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VENHA O TEU REINO


NA TERRA COMO NO CÉU









ÍNDICE







INTRODUÇÃO




O livro que você está para ler tem importantes implicações teológicas e práticas. De fato, elas são monumentais! Portanto, ele deve ser lido cuidadosamente, refletidamente e devotadamente, com muita oração. Também é essencial começar pelo princípio e ler até o final, sem pular nenhum item, já que as idéias aqui apresentadas são desenvolvidas no decorrer de muitos capítulos. Se o leitor não se familiarizar com o trabalho todo, pode resultar em algum equívoco.

Às vezes, surge a tentação, ao se pegar um livro novo, de olhar o sumário, encontrar um capítulo que parece bem interessante e começar a ler. Já que muitos crentes não estão familiarizados com o assunto, os resultados de uma leitura aleatória podem conduzir a uma direção errada. Com isto em mente, eu gostaria de exortar todos os leitores sérios a estudarem inteiramente a informação apresentada aqui, antes de formarem suas conclusões finais.

Um outro fato que precisa ser mencionado é que compreender o conteúdo deste livro requer revelação espiritual. Já que estaremos investigando a verdade de Deus contida nas Escrituras, precisamos procurar a revelação divina. Devido à imperfeição da mente humana para conhecer Deus independentemente, quando estamos procurando entender a Sua vontade, precisamos crer que Ele nos iluminará.

Então, quero exortar vocês a, enquanto estiverem lendo estas páginas, terem uma atitude de oração, com o coração e a mente abertos para Jesus, a fim de que Ele possa lhes revelar a Sua verdade.

Claro que este livro é apenas um esforço humano; contudo, vamos orar juntos para que Deus possa usá-lo para desvendar mais de Si mesmo e de Seus propósitos sobre a Terra, àqueles que são Seus.

David W. Dyer








POR FAVOR:


SE AINDA NÃO O FEZ, É IMPORTANTE LER A INTRODUÇÃO ANTES DE CONTINUAR.










1.



VENHA O TEU REINO






Quando Jesus Cristo voltar em Sua glória, isto não será o final da história da Terra atual. O plano de nosso Senhor não é voltar momentaneamente, arrebatar os crentes para o céu e abandonar a Terra para destruição pelo fogo. Na verdade, Deus ainda tem planos para esta Terra. Depois da volta de Jesus, Ele pretende estabelecer um reinado aqui. Centrada em Jerusalém, na terra de Israel, Sua autoridade será estabelecida sobre todos os que habitam a Terra. Esse reinado se estenderá por mil anos e, por este motivo, é conhecido como “O Milênio”.

As pessoas sobre as quais Ele vai reinar são aquelas poucas que sobreviverem ao período da Tribulação. Inicialmente, o número de pessoas sobre a terra será bem reduzido, por causa dos julgamentos dos dias finais da Tribulação, mas esse número crescerá rapidamente, já que não haverá guerras e, sem dúvida, nem pragas ou muitas doenças durante o Milênio. Não estamos falando sobre a Igreja ou sobre os crentes, aqui, mas sobre pessoas “normais” que, pela misericórdia de Deus, sobreviveram a Seus julgamentos na Terra.

Não apenas Jesus estará reinando nesta Terra por mil anos, mas os cristãos também estarão envolvidos neste reinado. Aqueles que se prepararam irão reinar com Ele (Ap 20:4). Muitos crentes têm seus corações e suas mentes postos “no céu”, mas Deus ainda não acabou o Seu trabalho nesta Terra.

Embora seja bom “pensar nas coisas lá do alto” (Cl 3:2), nós também deveríamos estar cientes e nos fixarmos naquilo que Deus está planejando. Precisamos compreender o que vai realmente acontecer. Depois da volta de Jesus, Seu plano é passar mais mil anos nesta Terra. Apenas depois desse reinado milenar é que haverá “um novo céu e uma nova Terra” (Ap 21:1), que é o que muitos consideram “o céu”.

À luz dos fatos acima, talvez, como cristãos, devêssemos reconsiderar nossas atuais crenças sobre a Terra e sobre qual deveria ser o nosso papel nela. Talvez devêssemos abandonar nossa filosofia escapista e imaginar que Deus ainda não terminou a obra na Terra, e nem nós. Não estou falando sobre um novo plano para melhorar o meio ambiente ou para acabar com a guerra nuclear. Nem tampouco estou recomendando alguma ação social para melhorar o presente estado das coisas. O que estou propondo é que os crentes precisam estar prontos para a próxima fase do plano de Deus para a Terra atual – o reinado vindouro.

Imagino que há alguns que não acreditam em um reinado vindouro ou que pensam que ele existe aqui, hoje, ou mesmo que ele já veio e já se acabou. Mas, tratar destas dúvidas, conceitos errados ou má compreensão, de maneira completa, está realmente fora do objetivo deste livro.

É suficiente dizer que, podem existir pessoas que não vêem nas Escrituras um Reino Milenar (1.000 anos): onde Satanás será amarrado (Ap 20:3-7), o que certamente ainda não aconteceu; onde Jesus Cristo estará reinando sobre as nações, com um cetro de ferro, e elas serão infinitamente obedientes à Sua vontade (Ap 19:15); onde a criança de peito brincará na toca da serpente, e os lobos se deitarão com os cordeiros (Is 11:6-8); onde os homens converterão suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em podadeiras; onde não haverá mais guerras (Is 2:4); onde Cristo reinará fisicamente na Terra (1 Co 15:25; Ap 20:6; Is 24:23), repartindo a Terra de Israel entre as doze tribos (Ez 48) e reconstruindo o Templo (Ez 40-43; Zc 6:12-13). Se elas não vêem um Reinado de Cristo, físico e terreno, então eu não sei como convencê-las. Não há maneira de provar alguma coisa das Escrituras a alguém, se a pessoa não estiver aberta para isto.

Entretanto, se há aqueles que não estão certos sobre essas verdades e estão genuinamente interessados em uma melhor compreensão do reinado vindouro de Deus, então eu sugiro a eles irem a uma boa livraria cristã, comprarem alguns livros de autores que acreditam literalmente na Bíblia, assim como está escrito, e que façam algum estudo. Uma lista parcial das Escrituras concernentes ao Reino está também incluída no final deste livro, para o dedicado estudante da Bíblia. “E eles (os crentes) reinarão sobre a Terra”, “com Ele durante os mil anos” (Ap 5:10; 20:6).

O reino terreno de Jesus Cristo é: o cumprimento da promessa de Deus ao rei Davi de que não faltaria alguém de sua semente para se sentar em seu trono (2 Sm 7:12; Jo 7:42); a conclusão do mandamento de Deus a Adão, para que ele dominasse sobre a Terra (Gn 1:28); o descanso sabático para o povo de Deus (Hb 4:1); o Dia do Senhor (1 Ts 5:2); e mais, muito mais. Que bênção, o fato de que nós, povo de Deus, possamos ser parte desse reinado com Ele. A participação dos crentes no reino milenar de Cristo é uma das partes mais negligenciadas do Evangelho. Muito freqüentemente temos pulado esse assunto, quando olhamos para a ida ao céu, para a eternidade.

Sim, nós devemos colocar nossa afeição nas coisas lá do alto e é verdade que nossa recompensa está reservada para nós no céu, mas a Bíblia ensina que, quando Jesus voltar, Ele trará consigo estas recompensas (Ap 22:12). Não estou sugerindo que enchamos nossas mentes com coisas aqui da Terra, mas que nos preparemos para trazer as coisas celestiais para a Terra. Isto é parte do Evangelho. O reinado de Cristo é uma parte indispensável daquilo para o qual Ele veio e daquilo que Ele ainda vai fazer. E o nosso papel nesse plano é da máxima importância. A idéia da vinda desse reinado é tão central para o Evangelho que, quando Jesus ensinou os Seus discípulos a orar, a primeira petição que Ele fez foi: “Venha o Teu Reino...assim na Terra como no Céu.” (Mt 6:10).

Deveria ser significativo para nós que a primeira coisa que o nosso Senhor nos ensinou a pedir foi pela chegada do Reino de Deus na Terra. Também, um grande número de parábolas que Ele ensinou era sobre a vinda do Reino e sobre como ele seria. Certamente, não deveríamos tratar esse assunto como se não tivesse importância, ou inconsequências. Além disso, com o retorno do Senhor se aproximando, isso é algo a que todos os filhos de Deus deveriam dar séria e prolongada consideração.

Não há maneira do povo de Deus evitar o reino. Ele é parte do plano para a Terra, do qual todos nós participaremos, de um modo ou de outro. A verdade surpreendente, mas não largamente anunciada, é que o que fazemos hoje tem tudo a ver com aquilo que será o nosso papel no Reino que vai chegar. Não importa o quão velhos nós sejamos, nosso tempo na Terra não está para se acabar. Nós ainda temos pelo menos mil anos para trabalhar junto com o Senhor para o cumprimento dos propósitos Dele neste mundo.

Nossa fidelidade, nossa diligência e, de fato, nossa inteira maneira de viver neste mundo atual, serão os fatores determinantes para o papel que Cristo vai nos dar em Seu reino, quando Ele voltar. Isto pode ser uma surpresa? Mesmo neste mundo, as pessoas dão os lugares de responsabilidade e de honra àqueles que são bons trabalhadores e dignos de confiança. Jesus não disse que vai recompensar cada um de acordo com as suas obras? (Ap 22:12, 1 Co 3:14). Isto é exatamente o que Ele fará.

Com isso em mente, nos próximos capítulos, examinaremos vários aspectos do reino que têm grande relevância para nós hoje. Muitas dessas verdades podem parecer alarmantes, mas eu lhes peço, pelo seu próprio bem, que você não feche sua mente para elas. Após ler este livro, procure as Escrituras por si mesmo, para ver se essas coisas são verdadeiras. Não seja convencido, de maneira alguma, por algum indivíduo bem intencionado, sem antes olhar profundamente para elas.

O Reino vindouro tem muito a ver com você, e ninguém mais pode mudar a sua participação nele. “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” (Rm 14:12).

“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 8:11,12).








2.



OS DOIS REINOS






Antes que nos adiantemos neste livro, uma coisa deve ser esclarecida, se os leitores quiserem compreender bem esta mensagem: é que o “Reino dos Céus” não é a mesma coisa que o “céu”. Deixe-me dizer de novo: quando o Novo Testamento usa a expressão “o Reino dos Céus”, não está se referindo ao “céu” propriamente dito. Em vez disto, está se referindo ao Reinado Milenar sobre o qual estamos falando.

É fácil cometer tal engano, se não lemos a Bíblia cuidadosamente. Já que muitos crentes têm escutado uma enorme quantidade de ensino e de pregações sobre o céu, como nossa destinação, é fácil ler sobre o “Reino dos Céus” e, automaticamente, pensar em “céu”.

Entretanto, conforme veremos neste livro, esta expressão tem um significado diferente e muito importante. Quando estamos tentando compreender a Bíblia, é essencial sermos cuidadosos para não admitir qualquer coisa ou não sermos guiados por idéias preconcebidas. Se queremos realmente compreender o Reino de Deus, é essencial que sejamos capazes de permitir que a Palavra de Deus nos corrija, mesmo quando ela contradiz noções apreciadas por nós.

Talvez, o elemento de confusão na expressão “o Reino dos Céus” seja o complemento “dos Céus”. O que esta expressão realmente quer dizer é que o Reino terreno vindouro tem sua origem no céu, que ele é celestial, em sua natureza e conteúdo.

Então, é um Reino “DO” céu, e não “NO” céu. Não é o céu sobre o qual a Bíblia fala em outros lugares.

Deus reina supremo no céu. O céu é o local de Sua autoridade, o ponto de onde Ele governa todo o Universo. As palavras “dos céus”, então, estão se referindo à fonte desse Reino sobre o qual Jesus testificou. É o lugar de onde o Reino está vindo, e não a destinação para onde estamos indo. Novamente, a oração que Ele ensinou os discípulos a orar mostra claramente o quadro: “Venha o Teu Reino...assim na Terra como no Céu” (Mt 6:10.) A oração de Jesus era para que o Reino do Pai fosse totalmente manifesto na Terra. Então, nós vemos que, embora o Reino dos Céus seja celestial, na origem e no caráter, ele não é a mesma coisa que o “céu”. Ao invés disto, se refere ao Milênio.

É interessante notar que, de todos os escritores do Novo Testamento, apenas Mateus usa a expressão “O Reino dos Céus”. Todos os outros escritores usam “O Reino de Deus”. Comparando os quatro Evangelhos, quando os escritores estão citando as mesmas parábolas de Jesus, Mateus usa “O Reino dos Céus”, e os outros três dizem: “O Reino de Deus”. Isto nos mostra que esses termos são usados alternadamente na Palavra inspirada. Não há diferença entre eles. Tal observação reforça a idéia de que o “Reino dos Céus” não é o “céu”, mas o Reino de Deus, que virá a esta Terra, quando Jesus voltar.

A importância da distinção entre “Reino dos Céus” e “céu” aparece quando lemos as parábolas nas quais Jesus ensinou sobre esse Reino. Se aplicarmos as “parábolas do Reino” para o “céu”, então poderemos chegar a alguma confusão e mesmo a idéias erradas. Mas, quando as aplicamos corretamente ao terrestre Reino vindouro de Jesus Cristo, a verdade de Deus se torna muito mais clara. Isto é exatamente o que estaremos fazendo nos próximos capítulos deste livro.

As pessoas judias, que estavam ouvindo o ensinamento de Jesus, não tinham problema algum em entender que Ele estava se referindo ao um Reino terreno. Pelo contrário, muitos deles tinham dificuldade em imaginar os aspectos espirituais desse Reino. Por séculos, eles haviam esperado pelo Rei Messias que os libertaria da escravidão. Conheciam muito bem a profecia das Escrituras, de que viria Um para sentar-se no Trono de Davi, para reinar sobre eles (Is 9:7). Quando Herodes questionou os escribas sobre o lugar do nascimento do Messias, eles sabiam a exata localização.

A vinda de um Rei para estabelecer um Reino terreno não era segredo para eles. Era exatamente o que eles estavam esperando. O que não compreenderam é que a profecia da vinda de Jesus consistia em dois eventos. Houve a primeira vinda, e haverá uma segunda, aquela para a qual todos os verdadeiros crentes estão olhando. E é nesta segunda vinda que Ele vai estabelecer Seu Reino terreno, físico.



DOIS ASPECTOS DO “REINO”.




O que os judeus não compreenderam, então, mas que sabemos agora, é que estas duas vindas de Cristo correspondem aos dois aspectos do Reino de Deus. Primeiro, há a atual experiência espiritual do Reino, na qual os cristãos podem entrar; e, segundo, há a vindoura manifestação exterior do Reino nesta Terra.

Hoje, podemos experimentar o Reino espiritualmente; e, algum dia, muito breve, ele estará vindo para a Terra fisicamente. Por um lado, referindo-se ao primeiro, Jesus disse: “O Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18:36). Mas, por outro lado, as Escrituras dizem: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo...” (Ap 11: 15).

Embora o aspecto espiritual do Reino, anunciado no primeiro advento de Cristo, e a visível manifestação dele, que começará com a segunda vinda, sejam separados por dois mil anos, eles têm muito em comum. De fato, são inseparáveis e completamente inter-relacionados.

Para transmitir uma clara compreensão dessas duas facetas do Reino de Deus, talvez seja necessário falar mais sobre o que é um reino. Então, vamos continuar com duas definições. Na definição um: um reino é uma certa área geográfica, que é governada por um rei. Na definição dois: um reino é também um grupo de pessoas que são sujeitas à vontade e às ordens de um determinado rei. Realmente as duas definições se ajustam exatamente aos dois reinos sobre os quais estávamos falando.

Com a Sua primeira vinda, Cristo reuniu um povo para Si. Com a segunda, Ele estabelecerá Sua legítima soberania sobre este mundo. Seu primeiro advento introduziu a afirmação de Seu senhorio sobre os corações e as vidas dos homens que desejam submeter-se a Ele; e o segundo, introduzirá a afirmação de Sua realeza sobre todos os habitantes da Terra.

Na maioria dos países, hoje, as pessoas têm um certo problema em compreender o conceito de “rei”. Há muito poucos governantes, hoje, que reivindicam ser reis, e aqueles que o fazem (exceto, talvez, no Oriente Médio) presentemente exercem muito pouco poder. A idéia de se inclinar diante de alguém e ser obediente ao seu menor desejo é estranha a nós, se não mesmo repulsiva.

O simples pensamento de não estar no controle de suas próprias vidas nem mesmo entra na cabeça de muitos homens. Nós, homens e mulheres modernos, estamos acostumados à liberdade, e qualquer “rei” que se apresente terá alguma dificuldade em impor sua influência sobre nós. Que triste! Tal é a situação com Jesus Cristo e grande parte de Sua Igreja, hoje. Nós, o Seu povo, legitimamente pertencemos a Ele, mas somos muito pouco submissos à Sua autoridade.

Talvez, uma palavra que possa descrever melhor o que a palavra bíblica “rei” deveria significar para nós, seja a palavra “ditador”. Esta é uma palavra com a qual o nosso mundo pode se relacionar. Ela nos traz a idéia de um homem que exerce o poder absoluto. Sua palavra é a lei, e ninguém ousa lhe desobedecer. Isto é o que a Bíblia realmente quer dizer quando usa a palavra “rei” (a palavra “senhor”, por falar nisso, tem um significado parecido). Embora “ditador” possa nos trazer a idéia de repugnância ou crueldade, diferente do que nosso Rei Jesus é, o conceito de poder absoluto e autoridade é exatamente correto. Deus fez este mesmo Jesus, que foi crucificado, Rei e Senhor. De fato, Ele é o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores (Ap 19:16). É a Ele que devemos nos submeter e a Ele que devemos obedecer.

Agora, com isso em mente, podemos falar um pouco sobre o Reino de Deus. O Reino de Deus, ou o Reino dos Céus, é a esfera sobre a qual se estende a autoridade de Deus. Ele consiste no território e nos seres sobre os quais Ele reina. Nós acreditamos que a maior parte do Universo se encaixa nesta categoria.

Uma exceção é esta Terra e a maioria das pessoas que vivem nela. A Bíblia nos ensina que este mundo está atualmente nas mãos do diabo, que é um príncipe sobre ele e sobre os seus habitantes (Jo 14:30). Embora Jesus o tenha derrotado na cruz, essa vitória ainda não foi completamente manifesta. Deus está agora no processo de estabelecer Sua legítima autoridade sobre este mundo. Quando Jesus voltar, o diabo será acorrentado por mil anos (Ap 20: 1-3), e Jesus reinará supremo sobre toda a Terra.

Conforme mencionado anteriormente, o primeiro lugar sobre o qual Ele está começando a reinar, a área na qual Ele está trabalhando hoje, é nos corações e nas vidas dos homens e das mulheres. Através dos acontecimentos em Seu primeiro advento, Jesus Cristo demonstrou Seu direito de transferir pessoas, deste reino de trevas, para Seu próprio reino de luz. Ele redimiu a humanidade com Seu próprio sangue precioso e nos comprou para Sua própria posse.

Enquanto antes éramos obedientes ao mau soberano deste século, agora não mais precisamos nos sujeitar a ele. Jesus nos libertou. Embora fôssemos de Deus, porque foi Ele quem nos fez, Satanás usurpou essa autoridade no Jardim do Éden, através da tentação de Adão e Eva. Agora, Jesus Cristo está no processo de nos recuperar desta queda e de restabelecer Sua realeza sobre o Seu povo. Aleluia!



NOSSA VONTADE É ESSENCIAL




Há, entretanto, um aspecto muito interessante no Reino de Cristo, ao qual devemos prestar cuidadosa atenção. Jesus só reinará sobre aqueles que desejarem. Ele será Rei apenas daqueles que O quiserem como Rei. Quando Ele veio em pessoa, aos judeus, em Israel, a maioria O rejeitou. A um certo ponto, os líderes deles (que supostamente deveriam estar esperando o Messias) declararam: “Não temos rei, senão César” (Jo 19:15).

E ainda é assim hoje. Nós podemos aceitar ou rejeitar a soberania de Jesus Cristo. Mas está chegando o dia em que esta possibilidade de opção terminará. Quando Jesus Cristo vier de novo, as Escrituras nos dizem que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fl 2:10,11). Nesta ocasião, Ele poderosamente subjugará toda a Terra e, também, subjugará todos os seus habitantes para Si mesmo.

Hoje em dia, nos círculos evangélicos, uma pessoa pode ouvir muitos pregando coisas como “aceitar Jesus”, “confiar em Jesus” ou “pedir a Jesus que entre em sua vida”. Estas coisas são verdadeiras, corretas e boas. Porém, isto não é a história completa. O que parece estar faltando neste tipo de pregação é que, quando recebemos a Jesus, nós O recebemos por aquilo que Ele é – Rei e Senhor. Quando os primeiros discípulos pregaram, eles pregaram o “Senhor” Jesus Cristo. Eles proclamaram um Cristo que desejava completa fidelidade, que pedia um total compromisso para o resto de suas vidas e que requeria uma separação de tudo o que não se ajustasse ao Seu reino.

Este é o motivo pelo qual eles viram resultados tão maravilhosos. Aqueles pregadores não enfatizavam o que Cristo podia fazer pelas pessoas, mas eles anunciavam qual era a responsabilidade do povo para com Deus. Eles sabiam quem era Jesus. Ele era o Rei prometido, há muito tempo atrás, e eles foram suficientemente sábios para se submeterem totalmente a Ele. Como precisaríamos de uma boa dose desse tipo de pregação, hoje! Como necessitamos seguir o exemplo deles!

Essa é uma explicação do porquê temos hoje tantos convertidos ao cristianismo que são indiferentes e insinceros. Nós lhes dizemos coisas como: “Se você aceitar Jesus, Ele vai fazer você feliz, vai fazer você se sentir bem e ajudá-lo em sua vida”. Jesus, por outro lado, pregava: “Arrependei-vos (mudança total no modo de pensar e de viver), porque está próximo o Reino dos Céus.” (Mt 4:17). Este é o problema. Quando levamos alguém a aceitar Jesus, sem esclarecer bem o compromisso total que é requerido, no princípio as coisas podem ir bem, mas, mais cedo ou tarde, Jesus começará a cobrar Sua legítima soberania sobre a vida dessa pessoa.

Como os convertidos não têm sido preparados para nada semelhante a isso, muitas vezes eles acabam deixando de andar com Jesus. Ou, muitas vezes, aí começa uma longa e dolorosa luta com Deus sobre quem deve governar suas vidas. Poderíamos facilmente poupar as pessoas desse problema, simplesmente lhes dizendo a verdade desde o princípio. Vamos dizer francamente a elas que nem deveriam começar a construir uma torre, sem antes se sentar e fazer os cálculos completos dos custos.

Tenho receio de que nós estejamos simplificando demais o evangelho para conseguir “um grande número” de “salvos”, quando, na realidade, não estamos prestando serviço algum, seja a Deus, seja a eles. É também fácil imunizar convertidos com o Cristianismo sem compromisso, tornando muito mais difícil para eles imaginar a verdade.

O evangelho do Reino é o Evangelho que Jesus pregou. Nós devemos nos arrepender, porque existe um Reino espiritual que tem sido anunciado, no qual Deus deve ter controle absoluto sobre cada aspecto de nossas vidas. Ele deve governar nossas mentes, nossas emoções e nossa vontade. Nossos corpos devem ser Dele, para serem usados para promover Seus planos e propósitos. Nosso dinheiro, nosso futuro, nossas esperanças e nossos sonhos, todas essas coisas têm que estar completamente submissas à autoridade de nosso Rei. Realmente, não há outro evangelho. Embora usualmente se ouça outros aspectos dele, isso é o que verdadeiramente a Bíblia ensina.

O Reino de Deus hoje é um Reino espiritual, interior. É um Reino que não vem com visível aparência (Lc 17:20, 21). Isto quer dizer que ele ainda não foi manifesto externamente. A sujeição do coração de um homem a Jesus Cristo é uma coisa escondida. Para entrar nesse Reino, que é de natureza espiritual, se requer, primeiramente, o novo nascimento espiritual.

Assim como nascemos fisicamente para entrarmos neste mundo, assim também necessitamos nascer de novo, do Espírito de Deus, para entrarmos no Reino espiritual de Deus (Jo 3:5). Este novo nascimento requer um elemento de submissão a Deus: para tê-lo, precisamos nos arrepender de nossos pecados e admitir o direito de soberania de Jesus sobre nossas vidas. Neste processo, Ele nos purifica de nossos pecados com o Seu precioso sangue e nos faz “um” com Deus.

Uma vez que entramos na esfera de Deus estar reinando sobre nós, é essencial que continuemos a nos submeter a Ele, se quisermos continuar experimentando o atual Reino de Deus. Infelizmente, depois de entrarmos no Reino de Deus, também é possível nos rebelarmos contra Ele. Como foi mencionado anteriormente, Jesus hoje só reina sobre aqueles que desejam que Ele o faça. Assim como nossa entrada no Reino depende de nosso desejo de preencher certos requisitos, também nosso desejo contínuo é crucial, se desejamos ser Seus súditos. Deus não forçará ninguém a aceitá-Lo. Se não quisermos que Ele seja nosso Rei, Ele não o será. Todos nós devemos escolher.

Gostaria de enfatizar, aqui, que existe uma escolha que devemos fazer a cada dia, se não mesmo a cada minuto de cada dia. Existe uma constante batalha sendo travada. Satanás deseja manter controle sobre nossas vidas e nos manter submissos a ele. Infelizmente, ainda existe uma velha natureza dentro de nós, um produto de nosso primeiro nascimento natural, que se alinha com o diabo contra Deus. Mas Jesus Cristo conquistou tudo o que há dentro de nós e tudo o que está no mundo, o qual é a esfera do diabo. A nova vida, com a nova natureza que nasceu dentro de nós, tem poder para superar toda oposição. Dentro de nós, existe um poder sobrenatural para derrotar Satanás e seu reino.

O ponto essencial, entretanto, é a nossa vontade. Precisamos estar inteiramente desejosos de nos submeter a Deus. Se o fizermos, Ele nos dará poder para vencer. Se não o fizermos, seja conscientemente ou não, acabaremos sendo servos do diabo. Quantos cristãos estão neste barco! Eles pertencem a Deus, mas, em suas vidas diárias, estão perseguindo as coisas deste mundo e o seu próprio prazer, e assim se tornam escravos do soberano deste mundo. Oh, como nós, crentes, necessitamos nos submeter totalmente, sem reservas, ao nosso justo Senhor e Criador! Que vergonha é quando seguimos em frente, ao nosso próprio modo, e que glória para Deus, quando desejamos viver em Seu Reino e permitimos que Ele seja Senhor de nossas vidas!

Assim, vemos que há dois aspectos do Reino de Deus. Há a presente realidade espiritual, da qual podemos fazer parte, e há a vindoura manifestação terrena dela. Como já foi afirmado, nosso papel no Reino vindouro tem tudo a ver com a nossa participação no atual. Não seja enganado! Ninguém que sirva a si mesmo hoje, será recompensado amanhã. O Reino dos Céus, que está por vir, não se separa daquele que podemos experimentar hoje. Eles são realmente a mesma coisa. Eles têm um Rei, um propósito e uma realidade. Eu peço a você: submeta-se a Deus, hoje!







3.



UMA BREVE CRONOLOGIA






Cronologia é “a ciência da averiguação dos determinados períodos em que eventos passados ocorreram e de sua organização na ordem de ocorrência” (Dicionário Webster).

Cronologia bíblica é, então, a ciência que coloca juntos, em ordem de ocorrência, os eventos e as datas encontrados na Bíblia. Este capítulo é uma simples verificação do quadro de horários de Deus para o Seu trabalho nesta Terra e a localização de onde, aproximadamente, nós estamos nele.

Na Bíblia nós lemos: “...porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou.” (Êx 20:11). O trabalho de Deus, de criação e de restauração desta terra atual, consistiu de seis dias, seguidos de um sétimo dia de descanso. Deus não decidiu levar semanas, meses ou bilhões de anos para executar Sua obra (o fato da Geologia e de outras ciências parecerem indicar uma Terra mais velha será tratado no capítulo 5).

Nosso Deus é capaz de fazer qualquer coisa. Ele poderia ter criado o Universo em seis minutos, se o tivesse desejado. Devemos imaginar que o próprio tempo é uma invenção de Deus, o qual Ele está usando para cumprir os Seus propósitos. O fato de estarmos sujeitos ao tempo não significa que Ele também esteja. Ele existe eternamente e é Todo-Poderoso; não há Nele qualquer limitação que seja.

Entretanto, nosso propósito real, aqui, é examinar a razão pela qual Deus fez os céus e a terra em seis dias, descansando no sétimo. Por que Ele fez as coisas deste modo? Por que não fez em oito, em cinco ou mesmo em cinqüenta dias? Já que não existe nada acidental registrado na Bíblia, ou nada que não tenha algum sentido para nós, talvez haja algo que podemos deduzir daí sobre Deus e sobre a Sua criação. Dessa forma, o restante deste capítulo será uma investigação dos sete dias de Deus.

Há um outro versículo significante na Bíblia que também fala sobre “dias”. Pedro, em sua segunda epístola, coloca a questão do final dos tempos e da segunda vinda do Senhor. Neste contexto, ele diz: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para com o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” (2 Pe 3:8).

Neste versículo, está a chave para compreender os seis dias da criação. Ele contém um fato que o escritor considerou muito importante e que desejava que os crentes não ignorassem. Aqui, encontramos uma equação simples: um dia é igual a mil anos, e mil anos são iguais a um dia. Para ir um pouco mais além, podemos dizer que um dia da criação representa mil anos do tempo que Deus outorgou ao homem nesta terra, e mil anos correspondem a um dia da criação. Com receio de que alguns de vocês acreditem que estou indo longe demais, vamos investigar alguma cronologia bíblica.

Embora muitas pessoas não imaginem, através dos anos, alguns homens de Deus eruditos têm estudado a cronologia bíblica. Entre eles, estão: Teófilo Antíoco (Séc. III d.C.), Clemente da Alexandria (Séc. III d.C.); Eusébio (265-340 d.C.); Wm. Hales (1809 d.C.); J. N. Darby; e Martin Anstey, só para citar alguns.

Uma publicação que pode ser do interesse dos leitores é “Chronology of the Old Testament”, de Martin Anstey, publicada por Kregel Publicações, em Grand Rapids, MI.

Estes homens, e outros tantos, têm traçado freqüentemente uma fina linha de datas através das Escrituras, para chegar a uma idéia correta de quantos anos se passaram desde a criação de Adão e Eva, até a data de eventos importantes, tais como a aliança de Deus com Abraão e a vinda de Cristo. Embora não haja dois destes homens concordando plenamente sobre cada data, é interessante que, quase sem exceção, suas conclusões estão muito próximas entre si. Dentro de uma margem razoável de “erro científico”, e considerando a grande idade dos documentos e datas com as quais eles trabalharam, eles essencialmente concordaram. A diferença aproximada entre as contagens feitas por um e outro fica em torno de apenas cem e duzentos anos.

Agora, para uma pessoa simples como eu, tal estudo profundo da história antiga está um pouco além do meu alvo. A breve cronologia de Pedro, o pescador, está mais de acordo comigo. A coisa surpreendente, entretanto, é ver como Pedro e os eruditos concordam. O estudo deles e a revelação de Pedro não se contradizem. Então, já que os eruditos concordam entre si e com Pedro, de uma maneira razoável, estou inclinado a aceitar sua erudita opinião. A investigação intelectual honesta serve somente para confirmar mais ainda a Palavra de Deus.

Você imagina que, de acordo com a Bíblia, a Terra atual existe há seis mil anos? Desde os seis dias da criação, até agora, cerca de seis mil anos se passaram. Uma outra coisa interessante é que, desde o princípio deste mundo, até Abraão, se passaram dois mil anos; de Abraão, até Cristo, mais dois mil anos; e do nascimento de Cristo, até hoje, dois mil anos.

Isto não é coincidência. O plano de Deus e o Seu modo de executá-lo desde a Criação são muito metódicos. Não há nada casual ou incoerente neles. As coisas estão acontecendo conforme Ele pretendia que ocorressem e, conforme o tempo passa, Seu plano perfeito se desenrola.

Vamos admitir que, quando Pedro escreveu sobre um dia ser como mil anos, ele queria dizer algo específico e não estava simplesmente sendo um poeta. Imagine por um momento que, quando Deus falou essas palavras por intermédio de Pedro, Ele estava nos revelando algo que poderia ser usado para compreender Seu quadro de horários, e que Ele estava nos falando sobre o final dos tempos. Para ir mais além, vamos crer apenas no que a Bíblia diz e prestar atenção a isto. Deus escolheu fazer a terra, o céu, o mar e tudo o que neles há em seis dias, porque Ele já havia decidido que o tempo do homem sobre a terra seria de seis mil anos (claro que não vamos nos esquecer do sétimo). Como o “Eu Sou” da Criação conhece tanto o princípio, como o final, Ele planejou fazer as coisas dessa forma. Muito mais tarde, Ele revelou isso ao Apóstolo Pedro, para nossa edificação e benefício.

Todas essas observações apontam para uma coisa: nós estamos rapidamente nos aproximando do final dos tempos. Estamos muito próximos do momento de sua conclusão. Estamos no limiar da segunda volta de Cristo e do estabelecimento do Seu Reino Milenar (mil anos) sobre esta Terra. E tudo isto corresponde exatamente aos seis dias da criação e ao sétimo dia do sábado de descanso.

A simples cronologia de Pedro é correta e é confirmada por todas as outras Escrituras. As palavras proféticas da Bíblia, incluindo as palavras de Jesus referentes à restauração de Jerusalém para os judeus (Lc 21:24) e o vindouro Reino Milenar de Cristo (Ap 20:4), apontam para este fato: estamos rapidamente nos aproximando do final dos seis dias, a conclusão das épocas.

Nós dissemos tudo isso para chegar a uma conclusão: está chegando o sétimo dia, um período de mil anos, que é o Reino Milenar de Jesus Cristo. Deus ainda não terminou Seu trabalho na Terra. Se Jesus voltasse hoje, ainda restariam pelo menos mil anos para que esta terra permanecesse. O próximo passo para o povo de Deus não é o céu. Aqueles que já estão com o Senhor voltarão com Ele e o ajudarão a estabelecer Seu Reino Celestial na Terra (Jd 14).

Deus ainda tem algum trabalho a fazer aqui neste mundo. E o Seu povo tem o privilégio de ajudá-Lo a realizar isto. Jesus vai agir, junto com os crentes preparados, para subjugar toda a Terra. Todas as nações, as pessoas que vivem nelas e até mesmo os animais e o meio ambiente serão colocados sob o domínio Dele. Este é o Reino dos Céus vindo à Terra. Esta é a resposta do Pai à primeira parte da oração do “Pai Nosso”: “Venha o Teu Reino...assim na Terra como no Céu.” (Mt 6:10). Vamos agora fazer um breve sumário. Deus sempre existiu e sempre existirá, eternamente. Assim, antes que a Terra fosse criada, Ele já existia, sem que o tempo existisse, no que pode ser chamado de “eternidade passada”. Em um determinado momento, Ele criou a Terra e, depois de uma conferência consigo mesmo, decidiu fazer o homem e colocá-lo aqui (Gn 1:26). No processo, Ele também criou o que chamamos “tempo” e sujeitou o homem a ele.

O processo de criação durou seis dias, mais um de descanso, o que corresponde ao tempo que Deus permitiu ao homem morar na Terra e cumprir Seu propósito. Esses sete dias são uma prefiguração dos sete mil anos, durante os quais o homem deve habitar esta Terra atual. Então, depois dos últimos mil anos que constituem o Reino de Cristo, Deus dissolverá a ambos, o velho céu e a velha Terra.

Haverá, então, novo Céu e nova Terra. Isto é o que a maioria das pessoas chama de “eternidade”. Para os nossos propósitos, vamos chamá-la de “eternidade futura”. Então, foi permitido ao homem viver na Terra por um período de sete mil anos entre as duas “eternidades”, passada e futura.

É no final dos últimos mil anos, que a Nova Jerusalém, a Noiva de Cristo, é vista descendo do Céu, vinda de Deus (Ap 21:10). Esta cidade santa se localizará na Nova Terra que Deus irá criar. A Nova Jerusalém e a Nova Terra são aquilo a que as pessoas se referem quando falam em passar a eternidade no “céu”. Na realidade, não é o céu atual, mas uma nova criação completa.

Claro que a nova criação será celestial em sua natureza. De fato, será muito melhor do que o atual céu, já que este que existe agora foi poluído pelos anjos caídos e passará completamente (Mc 13:31). Se o céu de hoje fosse o que Deus considera perfeito, não haveria necessidade de destruí-lo (2 Pe 3:10-13). Não, o que Deus preparou para aqueles que O amam é realmente glorioso. É uma criação inteiramente nova, que não pode penetrar nas mentes humanas, mas que Deus revelou aos Seus servos (1 Co 2:9-10).

Agora, uma palavra de alerta: embora essa pequena cronologia de eventos seja muito simples, também não podemos ter certeza dos exatos momentos de cada evento. Fomos avisados sobre a ordem das coisas que virão, mas não exatamente sobre quando elas ocorrerão.

Na verdade, as Escrituras nos dizem claramente que ninguém sabe o dia ou a hora (Mt 24:36). Especificamente, não sabemos exatamente quando nosso Senhor Jesus Cristo voltará e anunciará o Reino Milenar. Deus nos deu as profecias e o calendário de seis mil anos, mas ninguém sabe perfeitamente quando as coisas ocorrerão.

Já foi mencionado que os estudiosos da cronologia bíblica parecem concordar sobre a contagem dos anos, com uma diferença em torno de cem a duzentos anos apenas. Mesmo eles, ainda que sendo sábios, não podem estar certos da data. Sabemos que será cerca de dois mil anos depois da primeira vinda de Cristo. Mas quando devemos começar a contar? Devemos contar a partir de Sua morte ou de Seu nascimento? Conforme você sabe, nosso calendário se inicia aproximadamente na data de Seu nascimento (de fato, três a cinco anos depois).

Só porque a história secular escolheu esta data como ponto de referência, isto não significa que Deus a tenha escolhido. Um argumento muito poderoso pode ser o de que a morte de Cristo no Calvário é o verdadeiro ponto central da história e o ponto decisivo da humanidade.

O que estou dizendo é que, muito embora o ano 2.000 d.C. tenha chegado e passado, e Jesus não tenha voltado ainda, você não deve desistir de sua fé. Deus não é lento, conforme os homens consideram. Apenas, Ele não deseja que ninguém pereça (2 Pe 3:9). Se fôssemos calcular os dois mil anos a partir de Sua morte e ressurreição, não deveríamos esperá-Lo antes do ano 2.030 d.C. Na realidade, o versículo em 2 Pedro, sobre o qual temos falado, foi escrito para focalizar esse problema.

As pessoas que têm estado esperando o Senhor e aguardando a Sua vinda se desapontarão e se desiludirão. Mais para o final, alguns começarão mesmo a zombar e a perguntar: “Onde está a promessa de Sua vinda?”. Não há dúvida que muitos estarão questionando assim, se Ele se demorar muito mais do que achamos que deveria.

Alguns mestres da Bíblia começarão a inventar novas doutrinas para explicar a demora do Milênio e/ou da Segunda Vinda. Muitos cristãos podem até mesmo deixar de seguir Jesus, porque suas esperanças foram elevadas, tantas e tantas vezes, por pregadores profetizando o advento de Cristo e, então, frustradas quando isto não aconteceu. Nos dias atuais, quando a perversidade é abundante, há uma grande tentação para que o nosso amor pelo Senhor se esfrie. Enquanto os outros estão aproveitando os prazeres do pecado por uma temporada, Jesus está nos pedindo para negar a nós mesmos e segui-Lo.

