguém deve dominar a assembleia com o seu ministério. Paulo, o apóstolo, ensinou na sinagoga, numa escola, na sua casa alugada e em outros lugares (At 19:8-9; 28:30-31). Porém, nada nos indica que ele ocupava a maior parte de cada reunião com as suas mensagens.

A sua pregação em Trôade, que durou uma noite inteira, deve ser entendida devido à circunstâncias excepcionais. Já que ele estava de partida no próximo dia, ele queria aproveitar todo o tempo possível para compartilhar com os irmãos (At 20:6-11).

Sim, o ministério de pessoas especialmente ungidas deve ser exercitado. Mas isso deve ser feito somente reconhecendo o funcionamento normal das reuniões da igreja e não substituindo para isso.

Em conclusão, devo dizer que a igreja tem-se afastado muito da intenção de Deus nesses anos todos. Uma comparação entre a situação da igreja hoje e no Novo Testamento nos fornece evidências amplas deste fato. Porém, não significa que a meta de reuniões genuinamente espirituais não seja alcançável.

Estou confiante de que, à medida que praticamos os princípios supracitados, a nossa experiência de igreja será grandemente aumentada. Do contrário, à medida que deixa-mos de implementar estas coisas estaremos limitando a nossa experiência de Deus em nosso meio.

Certamente a igreja é uma realidade espiritual. É certo também que podemos e devemos experimentar essa realidade. Os fins que Deus tem em mente só serão alcançados pelos Seus métodos. Tudo mais, que seja agradável de aparência aos homens, é apenas madeira, palha e feno.

Lembrem, por favor, que o sucesso pelos padrões do mundo significa nada para Deus. Multidões, sermões eloquentes, músicas dinâmicas e tantas coisas mais tão comuns em nosso meio hoje em dia não O impressionam. Somente aquilo que Ele mesmo inicia passará pelo teste no Dia do Juízo.

Que Deus tenha misericórdia de nós para que conheçamos e experimentemos a realidade espiritual genuína e a presença real do Deus vivo em nossas reuniões da igreja.










10.



 AMOR DE DEUS






O verdadeiro amor requer compromisso. O tipo de amor que Deus tem para nós – o tipo que Ele quer que tenhamos por Ele mesmo e pelos outros – envolve um profundo compromisso.

Se dissermos que amamos alguém, mas não estamos dispostos a fazer qualquer tipo de compromisso, o que dizemos é falso. O que realmente estamos dizendo, quando falamos que amamos alguém sem este compromisso, é meramente que nós os desejamos, que os achamos atraentes ou que nós queremos algo deles. Amor, por outro lado – o verdadeiro amor – envolve um compromisso total com outra pessoa.

Muitos dizem que amam outra pessoa. Mas frequentemente o que eles realmente querem dizer é que querem obter gozo ou prazer da outra pessoa. Eles esperam obter algum benefício. Eles esperam que o outro dê a eles satisfação de várias formas. O “amor” deles é, na realidade, a expectativa do cumprimento de seus próprios desejos egoístas. Não é difícil acontecer que, se e quando, esta outra pessoa que eles afirmam “amar” cessa de dar a eles o prazer, serviço e sentimentos com que eles contavam, tal “profundo” amor desaparece.

Tal amor egocêntrico não é genuíno. Sem compromisso, quando alguém cessa de nos agradar, nós simplesmente o jogamos fora. Quando nós não conseguimos o que queremos, então o outro se torna dispensável.

Muitos possuem este “descartável” tipo de “amor”. Uma vez que eles usaram alguém para seu próprio benefício e o outro parou de ser gratificante para eles, simplesmente, os descartam. Este tipo de amor egocêntrico é um tipo humano, natural e terreno. Não dura muito nas dificuldades e não satisfaz realmente o coração humano. É uma vã ilusão que muitos procuram para suas próprias dores.

O tipo de amor de Deus, pelo contrário, é baseado em compromisso, rendição. Este fato é ilustrado para nós pelos Seus pensamentos em relação ao casamento. Na visão de Deus um casamento entre um homem e uma mulher envolve o fazer uma aliança juntos. “Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade ...companheira e mulher da tua aliança” (Ml 2:14).

Sem esta aliança, relacionamentos íntimos entre homens e mulheres são proibidos por Deus e são considerados pecado. De nossa prévia discussão, torna-se claro que “pecado” é uma palavra muito apropriada para descrever um “amor” tão egocêntrico.

A única diferença entre fornicação (sexo fora do casamento) e o mesmo ato dentro do casamento é que o casamento inclui uma vida de compromisso. É plano de Deus que antes que dois indivíduos recebam tanto um do outro e compartilhem intimamente entre si, que eles devam fazer um pacto – um pacto do fundo do coração, duradouro e sincero.

Isto significa que eles concordam em amar um ao outro, permanecer juntos haja o que houver e servir um ao outro em todas as situações. O pacto do casamento significa estar completamente atado enquanto ambas as partes viverem. Como nós temos visto, sem tal entrega o que nós temos não é um amor real de forma alguma, mas simplesmente um desejo egocêntrico.

Então temos claramente elucidado para nós aqui o fato de que quando Deus, pela Sua santa escritura, fala para nós a respeito do amor, Ele não está simplesmente falando acerca de um sentimento caloroso, aconchegante ou até mesmo sentimentos românticos, mas sobre algo que envolve um compromisso de nossa parte com alguém. Pacto ou aliança é o fundamento do verdadeiro amor.



O AMOR DE DEUS




O fato é que Deus já fez um pacto eterno e profundo com aqueles que creem Nele. Esta aliança com Deus é inalterável. Seu amor é profundo e também irrevogável.

Porque isto é importante para nós entendermos? Saber que tal compromisso existe por parte de Deus e que é eterno, sólido e sem mudança, nos dá segurança. Quando nós sabemos que nós somos amados de tal maneira, nós podemos então abrir nosso coração.

Quando estamos certos que nós somos amados profundamente e totalmente por alguém – quando nós sabemos que este amor nunca desaparecerá ou mudará – então nós temos confiança para nos abrir a essa pessoa. No caso de Deus, nós podemos confiar que o que Ele encontrar dentro de nós, Ele tratará com a maior ternura, cuidado e entendimento possível. Deus não nos usará e descartará.

Quão bom é que o amor de nosso Deus não é como o tipo terreno! Quão maravilhoso é que Seu amor é tanto profundo quanto comprometido! Como cada um de nós precisa se sentir amado incondicionalmente por alguém! O fato de que Deus nos oferece tal amor é uma das partes mais maravilhosas da mensagem do Evangelho.

Deus demonstrou Seu amor por nós enviando Seu único Filho para morrer na cruz por nossos pecados. Este Seu ato confirma que é um tipo de amor não egoísta. Mostra a profundeza de Sua aliança para aqueles que creem. Revela a extensão na qual Ele está disposto a ir colocar os interesses dos outros a frente de Seu próprio conforto e prazer.



TRANSFORMANDO A ALMA




Nosso Pai celeste tem um plano para fazer uma profunda obra de transformação em nossos corações. Ele deseja nos mudar daquilo que nós somos para tudo o que Ele é. Ele deseja nos libertar da escuridão das trevas e pecado, substituindo nossa natureza pecaminosa por Sua natureza pura e santa.

Ainda assim, para que isto ocorra, devemos estar abertos para Ele, devemos estar rendidos a Ele. Devemos permiti-Lo fazer esta obra. Muito do que precisa ser alterado em nós envolve partes íntimas e sensíveis de nossa alma. As mãos de Deus que vêm nos curar podem precisar tocar e mudar coisas que são dolorosas e particulares. Sem dúvida, Ele precisará expor em nós coisas nas quais são embaraçantes e difíceis – coisas que nós não gostamos de ver e esperamos que ninguém mais saiba a respeito.

Deus não forçará Seu caminho sobre nós. Ele não nos forçará a nos abrirmos para deixá-Lo fazer Sua obra. Nosso Senhor é extremamente sensível nesta área para não violar nossa vontade de forma alguma. Sua obra dentro de nós não irá nem um milímetro além do que nós estamos dispostos a que Ele prossiga.

Por esta razão, conhecer o amor de Deus é essencial. Compreender Sua aliança conosco, Sua profunda paixão pelo Seu povo e Seu imutável amor ajudará a nos abrir completamente para Ele. Conhecendo este amor, nós podemos nos abrir diante Dele sem barreiras ou resistências, permitindo-O fazer Sua obra transformadora.

Tal rendição é essencial. Tal abertura a Deus é a única forma na qual Sua obra em nós pode progredir sem impedimentos. Apenas quando nós estamos completamente prontos e dispostos para Ele nos tocar, expor e ternamente mudar tudo em nós é que experimentaremos Sua obra transformadora. Tal completa rendição de nosso homem interior só pode ocorrer quando sabemos que somos completamente amados.

Em Efésios capítulo 3, Paulo ora por aqueles que hão de crer. O desejo de seu coração era que eles conhecessem o amor de Deus de uma forma tão profunda que eles pudessem ser considerados “arraigados e alicerçados em amor” (vs 17). Este conhecimento do divino amor, então, torna uma base para nosso relacionamento com Jesus. Isto abre o caminho: “... a fim de podermos compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura e profundidade (da pessoa e plano de Deus)” (vs18).

O resultado final de conhecer tão impressionante amor é quase inacreditável. É tanto que nós podemos ser: “...preenchidos de toda a plenitude de Deus” (vs 19). Aqui está uma coisa espantosa. Aqui é revelado que a vontade de Deus é que sejamos preenchidos com “toda a plenitude” de Quem e o que Ele é.

Então, como tal maravilhosa coisa é possível? É simplesmente estar sendo completamente abertos e rendidos a Ele. Isto pode vir a nós exclusivamente pelo conhecimento e por ser completamente confiante em Seu rendido amor por nós.



O PRIMEIRO MANDAMENTO




Com este entendimento, nós examinaremos agora um verso bem conhecido. Esta passagem fala a respeito de nossa parte neste maravilhoso e santo relacionamento. Lemos: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12:30). Este é o primeiro mandamento. O fato de que Deus está ordenando tal amor de nossa parte é uma clara indicação que isto é o que Ele está buscando.

Como nós temos visto, se nós vamos cumprir o plano de Deus, não será suficiente para nós apenas ter alguns sentimentos calorosos em direção a Ele. Não será suficiente meramente ter um pouco de desejo por Ele, apreciar as coisas de Deus ou até mesmo experimentar Sua presença ocasionalmente.

O que Deus está nos pedindo aqui é uma total rendição, sem reserva de tudo que somos, tudo que esperamos e tudo que possuímos, para Ele mesmo. Este verso fala de uma completa rendição a Deus. Significa que nós nos oferecemos a amáLo, estar abertos a Ele e a servi-Lo, fazendo tudo o que podemos para agradá-Lo. Isso também significa que percebemos que esta ligação é um compromisso por toda a vida.

É possível para uma pessoa buscar a Deus com outro tipo humano de amor. Alguns O buscam por sucesso e ou prosperidade. Outros estão procurando por cura, bênçãos e soluções ou por quaisquer inúmeros problemas pessoais. Muitos olham para Deus pelo que podem obter Dele, sem enxergar como eles realmente podem responder a Seu amor de uma maneira que será benefício para Ele também.

É concebível que muitos na igreja hoje veem seus relacionamentos com Deus de mão única. Em suas mentes, eles entendem Deus fazendo toda parte de dar e eles toda parte de receber. Talvez eles imaginem Deus como um tipo de despenseiro celestial de coisas boas, mas não como uma pessoa com quem eles podem ter um relacionamento de amor.

Esta triste condição faz pouco para mudar nossas almas. Isto impede o crescimento espiritual. Limita a obra de Deus em nossas vidas. Sem entender profundamente o amor de Deus e correspondê-Lo pela nossa rendição a Ele e amá-Lo sem barreiras, nós não podemos fazer muito progresso na vida espiritual.

No jardim do Éden, Adão e Eva estavam nus, e não se envergonhavam. Quando a pessoa está nua significa que não há nada em secreto. Nada está escondido ou encoberto. Interessantemente, a mulher celestial que é revelada em Apocalipse, capítulo 12, também parece estar praticamente nua. Lemos que ela está apenas “vestida do sol” (v 1). Mas uma esfera celestial se faz de vestes muito pobres. Não pode se adequar muito bem.

O que podemos entender aqui é que, em vez de vestes, ela está revestida de glória, um intenso brilho no qual se assemelha com o Sol. Esta deve ser a glória de Deus. Lemos em Apocalipse 21:11 que a noiva de Cristo tem “a glória de Deus” confirmando isto. Isto deve ser parte ou, talvez, toda sua veste.

