Ministério Grão De Trigo

ACIMA DE TODAS AS COISAS

Tomem Cuidado Com O Fermento Dos Fariseus!

Este panfleto também é um capítulo no livro “Sementes 2” o livro completo pode ser baixado em formato eletrônico aqui.
Tomem Cuidado Com O Fermento Dos Fariseus! escrito por David W. Dyer

SEMENTES 2 ÍNDICE

Capítulo 1: ACIMA DE TODAS AS COISAS (Capítulo Atual)

Capítulo 2: CRIAÇÃO DE FILHOS

Capítulo 3: O DINHEIRO DE DEUS

Capítulo 4: PENSAMENTOS A RESPEITO DA LEI

Capítulo 5: UMA GAIOLA CHEIA DE PÁSSAROS

Capítulo 6: ANCIÃOS (PRESBÍTEROS) E DIÁCONOS

Capítulo 7: É POSSÍVEL A PERFEÇÃO?


Quando Jesus caminhou fisicamente por esta terra, Ele ensinou muitas coisas aos Seus discípulos. Como Seu tempo aqui foi breve, sem dúvida tudo o que Ele ensinou possui extrema importância. Seu tempo não foi desperdiçado discutindo assuntos triviais. Quando ensinava, Jesus na verdade expressava aquilo que era essencial para os Seus seguidores – as coisas que Ele havia recebido de Seu Pai (Jo 17:8). Com isso em mente meditemos sobre um perigo do qual Jesus nos advertiu: para que tomássemos cuidado com o fermento dos escribas e fariseus.

Veja: quando Jesus disse isso, deu ênfase a essa questão de maneira especial. Para Ele, essa era uma mensagem extremamente importante para que a entendêssemos. Na realidade, era tão essencial que Ele colocou essa questão no mais alto nível, dentre os Seus ensinamentos. Ele estabeleceu esse assunto como um dos que tem maiores consequências para nossa vida.

Ele disse: “Acima de todas as coisas, tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” (Lc 12:1). Veja que Ele veementemente afirmou este ensinamento quando disse: “Acima de todas as coisas”. Com certeza é algo muito importante mesmo! É a chave para sabermos como obedecer e seguir a Jesus. Assim sendo, vamos tirar um tempo para investigarmos o que exatamente Jesus está ensinando aos Seus discípulos.

É possível que muitos tenham lido esse versículo repetidas vezes e, ainda assim, não o tenham entendido. Da mesma forma que os discípulos de Jesus ficaram confusos e não conseguiram entender o que Ele estava dizendo, nós também podemos ler e reler essa passagem sem recebermos a verdadeira revelação do que Jesus estava querendo transmitir. No entanto, já que Jesus enfatizou esse ensinamento de maneira tão clara, devemos considerá-lo crucial e, então, buscarmos entender o que Ele está realmente nos ensinando.

Inicialmente, devemos entender que esta palavra “hipócrisia” tem origem na palavra grega “HYPOKRITES” que significa uma pessoa que atua em uma peça teatral. A partir disso podemos entender que, em sua essência, um hipócrita é um ator. É alguém que simula ser algo que ele não é.

Como os bons atores fazem o seu trabalho? Basicamente, eles estudam o que imitarão. Eles podem ler sobre o personagem; conhecê-lo pessoalmente; ou ainda, podem assistir alguns vídeos sobre a vida dele. Durante o processo de aprendizagem, os atores memorizam as expressões faciais, estudam sua maneira de agir, seu modo de vestir e como ele age ou reage em diferentes situações. Eles aprendem a imitar a voz e o jeito de falar e até mesmo a pensarem como tal pessoa.

Então eles aplicam tudo o que aprenderam imitando a pessoa que tanto estudaram. Eles começam a atuar e falar como se fossem aquela pessoa. Os atores que realmente são talentosos acabam por produzir uma imitação muito convincente sobre a pessoa em questão.

E como aplicaremos isso em nossa caminhada com Jesus? O que há de tão especial sobre esse tipo de atividade (a imitação) que é tão importante para que a evitemos? Por que Jesus nos advertiria tão enfaticamente contra tal comportamento? Vamos examinar essas questões juntos.