Se a Sua vinda não coincide com as nossas expectativas, podemos ser tentados a descrer e apostatar da fé. Eu mesmo, quando era jovem em Cristo, esperei que a volta de Jesus fosse no século XX. Mas, já que Ele ainda não veio, pela Sua misericórdia, não vou abandonar a minha fé, e nem você deveria deixar a sua. Nossa fé não deveria se basear em um calendário, mas sim Nele.

Na verdade, as Escrituras ensinam que deveríamos viver cada momento como se Ele fosse voltar hoje. Nossas vidas e nossos corações deveriam estar prontos para Ele. A atitude que devemos cultivar é a de constantemente observar e esperar. Se fizermos isso, então estaremos prontos.

Então, Ele nos encontrará fazendo a Sua vontade. Conforme nós, voluntariamente, nos sujeitamos à Sua liderança e vivemos em Seu reino, hoje, não haverá problema amanhã. “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.” (Lc 12:43).







4.



O DIA DO SENHOR






O Dia do Senhor é o sétimo (e último) dia de mil anos deste mundo. Ele começa com o aparecimento de Jesus Cristo, na Segunda Vinda, e termina com o advento da eternidade futura. O Dia do Senhor é também o Reino Milenar sobre o qual temos falado. Alguns cristãos, não imaginando que o Dia do Senhor é um dia de mil anos, freqüentemente se confundem quando lêem versículos referentes a ele. Espero que este capítulo sirva para ajudar a esclarecer essa confusão.

Parte desse engano na compreensão do Dia do Senhor tem origem no fato de que, quando a Bíblia menciona o Dia do Senhor, ela não fala apenas da vinda de Jesus nas nuvens e do julgamento dos santos, mas também fala dos céus e da Terra sendo dissolvidos e se acabando (2 Pe 3:10).

Lendo versículos como este, uma pessoa pode ser levada a acreditar que a volta de Jesus é o princípio da eternidade. Este não é o caso. Com o conhecimento de que o Dia do Senhor é um dia de mil anos, toda a perplexidade desaparece. Muitas coisas acontecem durante o Dia do Senhor, e neste capítulo vamos estar investigando algumas delas.

Um dos primeiros eventos a ocorrer durante o Dia do Senhor é algo que já mencionamos, o julgamento dos crentes. Quando Jesus voltar, nós subiremos para encontrá–Lo nos ares e, então, voltaremos com Ele para a Terra, para ajudá-Lo a estabelecer Seu Reino Milenar. Depois do arrebatamento (termo relativo à subida dos santos para os ares) e antes de começarmos a desempenhar nosso papel no Reino de Cristo, haverá um julgamento. Todos nós estaremos diante do trono de Cristo e prestaremos contas das coisas que fizemos, enquanto estivemos na carne (2 Co 5:10). A palavra “nós”, aqui, se refere aos crentes, já que essa epístola foi dirigida a eles. Esse julgamento é diferente do juízo final de todas as pessoas, que ocorrerá no final do Milênio, o qual é chamado “o julgamento do Grande Trono Branco” (Ap 20:11).

O julgamento do Tribunal de Cristo, por outro lado, acontece antes do Milênio e envolve apenas crentes. Será neste primeiro julgamento que as coisas que fizemos serão pesadas. O julgamento dos crentes é um elemento essencial no Dia do Senhor. Há muitos aspectos interessantes nele que os cristãos precisam compreender; entretanto, a maioria deles será verificada nos próximos capítulos. Aqui, é suficiente dizer que haverá um completo exame dos crentes, no princípio do Dia do Senhor e antes da entrada deles no Reino Milenar junto com Ele.

Por favor, permita-me tomar alguns minutos, aqui, para fazer referência ao arrebatamento, que assinala o princípio do Milênio. Esse é o evento no qual todos os santos de Deus são retirados da Terra para encontrar o Senhor nos ares (1 Ts 4:17).

Descrevendo este evento, Jesus diz que: “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.” (Mt 24:28). Esta é uma referência ao grande número de abutres que circulam no ar sobre a carcaça de um animal morto. Não se ofenda por Jesus ter usado uma analogia com abutres. Não há conotação negativa nisto. É simplesmente a mais natural ilustração que Ele poderia usar, para que qualquer pessoa de Seu tempo pudesse compreender. Essa é uma visão muito comum em muitas partes do mundo, hoje.

Quando o Senhor surgir, todos os crentes serão reunidos com Ele. Não importa onde estivermos, seremos elevados nos ares e nos reuniremos no lugar onde Ele estiver. Nós O encontraremos no ar e depois voltaremos com Ele para a Terra. E para onde Ele estará vindo? Ele virá para Jerusalém. Seus pés tocarão o Monte das Oliveiras, a terra se abrirá numa fenda e muitos fugirão para esta fenda procurando proteção (Zc 14:4,5).

Todos os crentes serão testemunhas oculares desse evento. Não apenas os crentes vivos serão elevados, mas os mortos em Cristo se levantarão de suas sepulturas e subirão primeiro, para encontrá-Lo nos ares. “Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Ts 4:16,17).

Uma vez um amigo meu compartilhou comigo uma idéia interessante sobre a palavra “encontrar”. Ele disse que, nos dias do Velho Testamento, quando um rei vitorioso estava voltando para a sua cidade com o seu exército e com todos os seus prisioneiros, os habitantes daquela cidade saíam para encontrá-lo e então voltavam junto com ele para a cidade, a fim de celebrar sua vitória. Que quadro! Isto retrata exatamente a maneira como vai ocorrer o arrebatamento. Nós subiremos para encontrá-Lo nos ares e, então, retornaremos com Ele para a Terra.

A razão para sermos arrebatados parece ser, principalmente, a reunião de todos os crentes num mesmo lugar. Quando o Senhor voltar, seremos elevados para o lugar em que Ele estiver, a fim de podermos voltar com Ele para o lugar ao qual Ele irá – a cidade de Jerusalém, na Terra de Israel.

Agora, para evitar confusão, precisamos nos lembrar de uma coisa: esse evento não é o princípio da eternidade. É apenas a primeira parte do Dia do Senhor (o Milênio), o dia para o qual todos nós deveríamos estar olhando.

Muitos pensam que o julgamento que acontecerá nessa ocasião se dará enquanto estivermos suspensos nos ares. Outros especulam que iremos com o Senhor de volta para o céu, onde seremos julgados. Lá, esperaremos por um tempo, para depois voltarmos com Ele. Este entendimento exige várias “aparições” de Jesus Cristo, no final dos tempos. Entretanto, parece possível que o julgamento dos crentes possa ocorrer aqui mesmo na Terra. Uma coisa que as Escrituras nos ensinam claramente é que haverá tal julgamento, e que nós estaremos envolvidos nele.

Outra coisa que sabemos com certeza é que, quando formos arrebatados, nossos corpos serão glorificados. Nós lemos: “...num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Co 15:52). Oh, que glória haverá naquele dia! Nossos corpos desprezíveis se tornarão celestiais. Os maus efeitos da queda – a morte operando em nossos corpos – serão completamente eliminados. Receber nossos corpos glorificados é apenas o começo, um passo preparatório para herdarmos o Reino que Cristo está preparando.

Note bem que o versículo acima nos conta exatamente quando o arrebatamento ocorrerá: “ao som da última trombeta”. A maioria dos cristãos devem saber que haverá o soar de sete trombetas, durante o período da Tribulação (Ap 8:2). Para que a trombeta da qual Paulo fala possa ser “a última trombeta”, é necessário que ela aconteça DEPOIS das sete trombetas mencionadas no Apocalipse, ou que, possivelmente, ela seja a sétima. Isto colocaria o tempo do arrebatamento no final do período da Tribulação ou, pelo menos, perto do fim.

Uma outra passagem que pode trazer alguma luz sobre a ocasião deste evento é Mateus 24:29-31, onde lemos: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias,...Ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.

Embora haja alguns que insistem em que os “eleitos” ou “escolhidos”, aqui, se referem aos judeus, e não aos cristãos, esta idéia não se encaixa com as profecias do Velho Testamento, que dizem que “as pessoas” da Terra, e não os anjos, trarão os judeus de volta a Israel, depois da volta do Senhor (Is 49:22).

Além disto, os crentes sempre são chamados de “eleitos de Deus” (Lc 18:7; Rm 8:33; Cl 3:12). Na verdade, o tempo do arrebatamento não é o tema central deste livro. Nem deveria ser um ponto de controvérsia. Estou apenas oferecendo esses pensamentos ao leitor para que os contemple e tire suas próprias conclusões. Mas, por favor, não se distraia do conteúdo do resto do livro. A ocasião do arrebatamento tem muito pouca relação com o resto da mensagem.



O DIA DE SÁBADO




Muitos de vocês devem saber de cor o versículo que diz: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra e o mar e tudo o que neles há, e no sétimo, descansou...” (Êx 20:11). Este sétimo dia é o dia de Sábado. É o dia de descanso do Senhor. Ele não era apenas o descanso inicial de Deus, mas também prefigurava um outro dia de descanso, o Dia do Senhor. O Reino Milenar é o sétimo dia de mil anos, que também é o dia de descanso para Deus e para o Seu povo.

Embora não seja o descanso final ou o descanso completo que ocorrerá na eternidade, ainda assim é um descanso parcial, que Deus estará tendo, e nós, povo de Deus, estaremos gozando junto com Ele. O autor de Hebreus menciona, nos capítulos 3 e 4, este descanso de Deus que está chegando, e exorta seus leitores a se empenharem para entrar nele, temendo que alguns deles possam vir a falhar (Hb 4:1). Talvez valha a pena parar aqui e ler esses dois capítulos (Hb 3 e 4), para ver como esse descanso se refere a todos nós, crentes em Jesus.

O dia de sábado não é apenas uma prefiguração do descanso que teremos com Deus no Milênio. É também um tipo de descanso que podemos ter em Jesus Cristo. Hoje, podemos entrar espiritualmente no sábado de descanso de Deus, por meio de Jesus. Na verdade, esta é uma verdadeira chave para uma experiência cristã viva. Precisamos aprender a parar com nossas próprias obras, isto é: parar de tentar fazer as obras de Deus por nós mesmos e com nossa própria energia, e aprender a descansar em Deus.

Não me interprete mal. Esse descanso não significa que você não deve fazer nada. É apenas uma suspensão de fazer suas próprias coisas. É um descanso espiritual que podemos experimentar, hoje.

Quando os fariseus desafiaram Jesus por Ele não guardar o sábado, Ele disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (Jo 5:17). Muito embora Deus tenha descansado depois de ter criado os céus e a Terra, Jesus nos diz que Ele ainda está trabalhando. Ele ainda está fazendo algo para cumprir Seus propósitos. A razão pela qual Deus continua a trabalhar é que Seu inimigo, o diabo, corrompeu o que Ele fez originalmente, e assim surgiu a necessidade Dele fazer algo mais para executar Seus planos.

Sim, hoje, Jesus Cristo está trabalhando, e nós deveríamos estar trabalhando com Ele. Devemos realizar “boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). Entretanto, tal trabalho também pode significar descanso. Se nós permanecermos Nele e confiarmos em Sua força para executar Sua ordem, nós encontraremos paz. Ele nos explica que Seu jugo é leve e Seu fardo é suave e que encontraremos descanso fazendo Sua obra (Mt 11:29-30).

Quando nos empenhamos e tentamos arduamente servir ao Senhor, quando sentimos que estamos cansados e exauridos, esta é apenas uma indicação de que não estamos experimentando o descanso de Deus. Não entramos no descanso sobrenatural que está disponível a nós. Claro que sabemos que este descanso é incompleto. Durante o Dia do Senhor, nós gozaremos um descanso muito mais profundo e, na eternidade, um descanso completo.

Uma razão para que sejamos capazes de descansar durante os mil anos é que Jesus Cristo derrotará todos os Seus inimigos. Lemos nas Escrituras que Ele deve reinar até ter colocado todos os Seus inimigos debaixo de Seus pés (1 Co 15:25). Todos os povos, nações, animais, e mesmo a própria natureza, serão subjugados por Ele. Lemos que Ele reinará sobre as nações com um cetro de ferro (Ap 2:27). Somos também ensinados que os leões comerão palha com o boi, e as crianças estarão seguras, mesmo tendo ao redor delas feras venenosas (Is 11: 68). Soa como se todo o curso da natureza tivesse se alterado para ficar em paz. No final do Milênio, o Filho vitorioso entregará a Deus Pai, o reino que Ele próprio subjugou, para que Deus possa ter a completa soberania sobre tudo aquilo que Ele fez (1 Co 15: 24-28).

Durante o reinado de Cristo, Ele fará todas as coisas perfeitas. Ele acabará com a injustiça, limpará toda a sujeira de poluição e colocará um ponto final na guerra (Mq 4:3). Todos os crimes cometidos serão punidos de uma maneira justa e imparcial, que apenas o próprio Deus pode administrar. Muitas coisas deste nosso maldoso mundo atual, que nos deixam perplexos e nos afligem, serão corrigidas quando Jesus voltar. Ele reinará perfeitamente sobre este mundo.

Uma outra coisa que favorecerá grandemente a correção da confusão que é este mundo atual, é que o diabo será acorrentado por mil anos. Durante este tempo, ele será amarrado e lançado no abismo profundo (Ap 20:2-3). A influência de Satanás – sua soberania sobre este mundo atual – será eliminada, e Jesus Cristo ocupará o Seu lugar como Rei. Jesus estará reinando e estabelecendo Seu Reino sobre as pessoas e sobre as nações da Terra.

Infelizmente, a soberania de Jesus Cristo será, em muitos casos, apenas uma subjugação exterior. Quando o diabo for solto novamente, por um pouco de tempo, após o final dos mil anos, todas as nações irão segui-lo em uma rebelião contra o Senhor (Ap 20:7-9). Elas se reunirão em um grande exército e cercarão a cidade santa para lutar contra Cristo e os Seus santos. Esta rebelião terminará quando o fogo cair do céu e consumir este exército rebelde (Ap 20:9).

Este trágico episódio ilustra graficamente um fato importante: o Reino Milenar não alcançará o coração de todos os homens. Toda a Terra estará exteriormente subjugada por Jesus, mas, internamente, a natureza má do homem caído continuará vivendo. A natureza pecadora, que os homens herdaram de Adão, ainda existirá. Muito embora externamente possa haver justiça, com o cessar das manifestações pecaminosas, os corações dos homens não mudarão, a menos que eles tenham uma experiência real e pessoal com Deus. Sem este ingrediente essencial, todos os pecados interiores, como avareza, gula, luxúria, ódio coisas que não podem ser vistas exteriormente – ainda estarão ativas nos corações das pessoas que habitarão a Terra durante o Reinado de Cristo.

Como somos abençoados, hoje, por termos a oportunidade de conhecer Jesus pessoalmente e ter a Sua vida vivendo dentro de nosso ser, nos limpando de toda sujeira interior. Por meio do Seu Espírito, que em nós habita, Ele pode purificar nossas vidas da natureza pecadora que nos leva a praticar coisas imorais. Ele pode nos salvar completamente de todo o mal que existe em nossos corações. Nós, cristãos, somos capazes não apenas de parar com as obras pecadoras externas, mas também podemos ser transformados interiormente para sermos como Jesus. Oh, que salvação!

Um outro aspecto do terrestre Reino Milenar de Jesus é que ele é o cumprimento da promessa de Deus ao Rei Davi, de que nunca faltaria alguém de sua semente para sentar-se em seu trono. Davi, o rei de Israel, ouviu a promessa de que um de seus descendentes reinaria em seu lugar para todo o sempre (2 Sm 7:12,13). Este descendente é o “Príncipe da Paz”. Seu Reino não terá fim (Is 9:6,7). O que Deus prometeu a Davi, Ele fará, e nós seremos parte disto.

O Reino de Cristo é também o cumprimento da promessa de Deus a Abraão, de que a sua semente herdaria a Terra de Israel e a possuiria para sempre (Gn 17:8). Quando Jesus Cristo voltar, Ele reunirá todos os judeus, de todas as nações para onde eles foram espalhados, até mesmo o último deles, e os trará de volta para a Terra de Israel (Ez 39:28). Depois disto, Jesus, de acordo com o capítulo 48 de Ezequiel, irá distribuir essa terra entre as doze tribos. Estes versículos de Ezequiel são bem interessantes e detalham a divisão da terra minuciosamente.

Ezequiel também menciona o fato de que haverá uma faixa de terra, indo do leste para o oeste, chamada a “região santa dos sacerdotes” (Ez 48:9-10). É nesta terra que o povo de Deus pode morar. Lá, haverá uma cidade de Deus, chamada naquele tempo “O Senhor está aqui”, onde Ele estará reinando (Ez 48:35). A semente de Abraão, os judeus segundo a carne, herdarão a Terra que Deus prometeu. Aqueles que são a “semente da fé”, os crentes judeus do Novo Testamento e os crentes gentios, irão reinar sobre a Terra com Jesus. Aqui está novamente um cumprimento literal das promessas de Deus.

Claro que não sabemos exatamente como ocorrerá o nosso reinar com Cristo. Uma coisa sabemos, entretanto, é que estaremos em nossos corpos glorificados, que são corpos semelhantes ao que Jesus tem, desde a Sua ressurreição. Este corpo não se confina a tempo e espaço. Na Bíblia, está registrado que Jesus atravessava paredes e aparecia à vontade, onde desejasse. Sem dúvida, nossos novos corpos também terão estas mesmas capacidades. Assim, durante o Milênio, provavelmente nós não seremos limitados em nossas habilidades com relação a tempo e lugar.

As Escrituras não afirmam especificamente se a nossa presença e o nosso “reinar” durante esse tempo será totalmente contemplado pelos habitantes da Terra. Embora possamos ser visíveis para eles e conhecidos por eles, é também possível que isto não aconteça. Hoje em dia, há governos espirituais deste mundo, dirigidos pelo diabo, que não são vistos pelos homens, mas que, entretanto, exercem completo controle sobre eles. O papel dos crentes no reino vindouro poderia ser concebível como semelhante a isto.

Uma outra possibilidade é que os crentes possam funcionar como os Juízes do Velho Testamento (Mt 19:28). Embora seja impossível tirar uma conclusão definitiva, certamente sabemos que iremos reinar com Cristo nesta Terra (Ap 5:10).

As pessoas da Terra, sobre as quais aqueles que estão com Cristo irão reinar, serão os descendentes dos homens e mulheres que sobreviverem à Tribulação. Durante a grande Tribulação, uma grande parte da população do mundo será morta por várias pragas e julgamentos de Deus. Também na Batalha do Armagedom (que acontecerá imediatamente antes do retorno de Jesus Cristo), literalmente milhões de soldados serão mortos.

A Bíblia descreve o número de pessoas que estarão na Terra, depois deste acontecimento, como semelhante a oliveira chacoalhada (um método de colher azeitonas) e como uma vinha depois da colheita (Is 24:13). Também lemos: “Tornarei o homem mais escasso do que o ouro puro, mais raro do que o ouro de Ofir.” (Is 13:12-NVI). Em outras palavras, durante a primeira parte do Milênio, os habitantes da Terra não serão muitos. Mas, mil anos é um longo tempo, e esses homens, sem dúvida, se multiplicarão. Sem guerras e outras calamidades, eles aumentarão muito rapidamente, e a Terra será novamente povoada.



A FESTA DO CASAMENTO




No Reino Milenar, não haverá apenas: o Dia de Mil anos do Senhor; o Dia do Julgamento dos crentes; o Dia do Julgamento dos descrentes, que se opuserem a Cristo na Batalha do Armagedom; o sétimo dia, o dia sábado de descanso; e o dia da restauração do Reino de Deus. Também esse será o dia do casamento do Senhor.

Talvez muitos de vocês tenham ouvido ou lido sobre a festa das Bodas que está sendo preparada. O conceito geral entre os cristãos parece ser o de que, quando o Senhor voltar e nós formos arrebatados para encontrá-Lo, todos se sentarão imediatamente em uma grande mesa e desfrutarão de uma imensa festa. Possivelmente, haverá bife, frango, costelinhas de porco ou algo assim (bem, provavelmente não porco), e, então, todos voltaremos à Terra para estabelecer o Reino.

Algumas pessoas pensam que essa festa ocorrerá durante uns poucos dias. Outros supõem que levará semanas, ou mesmo, durará de três anos e meio a sete anos.

Mas, vamos considerar por um instante que essa é a festa de Casamento do Filho de Deus. Não é um acontecimento pequeno ou de pouca importância, mas deve ser o mais supremamente santo e espetacular casamento que já ocorreu em todo o Universo. Não será uma festa de alguns dias ou mesmo de sete anos. Não haverá nada apressado na festa do Casamento de Deus. Esta festa estará acontecendo durante mil anos, porque o Dia do Senhor é também o Dia das Bodas do Senhor, e é durante “este dia” que nós estaremos festejando.

Jesus disse: “Assim como Meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lc 22:29-30). Um outro versículo que reforça esta idéia é Mateus 8:11, onde lemos: “Muitos virão do leste e do oeste e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino”. É bem provável que a “mesa” aqui se refere ao banquete do Casamento do Senhor.

Nos tempos bíblicos, parece que a maneira como as pessoas celebravam um casamento era fazendo uma grande festa e convidando toda a família e todos os amigos. Eles começavam de manhã a comer, a beber e a se divertir. Todos os convidados tinham um tempo muito bom com os parentes e companheiros. Eles festejavam durante todo o dia, até à noite, quando a noiva e o noivo se retiravam para consumar o matrimônio. É exatamente assim que será o Dia do Senhor.

Sabemos, pelas Escrituras, que será no final do Milênio que as Bodas (o Casamento do Cordeiro) acontecerão (Ap 21:9-27). Então, se consumará o matrimônio de Cristo com a Sua Santa Noiva. Não será assim: a celebração de uma festa; depois a volta para a terra para reinar com Cristo por mil anos; e, então, mil anos mais tarde, o Casamento. Não, o banquete do Casamento de Jesus Cristo se prolongará por mil anos. Nosso reinado com Cristo, nosso descanso com Ele, e a festa, em que participaremos com Ele, serão simplesmente aspectos diferentes do mesmo período de tempo. Este será o Reino Milenar, o Dia do Senhor.

No livro do Apocalipse, nas cartas às sete igrejas, Jesus não fala apenas de sentarmos com Ele em Seu trono (Ap 3:21) governando as nações com cetro de ferro; reinando (Ap 2:27), mas também promete que nós comeremos do maná escondido e da árvore da vida, festejando (Ap 2: 7,17). Estes versículos retratam dois aspectos da vida no Reino, do qual faremos parte.

Durante os mil anos do reinado de Cristo, estaremos festejando com Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Ele explicou aos Seus discípulos que Ele é o pão da vida que desceu dos céus. Ele é a nossa festa. Certamente, não necessitaremos de frango, bife ou qualquer comida física para nos sustentar. Nosso desejo será dos elementos sobrenaturais da vida divina de Jesus.

Hoje, temos um aperitivo disto. Naquele dia, teremos o sabor completo. O vinho novo será abundante e o maná celestial se espalhará por toda parte. Nenhuma das pessoas escolhidas por Deus passará fome. Poderemos, então, festejar em Jesus Cristo e ficar totalmente satisfeitos.

Claro que é uma boa idéia manter o nosso apetite preparado desde já. Não há dúvida em minha mente de que a nossa capacidade de saborear Deus naquele dia será muito dependente de como desenvolvemos esta capacidade agora. Se aprendermos a nos alimentar do Senhor, da Sua Palavra e da oração, e a ter momentos de intimidade diária com Ele, usufruindo de Sua presença, então, acredito que o nosso regozijo Nele, durante o Milênio, será muito maior.

Vale a pena, eu diria, caminharmos nesta direção. Seremos recompensados, hoje, por nossos esforços, mas também seremos recompensados grandemente no tempo que está por vir.







5.



NO PRINCÍPIO






No princípio, criou Deus os céus e a Terra. E, como parte desse trabalho criativo, Ele fez muitos anjos, um dos quais foi chamado de Lúcifer. Ele era o mais poderoso e belo anjo que Deus fez. Provavelmente, ele foi também o primeiro ser criado. No livro de Isaías, capítulo 14, versículo 12, ele é mostrado como “a estrela da manhã, o filho da alva”. Este verso alude ao fato de que, na aurora da criação, quando Deus estava apenas começando Suas obras magníficas, o anjo Lúcifer foi criado.

Ele não só era o anjo maior e mais poderoso, mas também era um querubim que morava próximo à real presença de Deus. O livro de Ezequiel, capítulo 28, revela alguns fatos interessantes sobre Lúcifer, conhecido hoje como Satanás. Embora, ali, o profeta esteja falando sobre alguém chamado de “o rei de Tiro”, a maioria dos intérpretes bíblicos concorda que essa passagem se refere ao diabo, em seu estado original. Nenhum homem ou ser terreno poderia se adequar à tal descrição.

Vamos ler juntos, começando com o versículo 12, a segunda parte do verso:

“Assim diz o Soberano, o Senhor: Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o enfeitavam: sárdio, topázio e diamante, berilo, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda. Seus engastes e guarnições eram feitos de ouro; tudo foi preparado no dia em que você foi criado. Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso eu o designei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes. Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se achou maldade em você. Por meio do seu amplo comércio, você encheu-se de violência e pecou. Por isso eu o lancei, humilhado, para longe do monte de Deus, e o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes.

Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. Por isso eu o atirei à terra; fiz de você um espetáculo para os reis. Por meio dos seus muitos pecados e do seu comércio desonesto você profanou os seus santuários. Por isso fiz sair de você um fogo, que o consumiu, e reduzi você a cinzas no chão, à vista de todos os que estavam observando. Todas as nações que o conheciam espantaram-se ao vê-lo; chegou o seu terrível fim, você não mais existirá.” (Ez 28:12-19 NVI).

Que tremenda é esta passagem da Escritura! Ela nos revela o estado e a natureza de Satanás, como ele foi criado originalmente. A Escritura se refere a ele como “querubim guardião”. Lúcifer era um dos querubins: criado, escolhido e ungido por Deus para uma tarefa muito especial, sobre a qual falaremos mais detalhadamente.

Na primeira parte do livro de Ezequiel, podemos aprender mais sobre os querubins. Sabemos, por exemplo, que eles são criaturas aladas, possuindo, cada um, três pares de asas. Em vez de pés, eles têm cascos. E cada um tem quatro faces em sua cabeça, uma voltada para cada lado. Em vez de ter a parte traseira da cabeça e os dois lados dela, eles têm quatro faces. Uma é semelhante ao homem; uma é como um leão; outra é como um boi; e a outra é como a águia. Eles também têm outras aparências interessantes, tais como, rodas cheias de olhos que vão com eles para onde eles quiserem. Quando se movem, não se viram para a direção em que devem ir, mas simplesmente se movem naquela direção instantaneamente, parecendo rolar sobre as leis da natureza.

Por falar nisto, esses seres são semelhantes aos “seres viventes” ou “animais”, que encontramos mencionados no livro de Apocalipse. Muitas vezes, a Bíblia fala que o trono de Deus é cercado por querubins. O Salmo 80, versículo 1 diz: “...Tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor” (Veja também: 1 Sm 4:4; 2 Sm 6:2; 2 Rs 19:15; 1 Cr 13:6; Is 37:16; Ap 4:6-8). No livro de Apocalipse são “os seres viventes” que ocupam esta posição.

Observe que, enquanto o Apocalipse descreve cada “ser vivente” como tendo uma face diferente, Ezequiel vê cada querubim com quatro faces. Por que há esta aparente discrepância? O segredo é que o Apóstolo João estava olhando para os querubins, de uma só direção. Os quatro seres permaneciam um de cada lado do trono de Deus e cada um deles o encarava. Já que João os estava olhando de um ponto fixo, ele via a face correspondente em cada querubim. Conseqüentemente, lhe pareceu que cada um tinha uma face diferente. Entretanto, Ezequiel nos dá uma descrição mais completa e explica que cada querubim tem quatro faces.

Lúcifer era um desses quatro querubins. Esses seres celestiais têm a obrigação de circundar o Trono de Deus e de guardar a Sua presença. Com suas asas, eles ocultam, de qualquer espectador, a glória e a majestade do Deus Altíssimo. Estes querubins estão constantemente na presença de Deus, louvando-O e cobrindo a Sua glória com suas asas (Ap 4:8).

Os querubins também aparecem simbolicamente sobre a Arca da Aliança, que os filhos de Israel foram instruídos a construir enquanto estavam atravessando o deserto. Em cima da Arca, havia uma cobertura ou tampa. Entendemos que a tampa era plana, feita de puro ouro, e, em dois lados, havia um querubim esculpido, também de puro ouro. Os dois querubins ficavam um em cada extremidade, com suas asas estendidas para o alto, quase se tocando no centro da Arca (Êx 25:20). Era ali, debaixo das asas dos querubins e sobre o topo da Arca, que a presença de Deus aparecia. O Sumo Sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos. Lá, ele aspergia o sangue dos sacrifícios sobre a tampa. Quando ele aspergia o sangue, a presença de Deus se manifestava, e o Todo Poderoso se comunicava com o sacerdote por entre os querubins de ouro. Estes eram símbolos dos querubins que guardam a glória de Deus, nos lugares celestiais.

Então, agora nós sabemos como era Lúcifer. Não há dúvida de que ele foi o primeiro ser angelical criado (Is 14:12) e, provavelmente, ocupou a posição mais alta no Universo. Ele era um dos querubins. Não é impossível dizer também que ele era o Sumo Sacerdote do Universo e quem levava toda a criação em louvor, oração e adoração ao Deus Altíssimo. Pelo menos, sabemos que ele entende muito de religiões, já que ele iniciou muitas falsas religiões. Talvez esteja usando a experiência anterior à sua rebelião para fazer isto.

Não apenas sabemos que Satanás era grande em glória, poder e beleza, quando foi criado, mas também que ele caiu, corrompeu-se e começou a pecar. Ele começou a ter pensamentos elevados sobre si mesmo e se exaltou por causa de sua grandeza. Seu orgulho foi sua destruição. Ele deve ter pensado algo assim: “Sou tão bonito, tão poderoso! Todas as outras criaturas da Terra me respeitam e me admiram. Por que eu preciso de Deus? Por que preciso me submeter a Ele e adorá-Lo? Vou começar meu próprio negócio.” E assim fez.

Claro que, para fazer isto, ele precisava estabelecer seu próprio reino. Ele tinha que seduzir um número de seguidores do reino de Deus, que iriam adorá-lo e obedecê-lo, em vez de amar e obedecer a Deus. Estou certo de que ele achou impossível ser mais reto, santo, justo, verdadeiro, perfeito e puro que o Deus Todo Poderoso. Então, ele tinha que escolher algo diferente. Tinha que basear seu reino em aspectos diferenciados.

A Bíblia nos diz que o diabo é o pai da mentira. Ele inventou a mentira por si mesmo, tornou-se a origem de todo tipo de pecado e estabeleceu seu reino sobre o ódio, trevas, luxúria, ganância, corrupção, e todo tipo imaginável de maldade. Ele alterou sua natureza para ser o oposto de tudo o que Deus é. E não há dúvida de que ele começou a visitar outros seres no Universo, para seduzi-los a se integrarem ao seu reino e a segui-lo em sua rebelião contra o Altíssimo. Como todos nós sabemos, ele ainda está empenhado nesta mesma atividade maligna, hoje.

É provável que Deus tenha dado a Terra a Satanás, como parte de sua jurisdição, algum tempo antes de sua queda. As Escrituras não são explícitas sobre essas coisas, portanto só podemos especular sobre algumas idéias, mas sabemos que, a partir de um determinado tempo, o diabo obteve autoridade sobre a Terra. Ele é chamado de “príncipe deste mundo” (Jo 12:31; 14:30; 16:11).

Também sabemos que os anjos algumas vezes são mencionados como “estrelas” (Jó 38:7; Dn 8:10; Ap 12:4). É possível que, no princípio, cada anjo tenha recebido uma estrela e os planetas adjacentes para governar sobre eles. Se isto for verdade, o domínio do diabo seria o nosso sistema solar, cujo centro é o sol. É interessante notar como a maioria das religiões pagãs adorava o sol e, fazendo assim, estavam na verdade adorando o diabo. Uma coisa é certa: o diabo é soberano deste mundo atual.

Quando estava tentando Jesus no deserto, ele proclamou ter autoridade sobre este mundo, e o Senhor não discutiu aquela autoridade. Ele apenas o repreendeu, citando a Sagrada Escritura. Outros textos das Escrituras nos mostram que o diabo tem autoridade e jurisdição sobre esta Terra (Jo 14:30; 16:11; 2 Co4:4). Com toda probabilidade, essa autoridade lhe foi dada antes de sua rebelião, enquanto ele ainda permanecia em sua posição original diante de Deus.



ANTES DOS SEIS DIAS




Já que parece correto afirmar que Satanás (Lúcifer), o mais alto ser angelical que Deus criou, recebeu esta Terra como parte de seu domínio antes da queda, não podemos deixar de imaginar como ela era naquele tempo. Embora a Bíblia não nos fale especificamente sobre essas coisas, ela nos dá algumas insinuações, das quais podemos tirar algumas conclusões razoáveis. O Livro de Gênesis afirma que Deus fez os céus, a Terra e tudo o que neles há em seis dias. Entretanto, esse relato inicial não dá uma explicação sobre quando os anjos foram criados e quando Satanás caiu, nem nos conta como esta queda afetou a Terra sobre a qual ele reinava. Para examinar mais minuciosamente, vejamos o primeiro versículo do Livro de Gênesis.

Nós lemos: “No princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn 1:1). Este primeiro verso nos fala da criação de Deus, e nós podemos estar certos de que, quando Deus cria alguma coisa, Ele a faz bonita e perfeita em cada detalhe. Mas, surpreendentemente, o segundo verso começa: “A Terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1:2).

Isto soa como se Deus tivesse criado uma bolha sem forma, uma terra escura, vazia, abandonada, e, então, começou a trabalhar nela, para fazê-la melhor. Embora Deus pudesse ter feito assim ou de qualquer outra maneira que Ele escolhesse, o restante de Seu trabalho criativo não foi feito deste modo.

Realmente, existe um modo melhor de ver estes dois versículos. De fato, existe uma melhor tradução deles, que nos ajuda a entender mais claramente o que a Bíblia está dizendo. A quarta palavra, do segundo verso, é comumente traduzida como “estava” (ou “era”) – “A Terra...estava sem forma”. Mas, esta palavra hebraica pode também ser traduzida por uma outra palavra. É igualmente válido traduzi-la por “tornou-se”. Esta única palavra pode ser traduzida de duas maneiras diferentes.

Por exemplo, essa mesma palavra é empregada na história de Ló e sua mulher quando fugiam de Sodoma e Gomorra. Estamos informados de que a mulher de Ló “tornou-se” uma estátua de sal. A mulher de Ló não estava originalmente uma estátua de sal, mas tornou-se uma, como conseqüência do julgamento de Deus sobre ela por causa de sua desobediência.

Portanto, seria gramaticalmente aceitável usar “tornou-se” no segundo versículo de Gênesis. Então, substituindo esta palavra, o versículo ficaria: “A Terra tornou-se sem forma e vazia”, dando-nos assim uma perspectiva completamente nova desta passagem. Veja como a mudança na tradução pode dar um entendimento, muito diferente.

A frase “sem forma e vazia” também pode ser traduzida de forma diferente, e fazer isto nos ajuda a olhar mais claramente o que aconteceu. As palavras hebraicas correspondentes são “TOHU WAH BOHU” e poderiam ser melhor traduzidas como “desolada e vazia”. As duas palavras TOHU e BOHU são achadas juntas duas outras vezes no Velho Testamento. Em ambos dos casos, estão se referindo claramente a uma situação em que Deus julgou e destruiu algo (Is 34:11 e Jr 4:23-27). Estes versículos não falam sobre criação, mas sobre julgamentos de Deus, que deixam algo devastado e vazio.

As duas palavras TOHU e BOHU são também achadas separadamente muitas outras vezes no Velho Testamento e, na maioria das vezes, elas se referem claramente a julgamentos de Deus, Sua ira ou Sua destruição. Somente umas poucas vezes elas podem ser empregadas para significar algo positivo e, em nenhuma dessas ocorrências, referem-se conclusivamente a algo bom.

Uma passagem que é particularmente surpreendente, referente a esse assunto, é Isaías 45:18, onde lemos: “Porque assim diz o Senhor, o criador dos céus; ele é Deus que formou a terra, e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia.” (BA). A palavra hebraica para “vazia”, ali, é TOHU. É claro, então, que Deus originalmente criou a Terra não TOHU, isto é, não vazia ou “sem forma”, conforme algumas traduções podem nos levar a acreditar!

Unindo todos esses argumentos, surge um quadro. Torna-se claro que, no princípio, Deus criou os céus e a Terra perfeitos, conforme nós deveríamos esperar Dele, mas algo aconteceu. Em um determinado momento, algo ocorreu, e a Terra, então, “tornou-se” sem forma (ou desolada) e vazia. Isto deve corresponder ao período da rebelião de Satanás. Quando o deus deste mundo se rebelou contra o único Deus verdadeiro, corrompendo a si mesmo e sua natureza, no processo, ele corrompeu também o território sobre o qual ele reinava. É provável, então, que Deus tenha julgado aquele mundo e o destruído com uma enchente de águas. Esta é a condição em que encontramos a Terra na segunda parte de Gênesis 1:2: coberta pelas águas e em trevas e desolação.

Entretanto, não podemos dizer que esse versículo e alguns outros que estão associados a ele sejam incontestáveis. Porém, ainda assim, sinto que, com toda a probabilidade, foi assim que aconteceu. O que é insinuado a nós no segundo versículo do, capítulo 1, de Gênesis, é a maneira como as coisas realmente ocorreram. Para um estudo mais profundo deste assunto, veja: Earth’s Earliest Ages, de G. H. Pember.

Um outro ponto interessante é que a palavra “criou”, empregada no primeiro versículo de Gênesis onde se lê “Deus criou os céus e a Terra”, significa criar alguma coisa do nada. Na maioria das vezes em que se narra outros aspectos da “criação”, o verbo encontrado pode ser traduzido como “fez”, “Deus fez”, que se refere a algo sendo construído a partir de materiais já existentes.

A palavra “criou”, significando algo feito do nada, é usada duas outras vezes: no versículo 21, referente aos animais, e nos versículos 26 e 27, referentes à criação da vida humana. Os outros atos que Deus fez, durante o que convencionamos chamar de “seis dias da criação”, são, mais provavelmente, seis dias de restauração, uma restauração da Terra que Deus tinha criado originalmente.

Um bom exemplo disto se encontra em Gênesis 1:11, onde Deus diz: “Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez.” É possível que estas sementes que germinaram e começaram a produzir muitas variedades de plantas, já estivessem na Terra. A Terra devastada, que Deus estava restaurando, possivelmente continha sementes que Deus simplesmente determinou germinar, brotar e começar a dar frutos. A Terra “destruída”, sobre a qual lemos no versículo 2, do capítulo 1, de Gênesis, foi inundada com água. Na ausência de qualquer luz, esta água teria se congelado. Se houvesse luz anteriormente e esta luz tivesse sido tirada como resultado de um julgamento, isto resultaria em uma súbita e ampla “era do gelo”, matando a maioria ou a totalidade das formas de vida.

Possivelmente, essa camada de gelo cobrindo os oceanos e a Terra iria isolar as extremas profundidades do mar, próximas aos ventos térmicos, onde é concebível que algum tipo de vida marinha possa ter sobrevivido. Isto poderia explicar o “peixe fóssil vivo”, que é encontrado nas grandes profundezas. Tais pensamentos, é claro, são apenas especulações e não têm uma ampla base nas escrituras.