O que isto significa para nós? Certamente nem nós nem as escrituras estão promovendo nudismo. Mas o que entendemos aqui é que o nosso relacionamento com Deus não deveria ter nada secreto, nada escondido. Entre nós e Ele deveria ser uma abertura e transparência de desinibido amor. Nós não deveríamos ter barreiras emocionais ou resistências. Não precisamos de nenhuma “veste” para nos esconder Dele. Pelo nosso relacionamento de amor com Jesus, podemos chegar a uma intimidade santa com Ele que permite transformar nossas vidas.



O SEGUNDO MANDAMENTO




Como você provavelmente já imaginou, o segundo mandamento é semelhante ao primeiro. “Amarás teu próximo como a si mesmo” (Mc 12:31). Nesta questão também, se nós somos cristãos verdadeiros, essa deveria ser nossa experiência. Este mandamento também envolve um compromisso, não uma preocupação parcial ou interesse passageiro, mas uma entrega total, sem reservas de nós mesmos para nosso próximo.

Este verso, embora certamente se aplique a todos, tem uma aplicação muito especial em nosso relacionamento com outros cristãos. Se nós vivermos em harmonia com Deus e os pensamentos de Seu coração, nós conheceremos um duradouro, completo e sincero compromisso com outros homens e mulheres que crêem em Jesus Cristo, assim como Ele o faz conosco.

Por meio de Jesus, nos tornamos membros do mesmo corpo. Nós todos fomos comprados com o mesmo precioso sangue. Fomos atraídos por Deus para um relacionamento de amor com os outros no qual nós somos chamados para desenvolver.

Toda parte do corpo humano tem um compromisso de vida integral e relacionamento com os outros. Sem isto, o corpo humano não poderia funcionar apropriadamente. A mesma verdade aplica-se ao corpo de Cristo na terra hoje. Nós somos instruídos a ter um compromisso com outros cristãos para servi-los com a vida de Deus.

Se tivermos este genuíno amor pelos outros membros do corpo de Cristo, nosso relacionamento com eles serão assim: Nós buscaremos o bem deles como nosso próprio (praticamente e espiritualmente) e nós gastaremos tempo orando por suas necessidades; estaremos alerta de caminhos que podemos ajudá-los e nós gastaremos tempo com eles; (isto significa vê-los mais que uma vez por semana em reuniões na igreja), nós faremos toda tentativa de encorajá-los e procurar oportunidades para edificá-los espiritualmente.

Em resumo, cultivaremos um relacionamento do corpo com eles através do qual permite que Deus os ministre por meio de nós. Além disto, nos infere que não diremos nada – absolutamente nada – a respeito deles que causaria a alguém pensar mal ou de qualquer forma diminuir seu amor por eles.

Obviamente, este tipo de amor não é natural. Não é a resposta normal do coração humano. De fato, não é possível para um ser humano viver assim. Por isso, este amor deve ter outra fonte. Deve vir de Deus. E vem. Quando estamos dispostos a entrar em um relacionamento de amor com Ele, nós começamos a experimentar Seu amor pelos outros também. O amor que Ele tem pelo mundo pode começar a encher nossos corações.

O amor de Deus, em nós, pelo outro deveria ser bastante importante em nossas vidas. O que nós estamos falando aqui é um amor pelas outras pessoas – uma rendição um ao outro – que mudará nossas vidas. Vai alterar nossas prioridades. Será necessário colocar os outros na frente do nosso “eu” assim como Jesus fez.

Vai demandar nosso tempo e energia e interferirá em nossos planos e prazeres. Pode, às vezes, nos tornar desconfortáveis. Isso, sem dúvida, nos tirará de nossa “zona de conforto”. Vai nos levar à crucificação.

Contudo, estas dificuldades apenas durarão até nós aprendermos, pela experiência, que as bênçãos de Deus estão sobre este caminho. Vamos encontrar uma intimidade com Deus enquanto servimos a outros – quando nós “vestirmos com a toalha”, como Jesus fez, e ministrarmos em suas necessidades – de uma forma que nunca experimentamos antes.



UMA EXPERIÊNCIA DE IGREJA ADEQUADA




Tal amor é a marca da verdadeira igreja. É um ingrediente essencial. Sem esse amor, a genuína “igreja” realmente não existe. É bem possível ter uma organização religiosa que está cheia de “bons” cristãos, programas maravilhosos e reuniões lotadas de pessoas – algo do qual todo mundo chamaria de uma “igreja” – que é quase desprovida da coisa real. Quão frequente os crentes se relacionam uns com os outros superficialmente e esporadicamente.

Quando um corpo humano está funcionando normalmente, seus membros estão intimamente associados uns aos outros. Se esse compromisso quebra, a vida se esvai. A mesma regra também se aplica à igreja. Até o ponto em que os cristãos têm um pacto de vida uns com os outros, eles realmente expressam o corpo de Cristo. Inversamente, na medida em que os cristãos fracassam nesta área, eles cessam de experimentar a igreja em uma maneira prática.

É verdade que todos os filhos de Deus são parte da igreja, porém, se nossa experiência do amor de Deus está ausente, estamos vivendo em pobreza espiritual. Que tragédia quando aquilo que é visto como “cristianismo” tem se desviado para tão longe das prioridades de Deus!

A verdadeira expressão da igreja de Cristo, na qual nós temos descrito, é o melhor ambiente para um crescimento espiritual. Mesmo que seja possível crentes crescerem individualmente, é quando todos os membros do corpo estão funcionando em um relacionamento de amor um com o outro que o maior progresso espiritual pode ser feito. Nesta situação todas as necessidades de cada pessoa, especialmente dos novos convertidos, podem ser alcançadas satisfatoriamente.

Assim como uma família que está repleta de amor é o melhor lugar para criar uma criança, assim a igreja que pratica o amor uns pelos outros é o ambiente ideal no qual os crentes podem crescer até a maturidade. Imagine por um momento o efeito que este tipo de coisa teria sobre a sua caminhada com o Senhor e também sobre aqueles com quem você é íntimo. Não levaria muito tempo para um progresso real se tornar evidente.

Isto não é uma sugestão como “castelo no ar”. É a intenção revelada de Deus para Sua igreja funcionar precisamente desta forma! Estas coisas são claramente ensinadas por todo o Novo Testamento. Se nossa experiência é alguma coisa menos que isto, nós deveríamos nos prostrar diante de Deus e suplicar perante Ele para nos mudar, a fim de que nós possamos cumprir Sua vontade.

Não há dúvida que este é o plano de Deus. Não há nenhum engano o fato que isto é exatamente o que Cristo deseja. Como então podemos proceder sem experimentar isso? Como podemos prosseguir afirmando ser cristãos, imaginando que temos um relacionamento com o Senhor ou supondo que estamos tendo experiência de igreja significativa enquanto não estamos vivendo no amor de Deus uns para com os outros? A resposta é que não podemos.

Não estou sugerindo que nós podemos, na prática, desfrutar este tipo de relacionamento com cada cristão no mundo. Contudo deveria haver alguns – aqueles que Deus nos mostrou – com quem e para quem Ele quer que tenhamos um compromisso de amor. Assim como tijolos de um muro têm uns mais perto do que os outros, assim também é uma vida cristã.

Nosso compromisso com alguns será algo que nós experimentaremos na prática. Nosso compromisso com aqueles cujas vidas estão mais distantes das nossas faz com que teremos menos possibilidade de praticar o amor. No entanto, deveria ainda existir e deveria se manifestar sempre quando a oportunidade se levantar. Este fato é claramente demonstrado pelo ensinamento no Novo testamento em mostrar hospitalidade aos estranhos (Rm 12: 13; Hb 13:2).



O AMOR DEVE SER GUIADO POR DEUS




Devemos ser advertidos aqui que este amor que expressamos em relação aos outros, desde que seja de Deus, deve também ser guiado por Deus. Não podemos simplesmente ser levados pela compaixão e sentimentos humanos. Nosso “amor” não deve ser motivado meramente por instintos naturais, mas é algo que deve ser motivado pelo Senhor.

É óbvio que não podemos ser capazes de satisfazer cada necessidade humana do mundo. Não é nem mesmo possível satisfazer aqueles que nós vemos ao nosso redor todos os dias. Devemos ser conduzidos por Deus, não por sentimentos ou necessidade humana. Nosso amor deve ser guiado pela liderança e autoridade do Espírito Santo.

Nem mesmo Jesus tentou satisfazer todas as necessidades. Um exemplo disto é do mendigo que Deus usou Pedro e João para curar. Ele se assentava na entrada do templo todos os dias. Era seu lugar de pedir esmolas (At 3:10). É provável que Jesus passasse por ele ali várias vezes. Ainda assim o Pai não levou Jesus a curar este homem coxo naquela hora.

Se e quando tentamos ajudar as pessoas sem a liderança do Espírito Santo, nós entramos em problemas. Às vezes, até mesmo sofreremos por isso. Por exemplo, quando nós tentamos ajudar alguém que Deus está disciplinando, nós podemos acabar recebendo no final um pouco do cajado divino também. Esta é uma advertência que eu já experimentei ao longo dos anos que trouxe difíceis e dolorosas experiências.

Quando nosso coração está submisso e disposto, Deus nos guiará em cumprir Seu desejo por expressar Seu amor para a igreja e para o mundo que perece. É essencial fazer um compromisso de amor com outros. Mas é também imperativo que, como em todos os outros atos cristãos, nós sejamos conduzidos pelo Espírito Santo. Se não seguirmos Jesus, sendo guiados por Ele em nossa busca por amor, nós encontraremos muitas frustrações.



OUTROS COMPROMISSOS




Por favor, note aqui que não estou falando sobre um compromisso com uma “igreja”, organização ou grupo religioso. A Bíblia em lugar nenhum ensina este tipo de compromisso. De fato, ela protesta contra isso! (1 Co 1:12,13). Eu também não estou falando aqui de compromisso com líderes, com aqueles “sobre você”, ou para algum tipo de hierarquia que alguns que estão cristãos advogam. Nem estou recomendando submissão à alguma posição doutrinária.

Tais compromissos, tanto a organizações, a líderes ou ensinamentos, são impotentes em produzir o resultado que Deus deseja. É tudo muito fácil para os cristãos ser “bons membros de igrejas”, serem leais a algum líder ou serem fiéis a uma revelação particular e ainda possuir muito pouco deste tipo de amor. Um rápido exame da situação na presente cristandade deveria servir para ilustrar este ponto.

O maior perigo destes outros compromissos é que eles são frequentemente substituídos pela verdadeira aliança de amor sobre a qual temos falado. Um exemplo disto ocorre quando as pessoas pensam que porque eles têm feito um compromisso com certo grupo da igreja, já cumpriram suas obrigações. Na verdade, sua responsabilidade com Deus e com os outros crentes não é nem mesmo tocada por este tipo de atividade.

O compromisso no qual nós estamos discutindo aqui é muito, muito mais profundo que isto. Os resultados que podem ser alcançados por um compromisso com um grupo, liderança ou doutrina, e a “unidade” na qual é trazida por meio dessa prática são, infelizmente, externos e artificiais.

Enquanto esses compromissos envolvem uma devoção às coisas, o caminho de Deus é compromisso com Ele e às pessoas. Apenas o que resulta de uma aliança total de amor uns pelos os outros é verdadeiro e sagrado. Além do mais, é apenas este tipo de compromisso que Deus ordena.

Uma dificuldade adicional que estes compromissos extrabíblicos cria é divisão. Este pecado ocorre quando o amor das pessoas pelos outros é afetado por seu grupo de fidelidade. Quão frequentemente nós não amamos, ou até mesmo odiamos, aqueles que discordam de nós! Quão comum esta pratica é hoje, ainda que nada pudesse ser mais destrutivo e contrário ao amor verdadeiro. É fácil entender porque as Escrituras seguramente condenam tal atividade (1 Co 3:3 ss).



A IGREJA REVOLUCIONADA




Verdadeiramente esta é uma grande falta nas Igrejas evangélicas hoje: amor fraterno. Se todos os crentes tivessem este profundo compromisso uns com os outros, um amor que envolve uma vida de aliança para servir todos os outros cristãos, sem considerar suas opiniões, origens ou credos, o Cristianismo de hoje seria revolucionado.

Muitas pessoas hoje falam sobre unidade entre as igrejas no corpo de Cristo. Mas com tais esforços a grande questão sempre é: Como tal coisa irá acontecer? Deveríamos simplesmente apertar as mãos sobre nossas barreiras doutrinárias? Deveríamos produzir algum tipo de organização mundial no qual podemos exibir uma aparência de unidade enquanto ainda mantemos nossas separações? Ou deveríamos ainda descer em outra esquina, reunir ainda ao redor de outra posição doutrinária na qual “garantirá” unidade e insistir que todos os outros venham e se unam a nós? Acho que não.

Creio que a única esperança que nós temos para uma verdadeira unidade é o amor fraternal. A única chance que o crentes têm para chegar ao lugar onde Deus claramente quer que estejamos, é verdadeiramente conhecer Seu amor por nós e então com este amor começar a “...amar um ao outro com um puro coração, ardentemente” (1 Pe 1:22).

