Ministério Grão De Trigo

CRIAÇÃO DE FILHOS

Como Criar Os Filhos Em Deus

Este panfleto também é um capítulo no livro “Sementes 2” o livro completo pode ser baixado em formato eletrônico aqui.
Como Criar Os Filhos Em Deus por David W. Dyer

SEMENTES 2 ÍNDICE

Capítulo 1: ACIMA DE TODAS AS COISAS

Capítulo 2: CRIAÇÃO DE FILHOS (Capítulo Atual)

Capítulo 3: O DINHEIRO DE DEUS

Capítulo 4: PENSAMENTOS A RESPEITO DA LEI

Capítulo 5: UMA GAIOLA CHEIA DE PÁSSAROS

Capítulo 6: ANCIÃOS (PRESBÍTEROS) E DIÁCONOS

Capítulo 7: É POSSÍVEL A PERFEÇÃO?


Quando Deus nos presenteia com filhos, assumimos uma responsabilidade muito séria. Por motivos que somente Ele pode entender, Deus confia a nós o cuidado dessas vidas preciosas. Quando isso ocorre, nos tornamos responsáveis diante Dele de como lidaremos com essa responsabilidade. Sendo assim, na posição de pais, devemos procurar cuidadosamente, e debaixo de oração, cumprir essa tarefa da melhor maneira possível. Nós devemos criar nossos filhos seguindo a orientação e a sabedoria do Senhor.

Talvez a primeira coisa que devamos reconhecer é que, uma vez que foi Deus que criou os seres humanos, é Ele quem realmente sabe como lidar com cada situação. O criador do produto sempre saberá melhor do que ninguém como cuidar daquilo que Ele mesmo criou. Não devemos confiar na nossa própria sabedoria, ideias ou opiniões. Da mesma forma, não podemos nos guiar pelos padrões do mundo que nos cercam, ou ainda pelos padrões de nossos familiares ou amigos. Nós devemos ser guiados por Deus nessa tarefa de extrema importância.

AMOR

Um dos ingredientes fundamentais que devemos ter na criação de nossos filhos é o amor. Os pequenos seres humanos, novinhos, recém-chegados, precisam de amor – muito, mas muito amor mesmo. Quanto mais, melhor. Em seus primeiros anos de vida, a coisa mais essencial que devem ter (além, é claro, da alimentação) é amor, cuidado e carinho. Nada pode substituir esse amor.

Uma criança amada se tornará um adulto bem ajustado. Um bebê que recebe amor constante se tornará alguém seguro, que também saberá amar, alguém que se sentirá confortável em amar os outros e receber amor.

Portanto, a melhor e mais essencial fonte desse amor são os pais do bebê. Ninguém jamais amará uma criança como seus próprios pais. Simplesmente não existe substituto a altura para esse amor. Você não pode contratar alguém para amar seus filhos da mesma forma que você os amaria. E essa manifestação do amor toma muito tempo, foco e atenção.

Antes de terem filhos, talvez fosse bom que os casais parassem para pensar e fizessem a si mesmos algumas perguntas. Será que estão realmente preparados para isso? Estão dispostos a se comprometer com o tempo e atenção exigidos para trazer uma criança ao mundo? Estão dispostos a fazerem dessa nova vida sua prioridade, ou há outras coisas que demandam mais suas atenções?

Quando você pensa em ter filhos, está pensando em si mesmo e no seu desejo de ter filhos, ou está também considerando o bem-estar daquela pequena vida que Deus vai confiar aos seus cuidados?

Muitos casais pensam que o “ganhar bastante dinheiro” e uma vida de “sucesso” serão a melhor coisa a oferecer aos seus filhos. Querem “sustentar seus filhos” juntando muito dinheiro para o futuro dos seus descendentes, seja para uma boa escola, moradia, herança, etc. Será que essas pessoas estão realmente pensando em seu filho ou em si mesmos, e por consequência usando o filho como um pretexto para perseguir o que eles realmente almejam?

Muitos pais, usando a desculpa de “ganhar dinheiro para os filhos”, se ausentam de seus lares e também das vidas de seus bebês, perseguindo o dinheiro. Mal sabem eles que filhos pequenos não precisam de dinheiro. Eles precisam de amor e cuidado. Precisam de carinho, tempo e atenção. Eles precisam sentir-se seguros nos braços de sua mãe e pai. Desde que tenham o suficiente para se alimentar, “dinheiro” não é um problema para eles.

Você não pode contratar outras pessoas para amarem os seus filhos por você. Nada que você possa comprar vai compensar a ausência dos pais no lar e na vida de seus pequenos. Empregadas, babás, avós ou outros parentes não conseguem preencher essa necessidade. Seus esforços jamais se equipararão aos verdadeiros pais. O que seus filhos precisam, principalmente durante seus primeiros anos de formação, é de você e de sua atenção constante, cuidado e amor.

Os pais tem apenas poucos anos para incutir em seus filhos um forte senso de serem amados e cuidados. Nada irá substituir isso, jamais. Nem muito dinheiro, educação “de qualidade”, conforto físico ou mesmo heranças poderão compensar a falta de amor durante esses primeiros anos de formação.

Por favor, não faça sua principal prioridade “prover para garantir o futuro dos filhos”. Os pais devem prover o amor que eles necessitam no presente! Fique em casa e ame-os hoje! O futuro está nas mãos de Deus e Ele cuidará do futuro de seus filhos desde que você O obedeça durante a criação deles.

Se você sacrificar as necessidades emocionais dos seus filhos hoje, por “tentar garantir um amanhã melhor”, você acabará criando problemas para o futuro, e não haverá nada que possa resolvê-los, exceto a miraculosa mão de Deus. Nem mesmo um futuro financeiro “garantido” compensará a falta de amor abundante dos pais nas suas vidas.

Muitos jovens hoje estão procurando desesperadamente preencher suas vidas com algo, tal como drogas, sexo, atenção dos outros ou qualquer outra coisa fútil, tudo isso porque não se sentem amados e seguros. Eles não foram criados em um lar cheio de amor, e por isso procuram constantemente compensar essa falta.

Em vários casos eles nem mesmo sabem o que estão procurando, mas apenas sentem uma necessidade desesperadora por algo que eles não têm. É como se tivessem uma coceira os incomodando constantemente, e de alguma forma tentam se coçar.