Então, o que podemos ter em Gênesis, capítulo 1, é uma descrição da restauração e recriação feita por Deus, de algo que Ele fizera perfeito e completo, mas que foi destruído por Satanás em sua rebelião. Embora não possamos provar conclusivamente nenhuma dessas coisas, e isso não tenha valor para basear a nossa fé, creio que você verá, conforme prosseguimos, como isso traz muito mais explicações do que dúvidas, e como esse entendimento provê um quadro muito mais nítido do que Deus está fazendo na Terra, hoje.

De fato, um bom critério para julgar a verdade de certos ensinamentos deve ser: que eles possam trazer mais explicação do que confusão. Isto quer dizer que eles ampliam nossa revelação referente aos propósitos de Deus, muito mais do que a obscurecem. Qualquer ensinamento sobre as Escrituras que desvende e expanda nossa compreensão a respeito de Deus deve carregar um certo peso de credibilidade.



A CAMADA DE ÁGUA




Há um fato interessante que vale a pena mencionar: é que, durante os chamados “seis dias da criação”, Deus suspendeu uma camada de água acima da atmosfera, cobrindo toda a Terra. Em Gênesis 1: 6-8, lemos: “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céu”. Então, somos ensinados que Deus separou as águas. Algumas, Ele colocou acima do “Céu”, e outras abaixo do “Céu”. Este “céu” é o que conhecemos hoje como “ar” ou atmosfera.

Ter uma camada de água suspensa acima da atmosfera produziu vários efeitos. Um dos resultados foi que o clima e as condições atmosféricas eram muito diferentes do que conhecemos hoje. Somos levados a crer que, durante o tempo em que essa camada de água esteve intacta, não choveu sobre a Terra, e a vegetação era regada por uma neblina que subia do solo (Gn 2:5-6). Pode ser que essa camada de águas agisse como o vidro em uma estufa, e que a Terra tivesse uma temperatura única. Então, o clima não variasse muito de um lugar para o outro.

Talvez uma outra conseqüência dessa camada de águas seja que, naqueles dias, as pessoas viviam muito mais – aproximadamente dez vezes mais – do que vivemos hoje. Pode se teorizar que isto fosse um resultado da camada de águas suspensas. Embora ninguém saiba ao certo o que provoca a longevidade, é possível que algum tipo de radiação ou bombardeio de partículas subatômicas, atingindo a Terra, provenientes do espaço sideral, possam impedi-la.

A camada de águas poderia ter estado protegendo a Terra e os seus habitantes de tais coisas, absorvendo esses raios. Hoje, por exemplo, algum material radioativo é armazenado debaixo d’água, e a água absorve a radiação que é emitida. O que sabemos com certeza é que, quando a camada de água foi removida, a idade máxima dos indivíduos começou a declinar rapidamente.

Quando Deus inundou a Terra nos tempos de Noé, lemos que “as janelas do céu se abriram” (Gn 7:11). Assim, quando ocorreu a primeira chuva, a água que estava suspensa sobre o “céu” foi liberada, e choveu torrencialmente sobre a Terra, inundando-a completamente. Quando toda a água cessou, e o sol começou a brilhar de novo, o primeiro arco-íris apareceu, como um sinal da fidelidade de Deus (Gn 9:13). Naturalmente, já que nunca chovera anteriormente, eles nunca poderiam ter tido um arco-íris.

Imediatamente após esses fatos, a idade do homem começou a declinar. O que quer que seja que esteja bombardeando a Terra, vindo do espaço, começou a se desenvolver no solo, no meio ambiente e também nas plantas e animais, até atingir um tipo de equilíbrio. Esse processo durou centenas de anos, mas quando nós verificamos a idade dos descendentes de Noé, é fácil constatar a progressão descendente até chegarmos à idade que experimentamos hoje. Assim, parte do julgamento sobre a humanidade, nos dias de Noé, foi remover a camada protetora das águas e reduzir o número de dias nos quais o homem pudesse praticar o mal na Terra. Creio que esse julgamento também será suspenso durante o Milênio (Is 65:20).

Uma outra idéia casual, que pode ser conjeturada, é que a existência da camada de águas protegendo a Terra da radiação poderia grandemente distorcer os resultados de algumas técnicas científicas, empregadas para determinar a idade dos fósseis e ossos desse período.



DEMÔNIOS E ANJOS CAÍDOS




Outra coisa sobre a qual podemos especular é que, durante o tempo em que a Terra foi governada por Lúcifer, antes de sua rebelião contra Deus, pode ter havido um tipo de criaturas ou seres que a habitavam. Não sabemos com certeza, mas se tais criaturas existiram, quando Satanás se rebelou, sem dúvida ele as induziu a se rebelarem junto com ele.

Quando uma pessoa examina os fósseis, fatos interessantes emergem, os quais tendem a dar credibilidade a essa idéia.

Muitos dos dinossauros, por exemplo, que poderiam ter vivido nesse tempo, parecem ter sido animais malvados e agressivos, refletindo o caráter de seu amo. É até mesmo possível que o fóssil “humano”, que alguns afirmam ter encontrado (embora a evidência disto seja bastante insuficiente), possa ter sido um habitante da Terra nessa época.

De acordo com essa idéia, depois que essas criaturas (ou o que quer que fossem) se rebelaram junto com Satanás, Deus julgou aquela primeira criação com uma inundação de água, que destruiu todos os seres da Terra. Este é exatamente o quadro que vemos no segundo versículo de Gênesis: a Terra era sem forma, vazia, coberta pelas trevas e submersa nas águas.

Se tais seres existiram sobre a Terra, antes da rebelião de Satanás, isto nos explicaria a origem dos demônios. Muitos cristãos aprenderam que demônios são anjos caídos. Este não é necessariamente o caso. Embora seja uma crença tradicional dentro da Igreja, não existe um único versículo nas Escrituras que diga isso. Infelizmente, essa conexão foi feita principalmente por conjeturas, e muitos a aceitaram como um fato, sem nenhuma base nas Escrituras.

O que sabemos, entretanto, é que, nas Escrituras, há uma forte associação entre demônios (espíritos imundos) e água. Jesus disse que, quando um demônio sai de um homem, ele anda por lugares áridos, procurando descanso, porém não encontrando (Mt 12:43). Parece que os demônios precisam de água para ter “descanso”. Quando Jesus expulsou a legião de demônios, eles pediram para entrar nos porcos que estavam próximos. Estes suínos, então, se lançaram ao mar (Mc 5:1213). Evidentemente, aqueles demônios estavam ansiosos para ir para lá.

Há também um versículo em Jó que menciona “Os mortos tremem debaixo das águas...” (Jó 26:5-VCR). Quem são estes “mortos”, senão demônios? É duvidoso que esse versículo se refira apenas ao número limitado de marinheiros que haviam morrido no mar, antes que o livro de Jó fosse escrito. Todos os mortos, sejam afogados, ou de outra maneira, vão para o lugar que Deus preparou para eles, seja o Hades ou Sheol. Os que se afogaram não têm um tratamento especial e nem têm seus espíritos esperando no fundo do mar. Então, é claro que existe um grupo de seres no abismo ou mar, que não são dos seres humanos mortos.

Assim, podemos concluir que, na criação original, existiam criaturas na terra, com algum tipo de corpo. Depois do julgamento de Deus, seus corpos foram destruídos, mas seus espíritos continuaram a existir. Estes são os que agora chamamos de demônios, os espíritos imundos. E estes espíritos vivem ou preferem viver na água.

Embora novamente não sejamos capazes de tirar conclusões absolutas sobre essas coisas, há evidências nas Escrituras que dão suporte a essa teoria. Ela nos daria uma explicação para o fato de que os demônios desejam possuir ou habitar um corpo humano. Se anteriormente eles eram espíritos que habitavam algum tipo de corpo e depois foram despojados dele pelo julgamento de Deus, não há dúvida de que eles poderiam querer habitar um corpo novamente. Também pode ser que preferissem viver na água, porque poderiam ter a sensação de estar em um corpo físico.

Um outro versículo importante se encontra em Apocalipse 20:13, onde lemos sobre o julgamento final que está por vir: “O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e cada um foi julgado de acordo com o que tinha feito” (NVI). Gostaria de submeter à sua apreciação o fato de que todos os seres humanos mortos (exceto os crentes, já que eles deverão ter ressuscitado anos antes), sejam aqueles que foram afogados ou não, deverão estar na “Morte” e no “Hades”. Portanto, os mortos que estão no “mar” devem ser algum outro tipo de criatura. Interessante é que estes serão ressurretos antes e, talvez, sejam julgados antes, já que foram feitos primeiro.

Os anjos, por outro lado, foram criados um pouco maiores que os seres humanos. Nós lemos que o homem foi criado um pouco menor do que os anjos (Sl 8:5). Eles podem aparecer em forma de corpo humano, quando assim o desejam, mas eles não têm necessidade, nem aparentam desejo, de possuir um corpo humano. Também somos ensinados que os anjos caídos não habitam no mar, mas sim no ar (Ef 2:2). Esses fatos nos mostram que os anjos caídos que estão reinando sobre esta Terra com Satanás têm sua morada na atmosfera, e não dentro do mar.

O quadro completo dos inimigos de Deus – os demônios no mar e os anjos caídos no ar – é claramente mostrado na passagem que descreve Jesus atravessando o mar em um barco (Mc 4:35-41). As ondas (casa de demônios) se levantaram e o vento (domínio dos anjos) soprou forte, enquanto Jesus estava adormecido, como se fizessem um esforço para destruí-Lo. Quando Ele acordou, repreendeu-os e disse: “Aquiete-se! Acalme-se!” (verso 39 NVI). Jesus Cristo tem completa autoridade sobre ambos, anjos caídos e demônios.

Talvez em sua caminhada com o Senhor, você tenha tido algumas experiências, que essa interpretação possa explicar. Lendo o Novo Testamento, sabemos que Jesus deu a Seus discípulos completa autoridade sobre os espíritos imundos, os demônios. Jesus, e depois os Apóstolos, os expulsava com uma palavra. Entretanto, algumas vezes nos achamos atormentados e atacados por forças espirituais que não obedecem instantaneamente ao nosso comando, quando as repreendemos. Freqüentemente, nos encontramos em uma luta espiritual que não é simplesmente resolvida com “uma palavra”.

Uma explicação para isso é que eles não são demônios, mas anjos caídos – principados e potestades – contra os quais estamos lutando. Embora tenhamos poder para vencer essas batalhas, hoje, ainda não recebemos “toda” autoridade sobre esses seres. Paulo diz que nós lutamos contra principados e potestades (Ef 6:12). Nosso combate contra eles é uma contenda e uma luta.

Se você tem completa autoridade sobre alguém, não há necessidade de lutar contra ele. Por exemplo, nosso combate contra os demônios é de absoluta autoridade e comando. Quando nós os repreendemos, eles fogem. Portanto, se você repreende os espíritos maus que estão perturbando você, e eles vão embora, isto pode indicar que são forças demoníacas.

Mas, por outro lado, se você precisa contender, empenhar-se, resistir e procurar ajuda de Deus por um longo período de tempo, é provável que esta seja uma luta contra os anjos caídos sobre os quais as Escrituras falam. Não estou dizendo que não possamos vencer essas batalhas, mas apenas que a maneira de lutar e vencer é diferente e deveria ser compreendida por aqueles que andam com o Senhor.

Hoje, há alguns crentes que, não conhecendo essas afirmações, têm tido a política de repreender e mesmo lançar insultos ao diabo e aos seus anjos. Tenho estado em algumas reuniões de orações, em que os crentes xingam o diabo e zombam dele, gritando, amarrando-o e repreendendo-o com alto volume, mas com pouca autoridade. Em 2 Pedro 2:10 e Judas 8 e 9, somos advertidos contra esse tipo de ação. Ali, encontramos fortes admoestações contra “insultar os gloriosos” ou “difamar seres celestiais”. Insultar quer dizer ultrajar ou xingar asperamente ou usar linguagem insolente. “Gloriosos” se refere a seres gloriosos ou anjos.

Algumas traduções usam a palavra “dignatários” em vez de “gloriosos”, mas o versículo seguinte torna claro que se referem ao diabo e aos seus anjos. Somos ensinados que esse insulto é uma coisa tola e carnal, que mesmo os mais altos e santos anjos não ousam fazer.

Irmãos, vamos ser cuidadosos em nossa luta contra o inimigo e agir de acordo com o Espírito, e não de acordo com a nossa carne. Não se desviem para idéias e práticas tolas e prejudiciais, mas focalizem sua atenção no Senhor Jesus Cristo, sirvam-No com sua vida e resistam aos ataques do diabo, em todo o tempo.

Agora, antes de divagarmos mais, vamos voltar ao nosso assunto. Depois do trabalho da primeira criação de Deus, a Terra original foi corrompida pela queda de Satanás e sua rebelião contra Deus, junto com todos os seus habitantes. Então, Deus julgou aquela Terra, destruindo-a com uma inundação. Essa Terra arruinada, corrompida, Deus decidiu restaurar, recuperar e trazer de volta para Si mesmo. Ele não permitiu e não permite que o diabo O vença. Ele simplesmente começou um trabalho adicional em Seu plano para esta Terra: restaurá-la para Si; afirmar Sua justa autoridade sobre ela; e enchê-la de novo com seres obedientes a Ele.

Sobre isto, estaremos falando no próximo capítulo. A discussão anterior tem sido um esforço para pintar um quadro e montar o palco, por assim dizer, do que estaremos vendo no restante deste livro. Se quisermos compreender os propósitos de Deus para esta Terra, é essencial que conheçamos a história da Terra. O Reino de Deus e Sua soberania sobre a Terra é algo que está no coração Dele. A visão da Terra que foi apresentada, aqui, pode ser de uma grande ajuda para tentarmos entender porque Deus está tentando de novo estabelecer Sua autoridade sobre ela.

Para vencer completamente Seu inimigo, Ele precisa retomar o controle do território que foi usurpado. Faz parte do plano de Deus, com o passar do tempo, restaurar tudo o que o diabo tem usurpado. E nós sabemos que esse plano se completará quando Jesus Cristo voltar para reinar. Finalmente, o Reino de Deus virá para a Terra.







6.



A ORDEM DE DEUS – A FALHA DO HOMEM






Pode-se pressupor, então, como foi mostrado no capítulo anterior, que a Terra original criada por Deus foi corrompida e arruinada por Satanás em sua rebelião, e que Deus, então, julgou a Terra e, como conseqüência, a destruiu. Portanto, os primeiros capítulos do livro de Gênesis podem ser considerados como a história da restauração e da reconstrução da Terra.

Esta restauração, assim como a Terra original, foi perfeita, como todo o trabalho de Deus. Após cada dia de trabalho na criação, com exceção do segundo, Deus “viu que era bom”. Deus se sentia gratificado com a Sua obra, quando Ele terminava o trabalho (Gn 1:31).

Apesar disso, ainda havia algo errado. Nessa Terra viçosa, bonita, recriada, que Deus fez, havia a presença de Seu inimigo, com todas as suas hostes da maldade. A atmosfera ao redor da Terra estava repleta de anjos caídos (Ef 6:12; Cl 2:15), e o mar (o abismo ou as profundezas) estava fervilhante de demônios. Esta era a situação na qual Deus colocou o primeiro homem, Adão.

Ao imaginarmos como a Terra foi corrompida por Satanás e estava cheia de suas forças malignas, devemos, então, tentar compreender porque Deus colocou o homem nesse lugar. Claro que sabemos que Deus criou o homem para o Seu prazer, mas, no livro de Gênesis, vemos a insinuação de alguma coisa a mais. Parte de Seu plano era recuperar a Terra para Si próprio. Mas, antes de entrarmos nisto, vamos examinar, por um momento, o homem que Deus fez.

Quando o homem foi criado, foi feito à imagem de Deus e conforme à Sua semelhança (Gn 1:26). Ser criado à imagem de Deus significa que o homem é, interiormente, como Deus. E ser criado à semelhança de Deus quer dizer que, externamente, fisicamente, o homem se assemelha a Deus.

Para demonstrar isto um pouco melhor, vamos começar pelo interior. Todo homem tem dentro dele três habilidades distintas. Ele pode pensar, sentir e decidir. Estas três capacidades são geralmente conhecidas como mente, emoções e vontade. Significativamente, Deus também pensa, sente e decide. Na verdade, os pensamentos, os sentimentos e as decisões de Deus são infinitamente maiores e mais fortes que os nossos. Ele também tem uma mente, emoções e vontade. Portanto, é fácil ver que, internamente, o homem foi feito à imagem de Deus. Em suas partes mais íntimas, a caracterização do homem reflete, ainda que de um modo bem inferior, o seu Criador.

O corpo do homem lhe dá sua aparência externa. Quando Deus se revelou na história bíblica a alguns homens como Moisés, Elias ou Daniel, Sua aparência era a de um homem. Isto quer dizer que Ele era visto como tendo braços, pernas, pés, cabeça etc. Por outro lado, Ele não tinha patas, garras, asas, penas, chifres, escamas ou múltiplas faces. Quando nós O virmos, iremos reconhecê-Lo na forma que Ele existe, porque o homem se parece com Deus. Na verdade, o homem é a única criatura em todo o Universo que tem o privilégio de, interna e externamente, se assemelhar a Deus. Aleluia! Que fato glorioso este, de termos sido feitos como o próprio Deus!



A INCUMBÊNCIA DE DEUS PARA O HOMEM




Para voltar à nossa discussão original: Deus fez uma nova criatura, o homem, à Sua imagem e à Sua semelhança e colocou-o no jardim do Éden. Fazendo assim, Ele o colocou bem no centro de um ambiente hostil, cheio de anjos caídos e de demônios. Então, Ele lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a.” (Gn 1:28). A palavra hebraica para “sujeitar” também pode ser traduzida por “conquistar”. O plano de Deus para o homem era que ele exercesse o “domínio” sobre todo o planeta (Gn 1:26). Vemos Deus, então, criando o homem à Sua semelhança, colocando-o no meio do território do diabo e ordenando-lhe que o conquistasse, subjugasse e tivesse domínio sobre ele. Foi dada ao homem a tarefa de ter autoridade sobre a Terra.

Mas espere um minuto. Existiam outros seres aqui, a quem havia sido dada essa autoridade antes que eles se rebelassem. Já havia outros governantes na Terra. Portanto, o aparecimento de Adão no jardim era uma ameaça direta à soberania de Satanás. Ele estava sendo colocado na Terra para confrontar e derrotar a autoridade do diabo. O trabalho do homem era ser um substituto. Ele deveria tomar o lugar dos atuais soberanos malignos. Este era o início do plano de Deus para recuperar a Terra do domínio de Satanás, para o Seu próprio domínio.

Deus colocou o homem na Terra como Seu emissário para retomar o que havia sido perdido durante a rebelião de Satanás. Veja bem, o homem não foi apenas uma das experiências de Deus. Deus não o fez simplesmente por um capricho. Quando nosso Criador nos fez, Ele tinha em mente um propósito e um objetivo muito bem definidos. A humanidade foi criada para ser o agente através do qual Deus iria vencer Seu inimigo e recuperar o território perdido.

Para cumprir este plano, o homem, assemelhando-se a Deus e tendo comunhão com Ele, foi incumbido do trabalho de povoar a Terra com homens semelhantes a ele mesmo, que fossem submissos à autoridade e soberania de Deus. Conforme eles se multiplicassem na Terra, Deus poderia novamente considerá-la Sua, já que ela estaria repleta de criaturas que O amavam e O obedeciam. Que vitória gloriosa! Mas, como todos sabemos, naquele tempo, a vitória ainda não estava próxima.

Satanás certamente compreendeu pelo menos uma parte do que Deus estava fazendo. Ele provavelmente não poderia suportar um ser parecido com Deus, habitando em seu mundo. Deve tê-lo perturbado muito ver Adão e Eva vivendo e trabalhando em submissão a Deus, em sua Terra. Então, ele veio e, sutilmente, ludibriou Eva. Ela, por sua vez, seduziu seu marido, e eles caíram.

Em vez de viver para Deus e servi-Lo, eles se rebelaram contra Deus e se tornaram participantes do reino de Satanás. Eles compartilharam da árvore que Deus os havia instruído para não comer. Sua natureza foi corrompida, e a morte começou a operar neles. Naquela ocasião, eles se colocaram debaixo da maldição de Deus e se tornaram servos do reino da maldade. Era como se o plano do Altíssimo tivesse falhado completamente.

Entretanto, Deus não se deixa enganar. Ele não desiste rapidamente. Ele tem o poder de executar Seus planos na mais aparentemente insuperável adversidade. Mesmo antes Dele começar Seu plano de criar Adão e Eva, Ele já sabia tudo o que iria acontecer. A falha do homem não O pegou de surpresa. Embora o primeiro homem, Adão, falhasse em cumprir o seu papel de exercer domínio sobre a Terra, Deus prometeu à mulher uma semente. E desta semente, Ele disse, viria aquele que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15).

Embora o diabo tenha conseguido uma aparente vitória, Deus já tinha um plano. Por meio da mulher e da raça humana, Deus traria uma semente que iria finalmente realizar Seu desejo de derrotar e vencer o inimigo. Essa semente é o homem Jesus Cristo, Aquele que triunfou sobre o diabo e expôs Sua vitória sobre principados e potestades (2 Cl 2:15).



A APARENTE VITÓRIA DO DIABO




Depois da queda, os homens começaram a se multiplicar na face da Terra. Conforme o tempo passava, Deus ocasionalmente encontrava um homem que se abria para Ele, O amava e O servia. Enoque, o sétimo depois de Adão, foi um homem assim. As Escrituras testificam que ele andava com Deus “e já não era, porque Deus o tomou para Si” (Gn 5:24). Com o passar dos anos, entretanto, as multidões de homens caídos corromperam muito seu caminho sobre a Terra. Eles caminhavam na maldade, na mentira, na ganância e na violência. Eles praticavam continuamente as coisas que Deus odiava. Esses homens agiam diariamente como o inimigo os levava a agir, com toda a sua maldade.

Esta situação piorou até que a humanidade se tornou parte integrante do reino de Satanás. Homens e mulheres se rebelaram contra Deus de uma forma tal, que eles se envolveram em todo tipo de pecado imaginável. A violência era excessiva. Não existia nenhum governo naquele tempo para controlar as paixões dos homens e, então, eles se agrediam e se matavam uns aos outros, à menor provocação. Concupiscências sexuais desmedidas também estavam em evidência.

Esta situação foi tão longe, que parece que alguns começaram a ter relações sexuais com os anjos caídos. Nos primeiros versículos de Gênesis 6, lemos sobre “os filhos de Deus” que cobiçaram “as filhas dos homens” e se relacionaram com elas. O produto de tal união profana foi os gigantes chamados Nephalim, uma raça de seres que Deus nunca planejou e não queria sobre esta Terra. Uma leitura cuidadosa de Gênesis 6 mostra claramente o desenrolar dos fatos. Neste ponto, Deus viu que os desejos dos corações dos homens eram continuamente maus. O homem não apenas estava se rebelando, como estava poluindo toda a raça humana por meio de relações sexuais ilícitas.

Os “filhos de Deus”, do capítulo 6 de Gênesis, devem ser seres angelicais, já que as Escrituras assim se referem a eles em outros lugares (Jó 1:6; 2:1; 38:7; Dn 3:25). De fato, alguns dos antigos manuscritos substituem as palavras “filhos de Deus” por “anjos de Deus”, nesta passagem.

Embora alguns crentes, ofendidos por esta idéia, tenham tentado encontrar uma outra explicação e dito que esses eram os filhos de Sete (isto é, homens da linhagem daqueles que andavam com Deus), este não pode ser o caso. Tal teoria não explica porque o resultado desses casamentos tenha sido o nascimento de gigantes, ou porque Deus considerou suas atividades tão pecaminosas. A procriação dos homens normais, especialmente aqueles da descendência de Deus, era realmente comandada por Deus.

Por mais depravado que possamos considerar esse pecado e por mais que tentemos negá-lo, parece que ele vai ocorrer novamente antes da segunda vinda de Cristo. Jesus nos diz: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24:37).

A situação na Terra havia se tornado tão ruim, que Deus se arrependeu de ter feito o homem. Ele olhou para a Terra e viu que ela estava totalmente corrompida, cheia de violência e obras más, aumentando a sua população com seres gigantescos, os quais Ele nunca desejara trazer à existência. Conseqüentemente, Deus planejou destruir a Terra com todos os seres que a habitavam.

Mas, em um homem, Noé, Deus encontrou retidão. Noé andava com Deus. Então, Deus decidiu salvar este homem e sua família da destruição que planejara. Deus o instruiu a construir uma arca e colocar nela um par de cada animal impuro e sete pares de cada animal limpo. Esta arca seria o veículo através do qual eles se salvariam do segundo dilúvio de águas sobre a Terra.



UM TIPO DE CRISTO




É interessante notar que a Arca de Noé, por meio da qual a salvação foi efetuada, é um tipo do nosso Senhor Jesus Cristo. Na lateral da arca havia uma porta, através da qual todos os que entrassem seriam livrados do julgamento de Deus. Quando Jesus morreu, uma abertura foi feita em Seu lado. Isto também era um tipo de “porta de entrada”, através da qual podemos entrar Nele e ser salvos. É através do lado trespassado de Jesus Cristo, do sangue e da água que verteu, que somos salvos do julgamento iminente de Deus e inseridos em um novo mundo que está por vir.

Embora Satanás tivesse aparentemente conseguido uma grande vitória, corrompendo a humanidade e arruinando novamente a Terra de Deus, Deus encontrou um homem com o qual Ele poderia recomeçar um novo mundo para executar Seus propósitos. Depois que as águas do dilúvio baixaram e a arca ancorou, os descendentes de Noé mais uma vez começaram a povoar a Terra.

Infelizmente, eles também falharam em conhecer e amar a Deus e em cumprir a ordem dada ao primeiro homem. O mal e a rebeldia novamente começaram a se espalhar excessivamente. Notáveis exemplos disto estão registrados na Bíblia, tais como o incidente da Torre de Babel, onde o homem decidiu que podia controlar o seu próprio destino, reivindicando essencialmente ser deus e poder fazer tudo o que quisesse. Foi ali que Deus confundiu os homens, mudando suas línguas, para que um não pudesse compreender o outro, e os dispersou por toda a face da Terra. A história de Sodoma e Gomorra é outra ilustração de quão depravada a humanidade se tornou. Aparentemente, Satanás continuou a triunfar, e o homem continuou a cair cada vez mais profundamente no pecado.



UMA SELEÇÃO ESPECIAL




Nesse ponto, parece que Deus alterou Seu modo de trabalhar. Ao invés de tratar com a humanidade como um todo, Ele decidiu fazer para Si um povo, para formar, entre todos os homens, uma raça que fosse especialmente Sua. E seria com essas pessoas que Ele iria trabalhar para cumprir Suas metas originais.

Para este plano, Deus escolheu um homem de fé, Abraão. Quando ainda não tinha filhos, ele foi chamado por Deus e recebeu a promessa de que sua semente iria se multiplicar e herdar toda a Terra de Canaã. Deus lhe disse que iria fazer dele uma grande nação, e que, nele, todas as nações da Terra seriam abençoadas. Foi com esse grupo seleto que Deus planejou cumprir Seu objetivo original. Ele o separaria para Si, do resto dos habitantes da Terra, e o ensinaria sobre Seus estatutos e Seus caminhos. Ele iria ensiná-lo sobre Suas leis e Seus juízos e levá-lo a vencer o diabo e a viver para Ele.

Como você provavelmente sabe, Deus executou essa “fase” de Seu plano com os filhos de Israel, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Depois que Moisés os tirou do Egito, levando-os para o deserto, Deus começou a falar com eles e a trabalhar com eles para moldá-los no tipo de pessoas que Ele desejava. Lá, Ele os testou, purificou-os, revelou-se a eles e, separados do resto do mundo, Ele os preparou para serem o povo de Sua propriedade.

Após 40 anos de tratamento de Deus, eles estavam prontos para entrar na terra, que Ele havia prometido tomá-la dos habitantes que lá viviam, e estabelecer um reino de justiça, sobre o qual o próprio Deus reinaria soberano.

A história bíblica nos conta que, com o correr do tempo, também esse projeto pareceu terminar em aparente fracasso. O povo de Israel, depois de entrar na Terra de Canaã, começou a se misturar com a população nativa, o que Deus tinha especificamente lhes ordenado não fazer.

Conseqüentemente, eles começaram a andar em maus caminhos. Idolatria, fornicação, luxúria e pecado de todo tipo novamente se espalharam no meio do povo de Deus. Volta e meia, Deus fazia uma coisa ou outra para trazê-los de volta para Si. Ele providenciava circunstâncias para fazê-los miseráveis e, então, levantava líderes para libertá-los da escravidão em que eles haviam entrado. De novo e de novo, repetidamente, Ele os salvava do poder do diabo, que estava prejudicando suas vidas, e os restaurava para Si.

Num determinado momento da história dos israelitas, parecia que eles haviam quase vencido. Durante o reinado de Davi e de Salomão, o reino de Israel, sob a liderança de Deus, tinha se tornado uma testemunha real. Sua fama havia chegado aos confins da Terra e, de um certo modo, pelo menos superficialmente, o povo estava obedecendo aos mandamentos de Deus.

Foi por esta ocasião que Deus novamente prometeu a Davi que sua semente iria se sentar em seu trono e reinar para sempre, de acordo com os desejos de Deus. Esta promessa também foi e será cumprida na pessoa de Jesus Cristo. Algum dia, Ele virá como um Rei, para reinar sobre todos os habitantes da Terra e subjugá-los, em justiça, ao Deus Todo Poderoso.

Depois de Davi e Salomão, eventualmente, este reino de Israel também caía em degradação. A idolatria e os pecados de toda espécie existiam, e muitos reis escolheram não seguir os caminhos de Deus. Após muitas pequenas restaurações e numerosas grandes falhas, Deus permitiu que Seu povo fosse levado cativo à Assíria e à Babilônia. Aparentemente, tudo estava perdido, e o diabo havia novamente vencido. O plano de Deus de subjugar a Terra por meio de um grupo selecionado foi aparentemente impedido, e o diabo reinava soberano.




DEUS NUNCA DESISTIU




Mas, como todos sabemos, o plano de Deus e os Seus propósitos persistem. Ele ainda tinha um modo de executar tudo o que planejara. As muitas derrotas sofridas pelo agente de Deus, a humanidade, serviriam, na longa caminhada, apenas para trazer mais glória a Deus e para mostrar Seu poder e Sua força, até finalmente cumprir Seu propósito original, por meio de seres humanos fracos e frágeis.

Não, Deus não foi vencido, nem jamais o será. Ele não abandonou o Seu plano original, decidindo somente resgatar o homem da Terra. Ele não está aceitando derrota, deixando a Terra para o diabo e simplesmente arrebatando para o céu umas poucas almas que acreditam Nele. Não, Ele vai estabelecer Seu reino, Sua autoridade, Sua justiça, aqui, na Terra! Todo o território que foi perdido será retomado. O homem que, originalmente, foi encarregado de recuperar a terra, irá, por meio do poder de Jesus Cristo, ter vitória sobre Satanás. A obrigação que Deus deu ao primeiro homem, Adão, será executada. Seu povo, com Cristo como Cabeça, terá completo domínio sobre esta Terra, por mil anos! Este é o Reinado do Milênio, que está chegando. É o cumprimento daquilo que Deus começou a fazer no princípio.

Alguns, quando lêem sobre o Milênio vindouro, têm estado perplexos e não têm compreendido qual é o propósito desses mil anos. Espero que este capítulo tenha sido de alguma ajuda para que os leitores possam compreender os propósitos eternos de Deus e ver a revelação da Bíblia como um todo, um quadro completo do trabalho de Deus no homem, aqui, na Terra, do princípio ao fim.

Desde o princípio, Deus pretendeu vencer o Seu inimigo e escolheu fazer isto por meio de seres criados. Ele não se rebaixou para lutar pessoalmente com Satanás, mas providenciou um emissário, que se parece com Ele exteriormente e se assemelha a Ele interiormente. Deus (como veremos nos próximos capítulos) está retomando a Terra. Está cumprindo Seu plano com os seres humanos que estão submissos a Ele, que O amam e que O servem.







7.



O REINO DE DEUS ESTÁ NO MEIO DE VÓS






No capítulo anterior, examinamos um dos principais propósitos de Deus para criar o homem e colocá-lo na Terra. Esse propósito era estabelecer o Seu reino, para recapturar o planeta do domínio do diabo, e restabelecê-lo sob Sua justa autoridade. Vimos que Deus criou o homem à Sua imagem e conforme à Sua semelhança e o colocou na Terra para ser o agente por meio de quem Ele pudesse cumprir o Seu plano.

O homem falhou repetidamente em cumprir a missão que Deus lhe confiou no primeiro capítulo de Gênesis. Aparentemente, o diabo reinou soberano. Mas, no decorrer dessa história, Deus prometeu que da humanidade viria uma semente que prevaleceria. O cumprimento dessa promessa se encontra em Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, nascido de uma mulher, da nação de Israel, da tribo de Judá, e da semente do Rei Davi. É Ele quem Deus prometeu que se sentaria no Trono de Seu Reino para sempre.

Já que Jesus nasceu de Maria, uma mulher desta Terra, Ele era um homem completo. As Escrituras dizem que Ele participou da carne e do sangue (Hb 2:14). Ele se tornou aquilo que somos, para nos transformar naquilo que Ele é.

Jesus não é apenas um homem completo, mas também é verdadeiramente Deus. “Nele”, as Escrituras dizem, “mora a plenitude da Divindade.” (Cl 2:9). Esse homem é a encarnação da Palavra de Deus. Jo 1:14 afirma: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Esse homem que é Deus, Jesus Cristo, é o cumprimento da promessa divina sobre a semente da mulher que iria esmagar a cabeça da serpente (Gn 3:15). Isto é exatamente o que Jesus fez. Desde o seu nascimento, o homem Jesus Cristo era completamente sem pecado. Ele nunca fez nada que desagradasse ao Pai (Jo 8:29). Sua vida terrena estava em total oposição a tudo em que consiste o reino do diabo. Ele nunca participou do mal, de forma alguma. Sua vida foi a manifestação viva da justiça de Deus nesta Terra, bem no centro do domínio de Satanás. Como Satanás deve tê-lo odiado! Ele era um homem perfeito.

Em determinado momento, Ele disse: “...aí vem o príncipe do mundo e ele nada tem em mim.” (Jo 14:30). Aleluia! Deus enviou Seu Filho, e Ele se tornou um homem, no qual o diabo não tinha nenhum controle, nenhuma influência e nenhuma maneira pela qual pudesse manipulá-Lo. Que glória para Deus, e que vitória sobre o inimigo, o fato de um homem caminhar sobre a Terra sem pecar, vivendo em perfeita submissão a Deus! Ele nunca foi atraído para o mal e a corrupção que Satanás tinha para Lhe oferecer.

Agora, não pense que Jesus não foi tentado! A ausência de pecado não era resultado de uma vida fácil. No deserto, Ele jejuou por quarenta dias e quarenta noites e foi tentado pelo diabo. Ele foi tentado em todos os sentidos, como nós o somos hoje (Hb 4:15). Ele não fugiu da tentação, Ele a derrotou. Viveu vitoriosamente sobre ela. Ele não cedeu à sedução do mal, e esta é a razão pela qual o Pai disse: “meu filho, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Jesus viveu dessa maneira perfeita, totalmente sem pecado, desde Seu nascimento até Sua morte na cruz.

É bom mencionar que Sua morte na cruz foi o cumprimento de toda a simbologia do sacrifício, no Velho Testamento. Jesus era o Cordeiro de Deus, que se ofereceu sem manchas ou defeitos pelos pecados do mundo. Os israelitas deviam encontrar um cordeiro macho, perfeito, para oferecer a Deus. Antes de ser oferecido, ele era examinado cuidadosamente, para haver certeza de que não havia imperfeição. Nenhum defeito podia ser encontrado.

Desta forma, Jesus também, antes de ser crucificado, foi examinado. Pôncio Pilatos e os seus soldados fizeram o seu próprio tipo de exame. Bateram e cuspiram Nele, zombaram Dele. Tentaram tudo o que sabiam para provocar Nele algum tipo de reação contrária a Deus, o que iria satisfazer a ânsia deles de ver alguém se esgotar diante de seus abusos. Herodes também O verificou inteiramente. Mais tarde, Pilatos, depois de ter acabado o seu exame, disse: “não acho nele motivo algum de acusação” (Jo 19: 4-6 NVI).

Isto é realmente impressionante! Sem dúvida, Pilatos passou a maior parte do tempo lidando com homens a quem julgava. Tenho certeza de que muitos tipos diferentes de caráter passaram diante de seu tribunal de justiça. Entretanto, sem nenhuma dúvida, nunca antes ele pudera dizer isto sobre qualquer outra pessoa. Ele estava tão impressionado com aquele homem, Jesus, que podia dizer com toda a segurança que não podia encontrar Nele nenhuma falha que fosse.

Jesus foi um homem que derrotou tudo o que o diabo lançou contra Ele. Viveu vitorioso. Não apenas isto, mas quando se levantou dos mortos, Ele derrotou o mais poderoso instrumento que o diabo tinha: a morte. Ele venceu o pecado durante a Sua vida e venceu a morte em Sua ressurreição do túmulo. A morte não O pôde prender.

A força de Satanás foi sobrepujada pela vida ressurreta de Jesus Cristo, o homem que era Deus. Tudo o que o inimigo e suas forças podiam tentar fazer para antigi-Lo, não produziu nenhum efeito, foi em vão. Quando Jesus se levantou dos mortos, Ele fez uma exposição das derrotas deles. Triunfou completamente sobre eles (Cl 2:15). Não havia coisa alguma, nenhuma arma que eles possuíssem, que O pudesse impedir de executar a vontade de Deus.

Como é glorioso ver que finalmente um homem, um divino e santo homem, cumpriu a vontade de Deus e executou Seu plano. Em Jesus Cristo, a incumbência de Deus foi executada.



O REINO ENTRE VÓS




Quando Jesus caminhou por esta Terra, cerca de dois mil anos atrás, Ele era a manifestação viva do Reino de Deus. Em cada aspecto de Sua vida, Ele era completamente submisso à soberania e ao poder de Deus. Pela primeira vez, desde a criação de Adão, houve na Terra um homem que estava satisfazendo as exigências de Deus. Por meio do Jesus humano, vivo, o Reino de Deus foi declarado aos homens.

Quando os fariseus lhe perguntaram onde ficava o Seu Reino, Ele lhes respondeu: “...o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17:21 NVI). Quando disse isto, Jesus estava se referindo a Si próprio. Ele era a única manifestação do Reino de Deus. Em tudo o que Ele fez ou disse, Ele refletiu a vontade do Pai. Em um determinado momento, Ele corajosamente declarou: “...eu faço sempre o que Lhe agrada” (Jo 8:29). Isto era verdadeiramente o Reino de Deus. Embora estivesse vivendo no meio de um ambiente hostil, Ele expressou Deus em cada aspecto de Sua vida.

A razão de ter escolhido a tradução “entre” vós é que ela dá uma compreensão mais correta desse versículo. Algumas versões dizem “dentro” de vós, em vez de “no meio de vós” ou “entre vós”. Embora seja verdade que hoje podemos experimentar o Reino de Deus interiormente, no tempo em que Jesus falou essas palavras, o Espírito Santo ainda não tinha sido derramado. Então, seria impossível para qualquer de seus ouvintes ter o Reino de Deus residindo “dentro” deles.

Quando Jesus começou Seu ministério, Ele pregou arrependimento, por causa do Reino. Ele dizia: “Arrependei-vos porque está próximo o Reino dos Céus.” (Mt 4:17). Isto queria dizer que a soberania ou a autoridade do céu estava sendo manifesta, e que os homens precisavam se arrepender de sua participação no reino de Satanás. Estavam sendo chamados ao arrependimento pelas obras que estavam fazendo e mesmo pelos pensamentos que estavam pensando, os quais eram contrários ao novo Reino celestial. Já que o Reino de Deus estava disponível, os homens necessitavam se retirar do outro reino de que estavam participando, para poder fazer parte do Reino que Deus estava oferecendo.