Este amor acerca do qual nós estamos falando deve transcender barreiras e fronteiras denominacionais. Deve ser um amor que é sincero por todo mundo sem considerar sua disposição e afiliação. Não pode ser seletivo, mas deve ser baseado sobre o mesmo critério que Deus tem recebido outros.

Deveríamos amar outros crentes por apenas uma razão: o Pai os amou e os escolheu para ser Dele. Não há outras opções. Uma vez que Deus regenerou alguém por dar Sua vida a eles, nós somos ordenados a amarmos essa pessoa. É nossa responsabilidade cristã.

Quando nós viermos perante Deus e O permitirmos preencher nossos corações com o Seu amor por todo o Seu povo, nós não mais reconheceremos qualquer separação no corpo de cristo. Nós estaremos genuinamente “discernindo o corpo de Cristo” (1 Co 11:29). Se por algum ato poderoso de Deus, todos os cristãos pudessem ter este ponto de vista, as denominações e divisões tão familiares hoje, deixariam de existir.

O amor é o oposto da divisão. A situação sectária no Cristianismo hoje é um vexame para o Senhor. É uma desonra para o Seu nome e uma mácula sobre Seu precioso testemunho. Se pudéssemos ser trazidos por Deus ao arrependimento em relação a este pecado de não amarmos uns aos outros, a igreja seria verdadeiramente revolucionada. O amor é uma força inconquistável que deveria unir os crentes nestes últimos dias. Que possamos buscar Deus até o termos.



UM TESTEMUNHO PARA NÃO CRISTÃOS




Não apenas o amor revolucionaria a igreja, mas também teria um tremendo impacto nos cristãos. O testemunho do Cristianismo seria transmitido com tanto poder que seria irresistível. Jesus disse: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35).

É o nosso amor que será um testemunho para o mundo. O fato de que nós temos sido tão libertos de nós mesmos e de nossos pecados – as coisas que nos separam hoje – persuadirá não crentes que Jesus é real. O amor é a evidência da verdadeira salvação (1 Jo 3:14).

Se nossos corações estão corretos com Deus e com os outros, nós também amaremos aqueles que não creem. Deus certamente o faz. Como é claramente visto na parábola do bom samaritano, a palavra “vizinho” inclui todo mundo. Jesus nos instruiu a ir “...por todo o mundo, e pregar o Evangelho para toda a criatura” (Mc 16:15).

Mas que Evangelho nós podemos pregar se não tivermos amor? É para ter uma doutrina a ensinar ou uma forma de religião a propagar? Devemos estar tentando corrigir o pensamento dos outros? Mas a menos que o amor de Deus seja verdadeiramente “derramado em nossos corações” (Rm 5:5), a menos que isso tenha trabalhado uma mudança eterna dentro de nós que seja notável, nós temos muita pouca chance de alcançar milhões de não salvos para Cristo.

Olha, se suas crenças e práticas não estão funcionando em sua vida, por que oferece isso para os outros? Se a mensagem em que você crê não está transformando você na própria imagem de Jesus Cristo, por que quer espalhar isso? Se o que você tem não funciona em sua vida, como os outros irão querer isso para si mesmos? Se o amor de Deus não está lhe enchendo, você tem um Cristianismo muito pobre.

Irmãos e irmãs, por favor, prestem atenção nesta mensagem. Isto não é uma consideração inconsequente. Isto não é uma questão de importância secundária. Isto é talvez o problema mais crucial enfrentado pelas igrejas hoje!

Nós amamos como Ele ama? Nós temos o tipo de compromisso a Ele e aos outros que as Escrituras tão claramente nos exortam a termos? Nós estamos dispostos a dar nossas vidas para os outros ou por Ele, literalmente? (1 Jo 3:16). Nós temos mais do que bons sentimentos, ou uma apreciação pelos outros cristãos e pelo mundo a nossa volta? Em resumo, nós realmente sabemos e desfrutamos o ilimitado amor pelo qual Deus tem por nós e estamos sendo preenchidos com isso?

Se nós não tivermos este tipo de amor em nosso Cristianismo, então nós estamos perdendo alguma coisa. Se este tipo de amor está faltando, nós temos apenas uma religião superficial e fracassamos em conhecer o coração de Deus. Assim fica evidente que nós não temos ainda conhecido e experimentado por nós mesmos o ilimitado amor de Deus.

Que Deus tenha misericórdia de nós! Que Ele possa brilhar Sua luz em nós, revelando o que está em nossos corações em relação a estas coisas, a fim de que Ele possa nos levar a uma entrega total a Ele, dessa forma, abrindo o caminho para o amor de Deus ser aperfeiçoado em nós.



ALGUNS PASSOS SIMPLES




Naturalmente, depois de ler esta mensagem muitas pessoas farão perguntas tais como: “Como isso pode acontecer?” ou “Onde podemos encontrar um grupo que está praticando estas coisas?”

A resposta é que isto deve começar com você. Não espere que outros façam isso primeiro. Não adie até que encontre uma igreja ou “comunidade” que “esteja certa”. Comece onde você está e comece pela prática destas coisas você mesmo. Enquanto isto deve soar bem difícil, creio que isso pode ser consumado por seguirmos estes simples passos.

Primeiramente, devemos claramente entender que este amor não é algo que nós podemos encontrar dentro de nós mesmos. Somente vem de Deus. As Escrituras são claras – “Deus é amor”. Ele tem um profundo, irreversível amor pelo Seu povo, por toda a humanidade. Quando nós formos para Ele e abrirmos nossos corações plenamente, Ele nos preencherá com todo o amor que é necessário para cumprir Seus mandamentos.

A seguir, será necessário tomar uma decisão – consciente e firme de servir aos outros. Tal amor não vem espontaneamente. Você provavelmente não será arrastado a estes relacionamentos pelos seus próprios sentimentos. De fato, suas reações naturais em relação aos outros provavelmente o fará evitar isso. No entanto, você deve resolver, bem no início, não permitir que nada tire você deste caminho. Embora tal compromisso, sem dúvida, tenha que ser refeito repetidas vezes e aprofundar tremendamente outras vezes, este é o único lugar por onde começar.

Enquanto seu compromisso pode e deve se aplicar a todos, apenas um amor recíproco é profundamente satisfatório. Então, eventualmente será importante encontrar alguns poucos indivíduos com as mentes dispostas a se unirem com você nestas coisas.

Quando você pede a Deus em oração, Ele te conduzirá a eles. Sem dúvida levará algum tempo para estabelecer relacionamentos íntimos com os outros. Envolverá também algum sacrifício, paciência e possivelmente lágrimas. Apesar de tudo, nada é tão gratificante como o companheirismo com pessoas que vivem em unidade real com os outros (Sl 133:1). Tais experiências são parte da substância da qual a Bíblia chama de “a igreja”.

Finalmente, uma vez que tais relacionamentos começam a ser estabelecidos não guarde isso para você mesmo. Comece a alcançar outros com o amor de Deus e ensiná-los estas verdades. Esta é a mensagem que o mundo precisa ouvir! Deus irá indubitavelmente abençoar seus esforços e começará a trazer frutos abundantemente.





11.



VOCÊ ESTÁ ENGANADO?






Se alguém perguntasse: “Você está enganado?”, creio que quase todos os cristãos responderiam: “De jeito nenhum!” É comum cristãos imaginarem que não estão enganados e que nem poderiam estar. De qualquer forma, algumas dessas confiantes pessoas podem ter uma grande surpresa.

A razão é que quem está sendo enganado não percebe isso. A maior característica do engano é que as pessoas envolvidas nele são inconscientes de sua condição. Uma vez que a pessoa perceba que está enganada, o engano desaparece. Dessa forma, ela não está mais enganada. Sendo assim, tal pessoa pode voluntariamente permanecer no erro ou continuar seguindo algo falso, mas não estará mais enganada.

Desde que um indivíduo envolvido no engano fica totalmente ignorante da sua condição, existe um enorme perigo em crer que não está ou não pode estar enganado. Ninguém deve estar absolutamente confiante acerca de sua condição. A fragilidade da natureza humana associada à sutileza do inimigo de Deus resulta no assombroso fato de que quase todos os cristãos professos estão em alguma medida no engano, seja ele pequeno ou grande. Ainda que isso possa soar estranho, sem dúvida tem alguma verdade.

Creio que existem pouquíssimos crentes andando hoje na terra, cujo relacionamento com Deus seja tão íntimo e cujas vidas sejam tão livres de qualquer tipo de treva, que não possam mais ser enganados. Tudo isso está sendo dito para mostrar apenas um fato. É fácil ser enganado. Mais ainda, quando se é vítima do engano a pessoa não percebe isso.

Então, pode ser saudável que cada leitor dê uma pausa e faça as seguintes perguntas a si mesmo: “É possível que eu possa, de alguma forma, estar enganado?”, “Poderia haver algum conceito errôneo trabalhando em minha vida que eu não tenha conhecimento?”, “Seria possível o diabo ter estabelecido algumas fortalezas em meu coração que eu não saiba?” e, “Se existir alguma influência indesejável presente, como eu posso me livrar dela?”

No final das contas, a única coisa que pode expor nosso engano e libertar-nos dele é a luz de Deus. Jesus prometeu aos Seus seguidores que eles não andariam em trevas, mas teriam a “luz da vida” (Jo 8:12). Se estamos, de alguma forma, enganados é porque ainda há trevas em nossa vida, existe alguma área do nosso coração que não tem sido iluminada por Deus. É aqui que o diabo e seus agentes trabalham sem nosso conhecimento.

De qualquer forma, uma vez que a luz de Jesus mostre seus primeiros raios dentro de nós e exponha as trevas, o poder delas é removido. Uma vez que vejamos como temos sido enganados, não estaremos mais sob o domínio do engano. Em Jesus Cristo há poder suficiente para derrotar o inimigo.

Uma razão pela qual muitos crentes ainda estão em domínio do engano é porque não têm cedido o controle total de suas vidas a Deus e, por conseguinte, não têm recebido luz suficiente Dele, a fim de mostrar-lhes onde caíram na armadilha.

Com tudo isso em mente, nós poderemos examinar um pouco dos enganos mais comuns que têm trabalhado nas comunidades cristãs nos dias de hoje.



UM ENGANO COMUM




Vivemos num tempo incomum, olhando de um ponto de vista bíblico. Isso porque muitos cristãos possuem um ou mais exemplares da Bíblia. Eles têm em suas mãos uma maravilhosa compilação das palavras e propósitos de Deus.

No passado, as coisas eram diferentes. Antes da invenção da prensa, a disponibilidade dos manuscritos bíblicos era muito limitada. As cópias eram feitas à mão. Além disso, grande parte da população mundial era iletrada. Ainda que alguém tivesse uma cópia das Escrituras, não poderia lê-la.

Esta disponibilidade moderna da Bíblia é uma tremenda bênção. Ela faz com que a revelação de Deus seja acessível a quase todas as pessoas. Aqueles que têm separado tempo para ler e meditar nestas palavras dadas por Deus têm tido o privilégio de receber entendimento sobre a pessoa de Deus e Seus propósitos eternos com muito mais facilidade e conveniência.

De qualquer maneira, existe um perigo aqui de que muitos estão inconscientes. Por causa dessa disponibilidade das Escrituras, tem se tornado fácil para o homem se aproximar da revelação de Deus de um ponto de vista meramente humano. É possível que homens e mulheres tentem compreender a Bíblia mentalmente.

Através do estudo, da pesquisa e da razão, alguns podem chegar a muitas conclusões acerca daquilo que Deus escreveu. Além disso, podem começar a confiar nessas conclusões e conduzir suas vidas de acordo com essa análise, em vez de seguir um Deus vivo.

Assim, suas compressões humanas da Bíblia tornam-se seus guias, no lugar de Jesus. Tão incrível quanto possa parecer, muitas pessoas, hoje em dia, colocam esse tipo de conhecimento da Bíblia como substituto de uma genuína e íntima relação com Jesus Cristo.

Em vez de seguir uma Pessoa viva, agora estão seguindo o “manual.” As suas decisões estão governadas por versos bíblicos sem conferir com Jesus se suas interpretações estão realmente em harmonia com a pessoa Dele. Neste sentido, essas pessoas têm sido enganadas. Pensando que já entendem a Bíblia, falham em conhecer a Pessoa que está revelada nela.

Em tempos passados, as coisas eram bem diferentes. Aqueles que criam em Jesus eram obrigados a aprender a conhecê-Lo pessoal e intimamente, a fim de que pudessem segui-Lo. Uma vez que a maioria não tinha as Escrituras disponíveis facilmente, eles precisavam aprender a ouvir, seguir e obedecer diretamente a Jesus. Fica fácil entender que os primeiros crentes, e muitos discípulos ao longo do tempo, não podiam e não dependiam de uma palavra meramente escrita para guiar suas vidas. Eles precisavam aprender a depender de Deus.