Grande parte das pessoas que conheci que se declaram “homossexuais” foram criados em lares deficientes no amor. Vários homens assim persuadidos não se sentiram amados por seus pais (figura paterna). Todo menino precisa do amor de seu pai. Na verdade, eles necessitam muito disso. Uma infinidade de “machões” acham que abraçar, beijar e amar seus filhos meninos, fará deles homens fracos ou efeminados. Mas a verdade é exatamente o oposto. Um filho amado se tornará um homem másculo, seguro de si mesmo. Alguns que não são amados vão acabar procurando esse amor em outros homens.

O mesmo é verdade para mulheres. Conheço uma mulher, por exemplo, cuja mãe nunca a pegou no colo, nem sequer sentiu o calor do seu abraço. Essa pessoa, por ser carente de amor, teve muita dificuldade em receber amor, e confiar. Mas por conta dessa complicada desconfiança emocional, ela teve enormes problemas em receber amor quando esse amor lhe era oferecido. A falta de amor na infância causa problemas emocionais enormes, que, com o passar do tempo trazem complicações nas suas vidas sociais e conjugais.

Assim como com os homens, algumas mulheres que sentem a falta de amor materno na infância serão impelidas a preencher essa lacuna através do relacionamento com outra mulher. A necessidade humana de amor é muito forte. É um fator extremamente poderoso que trabalha, mesmo inconscientemente, nas vidas de cada ser humano deste planeta.

Boa parte das atitudes humanas pode ser explicada pelo que as pessoas fazem para satisfazer essa necessidade natural. Aqueles que são criados em um lar amoroso e aconchegante serão membros da sociedade muito mais bem-ajustados.

O que nossos filhos precisam é do nosso amor. Se, por algum motivo, nos acharmos sem amor, então precisaremos nos voltar para Deus para que Ele possa nos suprir. Seu suprimento de amor é ilimitado. Na verdade, Ele é amor (1 Jo 4:8). Talvez achemos nossos filhos irritantes e difíceis. Possivelmente experimentaremos sofrimento físico. Talvez nosso casamento não seja satisfatório... há várias coisas que podem desafiar o nosso amor para com os filhos. Ainda assim, Deus é suficiente para todas essas coisas. Ele pode, e de fato nos dará, um amor ilimitado para cuidarmos das pequenas vidas que Ele nos confiou.

DISCIPLINA

Outro aspecto importante na criação de filhos é a disciplina. Eles devem ser disciplinados de uma forma correta e bíblica. Se não for assim, tanto eles como nós sofreremos as consequências.

Todo ser humano, num grau maior ou menor, já nasce com a tendência a se rebelar. Essa prédisposição pode ser chamada de “independência”, vontade própria, teimosia, gênio forte ou muitas coisas mais. Não importa o nome dado, isso nada mais é do que a tendência a desobedecer. Essa atitude deve ser corrigida se desejamos que nossos filhos cresçam para si tornarem adultos maduros e bem ajustados.

De acordo com Deus – o criador do homem – o que corrige esse problema se chama dor, uma dor causada pela disciplina. Essa “dor”, segundo as escrituras, é causada pelos pais nos filhos desobedientes com algo chamado “vara”. Para muitos pais, deve parecer arcaico pensarem que a dor é o meio certo que alcançará o resultado necessário. Mas, de acordo com o Criador, é o que funciona. Na verdade, é a única coisa capaz de curar a rebeldia.

Em Provérbios 20:30 lemos: “Os golpes e os ferimentos eliminam o mal; os açoites limpam as profundezas do ser.” (NVI). Aqui lemos o que Deus diz. Isso é o que “funciona”. Pode ser que pareça cruel ou brutal, mas é o que nosso Criador ensina a respeito da criatura que Ele fez.

Não é um conceito difícil de entender: A dor, aplicada da forma correta, corrige a rebeldia. Embora muitos se rebelem contra esse pensamento, é a única coisa que realmente funciona. Todos os outros substitutos humanos desse método apenas escondem ou agravam o problema. O diálogo com a criança não atinge a rebeldia. Pequenas punições como não permitir a criança assistir TV ou proibí-la de fazer algo divertido não vai tocar a criança profundamente, a ponto de funcionar contra a rebeldia. Não alcança o coração dela. Da mesma forma, usar a criatividade para distraí-la ou arrumar outras coisas para elas fazerem apenas prolongará ou esconderá o problema da rebeldia.

Obviamente existirão tempos em que seu filho está errando, mas não mostrando rebeldia. Por exemplo, a criança poderá fazer algo perigoso, irritante, não apropriado, tolo ou errado. Nestes casos, disciplina com a vara não é indicado. Os pais podem fazer outras coisas, tais como reordenar a atenção da criança ou explicar-lhe seu erro.

Há muitas situações em que as crianças não expressam rebeldia e, por conta disso, não precisam de disciplina. Nem tudo no dia-a-dia da criança, requer disciplina. Mas quando a rebeldia se apresenta, apenas a dor da vara funcionará.

Você pode achar que sabe mais que Deus, mas você não sabe. Você pode achar que conversar com a criança, orar por ela, fazer pequenos castigos, alguma outra punição menos severa, ou qualquer tipo de restrição imposta, etc., irá corrigir o problema. Ainda que tudo isso possa ser importante e tenha seu lugar, apenas a aplicação da vara, causando dor, vai conseguir tirar a rebeldia do coração de um filho.

Talvez para alguns de vocês leitores, seja difícil imaginar que algo tão bruto como a dor possa ser a resposta a tantos problemas da humanidade. Mas, de fato, é! É Deus quem diz no Seu livro. Lemos: “A tolice está amarrada ao coração de uma criança; a vara da correção livrará a criança dela.” (Pr 22:15).

Também somos ensinados assim: “As lambadas que doem purificam do mal, assim como as marcas [deixadas por lambadas de varas ou chicotes] limpam as partes mais íntimas do coração.” (Pr 20:30). É assim que Deus fez o homem. Isso é o que “funciona”. Não se engane por achar que você sabe mais do que Ele.

Entretanto, essa vara que causa a dor deve ser aplicada de maneira correta. Se não for, nada produzirá, e possivelmente irá piorar a situação. Gostaria de tirar um momento aqui para discutir vários aspectos de como os pais deveriam aplicar o uso da vara.

Em primeiro lugar, e de suma importância, a aplicação da vara deve doer. Deve ser aplicada até que a rebeldia em questão seja quebrada. A “quebra” dessa teimosia rebelde da criança pode ser vista pela forma como ela chora. Se o uso da vara não causa dor suficiente ou não persiste até que a rebeldia seja quebrada, só vai fazer ela ficar ainda mais difícil. Esse tipo de disciplina aplicada erroneamente apenas contribui para endurecer o coração dela, e acaba sendo pior do que fazer nada.