O EVANGELHO DO REINO




O Evangelho do Reino significa Evangelho de Arrependimento com o propósito de entrar no Reino de Deus. Se quisermos entrar nele, precisamos abandonar todo o mal e todo o pecado do reino do diabo, no qual temos vivido. Para falar a verdade, precisamos “trocar de campo”, usando uma linguagem esportiva. Deus quer que venhamos para o outro lado. Esse é o Evangelho que Jesus pregou. É uma mensagem absoluta, radical, que não deixa espaço para concessões.

Os dois reinos sobre os quais estivemos falando – o reino deste mundo e o Reino celestial – estão em total oposição, um em relação ao outro. Não há meio termo. Para nos tornarmos completamente submissos ao Reino de Deus, precisamos estar totalmente libertos do reino de Satanás. Isto requer um profundo e completo arrependimento no coração de cada homem, referente às coisas que ele fez, disse ou pensou, antes de tomar conhecimento do Reino de Deus.

Tenho receio de que muitos pregadores cristãos não estejam anunciando esse Evangelho do Reino. Tornar-se um cristão freqüentemente é mostrado como sendo muito fácil, sem necessidade de coisa alguma, além da simples aceitação de uma dádiva. Embora tenhamos que aceitar a dádiva, este é apenas o começo. Realmente, há muito mais do que isto.

Quando Jesus e João Batista pregavam, eles pregavam arrependimento, por causa do Reino. Se vamos realmente fazer a vontade de Deus e entrar completamente em Seu Reino, precisamos nos arrepender categoricamente de tudo o que estivermos participando e que é contrário à vontade Dele. Arrependimento significa retirar o nosso coração dessas coisas e querer nunca mais nos envolvermos com elas de novo. Significa mudar de idéia e tomar a decisão, por nossa própria vontade, de deixar um reino e entrar no outro.

Este Evangelho não é diluído ou fácil, mas, por meio de Jesus Cristo, é inteiramente possível para aquele que o deseja. Todos nós podemos viver em vitória, como Jesus fez.



A VIDA VITORIOSA




A razão pela qual podemos viver como Jesus Cristo viveu é que Ele nos deu a Sua própria vida. A vida eterna que Deus prometeu nos dar por meio de Seu Filho Jesus é Sua própria vida divina e eterna. Quando Jesus Cristo, que viveu vitoriosamente derrotando Satanás e o pecado, começa a viver em nós, também podemos viver da maneira como Ele viveu. As Escrituras demandam daqueles que crêem: “Não reconheceis que Jesus Cristo está em vós?” (2 Co 13:5).

Glória a Deus! Esse mesmo Jesus, que viveu nesta Terra afastado do reino do inimigo, agora reside em nós. Jesus deu a vida do Seu Reino aos homens. Quando recebemos a Jesus, recebemos tudo o que Ele é e também tudo o que Ele efetuou. Quando Ele vem a nós, traz com Ele todos os Seus atributos e o Seu poder. Por meio do Espírito Santo, todo crente pode conquistar a vitória.

Já que Deus derramou Seu Santo Espírito sobre os homens desta Terra (o Espírito de vida, em Jesus Cristo – Rm 8:2), há agora milhares de indivíduos que têm a vida e o poder para viver no Reino de Deus. Agora, por causa do Espírito, a vida vitoriosa de Cristo está frutificando e se multiplicando nas pessoas por toda a Terra. Estes homens e mulheres podem cumprir a ordem original de Deus, de derrotar os poderes malignos deste mundo e viver de acordo com Deus. Esse poder eterno reside em todos os crentes. E, se eles desejam realmente se arrepender, mudar de reino, cessar de fazer as obras das trevas e entrar no Reino da luz, Jesus Cristo, dentro deles, irá capacitá-los para isto. Sua vida vitoriosa irá torná-los aptos para vencer.

Isto não é algo que podemos fazer por nossos próprios esforços. Não é uma vitória que podemos obter por nossa determinação e força de vontade. Ao invés disto, é a submissão de nosso ser inteiro a um Outro Alguém. Nós podemos, através da abertura do nosso coração a Ele, permitir que Sua vida divina e vitoriosa viva por meio de nós. O segredo de nossa vitória sobre o pecado e sobre o inimigo não é tentar vencer com maior ardor, mas nos rendermos mais e mais a Jesus.

Nisso, encontramos o propósito pelo qual Jesus veio e morreu. Ele veio para reunir para Si próprio um povo especial, cujos homens e mulheres iriam Lhe permitir viver dentro deles e viver Sua vida vitoriosa por meio deles. Assim, eles O iriam expressar e manifestar o Seu domínio sobre o inimigo. Por causa do Seu poder, poderiam viver neste mundo hostil e, ainda assim, se submeteriam à Sua autoridade. Permitindo que Jesus Cristo os preenchesse e vivesse por meio deles, manifestariam a vitória de Cristo e estabeleceriam a autoridade de Deus sobre esta Terra. Finalmente, o propósito para o qual o homem foi criado estaria se cumprindo.

Tudo o que resta agora é Deus acabar de reunir todos aqueles que escolheu e prepará-los para o último dia. Muito em breve, todos seremos arrebatados para encontrá-Lo nos ares e depois voltar com Ele para aqui reinar. Nosso papel é nos submetermos completamente a Ele para anunciar esse Evangelho do Reino em toda a Terra.

A Igreja é o Corpo de Cristo. Assim como o corpo físico de Jesus era o veículo por meio do qual Ele se expressava, muitos anos atrás, assim, hoje em dia, a Igreja é a Sua expressão aqui na Terra. Já que Ele subiu para o Pai, nós, Seu povo, somos agora o vaso através do qual Ele deseja expressar-se e cumprir a Sua obra. A palavra “corpo” não é apenas mais uma bela expressão religiosa. Ela contém um significado espiritual muito grande. A vontade de Deus é usar Seu povo como instrumento de justiça e como Sua testemunha.

Isto é um privilégio, mas também uma responsabilidade terrível. Precisamos estar expressando o invisível Deus do Universo aos habitantes da Terra, assim como estar exibindo Sua vitória aos seres celestiais. Hoje, por meio de Seu Corpo, a Igreja, Deus está manifestando Sua sabedoria e Seu plano eterno (Ef 3:10). Como precisamos encarar seriamente essa ordenança de Cristo! É da maior importância para Ele cumprir Sua obra por meio de nós, tanto que, para que isto pudesse ser feito, Ele morreu na cruz. Isto não é pouca coisa. Um dia, muito em breve, quando estivermos diante do Seu trono de julgamento, seremos chamados a prestar contas de nossa responsabilidade perante essa tão importante ordenança.

Um aspecto muito importante do trabalho da Igreja é que devemos anunciar esse Evangelho à toda criatura (Mc 16:15). Parte do nosso trabalho como discípulos de Jesus é pregar o Evangelho do Reino, assim como Ele o fez. É a Sua vontade que todos os homens ouçam a mensagem de arrependimento e recebam Sua nova vida.

Para que isto aconteça, nós precisamos cooperar. Precisamos ir para onde Ele nos mandar e espalhar as boas novas. Precisamos ser frutíferos e nos multiplicarmos espiritualmente. Se formos obedientes e desejarmos cooperar, Ele nos dará poder para arrancar homens e mulheres do reino das trevas e transferi-los para o Seu Reino de luz. Jesus Cristo está voltando em breve e, tenho certeza, Ele se alegrará por encontrar você permanecendo na brecha (Sl 106:23 VRC), salvando pessoas da ira de Deus e preparando-as para a festa do matrimônio.



PREPARANDO O POVO DE DEUS




Isso traz à memória um aspecto essencial de nossa incumbência com relação ao Reinado. Também é nossa responsabilidade auxiliar a Deus no aperfeiçoamento de Seu povo, preparando-o para a Sua vinda. Não apenas precisamos introduzir pessoas no Reino de Cristo, mas também precisamos ensiná-las como viver nele. Deus não quer um berçário cheio de bebês espirituais, mas sim uma multidão de santos amadurecidos, com os quais Ele pode viver para sempre em intimidade.

Antes de subir, Ele disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” (Mt 28: 19-20). Construir o Corpo de Cristo não é uma responsabilidade secundária, mas uma parte equivalente da tarefa. Não apenas necessitamos juntar a matéria prima, mas também somos chamados a ajudá-Lo a moldar os Seus naquilo que Ele deseja que sejam. Necessitamos ajudar uns aos outros na preparação para a vinda de Jesus.

É preciso notar que nem todos os membros do Corpo de Jesus têm a mesma função. Nós não fomos chamados para fazer a mesma coisa. Há muitos trabalhos diferentes a serem realizados. As Escrituras mencionam especificamente, em muitos lugares, que há vários dons, administrações e habilidades que o Espírito dá, com os quais podemos servir a Deus (Rm 12:4; 1 Co 12: 4-12). A mensagem importante não é que todos devemos fazer o mesmo trabalho, mas que todos devemos fazer o que Jesus está nos mandando fazer.

Cada um de nós deve estar servindo ativamente a Deus, dentro de sua capacidade. Todos os crentes precisam viver debaixo da autoridade e da direção de Jesus, se quiserem conseguir aprovação quando Ele voltar. Seja qual for o seu trabalho ou função, você deve estar executando-o com todo o empenho. Se você não sabe qual é o seu dom, deve procurar a face do Senhor, através da oração, e procurar a convivência com outros crentes, até que você saiba que está caminhando de acordo com a vontade Dele.

Uma razão pela qual muitos cristãos têm dificuldade em conhecer a vontade de Deus para as suas vidas é que eles têm muitas outras prioridades que vêm antes de servir a Deus. Por exemplo: primeiro, eles buscam educação; procuram uma esposa ou esposo; se casam; encontram um bom trabalho; compram uma casa; e, então, imaginam qual será o desejo de Deus para suas vidas. Não me admiro que se sintam confusos! Se realmente querem saber sobre a vontade de Deus, devem estar abertos para Ele em cada área de suas vidas. Todas as coisas devem estar submissas a Ele. A estensão da abertura para Ele é diretamente proporcional à extensão do conhecimento sobre Sua vontade. Ninguém que esteja verdadeiramente procurando Deus será deixado no deserto por muito tempo. Deus é capaz de liderar o Seu povo.

Claro que ficar simplesmente em algum lugar e orar por muitos anos pode não trazer a resposta. Algumas vezes, precisamos nos mover na direção na qual achamos que Ele está nos levando, para encontrar Sua vontade. Conforme andamos, teremos uma certeza interior de Sua bênção ou a convicção de que cometemos um erro. Seja corajoso! Comece a fazer o trabalho para o qual você acha que Jesus chamou você. Cometer erros não é fatal, mas enterrar os seus talentos trará a desaprovação Dele no dia do julgamento. “Felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e lhe obedecem.” (Lc 11:28).

Uma vez que recebemos o Senhor, isto não é o final. Ao contrário, este é o princípio de um processo que dura toda uma vida: segui-Lo, fazer Sua vontade e expressar Sua vida e natureza ao mundo que perece. Jesus correu a corrida antes de nós, derrotou todo o poder do inimigo e sentou-se à direita da Majestade, nas Alturas.

Agora, nós, o Seu povo, temos a responsabilidade de segui-Lo nessa vitória. Pela fé, podemos servi-Lo e fazer Sua vontade na Terra. Já que temos Sua vida dentro de nós, também podemos viver como Ele viveu. Não há desculpa aceitável para não viver no Reino de Deus, hoje, e manifestar a Sua vontade na Terra. O grande e terrível Dia do Senhor está vindo. Quem poderá resistir no dia de Seu aparecimento? (Ml 3:2). Eu digo a você: serão aqueles que fizeram Sua vontade.







8.



“SENHOR, SENHOR”






O capítulo que você está começando a ler trata de um assunto de extrema importância. É uma questão que tem uma tremenda conseqüência para todo crente em Jesus Cristo. É um tópico não muito bem compreendido hoje em dia, sobre o qual muitos têm idéias errôneas e até mesmo falsos juízos. Portanto, gostaria de pedir a todos os leitores que prestem cuidadosa atenção ao que está sendo dito. Por favor, leia estas palavras com a mente aberta e um coração verdadeiramente disposto a conhecer a verdade.

Não salte para nenhuma conclusão instantânea, mas leia o capítulo todo antes de formar sua própria opinião sobre estas coisas. Na verdade, gostaria de estimular que você também lesse cuidadosamente os capítulos seguintes, porque este assunto é tão importante que vamos nos estender longamente sobre ele. Não há um outro tópico nas Escrituras que tenha sido tão negligenciado e tão mal compreendido pelos filhos de Deus nestes dias. Possa Deus acrescentar Suas bênçãos sobre estas palavras.

É sabido pela maioria dos cristãos que, quando uma pessoa nasce de novo, ela recebe a vida eterna. Isto significa que, na eternidade, ela estará com o Senhor. Acredito que todos os verdadeiros crentes irão estar com Cristo para sempre. Uma vez que recebemos Jesus Cristo, nada que algum homem ou mesmo anjo possa fazer irá tirá-Lo de nós. Ele próprio nos promete que nunca nos deixará, nem nos abandonará (Hb 13:5). Seu plano é que todos os Seus filhos estejam com Ele na eternidade. As Escrituras dizem: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2:21). Isto significa que os filhos de Deus serão salvos do Julgamento eterno de Deus e irão morar com o Senhor para sempre. Em minha compreensão, as Escrituras fornecem uma base ampla para acreditarmos nisso.

Entretanto, há muitos que crêem – talvez até mesmo alguns de vocês, leitores – que alguém pode “perder a sua salvação” ou, em outras palavras, deixar de ser um “nascido de novo”. Não desejo entrar em um argumento teológico com esses irmãos queridos. Tais discussões geralmente não são frutíferas, no sentido espiritual. Apenas quero mostrar que muitos versículos, que são usados como base para esse ponto de vista, na verdade não se referem ao assunto da nova vida, mas sim, ao reino vindouro.

Conforme você vai ver nos argumentos que se seguem, há muitos versículos que detalham algumas sérias conseqüências para a desobediência. Quando nós olhamos firmemente para essas Escrituras, com o Reino em mente, descobrimos que a maioria desses versículos está claramente falando sobre o Milênio, e não sobre a eternidade.

Talvez você seja um daqueles que acreditam que o seu nascimento espiritual e o dos outros está em constante risco. Não acredito que seja essencial convencê-lo da minha posição. Apenas quero pedir, respeitosamente, que você termine de ler os capítulos seguintes, com a mente aberta para encontrar, talvez, uma nova compreensão sobre muitas passagens bíblicas.

Com isso em mente, há um fato essencial que não podemos ignorar. A Bíblia é clara sobre um assunto que muitos estão falhando em penetrar. Este assunto é que: nem todos os cristãos entrarão no Reino Milenar que está por vir.

Deixe-me repetir isto. As Santas Escrituras claramente nos ensinam que nem todos os crentes participarão do Reino vindouro de Cristo. Alguns podem realmente ter nascido de novo. Eles podem ser filhos de Deus. Mas muitos dos filhos de Deus não serão admitidos no Reino de Deus que está chegando. Esta é uma verdade das Escrituras que estaremos examinando juntos. Conforme abrirmos a Palavra de Deus, devemos abrir também nossos corações a Ele, para que Ele possa nos revelar Seus propósitos.

A Bíblia nos ensina duas possibilidades. Por um lado, lemos que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2:21). Todo aquele que invoca o Seu nome pode nascer de novo. Isso é um fato incontestável. Jesus recebe todos os homems e mulheres que clamam a Ele.

Entretanto, por outro lado, lembrando mais uma vez, aqui, que as palavras “o reino dos céus” não se referem “ao céu”, mas ao Milênio, lemos: “Nem todo o que diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus.”(Mt 7:21).

Aqui, é claro que nem todos os que simplesmente chamarem Jesus de “Senhor” entrarão no Reino. Pode ser que este ato de chamá-Lo assim tenha sido suficiente para levá-los ao novo nascimento. Pode ser até que eles tenham chegado a conhecer Jesus. Mas, para entrar no Reino, há uma outra qualificação: os que entrarão são somente aqueles que fazem a vontade de Deus, ou, em outras palavras, são obedientes a Ele.

Por favor, considere isto cuidadosamente. Mesmo que todos os crentes estejam na eternidade, nem todos eles serão admitidos no Reino de mil anos de Jesus Cristo, somente aqueles que são obedientes. Isto é surpreendente para você? Deveria ser? Certamente faz sentido que Jesus Cristo queira como parte de Seu Reino terreno apenas aqueles que Lhe obedeceram e que O serviram fielmente, enquanto viveram na Terra. Seguramente, Ele não iria desejar que, em sua administração celestial, existissem indivíduos preguiçosos, irresponsáveis e rebeldes.

Apenas aqueles que são obedientes e fiéis entrarão no Reino Milenar de Jesus Cristo e irão reinar com Ele. A razão é muito simples. Você não pode subjugar uma rebelião com indivíduos rebeldes como seus representantes. Você não pode pegar um ladrão e fazer dele o presidente de um Banco. Você não pode usar pessoas infiéis para ajudar outras pessoas a se tornarem fiéis. Simplesmente não funciona.

Portanto, para que Jesus estabeleça Seu Reino na Terra, Ele precisa estabelecê-lo, antes, dentro daqueles por meio de quem Ele vai reinar. Este é o aspecto do Reino de Deus que está acontecendo hoje. Falaremos mais sobre esse assunto nos próximos capítulos, mas, por ora, precisamos passar algum tempo olhando as Escrituras que nos ensinam essa verdade tão importante.



AS DEZ VIRGENS




Talvez, uma das partes mais claras da Bíblia que se aplicam a esse assunto seja a parábola das Dez Virgens. Esta parábola se encontra em Mateus, capítulo 25, começando no versículo 1. Lembrando mais uma vez que “o reino dos céus” não é “o céu”, vamos ler juntos:

“Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram tomadas de sono e adormeceram.

Mas, à meia noite, ouviu-se um grito: ‘Eis o noivo! Saí ao seu encontro!’ Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando’.

Mas as prudentes responderam: ‘Não! Para que não nos falte a nós e a vós outras: Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o’. E, saindo elas para comprar, chegou o noivo e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: ‘Senhor, Senhor, abre-nos a porta!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo que não vos conheço’. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

Esta é uma parábola interessante e esclarecedora. É referente ao Reino e à “festa do casamento”. Conforme olhamos juntos para essa passagem, vemos que ela é uma parábola que se aplica aos cristãos, aos verdadeiros crentes.

Por favor, não aceite que ninguém lhe diga que esses versos se aplicam somente aos judeus, ou que não são para esta presente dispensação. Dizer tal coisa é transformar essa parte das Escrituras em algo virtualmente sem sentido para os crentes e cegar os olhos deles para a verdade que aqui é revelada.

Quem são, então, as dez virgens e o que significa essa parábola? Sabemos que, nas Escrituras, virgindade é um termo que se aplica aos crentes. Paulo diz que havia preparado certos crentes como “uma virgem pura para Cristo” (2 Co 11:2). Virgindade, aqui, significa pureza, santidade e uma vida sem mácula. É uma referência a crentes que foram lavados no sangue do Cordeiro, que foram limpos de todas as suas impurezas e que agora são santos e puros diante do Senhor.

Todas as dez pessoas eram virgens. A única diferença entre elas é que cinco foram sábias, e cinco foram tolas. A Bíblia não diz que cinco foram salvas, e cinco não foram; ou que cinco eram boas, e cinco eram malvadas. Lemos apenas que cinco foram sábias, e cinco, tolas.

Todas as dez virgens tinham pelo menos um pouco de óleo em suas lâmpadas. Isto é evidenciado pelo fato de que, antes que elas dormissem, todas as lâmpadas foram acesas. De outra maneira, elas não poderiam estar se apagando (versículo 8). Um pavio de vela, sem óleo, teria apagado imediatamente. As sábias tinham óleo extra em suas vasilhas (versículo 4), enquanto que as tolas tinham somente um pouco em suas lâmpadas.

Essas “vasilhas” deviam ser um recipiente extra de óleo, que elas trouxeram para reabastecer suas lâmpadas, quando houvesse necessidade. Esse óleo que elas possuíam é um tipo do Espírito Santo. No Velho Testamento, os sacerdotes foram instruídos por meio de Moisés a produzir o óleo da unção (Êx 30:22-25) simbolizando o Espírito Santo, que Deus, então, derramava. Das dez pessoas, todas tinham o óleo. Todas compartilhavam do Santo Espírito. Então, é evidente que todas eram filhas de Deus, nascidas de novo.

Note também que cada uma das lâmpadas foi acesa. As Escrituras dizem: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.” (Pv 20:27). O espírito do homem é onde o Santo Espírito de Deus mora em uma pessoa nascida de novo.

1 Coríntios 6:17 diz: “...aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele.” A união do Espírito de Deus ao espírito do homem resulta nos gravetos que acendem uma chama espiritual em cada crente, começando a lhes dar uma luz sobrenatural. Seguramente, as virgens que tinham óleo em suas lâmpadas, lâmpadas que se acendiam, eram pessoas regeneradas, crentes nascidos de novo.

Uma outra coisa que nos mostra que elas eram crentes é que elas estavam esperando pelo noivo. Nenhum descrente está esperando a vinda do noivo. Somente aqueles que O conhecem e O amam estão esperando por Ele. Lemos, no versículo 5, que o noivo demorou-se, e todas elas adormeceram. Simbolicamente, todos aqueles crentes morreram, enquanto estavam esperando pelo Senhor.

Mas, à meia noite ouviu-se um grito: “Eis que o noivo está vindo!”, e elas acordaram. Quando o Senhor voltar, esses crentes serão ressuscitados, se erguerão dos mortos para encontrar o noivo. Essa é uma outra prova positiva de que todas aquelas “virgens” eram cristãs reais: somente os cristãos ressuscitarão quando Jesus voltar.

Por favor, preste cuidadosa atenção a isso, já que é uma verdade muito importante, de forte impacto para a apropriada compreensão das Escrituras: não cristãos não serão arrebatados! Não haverá não cristãos acidentalmente ressurretos quando Jesus vier de novo. Portanto, não há nenhuma possibilidade de um descrente tentar entrar na festa do casamento. Nenhum descrente poderia estar do lado de fora, batendo à porta e gritando: “Senhor, Senhor”, tentando entrar. Aqueles que não creram só irão ressuscitar depois de mil anos, no chamado “Julgamento do Grande Trono Branco” (Ap 20:11). Portanto, aquelas virgens só podem representar os crentes.



NOSSA VERDADEIRA CONDIÇÃO




Vemos que, depois de acordarem, ou depois da ressurreição, algumas das virgens começaram a notar sua verdadeira condição espiritual. Elas tinham um problema. Faltava-lhes o óleo, e as lâmpadas estavam se apagando. Elas não haviam pago o preço de ir e comprar, enquanto ainda estavam acordadas, ou vivendo. Evidentemente, todas tiveram a oportunidade, mas cinco delas eram tolas.

Sem dúvida, enquanto viviam sua vida aqui na Terra, escolheram agradar a si mesmas. Não procuraram a face do Senhor e nem fazer Sua vontade. Elas não pagaram o preço necessário para serem cheias do óleo do Espírito Santo. Sua tolice fez com que elas fossem desobedientes, negligentes e desperdiçassem seu tempo e energia.

Assim, quando o noivo veio e entrou na festa de casamento, essas cinco virgens foram deixadas para fora. Aquelas que foram obedientes, que procuraram conseguir o azeite necessário, tiveram a permissão de entrar. Mas aquelas que foram desobedientes, infiéis e preguiçosas em seus procedimentos, foram instruídas pelas outras a ir e comprar, a ir e a pagar o preço solicitado. Enquanto elas foram, a porta foi fechada, e, quando voltaram a bater, não foram admitidas.

Essa passagem corresponde exatamente à outra que já citamos, que diz que nem todo aquele que chama Jesus de Senhor entrará no Reino, mas aqueles que fazem a vontade do Pai. Aqui está uma verdade imensamente importante. É algo que todo crente deveria considerar seriamente. Se em nossas vidas individuais somos infiéis e desobedientes, o Filho do Homem poderá vir em um tempo em que não estaremos procurando por Ele (Lc 12:46) e nos achará despreparados.

Já que vimos que nem todo cristão conseguirá entrar, como o conhecimento disto afetará nossa vida? Minha esperança é imaginar que isso irá sensibilizar alguns que estão preocupados com o próprio prazer, e com os próprios interesses, e leválos ao arrependimento e fazê-los começar a viver para o Seu Rei, a partir deste momento.



“NÃO CONHEÇO VOCÊ”




Não há dúvida de que deveríamos discutir uma frase que é usada nessa parábola e que pode trazer algum engano. É aquela em que o Senhor é ouvido dizendo: “...não vos conheço”. Estas palavras são encontradas na passagem que lemos em Mateus 7:21-23, que afirma que nem todos entrarão no Reino, e também na parábola das dez virgens.

Alguns dizem que as pessoas a que esses textos bíblicos se referem não podem ser filhos de Deus, já que Jesus afirma que não as conhece. Eles alegam: “Como poderia Ele dizer ‘Não vos conheço’, se Ele os havia gerado?” Por favor, preste atenção cuidadosa à resposta, pois ela é muito significativa. Há muitas razões que explicam a afirmação do Senhor.

Para começar, a palavra “conheço”, palavra grega que é usada aqui, é traduzida em outro lugar como “aprovo”. Em Romanos 7:15, Paulo diz: “Porque o que faço não o aprovo” (VRC). De acordo com W. E. Vine, em seu Expository Dictionary of New Testement Words em inglês, esta palavra também pode ser traduzida como “atesto”. Usando estas traduções possíveis, Jesus então poderia ter sido ouvido dizendo: “Eu não atesto vocês, ou eu não aprovo vocês. Vocês não atingiram o padrão e, portanto, não foram garantidos ou aprovados.”

Os indivíduos que foram tolos, infiéis e que não fizeram a vontade de Deus enquanto estiveram vivos, não serão atestados ou aprovados por Jesus quando Ele voltar para estabelecer Seu Reino Milenar. Obviamente, Deus conhece cada um que viveu sobre a Terra. Ele conhece todas as pessoas que Ele criou e sabe seus nomes. Mas, quando Ele vier para herdar o Seu Reino, Ele só vai aprovar (conhecer) aqueles que foram fiéis e obedientes.

O Senhor Jesus negaria conhecer alguns de Seus próprios filhos? Sim, Ele o faria. É uma de Suas solenes promessas, que você pode considerar verdadeira. Ele diz seguramente que “...aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do Meu Pai...” (Mt 10:33). Isto significa que Ele vai negar que nos conhece. Ele negará ter nos conhecido, porque O negamos. E o que significa negá-Lo? Significa que por nossas vidas, incluindo nossas atitudes, palavras, ações e decisões, nós negamos Sua soberania, Seu domínio e Sua autoridade sobre nós. Em resumo, fomos filhos desobedientes.

Você não precisa dizer com suas palavras “Eu nego Jesus!” para negá-Lo. Tudo o que você tem a fazer é ignorá-Lo e negar que Ele tenha qualquer direito de autoridade sobre sua vida. Nossa negação de Jesus pode ser verbal e exterior, mas também pode ser não verbal e interior, manifestando-se em teimosia, desobediência e vida egoísta. As pessoas que conduzem suas vidas dessa maneira são aquelas para as quais Jesus vai dizer: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7:23).

Essa situação poderia ser comparada a uma mulher que tinha um filho. Ela amava muito esse filho e exaltava-o o máximo que podia. Mas, quando ele cresceu, tornou-se desobediente. Vamos imaginar que ele tenha se tornado um assassino, um ladrão, um estuprador, um traficante de drogas e se envolveu com todo tipo de maldade. Sua mãe, naturalmente, se envergonhava dele.

Suponhamos que, depois de muitos anos, ele voltasse para casa e dissesse: “Ei, mãe, como vai? Você pode me emprestar algum dinheiro?” Essa mulher, provavelmente, diria: “Eu não conheço você. Não reconheço que você seja meu filho. Eu me envergonho de você, por causa de sua desobediência, rebeldia e más obras, e estou negando qualquer relacionamento com você. Você não é admitido dentro da minha casa.” É exatamente assim que acontecerá no dia da volta do Senhor, com todos aqueles que agiram tola e injustamente.



O EVANGELHO DO REINO, SEGUNDO PAULO




Agora, vamos continuar lendo outras passagens das Escrituras, que nos dizem especificamente quem irá ou quem não irá herdar o Reino de Deus. Em 1 Coríntios, capítulo 6, encontramos Paulo, o apóstolo, escrevendo: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.” (1 Co 6: 9-12).

O que Paulo está dizendo àqueles crentes é que, se eles continuassem a viver na rebelião e no pecado em que viviam antes de vir para Jesus Cristo, eles não herdariam o Reino de Deus. Ele os estava lembrando que, já que sabiam que quem praticava essas coisas não herdaria o Reino, eles não deveriam esperar herdá-lo, se continuassem a fazê-las. Embora as fizessem antes, agora eram limpos e não deveriam voltar a fazê-las.

Por que outro motivo ele escreveria essa passagem àqueles cristãos? Certamente todos já sabiam que os não crentes não herdariam o Reino de Deus. Mas ele estava falando especificamente sobre crentes que, contínua e repetidamente, praticavam vários pecados. Já que era assim, deveriam tomar cuidado para não viver da velha maneira, porque, se o fizessem, não herdariam o Reino. Sinceramente, oro para que nenhum cristão se permita enganar quanto a isso. Ninguém que estiver vivendo uma vida insubmissa entrará no Reino.

Uma passagem, em Gálatas 5, começando no verso 19, diz essencialmente a mesma coisa: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como outrora já vos preveni, que não herdarão o Reino de Deus os que tais coisas praticam.” (Gl 5:19-21).

Você conhece algum cristão que está envolvido com esses tipos de pecado? Você, mesmo, pratica essas coisas? Se o faz, então você pode estar certo de que não herdará o Reino. Você não tomará posse daquilo que Deus preparou para você. Embora sempre pensemos que não são crentes os que praticam tais coisas, de fato, há muitos cristãos que as praticam, o que é uma vergonha admitir.

Vamos pensar, por exemplo, na primeira palavra do verso 21: “inveja”. Quantos de nós invejam os outros e são ciumentos do que eles têm e do que eles são? Quantos de nós têm ódio no coração por alguém? Ou quantos de nós amam contender sobre certos ensinamentos de doutrina? Será que alguns de nós podem estar “servindo a Cristo” com algum tipo de ambição egoísta, como motivação? Você não sabe que aqueles que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus? Estou escrevendo isto para alertar você, para dizer-lhe que nem todos entrarão, mas apenas aqueles que são obedientes.

Não só existem crentes que contendem, invejam e odeiam, mas também percebo que há milhares de cristãos, homens e mulheres, que cometem regularmente fornicação e outros pecados sexuais. Há ainda inumeráveis pessoas que professam conhecer Jesus, mas que passam horas incontáveis em bares, bebendo e participando da atmosfera de jogos e de conversação mundana.

A coisa mais triste é que muitos dos indivíduos que vêm à Igreja no domingo, durante a semana fazem outras coisas que levantariam os cabelos de uma pessoa que ama genuinamente o Senhor. É até mesmo verdade que há um número crescente de crentes que usam maconha e outras drogas, dizendo que elas intensificam a sua experiência “espiritual”. Esta é uma mentira do inferno. E é sobre esse tipo de atitudes que a Bíblia fala. Ninguém que faça essas coisas entrará no Reino, mas somente aqueles que fazem a vontade do Pai.



A HISTÓRIA DE ESAÚ




Talvez você se lembre da história de Esaú. Ele era o filho primogênito de Isaque e, por isso, herdeiro natural de tudo o que seu pai possuía. Entretanto, um dia, retornando de uma caçada, estava cansado e faminto. Seu irmão Jacó havia cozido uma deliciosa sopa de lentilhas. Então, Esaú fez uma troca com Jacó. Ele negociou seu direito de primogenitura, isto é, o direito de ser o primeiro a herdar tudo de seu pai, trocando-o por comida.

Ele trocou algo de valor extremo por uma temporária gratificação terrena, física. Mais tarde, pensando a respeito, mudou de idéia e quis os seus direitos de volta. Ele chorou e gritou, mas já era muito tarde. Já havia vendido sua primogenitura por um preço muito pequeno.

Esta história ainda nos fala, hoje. Hebreus 12: 15-16 nos exorta: “Cuidai que ninguém se prive da graça de Deus...Nem haja algum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho.” (NVI). Este é um retrato exato de como será quando Jesus voltar. Há muitos crentes na Igreja, hoje, que estão trocando seu direito de herdar o Reino junto com Cristo, por prazeres terrenos. Eles estão satisfazendo sua carne com vários tipos de pecados e imaginam que amanhã poderão reinar e governar com Cristo. Entretanto, esses indivíduos serão excluídos do Reino. Não serão admitidos, mesmo que gritem com lágrimas de arrependimento. “Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 25:30).

Note bem que o escritor de Hebreus enfatiza especialmente os pecados sexuais. Como é fácil pensar que essas coisas não importam! Quão pequena pode parecer aos nossos olhos uma leve indulgência sexual! Entretanto, quando a tentação vier, quando a nossa carne clamar com cada célula por gratificação sensual, devemos nos lembrar do que está por vir. Nosso destino depende de nossas escolhas. Para muitos, naquele dia “haverá choro e ranger de dentes” (Mt 8:12).

Não estou dizendo que não há espaço para arrependimento. Certamente, há: hoje! Mas, quando os céus se abrirem, e Jesus aparecer em glória, será tarde demais. Portanto, aproveite a oportunidade agora mesmo e arrependa-se completamente de tudo aquilo em que você está envolvido, que não glorifica a Deus. Mude os seus pensamentos e as suas atividades para conformar sua vida à vontade Dele. Deste modo, e apenas deste modo, você estará pronto quando Ele voltar e estará apto a entrar com Ele em Seu Reino e em Sua glória.

Agora vamos ler juntos o capítulo 5, de Efésios, começando com o versículo 1. Aqui, Paulo está se dirigindo a crentes:

“Portanto, sede imitadores de Deus como filhos amados e vivam em amor, como Cristo também nos amou e se entregou por nós, como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual, como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas nao são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças. Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus.” (Ef 5: 1-5).

Creio que estes versos falam por si mesmos. É verdade que em Jesus Cristo fomos limpos dos pecados e que o Seu sangue está disponível a nós, hoje, para nos purificar. Entretanto, eu gostaria de enfatizar que essa dávida só está disponível para aqueles que se arrependem e confessam os seus pecados a Deus, sendo, por isso, purificados (1 Jo 1:9).

Aqueles que são infiéis, rebeldes, desobedientes e continuam cometendo seus pecados, sem arrependimento, serão considerados responsáveis por eles. Eles podem ser crentes verdadeiros, que escaparam da ira de Deus e do julgamento eterno, mas as Escrituras dizem que eles não herdarão o Reino Milenar.



QUEM IRÁ ENTRAR?




Quem, então, irá entrar no Reino de Deus? Aqueles que submeteram completamente suas vidas a Jesus Cristo e permitiram a Ele que expressasse Sua vida e natureza por meio deles. Jesus ensinou: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus.” (Mt 5:3); “Bem-aventurados os humildes, porque eles herdarão a Terra.” (Mt 5:5.); “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus.” (Mt 5: 10). As pessoas que são humildes de espírito, que são mansas, que são obedientes e se submetem à soberania celestial de Jesus Cristo, são aquelas que possuirão a Terra, quando Ele voltar. São aquelas para as quais Ele vai dizer: “Muito bem, servos bons e fiéis, entrem na alegria de Seu Senhor” (Mt 25: 21).

Uma passagem, em 2 Pedro, também nos fala claramente sobre esse assunto. Começando com o versículo 9, do capítulo 1, lemos: “Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2 Pe 1:9-11 VRC). Aqui, o Reino é chamado “eterno”, e certamente será, porque, mesmo depois do milênio, o reinado de Deus vai continuar.

Aquele a quem faltam essas coisas é alguém tolo, alguém preguiçoso e irresponsável em seu relacionamento com Jesus. Pedro nos explica que, se fazemos a vontade do Pai, nossa entrada no Reino estará assegurada. Glória a Deus! Que dia glorioso será aquele em que todas as pessoas que amam o Senhor Jesus Cristo, que aguardam a Sua vinda e que O serviram durante suas vidas, entrarão na alegria e na abundância que Ele está preparando! Oh, aleluia! Que glória será ver todos aqueles santos fiéis, alguns dos quais perderam a própria vida pelo Reino de Deus, entrando na maravilhosa experiência de mil anos, para reinar e festejar com Ele.



OS FILHOS DE ISRAEL




Tudo o que está escrito na Palavra de Deus foi escrito para nosso benefício. Portanto, pode ser bom passarmos um tempo pensando na história dos filhos de Israel. Após centenas de anos de escravidão no Egito, Deus os resgatou. Ele mandou Moisés e os livrou de sua pesada carga de escravidão e dos caprichos de um rei terreno.

Depois de libertá-los miraculosamente, Ele os conduziu pelo deserto, em direção à Terra Prometida. Nesta terra, eles finalmente teriam descanso e viveriam uma vida de bênção e fertilidade. Entretanto, a maioria deles continuamente se rebelava contra Deus. Recusavam Sua Palavra e eram desobedientes. Portanto, Deus fez um juramento de que eles nunca iriam entrar naquele “descanso” e que eles morreriam no deserto.

O autor de Hebreus se refere a essa parte da História demoradamente, para estabelecer algo sério e importante. No início do capítulo 3, ele começa a citar as Escrituras do Velho Testamento, e desenvolve um paralelo entre o que aconteceu com os filhos de Israel e o que vai acontecer também com os crentes. Ele usa a história judaica para mostrar um ponto extremamente importante.

Ali, o escritor fala do descanso futuro, o sétimo dia de descanso: o Reino Milenar (Hb 4: 4-5). Ele está se referindo ao Dia do Senhor, o dia do descanso que está chegando. Ele diz no capítulo 4, versículo 1: “Temamos portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado”.

Este “vós”, mencionado aqui deve se referir aos crentes, já que é para eles que o autor escreve. O versículo 9 diz: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. O versículo 11 afirma: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência.”

Aqui, temos elucidada para nós, clara e cuidadosamente, a mesma verdade que temos estado estudando. Isto é, que é possível uma pessoa ser “nascida de novo”, ser um filho de Deus, mas não ser admitida no Reino Vindouro, o descanso que virá. As razões para não entrar são as mesmas que impediram o povo de Israel de entrar na terra de Canaã e desfrutar o descanso prometido por Deus: descrença e desobediência.

Sugiro que todos vocês leiam os capítulo 3 e 4 de Hebreus, cuidadosamente, e vejam, à luz de todas as coisas sobre as quais temos falado, como essa passagem se aplica especificamente ao Reino Vindouro. Esse trecho mostra claramente como o descanso, a vitória sobre o inimigo e o gozo de Cristo em sua glória vindoura, são coisas que, se quisermos desfrutar no futuro, precisamos colaborar com Cristo, agora.

Nossa entrada no Reino requer diligência e fidelidade. Está claramente escrito que é possível não corresponder ao ideal ou, em outras palavras, não ser capaz de entrar. Até mesmo podemos perceber nas Escrituras que nossa atitude deve ser de um certo temor, um santo e sagrado medo de não atingir o padrão estabelecido por Deus.



QUANDO JESUS VIER




Interessante é que, quando Jesus vier, será a nossa condição que vai determinar se vamos ou não entrar no Reino Milenar de Cristo. Pode ser que tenhamos sido fiéis ao Senhor por muitos anos. Sempre fomos servos fiéis. Mas, conforme fomos ficando mais velhos, certas tentações apareceram.