Os primeiros apóstolos e outros que escreveram o Novo Testamento eram tais homens. Eles nasceram de novo pelo Espírito Santo e, então, seguiram o homem ressuscitado, Jesus Cristo. A experiência pessoal com Ele levou-os a escrever cartas e relatos históricos da vida de Jesus, que foram divinamente ungidos por uma inspiração de Deus. Esses escritos foram o resultado – e não a fonte – da intimidade deles com o vivo e ressurreto Senhor.

Naturalmente, quando eles puderam ter acesso à parte das Escrituras, incluindo o Velho Testamento, isso serviu de grande ajuda. Obviamente, o que Deus tinha revelado de Si mesmo, através dos escritos da Sua palavra, foi extremamente precioso. Ainda assim, eles não olharam para esses escritos como um guia das suas vidas. Em vez disso, aprenderam a conhecer e seguir a pessoa de Jesus que estava revelada no livro.

A Bíblia não nos foi dada como um livro texto. Seu propósito não é ser um manual ou livro guia através do qual devamos conduzir nossas vidas. Certamente não pretende ser um substituto de Deus. O propósito da Bíblia é ser um meio através do qual Deus Se revela para nós. Em todas as páginas, a natureza e a pessoa do nosso Senhor está evidente. Deve ser através do conhecimento dessa Pessoa que nossas vidas devem ser guiadas, não meramente seguindo um conjunto de regras, doutrinas ou princípios bíblicos.

Não obstante, muitos têm tomado a Bíblia como seu guia. De uma forma sutil, ela tem substituído um relacionamento genuíno com Jesus em suas vidas. Eles consideram-se crentes na “Bíblia” e seguidores da “Palavra”. Para eles, isso é a maneira mais certa e santa de conduzir suas vidas. Mas em vez de buscar conhecer a Jesus nas páginas da Bíblia, eles têm se tornado seguidores de um livro cheio de regras, princípios, práticas e doutrinas.

Muitos creem que sejam seguidores da “Palavra de Deus”, que eles acham que é a Bíblia. De qualquer forma, a verdade é que “a Palavra de Deus” é uma Pessoa, não um livro. Nós lemos em Apocalipse 19:13: “Ele está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama a Palavra de Deus”.

Embora Deus esteja revelado na Bíblia, seguir a Bíblia não é a mesma coisa que segui-Lo. Nós fomos chamados para seguir uma Pessoa viva e não simplesmente um conjunto de regras, regulamentos, verdades ou princípios. Infelizmente, é possível pessoas “seguirem a Bíblia” com pouco, ou nenhum, relacionamento pessoal com Cristo vivo.

Deixe-me esclarecer aqui que eu não estou, de maneira alguma, tentando diminuir ou desvalorizar a importância da Bíblia. Durante mais do que 42 anos seguindo a Cristo, muitos poucos dias passaram sem que eu tenho meditado no que Deus tem revelado para nós na Bíblia. Estou convencido de que as Escrituras que nós temos hoje são um acurado e confiável relato do que Deus disse e fez no passado. Estou persuadido, após muitos anos de meditação nas Escrituras, que o conteúdo da Bíblia foi inspirado por Deus.

Ainda que tudo isso seja verdade, uma coisa deve ficar clara para nós: Nós não fomos, não somos e de fato não podemos ser salvos por crer na Bíblia. Isso é a verdade. A Bíblia não morreu por nossos pecados e nem ressuscitou ao terceiro dia. Esse livro não é o nosso salvador. Meras palavras, ainda que dadas por Deus quando estão destituídas de uma revelação Dele nunca poderão salvar-nos. Somos salvos unicamente por crer numa viva e ressurreta Pessoa, Jesus Cristo.

Não temos sido impelidos pelas Escrituras a crer num livro, mas em Jesus. Nós lemos: “...crede em Deus, crede também em Mim” (Jo 14:1). Não somos santificados e transformados simplesmente por seguirmos princípios bíblicos. Não ficamos livres de nós mesmos e de nossos pecados por um livro. Para que essa salvação ocorra, nossa fé deve estar numa Pessoa e não em palavras escritas, por mais acuradas e importantes que possam ser. Ele é o único que pode salvar-nos.

Mas, para muitos, a Bíblia tem se tornado um ídolo. É a Bíblia que eles adoram e dela dependem. Esse livro tem tomado o lugar de Deus em suas vidas. O foco deles está na Bíblia. São crentes na Bíblia, seguidores da Bíblia e pregadores da Bíblia. Em suas mentes, essa atitude de fé absoluta na Bíblia é a mais santa posição possível. Em suas mentes, é a fé deles nesse livro e a fidelidade deles às coisas lá dentro escritas que os justifica. Isso é um erro sério.

É um enorme engano tentar usar a Bíblia de forma independente do seu Autor. É um grande equívoco usar a Bíblia como um livro texto em vez de uma fonte através da qual nosso Senhor possa revelar-Se. Tal atitude nunca nos ajudará. Somente produzirá um tipo de orgulho e justiça própria que não podem nunca agradar a Deus. Isso gera um Cristianismo legalista, racional e seco, que não salva e nem liberta aqueles que o praticam, tampouco satisfaz a Deus.

Para ajudar o leitor a compreender essa verdade, vamos dar uma olhada nos fariseus do tempo de Jesus. Eles tinham o Velho Testamento dado por Deus, escrito para eles. Eram letrados e cultos. Então, eles estudavam esse livro diariamente e dele extraíam muitas leis, princípios e fórmulas para guiar suas vidas.

Provavelmente, gastavam muito mais tempo estudando as Escrituras que uma boa parte dos cristãos modernos. Através do esforço deles, tornavam-se extremamente religiosos. Ainda assim falhavam em conhecer o Autor. Nunca conheceram realmente o Pai. Pensavam que sabiam muitas coisas sobre Ele, mas não O conheciam. Suas análises das Escrituras eram humanas, mentais e defeituosas.

Portanto, quando Deus Se manifestou em Seu Filho, eles não O conheceram. Eles não O reconheceram como o Único que está revelado no Velho Testamento. Esta falta de conhecimento de Deus pessoalmente levou-os a odiar, perseguir e, com o passar do tempo, matar Aquele que desejava revelar-Se para eles através das Escrituras. Certamente a análise racional desse livro não produziu algo bom neles. Jesus afirmou essa verdade quando disse para eles: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que testificam de Mim” (Jo 5:39). O pensamento de Deus é que nós poderíamos ir a Ele através das Escrituras, mas não usá-las como um substituto para o relacionamento com Ele.

Mais adiante somos advertidos: “Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. Porque se de fato crêsseis em Moisés, também creríeis em Mim; porquanto ele escreveu a Meu respeito” (Jo 5:45,46).

Como você pode ver, quando Moisés escreveu, ele escreveu sobre a realidade de Deus – Sua verdadeira expressão que é Jesus. Moisés escreveu sobre o que o Pai tinha revelado de Si mesmo para ele. A mesma coisa é verdade para todo o restante das Escrituras. Os homens que as escreveram, meramente registraram o que Deus tinha mostrado a eles acerca de Si mesmo, Seus caminhos e Seus desejos.

Aqui repousa um poderoso engano onde os crentes têm caído. Eles vêm para a Bíblia para estudar e aprender. Através disso desenvolvem muitos princípios e diretrizes para suas vidas e seus encontros.

Muitos têm extraído das suas páginas regras sobre seus estilos de roupa, suas atividades e cortes de cabelo. Outros têm acumulado regras sobre como, quando e onde se reunir. O tempo que passam juntos é conduzido seguindo muitas fórmulas e princípios aparentemente corretos que foram extraídos do Novo Testamento.

Ainda assim, não obstante tudo isto, eles não se tornaram íntimos de Jesus. São bem-sucedidos em aprender sobre Ele, mas não O buscam realmente para conhecê-Lo profundamente.

Através dos seus estudos acumulam conhecimento a respeito de Deus, mas não desenvolveram uma intimidade com Ele a ponto de terem os seus corações mudados e consequentemente, suas vidas. Esse lacuna é muitas vezes revelada em seus comportamentos e atitudes. Esse é um infeliz, ainda que comum, engano entre o povo de Deus.




FALTA DE AMOR




A falta de conhecimento íntimo da pessoa de Deus revela-se de muitas maneiras. Uma das mais tristes maneiras, em que se torna evidente, é quando alguém deixa de concordar com um grupo cristão sobre alguma doutrina ou prática.

Pode ser que os líderes de um determinado grupo e os seus membros apresentem uma aparência de retidão. Pode ser que suas roupas, doutrinas e atividades pareçam bíblicas e corretas. Mas quando alguém começa a discordar, as coisas podem mudar rapidamente. Quando alguém não anda mais de acordo com as maneiras e crenças deles, repentinamente, as garras e as presas podem aparecer. O “amor” deles desaparece. Começam a rejeitar, odiar e perseguir aqueles que eles tinham anteriormente aceitado e fingido amar.

Essa forma de comportamento revela uma falta de conhecimento íntimo de Deus. Mostra o fato de que “a religião” deles é mais mental que genuína. Essas pessoas talvez tenham aprendido muitas coisas sobre Deus, mas não se tornaram íntimas do Senhor.

Em 1 João 4:8 lemos: “Aquele que não ama não conhece a Deus (intimamente), pois Deus é amor”. Acrescentei a palavra “intimamente” baseado na palavra grega “conhecer” (GINOSKO), que implica num conhecimento que é muito mais que um mero encontro. “GINOSKO” significa um conhecimento íntimo de uma pessoa. W. E. Vine, em seu dicionário das palavras do Novo Testamento, define essa palavra grega assim: “... vir a conhecer, reconhecer, compreender” ou “compreender completamente”.

O resultado desse conhecimento íntimo da pessoa de Deus é que expressamos Seus sentimentos, Seu coração. Desde que Ele é amor e ama Seus filhos profundamente, quando estamos andando em íntima comunhão com Ele também experimentamos e expressamos os mesmos sentimentos.



ELES NÃO ME CONHECEM




Em Jeremias 2:8 lemos a respeito de um entendimento similar. Deus adverte os estudantes das Escrituras daqueles dias dizendo: “Os sacerdotes não disseram: onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram.” Como você vê, eram pessoas meramente religiosas. Eles estavam “tratando” da lei, mas não viam além das letras escritas. Eram líderes e até mesmo “sacerdotes” do Senhor, mas não O conheciam.

Consequentemente, suas decisões e a forma como eles interpretavam a palavra de Deus estavam distorcidas. Não refletiam o coração do Criador. Em vez disso, o que eles faziam, diziam e decidiam era o resultado de um estudo racional e humano das Escrituras. Não era o resultado do conhecimento da pessoa e do caráter de Deus. A religião deles era vã.

A fim de usar ou “tratar” a Bíblia corretamente, nós devemos ter primeiro uma intimidade com o autor. Somente através de um genuíno conhecimento da pessoa Dele é que podemos realmente compreender o que Ele está revelando. Uma simples análise intelectual e humana não é suficiente. Está longe do objetivo. O autor das Escrituras é o Único competente para interpretá-las corretamente.



O JESUS INVISÍVEL




Alguns cristãos parecem ter a noção de que após a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, Ele desapareceu no céu. Então, para compensar Sua ausência, Ele deu um jeito de que tivéssemos a Bíblia como uma espécie de manual de instrução para seguirmos, enquanto Ele estivesse fora. Talvez suponham que se eles seguirem as orientações da Bíblia corretamente então, quando Jesus retornar, irá recompensá-los, pela obediência deles.

A falácia desse pensamento é que Jesus não está ausente deste mundo. Ele está apenas invisível. Ele não nos deixou sozinhos para seguirmos a Bíblia, mas requer de nós que O conheçamos e O sigamos através do Espírito Santo. Quando Ele nos enviou o Espírito Santo disse algumas coisas interessantes. Ele afirmou: “Vou e volto para junto de vós” (Jo 14:28). Verdadeiramente não nos deixou sozinhos. Ele voltou para nós invisivelmente em “o Espírito”.

Lemos: “Ora, o Senhor é o Espírito” (2 Co 3:17). Quem é o Senhor? Obviamente é Jesus. Como pode ser isso? O Senhor, que é Jesus, é realmente o Espírito? Certamente que sim. Esse é o ensinamento claro das Escrituras. O Espírito Santo e Jesus não são seres separados. Jesus e o Espírito são um da mesma forma que Jesus é um com o Pai (Jo 10:30).

O fato é que o “Espírito de Deus” é o mesmo “Espírito de Jesus Cristo”. Paulo ilustra isso quando ele se refere ao Espírito Santo como “... o Espírito de Jesus” (Fl 1:19). É claro que existe apenas um único Espírito, não dois. Lemos: “Há somente um corpo e um Espírito...” (Ef 4:4). Não pode haver algo tal como um Espírito Santo separado e distinto do Espírito de Jesus Cristo, como se existissem dois “Espíritos” diferentes.