Frequentemente os pais querem evitar a dor. Infelizmente, a dor que eles querem evitar é a deles mesmos. É difícil, e até mesmo doloroso para os pais causar qualquer tipo de dor a seus filhos.

Logo acabam por não usarem a vara, ou simplesmente não a usam de forma efetiva. Assim, eles poupam a si mesmos e a seus filhos de uma dor momentânea, mas acumulam, para si mesmos e também para seus filhos, ainda mais dores futuras como um armazém enorme. Isso será experimentado quando os pequenos crescem e toda essa rebeldia não tratada começa a aflorar.

Se você quiser ter paz, menos dores emocionais, e um bom relacionamento com seus filhos quando eles crescerem, então aplique a vara da correção. Deus nos ensina: “Corrija o seu filho, e ele te dará paz; sim, ele vai encher tua alma de gozo.” (Pr 29:17).

Lemos ainda: “A vara e a repreensão resultam em sabedoria, mas uma criança deixada ao seu bel prazer causa vergonha a sua mãe.” (Pr 29:15). Quantos pais sofrem hoje porque não disciplinaram seus filhos antes! Pensaram estar evitando dor para si mesmos e para seus filhos quando não corrigiram com a vara, mas na verdade estavam apenas guardando situações muito mais dolorosas e prolongadas para o futuro.

Muitos podem pensar que causar dor a um filho é uma expressão de ódio ou falta de amor. Porém, na verdade é o contrário. Quando não disciplinamos, damos aos nossos filhos a mais completa falta de cuidado possível. Somos ensinados na bíblia: “Quem poupa o uso da vara odeia o seu filho, mas quem ama seu filho o disciplina prontamente.” (Pr 13:24). Esse “ódio” é porque quando não os disciplinamos corretamente, de acordo com as escrituras, construiremos para eles um futuro de sofrimento inimaginável. Esse “ódio” se traduz na falta de amor pela criança. É amar a “si mesmos” da parte dos pais.

Os pais tem apenas alguns anos para tratarem a rebeldia de seus filhos. Até aproximadamente seis anos de idade, o caráter de uma criança é moldado. Muitos psicólogos concordam que o caráter de uma pessoa é formado e bem definido até essa idade. Depois disso, disciplinar não vai mudar muito o caráter delas.

Através dos anos eu tenho visto inúmeras famílias com filhos desobedientes que não são disciplinados da maneira correta. Em quase todos os casos, depois dos seis anos de idade, essa atitude por parte das crianças rebeldes parece desaparecer, especialmente em meninas.

Os pais sentem um pouco de alívio. Finalmente acabaram aqueles “dias difíceis”. Mas na verdade, não acabaram. Pelo contrário, quando essas crianças se tornarem adolescentes, a rebeldia aflorará com força total.

Esse desabrochar da rebeldia que não foi tratada no tempo certo, quando chega na adolescência, se manifestará de diferentes formas, que incluem, mas não estão limitados a: atividade sexual mundana com namorados, namoradas, envolvimento com drogas, uso excessivo de bebida alcóolica, problemas mentais, desrespeito à autoridade (especialmente a sua), falta de integridade, etc. O fruto disso tudo serão anos de angústia mental e dor emocional para todos os envolvidos, especialmente os pais.

Tenho visto filhos “criados em lares cristãos” que, depois de entrarem na adolescência, se viciam em drogas, engravidam fora do casamento, tornam-se promíscuas, e muitas outras coisas do gênero. São crianças que nunca foram devidamente disciplinadas.

A aplicação da vara que dói deve ocorrer nas nádegas da criança. Se essa disciplina ocorre muito frequentemente, não está sendo feita corretamente. Quando bem aplicada, essa disciplina não deveria ocorrer mais do que 10 a 15 vezes durante a vida de uma criança. É claro que esse 10 a 15 é um número aleatório, mas, “a verdade” por detrás dele é a mesma. Se disciplinamos frequentemente, se aplicamos a vara muito mais que isso, então o que estamos fazendo não está sendo efetivo. Se aplicarmos a vara corretamente, apenas a menção da disciplina deve causar o resultado esperado nas próximas vezes.

A aplicação da vara deve ter força o bastante, e por tempo suficiente, para quebrar a rebeldia que o pai está tratando naquele momento. Essa parte deve ser enfatizada! Qualquer coisa menos do que isso não funcionará. Se pararmos antes do momento certo, vamos apenas agravar a rebeldia da pobre criança. A disciplina que quebra a atitude rebelde trás respeito e autoridade ao pai, e um “temor” saudável à criança de não pisar fora da linha novamente.

A aplicação da vara, deve ser feita por motivo de rebeldia. Não deve ser uma punição por falta de jeito da criança, acidentes, falta de inteligência, falta de conhecimento, erros triviais e outros tipos de falhas menores. Em geral, a vara deve ser usada quando os pais detectam rebeldia na criança. Essa rebeldia pode se apresentar quando a criança é pega mentindo, desobedecendo a ordem dos pais, fazendo pirraça ou em qualquer outra situação resistir a autoridade dos pais.

Uma correção bem aplicada vai curar esse tipo de comportamento. Vai acabar com tal atitude. Não há necessidade alguma dos pais sofrerem com a rebelião de seus filhos. É triste, mas é verdade: os seres humanos aprendem mesmo através da dor. Se as atitudes de rebeldia e desobediência persistirem, então a disciplina não está sendo aplicada adequadamente.

Alguns professores da bíblia insistem em dizer que não devemos disciplinar nossos filhos quando estamos irados. Tenho que discordar disso. É claro que não devemos ter uma ira descontrolada ou ataque de fúria a ponto de nossa disciplina passar do limite certo e chegar a ser abusiva.

Ainda assim, se você deixar a sua ira passar, pode ser que nunca mais consiga aplicar aquela disciplina necessária. Ou ainda, você pode não ter o ímpeto necessário para aplicar a dor requerida para a quebra da atitude rebelde da criança. Ira em si não é errada, mas toda ira deve estar debaixo do controle do Espírito Santo.

Há quem diga que, se não disciplinarmos nossos filhos, nossa ira pode crescer até resultar em desafeto por eles. Ter filhos que constantemente agem mal e nos irritam é muito desgastante. Se não os corrigirmos, corremos o risco de nos alienarmos deles através do acúmulo da ira não expressada e também da frustração. À medida que o tempo passa, podemos nos tornar distantes e sem contato, porque não os disciplinamos. Isso não é amor.