Por exemplo, talvez pensemos que Deus irá nos perdoar se nos divorciarmos de nossa velha, enrugada e pouco atraente esposa, e nos casarmos com alguma lindinha bem jovem, alguém mais “espiritualmente sensível” às nossas necessidades. Talvez esperemos que isso não seja visto como “tão mau”, já que, depois de tantos anos de serviço, poderemos considerar que tenhamos o direito de nos deliciar um pouco. Afinal, poderemos imaginar, a benignidade de Deus é grande e Ele compreende nossas fraquezas.

Ezequiel 18:24 fala muito claramente sobre esse tipo de situação: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniqüidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá”. Não é suficiente ter sido fiel no passado. Devemos permanecer fiéis até o fim.

Paulo diz em Filipenses 3:12: “Não que já tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.” (VRC). Naquele tempo, ele não tinha a confiança de já ter “alcançado”. Veja você, Paulo tinha definitivamente a vida eterna. Certamente, ele já havia nascido de novo. Entretanto, ele não tinha a certeza de herdar o Reino. Ele estava constantemente prosseguindo para o alvo (Fp 3:14). Em 1 Coríntios 9:27, Paulo diz: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”.

Não acho que Paulo temia perder a vida eterna. Ele sabia que nada poderia separá-lo do amor de Deus (Rm 8:39). Mas ele estava preocupado com a possibilidade de ser “desqualificado”para alguma coisa. Ele sabia que, para herdar o Reino, precisaria continuar fiel até o fim.

Mais tarde, perto do final de sua vida, uma vida cheia de fé e de frutos, ele recebeu confirmação do Reino. Em 2 Timóteo 4: 7-8, afirma: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada...”.

A “coroa”, aqui, se refere a reinar no Reino. Assim, vemos que é somente através de uma vida de fé que podemos ter certeza de herdar o Reino com Jesus Cristo. Embora seja possível que alguém, outrora fiel, venha a se tornar descrente, também é possível para alguém que viveu uma vida de pecado, arrepender-se, tornar-se obediente ao Senhor e ser bem sucedido em entrar no Reino de Deus.

Em Deus, há lugar para arrependimento. Nosso pecado pode ser perdoado, e nós podemos mudar o curso de nossa vida. Nosso Deus é amoroso e perdoador e permite que retornemos a Ele. Não é o que fizemos no passado, mas como estaremos vivendo quando Jesus voltar, que irá determinar nossa entrada em Seu Reino.

Se você imagina que não está agradando o Senhor, exatamente agora é a oportunidade de se voltar de novo para Ele, arrepender-se e permitir que Ele reine sobre cada aspecto de sua vida. Mais uma vez, Ezequiel nos fala, escrevendo: “Mas se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto.” (Ez 18:21-22).

Aleluia! É possível um pecador filho de Deus retornar a Ele, fazer a vontade Dele e ser capaz de herdar o Reino!







9.



UMA JUSTA RECOMPENSA






No capítulo anterior, discutimos o fato de que nem todos os filhos de Deus entrarão em Seu Reino Milenar. Muito embora todos os Seus filhos irão estar com Ele eternamente, ainda assim, nem todos os que invocam o nome do Senhor entrarão na bênção de reinar e de festejar com Ele em Seu Reino.

Neste capítulo, estaremos investigando um aspecto mais amplo dessa verdade: não só alguns crentes não entrarão no Reino de Jesus, mas alguns deles, que são rebeldes e desobedientes, também serão punidos. Eles não só perderão a preciosa recompensa do Reino, mas serão punidos de várias maneiras, alguns, severamente, por causa da sua desobediência. Agora, estaremos investigando as Escrituras que ilustram essa séria verdade.

A Bíblia nos ensina que Deus está “conduzindo muitos filhos à glória” (Hb 2:10). Que privilégio poder ser um deles, já que fomos redimidos pelo sangue precioso do Cordeiro, fomos salvos da ira de Deus, e Ele não trata mais conosco como trata com os Seus inimigos! Ao contrário, Ele nos trata como Seus filhos. Entretanto, tornar-se filho de Deus não significa escapar de Sua disciplina ou poder fazer aquilo que queremos.

Você também, como pai, não iria permitir que suas crianças fossem rebeldes e desobedientes, mas as impediria de serem assim, disciplinando-as. Da mesma forma, Deus disciplina Suas crianças. As Escrituras dizem: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo o filho a quem recebe.” (Hb 12:6). A palavra “açoita” significa “bate com um chicote ou uma vara”.

Deus não é o tipo de pai que podemos ver facilmente, hoje. Ele não advoga permissividade. Ele ama Seus filhos e, em Sua sabedoria, imagina que a disciplina é saudável: castigá-los pelos seus erros os fará fazer a coisa certa no futuro. De fato, a Sua disciplina em nós prova que somos Seus filhos, porque, em Seu grande amor, Ele nos provê correção (Hb 12:8).

Aqui, chegamos a um princípio divino muito importante. Gálatas 6:7 diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Seja qual for o tipo de semente que o jardineiro ou o fazendeiro colocam no solo, esse será exatamente o tipo de planta que irá crescer. Se plantarem milho, não obterão feijões; e, se plantarem cebolas, não colherão cenouras. A semente que é plantada produz exatamente conforme sua espécie.

O mesmo princípio é verdadeiro no mundo espiritual. Conseqüentemente, podemos estar seguros de que, seja qual for o tipo de vida que levamos, iremos colher as conseqüências correspondentes, agora e no futuro. Se vivemos uma vida pecaminosa ou, em outras palavras, “plantamos para a carne”, iremos colher o resultado da “corrupção” (Gl 6:8). Se nós “semeamos para o espírito”, iremos receber mais e mais da vida eterna de Deus ou, em outras palavras, maturidade espiritual. Os filhos de Deus não são imunes a esse princípio inalterável. Certamente, receberemos o resultado daquilo que estamos semeando, hoje.

Não pense que, só porque estamos debaixo da graça de Deus e fomos libertos da ira com a qual Ele irá destruir Seus inimigos, podemos agir conforme nos agrada. Deus não admite zombaria, nem é cego. Não se engane com isso.

A Bíblia nos diz que “Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.” (Pv 15:3). É Ele quem “sonda mentes e corações” (Ap 2:23). Ele conhece o que pensamos, sabe aquilo que dizemos e sabe o que fazemos. Todas as coisas que são escondidas dos outros, Ele conhece. E por todas essas coisas seremos chamados a prestar contas diante do Tribunal de Cristo.

Nessa ocasião, embora ninguém corra o risco de ser jogado no lago de fogo, se formos desobedientes, correremos o risco da punição adequada que merecermos. Colheremos exatamente aquilo que semearmos. Deus punirá Seus filhos desobedientes. Em Apocalipse 2:23, vemos Jesus dizer: “...e vos darei a cada um segundo as vossas obras”. Apocalipse 22:12 diz: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. E, de novo, em 2 Coríntios 5:10: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”.

A respeito destes versículos, já ouvi algum ensino dizendo que, sejam as coisas que fizemos boas ou más, ainda assim Deus nos recompensará; Ele ainda nos abençoará; Ele nos dará apenas coisas boas. Este tipo de pensamento exemplifica aquilo que significa ser enganado. Se você crê assim, de alguma forma, o diabo ou os seus próprios pensamentos devem ter levado você a crer em coisas que não podem ser verdadeiras. É impossível semear sementes más e colher boas recompensas. Eu até ouvi dizer: “Bem, aqueles que fizeram o bem, receberão muita recompensa; e aqueles que fizeram o mal, receberão apenas um pouco de ‘coisas boas’ ”. Sinto que devo dizer a vocês, em nome de Jesus Cristo, que isso não é verdade.

Quando a Bíblia usa a palavra “recompensa”, não se refere apenas a coisas boas ou bênçãos. Basicamente, significa que iremos receber o que merecemos. Quando Jesus Cristo vier com Suas recompensas, não devemos achar que serão só coisas boas, não importa o que tenhamos feito com as coisas que Ele nos deu. Então, Ele nos julgará de acordo com aquilo que fizemos com o nosso tempo e nossos talentos (At 1: 18; 2 Tm 4:14; 2 Pe 2:13; Ap 18:6).

Deus puniria alguns de Seus filhos? Sim, na verdade Ele o fará, se forem rebeldes e desobedientes. Com efeito, esta é uma das grandes promessas com as quais nós podemos contar. Há alguns que dizem que o ato de castigar e açoitar, a que a Bíblia se refere, acontece somente nesta vida. Eles acham que o Senhor nunca faria isso ao voltar.

Já que é verdade que neste mundo Deus nos disciplina e nos castiga muito, é igualmente verdade que alguns filhos de Deus não respondem a essa iniciativa divina. Não estão atentos às admoestações de Deus e não se permitem ser guiados e corrigidos por Ele. Em vez disso, continuam em seus caminhos rebeldes. Freqüentemente, essas pessoas consideram as circunstâncias infelizes que sobrevêm a elas, como acontecimentos naturais, e se recusam a reconhecer a mão de Deus lidando com elas. Algumas acharão qualquer desculpa para não admitir que os problemas pelos quais estão passando são a divina disciplina do Pai Celeste.

Essas pessoas viram suas costas e endurecem seus corações contra o que Deus está fazendo. Portanto, elas não se beneficiam da divina disciplina nesta vida. Devido à sua disposição resistente, elas não permitem que o Espírito Santo faça Sua obra. Embora elas possam se decepcionar tentando imaginar que tudo estará bem, quando Jesus Cristo voltar, todas as coisas serão manifestas. Todas as opiniões escondidas e pensamentos íntimos serão trazidos à luz, e esses homens e mulheres, que conheciam a vontade de Deus, mas não a fizeram, serão justamente punidos por Ele.

Vamos voltar outra vez para Mateus, capítulo 25, e examinar outra parábola do Reino, que nos detalha esta verdade. Começando no versículo 14, essa passagem diz:

“E [o Reino dos céus] será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um; a cada um de acordo com a sua capacidade. Em seguida partiu de viagem. O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente, aplicou-os, e ganhou mais cinco. Também o que tinha dois talentos ganhou mais dois. Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.

Depois de muito tempo o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles. O que tinha recebido cinco talentos trouxe os outros cinco e disse: ‘O senhor me confiou cinco talentos; veja, eu ganhei mais cinco’. O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’ Veio também o que tinha recebido dois talentos e disse: ‘O senhor me confiou dois talentos; veja, eu ganhei mais dois’. O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’

Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’. O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes’ ” (Mt 25:14-30 NVI).

Quão tremendamente séria é esta parábola! Nela, Jesus Cristo está falando sobre Seus “servos”. Se pensarmos honestamente sobre ela, chegaremos à conclusão que aqueles servos citados no texto eram todos crentes. Eram todos servos do Senhor, e cada um recebeu Dele talentos para fazer Sua vontade, enquanto Ele estivesse longe.

Nenhum descrente se encaixa nesse papel. Não cometa o erro de chamar dois daqueles servos de crentes, e o terceiro, de descrente. Todos os três são o mesmo tipo de pessoa. E todos os três são crentes nascidos de novo, são servos de Jesus Cristo.

Nessa parábola sobre o Reino, somos informados de que o servo inútil será lançado para fora, nas trevas, onde há choro e ranger de dentes. Não se explica exatamente onde fica ou o que são “as trevas”, mas se pode imaginar que é um lugar separado da presença de Jesus Cristo, e um lugar de profundo auto-exame da alma para os indivíduos que forem lançados lá. O choro e o ranger de dentes sobre os quais as Escrituras falam são causados pela angústia dos tais crentes, que estarão enxergando o que poderiam ter conseguido, se apenas tivessem feito um pouco de esforço para se manterem fiéis.

Mas, ali, eles verão que será tarde demais. Naquele momento, eles não poderão mais se recuperar para entrar no Reino e serão deixados neste lugar de escuridão, por mil anos, durante a festa do casamento, até o princípio da “eternidade futura”. Essa será uma punição muito séria. Tenho certeza que será algo que ninguém gostaria de experimentar. Felizmente, nenhum crente tem que experimentá-la, já que Deus nos capacitou a sermos fiéis, e Ele pode nos fortalecer para sermos obedientes.

É importante notar que essas trevas não são o mesmo lugar que o lago de fogo e enxofre. Nenhum lugar da Bíblia diz que é. É comum os cristãos pensarem que é o mesmo lugar, mas não deveria ser assim. Há muitas boas razões para fazer distinção entre esses dois lugares. Para começar, o lago de fogo não pode ser escuro. Por milhares de anos, até a descoberta da eletricidade, a única maneira de se ter luz, em um lugar escuro, era fazendo fogo. Um candeeiro, ou uma lamparina, faz simplesmente um pequeno fogo. Portanto, ninguém, vivendo no tempo de Jesus, iria pensar em um lugar abrasador, cheio de fogo, como sendo um lugar de trevas. De fato, pensariam no oposto.

Além disso, devemos lembrar que o julgamento dos “servos” acontecerá quando Jesus voltar. Conforme já vimos, nenhum descrente será arrebatado. Portanto, nenhum descrente poderá estar diante do Trono de Julgamento de Cristo, enquanto os outros “servos” serão recompensados. Apenas depois do Milênio, os não crentes serão ressurretos e julgados, e, só então, alguém (além da besta e do falso profeta, é claro) será lançado no lago de fogo.

Não vamos buscar inspiração em Dante ou em Milton, que retratam o inferno como um local de vários tipos de punições e sofrimentos (escuridão, açoites, cócegas, fogo etc). Não, ser atirado em trevas externas será a punição para os filhos de Deus. Será algo temporário e acontecerá por ocasião do Tribunal de Cristo, no começo do Milênio.

Aos olhos de muitas pessoas, o pecado do terceiro servo não parece ser realmente tão mau, ele não teria feito, na verdade, algo ruidosamente mau. Ele simplesmente não fez nada, absolutamente nada. Falamos anteriormente, entretanto, que não há terreno neutro neste mundo. Em nossas vidas, ou estamos participando de um reino, ou de outro. Ou estamos vivendo no Reino de Cristo, em obediência a Ele, ou, conscientemente ou não, estamos servindo o diabo.

Jesus Cristo nos incumbiu de uma comissão para ir e pregar o Evangelho a todas as nações e fazer discípulos (Mt 28:19). Um discípulo é alguém que é obediente e disciplinado pelo seu senhor. Os crentes são incumbidos dessa mensagem e recebem várias habilidades para cumprir essa incumbência. Se por medo, preguiça, ou simples desobediência não exercitamos nossos dons e talentos para cumprir o que Deus nos ordenou, iremos responder por isto no Tribunal de Cristo. Nesta ocasião, alguns dos filhos de Deus serão lançados às trevas. Haverá choro e ranger de dentes. Alguns crentes não só serão deixados de fora da festa do casamento, mas também serão punidos por sua preguiça e desobediência.

Jesus repete esse mesmo aviso em outro lugar, quando afirma: “...muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus, ao passo que os filhos do Reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 8:11-12).

Quem são os “filhos do reino”? São aqueles que, por virtude de serem filhos, por causa de terem nascido de Deus, têm direito de herdar o reino. Assim como o filho de um homem herda todo o seu capital quando ele morre, assim também os filhos de Deus têm o direito de herdar o Reino que Ele prometeu. A versão de Williams, em inglês, torna isso bem claro. Traduzindo o texto, diria o seguinte: “Muitos virão do leste e do oeste e tomarão seus lugares na festa com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos céus, enquanto os herdeiros do Reino serão expulsos para as trevas, onde estarão chorando e rangendo os seus dentes.” Aqueles, entre os filhos de Deus, que forem infiéis, serão deserdados, e não apenas deserdados, mas também punidos.

Hoje em dia, há alguns crentes que entendem que os “filhos do Reino” são judeus, tirando essa interpretação do contexto em que o discurso de Jesus foi proferido. Meu entendimento é que esse grupo inclui qualquer filho de Deus, sendo judeu ou não. O que é chave em nossa investigação é quando esses “filhos” serão julgados. O fato de que a “expulsão” acontecerá “no Reino dos céus” (verso 11), mostra claramente que eles serão julgados antes do Milênio, ou, no início do Milênio. Então, eles só podem ser crentes, porque nenhum ímpio será julgado nesse tempo.

Há muitos que, erroneamente, tentam aplicar essa e outras parábolas do Reino à “eternidade”. Assim, argumentam que o servo inútil, que será punido, é uma pessoa que perdeu sua salvação. Eles supõem que ele perdeu a vida eterna. Ele nasceu de Deus mas, por causa da sua desobediência, cessou de ser um de Seus filhos.

Se aceitarmos esta teoria, então temos que assumir que Deus está gerando filhos aleatoriamente, e mesmo irresponsavelmente. Se isto é verdade, então nosso Pai Celeste está permitindo que pessoas recebam Sua Vida, tornem-se parte de Sua família, sem, no entanto, uma maneira de lidar com seus problemas e suas deficiências. Esta idéia nos leva a pensar no novo nascimento como um tipo de experiência para ver se vai dar certo ou não. Seria semelhante a um pai de doze crianças que, quando algumas delas o aborrecem, ele as mata, “selecionando o rebanho”, por assim dizer. Não, Deus não faz coisa alguma sem um propósito planejado anteriormente. Ele conhece o princípio e o fim. Na verdade, Ele é o princípio e o fim. Portanto, quando alguém vem a Ele e é recebido por Ele, Deus já tem um plano para poder tratar com esta pessoa como a um filho, para, com o passar de tempo, trazê-lo à Sua submissão. Este plano divino inclui disciplina.

Porque Deus está punindo e disciplinando Seus filhos desta maneira? Tudo o que Ele faz, relacionado aos Seus filhos, é feito por causa do Seu amor. Então, podemos estar certos de que a punição futura tem a mesma motivação. Ele fará isto pelo nosso próprio bem. O castigo dos filhos de Deus será para demolir a obstinação e a vontade resistente deles. Se nós não nos submetemos a Deus nesta vida, então Ele trabalhará para corrigir esse problema quando Ele voltar. Ele fará isto para que nós possamos aprender a ser obedientes, a fim de que, quando a eternidade chegar, estejamos prontos.

Quando terminar o Milênio e começar a “eternidade futura”, toda rebelião deverá ter sido limpa do coração do povo de Deus, para que eles possam gozar livremente a nova criação. Deus sabe o que é melhor para nós. Estou certo de que Ele se aborrecerá tremendamente, se os Seus filhos não estiverem prontos. Mas, em Sua Divina Providência, Ele nos proporciona sempre uma maneira de nos ajudar, para que, eventualmente, estejamos prontos.



MUITOS AÇOITES




Vamos voltar agora para uma outra passagem, em Lucas, capítulo 12, começando com o verso 35. Tenha em mente que esta passagem também é mencionada no contexto do Reino:

“Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.” (Lc 12: 35-37).“Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando vier, achar fazendo assim. Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens.” (isto se refere a reinar no Reino do Milênio).

“Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, e beber e a se embriagar, virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora em que não sabe, e o castigará, lançando-lhe a sorte com os infiéis.” (Note aqui que a Bíblia disse “infiéis”, aqueles que não tinham fidelidade, e não “descrentes”).

“Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade de seu senhor e fez coisas dignas de reprovação, levará poucos açoites. Mas, àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” (Lc 12: 42-48).

Aqui, expomos claramente o fato incontestável de que, quando Jesus voltar, alguns de Seus servos serão punidos. O servo específico mencionado no texto foi açoitado com muitos açoites. O Senhor castigará realmente os Seus filhos de modo tão severo? Você pode estar certo de que Ele fará exatamente isso, se tivermos sido infiéis e desobedientes.

A disciplina que os filhos rebeldes receberão será severa e prolongada. É algo que acontecerá durante o Milênio. Além disso, é algo que qualquer filho de Deus inteligente deseja evitar a qualquer custo.

Embora não possa predizer exatamente de que forma será essa punição, parece possível que, conforme já mencionamos, uma grande parte dela será os servos verem claramente o que eles perderam. Aqueles que foram desobedientes estarão vendo os outros gozando as recompensas do Reino, enquanto eles estarão sendo deixados de fora. Em Lucas 13:28, Jesus alerta sobre esta possibilidade de vocês virem: “...Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas, no Reino de Deus, mas vocês excluídos.” (NVI).

Enquanto os excluídos estiverem esperando acabar o Milênio, eles certamente terão tempo para rever seu estilo de vida neste mundo. Imagino que isso irá causar uma grande e prolongada angústia – “choro e ranger de dentes” – por verem quão fácil teria sido serem obedientes, e como Deus os teria ajudado a vencer, caso eles o tivessem desejado.

Embora alguns queiram negar essa dura e desagradável realidade, tentando acreditar que as pessoas que serão punidas não são crentes, a Escritura diz claramente que essas punições se referem aos crentes. Lemos no versículo 45, de Lucas 12: “Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘Meu senhor tarda em vir...”.

Este é o mesmo servo que no versículo anterior é abençoado pelo senhor e designado mordomo de todas as suas coisas. Não deveria haver dúvidas de que este servo, sobre quem a Escritura está falando, é um filho de Deus que, na parte final do texto, torna-se desobediente. Ali, não encontramos dois servos, mas somente um.

Sim, Deus certamente punirá Seus filhos, quando eles merecerem. Tanto nesta vida, como no Reino que virá. Ele recompensará cada homem de acordo com suas obras, sejam elas boas ou más. Todos os filhos de Deus deveriam considerar seriamente essa mensagem.

Colossenses 3:23-25, que é uma exortação escrita a crentes, diz: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança (o que significa herdar o Reino)...Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas.”



DEUS ENXUGARÁ AS LÁGRIMAS




Afirmei que a punição dos crentes infiéis será temporária, demorará “apenas” mil anos. Ao longo do tempo, muitos têm perguntado se há qualquer texto bíblico que prove isso. Existe alguma indicação na Bíblia de que posteriormente Deus irá restaurar, de alguma maneira, esses indivíduos? Embora não haja referência que afirme isso na Palavra de Deus, essa realidade pode ser fortemente deduzida do fato de que os versos que estivemos estudando são específicos sobre o Reino vindouro. E nós sabemos que o Reino de Deus, nesta Terra, irá perdurar por mil anos.

Além disso, encontramos, em Apocalipse 21:4, algo muito interessante. Vamos ler juntos: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. Expressivamente, esta passagem é registrada depois do Milênio, no início da “eternidade”, quando Deus faz um novo céu e uma nova Terra (veja o versículo 1, do mesmo capítulo).

Gostaria de submeter à sua consideração, que nenhum daqueles que estiverem festejando, reinando ou descansando com Jesus Cristo, estará chorando ou sentindo dores. Eles não terão tristezas. Estarão se regozijando e celebrando. Mas haverá um outro grupo de pessoas, que estará chorando, tendo dores e tristezas, e precisando de uma atenção especial e consolo. É o próprio Deus quem fará isso por elas, limpando de seus olhos toda lágrima.

Acho que não é deturpar as Escrituras imaginar que tais pessoas poderiam ser aquelas que o Pai disciplinou durante o Milênio, mas que, no início da “eternidade”, estará restaurando e confortando.

Ainda uma outra passagem interessante se encontra em Judas 8-13. Ali, o apóstolo está descrevendo um grupo muito especial que frequenta a Igreja. São “cristãos” que corrompem a carne ou, em outras palavras, são sexualmente impuros, cometendo fornicação e adultério. Eles “rejeitam autoridade”, e podemos imaginar que isto signifique a autoridade de Jesus. Eles estão “servindo a si mesmos” e estão se corrompendo “como animais” (NVI). Eles não produzem bons frutos, estão servindo a si mesmos e não ao Senhor, e deveriam ter o bom senso de se sentirem envergonhados, mas não o têm.

Essas pessoas estão participando das atividades da Igreja, mas não estão vivendo no atual Reino de Deus. Em outras palavras, elas não são submissas à soberania de Deus. É para elas que está reservado um lugar especial, a “escuridão das trevas”. Isto é o mesmo que “as trevas”, que estivemos estudando.

Enquanto algumas versões do livro de Judas dizem que a punição será “para sempre” (verso 13), o texto grego não sugere isto. “Para sempre” é normalmente a tradução das palavras gregas “os séculos dos séculos” ou “as eras das eras”. Mas, nesse verso, o grego diz: “pelo século” (singular) e não “pelos séculos dos séculos”. O “século”, ali, certamente se refere ao Milênio.

Então, a punição que aquelas pessoas receberão durará pelo século do Milênio, e não pela eternidade. A própria interpretação desse versículo também leva a crer que, na verdade, a punição é para um período de tempo limitado e pré-determinado (os textos antigos, mais confiáveis, não mencionam uma estrutura de tempo, na passagem de 2 Pedro 2:17, que também trata do mesmo tema).

Irmãos e irmãs em Cristo, eu lhes peço, pelo seu próprio bem, prestem cuidadosa atenção a tudo o que está sendo dito, aqui. O modo como estamos vivendo, hoje, traz monumentais conseqüências! Seja o que for que estejamos semeando, é exatamente correspondente à recompensa que iremos colher. Ninguém receberá tratamento especial ou capacidade para escapar da justa recompensa que merecer. Se você ou eu formos desobedientes, seremos punidos pelo Senhor, quando Ele voltar. Não apenas seremos deixados para fora da festa do matrimônio, mas, por mil anos, sofreremos a justa disciplina.

Com essas coisas em mente, vamos examinar cuidadosamente a nossa maneira de viver, para ver se o que estamos fazendo está agradando a Deus. E, se acharmos que não está, segundo o que a Escritura ensina, então vamos nos arrepender, por causa do Reino. Faz parte dos ensinamentos das Escrituras viver sóbria e prudentemente neste mundo, para que possamos agradar ao nosso Deus.

As coisas e os prazeres deste mundo, que devemos negar a nós mesmos, hoje, não são nada em comparação com as coisas que Deus tem preparado para nós. Nossa vida aqui é curta e transitória. Vale a pena o investimento de passar sabiamente nosso tempo aqui e ganhar um milênio de alegria e regozijo.







10.



PERDÃO E JULGAMENTO






Neste livro, temos estudado várias verdades referentes ao Reino de Deus, sejam os atuais aspectos dele, seja o Milênio vindouro. Entre estas verdades, está o fato de que nem todos os filhos de Deus estão vivendo de uma maneira que os qualificará a participar do Reino vindouro de Cristo. Eles serão “salvos” e estarão com o Senhor na eternidade, porém não entrarão no Reino vindouro.

Um breve sumário destas coisas é encontrado em 2 Timóteo 2:11-13, onde lemos:

“Fiel é esta palavra: se já morremos com Ele, também viveremos com Ele; se perseveramos, também com Ele reinaremos; se o negamos, Ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”.

Deus julgará o Seu povo (Hb 10:30). Não seria possível que Deus julgasse corretamente o mundo, se primeiro não julgasse Sua própria Casa. De fato, as Escrituras revelam claramente que o julgamento começará na Casa de Deus (1 Pe 4:17).

Hoje, vivemos na chamada “era da graça”. Em Sua maravilhosa bondade, Deus suspendeu Seu julgamento. Mesmo que Ele contemple do alto os nossos pecados, Ele não está nos tratando da maneira que merecemos. A graça de Deus é um dos aspectos predominantes na era da Igreja.

Infelizmente, muitos têm se enganado com isso. Eles começaram imaginando que, já que o Senhor não está julgando os seus pecados hoje, Ele nunca o fará. Já que eles não experimentam o julgamento de Deus caindo sobre si quando pecam (além, talvez, de uma consciência culpada), eles supõem que Deus não deve ver ou se importar com o que fazem.

O que falham em compreender é que a bondade de Deus deveria levá-los ao arrependimento (Rm 2:4). Em vez de iludidos a pensar que nunca haverá um julgamento, deveria provocá-los a amá-Lo mais e se entregar mais em Suas mãos, para que os seus pecados sejam removidos. Eles deveriam usar a graça de Deus, que está disponível hoje para se libertarem do pecado, não para continuarem nele.



NÓS SEREMOS JULGADOS




Muitos têm ensinado que, quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, nossas obras serão julgadas, mas nós mesmos não o seremos. Este é um terrível engano. Nós realmente seremos julgados junto com as nossas obras.

1 Coríntios 3:12-15 esclarece que não são somente as nossas obras que serão testadas pelo fogo. Conforme lemos essa passagem cuidadosamente, vemos que não apenas nossas obras serão provadas. Nós também passaremos pelas chamas. O verso 15 diz: “...se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano, mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” Veja que nós também experimentaremos o fogo divino. Esse é o fogo que está emanando da presença do Deus vivo (Hb 12:29).

Além disso, compreendemos que nossa “recompensa” será de acordo com nossas obras (Ap 22:12). Como já vimos, no Novo Testamento a palavra “recompensa” nem sempre indica coisas boas. Não significa que Papai Noel está chegando à cidade e que nos dará um presente, quer tenhamos sido bons, quer tenhamos sido perversos. Significa que iremos obter aquilo que merecemos. Nossa recompensa pode ser negativa, pode ser um julgamento severo, de grandes proporções.

Também, já estudamos, neste livro, as conseqüências adversas da desobediência. Entre elas, estão: ser deixado de fora do Reino Milenar de Cristo (Mt 25: 1-14); ser lançado às trevas (Mt 25:14-30); e ser açoitado com muitos açoites (Lc 12:35-48). Conforme vimos, estas punições serão para os crentes, já que somente eles serão recebidos diante do Tribunal de Cristo. Naquele momento, poderemos estar completamente certos de que não haverá incrédulos presentes.

Essas coisas foram escritas para que tenhamos dentro de nós uma parcela saudável de temor de Deus. Nós lemos que “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” (Pv 1:7). O temor do Senhor é um dos mais importantes elementos para uma experiência cristã saudável. Por exemplo: lemos, em Isaías 11:3, que o Messias vai “deleitar-se no temor do Senhor.” (VRC).

É necessário, então, que cada crente tenha dentro de si a compreensão de que as coisas de Deus não são uma brincadeira. Não acreditamos em algum tipo de conto de fadas. As coisas eternas e preciosas, que estão disponíveis a nós, são extremamente importantes, e negligenciá-las ocasiona sérias conseqüências. Os escritores do Novo Testamento ensinam sobre os julgamentos futuros, especificamente com o propósito de gerar dentro de nós o temor de Deus.

Um dos muitos exemplos disso encontra-se em 2 Coríntios 5:10,11. Ali, Paulo está falando sobre o futuro julgamento dos crentes. Lemos: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens...”.

Aqui, lemos sobre algo chamado “o temor do Senhor”. Algumas versões em inglês vão mais além, traduzindo o grego como “o terror do Senhor”. Pelo contexto, somos forçados a concluir que não é somente algo para os descrentes, mas sim para os cristãos. O texto não está falando sobre pecadores sendo lançados no lado de fogo (o que acontecerá 1.000 anos depois), mas sobre os filhos de Deus sendo julgados pelo seu Pai. Naquele dia, haverá lugar para muito “temor”, e até “terror”.

Agora, então, precisamos ter uma boa dose de temor das conseqüências, caso estejamos vivendo em rebelião contra Ele e em resistência à Sua obra em nossas vidas. Compreendendo esse temor, Paulo diz que dará o melhor de si para persuadir homens e mulheres (nessa passagem, cristãos), a se arrependerem de seus maus caminhos e a servirem a Deus.

Tal temor espiritual é um ingrediente essencial na vida de cada cristão. Deveríamos servir o Senhor com grande “reverência e temor santo” (Hb 12:28). Sem ele, não progrediremos espiritualmente, não procuraremos o Senhor como deveríamos e acabaremos nos decepcionando. O temor do Senhor é muito saudável. Ele limpará nossas vidas e nos ajudará, em tempos de provações, sofrimentos e dores, a suportar e a perseverar. Ele nos fará procurar o Senhor de todo o coração, para não sofrermos conseqüências negativas no futuro.

O Salmo 19:9 diz: “O temor do Senhor é límpido”. Ele realmente tem um efeito purificador. Quando tememos a Deus de maneira apropriada, orientamos nossas vidas, tendo em mente o Trono do Julgamento. Quando amamos e respeitamos a Deus, isso gera uma vida de obediência a Ele.

Todos nós devemos compreender claramente que os castigos que os crentes sofrem hoje, e sofrerão no futuro, são terapêuticos. Isto significa que, já que Deus ama os Seus filhos, Ele irá usar os Seus meios e métodos disciplinares, para o bem deles, no decorrer do tempo. Embora seja claro que as conseqüências da desobediência, no futuro, sejam extremamente severas e de longa duração, na verdade nós realmente merecemos o pior.

Se não fosse pela graça de Deus e por Sua bondade, nós todos seríamos lançados no lago de fogo. Mas, por meio de Jesus Cristo, nós nos tornamos filhos de Deus e, assim, não seremos mais malditos para sempre ou “perdidos”. Entretanto, é certo que seremos disciplinados por nosso Pai celestial (Hb 12:6). Aqueles que não correspondem a esta disciplina nesta vida, necessitarão de um tratamento mais adiante, quando Jesus vier.

Muito embora haja muitos e muitos versículos no Novo Testamento que demonstrem claramente essas coisas, esse não é um assunto comumente ensinado ou compreendido. Já que é uma informação nova para muitas pessoas, é possível que alguns possam compreender mal, porque seus conceitos prévios interferem em sua compreensão da verdade.

Grande parte da Igreja hoje não tem temor de Deus, mas, pelo contrário, acolhe uma série de meias verdades e equívocos. Muitos enfatizam apenas um lado do evangelho da graça e negligenciam qualquer versículo que não os agrade. O entendimento sobre a graça e a bondade de Deus têm freqüentemente sido levados a um extremo onde deixa de corresponder ao caráter do próprio Deus.



O SANGUE DE JESUS




Um exemplo moderno de ensinamentos equivocados a respeito das Escrituras refere-se ao sangue de Jesus. Embora o sangue de Jesus seja muito precioso, e este autor jamais pense em diminuir o seu poder e sua eficácia, hoje em dia há vários erros relativos a esse assunto, os quais precisam ser corrigidos. Alguns têm enfatizado uma parte da verdade e negligenciado outra parte, assim, produzindo um ensino assimétrico e, portanto, incorreto.

Por exemplo: enquanto meditam na Palavra de Deus, alguns mestres notam que Jesus morreu pelos pecados do mundo inteiro. Ele morreu uma vez e morreu por todos. Em um ato de redenção, Jesus derramou Seu sangue para que o mundo inteiro pudesse ser salvo. Por causa disto, eles concluem que, uma vez que “aceitamos” Jesus, todos os nossos pecados são perdoados – passados, presentes e futuros.

Eles argumentam que, já que o julgamento caiu sobre Jesus, Deus não vê mais os nossos pecados e não pode mais nos julgar por causa deles. Já que Ele morreu por todos, então, cada pecado, de cada pessoa, já foi perdoado. Tudo o que o homem tem a fazer é dar um tipo de aceno de aprovação a esse fato, ou, em outras palavras, “crer nisso”, e, então, está a caminho do céu.

O problema desta visão é que ela é unilateral. Toda equação tem dois lados. Todo relacionamento envolve mais do que uma pessoa. É assim também com o perdão disponível para nós, por meio do sangue de Jesus. Deus, na verdade, fez a Sua parte. Da parte Dele, “está consumado” (Jo 19:30).

Entretanto, ainda existe o nosso papel para ser representado. De acordo com a Palavra de Deus, nós também devemos fazer várias coisas. Uma das mais óbvias é que precisamos nos arrepender. Se não estamos arrependidos, Deus não irá nos perdoar. Somos ensinados que precisamos nos “achegar a Deus com um coração sincero” (Hb 10:22). Isto significa que devemos estar tristes e arrependidos de todo o nosso coração. Quando Deus vê a nossa sinceridade, Ele provê perdão em abundância. Se não somos sinceros, Ele não nos dará perdão.

Na Lei do Velho Testamento, Deus não aceitava sacrifícios de pecadores que não estivessem arrependidos. Se alguém estivesse pretendendo continuar com o seu pecado, simplesmente matar um animal inocente não iria livrá-lo do justo julgamento diante de Deus. Ele os considerava hipócritas. Do mesmo modo, hoje, aqueles que não se arrependem, não são perdoados. Embora, porque receberam a Cristo, tenham sido salvos da condenação eterna, eles não escaparão da justa recompensa que Deus lhes dará quando Ele voltar.

Quando você pensa honestamente sobre isto, parece claro que, da nossa parte, nem todos os nossos pecados podem já ter sido perdoados. Por uma razão: nós ainda não cometemos todos eles, portanto, não tivemos ainda a chance de confessá-los e de nos arrepender deles. Somente pela confissão e arrependimento, o caminho para o perdão pode ser aberto. Em 1 João 1:9, somos ensinados: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.





A PALAVRA “SE”




A palavra “se”, nesse versículo, é um importante fator na equação. Da nossa parte no relacionamento, precisamos confessar nosso pecado, para receber o perdão. A palavra “confessar” não significa apenas admitir que fizemos algo errado. Por exemplo, talvez “confessemos” a um amigo alguma obra má que tenhamos feito, realmente sentindo orgulho do fato. A palavra “confessar” na Bíblia significa confessar diante do Juiz aquilo que fizemos, sabendo que Ele tem poder para aplicar-nos condenação. É o tipo de confissão de pecado, onde aquele que confessa admite que é digno de morte, mas permanece diante do Juiz esperando apenas pela sua misericórdia.

Em outro lugar, em 1 João também, encontramos um outro “se” importante. Lemos que: “Se, porém, andarmos na luz como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). Aqui, vemos que há necessidade de andarmos na luz, se quisermos nos purificar de nossos pecados.

Mas o que isto significa? Isto quer dizer que, dia a dia, estamos caminhando em comunhão com Jesus e desfrutando de Sua presença. Se pecarmos, imediatamente teremos consciência do pecado, porque sentimos a desaprovação de Deus, por meio do Espírito. Então, podemos nos arrepender e receber perdão. Se nos recusarmos a nos arrepender, isto quebra a nossa comunhão com Ele. Nosso relacionamento é afetado e não mais caminhamos na luz. O “se” perde seu valor. A conseqüência disto é que o nosso pecado não é perdoado, e corremos o risco do julgamento vindouro.

Uma outra passagem que mostra claramente que temos que fazer a nossa parte, para receber o perdão, está em Mateus 6:14-15, que diz que, se não perdoarmos os que pecaram contra nós, Deus também não nos perdoará. Se todos os nossos pecados já foram perdoados, como pode ser que Deus não nos perdoe, neste caso? Vemos novamente que o perdão não é automático e universal. Em nossa parte do relacionamento, precisamos ser obedientes a Deus, perdoarmos aos que nos ofendem e nos arrependermos dos pecados que cometemos. Pelo lado Dele, Ele nos dará perdão completo.

Certamente, o perdão estará disponível para qualquer pecado. Entretanto, como filhos inteligentes de Deus, não devemos tirar vantagem da situação e pecar o tanto que nos agrada, esperando que mais tarde possamos nos arrepender e escapar da justa punição. Lemos que: “...se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.” (Hb 10:26-27).

Vejam, quando nos tornamos hipócritas, não verdadeiramente arrependidos, e simplesmente tentamos tirar vantagem da graça de Deus, Seu sacrifício não está mais acessível a nós. O Pai não permitirá que abusemos de Sua bondade e tiremos vantagem do sangue precioso de Seu Filho. Ele nunca pensará em livrar de Sua justa punição aqueles que não têm uma atitude correta de coração. Esses pecados não foram “já perdoados” e, de fato, não o serão, se não houver arrependimento verdadeiro.

É necessário dizer que “pecar deliberadamente” não se refere àqueles cristãos que ocasionalmente pecam, mesmo quando sabem que estão errados. A maioria das vezes em que pecamos, nós sabemos que estamos pecando. Posteriormente, somos convictos em nossa consciência, e nos arrependemos diante de Deus. A passagem de Hebreus não se refere a este tipo de situação.