Portanto, quando conhecemos e interagimos com o Espírito Santo, estamos ao mesmo tempo conhecendo e interagindo com Jesus Cristo. Ele está conosco – exatamente aqui e agora, em e através do Espírito Santo. Eles são absolutamente inseparáveis. “Ora o Senhor é o Espírito” (2 Co 3:17).

Tudo isso é para dizer que ainda precisamos continuar seguindo a pessoa de Jesus Cristo hoje, exatamente como fizeram os primeiros discípulos. Ele não está ausente. Não estamos limitados a seguir meramente obedecendo instruções encontradas em um livro, por mais importante que esse livro possa ser. Jesus está presente conosco aqui, agora e para sempre. Ele disse: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28:20). Ele está “conosco” hoje. Consequentemente, devemos conhecê-Lo e segui-Lo pessoalmente.

Depois da Sua morte e ressurreição, Jesus fez algo muito incomum para ensinar essa verdade aos Seus discípulos. Ele frequentemente aparecia e desaparecia. Quando Ele aparecia, sabia o que eles tinham dito e feito em Sua “ausência”. Por que Ele fez isso? Qual era a Sua mensagem? Ele estava mostrando a eles, clara e inconfundivelmente que Ele estivera sempre com eles. Se estivera visivelmente ou invisivelmente presente, o fato é que Ele sempre estivera lá.

Jesus estava ensinando-os a depender da Sua presença invisível e a não ficarem presos querendo sempre um aparecimento físico. Ele os estava instruindo que eles podiam conhecê-Lo e segui-Lo exatamente como eles sempre fizeram quando Ele estava visível, mesmo que agora não pudessem vê-Lo.

Quando Jesus andou na terra, estava num pequeno país, em um determinado local, em um espaço de tempo limitado. O número dos Seus discípulos era pequeno. Portanto, Sua presença física era suficiente. Mas hoje, este número de discípulos cresceu. Existem milhões, se não bilhões, de crentes no mundo hoje. Nosso Senhor não pode estar fisicamente presente com cada um deles, pois isto requereria que Ele tivesse milhões de corpos. Assim, Sua presença invisível através do Espírito Santo está sempre com cada um de nós.



ENGANADO POR REVELAÇÃO




Revelação bíblica é algo bom. Assumindo que o que tem sido revelado vem de Deus e, portanto é bíblico, revelação é de grande valor. Tal revelação nos dá direção. Ela nos ajuda a entender Deus e Seus propósitos. Ajuda-nos porque mostra nosso caminho espiritual adiante de nós e como podemos nos tornar mais parecidos com Jesus.

Mesmo assim, é possível e até mesmo comum que pessoas sejam enganadas por tal revelação genuína. Como pode ser isso? Deixe-me tentar explicar dando uma ilustração. Através da janela da cozinha da minha casa no Brasil eu posso ver uma montanha muito alta. Pela graça de Deus ainda tenho uma boa visão e, então, num dia claro posso ver o contorno da montanha bem definido. Assim, apesar de ter clareza da visão, eu não estou lá. Não estou no topo daquela montanha.

Para chegar ao pico daquela montanha teria que percorrer uma grande distância, cerca de 40 a 60 quilômetros. Tenho certeza que não existe uma estrada que vai até o pico da montanha. Dessa forma, alcançar o topo exige muito trabalho.

Além disso, deve haver outros morros para subir e descer, riachos ou rios correntes para cruzar, floresta espessa para passar, um exército de mosquitos e outros insetos para se combater, serpentes venenosas, aranhas e plantas, muito suor e cansaço para suportar. Se eu fosse capaz de atingir o cume daquela montanha, após lá chegar eu seria uma pessoa com muito mais experiência e conhecimento pessoal sobre ela do que sou hoje, sentado em minha cozinha.

A mesma coisa se aplica à revelação. Nós podemos ver algumas verdades bíblicas com clareza. Elas podem ser verdades em todas as formas. Ainda assim, até que se tornem nossa experiência através de muitas provas, tempo e teste, permanecem apenas como entendimento remoto sem nenhuma aplicação real em nossas vidas.

É comum que muitos, ao ver pela primeira vez algumas dessas revelações animadoras, passem a pensar como se estivessem completamente cheios daquilo que eles viram. Eles imaginam que são aquilo que viram, só porque vislumbraram algo.

Como um exemplo, deixe-me compartilhar com você uma experiência que tive quando era um jovem crente. Estava num encontro com um grupo que tinha recentemente recebido alguns ensinamentos sobre “os vencedores” no livro do Apocalipse. Muito do ensino estava baseado nas promessas de Jesus aos que, nas sete igrejas, quiseram ouvir Sua palavra e venceram. Essa foi uma revelação animadora e cativante.

Logo, porém, nós vimos a nós mesmos como vencedores. Assim que compreendemos algumas coisas sobre o que isso significa, começamos a imaginar que éramos o que tínhamos visto. Nós nos alegramos na revelação, pensando que desde que a tínhamos compreendido, estávamos nela. Pensamos acerca de nós mesmos como “vencedores”. Secretamente passamos a olhar para aqueles que não tinham essa revelação e dessa forma, obviamente, não eram vencedores como nós. Numa retrospectiva, é claro que estávamos enganados.

Queridos amigos, através dos anos uma coisa tem se tornado muito clara: ver não é a mesma coisa que ser e, compreender não é a mesma coisa que viver a realidade daquilo que temos percebido. Isso requer tempo e experiência com Deus para aplicar em nossas vidas o que Ele tem nos mostrado. Devemos buscar a Deus, pedindo que Ele faça com o que vimos seja parte integral e genuína de nossas vidas.

Por exemplo, seria possível para alguns se tornarem especialistas na montanha já mencionada sem nunca ter subido nela. Eles poderiam pesquisar no “Google”. Poderiam comprar mapas topográficos e aprender sobre o terreno. Poderiam descobrir tudo sobre o clima, as temperaturas máxima e mínima registradas nas quatro estações.

Poderiam se familiarizar com dados sobre a umidade do ar e volume das chuvas. Poderiam até mesmo encontrar alguém que tivesse analisado o solo e a geografia e aprender com essa pessoa. Poderiam estudar as várias plantas que crescem lá, incluindo as árvores, orquídeas, samambaias, cipós e etc.

Eles poderiam descobrir a respeito da vida animal na montanha, incluindo, sem dúvida, uma grande variedade de feras, pássaros e insetos. Podem, igualmente, ser capazes de achar outros que subiram lá e descobrir as melhores trilhas e possíveis problemas. A disponibilidade de água potável, a melhor época do ano para subir, o tempo necessário para subir e descer e muitos outros fatores que poderiam ser estudados e aprendidos. No final, essa pessoa poderia se tornar um “doutor” nos fatos sobre a montanha, sem nunca ter subido lá.

Essa pequena história tem uma aplicação muito real na prática do Cristianismo. Seria possível que nossa vida cristã seja muito mais guiada pelo que temos visto sobre Cristo que nossa atual experiência Nele? Será que temos sido cheios com uma imensa quantidade de conhecimento a respeito Dele, mas não gastamos muito tempo tendo uma comunhão íntima com Ele? Estamos realmente seguindo a Jesus ou somos de fato seguidores de preceitos, doutrinas, revelações e costumes que temos aprendido? Estamos satisfeitos simplesmente em ver maravilhas a respeito de Jesus ou estamos genuinamente conhecendo e seguindo a Ele?

Cristo está realmente reinando sobre nós ou estamos meramente nos conformando ao padrão esperado de um grupo ou “igreja” que frequentamos? Nosso comportamento cristão é um resultado do que temos entendido sobre Deus ou uma transformação genuína que resulta de uma intimidade com Ele?

Queridos amigos, essas são sérias e importantes considerações.



SERPENTES DE BRONZE




Muitos crentes apreciam revelação. Obviamente, revelação é importante para todos nós. Sem ela, não temos nenhum alvo. Não temos nenhuma direção nem compreendemos para onde é que estamos supostamente indo. Estamos cegos e em escuridão. Revelação é tão essencial quanto prazerosa.

É necessário que vejamos e compreendamos muitas coisas concernentes aos planos e propósitos do nosso Deus. Quanto mais Ele revela a nós, mais podemos cooperar com Ele em Sua obra. Através da revelação temos direção e objetivos divinos. Quando temos uma maior compreensão de Sua pessoa e Sua obra, podemos ser mais facilmente liderados por Ele e desperdiçar menos tempo fazendo coisas que não satisfazem ao Seu coração.

Embora tudo isso seja verdade, revelação também pode transformar-se em um tipo de armadilha. Pode transformar-se em um ídolo. Pode transformar-se facilmente num substituto de um relacionamento com Jesus. Inacreditavelmente, a revelação sobre Jesus pode sutilmente tomar o lugar da intimidade com Ele. Esse é um tipo de engano que também é extremamente comum na igreja hoje.

É fácil hoje encontrar indivíduos e até mesmo grupos de cristãos que têm muita revelação. Eles leram bastantes livros, alguns deles escritos por Watchman Nee, A. W. Tozer, Andrew Murray, Charles Finney, T. Austin-Sparks etc. Através da literatura e do ensino têm passado a compreender muitas verdades espirituais importantes.

O nível de compreensão deles com relação a muitos mistérios bíblicos é, em alguns casos, surpreendente. No entanto, para um número muito elevado, seu viver diário não reflete a natureza de Cristo. Como pode ser isso?

Um primeiro problema é que, frequentemente, essas revelações são coisas recebidas de segunda mão. Esses crentes têm entendido o que os outros viram. Mas essas coisas ainda não têm se tornado reais em suas experiências pessoais. Deus ainda não trabalhou estas coisas em suas vidas de forma que essas revelações tenham de fato se tornado uma realidade pessoal para eles.

Essa revelação de segunda ou mesmo de terceira mão pode facilmente fazer com que as pessoas que a recebem se tornem orgulhosas. Tornam-se inchadas porque têm entendido certas verdades. Não é raro que tais crentes nunca aplicam realmente aquilo que sabem neles mesmos.

É natural que uma vez que vejamos e compreendamos alguma revelação, comecemos a nos alegrar naquilo que temos visto. Talvez encontremos outros que também passaram a conhecer as mesmas coisas, ou tenham recebido essas revelações de nossa parte. Mas aqui também está um perigo.

Se não tomarmos cuidado, brevemente nossos encontros e nossa comunhão com esses irmãos tornar-se-ão centrados em torno de certos conhecimentos. A revelação se torna nosso foco. A esfera dos nossos encontros e comunhão se tornará dedicada à repetição e/ou propagação de certas verdades.

Em muitos casos, o coração do crente torna-se cativo destas revelações. Começam a procurar conhecer, com muito mais clareza, as coisas profundas de Deus. Quando abrem a Bíblia, é a revelação que estão buscando. Estão sempre comprando novos livros que possam conter novos pontos de vista sobre as Escrituras. Ainda assim, com tudo isso, é possível que não estejam, verdadeiramente, sendo transformados por meio de mais intimidade com Jesus Cristo.

Como você vê, revelação também pode transformar-se em um deus. Pode transformar-se em um ídolo na sua vida. É algo que pode atrair e capturar seu coração, no lugar de uma intimidade com Jesus. É algo muito sutil. Assumindo que essas revelações sejam bíblicas e verdadeiras, em muitas vezes é difícil ver como somos induzidos ao erro, por elas, ou mesmo as usamos equivocadamente. No entanto, essa é uma doença em muitos grupos de crentes.

A serpente de bronze que Moisés fez no deserto foi ordenada por Deus (Nm 21:8,9). Foi o Senhor quem o instruiu a construí-la. Posteriormente, ela foi usada por Deus para milagrosamente curar milhares. No entanto, com o passar do tempo, ela se tornou um ídolo. As pessoas começaram a adorá-la em vez de adorar ao Senhor. Então, quando Ezequias se tornou rei e liderou uma espécie de reavivamento ou retorno para o Senhor, quebrou a serpente de bronze em pedaços e a destruiu (2 Rs 8:4).

Da mesma forma, hoje muitos indivíduos ou mesmo grupos de crentes estão se encontrando em torno de algum tipo de entendimento bíblico e não de uma Pessoa. A unidade deles é baseada em alguma revelação ou outra coisa que não o Senhor.

Quantos, por exemplo, reúnem-se em torno de alguma forma especial de participar da “mesa do Senhor”, de alguma prática ou ideia sobre como reunir ou de certo número de doutrinas, padrões ou “revelações”? Pode ser que seja o batismo com o Espírito Santo, cura, o sábado ou profecia a respeito do fim dos tempos. Pode ser que seja algo ligado ao nome da igreja ou da falta de nome. A lista é sem fim.

Infelizmente, não é difícil achar grupos que gastem seu tempo juntos simplesmente repetindo a mesma série de revelações um para o outro, regozijando-se no fato de que eles são uns dos poucos que têm esse profundo entendimento.