Por outro lado, disciplinar os filhos com a vara é um ato de amor. A disciplina apropriada é uma das atitudes mais amáveis que você pode fornecer a um filho. Apesar de não parecer amável no momento, de fato é. Na verdade, é um ato de auto-sacrifício da parte dos pais. Eles precisam negar a si mesmos a tomar o caminho mais fácil, de evitar a dor emocional. Eles devem aplicar a vara tendo em mente a melhor intenção em relação ao filho(a). Estão de fato fazendo o que é o melhor para a criança, não permitindo que ela se desenvolva sem disciplina, lhes criando muitas dificuldades na vida futura.

Depois que disciplinamos nossos filhos, é importante lhes demonstrar nosso verdadeiro amor. Depois que aquele gênio forte e a teimosia são quebrados, devemos então, abraçá-los fortemente e mostrá-lhes nosso mais doce amor. Esse é um sinal maravilhoso para eles de que fizeram a coisa certa e se renderam à correção. É a prova de que os disciplinamos com amor e não com ódio. Lhes mostramos que a aplicação da dor foi necessária, e que nossos sentimentos por eles de maneira alguma diminuíram.

Disciplinar os filhos não é o mesmo que abuso físico. Conheço um homem cujo pai o batia frequentemente. Quando ele chegava do trabalho frustrado ou com raiva, achava uma desculpa para começar a bater em seu filho com os próprios punhos ou qualquer outra coisa que ele achasse ao alcance da mão. Ele usava seu filho como um saco de pancadas para aliviar sua frustração. Chegou a ponto de quebrar a mandíbula do seu filho.

Isso não é disciplina. Não é isso que a Bíblia nos ensina. Isso é pura e simplesmente agressão física.

Disciplina não significa “punição”. Uma definição que achei para a palavra “disciplina” é: treinar, ensinar, educar, arregimentar. Uma definição de “punição” é: bater, arrebentar aos murros, espancar, sovar. Mesmo que essas coisas sejam parecidas, não significam que são iguais.

O alvo da disciplina é quebrar as atitudes rebeldes manifestas em nossos filhos. Não significa punir. A duração da disciplina não deve ser relacionada a severidade da rebeldia. Disciplina deve ser aplicada somente até que a atitude de rebeldia seja quebrada. Não deve continuar além deste ponto. Se continuarmos e ir além deste momento crítico arriscamos alienar nosso filhos.

Numa disciplina adequada, a pele não deverá ser rompida. Não deverá aparecer sangue. Disciplina é para o bem da criança. Não é para os pais desabafarem as frustrações sobre o filho. Não devemos bater nos filhos sem misericórdia, por coisas pequenas. Isso é apenas abuso. É evidência de que os pais tem problemas emocionais que carecem tratamento.

DIZER “NÃO”

Os pais devem tomar muito cuidado com a palavra “não”. Se a usarem, devem dizê-la com firmeza e dita por algo importante. Logo, todo desafio e rebeldia contra essa palavra deverá ser disciplinada. Nosso “não” deve significar “não,” e ponto final. Sendo assim, devemos ser muito cuidadosos e sábios quando dizemos “não”.

Muitos pais dizem “não” para quase tudo. Constantemente dizem “não”, ou até mesmo gritam o “não” com seus filhos. Essa atitude não os ajuda, e até os ensina a ignorar suas palavras. Se o seu “não” não for incisivo, se tornar-se-á sem sentido.

Dessa forma, quando dizemos “não” deve ser a respeito de algo cuja consequência pode envolver nossa intervenção. Isto significa que é uma situação onde a disciplina poderá ser usada se nossa palavra não for obedecida. Se não estivermos prontos para levarmos nossa palavra até o final – incluindo a disciplina que poderá ser requerida caso nossos filhos não obedecerem – então é melhor que nem digamos nada. Quando dizemos “não”, mas deixamos a criança fazer o que bem entende, nossa atitude pode ser pior que apenas inútil. A criança acabará aprendendo que “não” significa nada, ou até mesmo que significa “sim”.

Uma situação extrema que pode ser usada como exemplo dos terríveis resultados que esse tipo de “treino” com nossos filhos pode ocasionar. Depois que já tenham crescido, seria um deles forçando a barra ou até mesmo tentando estuprar uma moça. Imagine ela gritando “não”, mas ele não dá a mínima ou até mesmo entende “sim” no lugar do “não”. Quem o ensinou a comportar-se assim? Você o ensinou, através do uso errôneo e indiscriminado da palavra “não!”

O “não”, sem a respectiva disciplina quando suas ordens são desobedecidas, geram a rebeldia e a completa falta de disciplina. Ainda que, depois de cinco ou seis anos de vida, possa parecer que seus filhos se tornaram mais obedientes, quando chegarem a adolescência, toda essa rebeldia pode retornar com mais força. Quando esse momento chegar, não haverá mais forma efetiva de lidar com a situação. Você terá que viver com as consequências.

Quando se diz “não”, é importante explicar à criança o porquê. Você pode dizer: “Não toque no forno, pois está quente e vai queimar sua mão”. Pode ensiná-los: “Não atravesse a rua sem olhar para os dois lados, pois você pode ser atropelado”. Mesmo quando são ainda muito pequenas, as crianças conseguem entender nossas explicações. Conseguem raciocinar a respeito do que dizemos. Logo, uma explicação bem dada, vai ajudá-las a entender porque você as proíbe de algo. Se você não consegue ver um bom motivo para dizer não, provavelmente não deveria dizê-lo.

Alguns ainda (especialmente as mães), por conta de seus próprios medos e inseguranças acabam dizendo “não” para tudo o que a criança deseja fazer. Elas as protegem demais. Acabam criando um mundo impraticável para os filhos, onde eles não podem fazer quase nada. Mais tarde, pode ser impossível para os pais manterem essa realidade, o que pode levar filhos não muito bem ajustados mentalmente, ou muito introvertidos ou extrovertidos, a si encherem de medos ou impulsividades, que de repente tomam ações impensadas por causa das muitas restrições impostas no passado.

Disciplina não significa domínio. Alguns pais dominam seus filhos, tentando controlar todos os aspectos de suas vidas. Essa prática dominadora, pesada e controladora gera rebeldia no coração dos filhos. Esse tipo de atitude não “formará seu caráter”, mas antes o deformará. É tentar fazer do seu filho uma imagem daquilo que você tem na sua mente. É manipulador e danoso da sua parte.