Entretanto, há aqueles que persistem em pecar. Eles conhecem o seu erro, mas continuam em rebeldia contra Deus. Por exemplo, talvez, o seu relacionamento pecaminoso com um membro do sexo oposto seja algo que você ama mais do que a Deus. Você se recusa a desistir dele. Talvez o seu uso de droga ou excesso de bebidas tenha mais valor do que sua intimidade com Jesus. Você persiste em sua rebelião. Para você, seu pecado se tornou um hábito arraigado. Você teimosamente se recusa a se arrepender e voltar seu coração para o Criador, pedindo perdão. Então, só lhe resta esperar pelo dia do julgamento, se você não mudar seu coração.

Somente Deus sabe quando cruzamos os limites Dele. Somente Ele sabe como trabalha o coração humano e quando vamos além do ponto, onde o arrependimento sincero não é a nossa opção. Ele certamente sabe quando brincamos com as verdades eternas, não as valorizando como essenciais e, assim, endurece nossos corações, a ponto de não podermos mais nos arrepender em sinceridade e em verdade.

Existe tal ponto? João parece indicar isto em suas epístolas. Ele diz: “Há pecado para a morte” (1 Jo 5:16). Além disso, afirma que, mesmo as orações por uma pessoa que pratica esse pecado não surtirão efeito.

O case de Esaú foi assim. Ele vendeu sua primogenitura por uma gratificação sensual temporária. Naquela situação, a gratificação foi comida, mas há muitos formas, como fornicação, por exemplo, sugerida também pelo autor de Hebreus, no capítulo 12, que comenta esse caso. No verso 17, deste capítulo, o autor mostra que Esaú procurou o arrependimento com lágrimas, mas não foi capaz de encontrá-lo.

Quantos filhos de Deus estão hoje nesse estado? Eles foram contra Deus e contra sua própria consciência tão fortemente e a tal ponto, que não são mais capazes de se arrependerem com sinceridade. Eles abusaram tanto da graça de Deus, que ela não surte mais nenhum efeito. Eles só têm “uma certa expectação horrível de juízo” (Hb 10:27).

Mais adiante, neste capítulo de Hebreus (10:28-31), lemos: “Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’. E outra vez: ‘O Senhor julgará a Seu povo’. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

Está claro que esta passagem se refere a crentes. Estas pessoas tinham sido “santificadas” pelo sangue. Somente os cristãos nascidos de novo são santificados. Além disso, lemos que “o Senhor julgará a Seu povo”.

Por favor, não ignore estas verdades importantes. Não cometa o erro de tentar escapar das conseqüências óbvias da desobediência, aplicando mal esses versículos, relacionado-os a incrédulos. Continuar no pecado, que você sabe ser errado, é insultar o Espírito de Deus, depreciar o valor do sangue, por tentar tirar proveito dele, oprimindo Jesus, colocando o sacrifício Dele debaixo de seus pés.

Mas, alguns podem perguntar: o que poderia ser uma punição maior do que a morte mencionada na passagem de Hebreus? Para responder a isto, deixe-me contar-lhes uma pequena história.

Eu e minha esposa estivemos por algum tempo envolvidos com um navio missionário, que fazia viagens para o Haiti. Já que aqueles que trabalhavam na missão vinham há um bom tempo navegando, o assunto de enjôos, em alto mar, sempre vinha à tona. Os novatos na missão, inclusive eu mesmo, eram avisados que poderiam enjoar e, se isto acontecesse, seria algo muito ruim.

Uma pessoa, que tinha muita experiência no mar, explicou-nos sobre isso: “Há três estágios de sintomas. O primeiro estágio é quando você começa a se sentir nauseado, fica verde e começa a vomitar. O segundo estágio é quando está se sentindo tão mal que você pensa que vai morrer. O terceiro estágio é quando você começa a temer que não vai morrer, mas o mal vai continuar para sempre”. Veja você, há coisas piores do que a morte. Entre outras, o sofrimento que parece nunca acabar.

Mil anos é um tempo muito longo, e tenho certeza que ninguém apreciará a punição que Deus dará a Seus filhos desobedientes. “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:31).

Um outro erro de entendimento, referente ao sangue de Jesus, aparece num discurso, assim: “Já que nos tornamos cristãos, Deus não vê mais os nossos pecados. Somos completamente cobertos pelo sangue, de maneira que o Pai não vê mais os nossos pecados, mas apenas vê a Jesus”.

Isto é uma completa tolice. Não tem base nas Escrituras. De fato, a Bíblia nos ensina o oposto. Lemos: “...todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” (Hb 4:13). Todas as coisas que fazemos, falamos ou pensamos são óbvias para o nosso Senhor. “Todas as coisas” são claras para Ele. Também somos ensinados que “os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv 15:3). Deus “penetra em nossos pensamentos” (Sl 139:2).

Queridos irmãos e irmãs, precisamos viver, tendo em mente o Trono do Julgamento. Precisamos viver e caminhar à luz da graça de Deus, de maneira que cada atitude, ação e palavra estejam disponíveis para Sua inspeção e aprovação. É verdade que quando confessamos os nossos pecados e nos arrependemos, eles são removidos para sempre. Entretanto, também é verdade que eles não serão removidos, se não estivermos contritos e arrependidos.

O perdão dos pecados está abundantemente disponível para todo crente. É uma das verdades mais fundamentais reveladas na Bíblia. É nosso privilégio, como filhos de Deus, chegar diante Dele, confessar nossos pecados, em sincero arrependimento, e receber o perdão eterno.

Nenhum dos nossos muitos pecados, que são de tal maneira perdoados por Deus, será relembrado por Ele. Eles são removidos para sempre, e colocados tão distantes de nós quanto dista o Oriente do Ocidente (Sl 103:12). Diante do Tribunal de Cristo, esses pecados não serão um coeficiente. Podemos ter confiança completa neste fato e descansar nossa consciência em Sua graça eterna.

Portanto, amados irmãos e irmãs, vamos chegar continuamente diante do Trono de Deus e nos arrepender de nossos pecados, antes que seja tarde demais. Vamos levar a sério Sua oferta de misericórdia e graça, e humilhar nossos corações diante Dele enquanto ainda é “hoje” (Hb 3:13). Deus nos ama. Ele enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar. Se estamos fracos, Ele nos ajuda. Quando nos sentimos incapazes, Ele pode fortalecer-nos para fazer a Sua vontade. Nossas falhas e fraquezas não deveriam ser uma desculpa para não procurarmos a graça e a vontade de Deus, de todo o nosso coração.

Conforme andamos com Ele em comunhão íntima, devemos rapidamente nos arrepender de tudo aquilo que Ele nos mostrar, que é contra a Sua Santa Natureza. Nosso arrependimento abrirá caminho para que Sua Vida flua em nós e por meio de nós, para nos purificar. Deus não apenas vai nos perdoar, mas também irá nos transformar, daquilo que somos, para aquilo que Ele é. Esta é uma promessa maravilhosa! Será para nós uma grande libertação. Nós podemos ser perdoados e libertos do pecado.



COMPREENDENDO O REINO




Tenho esperanças de que este capítulo será de alguma ajuda para os leitores compreenderem os planos e propósitos de Deus, de um modo bem mais claro. Sem esta revelação, é fácil ficar confuso, tentando entender certas passagens bíblicas. Alguns, por exemplo, têm erroneamente tentado aplicar muitos assuntos do Reino à eternidade. Não considerando o lugar do Reino Milenar no plano de Deus, eles tentam compreender muitos versículos mencionados neste capítulo à luz de nosso destino eterno.

Fazendo assim, têm imaginado uma teologia muito inconsistente e confusa. Tendo lido os versículos sobre julgamento e punição, eles têm sido honestos o suficiente para admitir que tais versículos se aplicam a crentes. Mas, não imaginando a verdade sobre o Reino, são levados a supor que um filho de Deus pode perder a Vida eterna. Muitos desses mestres também vêem a grande necessidade do temor a Deus.

Para eles, o ponto de vista “uma vez salvos, sempre salvos” parece retirar todo o temor do Senhor e, portanto, muitas das nossas motivações para fugir dos prazeres do mundo e do pecado. Assim, eles citam muitos desses versículos tentando provar que alguns dos filhos de Deus se perderão. Entretanto, muitos dos versos relacionados a “perder a salvação”, que esses mestres usam para provar seu ponto de vista, são verdadeiramente passagens sobre o Reino milenar vindouro.

Conforme dissemos, o temor a Deus é essencial. É um ingrediente que parece estar perdido na Igreja de nossos dias. É algo que precisa desesperadamente ser restaurado no meio do povo de Deus. Entretanto, para ajudar os crentes a conhecerem este temor, precisamos ensinar aquilo que é verdadeiro. Qualquer doutrina que não seja a verdade não tem poder de mudar realmente o coração dos ouvintes.

Por exemplo: alguns ensinam que os crentes perdem a salvação, se eles pecarem. Mas, cristãos pecadores freqüentemente têm uma experiência diferente. Suas consciências os incomodam, algumas vezes intensamente, mas eles não se sentem “perdidos”. Ainda sentem algo da presença de Deus em seu espírito.

Assim, embora eles possam crer em suas mentes que estão perdidos, o coração deles lhes diz algo diferente. Embora saibam que o que estão fazendo é errado, freqüentemente se confortam, sentindo que Deus não os deixou completamente. O ensino que estão recebendo e sua experiência não combinam. O verdadeiro temor ao Senhor não é gerado desse modo.

Um outro problema encontrado no ensino de que a salvação pode ser perdida pelo pecado é: quantos pecados são necessários? Quão “ruim” é um pecado ou quantos pecados temos que cometer para estarmos realmente perdidos?

Aparentemente, deveria ser um pecado realmente mau ou uma grande quantidade deles para habilitar alguém a tão terríveis resultados.

Isto, então, liberta de muita condenação aqueles que têm poucos ou nenhum pecado manifesto, mas estão realmente resistindo ao Senhor em muitas áreas de suas vidas. Eles são desobedientes, mas não de um modo óbvio, que os outros possam notar. Talvez os mais próximos deles percebam que há algum problema, mas a maioria dos crentes que os conhece acham que está tudo bem.

Esse tipo de ensino apenas toca os mais aparentes tipos de pecado, mas não penetra no coração e demanda completa submissão ao Rei. Não gera o verdadeiro temor ao Senhor. Muitas Igrejas que acreditam na perda da salvação estão cheias de fofocas, mentiras, luxúria, inveja, murmuração, ódio, ciúme, orgulho e muitas outras coisas. Entretanto, ninguém acredita ou ensina que os membros que praticam tais coisas já perderam a salvação. Se ensinarem assim, vão acabar com a congregação.

O ensino da perda da vida eterna pretende gerar um tipo de respeito por Deus, o qual irá purificar as vidas de seus adeptos. Mas, em minha experiência, isso não acontece. Se honestamente compararmos a quantidade de pecados encontrados nas Igrejas que acreditam na segurança eterna, com as que não acreditam, acho que os resultados serão os mesmos. Se pudermos deixar de lado fatores externos, como o uso de vestidos ou de cabelos compridos, ou práticas superficiais, os pecados do coração serão evidenciados em ambos os grupos. Os seres humanos são os mesmos, em ambientes diversos.



OS DONS PODEM ENGANAR




Ainda um outro fator que importa nesta discussão é o aspecto dos dons de Deus. Quando ministramos aos outros, usando os dons espirituais que nosso Senhor nos deu, freqüentemente há um poderoso mover da unção e de Sua presença.

Quando nós pecamos ou estamos vivendo em pecado, essa unção em nossos dons nem sempre é retirada. Vamos tomar como exemplo um pregador que tenha o dom da cura. Quando ele prega, sente uma poderosa unção em suas palavras, e muitas pessoas são curadas por meio de seu ministério. Vamos supor que esse irmão caia em pecado. Ele começa a ter um relacionamento sexual com um membro da Igreja, com quem não é casado. Naturalmente, sua consciência o condena.

Mas, quando ele se põe a pregar, a unção está lá. Ele ainda “sente” a presença de Deus no uso de seu dom ministerial. Talvez, algumas pessoas ainda sejam curadas. Assim, ele se consola com esse fato. Ele não se sente perdido, não sente que Deus o deixou. Talvez, ele supõe, o seu pecado não tenha sido tão mau assim, ou esteja sendo “permitido” por Deus, por causa de sua posição especial, da circunstância ou da necessidade. Claro que isto é uma mentira, mas é fácil nos enganarmos, especialmente quando a doutrina em que nos apoiamos é imperfeita em suas bases.

Embora alguns insistam que qualquer um que esteja vivendo em pecado conhecido não possa experimentar poder em seu dom, a experiência de muitos crentes, durante anos, mostra-nos uma realidade diferente. Incontáveis homens e mulheres de Deus têm se encontrado em tal situação. Eles caíram em pecado, mas ainda sabem que Deus, de alguma forma, não os abandonou. Seu dom ainda “funciona”. Eles ainda sentem a unção. Então, eles se apegam às suas experiências e tentam justificar-se em suas próprias mentes e corações.

O que é necessário nestes casos é o evangelho do Reino, que estamos estudando. Tais irmãos e irmãs necessitam desesperadamente conhecer a verdade: “De Deus não se zomba” (Gl 6:7). Eles não podem continuar servindo ao Senhor e vivendo em pecado conhecido. Quando Jesus voltar, eles irão colher exatamente o que estão semeando. A menos que se arrependam, serão levados a julgamento por suas rebeldias e punidos pelo Pai Celestial por causa delas.

Veja bem, qualquer pecado que um cristão comete, se for perdoado, por meio de confissão e arrependimento, não vai sofrer punição qualquer no dia do Senhor. Mas, se ele não acerta as contas com Deus, hoje, então quando Ele vier, os pecados não tratados vão trazer resultados desagradáveis.

Este livro não tem o objetivo de tratar o assunto da “segurança eterna”, de uma maneira intensa e completa. Entretanto, é minha esperança que muitos leitores irão ter, a partir deste texto, nova luz para interpretar a Bíblia, de um modo claro e coesivo. Também gostaria de recomendar, para uma melhor compreensão do quadro completo, a leitura de meu livro De Glória em Glória, que examina detalhadamente o assunto da salvação.

O que faz com que os crentes passem a temer a Deus é uma boa dose de Sua verdade, pregada sob a unção do Espírito Santo. Precisamos muito da revelação dos Apóstolos do Novo Testamento, referente ao Reino de Deus e ao vindouro Julgamento de Seu povo. O Evangelho do Reino era algo muito bem, compreendido pelas Igrejas, nos dias de Paulo. Faremos bem se o praticarmos e o pregarmos também.







11.



O FILHO VARÃO






Continuando a discussão sobre o importante tema de como Deus está trabalhando para estabelecer Seu Reino nesta Terra e vencer Seu inimigo, vamos ler juntos o capítulo 12, do livro do Apocalipse, versículos 1-11:

“Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz. Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas.

A sua cauda arrasta a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a Terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono.

A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias.

Houve peleja no céu. Miguel e seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles.

E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra e, com ele, os seus anjos.

Então ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus.

Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.”

Vamos começar a nossa investigação sobre o significado dessa importante visão, com a questão: “Quem é esse filho varão?” Há duas possibilidades a se considerar, aqui. A primeira opção é que poderia se referir a Cristo. Nosso principal indício para a identidade desse filho se encontra no versículo 5, onde lemos que ela se destina a “reinar sobre todas as nações com cetro de ferro”. Assim, seja ele quem for, foi escolhido por Deus para reinar sobre toda a Terra.

Em Apocalipse, capítulo 19, lemos sobre um cavaleiro que cavalga um cavalo branco e que irá reinar sobre todas as nações com um cetro de ferro (versículo 15). Esta é uma referência clara a Jesus Cristo vindo estabelecer Seu Reino na Terra. Portanto, a primeira possibilidade é que este filho possa ser o Senhor Jesus.

Entretanto, há também uma segunda opção que deve ser considerada para identificar o filho. Em Apocalipse 2:26-27 lemos: “Ao vencedor, que guardar até ao fim as minha obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços, como se fossem objetos de barro...”

Então, aqui vemos que há uma segunda possibilidade. Há uma outra “pessoa” ou “grupo de pessoas” a quem essa mesma autoridade será dada. Conseqüentemente, o filho pode ser um grupo de seguidores de Jesus Cristo, que demonstrou, através de suas vidas e de suas obras (Ap 2:26), que foram fiéis e, portanto, “venceram”. Daqui pra frente, iremos nos referir a eles como “os vencedores”.

Se o “filho varão” é Jesus Cristo, então a mulher que o dá à luz, tem que ser Maria. Historicamente, Jesus não foi levado ao Trono de Deus “logo que nasceu” (Ap12:4), para evitar que fosse devorado pelo dragão. Também sabemos que Maria não “fugiu para o deserto” após a ressurreição de Jesus, por “mil, duzentos e sessenta dias”. De fato, apenas alguns meses após a crucificação, ela foi citada como presente na “sala superior”, com os discípulos, no dia de Pentecostes (At 1:14). Portanto, sem deturpar nem torcer as palavras da Bíblia, além de qualquer reconhecimento, a “mulher” não pode ser Maria e, portanto, o “filho varão” não pode ser Jesus Cristo.

Isto, então, nos deixa com a segunda possibilidade. O “filho varão” deve ser um grupo de “vencedores”, a quem o próprio Jesus prometeu reinar sobre as nações com um cetro de ferro.

Esta compreensão é fortalecida mais além, quando lemos que “o filho” (singular) é mais tarde mencionada como “eles” (plural). No versículo 11, do capítulo 12, vemos que “eles o venceram (o dragão) pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”. Assim, esse filho, com o decorrer da visão, se revela como sendo um grupo de indivíduos espiritualmente vitoriosos. A identidade da “mulher”, então, teria que ser a Igreja ou algum tipo de agrupamento do povo de Deus.

A chegada desse “varão” diante do Trono de Deus tem um resultado surpreendente: provoca uma guerra. De repente, Miguel e todos os seus anjos estão lutando contra o dragão e os seus anjos. Quando a batalha termina, as forças de Miguel vencem, e o diabo é lançado para fora do céu, juntamente com os seus anjos caídos.

Isto nos leva a ponderar sobre uma outra importante questão. Se Miguel tem as forças necessárias e o poder para vencer o inimigo e atirá-lo para fora do céu, por que isto não foi feito antes? Por que ele não foi expulso antes? É claro que há cristãos que pensam que o diabo já foi lançado para fora do céu. Entretanto, este não é o caso. Lemos, no livro de Apocalipse, no final da era da Igreja, que o diabo ainda está “no céu” (Ap 12:3).

Também vemos em outras Escrituras (Ef 3:10 e 6:12) que o diabo e os seus anjos estão “nos lugares celestiais”, bem agora, reinando com autoridade sobre a Terra. O diabo é, na verdade, o “príncipe das potestades do ar” (Ef 2:2). Portanto, quando Jesus disse que Ele viu Satanás cair do céu como um raio (Lc 10:18), isto deve ter sido uma visão profética ou a descrição de quando ele se rebelou contra o Altíssimo na primeira vez.



NÃO HÁ MAIS “LUGAR” PARA ELES




Então, vamos considerar, aqui, que é a chegada do filho diante do Trono de Deus que precipita a guerra. O versículo 8, do capítulo 12, de Apocalipse, nos dá o discernimento necessário. Ali, nós lemos que “...nem mais se achou no céu o lugar deles” (do diabo e de seus anjos). Antes da chegada do filho, parece que Satanás e suas forças tinham algum tipo de “lugar” no céu. Mas, quando o filho varão chegou, seus lugares foram ocupados. Aqueles que foram autorizados a substituir esses maus governantes, finalmente, chegaram. Aparentemente, isto deu a Miguel e a seus anjos o direito de lutar contra as hostes do diabo, vencer a batalha e, finalmente, lançá-los para fora do céu.

Agora, Satanás e seus anjos estão reinando sobre a Terra, de suas posições de poder, nos “lugares celestiais”. Mas está chegando o dia, talvez muito breve, quando as “estrelas do céu cairão e os poderes dos céus serão abalados” (Mc 13:25). Você se lembrará do capítulo 5, deste livro, onde os anjos são algumas vezes citados como “as estrelas do céu” (Jó 38:7; Dn 8:10). Embora a expulsão deles do céu ainda não tenha acontecido, é algo que Jesus profetizou que irá acontecer. Os atuais soberanos deste mundo perderão o seu lugar nos céus e a sua autoridade será removida.

O que é que esse “filho”, que entendemos como um grupo, tem de tão especial? Em Apocalipse 12:11, nós lemos que “eles o venceram” (significando “venceram o diabo”). Esse seleto grupo de homens e mulheres será essencial para o plano de Deus, porque eles são aqueles que foram vitoriosos em suas vidas cristãs. Eles são aqueles que contenderam contra “os principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef 6:12) e venceram; aqueles sobre os quais as tentações do diabo não têm influência. Portanto, estão qualificados para reinar sobre a Terra, com Cristo, tomando o lugar dos atuais regentes espiritualmente malignos.

Você se lembra como falamos do plano de Deus no princípio? Como Ele criou o homem com o propósito de que ele viesse a se submeter a Deus, para recuperar a Terra perdida e sujeita ao reino do diabo. Você se lembra também como, quando a maioria dos homens falhou em fazer Sua vontade, Deus se voltou para um grupo seleto de pessoas vitoriosas, através do qual Ele poderia cumprir os Seus propósitos?

Bom, vemos que, no final, Deus irá vencer. Morando em nós e vivendo por meio de homens e mulheres submissos a Ele, Deus irá demonstrar Sua autoridade ao Universo. Por meio de um grupo seleto de cristãos obedientes, Ele vai derrubar o diabo e estabelecer o governo Dele sobre esta Terra, “...para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais...” (Ef 3:10).

Infelizmente, parece que os maus espíritos sabem muito mais sobre isso do que nós. Muitos cristãos têm dificuldade em compreender porque o diabo está lutando contra eles. Por que ele se importaria se Deus deseja encher o céu com um grupo de seres humanos que Ele redimiu? Que importância tem para Satanás o fato de muitas pessoas nascerem de novo?

O elemento significativo aqui é que cada um que recebe a vida eterna se torna uma ameaça em potencial para o reino de Satanás. Cada novo bebê espiritual tem potencial para crescer até a maturidade, submeter-se completamente a Deus e tornar-se vencedor, uma ameaça ao império do diabo. Cada crente tem capacidade de vencer. Cada filho de Deus tem o Altíssimo morando dentro dele e, portanto, tem a possibilidade de viver vitoriosamente neste mundo.

Veja, deve haver um número finito de anjos caídos que estão trabalhando para Satanás. Apocalipse 12:4 menciona que ele arrasta um terço das “estrelas” para a Terra, com a sua cauda. Assim, logicamente, Deus necessita, pelo menos, do mesmo número de seres humanos que venceram, para tomar o lugar desses seres malignos na soberania do mundo. Embora esta idéia sobre um determinado número possa não ser exatamente correta, parece importante que Deus tenha pelo menos estes vitoriosos, por meio de quem Ele possa reinar. Estes, então, irão tomar o lugar dos maus espíritos que hoje estão exercendo autoridade sobre a Terra.

No ponto em que o filho varão é arrebatado, Satanás é totalmente derrotado. Note o hino que é cantado depois desse acontecimento, começando no versículo 10, do capítulo 12: “Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo: pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite diante do nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” (Ap 12:10-11).

Glória a Deus! Nesse momento, chegará a salvação, o poder e o Reino! Finalmente o Reino de Deus será manifesto em vitória! Isto explica porque o diabo e seus anjos estão lutando contra você e contra mim. Eles estão constantemente tentando nos desencorajar, nos fazer desistir e ceder às suas constantes tentações. Eles estão batalhando para nos fazer pecar, de qualquer maneira.

Podem ser pecados graves, como fornicação, adultério, roubo etc, ou simples e “inocentes” pecados tais como fofocar, criticar outras pessoas, perder a calma, cobiçar algo que alguém possua, ter pensamentos orgulhosos ou qualquer outra coisa. Então, tão rápido quanto nós mordemos a isca e pecamos, eles correm diante do Trono, a fim de nos acusar.

No versículo 10, dessa mesma passagem, vemos que estamos sendo acusados diante de Deus, dia e noite. Mas, por que eles estão nos acusando? Para demonstrar ao Altíssimo que eles estão vencendo; para mostrar que estão nos derrotando com o seu poder e que estamos sucumbindo às suas tentações. Isto é essencial para eles, porque, enquanto puderem nos derrotar e ter suas pequenas (ou grandes) vitórias sobre nós, eles conseguirão provar a Deus que nós não estamos qualificados para tomar o lugar deles.

Embora possamos ser perdoados e sejamos ainda amados por Deus, isto não nega o fato de que, quando pecamos, revelamos ao Universo observador que ainda não estamos qualificados para reinar no lugar das atuais forças malignas. Ainda não estamos lhes vencendo em nosso dia a dia.

Você está sendo tentado e testado em sua vida diária? Você está passando por uma situação que parece muito difícil, senão impossível de suportar? Parece que não há saída, exceto pecar? Não faça isso! Deus pode lhe dar graça para resistir toda e qualquer provação e tentações. Você nunca será feliz fora da perfeita vontade de Deus. O Universo está observando. De fato, a própria criação está gemendo em dores como uma mulher em trabalho de parto, esperando que os filhos de Deus sejam manifestos (Rm 8:19).

Bebês são bonitinhos. Algumas vezes, são graciosos e fofinhos. Entretanto, os filhos e filhas maduros é que são úteis para trabalhar e ajudar a família. Também é assim na casa de Deus. Nosso Pai está procurando por aqueles que serão fiéis, aqueles que continuarão a segui-Lo em todas as circunstâncias e provações, aqueles que permitirão que Ele demonstre Sua vitória em suas vidas.

O modo como vivemos é essencial, não apenas pelo nosso próprio bem, mas também pelo Reino de Deus e até mesmo por toda a criação. Nossas escolhas diárias têm muitas conseqüências. O plano de Deus para Seus filhos não é apenas dar a eles um novo nascimento e, então, arrebatá-los para o céu. Não, as intenções Dele são muito mais profundas do que isso.

O que Deus está planejando requer nossa completa cooperação e fidelidade. Sua vontade é estabelecer Sua autoridade sobre a Terra, sobre os habitantes e também sobre o território. Ele fará isto por meio de Seu representante, o homem. O vaso fraco e frágil, que o diabo menosprezou e derrotou no Jardim do Éden, irá, pela graça de Deus, finalmente vencer o inimigo de Deus e ter domínio sobre a Terra. Deus está trabalhando nos seres humanos e agindo por meio deles para derrotar Seu inimigo. Quando este trabalho se cumpre em nós, nos tornamos filhos maduros de Deus, capazes de resistir aos esforços e tentações do maligno.

Em 1 João 2:13, lemos sobre um grupo de crentes que são chamados “jovens”. Estes, João diz, “venceram o maligno”. Quando homens e mulheres cristãos se submetem a Deus, a cada dia, e começam a viver mais e mais na vitória de Cristo, as portas do Inferno começam a tremer.

Os principados e potestades vêem mais e mais santos sendo formados, Eles vêem que suas decepções e tentações não estão funcionando mais, e que estão sendo derrotados por modestos seres humanos, submissos a Deus e cheios de Sua presença. Toda vez que um cristão consegue resistir à tentação e obedecer a Deus, isto ameaça o reino das trevas.

Creio que, nos dias de hoje, os esforços malignos estão se tornando mais desesperados, conforme Satanás e seus anjos vêem que está chegando o dia em que os filhos maduros de Deus serão manifestos, para que todo o Universo veja (Rm 8:19), e, então, tomarão o lugar deles como soberanos deste mundo.

Você pode ver, por essa pequena explicação, porque nossa vida diária é tão importante, tanto para Deus quanto para nós? Cada pequeno detalhe de nossas vidas, todas as nossas atitudes, palavras e ações estão sendo monitoradas por muitos seres diferentes. Há, na verdade, “uma grande nuvem de testemunhas” (Hb 12:1). Quer gostemos, quer não, quer queiramos ou não, estamos envolvidos em uma batalha pelo controle da Terra. Cada filho de Deus está envolvido nesta luta.

Conseqüentemente, não é suficiente ter uma aparência de retidão, talvez sendo um “bom membro” na Igreja, renunciar a uns poucos pecados “graves” ou fazendo umas poucas coisas para Deus. Vemos que é essencial, para cada filho de Deus, realmente permitir que Jesus Cristo reine sobre cada aspecto de seu ser. Ele precisa ser Senhor de nossos pensamentos, de nossas palavras, nossas atitudes e nossas ações. Ele deve ser Aquele que é visto em nós e por meio de cada aspecto de nossas vidas. Precisamos entrar para o Reino de Deus, hoje. Somente permitindo que a vida de Deus domine e predomine em todo o nosso ser, iremos experimentar sermos “vencedores”.

Espero que isso possa esclarecer para todos os leitores porque freqüentemente achamos tanta dificuldade em tentar viver uma vida cristã. Os poderes do inferno estão em posição de ataque contra nós. As forças do inimigo estão constantemente tentando nos mostrar que “o lugar delas”, como soberanas do mundo está seguro.

Entretanto, nosso Senhor Jesus Cristo venceu todo poder do inimigo. Ele correu a corrida antes de nós (Hb 6:20) e exibiu a vitória de Deus. Portanto, já que agora Ele vive em cada um de Seus filhos, pode mostrar a mesma vitória em nossas vidas. Ninguém é demasiadamente fraco. Ninguém é incapaz.

Conseqüentemente, quando aparecermos diante do Trono do Julgamento de Cristo, não haverá desculpas aceitáveis. O mais extraordinário poder do Universo vive dentro de nós. O homem Jesus Cristo, que venceu cada tentação do diabo e exibiu a vida e a natureza de Deus ao mundo, está vivendo dentro de cada crente. Tudo o que temos a fazer é submeter nossas vidas completamente a Ele e permitir que Ele domine cada aspecto delas. Desta maneira, Sua vitória será manifesta por meio de nós.



DEUS USA NOSSAS PROVAÇÕES




Surpreendentemente, as mesmas provações e tribulações que o diabo está tentando usar para nos derrotar, também são usadas por Deus. O que o diabo tenta fazer para nos tentar e nos derrubar, nosso Pai está usando para o nosso bem. Ele está usando essas dificuldades para purificar nossas vidas. Toda tribulação por que passamos e em que conseguimos a vitória, pelo poder de Jesus, serve para nos transformar à imagem de Cristo.

Nossas dificuldades revelam o pecado dentro de nós. Então, conforme nos arrependemos e nos entregamos a Deus completamente a fim de que Ele possa trabalhar em nós, somos transformados à Sua semelhança. Veja, até mesmo o diabo é usado por Deus para cumprir Seus propósitos na Terra. Então, não se desencoraje: “...todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8:28).



A MULHER




Já que descobrimos juntos que “o filho varão”, de Apocalipse 12, é um grupo de crentes vitoriosos, como devemos entender a mulher que o dá à luz? Enquanto esta mulher poderia ser um tipo de “combinação” de várias coisas, tais como Israel, os crentes da Nova Aliança, toda a criação etc., parece evidente que o grupo do povo de Deus, que conhecemos como “Igreja”, deve, pelo menos, fazer parte desta “mulher”, se não for a mulher completa. É a Igreja quem está cooperando com Deus para gerar crentes vitoriosos. É por meio da Igreja que Deus irá mostrar Sua sabedoria multiforme (Ef 3:10). E, então, é a Igreja que deve reunir pelo menos a maior parte desse grupo.

Entretanto, conforme examinamos a Igreja como ela é hoje, chegamos a uma conclusão infeliz. Nem todos que fazem parte dela estão vivendo em vitória espiritual. Muitos cristãos não estão vivendo no Reino de Deus, hoje, quer dizer, não estão permitindo que Cristo reine sobre cada aspecto de suas vidas.

Embora possam ser nascidos de novo, não estão aproveitando a oportunidade para permitir que a vida de Deus predomine neles e viva por meio deles. Suas vidas ainda exibem muito da velha natureza. Muitas de suas buscas são mundanas e muitos dos seus pecados ainda estão em evidência. Conseqüentemente, não podem ser considerados como parte do “filho varão”, mas simplesmente parte da mulher. Eles não estão exibindo a vida vitoriosa e a vitória de Jesus sobre o diabo.

Notamos, no versículo 14, que, quando a mulher é salva do dragão e levada para o deserto, ela necessita de nutrição. Ela necessita de alimento. Possivelmente, isto é uma referência ao fato de que uma boa parte da Igreja, hoje, não está conseguindo o alimento que necessita. Esse grupo não está crescendo para atingir a maturidade e a vitória, em parte, por causa da falta de alimento espiritual adequado. É então, no deserto, que ela é “nutrida” com algum tipo de alimento que irá ajudá-la. Não sei como Ele irá cumprir todas essas coisas, mas é interessante ver como Deus está tomando conta de todo o Seu povo, mesmo daqueles que ainda não estão como deveriam estar, em matéria de crescimento e maturidade espiritual.

Isto nos leva a uma observação interessante. Uma mulher grávida é uma pessoa que carrega dentro dela uma outra pessoa. Há um corpo dentro de um outro corpo. Quando a criança é um macho, tem potencial para ser mais forte do que aquela que lhe dá a vida. Aplicando isto à Igreja de hoje, começamos a suspeitar que dentro “desta mulher”, que em muitos aspectos não parece estar cumprindo os propósitos de Deus para vencer as forças do mal, existe um outro “corpo”. Dentro da mulher, que poderia ser vista como um pouco fraca, vive um varão forte e vitorioso. Isto é verdadeiro, não apenas na Igreja de hoje, mas é uma situação que, sem dúvida, existiu desde os primeiros dias da Igreja.

Conseqüentemente, olhando para a Igreja como um todo e para o estado mal preparado em que se encontram muitos crentes, não devemos nos desencorajar. Devemos confiar em Deus, que, no meio do que parece ser uma desordem, está trabalhando para cumprir Seus propósitos. Ele possui muitos filhos, assim como nos dias de Elias (1 Rs 19:18), que foram bem sucedidos em vencer e dar testemunho de Sua vitória.

Em Mateus 22:14, Jesus nos ensina que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. O que isto significa? Qual o critério para que estes “poucos” sejam escolhidos? Por que eles são poucos? Desde a morte e a ressurreição de Cristo, nosso Senhor tem chamado para Si milhões de indivíduos. Entretanto, conforme já afirmamos, embora muitos venham a Cristo a cada dia, somente uns poucos estão tomando posse da vitória que foi comprada para eles. Somente uns poucos crentes são bem sucedidos em derrotar as forças do mal.

Parece que a maioria dos cristãos não está exibindo retidão em suas vidas diárias, para serem qualificados a substituir os principados e as potestades que agora estão no controle. Por isso, não estão qualificados para reinar. Apenas aqueles que têm um testemunho (Ap 12:11) diante de Deus e do Universo observador, mostrando que são fiéis, podem tomar as posições das legiões satânicas e reinar. Portanto, apenas esses podem ser “escolhidos” por Deus, para exercerem Sua autoridade sobre o planeta e, eventualmente, sobre o Universo.



UMA PALAVRA DE ADVERTÊNCIA




Não podemos seguir muito além, sem uma importante palavra de advertência. Quando começamos a compreender essas coisas, há a possibilidade de um erro no qual muitos filhos de Deus têm caído. É que alguns começam a pensar em si mesmos como “vencedores”. Junto com este pensamento vem também um outro que diz que os outros não são tão adiantados espiritualmente como eles são. Inumeráveis grupos, Igrejas, indivíduos, que começam a entender essas e outras verdades semelhantes, pensam que, pelo fato de as entenderem, já se tornaram vencedores.

A verdade é que Deus está revelando a eles a meta e não a posição deles na corrida. Eles vêem o que Deus quer, mas não onde eles realmente estão. E isto pode levar a um sério engano. Não somos nós que vamos decidir se iremos ou não entrar no Reino vindouro de Deus. Não somos nossos próprios juízes, nem juízes dos outros.

Quando começamos a pensar que somos os melhores ou mais bem preparados, esta é a prova de que deixamos de ter uma atitude humilde e, então, não estamos mais vivendo no Reino. Quando começamos a imaginar que nós ou o pequeno grupo que concorda conosco, somos um tipo de elite espiritual, nós nos tornamos desqualificados para entrar no Reino, por causa de nosso orgulho e arrogância.



OFERTAS ESPECIAIS




Muito embora a porta de entrada do Reino Milenar de Jesus Cristo seja aberta a todos os crentes, nem todos são escolhidos para entrar. Por uma simples razão: muitos dos filhos de Deus recusam Sua justa soberania sobre suas vidas e vivem voltados para eles mesmos e para os prazeres deste mundo. Talvez seja esta a razão pela qual, no livro de Apocalipse, Jesus Cristo emite muitas chamadas para “os vencedores”. Quando fala a cada Igreja, Ele afirma os atributos delas e suas fraquezas e, então, faz uma oferta especial àqueles que desejam vencer, os que têm “ouvidos para ouvir” (Ap 2:7).

No tempo em que foi escrito o livro de Apocalipse, ficou aparente que nem todos os crentes seriam obedientes, e, então, Deus expediu uma chamada para aqueles que iriam responder a Ele e lhes prometeu recompensas especiais (Ap 2:7, 11,17, 2628; 3:5,12,21).

Na leitura destes versículos não deveria haver dúvida de que muitas recompensas neles mencionadas se aplicam ao Reino vindouro. Os versículos que falam de reinar sobre as nações com um cetro de ferro (Ap 2:27) e sentar com Ele em Seu trono (Ap 3:21) são referências óbvias sobre o compartilhar a autoridade com Cristo durante o Reino Milenar. As passagens que mencionam ter o direito de comer da árvore da vida (Ap 2:7) e comer do maná escondido (Ap 2:17) mostram o aspecto festivo da experiência do Reino.

Outras promessas vitoriosas que se referem ao Reino são aquelas que mencionam o estar vestidos de branco (as roupas de casamento) e aquela em que Jesus promete confessar o nome dos crentes fiéis diante do Pai e dos anjos (Ap 3:5). Você deve se lembrar que já discutimos, no capítulo 9, quem o Senhor, naquele dia, irá confessar que conhece.

Jesus está chamando homens e mulheres, todos que podem ouvir, para vencerem, hoje. Ele está dizendo: “se você vencer, irá festejar comigo; se você vencer, irá reinar comigo; se você vencer, eu o recompensarei com muito mais do que você pode compreender ou imaginar”.

Finalmente, por meio dos vencedores, a ordem original de Deus dada ao homem se cumprirá. Eis um grupo de indivíduos feitos à imagem e semelhança de Deus, que tem tido e que terá domínio sobre a Terra. Eles conquistaram as forças hostis que os subjugavam. Eles não viveram de acordo com o governo de Satanás, mas de acordo com Deus e, fazendo assim, eles deram e dão a Jesus Cristo o direito de proclamar esta Terra como Sua e estabelecer Seu Reino Milenar sobre ela. Tais pessoas preferiram Jesus Cristo ao diabo e a qualquer parte de seu reino, e desejaram sacrificar suas vidas para ver o Reino de Deus trazido para esta Terra.

Louvado seja Deus por esses homens e mulheres que desejaram pagar qualquer preço para ver o Reino deste mundo transferido para Jesus Cristo, cumprindo assim a oração que Ele fez ao Pai “Venha o Teu Reino,...assim na Terra como no céu.” (Mt 6:10).

Agora, deixe-me perguntar-lhe: você será um desses? Você tem a oportunidade. A chamada de Jesus para os vencedores é para todos aqueles que têm ouvidos para ouvir. As portas não estão fechadas a homem algum, mas você precisa desejar, se for necessário (e provavelmente será), dar tudo por causa do Reino. Se você estiver pronto e desejoso, Deus estará pronto e capacitará você a viver desta maneira. A vida Dele vivendo dentro de você lhe dará a força que necessita para vencer o mundo, Satanás, a carne e o pecado – todas as coisas que estão no caminho.