Não obstante, em muitos casos, a vida diária desses crentes não reflete o caráter do Criador. A transformação deles não acompanhou a revelação que têm. Ainda estão cegos para essa necessidade, ao entenderam tantas coisas. Eles pensam que têm mais revelação que muitos outros cristãos. Eles são os mais corretos. Eles pensam que são um tipo de elite. Pensam, com certeza absoluta, que Deus tem prazer neles por causa destas importantíssimas coisas que eles entendem e praticam. Então, continuam se alegrando em reuniões ao redor de suas revelações e práticas e até mesmo adorando tais coisas, enquanto o próprio Jesus é posto de lado.

Como um exemplo disso, gostaria de compartilhar a história de um amigo. Ele e sua família deixaram os Estados Unidos para serem missionários na África do Sul. Ele era um irmão com muita revelação e entendia um bocado daquilo que muitos chamavam de ensinamentos sobre “a vida profunda”. Então, enquanto estava lá na África do Sul, ele naturalmente procurava comunhão com outros que tinham um entendimento similar da Bíblia.

Mas, quando retornou para os Estados Unidos, ele estava completamente desiludido. Ele havia passado por um tipo de crise na sua fé, com muitos questionamentos acerca do que ele mesmo cria. Por que isso aconteceu? Porque seu relacionamento com outras pessoas que tinham a mesma revelação foi uma frustração, um fracasso. A despeito de todo entendimento que tinham, eles não refletiam a natureza de Cristo.

Uma mulher destacava-se em particular aos olhos dele. Ela estava sempre falando daqueles maravilhosas “coisas profundas”. Foi uma das maiores defensoras dos autores que nós já mencionamos. Seu foco era essa fantástica revelação. Ainda assim, sua vida era um campo de batalha.

Seu casamento ia mal. Ela não estava vivendo as coisas que tinha visto, mas estava cega desse fato devido à “grandeza” daquilo que ela tinha entendido. Sua vida era uma espécie de mentira que tivera um grande impacto sobre esse querido irmão. Em vez de transmitir Cristo a ele, ela realmente tinha minado a fé dele com o seu testemunho.

Paulo, o apóstolo, escreve significativamente: “...se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber” (1 Co 8:2). O verdadeiro “saber” deve ser conhecer a pessoa de Cristo que nos dá o conhecimento real e não meramente entender algumas verdades bíblicas.



VER MUITO, FAZER POUCO




Uma coisa tem me impressionado muito ao observar a igreja de hoje. Existe um fato que é muito perturbador. Parece que os grupos que têm maior revelação, fazem menos. Eles têm muito entendimento, mas o mundo ao redor deles é pouco impactado.

Em vez de serem motivados por essas grandes verdades, e então irem e ministrarem Jesus às multidões, parece que o foco é em si mesmo e em suas revelações. Seus grupos tornam-se uma espécie de unha encravada curvando-se sobre si mesma.

Logo começam a pensar que eles são uma classe de remanescentes. Imaginam que são especialmente escolhidos por Deus por praticarem algumas coisas ou crerem em algum ensino especial. Assim, eles fazem um tipo de cerca ao redor daquilo que eles são ou creem e passam a tentar proteger suas crenças e práticas do erro. Imaginam que são uma espécie de guardiões de toda uma série de verdades especiais que lhes foi confiada. Essas verdades tornam-se o foco de suas vidas. Esse é um engano comum e muito profundo.

Aqueles que não concordam com o entendimento deles são sutilmente excluídos. Os leigos são vistos com desaprovação, desconfiança e até mesmo, medo. Esses crentes começam a olhar para dentro de si mesmos em vez de olhar para fora. O foco torna-se suas revelações e práticas.

Em vez de pregar Jesus, eles andam em círculo, tentando convencer os outros, especialmente outros cristãos, acerca de como são corretos seus caminhos, revelações e doutrinas. Deste modo, acabam por se tornar infrutíferos num caminho espiritual verdadeiro. Essa é uma condição muito triste.

As revelações que recebemos não precisam de proteção. Não necessitamos guardá-las de impureza. Deus nos deu essas coisas para espalhar, para ministrar ao corpo Dele. É um grande engano tentar fazer um grupo em torno delas. Em vez disso, devemos servir os outros sem nenhuma preocupação com os resultados. Deus está no controle.



OUTRO ENGANO COMUM




Lemos em Tiago 1:22: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (VRA).

Quando Deus fez você e em seguida chamou-o das trevas para a Sua luz, Ele fez isso com um plano específico em mente. Ele criou cada indivíduo com a intenção de que cada um realizasse certas coisas para Ele enquanto estivesse nesta terra. A Bíblia diz que nós fomos “...criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). Deus não nos chamou para sermos “...nem inativos, nem infrutíferos” (2 Pe 1:8).

Há um trabalho para cada um realizar. Há um ministério dentro do Corpo de Cristo para cada um executar. A obra cristã não é somente a responsabilidade de alguns clérigos especiais ou de alguns poucos escolhidos. Não existe nenhuma sala para espectadores no meio do povo de Deus.

Todos os crentes têm a incumbência de descobrir a tarefa de Deus para suas vidas e então, através da Sua graça e poder, trabalhar para realizá-la. Sua vontade é que possamos produzir muitos frutos – frutos que permaneçam (Jo 15:16).

Naturalmente, Jesus não está pedindo que façamos algo com nossa própria força. Fazer apenas algum tipo de trabalho na recepção, ser parte do grupo de adoração ou comprometer-se com algum tipo de ministério cristão pode não preencher o desejo de Deus. É possível ser muito ativo, fazer muitas “coisas”, e ainda assim não estar alinhado com o padrão de Deus.



INICIADAS PELO SENHOR




No dia do julgamento, quando estivermos diante do Seu trono, todas as nossas obras serão provadas pelo fogo. Somente alguns tipos de obras vão suportar esse teste. E são aquelas que foram iniciadas pelo próprio Senhor. Não são as coisas que fizemos “para Deus”, mas aquelas coisas que Jesus Cristo fez através de nós. Desde que nos tornamos cristãos temos o Espírito do Deus vivo dentro de nós. É totalmente possível e até mesmo essencial, deixar que Ele se torne a fonte de tudo que fazemos.

Quando crescermos nessa experiência, nossas vidas tornar-se-ão mais frutíferas. Nós seremos, então, os canais através dos quais Jesus estará realizando Seu propósito no mundo. São essas obras que serão aprovadas quando estivermos diante Dele. Essas são as atividades que foram verdadeiramente “feitas em Deus” (Jo 3:21).

O que Deus está requerendo de você e de mim é uma vida que seja liderada pelo Seu Espírito. Uma vida de obediência à Sua vontade. Uma vida voltada para alcançar e servir aos outros no nome de Jesus, repartindo o que Deus tem derramado em nós.

Jesus Cristo foi nosso exemplo supremo. Ele era sempre liderado pelo Espírito. Estava continuamente realizando as obras de Deus (Jo 10:31). Diariamente fazia o que via o Pai fazer (Jo 15:19).

Jesus não vivia para Si mesmo. Nenhum minuto da Sua vida foi gasto em atividades para Seu próprio serviço. Toda Sua existência estava focada em um único objetivo – fazer a vontade do Pai. Se quisermos ser verdadeiros cristãos, sendo agradáveis ao nosso Deus, essa também deve ser a nossa experiência.

O estilo de vida que estou defendendo aqui pode ser completamente diferente da vida que você está vivendo agora. Você pode estar percebendo que a descrição anterior é muito diferente da vida que você leva agora. Se essa é a sua situação, a solução é o arrependimento.

Você deve humilhar-se diante de Deus e admitir que você tem permitido ser enganado. Deve confessar seus pecados de desobediência e apresentar-se a Deus novamente, dizendo a Ele que você é agora completamente Dele e que está disposto a segui-Lo em qualquer lugar.

Depois que você tomar essa posição, certamente começará a experimentar Deus em um novo e emocionante caminho. Ele está procurando continuamente por homens e mulheres que farão Sua vontade e quando Ele achar seu coração genuinamente aberto, Ele Se derramará em você.

Então você estará habilitado para realizar as obras de Deus nesta terra. A partir disso, você começará a experimentar o Cristianismo genuíno do Novo Testamento.



DESPERTA, DESPERTA




Deus está falando para o Seu povo. “Desperta, tu que dormes, levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará” (Ef 5:14). O tipo de vida que lemos na Bíblia e também em muitas biografias cristãs, são vidas que foram totalmente entregues a Jesus. Eram vidas cujas prioridades eram Deus.

Agora, para chegar a esse ponto, pode requerer uma maior reestruturação das suas prioridades. Possivelmente signifique uma mudança de ocupação, emprego ou situação de vida. Sem dúvida, requererá abandonar muitos prazeres centrados na satisfação própria que enchem sua vida agora.

Pode ser que você necessite deixar a segurança do seu país, de sua família e dos seus amigos. Pode, além disso, significar ter que enfrentar perigos que nunca sonhou ou que secretamente, em seu coração, tem temor. Mas, se sua fé é genuína e não simplesmente uma ilusão mental, então requer ação.

Não posso falar o que Deus pode requerer que você faça. Somente Ele pode revelar isso a você. Simplesmente estou dizendo: se você não está fazendo nada, então não está andando em fé e comunhão com Deus. Ele o está chamando hoje ao arrependimento e esse arrependimento vai, sem dúvida, envolver alguma mudança radical em sua vida.

Quero deixar claro que estou falando de uma vida de serviço e não de uma vida de sucesso. O tipo de vida que Deus requer de você e de mim não é algo fácil. Não é feita de luxo, poder terreno e gratificação, como muitos pregadores atuais gostariam que crêssemos.

Em vez disso, é uma vida de abnegação, sacrifício e dificuldade. Nós estamos descrevendo aqui uma vida que é derramada sobre o Corpo de Jesus Cristo – uma espécie de oferta espiritual ao Pai (Fp 2:7).

Não obstante, tal existência é também altamente satisfatória. Nada neste mundo pode preencher seu vazio interior como Deus. Quando você entregar sua vida a Ele e encher seus momentos com Seu serviço, Ele, por Sua vez, encherá você Dele mesmo. O desejo de Jesus é expressar-Se ao mundo. E, quando Ele encontra o seu coração aberto e pronto, Ele Se entregará a você sem qualquer reserva.

Você deseja esse tipo de experiência? Isso soa harmonicamente no seu coração? Você deseja viver dessa forma? Caso deseje, por favor, saiba que isso é inteiramente possível. Deus é hoje o mesmo que Ele sempre foi. Ele pode fazer coisas em você e através de você que você nunca sonhou ser possível.

Você está enganado? Somente você e Deus podem saber. Como seu amigo e irmão, eu o advirto que é especialmente fácil ser induzido por um espírito de sedução nestes dias e ser embalado por um sono de um Cristianismo fácil.

O Novo Testamento dá-nos abundantes exemplos de homens e mulheres que se levantaram para seguir a Jesus. Eram pessoas que sacrificaram tudo por amor a Seu nome. Eram praticantes da palavra. São aqueles que agradaram a Deus. Eram o tipo de pessoas que Deus nos ordena ser.






12.



O VERDADEIRO MINISTÉRIO






Alguns cristãos, depois de receber o Senhor, têm um crescente interesse em se tornar envolvidos no ministério. Eles receberam dons do Espírito Santo. Eles conheceram o Deus do Universo e estão entusiasmados em servi-Lo, em influenciar outros, e em impactar o mundo em volta deles. Eles têm zelo pela obra de Deus e estão ansiosos em avançar Seu reino.

Isto é uma boa coisa. Seria muito encorajador se todos aqueles que recebessem Jesus tivessem este desejo de servir e agradar a Deus. Seria bom ver muitos com o mesmo compromisso.

Infelizmente, em muitos casos, estes indivíduos bem intencionados não chegam ao resultado final desejado. É muito comum vê-los sair por diversas tangentes e errar o alvo do verdadeiro significado do ministério. O triste resultado disto é que eles não se tornam realmente eficazes em sua obra.

Seus esforços são frequentemente cheios de energia, mas não verdadeiramente poderosos e não produzem muito fruto duradouro. Muitos, então, se tornam desencorajados e não continuam a servir ao Senhor numa plenitude ainda maior.

Muitos começam suas jornadas, em direção ao que eles acham ser “ministério”, estudando, indo para um seminário ou uma escola bíblica. Outros participam de vários tipos de experiências de “treinamentos” com diversos tipos de grupos. Esses podem incluir coisas tais como treinamento em evangelismo, teatro, mímica, uso de fantoches, dança e música.

Tendo um conhecimento das Escrituras e participando em tentativas de propagar o Evangelho, é indubitavelmente uma coisa positiva. Estas são experiências nas quais Deus pode usar nas vidas destes indivíduos enquanto eles caminham com Deus.