Deus não quer que você dê ao seu filho a forma da sua própria imagem, mas sim da imagem Dele. Ele criou cada indivíduo, inclusive as crianças, para terem e expressarem a Ele próprio. Como parte desse plano Ele deu à cada pessoa a liberdade de escolha, e também a liberdade de ser o que Ele planejou que fôssemos. Como pais, também temos que dar aos nossos filhos, de forma responsável, a liberdade de se desenvolverem da forma como eles devem ser, isto é, de acordo com o que Deus planejou para eles. Não manipule seus filhos para serem como você. Não os domine como um meio de controlá-los. Em vez disso, deixe-os serem livres, mas discipline-os sempre que a rebeldia aparecer.

AUTO DISCIPLINA

Assim sendo, a aplicação correta da disciplina nos filhos, incluindo a vara da dor, gera a autodisciplina. Funciona da seguinte maneira: quando a rebeldia por parte da criança resulta na aplicação da disciplina da dor, que por sua vez quebra a vontade rebelde, a criança parte a pensar duas vezes antes de se rebelar novamente. Devido a aversão à dor e o medo de experimentá-la novamente, a criança aprende a se controlar. Elas podem até pensar em fazer algo, ou serem tentadas a isso, mas a memória da dor as inibe de agir. Dessa forma, elas aprendem a se auto-disciplinar. Elas se tornam pessoas auto-disciplinadas.

Crianças que não são disciplinadas normalmente não tem a autodisciplina. Elas nunca aprenderam a dizer “não” a si mesmas. Se elas desejam praticar algo e em dado momento sentem vontade de fazê-lo, elas simplesmente vão em frente e o fazem. Elas não tem medo das consequências, e nunca experimentaram “freiar” os seus próprios impulsos. Essas pessoas sem a habilidade do autocontrole, sem essa experiência, tornam-se egoístas. Fazem tudo o que querem, não considerando os que estão à sua volta ou as consequências de seus atos para si mesmas e para os outros.

Recentemente ouvi a respeito de um homem que serve de exemplo para esse problema. Ele era feliz no casamento. Ele amava sua esposa. Mas ele se “apaixonou” também por outra mulher. Ele não queria deixar sua esposa, mas também sentia que deveria seguir seus impulsos e ter as duas mulheres, pois ele “amava” as duas.

Pelo fato de nunca ter sido disciplinado quando criança, ele nunca passou pela experiência de negar algo a si mesmo. Ele achava que podia, ou até devia, fazer tudo que seus desejos o levassem a fazer. Ele não tinha a menor consideração pelas consequências na vida de sua esposa ou sua família. Ele achava que seus impulsos naturais e irrestritos deveriam ser seguidos e saciados já que isso “era o que ele sentia”.

Nosso mundo hoje é repleto de pessoas que não tem qualquer autocontrole. Elas não tem disciplina alguma. O resultado é uma sociedade de pessoas egoístas, egocêntricas, que se permitem praticar tudo o que desejam, os quais possuem pouca ou nenhuma consideração pelos que estão ao seu redor. Tais pessoas constantemente pisam nos outros sem se impor-tarem com seus sentimentos, necessidades, tempo, espaço, privacidade, etc.

Muitos jovens estão hoje nas drogas, prisões, na rua, bêbados, divorciados e muitas outras situações porque não foram devidamente disciplinados! Eles apenas seguiram seus desejos desenfreados e acabaram numa armadilha feita por si mesmos.

Eles roubam dos outros. Eles cultivam suas próprias paixões sem consideração às outras pessoas. Eles não controlam seus próprios impulsos. Assim, estão apenas colhendo o fruto da sua falta de disciplina. Não há dúvidas que os pais carregam boa parte da responsabilidade pelo destinos de seus filhos.

Será que é possível errarmos quando disciplinamos nossos filhos? Será que cometemos erros quando gritamos com eles com raiva, aplicando a disciplina erroneamente ou coisas assim? Sem dúvida isso acontecerá. Nenhum de nós é perfeito.

Sendo assim, não devemos ter medo de nós desculparmos com nossos filhos. Não é errado admitirmos nossos erros e pedirmos seu perdão. Isso vai ensiná-los a serem humildes posteriormente em suas vidas e a pedirem perdão quando estiverem errados e precisarem ser perdoados.

NUTRIÇÃO E REPREENSÃO

Em Efésios 6:4 lemos: “...e vocês pais, não provoquem a raiva em seus filhos, mas deem a eles a nutrição através da disciplina e do conselho do Senhor.” (VDP). Aqui vemos que, além da disciplina, os filhos precisam de nutrição e conselho. Eles também precisam de ensinamento. Somos orientados a: “Ensina o seu filho o caminho que ele deve andar, e quando ele for mais velho não se desviará dele.” (Pr 22:6).

A parte que se refere a nutrição no processo de criação de filhos, tem a ver com o cuidado e atenção em amor, os quais já foram descritos. É sem dúvida a base mais importante a se estabelecer nas vidas dos nossos filhos. Eles devem saber em seu íntimo que são amados. Qualquer disciplina e/ou ensino sem essa base de amor necessária, não será efetiva.

Obviamente, cada criança precisa também ser ensinada em vários aspectos básicos de sua vida: elas precisam saber como se manterem limpas e asseadas. Devem ser ensinadas como agir e se comportar em nossa sociedade. Podemos incluir nessa lista: respeitar os mais velhos, como se portar de maneira educada com os outros, qual tipo de comportamento se espera em cada situação.

As crianças devem ser instruídas sobre os perigos em nosso mundo e por essa razão devem ser evitados e/ou lidar com eles cuidadosamente, tais como fornos quentes, tomadas elétricas, atravessar a rua, barulho, revoltas sociais, etc.

Possivelmente há perigos ao redor de onde moramos, tais como plantas ou animais venenosos, pessoas perigosas, locais onde há animais selvagens, e tantas outras coisas possíveis que os adultos aprenderam com o tempo e, devem passar adiante aos seus filhos. De fato, há muitas coisas as quais nosso filhos precisam ser ensinados.

Mas, e sobre as questões espirituais? Como podemos ensinar nossos filhos a andarem no caminho do Senhor? Devemos ter um devocional diário de estudos bíblicos e orações em família? Devemos levá-los à escola bíblica todos os domingos?

O ingrediente de suma importância aqui é a nossa própria vida. Nossos filhos precisam nos ver vivendo Jesus Cristo de forma autêntica e presente. Não há ninguém que possa nos substituir nesse quesito. Se amamos Jesus e estamos seguindo-O, isso se tornará óbvio para nossos filhos. Se eles virem a realidade Dele em nossas vidas, isso se tornar-se-á atrativo para eles.