Que Deus possa, por Sua terna misericórdia, garantir a você o desejo de viver para Ele, até que Ele volte.







12.



VIVENDO EM VITÓRIA





Estivemos examinando a magnífica possibilidade de viver uma vida que derrota o inimigo. Temos visto que, no Corpo de Cristo, hoje, há muitos milhares de homens e mulheres que são, por meio do poder de Deus, bem sucedidos em resistir às tentações e permanecer fiéis em meio a muitas tribulações. Assim, eles estão manifestando a vitória de Jesus ao Universo, que tudo observa. Mas, como poderemos também viver desse modo? Como poderemos também exibir aos principados e potestades a multiforme sabedoria de Deus?

Alguns têm ensinado que a sua vitória sobre as forças invisíveis do mal é uma questão de batalha espiritual. Na Igreja de hoje, esse é um tópico muito popular. Muitos estão escrevendo livros, conduzindo seminários e focalizando atentamente esse aspecto da vida cristã. Entretanto, parece que muito do que está sendo estudado, embora os que ministram o ensino estejam com boas intenções, envolve muitos equívocos e até mesmo uns enganos.

Já tocamos neste assunto antes, no capítulo 5. Lá, estudamos a probabilidade de anjos caídos não serem da mesma espécie de criaturas que são os demônios (se você ainda não leu ou não se lembra desse capítulo, reveja-o agora, antes de prosseguir). Já que não são da mesma espécie, nossa luta contra eles e a vitória sobre eles é, de algum modo, diferente da relacionada aos demônios.

Uma tática de “guerra espiritual” que é muito popular, hoje, entre alguns grupos, é “amarrar” o diabo. Oh, quanto fôlego e quanta energia já se gastou, gritando, e quanto esforço emocional tem sido feito, “amarrando” o diabo e lançando-o para o abismo.

Mas, estranhamente, ele ainda parece desamarrado. Ainda parece que o diabo é capaz de agir, como sempre o fez. Se formos honestos, devemos admitir que ele não está “amarrado”, de maneira alguma. O mundo está tão mau, talvez mais do que em qualquer outra época. Guerras e todo tipo de maldade ainda estão em evidência. Os cristãos ainda estão sob ataque espiritual e ainda são confrontados com todo tipo de provações e tentações.

Vamos pensar sobre isto, lógica e honestamente. Se “amarrar” o diabo e seus anjos realmente funcionasse, então todos deveriam estar seriamente envolvidos nesse negócio. Se a vitória sobre o diabo fosse só uma questão de gritar ou de orar em sua direção, então deveríamos reunir os irmãos e irmãs mais espirituais do mundo e “orar” desse modo, dia e noite, até que não haja mais um único principado ou potestade operando. Então, poderemos seguir com o trabalho de pregar o Reino de Deus sem impedimento. Mas, se isto realmente não funciona e é apenas perda de tempo, e mesmo uma distração em relação à verdadeira vitória, vamos continuar a procurar uma solução melhor.

Se “amarrar” o diabo não é a chave, como se supõe que devemos batalhar contra esse tipo de forças malignas? Como poderemos vencê-las? Para entender a resposta, precisamos olhar primeiro para a vida de Jesus. Ele é Aquele que já venceu o inimigo. Ele é Aquele que tem ido adiante de nós e vencido.

Mas como Ele fez isto? Como é que Ele foi bem sucedido em vencer Satanás completamente? A resposta parece ser muito simples, ainda que seja extremamente profunda. Jesus venceu o diabo por viver a vida do Pai. Por meio da pureza de Sua Vida, Ele resistiu ao inimigo e a todas as tentações. Sua vida vitoriosa culminou em Sua morte na cruz. Foi assim que Jesus derrotou Satanás. Significativamente, nenhum grito foi dado. Não foi um tipo especial de oração que produziu algum truque. Em vez disso, foi o resultado de uma vida humilde, modesta e completamente submissa ao Pai. No final, Jesus foi crucificado e, na cruz, Ele exibiu Sua total vitória sobre o inimigo.

Veja, durante a vida de Jesus na Terra, o diabo lançou contra Ele tudo o que possuía. Jesus foi tentado em cada aspecto de Sua vida. No deserto, foi tentado por meio da fome e da sede, e até mesmo por todas as coisas “gloriosas” do reino de Satanás. Depois, foi falsamente acusado, foi caluniado, escarnecido, atormentado, ameaçado e rejeitado por muitos homens.

Os líderes religiosos de Seu tempo não apenas recusaram Suas palavras mas tomaram providências para tentar matá-Lo. O inimigo usou todos aqueles sobre quem tinha algum controle, para tentar forçar Jesus a fazer ou a dizer uma única coisa errada. Até mesmo os seguidores de Jesus foram usados como parte dessa estratégia (Mt 16:23).

O grande esforço de Satanás era tentar tudo o que normalmente faz o homem pecar. Ele tentou criar situações nas quais um homem comum fatalmente iria se irar, dizer algo imprudente ou errado, tornar-se desencorajado ou mostrar, de qualquer outra maneira, a sua natureza caída. O diabo usou o seu arsenal completo.

Mas nada adiantou. Surpreendentemente, Jesus enfrentou cada tentação sem pecar. Ele foi o primeiro homem sobre quem o poder do diabo não teve qualquer efeito. Eva perseverou debaixo da tentação de Satanás, talvez, por uns 5 ou 10 minutos. Jesus viveu uma vida inteira e nunca foi, de nenhum modo, influenciado pelo pecado.

Finalmente, em desespero, Lúcifer agiu por meio de seus servos para matar Jesus. Não apenas para tê-Lo morto, mas para que Ele fosse morto do modo mais horrível, doloroso e humilhante. Mas, em meio a toda tortura e tormento, em meio a toda a dor e vergonha, Jesus nunca sucumbiu. Ele nunca disse uma única palavra errada ou fez alguma coisa má. Ele nunca teve uma única atitude ou expressão facial que fosse egoísta ou pecadora. Glória a Deus! Ali estava um homem que derrotava o diabo!

Como Ele fez isso? Permanecendo fiel ao Pai “até à morte” (Fp 2:8); nunca dando “lugar” ao diabo (Ef 4:27); e não permitindo que Suas dificuldades e circunstâncias o levassem a pecar. Em cada situação, permitia ao Pai viver Nele e por meio Dele. Ele se submeteu completamente a Deus e permitiu que Ele reinasse sobre cada aspecto de Seu ser. Assim, Jesus conquistou a vitória.



COMO VIVER EM VITÓRIA




A vida incorruptível de Jesus nos faz meditar em aspectos maravilhosos. Seu caráter imaculado e sua pureza são um grande encorajamento e inspiração. No entanto, cristãos em demasia permanecem contentes só de saber que Jesus venceu. Eles se regozijam com o que Ele fez, mas não imaginam que isto tem implicações importantes para eles. Falham em compreender que nós também precisamos experimentar a mesma vitória em nossas vidas diárias.

Não é suficiente Jesus ter vencido e ascendido aos céus. Nós também somos requisitados por Deus para segui-Lo em seu caminho vitorioso. Então, vem a pergunta: Como nós também podemos “vencer” e viver nesse tipo de vitória? Como podemos derrotar o diabo e manifestar o Reino de Deus neste mundo? Como podemos realizar uma “batalha espiritual” que seja um sucesso?

Para entender isso claramente, precisamos ter primeiro uma revelação básica. É que, uma vez que recebemos a vida eterna, temos duas “vidas” dentro de nós. Temos nossa velha vida natural, que recebemos de Adão; e temos uma nova vida sobrenatural, que recebemos do Pai. É esta nova vida de Deus, que tem a natureza santa, necessária para vencer.

Somente a vida de Deus , a qual Ele nos dá, em Cristo Jesus, pode resistir ao inimigo. Não há nenhuma quantidade de esforços, nenhum nível de consagração, nenhuma intensidade de zelo da nossa parte, que possa fazer o trabalho. Somente a vida de Deus é e sempre será vitoriosa. Por outro lado, certamente nossa velha vida natural irá sempre falhar. O homem natural, que manifesta a natureza pecadora, irá sempre sucumbir às tentações e provações do inimigo. Assim como Adão e Eva caíram, rápida e facilmente, assim a vida natural que herdamos deles nunca poderá passar no teste.

Portanto, para vencer, necessitamos aprender a viver pela nova vida que recebemos de Deus. Assim como Jesus não viveu pela Sua vida humana, mas, sim, pela do Pai (Jo 6:57), assim nós também precisamos aprender a “andar em novidade de vida”, a vida de Deus (Rm 6:4). Veja, Jesus tinha uma vida natural que herdou de Maria. Mas Ele também possuía uma vida sobrenatural, de Seu Pai. Ele também tinha estas duas vidas dentro Dele.

Porém, Ele constantemente escolhia viver pela vida “não criada”. Ele fielmente escolheu deixar a vida de Deus dominar cada pensamento Seu, cada atitude, palavra ou ação. Ele disse: “As palavras que Eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as obras.” (Jo 14:10). Todas as palavras e obras de Jesus eram o resultado da manifestação da vida divina dentro Dele.

Do mesmo modo, também podemos viver “por Ele” (Jo 6:57). Temos a possibilidade de viver como Jesus, não pela nossa vida natural, mas pela vida de Deus dentro de nós. Este mesmo Jesus, que derrotou o diabo em cada aspecto de Sua vida, que resistiu à tentação até à morte, agora vive dentro de cada crente. Não importa se somos fracos. Não faz diferença se nossa capacidade pessoal pode ou não realizar alguma coisa.

O Deus do Universo habita dentro de nós, e Ele já venceu. Tudo o que temos a fazer é nos submeter completamente a Ele. Precisamos apenas deixar que Sua vida domine sobre nós e predomine dentro de nós. Conforme permitimos que Sua vida nos encha e viva por meio de nós, podemos então demonstrar a mesma vitória sobre Satanás e sobre o pecado, para o mundo e até para o universo.



O CAMINHO DA CRUZ




Um dos mais importantes aspectos desta vitória envolve morrer para si mesmo. Nós também precisamos experimentar a morte, até mesmo a morte de cruz. Jesus ensinou aos Seus discípulos que, para segui-Lo, eles precisariam negar a si mesmos e tomar a sua cruz (Mt 16:24). Isto não significa que devemos andar por aí carregando um pedaço de madeira em forma de cruz. Significa que nossa velha vida, que recebemos de Adão, deve morrer. Enquanto ela vive, irá inevitavelmente se expressar em pecado. O diabo sempre será capaz de obter resultado vitorioso sobre ela. A única solução é que ela seja eliminada.

Quando Jesus morreu na cruz, nós também “morremos com Ele” (Gl 2:20). Por isso, a realidade desta morte pode e deve tornar-se a nossa experiência. Podemos “morrer diariamente” (1 Co 15:31). Podemos sempre experimentar a ”morte do Senhor Jesus” (2 Co 4:10). Um dos grandes segredos de viver em vitória sobre Satanás é a nossa morte na cruz. Precisamos morrer para o ego e viver para Deus. Este foi o modo pelo qual Jesus exibiu a vitória final sobre o diabo. Se nós também queremos ter poder espiritual para derrotar o reino das trevas e viver a vitória de Cristo, esse é o único caminho. Nós também devemos morrer.

Quanto mais experimentamos viver pela vida sobrenatural e morrer para o nosso próprio ego, mais iremos vencer o inimigo e suas forças. Quanto mais a cruz operar em nós e sobre nós, mais vitória iremos experimentar. Por favor, note que aqueles que fazem parte do “filho varão”, no Apocalipse, “não amaram suas vidas até a morte” (Ap 12:11). A palavra “vidas” aqui é PSUCHÊ, em grego, indicando nossa vida natural, da alma.

Um dos modos pelos quais eles “venceram” foi por não amarem a si mesmos. Eles estavam prontos para morrer. Nossa vitória, aqui, tem pouco a ver com “gritar ou amarrar”, e muito a ver com submeter-se e morrer. Conforme submetemos nossas vidas a Jesus, permitindo que Ele seja realmente nossa vida (Cl 3:4), iremos vencer. Quando morremos para o ego e vivemos para Deus, notamos que “o valente” fica “amarrado”, e temos o poder de saquear o Reino de Satanás (Mt 12:29). Que Deus possa nos dar graça para viver cada dia, mais e mais, nessa vitória.

Jesus ensinou que, “...se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” (Jo 12:24). Aqui, vemos que morrer é o segredo da vida frutífera. Conforme morremos, a vida de Cristo tem mais “espaço” para viver e se mover dentro de nós. Também, quando morremos para o “ego”, o reino das trevas passa a ter menos influência sobre nós. Portanto, podemos, seguindo a orientação do Espírito Santo, ser mais frutíferos em nosso trabalho para Ele. Podemos viver uma vida de vitória sobre o pecado e sobre todas as astúcias do inimigo, enquanto ajudamos outros a fazerem o mesmo.

A Bíblia nos ensina que é apenas por meio de muita tribulação que nós entraremos no Reino (At 14:22). Lemos que: “Se perseveramos, também com Ele reinaremos...” (2 Tm 2:12). Assim, nossa entrada em Seu Reino certamente envolverá muita dificuldade, luta e aflição. Este é um fato bíblico. Jesus nunca disse que segui-Lo seria fácil. Ele não indicou que não iríamos ter tristezas ou dores.

Aqueles que insistem no fato de que os crentes devem sempre ser saudáveis, felizes e ricos, decepcionam a si mesmos e aos seus seguidores. Jesus prometeu-nos, entretanto, uma alegria interior e uma força que vem de acreditar na obediência. Apenas quando negamos o nosso “ego” e o atiramos aos pés de Jesus, podemos entrar nas eternas alegrias espirituais, que estão disponíveis em Cristo. Conforme perdemos a nossa própria vida, podemos experimentar a Dele.

Uma boa parte da Cristandade hoje é superficial, simplesmente porque não passou pela cruz. A vida que nós, cristãos, vivemos tem muito pouco da ressurreição de Jesus, porque nós participamos tão pouco de Sua morte (Fp 3:10). Não experimentamos Sua exaltação e glorificação porque não partilhamos Sua cruz. Não exibimos Sua vitória porque ainda é a nossa própria vida que está predominando dentro de nós.

É muito fácil ficarmos desencorajados no meio das aflições de nossa vida. Há alguns sofrimentos que parecem nunca terminar. Algumas vezes, nos encontramos em situações que são emocional ou fisicamente dolorosas. Nós oramos e oramos e oramos. Ainda assim, nenhuma resposta parece chegar. Nós clamamos a Deus. E os céus parecem permanecer fechados. O sofrimento continua ano após ano, durante muitos anos. A grande tentação, nesses momentos, é renunciar e fazer alguma coisa que sabemos ser errada, para acabar com a dor. Também, é possível que nos tornemos amargurados. O que é que Deus está fazendo? Porque Ele não responde, pensamos?

A verdade é que Deus está certamente ouvindo e respondendo. Mas, em vez de fazer o que nós queremos, Ele está fazendo o que é melhor para nós. Em vez de fazer o que achamos correto em um sentido mundano, pequeno, Ele está fazendo o que sabe que é para o nosso bem, do ponto de vista eterno. Você, sim, precisa desesperadamente morrer. Sua velha vida, com sua velha natureza e todos os seus desejos e “necessidades”, está tremendamente necessitada de crucificação. A morte de sua vida antiga é essencial para a felicidade eterna.

A resposta é se humilhar diante de Deus, aceitar Sua vontade, onde você está, e deixar Seu Espírito fazer uma obra transformadora em você. Enquanto se submete a Deus em meio às suas dores e provações, você descobrirá uma doce entrega daquilo que você é e daquilo que deseja. Pouco a pouco, vai ser levado à morte. Algum dia, você irá até mesmo agradecê-Lo por essa sua experiência.

Finalmente, quando tiver renunciado a seus importantes desejos e preciosos “sentimentos”; quando não estiver mais preocupado com sua situação; quando estiver contente com Cristo, não importando em que condição você se encontre, então, você estará pronto para uma mudança. Quando Jesus já tiver livrado você daquilo que você é, então Ele poderá livrá-lo de onde você está. Quando o pão está bem assado, é hora de tirá-lo do forno.

Nesse momento, então, sua vida se tornará um testemunho, tanto para o mundo quanto para os principados e potestades. Quando você se tornar fiel até à morte, você se tornará vitorioso sobre o inimigo, sobre o ego e sobre o pecado. Então, sua vida poderá começar a ser usada por Deus de uma maneira poderosa para saquear o reino das trevas e gerar muitos frutos. Quando você já tiver passado pela morte, poderá, então, experimentar a vida ressurreta e a vitória.



JUSTIÇA QUE QUALIFICA




Enquanto ensinava sobre o Reino, Jesus disse: “...se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no Reino dos Céus.” (Mt 5:20). Aqui está uma afirmação surpreendente. Os escribas e fariseus eram a elite religiosa daqueles dias. Tinham uma aparência de justiça, de quem cumpria rigorosamente a lei.

Eles dizimavam, jejuavam, oravam, estudavam as Escrituras diariamente, de um modo impressionante. Aparentemente, eram o ápice do que Deus estava requerendo. A vida de muitos cristãos não chega nem perto desse tipo de dedicação. Entretanto, Jesus insistiu em que nós devemos exibir ainda mais justiça. Como pode ser isto?

Na Palavra de Deus, descobrimos que as justas exigências para entrar em Seu Reino são definidas muito além da justiça dos fariseus. Lemos as palavras de Jesus: “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a Terra” (Mt 5:5); e “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” (Mt 5:3). Então, vemos que há uma exigência de mansidão e humildade, para entrar no Reino.

Em 2 Pedro, vemos uma lista ainda maior de pré-requisitos. Pedro exorta os cristãos: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade, e à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal caridade... Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2 Pe 1: 5-7,11 VRC).

Que lista! Todas essas coisas são desejáveis características cristãs. Mas como poderia alguém viver desse jeito? Se tal caráter piedoso é solicitado, como poderia qualquer um de nós imaginar que pode entrar? O que Deus está procurando, e que nos capacitará a entrar em Seu Reino, é a nova vida sobre a qual temos falado. Mais uma vez, nossa própria vida, mesmo empregando todos os esforços e toda energia que possuímos, nunca poderá alcançar o padrão divino.

Talvez haja muitos crentes, hoje, que imaginam ser consagrados. Eles têm zelo e determinação em agradar ao Senhor e fazer Sua vontade. É até possível que, secretamente, eles imaginem que são um pouco superiores espiritualmente, por causa de sua dedicação. Essa opinião pode ser um tanto reforçada, se eles têm dons espirituais evidentes e poderosos. Mas isto não se qualifica como mansidão, não é humildade. É apenas um tipo de justiça que os fariseus e os escribas eram capazes de produzir. E nós fomos claramente avisados de que isto não é suficiente para entrar no Reino de Deus.

Quando estava caminhando nesta Terra, Jesus disse: “Eu sou o caminho...” (Jo 14:6). É significativo que Ele não disse que estava simplesmente nos mostrando o caminho, mas que Ele era verdadeiramente o caminho. O caminho para Deus, hoje, é uma pessoa. Permitindo a esta Pessoa viver em nós e por meio de nós, prosseguimos no divino caminho. Jesus nos exorta a “entrar pela porta estreita” e ainda afirma que: “muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13:24).

Ele é a porta estreita. Permitindo que Ele seja a nossa vida, seremos bem sucedidos em entrar. Ao entrarmos através da porta estreita, tudo o que somos precisa ser deixado para trás. O que nós temos e o que somos por natureza, ainda que pareça “bom” aos nossos olhos, simplesmente não é adequado.

Quando procuramos entrar, mas não desejamos que tudo o que temos e somos seja removido, não conseguimos passar pela porta e entrar no Reino.

Somente a vida de Jesus, vivendo em nós e por meio de nós, pode satisfazer ao Pai. Nele, o Pai se compraz (Lc 3:22). Na verdade, o caminho é estreito, é apenas uma pessoa, e nós precisamos entrar Nele, passando através da porta, que é extraordinariamente estreita: Jesus.

Assim como um camelo cheio de bagagem, tentando passar por uma porta muito estreita, tem primeiramente que ser descarregado, o único modo de entrarmos no Reino é nos livrando do peso de nossa bagagem. Nossas habilidades, nosso zelo, nossa liderança natural, nossos bens, sim, até mesmo a nossa vida, não irá se adequar.

Quando entregamos nossa vida mais e mais a Ele, para que seja levada à morte, e a Vida Dele pode viver em seu lugar, então os atributos maravilhosos, próprios da natureza de Deus, começam a ser vistos em nossas vidas. Todos os atributos de Seu caráter estão em evidência. Quando não somos mais nós que vivemos, mas Cristo (Gl 2:20), então o mundo ao redor de nós começa a ver como Jesus é. Quando a vida de Deus é predominante em nós, então o nosso testemunho não é apenas de palavras, mas se evidencia também em nossas ações. Deste modo, nossa entrada no Reino será “amplamente concedida”.



CONQUISTANDO O MUNDO




Um outro aspecto da vitória do Reino envolve superar o mundo. A Bíblia nos ensina que o mundo, e tudo o que nele há, faz parte do reino do diabo. Portanto, todo crente que deseje entrar no Reino de Deus, deve também superar o mundo. Isto inclui o que se pode chamar de “sistema deste mundo”, com toda a sua luxúria, opulência, ganância, brilhos, atrações, entretenimentos e resplendor.

Deus nos chamou para nos separar do mundo. Ele diz em Sua Palavra: “...retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras e eu vos receberei...” (2 Co 6:17). Outra passagem afirma: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus, permanece eternamente.” (1 Jo 2:15-17).

O mundo e todas as suas coisas,são importantes ingredientes do reino do diabo, são sutis laços no qual ele enrola o povo de Deus. Satanás ofereceu a Jesus, e está oferecendo a nós hoje, todos os reinos deste mundo, se nós nos submetermos a ele. O diabo pode dar a homens e mulheres muitas coisas, que parecem, do ponto de vista humano, ser desejáveis. Isto inclui coisas como: dinheiro, fama, bens e status aos olhos dos outros. Ele é capaz de conceder reconhecimento, poder e influência. Mas, como o nosso Mestre, precisamos aprender a fugir dessas coisas a todo custo, pois se não o fizermos, isto nos custará o Reino.

Nas Escrituras, nós lemos: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon.” (Mt 6:24 VRC). O Mamon a que as Escrituras se referem, aqui, são as riquezas, os prazeres, os divertimentos e o orgulho, de que o mundo e seus habitantes participam. É impossível servir a Deus e estar buscando as coisas do mundo.

A menos que nossos corações estejam purificados dessas coisas e determinados a servir somente a Deus, seremos tragados pelos cuidados desta vida, pelas coisas deste mundo, que pensamos necessitar, e iremos abandonar a meta para a qual fomos chamados. “Quem quer ser um amigo do mundo, faz-se inimigo de Deus.” (Tg 4:4 NVI). “E todo aquele que luta, de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível.” (1 Co 9:25 VRC). Esta coroa incorruptível refere-se ao Reino.

O dinheiro é a coisa mais especialmente poderosa, hoje, no mundo físico. Jesus disse que, é mais difícil um rico entrar no Reino dos Céus, do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha (Mt 19:24). Seus discípulos certamente pensaram que isto devia ser impossível, mas Jesus assegurou a eles que, para Deus, todas as coisas são possíveis.

Riquezas são decepcionantes. Elas decepcionam as pessoas que as possuem, levando-as a pensar que representam o seu objetivo final. As pessoas se decepcionam mais com isto do que com qualquer outra coisa.

Hoje, há também um grande segmento da Cristandade que está ensinando homens e mulheres a perseguirem as riquezas. Agindo assim, esses mestres afastam as mentes dos crentes do Reino de Deus, voltando-as para a mais poderosa influência do reino de Satanás.

1 Timóteo 6:9-10 diz: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. As riquezas não são apenas uma distração. Se somos obcecados por elas e gastamos nosso tempo perseguindo-as, não entraremos no Reino que Deus está preparando.

Se nós possuímos dinheiro, somente sujeitando completamente tudo o que temos à autoridade de Jesus Cristo, iremos vencer. E, como o jovem rico, isto pode requerer muita coisa a ser dada, se não tudo aquilo que temos. O dinheiro deveria ser dado para fazer a obra de Deus e cumprir Seus propósitos, e não para nos colocar numa posição confortável e segura, ganhando bens materiais e satisfazendo todos os nossos desejos.

O dinheiro que está sob o controle de Deus será usado para sustentar Seus servos, para ser dado aos pobres e utilizado em qualquer coisa que mostre que os propósitos de Deus são favorecidos neste mundo. O dinheiro pode ser uma importante ferramenta para aqueles que sabem usá-lo para o Reino de Deus.

Mas as Escrituras nos advertem que o poder do dinheiro é extremamente enganoso, tão enganoso, na verdade, que nós precisamos ter extrema cautela ao lidar com ele. “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.” (2 Tim 2:4).

Todos os filhos de Deus devem estar seguros de que todas as suas finanças estão debaixo da autoridade de Deus e de que estão dispostos a obedecê-Lo custe o que custar. Pedro disse uma vez a Jesus: “...nós deixamos tudo e te seguimos.” (Lc 18:28). E Jesus respondeu a ele: “Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo do Reino de Deus, e não haja receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura, a vida eterna.” (Lc 18:29-30 VRC).

No “neste mundo” , o “mais” pode significar bênçãos espirituais. Pode significar que nós nunca possuiremos muitas coisas terrenas, mas um dia, quando o Senhor voltar, seremos grandemente recompensados. Peço a vocês, irmãos e leitores, que não coloquem o mundo e suas coisas em primeiro lugar. Coloquem-nos de lado. Não se tornem enredados nas coisas desta vida. Vamos procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e crer que Ele irá nos acrescentar as coisas que necessitamos para continuar vivendo no presente mundo (Mt 6:33).






13.



OBRAS DE FÉ






A salvação vem pela graça, por meio da fé. Nestes dias, quase todos os cristãos que têm acesso à Bíblia compreendem esse fato. Não há nada que possamos fazer por nós mesmos que agrade a Deus, para fazer com que Ele nos salve. Foi somente pela Sua grande misericórdia e pelo tremendo amor que Ele tem por nós, que Ele mandou Seu Filho para morrer em nosso lugar.

Nenhuma obra que façamos irá nos trazer salvação, mas apenas a aplicação do grande sacrifício que Jesus fez. Quando nós verdadeiramente nos arrependemos de nossos pecados e cremos Nele, então Deus nos perdoa. Ele fica satisfeito com a perfeita oferta de Seu Filho e nos recebe entre os bem amados. Isto é algo que cada cristão deveria compreender.

Embora seja assim em relação à salvação, no que diz respeito à entrada de um crente no Reino Milenar, isto é baseado em suas obras, conforme estivemos aprendendo nos capítulos anteriores. Quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, vamos prestar contas das obras feitas, enquanto estivemos em nossos corpos naturais, sejam elas boas ou más (2 Co 5:10). Também, Jesus disse que Ele vai retribuir a cada homem segundo as suas obras (Ap 2:23).

Isto nos parece uma aparente contradição. Por um lado, salvação é um dom gratuito de Deus, por meio de Cristo Jesus, e, por outro lado, quando aparecermos diante Dele, Ele nos julgará de acordo com nossas obras. Receber a vida eterna é realmente pela graça, e não por nós mesmos. Mas, nossa entrada no Reino Milenar é outra coisa. Nossa entrada lá será determinada por aquilo que fizermos com o que Deus nos deu. Jesus nos supriu com um dom indescritível, e Ele espera que façamos algo com o dom que Ele nos deu, enquanto Ele estiver longe.

Assim como Jesus gastou o Seu tempo fazendo a vontade do Pai, assim também nós deveríamos produzir frutos para Deus. Quando um fazendeiro planta sementes no chão, ele o faz na expectativa de que elas crescerão e produzirão frutos. Da mesma forma, Deus espera que nós apresentemos obras que O irão glorificar. Pedro escreve que nós não deveríamos ser nem inativos, nem infrutíferos no conhecimento de Deus (2 Pe 1:8).

Deus requer que pratiquemos boas obras enquanto estivermos nesta Terra (Ef 2:10). Por meio de Jesus, Ele nos deu nova vida e incumbiu-nos com uma grande comissão. Seu propósito, ao fazer isto, era que nós usássemos nosso tempo, aqui, para servi-Lo, ajudando-O a cumprir Sua vontade.

Paulo, o apóstolo, estimulou Timóteo a se empenhar para ser um trabalhador “que não precisava envergonhar-se” (2 Tm 2:15). Nós também devemos seguir seu exemplo, para não nos sentirmos envergonhados naquele Dia. Se chegarmos diante do Trono Dele, com mãos vazias, não tendo feito nada para construir o Reino Dele, sem dúvida, vamos sentir muita vergonha.

Há uma outra parábola interessante do Reino, encontrada em Mateus, capítulo 22, que trata do assunto das vestes de um casamento. Lemos no começo do versículo 11: “Mas quando o rei entrou para ver os convidados (da festa do casamento), ele viu um homem que não estava usando veste nupcial. E lhe perguntou: ‘Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial?’ O homem emudeceu. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-no para fora, nas trevas; ali, haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.” (Mt 22:11-14 NVI). Àquele pobre homem, obviamente, faltava algum requisito para entrar na “festa do casamento”, no Reino. Qual era esta exigência? Era estar vestido com as boas obras da fé. Apocalipse 19:8 mostra-nos que as vestes de casamento são, de fato, boas obras, porque lemos que a noiva deverá adornar-se com fino linho, branco e puro; e “o linho fino são os atos justos dos santos.” (Ap 19:8 NVI).



PROVADOS PELO FOGO




Então, compreendemos que as boas obras são necessárias e desejáveis. Cada crente deve estar produzindo essas obras. Mas, também é claro nas Escrituras, que nem todo tipo de esforço pelo Senhor será aceitável. As obras que praticamos em nome de Jesus devem ser de um tipo especial, para qualificar-nos para uma boa recompensa. Quando o Dia do Senhor chegar, todas as obras que fizemos serão passadas pelo fogo.

1 Coríntios 3:12-15 diz: “Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” Este fogo que irá testar nossas obras, creio que é nada menos que a presença do Deus eterno, “...porque o nosso Deus é fogo consumidor.” (Hb 12:29). A intensidade de Sua presença e a glória de Seu semblante rapidamente revelarão a natureza de nossas atividades.

A frase “sofrerá perda”, usada em Coríntios, deve incluir a perda da herança do Reino Milenar, já que esta herança é uma das recompensas que o fiel irá receber. Embora haja muitos tipos de recompensa mencionados na Bíblia, tais como vários tipos de coroas, muitas das recompensas podem ser compreendidas no contexto do Reino. Coroas, mesmo, falam de Reino e de reinar, o que será exatamente o papel dos crentes que forem considerados dignos.

Ainda na passagem de Coríntios, encontramos mencionados dois tipos de obras: de madeira, feno e palha; e de ouro, prata e pedras preciosas. As de materiais valiosos suportam o teste e nos habilitam a receber uma recompensa; enquanto as de ítens inflamáveis são consumidas, expondo a nossa desobediência e, assim, nos desqualificando para entrar no Reino.

Já que as obras que praticamos são tão decisivas para determinar se vamos ou não ser aprovados, quando estivermos diante do Senhor, vale a pena tomar algum tempo para discutir a natureza delas, em toda a sua extensão.

Cada crente deveria ter uma boa compreensão de quais atividades irão agradar a Deus e quais não o farão. Muitos cristãos, sendo ignorantes a respeito dos critérios de Deus, facilmente podem perder seu tempo fazendo algo que Deus não deseja. Começando a examinar este assunto tão importante, vamos discutir o tipo de obras que é rejeitado por Deus. Mais tarde, iremos olhar as gloriosas verdades sobre o que é que O agrada. Embora precisemos estar falando um pouco, aqui, sobre coisas negativas e desagradáveis, é essencial para cada seguidor de Jesus, ter uma firme compreensão destas verdades. Então, por favor, suporte comigo, à medida que caminhamos mais longe juntos.




MADEIRA, FENO E PALHA




Certamente, todos nós deveríamos saber que as obras que fazemos enquanto Jesus está longe, não são obras da lei, porque as Escrituras dizem que “...ninguém será justificado diante dele por obras da lei...” (Rm 3:20). Embora isto devesse ser óbvio para alguém que abre sua Bíblia e medita nas coisas de Deus, há um grande movimento, hoje, encorajando os crentes a retornar à lei. É um novo vento de doutrina e, em certas partes do mundo, tornou-se uma mania voltar ao Judaísmo do Velho Testamento. Parece que há muitos que falharam em entrar além do véu e estabelecer um relacionamento íntimo com o próprio Deus. Ou talvez, com o correr dos anos, a relação com Ele se tornou distante, maçante ou fria.

Então, esses crentes estão procurando um modo humano, superficial, de se sentir bem consigo mesmos e pensar que estão servindo o Senhor. Sem aproveitar o tipo de relacionamento com o Invisível, que os justifica dia a dia, eles procuram uma outra possibilidade para satisfazer suas consciências e sentir que estão fazendo a coisa certa.

Eles se ocupam com rituais do Velho Testamento e com a terminologias, festivais e práticas, achando que isto irá, de algum modo, preencher o vazio. No entanto, como todos deveríamos saber, a lei e todos os mandamentos são fracos, porque só funcionam por meio dos esforços da carne (Rm 8:3). Portanto, eles não podem produzir o tipo de obras que passarão no teste naquele Dia.



OS PRINCÍPIOS




Além disso, cada crente deveria estar ciente de que tentar fazer a coisa certa, de acordo com os princípios do Novo Testamento, também não será aceitável para Deus. Apesar de alguns terem compreendido que a lei não pode produzir justiça, eles, talvez sem saber, desenvolveram um outro tipo de lei, composta por princípios do Novo Testamento.

Eles pesquisaram os Evangelhos e as Epístolas e sintetizaram um tipo de código “espiritual” de ética e comportamento, pelo qual tentam conduzir suas vidas. Fazem todo esforço para seguir estes princípios. São zelosos por realizar a coisa certa.

Mas, ainda uma vez, este tipo de obras só é feito pelos esforços do homem natural. Os que têm uma forte vontade e determinação podem, talvez, fazer uma boa demonstração de como seguir esses vários princípios. Entretanto, seus esforços produzem materiais muito inflamáveis.

Aqueles que estão vivendo somente por diretivas exteriores, encontradas nas Escrituras, serão aqueles a quem Jesus dirá “afastem-se de mim vocês, que praticam o mal” ou insubmissão (Mt 7:23). Significativamente, a quantidade dos que estarão nesta categoria será grande, serão “muitos”, ali (Mt 7:22).

Tentar cumprir os preceitos da Bíblia em nós mesmos é realmente um ato de rebelião contra Deus. É uma espécie de rebeldia, porque é algo feito pela carne e não pela vida Dele operando em nós.

Alguns daqueles que serão rejeitados eram indivíduos que fizeram coisas impressionantes em nome de Jesus: pregaram e profetizaram; expulsaram demônios; fizeram obras extraordinárias; e até mesmo milagres. Talvez tenham construído grandes catedrais e tido ministérios de expressiva projeção. Mas nada disto foi feito em verdadeira submissão a Ele. Eram apenas obras da carne. Todas essas coisas foram feitas pela energia e sabedoria humanas, agindo independentes de Deus.

Podemos admitir que essas mesmas pessoas viveram, pelo menos exteriormente, vidas dignas, e talvez os que as conheceram se impressionassem com o seu cristianismo. Mas, vida decente, milagres, belas construções e mensagens eloqüentes não agradam ao Pai.

O Pai só se satisfaz com o Seu Filho, e quando Ele O vê vivendo em nós, e trabalhando por meio de nós. O caminho de Jesus é o de completa dependência e submissão a Ele mesmo. Seu caminho para nós é simplesmente permanecer Nele. Todas as obras que fazemos e que são legalistas, auto-motivadas, ou realizações meramente humanas, serão expostas por serem apenas “madeira, feno e palha”.






As obras que irão agradar a Deus, e que passarão no teste no Dia do Julgamento, são as obras da fé. Mas o que isto significa? O que é a fé verdadeira que irá produzir obras que glorificarão e agradarão a Deus? Começando esta discussão, precisamos compreender muito claramente o que a fé não é. A fé não é um exercício mental. A fé real não é uma concordância racional com os fatos bíblicos. A fé verdadeira não é algo que nós podemos criar pela reafirmação constante das verdades das Escrituras.

Em vez disso, a fé genuína é a resposta do nosso coração à revelação do próprio Deus. Quando Ele se revela falando ao nosso espírito, em Sua Palavra ou por outros meios, e cremos naquilo que Ele está nos mostrando, isto é fé. A menos que Deus se revele a nós e até que Ele o faça, não podemos possuir o tipo de fé que agrada a Ele. A fé real não é algo que podemos gerar em nós mesmos. Ao contrário, é um “Dom de Deus” (Ef 2:8). Quando Deus se revela a nós e, por Sua graça, respondemos, crendo, esta é a fé verdadeira.

Vamos examinar uns poucos exemplos da Bíblia para esclarecer este ponto. Como o nosso Pai Abraão chegou à fé? Ele instigou seus processos mentais até que eles se superaqueceram e finalmente decidiu que deveria existir um Deus? Será que ele contemplou o cosmo usando toda a sua força racional e finalmente concluiu que deveria existir um Criador? Não, ocorreu exatamente o oposto. Primeiro, o Deus da glória falou a Abraão “em visão”, e, como um resultado disto, ele creu no Senhor (Gn 15:1,6). A ordem destes eventos é muito importante. Abraão chegou à fé por meio da resposta positiva à revelação de Deus.

O que dizer dos antigos discípulos? Vieram à fé, analisando a árvore genealógica da família de Jesus? Eles pesquisaram as profecias e concluíram que Ele era quem iria cumpri-las, e, assim, seria o Cristo? Não. Na verdade, os fariseus, que conheciam a profecia sobre o nascimento do Messias foram aqueles que não acreditaram e não foram adorá-Lo.

Embora a genealogia de Jesus e o cumprimento das profecias fossem mais tarde compreendidas pelos discípulos, não foram estas coisas que geraram a fé deles. Pelo contrário, o que aconteceu primeiro foi: Jesus “manifestou a Sua glória” e, então, “Seus discípulos creram Nele” (Jo 2:11). Quando Pedro fez a sua famosa declaração de que Jesus era o Cristo, Jesus afirmou que isto não era algo de que ele havia sido convencido por meios humanos. Não foi “carne ou sangue” que explicou isto a ele, mas foi “o Pai que está no céu” que o revelou (Mt 16:17).

A fé de Pedro foi o resultado da revelação divina. Em cada caso, quando os discípulos encontravam Jesus, eles O seguiam porque viam algo sobrenatural Nele. Humanamente falando, Jesus não era atraente (Is 53:2), mas Deus abriu os olhos deles para que vissem além da aparência externa e no campo espiritual. Então, seus corações responderam, crendo Nele.

Quando nós nascemos de novo, isto acontece porque, de algum modo, Jesus se revelou a nós e respondemos com fé a esta revelação. Fé verdadeira é uma resposta humana à revelação divina. Se você nunca teve uma revelação do Filho de Deus, de alguma forma, então, mesmo que você reconheça alguns versículos bíblicos ou tenha sido convencido por algumas verdades das Escrituras, você não pode ser um verdadeiro discípulo de Jesus. Você foi apenas convencido, mas não, convertido.



ANDANDO POR FÉ




Nosso relacionamento com Jesus começa com essa revelação sobrenatural e continua da mesma maneira. Dia a dia, Jesus está se revelando e mostrando Sua vontade a nós, por meio do Seu Espírito, agindo em nosso espírito. Quando nascemos de novo, entramos neste relacionamento espiritual com Ele. Ele é invisível, no entanto, está constantemente nos revelando Sua vontade e Seu caminho, por meio do Seu Espírito.