Mas uma concepção errônea aqui pode ocorrer. O verdadeiro ministério não é meramente compartilhar informações com outros a respeito de coisas na qual estudamos. O genuíno ministério não é apenas se envolver em atividades tais como evangelismo ou implantação de igrejas. O verdadeiro sacerdócio é a transmissão a outros do que nós temos experimentado de Jesus. É o que realmente conhecemos de Jesus pessoalmente. O resultado é Deus sendo revelado em e através de Seus servos. É ministrar a própria pessoa do Senhor a outros.

Uma das palavras gregas no Novo Testamento, que é traduzida por “ministro” é DIAKONOS que literalmente significa “despenseiro”. Verdadeiros ministros são “despenseiros” de Cristo, derramando nos outros aquilo que Deus os encheu. Podemos pensar assim como sendo “despenseiros”de Jesus.

Assim como uma torneira libera água quando você abre a válvula, assim também deveríamos ser, tão cheios de Jesus que quando as pessoas estiverem abertas para ouvir, elas também poderiam receber algo Dele através de nós.

O verdadeiro ministério não é apenas passar informação sobre Jesus. Para que qualquer ministério seja poderoso e genuíno, as coisas que nós ministramos devem primeiro tornar-se reais em nossas vidas. Nós devemos, primeiro, experimentá-las, termos como nossas próprias experiências. É aí então, e apenas aí, que nós podemos ministrar a outros de uma forma efetiva.

Por exemplo, muitos pregarão que “Jesus salva”. Mas são estes realmente salvos? São estes realmente transformados? O caráter destes está sendo fundamentalmente alterado? Estão libertos de seus pecados? Suas experiências de vida diária estão expressando a pureza e a santidade de Deus? Está o caráter de Jesus, incluindo paciência, sofrimento sem reclamações e amor, sendo visto neles?

Se não, então esta frase “Jesus salva” torna-se apenas um slogan vazio. Assim, é impotente ajudar outro alguém. Se não está funcionando para a pessoa que está pregando, quanto menos ajudará àqueles que estão ouvindo.

Veja bem, você não pode passar para outro aquilo que você não tem. Você não pode “ministrar” verdades as quais não são reais para você. Por exemplo: o fato de que “Jesus salva” é verdadeiro em um sentido eterno; é uma realidade que não muda. Porém, a menos que, e até que, nós mesmos tenhamos experimentado esta verdade eterna, até que isto tem mudado nossas vidas, nós somos impotentes para ministrar essa verdade efetivamente para outros.

Muitos hoje estão satisfeitos com o conhecimento. Eles estudaram e aprenderam, leram livros e ouviram ensinamentos e pregações. Através disto, acumularam um entendimento mental de muitas verdades bíblicas. Uma vez tendo entendido estas verdades, eles imaginam que assim estão qualificados a “ministrá-las a outros”.

Ministrando verdades que são apenas teorias na vida daqueles que as ministram, enchem a igreja dos nossos dias com um palpável sentido de irrealidade. Aqueles que ouvem estas mensagens não esperam que suas vidas mudem.

Uma vez que é óbvio para um observador cuidadoso que muitos pregadores não estão experimentando as coisas que afirmam, os ouvintes também perdem confiança que essas verdades podem ser reais em suas vidas.

Logo, o Cristianismo torna-se, para muitos frequentadores de igreja, até certo ponto, como que uma vaga experiência “espiritual”. Torna-se como um castelo no ar que vai receber algum dia quando você morre, tipo nos contos de fadas.

Muitos frequentam a igreja para ouvir a pregação e ensino, já esperando ouvir coisas que tem tido pouco, ou nenhum efeito nos pregadores e também não esperam mudar suas próprias vidas. Isto produz crentes que tem uma forma de piedade, mas não tem o poder de Deus operando em suas vidas (2 Tm 3:5). Então essa forma vazia se torna um tipo de engano dos participantes.

Uma consequência infeliz desta falta de realidade na igreja é que muitas outras coisas igualmente irreais também encontram espaço para infiltrar. Muitas outras falsas ideias e até mesmo doutrinas e práticas erradas são propagadas por meio de diferentes congregações enquanto muitos poucos percebem a irrealidade delas.

Mas isto é lógico. Se o Evangelho não é muito real para eles, então outras coisas igualmente irreais podem facilmente ser aceitas também como verdadeiras.

Para muitos, a “igreja” é um lugar onde você vai para ouvir coisas que são meio místicas com pouco impacto em suas vidas. É um lugar de ouvir muitas verdades que quase ninguém experimenta por si mesmo.



A FONTE DO VERDADEIRO MINISTÉRIO




A fim de efetivamente ministrar Jesus Cristo, devemos nos tornar íntimos Dele. Devemos ter passado tempo em Sua presença. Devemos ter caminhado com Ele por meio de muitas experiências de vida. Nossa fé deve ter sido testada e provada. Nossa fidelidade e obediência também necessitará ser provada ao longo do tempo e através de muitas circunstâncias difíceis. Nós devemos ter conhecido Deus pessoalmente e intimamente.

Não é suficiente ter simplesmente aprendido a respeito Dele por meio de instruções, ensinamentos ou treinamentos. Nosso entendimento Dele não pode ser de segunda mão, mas deve ser genuíno e pessoal.

Tal experiência não é algo que acontece da noite para o dia. Nem é barato e fácil. Aqueles que são verdadeiramente íntimos de Deus e, portanto, tem algo que vale a pena ministrar, são aqueles que têm passado bastante tempo na Sua presença. Estes são aqueles que passaram pelo fogo de muitas provas. São servos que têm sido encontrados como fiéis pelos testes e adversidades.

Talvez nós pudéssemos tomar Moisés como um exemplo aqui. Aos 40 anos de idade, ele foi convencido que Deus tinha lhe chamado e escolhido para libertar o povo de Israel.

Lemos: “Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam” (At 7:25). É óbvio que, uma vez que ele esperava que seus “irmãos” entendessem isto, ele mesmo também sabia disto. E ele estava certo. Ele era o homem chamado por Deus para fazer um poderoso trabalho de libertação.

Então, estando confiante de seu chamado e vendo uma oportunidade, ele começou seu trabalho para Deus. Prosseguiu em matar um egípcio e então fugiu para o deserto. Isto foi tudo que ele conseguiu. Sua própria inteligência, preparação, determinação e até mesmo seu divino chamado o levou a esse fiasco.

Moisés foi um dos poucos homens a ser usado por Deus de tal forma dramática e poderosa como foi usado em sua vida mais tarde. Mas um ministério como esse precisava mais que disposição, que um entendimento de seu chamado e preparação humana nas cortes de faraó. Ele também precisava ser moldado nas mãos de Deus. Esta preparação durou mais 40 anos.

No final desse tempo, a autoconfiança de Moisés havia desaparecido. Sua energia natural e zelo para “cumprir seu chamado” tinham evaporado há tempos. Ele não estava mais ansiosamente esperando por sua chance de brilhar enquanto ele sozinho libertasse o povo de Deus do cativeiro.

Ele já não era mais um jovem cheio de ambição e força natural. Lemos: “Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12:3).

Foi depois deste tratamento e preparação por Deus que Moisés estava pronto para trabalhar junto com Deus para cumprir Seus planos. Ele tinha se tornado extremamente humilde e dócil. Ele tinha sido moldado pela mão de Deus.

Paulo, o apóstolo, foi outro que era poderosamente usado por Deus. Ele também necessitou de divina preparação. Naturalmente, Paulo era uma pessoa energética, inteligente e capaz. Ele tinha um forte, e carnal, zelo religioso por Deus no qual o levou a se opor ao que o Senhor estava realmente fazendo. Ele tinha certas vantagens de nascimento e posição. Então, antes que Deus pudesse realmente usá-lo, estas coisas tinham que ser tratadas. Precisavam ser quebradas e eliminadas.

Logo que ele se converteu, foi imediatamente para as sinagogas e o templo, disputando com os líderes religiosos. Seu zelo e energia naturais tinham sido transferidos para seu Cristianismo.

Ainda assim, isto não foi suficiente. Isto foi meramente Paulo trabalhando para Deus e não Deus operando por meio dele. O Senhor queria muito mais do que ganhar debates de líderes religiosos. Ele desejava expressar Sua própria vida e natureza por meio deste vaso.

Então, pouco tempo depois de sua conversão, Paulo passou alguns anos no deserto. Lá, ele passou um tempo na presença de Deus. Foi durante este período que o Senhor o mudou.

Quando o tratamento de Deus terminou, Paulo não estava mais disputando e arguindo. Ele estava ministrando a pessoa de Cristo. Sua confiança em sua força natural, inteligência e habilidades havia sido quebrada. Ele declara: “... quando sou fraco, aí então é que sou forte” (2 Cor 12:10). Ele também experimentou o que Jesus antes tinha dito para ele: “... Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9).

Sem dúvida, isso tem a ver com a mudança do nome dele de Saulo para Paulo. É provável que ele ganhou o nome Saulo em homenagem do rei Saul no Velho Testamento, o mais alto, mais impressionante de todos na época dele. (Saulo é o mesmo nome em grego que Saul em hebraico.) Mas, com o passar de tempo o nome dele mudou para Paulo, que significa o pequenininho ou o humilde.

Veja, há uma grande diferença em fazermos coisas para Deus e Deus fazê-las por meio de nós. A primeira é um esforço humano religioso, no qual não é muito efetivo em mudanças de vidas. A segunda é uma manifestação da Pessoa de Jesus Cristo. Isto é a substância de um ministério genuíno. A menos e até que cheguemos ao ponto de sermos preparados a ministrar a pessoa de Jesus Cristo a outros, nós teremos pouco impacto real neste mundo perecendo em volta de nós.



ORGULHO E AMBIÇÃO




Agora nós viemos ao lugar onde muitos homens (e mulheres) de Deus caem. Esta é uma das maneiras mais comuns que eles se desviam da obra e vontade de Deus e tomam a sua própria direção. Funciona assim: quando Deus começa a usá-los, quando seu ministério começa a florescer e impactar outros, quando mais e mais pessoas começam a olhar para eles em busca de bênçãos e direção, eles se tornam orgulhosos.

É muito fácil quando o Deus do Universo começa a usar você de alguma forma ou outra permitir pensamentos sorrateiros em sua cabeça. Estes pensamentos podem ser algo como: “Deus está me usando. Eu sou um instrumento especialmente escolhido por Ele. Eu tenho dons que parecem serem superiores aos outros.” Não é raro para estes e muitos outros pensamentos parecidos saltarem em nossas mentes.

Mas o orgulho, quando germina no coração humano, traz um fim ao genuíno ministério. Contamina o que Deus está fazendo. Polui as coisas puras que Deus está dando para aquela pessoa de modo que, quando fluir através dele, não é mais justo. Foi manchado pelo carnal ego humano.

Quão fácil é, quando a unção do Espírito Santo está sobre você, para você mesmo pegar carona. Quão comum é, quando Deus está fluindo através de você, para a carne entrar no que está acontecendo e tomar um pouco da glória. Quão natural é em vez de glorificar apenas Deus, aproveitar a oportunidade de deixar os outros verem quão ótimo você é também e o quanto Deus está lhe usando.

Vamos tomar como exemplo um pregador. Vamos imaginar que o Senhor deu a este irmão uma mensagem especial. Quando ele prega, a unção vem sobre ele e ele sente um fluir especial do poder divino.

Logo, ele permite ser arrebatado neste fluir. Ele começa a entrar no jogo. Ele pega a onda. Ele permite seus próprios sentimentos se expressarem. Talvez ele se mova diferentemente no púlpito fazendo gestos especiais. Talvez ele modifique sua voz, corra em volta, faça gestos especais ou grite. Ele começa a deixar suas emoções apreciarem o que tem sido dado, não para ele mesmo curtir, mas para os outros.

Logo, ele se torna um ator no seu teatro pessoal de “ministério”, apreciando a atenção, ibope e fama. Ele usa o poder de Deus, que foi dado para servir a outros, para satisfazer seu desejo por reconhecimento e honra entre os homens. O orgulho entrou e contaminou a obra de Deus.

Este mesmo erro é frequentemente experimentado por aqueles que conduzem a adoração. Quando a presença de Deus é manifestada de uma forma poderosa, eles começam a se aquecer nessa atmosfera. Em vez de “retirar-se” e deixar Deus somente ser glorificado, eles começam a tomar o centro do palco e absorver alguma glória para eles mesmos.

Dentro desta conformidade talvez devemos perguntar por que é que quase todos aqueles que lideram na adoração, sempre estão na frente onde as pessoas podem vê-los? Não poderiam simplesmente atuar tão bem nos bastidores onde não chamariam a atenção para eles mesmos?

Não há dúvidas que existe, mesmo no mundo secular, um tipo de prazer emocional – uma sensação especial de poder e animação – que as pessoas sentem quando detêm influência sobre uma grande audiência. Músicos e atores são familiarizados com estas sensações.

Não há nada como o “rush” que você pode sentir quando toda a plateia está movendo com seu ritmo (mensagem, dom etc.). Eles estão olhando para você! Eles estão hipnotizados e cativados pelo que você está fazendo. Uau! Você não é alguma coisa?! O sentimento de poder é assustador.