Nossos filhos são ótimos observadores. Eles veem tudo o que acontece em casa. Se os pais são amorosos um com o outro, se tratamento mútuo de respeito, se eles tem a presença do Senhor neles e ao redor deles, os filhos notarão e desejarão o mesmo para si. Mas se somos rabugentos, faltamos com amor, não perdoamos, somos egoístas, desagradáveis – não importa o que falemos a respeito de Deus para eles. Se brigamos com nosso cônjuge, se somos rudes um com o outro, impacientes, desonestos, "reclamões", do contra, então o que dizemos aos nossos filhos sobre Jesus ou sobre a bíblia torna-se incoerente.

Nesses casos, estudos bíblicos em família, escolas dominicais ou até ministérios na igreja não compensarão as nossas deficiências. Atividades religiosas não falarão mais alto do que as nossas próprias vidas.

Se não funciona para nós, por que nossos filhos iriam querer algo assim? Se nosso cristianismo é apenas de palavras e não está diariamente mudando profundamente nossas vidas, por qual motivo nossos filhos achariam que funcionaria para eles? Como nós vivemos diante dos nossos filhos é essencial. Se nosso relacionamento com Jesus não for genuíno o bastante para nos moldar a ponto de sermos como Ele é, então, tudo o que dissermos ou fizermos terá um efeito insignificante.

Outro ingrediente essencial quando instruímos nossos filhos sobre assuntos do Senhor é que jamais deveríamos forçá-los a isso. Este é um princípio absoluto. Repito, jamais devemos forçar nossos filhos a absorverem as coisas espirituais. Nunca devemos desrespeitar a vontade deles quando se trata das coisas de Deus.

Além disso, o fato que dessa forma não funcionaria com eles, ela viola o princípio absoluto do livre arbítrio que Deus estabeleceu. Na aplicação da disciplina terrena, que envolve o tratamento da rebeldia e outras atitudes que mencionamos anteriormente, nós precisamos violar a vontade de nossos filhos, mas nunca em relação das coisas de Deus.

Se nossos filhos não querem ouvir, não fale. Se os seus ouvidos e corações estão fechados não os force a ouvir. Se você insistir em “empurrar” Jesus em seus filhos, eles irão rejeitá-Lo e se inclinarão para outro caminho. Mesmo que você não perceba, isso vai ocorrer secretamente em seus corações. É muito fácil para um pai dominar um filho e forçá-lo em relação as cosias espirituais, mas isso é algo danoso e fora da vontade de Deus. Jamais produzirá bons frutos.

Os pais devem aprender a andar no Espírito antes de apresentarem Deus a seus filhos. Espere por “momentos propícios”. Procure pelas ocasiões nas quais eles se mostram interessados e com fome de aprender. Crianças são naturalmente curiosas. Elas farão perguntas. Então, quando elas nos virem vivendo algo atrativo e genuíno, elas vão querer saber mais sobre essa vida e vão nos questionar. Quando fizerem isso, aí sim, você poderá compartilhar com elas. Ainda assim, quando chegar a esse ponto, diga a elas apenas o que querem saber, e nada além disso.

Eu chamo isso de “princípio do filhote de pássaro”. Quando minha irmã e eu éramos pequenos, de vez em quando encontrávamos um filhote de pássaro que caíra do ninho. Já que não conseguíamos devolver o bichinho para o seu ninho, nós tentávamos cuidar dele. Cavávamos minhocas e pegávamos insetos para o alimentarmos.

Com essas experiências eu aprendi algo importante: quando seus bicos enormes estavam abertos conseguíamos os alimentar; quando estavam fechados, não havia nada que fizéssemos que pudesse persuadi-los a comer. Não adiantava tentar forçá-los ou mesmo tentar abrir seus bicos. Tínhamos que respeitar e aguardar a vontade de se alimentarem.

É da mesma forma com filhos. Quando eles estiverem com fome e “abertos” para as coisas do Senhor, alimente-os o máximo que puder. Mas quando seus “bicos” estiverem fechados, não os force. Nesses momentos, pare, espere e ore.

Pense nisso! Deus nunca, em momento algum, nos força a querê-Lo ou fazer a Sua vontade. Ele sempre respeita a nossa vontade, nunca viola essa premissa. Apesar de trabalhar nas nossas vidas para nos corrigir quando nos aproximamos Dele, Ele nunca nos força a fazermos Sua vontade. Será que podemos fazer com nossos filhos o que Deus jamais faria conosco? Será que podemos, em Seu nome, forçar nossos filhos, naquilo que é espiritual, de tal forma que o próprio Deus nunca agiria? Acho que não.

Você se lembra de Eva? Lá estava ela, no jardim do Éden, com o fruto proibido em sua mão. Ela estava com a boca aberta pronta para dar uma mordida. E com essa mordida ela iria destruir toda criação de Deus. Com esse bocado, a morte teria seu início, junto com toda sorte de pecado. Assassinato, estupros, doenças, guerras, roubos, mentiras, traições, ódio e todos os tipos de maldades que hoje enchem esse mundo brotariam. Até mesmo a natureza seria modificada a ponto de surgirem ervas daninhas, os animais começariam a matar e comer uns aos outros, alguns deles se tornariam venenosos, pragas de insetos proliferariam e muitas outras coisas semelhantes ocorreriam.

Mesmo diante de todo esse mal, Deus não a deteve. Ele nem mesmo sussurrou em seus ouvidos algo do tipo: “Eva, psiu, Eva... o que você está fazendo? Você não se lembra do que eu disse? Larga isso.” Em vez disso, Ele respeitou o livre arbítrio dela e deixou que ela destruísse Sua terra recém criada. Podemos nós, como Seus representantes, agir de maneira diferente com nossos filhos? Nós temos que respeitar seu livre arbítrio sobre as coisas espirituais.

Então, como nossos filhos terão fome de Deus e de coisas espirituais? Somente através da nossa vida e por meio das nossas orações. Devemos orar por eles e viver Cristo diante deles de forma real e atrativa. Dessa forma eles estarão dispostos e desejosos a receber tudo que pudermos ministrar à eles.

Quando virem nosso amor, quando observarem nosso comportamento em relação a outros, quando nos virem como pessoas humildes, amorosas, que perdoam, eles vão querer isso para si mesmos. Assim, quando estivem “abertos e famintos”, poderemos compartilhar com eles o que Deus nos tem revelado sobre Si.