À medida que continuamos a responder por fé ao que Ele está revelando e à direção em que Ele está nos guiando, nós realizamos os desejos Dele. Isto é o que significa andar por fé. Significa que temos um relacionamento íntimo e pessoal com nosso invisível Mestre, por meio de nossa fé. Quando cremos pela primeira vez, recebemos uma Pessoa viva dentro de nós. Já que Ele agora vive em nós, Ele está constantemente Se revelando a nós de vários modos: nós conhecemos Seu íntimo falar; sentimos Seus sentimentos com respeito a várias situações; podemos perceber Sua compaixão, Sua alegria, Sua paz, Sua satisfação, ou mesmo Sua ira; podemos conhecer Sua liderança e Seus desejos. Todos os diversos componentes de Sua personalidade estão sendo revelados ao nosso espírito. Portanto, podemos constantemente acreditar naquilo que Ele revela de Si mesmo a nós.

Assim, andamos em comunhão com Ele pela fé, crendo na invisível revelação do Filho que vive dentro de nós. Deste modo, podemos segui-Lo, dia a dia. Deste modo, podemos expressá-Lo, pois estamos sentindo todos os aspectos de Sua personalidade dentro do nosso espírito.

Conforme discernimos Seus sentimentos, pensamentos, decisões e liderança, podemos escolher fluir de acordo com o que está sendo revelado. Se decidimos não responder positivamente ao que Ele está nos mostrando em nosso espírito, nós interrompemos o fluxo da Sua vida. Mas quando nós cremos, expressamos ao Universo Quem Ele é.

Naturalmente, como um novo crente, nossa fé é pequena e nossa habilidade para sentir Sua presença em plenitude é restrita. Assim como uma criança é bastante limitada para compreender o mundo em volta dela, assim os filhinhos de Deus, quando são novos, não têm um nítido sentido da presença de Deus.

Mas não devemos permanecer crianças. O plano de nosso Pai é que cresçamos até à maturidade. À medida que crescemos espiritualmente, nossa fé cresce e nossa habilidade para sentir a presença e a personalidade de nosso Salvador se torna mais aguda. Conseqüentemente, nossa expressão de Seus métodos e de Sua vontade, irá se tornar mais clara.

Por exemplo, um sinal de maturidade espiritual, ou índice do fato de estarmos em constante e íntima comunhão com Jesus, é que nós amamos uns aos outros. Já que Deus é amor e ama a cada um de Seus filhos apaixonadamente, quando estamos com Ele em um relacionamento de fé, sentimos este grande amor por todos os outros crentes. À medida que afirmamos este amor, também o expressamos. Deste modo e de muitos outros, a personalidade de Jesus e a vontade de Deus fluem por meio de nós, para serem demonstradas a um mundo que perece.

A prática da profecia também ajuda a compreender a fé. Romanos 12:6 diz: “...profecia, seja segundo a proporção da fé”. Alguns entendem “profetizar” como pregar; enquanto outros vêem um tipo de dom espiritual que vê o passado ou o futuro. Seja qual for o nosso entendimento, a profecia funciona do mesmo jeito. Enquanto estamos andando em intimidade com Jesus, algumas vezes sentimos que há algo que Ele deseja falar por meio de nós. Então, pela fé, afirmamos e cremos que Ele está revelando palavras ou pensamentos. Então, falamos aos outros com fé.

Também, no versículo acima, há uma implicação relativa às profecias, de que não devemos ir além de nossa fé. Devemos ser cuidadosos quando falamos em nome de Deus, para não deixar que nossos próprios desejos, pensamentos e opiniões conduzam o que estamos dizendo. Não devemos ir além da fé que possuímos, tentando embelezar o que Ele está dizendo com coisas vindas de nós mesmos. Ao contrário, nós não devemos limitar nossas palavras apenas àquelas coisas que acreditamos ser agradáveis aos outros.

Nós andamos por fé, e não por vista (2 Co 5:7). Isto quer dizer que não estamos seguindo algum programa visível, mas uma Pessoa viva e invisível. Não estamos simplesmente seguindo regras e regulamentos, princípios ou leis, que aprendemos na Bíblia ou de um ou outro professor, mas estamos “vendo a Ele que é invisível” (Hb 11:27) e respondendo com fé.

O homem natural anseia por coisas tangíveis. Ele crê nelas porque parecem “reais” a ele. Ele está acostumado a coisas que pode ver, sentir, saborear, tocar e cheirar. Portanto, muitos dependem de legalismo, de sensações físicas, de profecias ou de líderes para lhes dar direção espiritual. Entretanto, isto é “andar por vista”, e não pelo tipo de fé que agrada a Deus. A verdadeira cristandade está caminhando por um relacionamento de fé com o Rei invisível.



NOSSA FÉ VENCE O MUNDO




À medida que andamos em comunhão íntima com Jesus, nossas vidas são transformadas. Nossas atitudes e desejos se tornam diferentes. Não somos mais influenciados por estímulos superficiais e externos, mas pela pessoa invisível de Jesus. Portanto, nossas vidas se tornam diferentes das de outros habitantes do mundo. Começamos a amar e a procurar coisas diferentes. Estamos vencendo o mundo. 1 João 5:4 diz: “...e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”. O mundo à nossa volta tem muitas atrações. Oferece-nos muitos tipos de prazeres sensuais, incluindo romance, sexo, diversões, alimentos, eventos esportivos etc.

Todas estas coisas competem por nossa atenção e procuram captar nossa afeição. Naturalmente que sabemos quem é o ser maligno por trás de tais coisas. Nosso homem natural, já que ele também é um produto deste mundo físico, segue atrás dessas ofertas, pois temos um anseio de satisfação em todas as áreas relativas a elas.

Contudo, os que caminham por fé não são capturados por essas atrações. Suas vidas, de algum modo, são distintas e diferentes. Eles são “separados” das coisas físicas e naturais. Eles são assim, porque têm dentro deles uma outra fonte. Eles têm uma outra Pessoa em seu interior cujos desejos e pensamentos são diferentes do mundo. Então, é esta outra Pessoa que está direcionando as vidas deles, por meio de um relacionamento de fé com Ele.

Muitas vezes, as “pessoas mundanas” não compreendem isso. As atitudes dos crentes parecem estranhas a eles. É como se eles fossem “crianças na praça” (as pessoas do mundo), que dizem algo semelhante a: “Ei, estamos nos divertindo, mas vocês não estão unidos a nós!” ou “Estamos tristes, mas vocês não estão respondendo às mesmas coisas que nós!” (Lc 7:32). Os filhos do Reino de Deus são diferentes. Eles são separados do mundo e do povo desta Terra.

Nossa fé provoca a nossa separação. É a nossa conexão com o invisível Reino de Deus que governa nossas vidas e nos faz únicos. Aqueles que andam por fé não se ligam a coisas tangíveis, físicas, terrenas. Suas vidas não são envolvidas em entretenimentos e prazeres. Eles também não estão se lamentando sobre o estado das coisas do mundo e gastando seu tempo valioso tentando mudá-las.

Em vez disso, estão constantemente sentindo a liderança e o caráter do Deus invisível. Eles O estão seguindo e O estão expressando. Isto os faz levar uma vida que não é mundana. Eles vencem o mundo pela fé. Seu contínuo relacionamento de fé com Deus os faz ter outras atrações e valores. Suas afeições são colocadas em coisas diferentes.

Naturalmente que todos nós, de alguma forma, estamos envolvidos com as coisas desta Terra, já que comemos, bebemos, trabalhamos e vivemos aqui. Mas os homens e mulheres de fé têm uma atitude diferente. Seu envolvimento com as coisas daqui tem uma diferente condição. Eles as usam porque necessitam, mas não abusam delas (1 Co 7:31). Seus corações não estão firmados nelas, nem as perseguem, em busca de satisfação. Estando em contínuo contato com Deus por meio da fé, eles estão satisfeitos com Ele e não precisam procurar uma outra fonte para satisfazer suas necessidades.



O QUE É FÉ?




Hebreus 11:1 nos dá uma definição de fé. Lemos: “A fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção dos fatos que se não vêem”. Vamos tomar a primeira parte do versículo e olhar para ele muito de perto. A esperança bíblica é a esperança em coisas espirituais, invisíveis. A glória de Deus, para a qual Ele nos chamou, é algo que não pode ser explicado, mas apenas revelado a nós pelo Espírito. Uma vez que “vimos” com olhos espirituais a glória que nos foi prometida, isto inicia dentro de nós uma esperança inabalável. Torna-se “a certeza” do que estamos esperando.

A segunda parte desse versículo fala de “convicção”. Conforme já vimos, quando discernimos Jesus revelando-Se a nós, e afirmamos ou concordamos com esta revelação, isto é fé. Portanto, desenvolvemos uma convicção concernente às coisas que não são vistas.

Para o mundo, o que estamos perseguindo e fazendo é completa tolice, porque ele, de maneira alguma, consegue compreender essa revelação. É invisível para ele. Entretanto, para nós que penetramos além do véu e olhamos o invisível Reino de Deus, temos uma profunda e permanente convicção referente às coisas do Espírito de Deus.

Talvez, alguns que tenham estado somente mentalmente convencidos com referência a Cristo, possam facilmente desistir, quando as coisas se tornam difíceis. Mas aqueles que receberam uma revelação real de Jesus têm uma profunda convicção e a manterão, mesmo em meio aos tempos difíceis.

Deve ser mencionado, aqui, que devemos “andar por fé”, mas isto não é a mesma coisa que simplesmente concordar com a fé. Quando as pessoas falam “da fé”, elas querem dizer um conjunto de verdades comumente entendidas referentes à Pessoa e à obra de Jesus Cristo. Entre tais verdades, deveria estar o fato de que Ele nasceu de uma virgem, viveu uma vida sem pecado, morreu por nossos pecados, ressuscitou dos mortos, subiu aos céus e algum dia voltará à Terra.

Todas estas coisas são maravilhosas, verdadeiras e boas. Elas têm um impacto sobre a nossa caminhada com Jesus, já que nós podemos saber que o Espírito dentro de nós nunca irá contradizer essas verdades.

Portanto, seguir ao Senhor não é a mesma coisa que simplesmente tentar seguir uma série de doutrinas ou uma crença. Nosso caminhar por fé não é meramente tentar ajustar nossas vidas a uma certa série de verdades, não é concordar com essas coisas em nossa mente.

Em vez disso, é, dia a dia, momento a momento, afirmar a revelação viva de Jesus Cristo dentro de nós e permitir que esta revelação seja a fonte de nossa vida. Quando permitimos que Ele, quem nos dá essa fé, permeie nossas vidas com a vida Dele, seremos conseqüentemente conhecidos como seguidores “da fé”.

Há uma grande diferença entre praticar uma religião e seguir Jesus por fé. Alguns tomaram para si verdades e exortações da Bíblia e estabeleceram um tipo de sistema religioso cristão. Eles têm práticas, metas, encontros, roupas especiais, catedrais e todos os ornamentos que são atraentes ao homem natural. Eles acreditam ter fé por terem dado sua aprovação mental a uma série de verdades encontradas nas Escrituras.

Já que eles continuam a acreditar nas coisas que lhes foram ensinadas, imaginam que estão agradando a Deus. Eles estão dependendo de doutrinas mentais e tangíveis, tradições e práticas, como meios para satisfazer a Deus. Contudo, seguir a Jesus é uma coisa completamente diferente. Ele é uma pessoa viva. Quando, por fé, respondemos à revelação de Sua pessoa sempre presente em nosso espírito, estamos cumprindo os desejos do Pai.



FÉ VIVA PRODUZ OBRAS




Se nossa fé é uma fé viva, ela produzirá obras. Tiago mostra em sua epístola que nossa fé, para ser genuína, precisa gerar frutos. Ele explica que, se nossa fé não está produzindo obras hoje, então ela morreu e se tornou uma fé morta. E fé morta não produz mais nenhum fruto. Nós lemos: “...a fé, se não tiver as obras, por si só está morta.” (Tg 2:17).

Além disso, uma fé morta não está justificando e nem justificará cristão algum diante do Tribunal de Cristo. Assim, vemos que nossa fé precisa estar sempre atualizada. Em outras palavras, precisamos manter um relacionamento de fé com Jesus, diário e vivo, para que sejamos justificados por Ele. Por isso “...uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2:24). Se mantemos uma fé viva, ela vai sempre produzir frutos. Tais frutos são a evidência de que nossa fé é real e atual. E é esta fé real que nos justifica diante de Deus.

Veja, não é suficiente já ter acreditado, no passado. Não é suficiente afirmar mentalmente uma série de doutrinas bíblicas. Precisamos manter um vivo relacionamento com Jesus, pela fé, a cada dia. A resposta de nosso coração à revelação de Deus deve continuar uma coisa ativa, que dirija nossas vidas e ações. Isto, então, irá produzir boas obras que irão glorificá-Lo. Essa é a fé que agrada a Deus.

Jesus nos ensina que devemos permanecer Nele (Jo 15:4). Isto significa vivermos em contínua comunhão íntima com Ele, constantemente afirmando o que Ele está nos revelando de Si próprio, pela fé. Quando fazemos isto, então, Ele também permanece em nós. Conforme mantemos com Ele nosso relacionamento de fé, Jesus nos dirige nas obras que Ele deseja fazer por meio de nós. Nossa resposta de fé à Sua liderança traz o fluir de Sua vida dentro de nós e através de nós. É a Sua vida, então, que gera frutos eternos.

As obras são o resultado espontâneo de nossa fé. À medida que permanecemos em comunhão íntima com Deus, por meio da fé, momento a momento, dia a dia, Ele trabalha em nós e por meio de nós. Jesus nos ensinou que: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto...e vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça...”(Jo 15:5 e 16).

“Permaneça”, aqui, significa que esses frutos não serão consumidos no dia do Julgamento. Claramente, não podemos produzir frutos por nós mesmos (Jo 15:4). É o nosso contínuo relacionamento de fé com Jesus que nos torna frutíferos, e estes frutos são as obras de ouro, prata e pedras preciosas.



FÉ E OBEDIÊNCIA




Para manter um relacionamento íntimo com Jesus, por meio do Espírito, precisamos ser obedientes a Ele. Precisamos aprender a viver debaixo de Sua soberania e sob Seu reinado. Precisamos continuar nos submetendo em fé ao nosso Rei invisível. Se nos tornamos desobedientes e recusamos a acreditar e a responder à Sua direção interior, isto perturba nossa intimidade com nosso Salvador.

Quando continuamos em obstinação e não damos atenção à direção Dele, nossa capacidade de sentir Sua presença diminui mais e mais. Gradualmente, falhamos em ter aquele relacionamento vital e aquela intimidade agradável com Ele. Nossa fé vai morrendo, por causa da nossa resistência à Sua liderança. Fé e obediência estão inseparavelmente ligadas. Quando resistimos ao Espírito Santo e à Sua autoridade em nossas vidas, torna-se muito difícil permanecermos na presença de Deus.

Quantos crentes estão hoje nesta condição? Eles um dia conheceram Deus intimamente, mas agora sentem como se estivessem do lado de fora desse relacionamento, apenas olhando-O à distância. Sua antiga comunhão suave com Jesus é agora apenas uma distante memória. Em um certo momento, eles recusaram a palavra celestial, resistiram à liderança do Espírito e, agora, estão fora do presente Reinado. Sua rebelião contra o que quer que Jesus desejasse deles, deixou-os apenas com uma aparência de Cristandade.

As razões pelas quais isto acontece são inúmeras, mas é bom mencionar apenas algumas possibilidades. Talvez, esses indivíduos estivessem muito amedrontados para seguir Jesus naquilo que Ele estava desejando. Talvez, estivessem ocupados demais com suas próprias buscas, tais como passatempos ou negócios. Possivelmente, foram outros crentes ou alguns parentes que os desencorajaram a seguir os passos que o Senhor estava indicando. E pode ser que eles fossem muito teimosos e resistentes para ouvi-Lo nas áreas em que Ele desejava reinar. Uma outra possibilidade é que tenha acontecido algo em sua caminhada com o Senhor que os deixou amargos e desiludidos. Mas, seja qual for o caso, o resultado é o mesmo. Sua fé viva se foi, e a sensação de doce intimidade com o Senhor desapareceu de suas vidas.

Não há dúvida de que tais pessoas “ainda crêem em Jesus”. Provavelmente, os fatos bíblicos sobre a vida de Jesus e o Seu ministério ainda estão nítidos para eles. Mas a fé deles está velha e antiquada. É uma fé baseada no passado e não em sua experiência atual. Não é uma fé que esteja viva, hoje, fornecendo o fundamento de sua comunhão com Deus. É uma fé morta, que não os está justificando, e não os justificará diante do Trono de Deus.

Aqueles que estão nesta condição precisam se arrepender. É a única solução. Eles precisam clamar a Deus pela graça de, finalmente, ouvir, acreditar e obedecer o que Ele está lhes revelando. Sua obediência irá restaurar seu relacionamento íntimo com Jesus.

A obediência necessária pode envolver desculpar-se com alguém, por alguma palavra ou atitude maldosa; pode significar uma troca de carreira ou a mudança para uma outra parte do mundo etc. Indubitavelmente, irá significar nos humilharmos e admitirmos que estivemos sendo resistentes, teimosos e errados. As maneiras de nos tornarmos desobedientes são infinitas. Só o nosso Senhor pode nos revelar o que está interrompendo nosso relacionamento com Ele.

Mas, uma vez que estamos realmente desejosos e prontos para ouvir a voz Dele, saberemos o que temos que fazer. A humilhação e o amolecimento do nosso coração para receber correção é absolutamente essencial na vida espiritual. Somente deste modo, seremos outra vez capazes de voltar e andar por fé.

Muitos cristãos, hoje, têm tentado uma outra alternativa. Em vez de se arrependerem, tentam justificar-se aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros, mantendo uma aparência religiosa e superficial. Talvez, eles continuem freqüentando cultos. Possivelmente, permanecem envolvidos nas atividades da Igreja. Pode ser que a aparência superficial da vida deles não tenha mudado, e é bem possível que outros crentes os considerem “bons” cristãos. Entretanto, assim como nos dias de Seu ministério terreno, Jesus está chamando cada um de nós ao arrependimento, por causa da entrada no Reino.

Quando estivermos diante de Deus naquele Dia, seremos julgados de acordo com as nossas obras. Estas obras serão o resultado de nossa fé, que nos trouxe para uma intimidade com o próprio Deus e que nos manteve nela. As obras que serão aproveitadas não são as obras que fazemos para Ele, mas as obras que Ele faz por meio de nós, como um resultado de nosso relacionamento de fé com Ele. Isto é o que eu gostaria de chamar de “obras de fé”.

Se você não está vivendo em fé, hoje, e, portanto, não está produzindo frutos para o Reino de Deus, ainda há tempo de se arrepender. Ainda há tempo para você consertar Seu relacionamento com Jesus, responder à Sua liderança e viver para o Rei e Seu Reino. Agora, é a hora para você mudar sua maneira de viver e pensar, e voltar para Jesus.



ENTRANDO NO DESCANSO




O livro de Hebreus está cheio de exortações referentes a este assunto. Lá, aprendemos que é possível endurecermos nosso coração para não acreditar no que Jesus está nos falando, hoje, agora. Isto irá nos custar o Reino. Talvez, seja muito bom parar por um instante e ler de novo os capítulo 3 e 4 de Hebreus, no contexto do nosso assunto. Ali, o autor nos alerta severamente, de novo e de novo, usando o exemplo do povo de Israel no deserto. Ele afirma que eles não tomaram posse da herança prometida “por causa da sua incredulidade”, que é a falta de fé (Hb 3:19).

Ele, então, nos admoesta: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça de haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo...” (Hb 3:12). E nos exorta a, já que permanece a promessa de entrar no Seu descanso (isto é, o descanso do Sétimo Dia, no Reino – versículo 4), não suceder que algum de nós tenha falhado (Hb 4:1). Claramente, há algo que devemos temer. Definitivamente, há algo muito sério para mantermos em mente, conforme andamos com nosso Senhor.

Embora alguns tenham tentado ensinar que não há conseqüências negativas para o nosso comportamento de hoje, é incontestável que as Escrituras ensinam algo muito diferente. Se não andamos em fé diariamente, se resistimos ao Espírito Santo, não entraremos em Seu descanso e não herdaremos o Reino que Jesus prometeu.

Nosso alvo é entrar no descanso de Deus. Mas o que isto significa? Como isto é possível? Simplesmente, entrando no Reino de Deus, hoje. É parar de fazer as nossas próprias obras para Deus. É parar de direcionar nossas vidas pelo conhecimento bíblico e pela compreensão da Lei ou dos princípios das Escrituras. É, de uma vez por todas, parar com todas as nossas atividades simplesmente “religiosas”. Tudo o que imaginamos que podemos fazer por Ele deve ser abandonado.

Em vez disso, precisamos cultivar um íntimo relacionamento de fé com Jesus. Conforme descansamos Nele, tendo doce comunhão com Ele, no espírito, Ele irá morar em nós e trabalhar por meio de nós para fazer Sua vontade. Assim como Jesus não estava fazendo as Suas próprias obras, mas estava permitindo ao Pai agir por meio Dele, assim também nós podemos ser canais, vasos, por assim dizer, para conter e expressar o Deus do Universo. Este é o segredo do genuíno cristianismo do Novo Testamento. Este é o modo como podemos produzir obras de ouro, prata e pedras preciosas.

Se após ler este capítulo, você descobrir que sua vida cristã tem sido legalista e morta, se sua vida tem sido apenas mundana e, portanto, infrutífera, ou se você não tem feito coisa alguma para trazer frutos para Deus, a resposta é o arrependimento – arrependimento por causa do Reino. Deus está nos chamando, hoje, para nos arrependermos de tudo aquilo em que estamos envolvidos e que não pertence ao Seu Reino. Por meio da nossa fé, podemos vencer tudo o que as atividades religiosas vazias, o mundo e a carne têm para oferecer. Em vez de madeira, palha e feno, podemos produzir ouro, prata e pedras preciosas. Jesus Cristo está voltando logo para julgar a Terra com justiça.

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo o peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do Trono de Deus.” (Hb 12: 1-2).






14.



UMA PALAVRA DE ENCORAJAMENTO






“Não temais, ó pequenino rebanho, porque nosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino.” (Lc 12:32). Nosso Pai Celeste deseja que cada um de Seus filhos seja obediente a Ele e entre em Seu Reino. Não é Seu desejo rejeitar ninguém. Certamente em Seu próprio coração, quando Ele nos gerou por meio de Seu Espírito Santo, Ele desejou ansiosamente que nós fôssemos fiéis e que herdássemos essa grande bênção.

As Escrituras dizem: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16). Também lemos em Romanos 8:32: “Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele, todas as coisas?” Estas passagens nos demonstram o grande amor de Deus para com os homens. Ele nem mesmo poupou Seu único Filho para manifestar ao mundo o imenso e imensurável amor que Ele tem.

Com referência à salvação, sabemos que não é Sua vontade que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao conhecimento da verdade. Tenho certeza de que a mesma atitude também se aplica à entrada de Seus filhos no Reino Milenar. Já que Deus não sente nenhum prazer em lançar alguém no lago de fogo, assim também não deseja que nem um só de Seus filhos perca as coisas que Ele lhes preparou.

Então, depende de nós. Se estamos desejosos e somos obedientes, Ele é fiel e nos capacitará a entrar e possuir essas coisas. Todo poder e autoridade de Deus estão investidos em Jesus Cristo e estão disponíveis para nós, hoje, por intermédio do Espírito Santo. Não devemos nos desculpar porque nos sentimos muito fracos ou incapazes. Na cruz, pelo derramar do Seu sangue, Jesus comprou tudo o que é necessário para sermos obedientes e cumprirmos Sua vontade.

Não apenas isto, mas Ele derramou o Seu Espírito sobre nós e nos garante a Sua graça, para que possamos viver de acordo com Deus. Se o desejarmos, Ele irá nos tornar poderosos para derrotar o reino do diabo. Não há necessidade de que nem o menor e o mais fraco membro do Corpo de Cristo seja frustrado. Deus já fez tudo. O que resta é apenas entrar nesta realidade, pela fé e pela obediência. Não devemos nos sentir condenados ou temerosos. O maior prazer do Pai é nos dar o Seu Reino.

Agora, precisamos dizer uma palavra aos desviados. Se vocês estão afastados de Cristo e estão vivendo em uma condição pecadora, não é tarde demais para se arrependerem. Vocês podem abandonar imediatamente essa vida má e pecadora. Então, vocês descobrirão que o Pai irá recebê-los com os braços abertos.

Do mesmo modo que o filho pródigo abandonou seu pai, e esbanjou sua herança em um viver dissoluto, em más companhias, mas um dia caiu em si, voltou para a casa do pai e lá foi recebido com alegria e festa, assim vocês também podem se arrepender, voltar atrás da direção para a qual estavam seguindo e voltar para Deus. Ele irá recebê-los e amá-los. Irá novamente vesti-los com roupas limpas. E, se continuarem fiéis até que Ele volte, também entrarão no Seu Reino.

Não é tarde demais! Nunca será tarde demais para se arrepender e voltar para Ele, até o dia em que Ele retorne. Naquele Dia, será tarde demais! Mas, até lá, há oportunidade para cada filho de Deus, que voltou ao seu próprio vômito e chafurdou na lama, para retornar a Deus e receber a herança.

Com o grande amor que Ele tem por toda a humanidade, e especialmente pelos Seus filhos, o Pai certamente irá recebê-los de volta e capacitá-los a viver para Ele. Devo dizer àqueles que se desviaram, que provavelmente não irão receber o mesmo grau de recompensa. No entanto, eles ainda podem entrar no Reino de Deus, que é uma recompensa grande demais.



VÁRIOS TRABALHADORES




Há uma parábola interessante no Novo Testamento (Mt 20:1-16), sobre os trabalhadores que o senhor manda para a vinha. A história conta sobre vários trabalhadores que foram contratados pela manhã, outros no meio do dia e alguns no final do dia. Quando vieram receber o pagamento, todos receberam a mesma quantia. Alguns daqueles que estiveram trabalhando duro durante todo o dia, reclamaram disso.

Mas o senhor os repreendeu a cada um, dizendo: “Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último, tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?” (Mt 20: 13-16).

É assim que será no Reino de Deus. Aqueles que nascem de novo bem cedo na vida e trabalham fiel e diligentemente até que Ele volte, entrarão no Reino. E aqueles que foram salvos bem mais tarde, e trabalharam apenas alguns anos, receberão a mesma herança.

Ainda há tempo para você. Se você ainda não recebeu o Senhor, ou se você ainda não começou a trabalhar na vinha, Jesus Cristo está lhe chamando. Ele está chamando trabalhadores para trazer frutos para Deus. Se você ouvir esta chamada, comece hoje. Não é tarde demais para começar a fazer a vontade de Deus, até que Ele venha.

Não deixe o diabo enganá-lo, levando-o a pensar que é muito velho, que seria muito difícil, ou que, simplesmente, é tarde demais para fazer o que quer que seja. Se, de hoje em diante, você trabalhar fielmente, receberá o Reino junto com aqueles que trabalharam pacientemente durante toda a sua vida.

Em Mateus 5:19, há uma outra palavra de encorajamento. Ali, encontramos a história de um homem que desobedeceu a uma ordem de seu Senhor e até mesmo ensinou outros a desobedecerem. As Escrituras dizem que esse homem seria chamado “o menor no Reino dos céus”. A princípio, isto pode parecer desencorajador, mas a boa notícia é que aquele homem ainda foi encontrado no Reino. Mesmo que ele estivesse até certo ponto enganado e decepcionado, e tivesse passado a outros a sua decepção, por estar fazendo o trabalho do Senhor, ele entrou no Reino. Ele pode ser o menor, mas, todavia, está lá, devido à vontade de servir o Senhor.

Claro que há outros que não entrarão, porque não se empenharam legitimamente; entretanto, parece que existe algum espaço para o erro. Deus olha os nossos corações e julga com justiça. Todos nós deveríamos dar o melhor de nós para trabalhar de acordo com a luz que temos visto. Mas, vamos nos encorajar com o fato de que, se não somos perfeitos, mas apenas fiéis, Deus irá reconhecer isto no dia do Julgamento. Entretanto, lembre-se disto também: “...muitos primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.” (Mt 19:30).

Vamos ler juntos uma parte de outra parábola sobre o Reino de Deus. É a parábola do semeador. Tenho certeza que a maioria de vocês já a ouviu antes. É a história de um semeador que segue espalhando suas sementes em diferentes tipos de solo, com resultados variados. Jesus explicou:

“A vós outros é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.

Este é o sentido da parábola: A semente é a Palavra de Deus.

A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem a seguir o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos.

A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam.

A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias foram sufocados com os cuidados, as riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer.

A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a Palavra; estes frutificam com perseverança.” (Lc 8:10-15).

Quão corretamente esta parábola descreve as obras da Palavra no coração dos homens, e quão claramente ela se aplica ao Reino vindouro! A Palavra de Deus tem seguido adiante e, para a maioria de vocês, leitores, provavelmente foi plantada em seus corações. Compete a cada um de nós, o tipo de resposta que vamos dar a ela. Já que estamos no controle dos nossos próprios corações, precisamos decidir por qual dos vários caminhos iremos seguir.

Acho que seria uma boa idéia para todos nós, nos examinarmos à luz dessas palavras. Não advogo longas horas de introspecção, mas acredito que seja absolutamente indispensável estarmos diante do Senhor, permitindo que Seu Santo Espírito escrutine os nossos corações. Precisamos estar abertos e desejosos de que o Espírito do Senhor exponha a nós muitas áreas de nossas vidas, brilhe em nós e nos ajude a ver as pedras, os espinhos e todas as coisas que irão sufocar a Palavra, impedi-la de germinar e torná-la infrutífera.

Ninguém, que esteja verdadeiramente disposto a servir ao Senhor, será deixado fora do Reino por causa dessas coisas, porque podemos, quando as reconhecemos em nossos corações, pedir ao Senhor que as remova. Podemos pedir-Lhe que nos transforme no tipo de pessoas que Ele deseja que sejamos. Deus pode tirar o coração de pedra e nos dar um coração de carne (Ez 36:26). Nós, com a ajuda do Espírito Santo, podemos afofar a terra, lançar fora as pedras, cortar as ervas daninhas e gerar frutos para Deus. Vamos, portanto, examinar a nós mesmos à luz da Palavra e, por meio da iluminação do Espírito Santo, ver qual tipo de coração nós temos.

Se descobrirmos que o nosso coração é mau, rochoso ou cheio de espinhos e cardos deste mundo, então, vamos nos arrepender – arrepender por causa do Reino – e renovar os nossos corações para Deus. Ele irá nos ajudar grandemente nisto e nos auxiliará a entrar naquilo que Ele prometeu.

Já falamos sobre a importância de que todos os crentes conheçam o temor a Deus. Realmente: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” (Pv 1:7). É saudável ter um respeito reverente pelo poder de Deus e pelo vindouro Dia do Julgamento. Entretanto, há alguns crentes que trabalham debaixo de constante condenação do diabo. É para estes que eu gostaria de escrever esta palavra.

Muito embora haja neste livro várias coisas que são assustadoras, não permita que o diabo as use para acusar você. Se você está dando o melhor de si e está sendo obediente em tudo o que sabe que o Senhor deseja que você faça; se o desejo de viver para Deus está em seu coração, não permita que Satanás o condene e o mantenha longe da alegria. Resista às suas acusações e não acredite no que ele diz. O diabo é um mentiroso e adora manter você sob constante acusação, de maneira que você não possa servir ao Senhor ou conhecer Sua vontade.

Se por outro lado, você é um dos que se recusam a ouvir a voz do Senhor, cujos ouvidos estão surdos para ouvir; se está ouvindo, mas não prestando atenção; se você é daqueles que constantemente arruma desculpas para não fazer o que Deus quer; se você é um destes, apelo para que destampe seus ouvidos, amoleça seu coração, fazendo-o mais terno para Deus e permita-se responder ao que Ele está dizendo.

Ele pode estar pedindo que você faça algo muito difícil. Talvez, Ele esteja pedindo a você que venda tudo o que possui e vá para um outro país pregar a Sua Palavra. Talvez, Ele esteja dirigindo você a deixar uma ocupação na qual você busca segurança, mas que mantêm você longe Dele. Talvez, Ele esteja lhe pedindo, jovem, que renuncie àquele(a) namorado(a) que você sabe que não é crente e não está vivendo para Jesus. Nada é difícil demais de sacrificar pela entrada no Reino.

No Reino de Deus, hoje, e no Reino Milenar, que está por vir, há grandes recompensas espirituais. A alegria é indizível e cheia de glória, mas você nunca irá conhecê-la ou prová-la, a menos que coloque de lado aquilo que está impedindo você de entrar.

As Escrituras nos exortam: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.” (Lc 13:24). A triste razão, pela qual tantos filhos preciosos de Deus não entrarão no Reino, é que eles não desejam se desembaraçar de toda a bagagem que os está mantendo longe de Deus.

Estão presos a muitas coisas, temerosos de deixá-las e de acreditar que Jesus possa ser tudo para eles. Muitos crentes têm conseguido escassamente o aroma do rico gozo de Deus que está disponível a eles. Permanecem nos átrios e nunca entram no Santo dos Santos, na verdadeira presença de Deus para festejar com Ele e adorá-Lo, porque estão ligados a coisas externas, materiais e terrenas.

Vamos, então, colocar de lado os pesos e os pecados que tão facilmente nos envolvem e correr a corrida. Se ainda há algo que impeça você de entrar, lance-o fora. Não esteja embaraçado, de maneira a não poder entrar. Deus irá cuidar das coisas que você entregou a Ele até o dia em que Ele voltar, e, então, irá compensá-lo abundantemente por tudo aquilo que você deixou para trás, por causa Dele.

Irmãos e irmãs em Cristo, o Reino de Deus permanece esperando adiante de nós. A porta está aberta e todos podem entrar. Deixe-me dizer novamente que ninguém é muito fraco ou muito débil. Os que não entram são simplesmente relutantes. Não importa o seu estado ou condição, você pode se arrepender hoje, voltar-se para o Pai Celestial, e Ele irá fortalecer você e capacitá-lo a trabalhar fielmente, até que Ele venha. “Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.” (Mt 24:46-47).

Que Deus possa ter misericórdia de nós, para nos fazer pessoas obedientes, aqueles a quem Ele diz: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25:21).

Gostaria de encerrar este capítulo com alguns versículos que mostram como Deus é fiel, quando somos perseverantes, e quão grande é a Sua vontade de que entremos em Seu Reino Celestial.

“...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.” (1 Co 1:8,9).

“Estou plenamente certo de que Aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” (Fp 1:6).

“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo, e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (1 Ts 5:23,24).

“O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o Seu Reino Celestial. A Ele glória pelos séculos dos séculos; Amém!” (2 Tm 4:18).

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos dos séculos. Amém!” (Jd 24-25).



CONCLUSÃO






Vivemos, hoje, em um tempo muito decisivo e difícil. A “ERA DA IGREJA” está chegando ao fim, e a Vinda do Senhor está muito perto.

As Escrituras dizem que a cidade de Jerusalém seria pisada pelos gentios, até que o tempo dos gentios se cumprisse (Lc 21:24). Desde que o general romano Tito destruiu Jerusalém, no ano 70 d.C., até 1948, o povo hebreu não tinha um país para chamar de pátria. Em 1976, a segunda metade da cidade Jerusalém (essa é a parte antiga) caiu nas mãos dos judeus. Então, depois de quase 2.000 anos, os judeus tomaram posse de Jerusalém novamente, assim cumprindo a profecia de Jesus.

Deus não se esqueceu de Seu Povo, a quem Ele de antemão conheceu. Romanos 11:25 explica que Israel sofreria de uma cegueira parcial, até que chegasse “a plenitude dos gentios”. Depois deste tempo, somos ensinados que Deus iria novamente se lembrar do povo da Velha Aliança e cumpriria Suas promessas aos seus pais. Isto é exatamente o que estamos vendo acontecer diante dos nossos olhos. Nunca antes na história se ouviu falar de um povo que fosse espalhado pela face da Terra por dois mil anos, tivesse mantido sua identidade nacional e fosse trazido de volta para sua própria terra, para tornar-se uma nação. Isto é o agir de Deus!

Não estou afirmando que os judeus, hoje, são justos, ou que Deus se agrada deles, em seu estado atual. Quando o Messias vier de novo, Ele é que “apartará de Jacó as impiedades” (Rm 11:26). O ponto, aqui, é que Deus está fazendo o que Ele prometeu, e que a Segunda Vinda de Jesus é iminente. O palco está sendo montado. Essas coisas são apenas sinais que mostram, àqueles que estão observando e esperando, a importância desta hora. Nenhum outro tempo da história foi tão abundante em distúrbios e cumprimento de previsões. O juiz está à porta. Jesus disse: “E eis que venho sem demora... para retribuir a cada um segundo as suas obras.” (Ap 22:12). A palavra grega para “sem demora” pode significar não somente “rapidamente”, mas também “subitamente”.

Aqueles que estão ativamente procurando e esperando ansiosamente por Ele, não serão pegos de surpresa, quando Ele aparecer. Mas para aqueles cujo amor esfriou e cujos ouvidos se tornaram ensurdecidos, Ele virá quando menos O esperam (Lc 12:46). O que você estará fazendo quando Jesus voltar? Ele se alegrará ao encontrar você em seu estado atual? Se não, então quero exortar você, tão vigorosamente quanto eu puder, a se arrepender. Mude o seu modo de vida antes que seja tarde demais! Arrependa-se por causa do Reino!

Irmãos, o tempo é curto! Estamos sendo chamados a fazer a obra de Deus enquanto é dia, porque a noite vem e nenhum homem poderá trabalhar (Jo 9:4). A Bíblia nos diz que um pouco antes do Senhor chegar, haverá uma grande apostasia (2 Ts 2:3). Embora isto possa não estar sobre nós, agora, entre muitas pessoas do povo de Deus parece haver “um grande adormecimento”.

A mensagem deste livro é: “Acordem, acordem, o noivo está chegando!” Está no tempo de acordarmos do nosso sono de servirmos a nós mesmos e de nos aprontarmos para a Sua vinda. Irmãos e irmãs em Cristo, “...preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele.” (Mt 3:3 NVI).

A mensagem do Evangelho segue adiante com esse sério propósito. Homens e mulheres, de toda parte, necessitam estar prontos para que seja permitida a entrada deles no Reino. O Evangelho do Reino – a realidade da soberania total de Jesus Cristo – deve ser pregada a todas as nações, e, então, virá o fim (Mt 24:14). Certamente, nestes dias, no fechamento desta era, essa é a mensagem que está no coração do Pai.

Amigo, deixe-me perguntar-lhe uma questão importante: quando Jesus vier, você estará pronto, esperando? Oro para que todos nós estejamos.

“Cingido esteja o vosso corpo e acesas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor, ao voltar ele das festas do casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.

Bem-aventurados aqueles servos a quem o Senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.

Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.

Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não o deixaria arrombar a sua casa Fica também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.” (Lc 12:35-40).





LISTA PARCIAL DE VERSÍCULOS SOBRE O REINO






    Gn 17:8; 35:10-12

    Dt 30:1-10

    2 Sm 7:12-16

    Is 2:2,3; 4:3-6; 9:6,7; 11:1-4,11,12; 56:6-8; 61:6; 66:14-20

    Jr 23:5-8; 30:3-11; 33:7,8

    Ez 20:33-42; 36:21-28; 37:14,21-28; 39:25-28; 44:15-24

    Dn 7:13,14,27

    Am 9:11-15

    Zc 6:12,13; 8:22,23; 10:10; 12:2-10; 14:1-9

    Mt 19:27-29

    Lc 1:31-33; 13:24-29; 22:28-30

    1 Co 15:20-28 13. Ap 5:9; 11:15; 20:4-6