Mas, queridos irmãos e irmãs, isto é carnal! Isto é humano. Não é do céu. Pelo contrário, é daqui debaixo. Este tipo de coisas alimenta o fogo do orgulho humano. Traz glória a pessoa e não a Deus. É o abismo que muitos homens e mulheres de Deus caem quando Ele começa a usá-los com a intenção de glorificar Si mesmo.

O orgulho nos aliena de Deus. Lemos que “Deus resiste ao soberbo” (1 Pe 5:5). No grego a palavra é ainda mais forte.

“Deus se veste para guerrear contra os soberbos.” À medida que nosso ego aumenta, Ele Se afasta. Ele começa a Se distanciar de nós. Lemos: “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração” (Pv 16:5). Também nos foi dito que: “Olhar altivo e coração orgulhoso ...são pecado” (Pv 21:4).

Talvez você se lembre do primeiro na história que começou a usar os dons e a unção de Deus para se glorificar. Este indivíduo tinha sido escolhido e levantado por Deus para fazer Sua obra. Ele recebeu poder e dons. A ele tinha sido dada espantosa habilidade para fazer a obra. Também foi dada a ele uma beleza e personalidade muito atraentes.

Mas com o passar do tempo, ele começou a apreciar os outros lhe notando. Ele passou a gostar de ser o centro da atenção. Ele logo se sentiu bem sendo elogiado e admirado e de ter outros o admirando e até mesmo o adorando.

Seu orgulho germinou e começou a crescer. Logo, ele passou a usar essas coisas que Deus tinha lhe dado para atrair a atenção a si mesmo e juntar um grande número de seguidores atrás de si. O nome deste indivíduo é Satanás. Você está seguindo os seus passos?



O EXEMPLO DE JESUS




Quando Jesus caminhou na terra, Ele nos deixou um exemplo completamente diferente. Ele caminhou em humildade. Ele nunca desejou fama pessoal ou reconhecimento. De fato, parece que Ele fez tudo às avessas do ponto de vista humano.

Por exemplo, quando Ele curava as pessoas, Ele rigorosamente os instruía a permanecerem caladas a respeito disso. Ele não queria que ninguém soubesse. Depois de purificar a lepra nós lemos que: “Ordenou-lhe Jesus que a ninguém o dissesse, ‘Mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela sua purificação segundo o que Moisés determinou’” (Lc 5:14).

Isto é apenas um exemplo, entre tantas outras experiências, que Jesus insistia àqueles que experimentassem milagres a não contarem para ninguém. Ainda assim Jesus era o Filho de Deus. Ele era o Salvador do mundo. Como é que Ele não desejava ser conhecido e Se tornar famoso? Isto não deveria ser exatamente o que Ele precisava buscar? Ele não precisava expandir Seu ministério e alcançar tantas pessoas possíveis?

Tais atitudes não tinham lugar no coração ou obra de Jesus. Ele não desejava ser conhecido. Ele não fez nada para promover Sua própria fama, expandir Seu ministério ou ganhar reconhecimento.

Uma vez seus irmãos O confrontaram a respeito disso dizendo: “Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas manifeste-se ao mundo” (Jo 7:4).

Eles estavam precisamente corretos. Qualquer pessoa que quer fama e reconhecimento deveria agir como eles sugeriam. Eles deveriam usar cada oportunidade. Mas o que eles não imaginaram é que Jesus não estava buscando “ser conhecido em público”. Não era Seu alvo. Seu coração não ansiava por estas coisas. Ele fazia coisas secretamente exatamente por esta razão, para que nada carnal ou humano entrasse no Seu ministério.

Inacreditavelmente, Jesus não estava buscando seguidores, só aqueles que o Pai trouxesse a Ele. Ele não estava tentando impressionar ninguém. Ele não estava usando coisas milagrosas que o Pai fez através Dele para avançar Seu prestígio, promover Seu ministério ou atrair as multidões. De fato, muitas vezes Ele deliberadamente evitou a esperada multidão.

Um dos meus versos favoritos diz: “Vendo Jesus uma grande multidão ao seu redor, ordenou passar para a outra margem” (Mt 8:18). Quão diferente a tendência natural humana é!

Nós podemos esperar algo muito diferente. Vamos imaginar que o pastor Fulano de Tal, vê a grande multidão diante dele. Ele pode pensar que esta é a sua chance para “ministrar.” Há uma multidão esperando para ouvi-lo! Então ele salta para o mais próximo pedregulho, atrai a atenção da multidão e começa a pregar. Que ministério poderoso!

Este parece ser o cenário normal, mas não foi o caminho de Jesus. Ele evitou a fama. Ele recusou honra terrena. Ele claramente declarou: “Eu não aceito glória que vem do homem” (Jo 5:41). Jesus não apenas não desejou isso, como não aceitou quando essa fama viesse. Honra terrena, glória e fama não tinham nada a ver com Seu ministério. Ele evitou tais coisas porque elas eram humanas e contaminadas com o pecado do orgulho e ambição.

Sim, Jesus algumas vezes ministrou e ensinou para grandes multidões, mas Ele fez isso apenas por razões divinas. Ele frequentemente “Se compadecia das multidões” por causa de suas necessidades e condição de perdidos (Mt 9:36; 14:14). Seu ministério não tinha nada a ver com desejar fama e/ou seguidores.

Quando as multidões vieram fazê-Lo rei, Ele foi embora. Lemos: “Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-Lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6:15.) Tal honra terrena não tinha lugar em Seus planos ou no Seu coração.

Em outro tempo, Jesus estava ministrando em uma pequena vila. As pessoas lá gostavam do que ouviam. Eles estavam realmente impressionados. Então, quando o dia seguinte raiou, a multidão veio procurar por Ele querendo mais.

Mas, quando eles tentaram achar Jesus, Ele não estava mais ao redor. Então, eles saíram procurando por Ele. Quando eles finalmente O encontraram, Ele estava no deserto orando. Eles então tentaram persuadi-Lo a voltar. “Mas Ele disse: ‘Eu devo pregar o reino de Deus para as outras cidades também, porque para este propósito é que eu fui enviado’” (Lc 4:43).



VOCÊ É O CRISTO




Não há nenhuma dúvida de que Jesus fosse e é o Cristo de Deus. Pedro foi o primeiro a receber esta revelação. Uma pessoa naturalmente imaginaria que, desde que este era o núcleo, a essência de Seu ministério, Jesus queria que todos soubessem disso. Ele desejava que essa revelação fosse espalhada ao redor e no mundo todo. Ainda, em notável contraste a este pensamento natural, depois da confissão de Pedro, “...Ele advertiu aos discípulos que a ninguém dissesse ser Ele o Cristo” (Mt 16:20).

O quê? Não dizer a ninguém? Como poderia o Filho de Deus não querer que todos soubessem quem e o que Ele era? Era porque nada humano interessava a Ele. Ele não estava procurando reconhecimento. Ele estava apenas fazendo as coisas na qual Seu Pai o tinha enviado a fazer.

Se então, nosso Senhor e Mestre recusava a fama e honra terrena, onde isto nos deixa? Onde nossos corações deveriam estar? O que nós estamos realmente buscando? O que é mais importante para nós, o louvor dos homens ou o louvor de Deus? “Porque amaram mais a glória dos homens, do que a glória de Deus” (Jo 12:43).



A ESSÊNCIA DO MINISTÉRIO




Jesus não estava buscando nada para Ele mesmo. Ele não estava procurando nem por fama nem por fortuna. Ele nem mesmo estava desejando que todos gostassem Dele ou O aprovassem. Ele tinha outro motivo. Ele estava apenas fazendo o que ele viu o Pai fazer.

Jesus não estava fazendo Sua própria coisa. Ele não estava nem mesmo dizendo palavras de Seu próprio coração. Ele estava motivado em todo Seu agir por uma fonte mais alta. Lemos: “As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai que permanece em mim, faz a Sua obra” (Jo 14:10).

Aqui está o segredo de Jesus. Aqui está a fonte de todo o Seu ministério. O Pai vivia dentro Dele. Ele foi cheio até transbordar com a vida do Pai. Por isso, essa era a vida que O motivava. Esta era a fonte – a origem sobrenatural de Suas palavras, ações, sentimentos e até mesmo expressões. Jesus não estava sozinho. O Pai estava sempre com Ele e até mesmo dentro Dele. Lemos: “E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8:29).

Da mesma forma, qualquer ministério verdadeiro de nossa parte não pode ser algo que salta de nós mesmos. A fonte não pode ser nós mesmos. Pelo contrário, deve ser algo que origina da Vida de Cristo dentro de nós. Deve ser Jesus quem inicia o que é dito ou feito. Ele e somente Ele é a fonte de todo verdadeiro ministério. Ministério não é algo que fazemos para Deus. Em vez disto, são as palavras e obras que Deus faz por meio de nós.

Aqui não há lugar para o orgulho. Não há espaço para busca de si mesmo. Deus deve ser o único a ser glorificado. Na medida em que nós permitimos nosso ego e orgulho entrar no que Deus deseja fazer, na mesma medida, o poder de Deus é enfraquecido e o que é ministrado diminui.

Alguns anos atrás houve um grande reavivamento no País de Gales. Durante aquele tempo, quase todo mundo na nação foi convertido. Um homem que era poderosamente usado por Deus naquele tempo era Evan Roberts. Evan era um homem quebrado por Deus. Ele tinha se tornado dócil e humilde.

Ouvi que quando ele era chamado para pregar em uma reunião ou outra ele exercia o discernimento. Se ele sentia que a multidão estava lá para vê-lo e ouvi-lo, ele não levantava para falar. Talvez até mesmo fosse embora. Mas quando ele sabia que as pessoas estavam lá para ouvir de Deus, ele ministrava o que Deus tinha dado a ele. Evan vivia para honrar a Deus e não a ele mesmo.

Por que hoje nós vemos tão pouco ministérios genuinamente poderosos? Por que parece que as obras feitas pelos primeiros apóstolos eram mais espetaculares? Talvez seja porque hoje há muitos elementos humanos que entram sorrateiramente em nosso ministério. Muitas pessoas hoje estão usando as coisas de Deus para construir reinos pessoais, tornarem-se abastados e atrair seguidores.

Não há duvidas de que Deus dá as costas a tão desagradável obra humana. Pode ser que no início alguns homens e mulheres receberam algo de Deus. Mas, se e quando se tornam orgulhosos e começam a buscar algo para si mesmos, Deus Se retira do cenário. Eles são deixados com o que podem fazer com suas próprias energias, personalidade carismática, habilidade de oratória e encanto humano.

Alguém uma vez disse: “O verdadeiro ministério sempre é exercitado para atender uma necessidade. Mas não é a necessidade daquele ‘ministro’ para ser visto e ouvido.” Esta é a verdade. Medite nestas coisas.



TODA OBRA MÁ




Quando os homens começam a buscar e ganhar seus próprios “ministérios” eles precisam talhar um “território” para eles mesmos. Eles precisam atrair e então segregar a eles um bom número de seguidores. Quanto mais, melhor. Isto inevitavelmente os põe em competição uns com os outros para ver quem pode tornar-se o maior. Cada um precisa mais de adeptos que o outro.

Esta situação alimenta todo tipo de pecado. Logo você vê orgulho, argumentação, inveja, conflito, crítica, maledicência, ódio, etc. Lemos: “Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16). Quão frequentemente isto descreve a situação na qual a igreja se encontra hoje!

Querido irmãos e irmãs, isto não tem nada a ver com o Reino de Deus. Não é ministério genuíno. É produto da carne do homem tentando usar as coisas de Deus para glorificar e agradar essa carne. É uma manifestação de outro reino mais escuro.

O verdadeiro ministério é a expressão de Jesus Cristo. É a revelação da vida de Deus que vive dentro de nós. É motivado, não por algo egoísta ou humano, mas pelo Pai. Não é transmissão de informação, mas é antes a manifestação de Deus em Si por meio de nós.

Aqui não há lugar para nós. Nosso ego não tem espaço. Nossa própria vontade, necessidades e desejos não podem entrar. O verdadeiro ministério espiritual é uma porta muito estreita. Há apenas lugar para uma Pessoa: Jesus Cristo.

Se e quando Deus nos traz para este lugar de humilde serviço, nosso ministério se tornará mais efetivo. Deus nos confiará com mais e mais de Seu poder. Quanto menos nós nos mostramos, mais Ele pode fazer Seu glorioso trabalho por meio de nós. Quanto mais nós simplesmente fazemos “o que vemos o Pai fazer ”mais potente nosso trabalho será.

Quando Deus consegue quebrar nossa própria ambição e orgulho, quando nós não estamos mais procurando nada para nós mesmos, daí nós seremos um vaso que está santificado e preparado para o uso do Mestre (2 Tm 2:21). É aí então que nós conheceremos o verdadeiro ministério.