Mas se o testemunho de nossas vidas não for convincente, se nossas vidas forem diferentes do que fingimos acreditar, então dificultaremos muito o trabalho de Deus nas vidas de nossos filhos. Não adiantará qualquer tipo de “estudo bíblico”, orações em família ou “indo à igreja”, se nós mesmos não somos transformados à imagem de Jesus.

O melhor a fazer é entregarmos nossas vidas a Deus. É amá-Lo e segui-Lo. É deixar a Sua vontade nos dominar a tal ponto que não apenas nossos filhos, mas todos ao nosso redor, sentirão o doce aroma de Jesus em nossas vidas. É isso que levará tanto nossos filhos quanto os outros à Ele.

Dessa forma seremos capazes de instruir nossos filhos. Através das nossas vidas e palavras, eles aprenderão sobre Deus e Seu caminho. Eles verão com clareza a vontade Dele pelas nossas ações e ouvirão Sua palavra através das nossas palavras. Eles mesmos serão levados a um relacionamento com Ele, que resultará em salvação e transformação contínua na imagem gloriosa do Deus vivo.

O TRABALHO DE DEUS EM NÓS

Deus também usa a dor para disciplinar-nos, Seus filhos! Muitas pessoas que se convertem ao Senhor se convertem como pessoas indisciplinadas. Quando elas eram crianças não foram disciplinadas, e assim, quando são convertidas, se achegam a Deus ainda com uma rebeldia profunda e bem estabelecida em seus corações.

Dessa forma, quando Deus deseja estabelecer Sua autoridade sobre essas pessoas, Ele encontra em seus corações resistência e rebeldia. Essas circunstâncias resultam na disciplina que vem do Senhor. Nós lemos: “Pois o Senhor castiga a quem Ele ama, e acoita {bate com uma vara ou chicote} todo filho a quem Ele recebe.” (Hb 12:6 VDP).

Nem sempre a disciplina do Senhor envolve castigos físicos, porém é muito dolorosa e pode levar um bom tempo, as vezes por muitos e muitos anos. Essa disciplina dada por experiências dolorosas não é resultado da ira de Deus. É sim, o resultado do Seu amor por nós. Em Sua infinita sabedoria, Ele sabe o que é essencial para que a nossa rebeldia seja subjugada e removida. Para atingir esse propósito Ele utiliza nossas circunstâncias, nossos relacionamentos, nossa saúde e tantas outras coisas para aplicar Sua vara de disciplina em nossas vidas.

Deus sabe onde aplicar Sua “vara”, onde realmente dói, e dói prá valer. Isso ocorre, pois Ele vê algo em nosso coração que precisa ser tratado. Esse algo precisa ser quebrado e removido pela disciplina. Ele sabe que essa rebeldia em nós não nos permite a entrada para Sua nova criação. Logo, Ele aplica com amor a Sua “vara” para que nós possamos estar completamente preparados e submissos a Ele quando Ele voltar.

Quando disciplinamos nossos filhos, nós os preparamos para receberem e obedecerem à Jesus. Somos ensinados pelas escrituras: “Não deixe de corrigir um filho, pois se você o bater com uma vara, ele não morrerá. Você deve bater nele com uma vara, e salvar a alma dele do inferno.” (Pr 23:13,14). Como é que esses golpes de vara vão “salvar a alma dele do inferno?

Ao disciplinarmos nossos filhos corretamente, através da quebra da rebeldia dentro deles, os preparamos para quando Jesus entrar em suas vidas e começar a reinar sobre eles. Tais indivíduos, com a rebeldia já quebrada, aceitam mais facilmente o governo de Cristo e prontamente tornam-se Seus seguidores e discípulos. Se não forem bem preparados, é Jesus quem tem que assumir essa disciplina depois, por conta própria. Em alguns indivíduos, isso leva muitos e longos anos de dor, frustração e dificuldade.

Tenho visto muitos crentes que vieram a Cristo sem disciplina, com um gênio forte e teimoso, passarem por incrível sofrimento. Alguns deles sofreram intensamente por mais de 30 anos. Eles “viveram um inferno”, falando de forma figurada. Quando se converteram ao Senhor já adultos, sua rebelião desenfreada já estava profundamente enraizada e muito forte em seus corações.

No entanto, os pais desses indivíduos poderiam tê-los poupado de tamanho sofrimento. Através do uso correto da vara, eles poderiam ter preparado seus filhos para o governo Divino. Podemos estar certos de que uma pessoa rebelde não entrará no reino vindouro de Deus. Então Deus terá que achar meios e formas de tratar essa rebelião antes da Sua vinda. Acabamos de falar como Deus usa o sofrimento nas vidas de Seus filhos para resolver esse problema. Assim sendo, Deus precisará encontrar a cura para essa condição tão séria, antes que comece a eternidade. Esse tratamento pode ser ainda severo e de longa duração.

TENTANDO ESCAPAR DO SOFRIMENTO

Muitos cristãos tentam escapar do sofrimento em que se encontram, buscando sair da situação que os está causando sofrimento. Frequentemente é o relacionamento que temos com outras pessoas que nos causa desconforto e dor. O casamento, que é o relacionamento mais íntimo que podemos ter, geralmente é o maior causador de tais dores. Sendo assim, muitos imaginam que a troca de parceiro(a) irá amenizar o problema. Eles vão de um casamento para o outro, de divórcio em divórcio, tentando escapar. Muitos dos tais saem da frigideira para cair no fogo. Casamentos sequentes não serão melhores, mas sim piores.

Uma amiga minha, recentemente contou-me de uma estatística triste que ela percebeu: a cada dez amigas suas que se divorciaram e casaram novamente, nove desejavam desesperadamente voltar ao seu primeiro marido.

Quando sofremos intensamente, nós choramos e reclamamos. Oramos e oramos. Tentamos desesperadamente achar uma saída. Geralmente não a encontramos. Isso ocorre porque Deus está usando essa situação para o nosso próprio bem. Ele está usando Sua vara da dor para tratar de alguma rebelião incrustada em nós. Estamos tentando muitas vezes fugir de uma situação que o Senhor trabalhou para que estivéssemos nela. Tentamos nos salvar do sofrimento, e Deus está tentando nos salvar através do sofrimento.

Quando somos “atingidos” pela disciplina, precisamos entender quem a enviou. Foi o nosso amado Pai celestial. Lemos: “Atentem para a vara e para Aquele que a ordenou.” (Mq 6:9). Além disso, devemos buscá-Lo para que possa completar o que Ele determinou: Seu trabalho em nós. Se formos desejosos e cooperarmos, as coisas andarão melhor.

É claro que é muito difícil ver isso quando estamos passando por momentos difíceis e dolorosos. Não parece amor aos nossos olhos. Ainda assim, as escrituras nos dizem que é de fato amor. Lemos: “Considerem tudo com alegria, meus irmãos, quando estão cercados de muitas provações, sabendo que a sua fé quando testada produz paciência.” (Js 1:2,3 VDP).

Pedro também diz: “…mesmo que agora por um curto período faz-se necessário que vocês sejam perturbados por várias provações. Essas são necessárias para o teste da fé de vocês, que é mais valiosa que o ouro que perecerá, e que agora está sendo testada pelo fogo mas que então será apresentada como um motivo para louvor, glória, e honra quando Jesus o Ungido aparecer.” (1 Pe 1:6,7 VDP).

Quando então se encerrará aquele sofrimento e aquela dor pela qual passamos? Ela terminará quando produzirem em nós os resultados esperados por Deus. Vai cessar quando não formos mais como éramos antes. Será quando o nosso sofrimento tiver produzido fruto – o fruto pacífico da retidão de Deus.

Lemos: “...e vocês se esqueceram completamente da exortação se direcionado a vocês como filhos, dizendo ‘Meu filho, não sejam desatentos a disciplina do Senhor ou dormentes quando são corrigidos por Ele. Pois todo aquele que o Senhor ama, Ele disciplina, e Ele castiga com chicote todo filho que recebe.’

Se você experimenta tal disciplina, Deus está lidando com você como filho, pois que filho existe que não seja disciplinado pelo pai? Mas se vocês não tem a correção disciplinar a qual todos os filhos compartilham, então vocês não são legítimos e não são filhos. Além do mais, tivemos pais naturais que nos corrigiram e a quem prestamos nosso respeito. Não deveríamos muito mais nos submetermos ao Pai dos espíritos e termos mais de Sua vida?

Pois eles, por um lado, nos disciplinaram por um curto período da forma como achavam certo, mas Ele, por outro lado, o faz para o nosso próprio benefício, para que possamos compartilhar da Sua santidade. Toda essa disciplina não parece ser agradável, mas antes é dolorosa no momento, mas depois ela produz o fruto pacífico da retidão de Deus, naqueles que foram treinados a isso.” (Hb 12:5-11 VDP).

Deus é um excelente padeiro. Ele não deixará o pão queimar ou ficar passado. Quando estamos prontos, quando o fogo de nosso sofrimento concluiu Seu trabalho e nós estamos preparados, Ele nos tirará da fornalha das nossas aflições e nos porá nos Seus lugares mais altos.

CONCLUSÃO

Sem dúvida há muitos que não concordarão com o fato de que causar dor no bumbum de seus filhos é a solução dada por Deus. São aqueles que não suportam a ideia de administrar uma solução dolorosa. Eles simplesmente não querem causar dor em seus filhos, ou apenas não querem experimentar um estresse emocional em si mesmos. Talvez acreditem que a vara da dor seja um método bárbaro e cruel para treinar e educar uma criança.

Outros ainda podem pensar que tal disciplina seja arcaica, e que a “sociedade moderna” não tem necessidade de chegar a esses extremos. Deve haver uma “melhor forma” de treinar uma criança. Logo, elas tentam inventar suas próprias soluções. Podem ser ideias que envolvam um pouco mais de diálogo, razão e psicologia com a criança, e até mesmo, ainda que em proporção menor, esses tipos de pequenas “punições” ou privações, na tentativa de controlar a rebeldia nela.

Tais pessoas parecem pensar que elas são mais sabedoras que Deus. Elas imaginam que têm um entendimento mais profundo, melhor, e até mais tolerante da natureza humana, em como lidar com essa natureza. Isso tudo, de fato, não passa de tolice. O Criador sabe exatamente o que funciona e o que não funciona.

O que tais pessoas não enxergam é que essas doses relativamente curtas, mas intensas de dor física, irão de fato poupar seus filhos e todos que tiverem algum relacionamento com eles no futuro, de anos e anos de dores emocionais. Além disso, o estresse emocional que você poderá sentir quando causar no seu filho essa dor temporária, jamais poderá se comparar com o estresse duradouro que você sentirá se não discipliná-los na infância.

Os resultados dessas sessões, pouco frequentes, mas intensas com a vara são muito superiores aos resultados por não ter usado a vara. A aplicação da disciplina orientada por Deus irá, na verdade, salvar seus filhos, e a você também, de toda uma vida de agonia causada pela rebeldia de uma pessoa não disciplinada.

Quando Deus lhe dá filhos, obedeça a Ele em como criá-los. A forma determinada por Deus funciona. A sua forma não funciona. Não pense que você sabe mais do que Deus.

NOTA:

ONDE VOCÊ MORA

É possível que você more num país que tem leis contra disciplina física de crianças. Neste caso, você pode acabar enfrentando algumas escolhas sérias sobre este assunto. Vai obedecer a Deus ou a sociedade?

Em tais circunstâncias, um crente deve usar de sabedoria. Não é sábio disciplinar seus filhos na frente dos outros ou publicamente. Às vezes, disciplina tem que esperar até poder ser aplicada privativamente onde ninguém verá. Sendo que foi Deus que deu a você filhos, Ele ajudará você a achar meios para poder obedecê-Lo na criação deles. Aprender a ouvir Dele nesta área essencial de disciplina.

Final de Capítulo 2

A sigla “VDP” que se encontra frequentemente neste livro se refere ao tradução do Novo Testamento “Vida Do Pai” que esta para ser editado no futuro por este ministério.

SEMENTES 2 ÍNDICE

Capítulo 1: ACIMA DE TODAS AS COISAS

Capítulo 2: CRIAÇÃO DE FILHOS (Capítulo Atual)

Capítulo 3: O DINHEIRO DE DEUS

Capítulo 4: PENSAMENTOS A RESPEITO DA LEI

Capítulo 5: UMA GAIOLA CHEIA DE PÁSSAROS

Capítulo 6: ANCIÃOS (PRESBÍTEROS) E DIÁCONOS

Capítulo 7: É POSSÍVEL A PERFEÇÃO?


Se você quiser pode baixar este capítulo como PDF aqui.

Sempre estamos procurando oferecer livros em mais idiomas.


Quer nos ajudar traduzindo ou revisando livros?

Como ser um voluntário