Atualmente, muitos crentes estudam suas bíblias e leem sobre Cristo nas escrituras, especialmente no Novo Testamento. Através da leitura, conseguem extrair muitas verdades sobre o caráter e a personalidade de Jesus. Aprendem sobre como Ele nos ensinou a viver, expressando muitas virtudes que Jesus deixou como alvo a alcançar.

Estudam sobre a necessidade de praticar o perdão uns aos outros; veem como devem ser generosos com o dinheiro e o tempo que possuem; entendem a importância da mansidão e humildade; são ensinados que sofrerão perseguições e a permanecer fiéis em todo tipo de provação e tribulação. Finalmente, acabam por entender que devem amar a todos em todo tipo de situação.

Mas muitos cristãos, quando começam a entender essas virtudes e ver que Deus requer deles a expressar e prática desses ensinamentos em suas vidas, logo começa a imitação do que têm visto nas escrituras. Na verdade, começam a atuar aquilo que têm aprendido.

Para muitos, a vida cristã baseia-se em aprender e aprender, cada vez mais. Aprendem como louvar, orar, a expulsar demônios, estudar a Bíblia, evangelizar e como fazer muitas outras coisas.

Muitos usam seu tempo estudando a Bíblia ou ouvindo aqueles que a estudam, constantemente tentando viver suas vidas em conformidade com o que veem nas escrituras. Mudam seus cabelos e seu jeito de vestir. Tentam mudar sua forma de falar. Tentam tratar os outros de forma diferente do que faziam anteriormente. Tentam, inclusive, controlar seu “homem” interior, isto é, seu temperamento, seus desejos e até mesmo seus pensamentos. Talvez, os que têm um gênio forte, os mesmos que acabam parecendo “bons”, chegam a produzir algo que pode ser visto como uma imitação de Jesus.

Ainda assim, em muitos, a vida interior não corresponde ao que aparentam ser diante de outros cristãos. Suas ações não são o resultado de uma transformação do seu “homem” interior. Suas vidas não são a expressão espontânea da natureza de Jesus, mas apenas uma imitação dessa natureza. Eles não são de fato o que fingem ser. Em vez disso, seu comportamento é resultado do que estudaram e aprenderam. Passa a ser uma simples reprodução ou simulação de como acham que devem agir. Nada mais é que uma representação teatral. Essa realidade é revelada em suas vidas particulares.

Quando estão sozinhos, e ninguém mais os está vendo, quando estão apenas com suas famílias e amigos mais chegados; suas ações são diferentes. Seu caráter, no contexto privado não condiz com seu agir em público. Essa é a realidade de muitos e muitos cristãos.

Da mesma forma, durante os momentos de estresse, dor ou dificuldades, o que tais crentes normalmente expressam, não são as virtudes que tanto fingem viver diante dos outros. Quando situações extremas aparecem, não é a natureza de Jesus que aflora em suas vidas. Eles ficam irritados, bravos, ofensivos ou egoístas. Fazem ou dizem coisas que machucam os outros.

Quando a dor de alguma situação ou tentação surge, anulam toda habilidade que adquiriram para agir “como um bom cristão”. É então que, de seus corações brota aquilo que realmente lá dentro está. Na maioria das vezes, o que sai não é nada bonito.

Muitos percebem que suas vidas não alcançam os padrões de Deus. Então eles escondem os seus pecados dos outros e tentam ocultá-los até de si mesmos. Talvez se consolem por pensar que todo mundo é igual a eles. Afinal de contas, pensam eles: ninguém é perfeito! Logo, ainda que tenham coisas em seus corações dos quais não aprovem e, que até mesmo reprovem, eles simplesmente põem uma máscara de bonzinhos diante de outros cristãos para que não sejam rejeitados pelo grupo.

Esse tipo de cristianismo é muito comum! É o que muitos consideram bom e até mesmo correto. Na verdade, esse “agir como cristão” é quase um método aceito universalmente por inúmeros crentes ao redor do mundo. O que poderia ser mais correto do que tentar colocar em prática o que aprendemos na Bíblia? O que poderia ser melhor do que o “cristianismo bíblico”? Não devemos, de fato, imaginar o que Jesus faria em cada situação e, depois, tentarmos praticar tais coisas?

Por que Jesus nos adverte tão forte e claramente contra tais atividades? É porque são apenas imitações, nada mais que uma peça de teatro. Nada mais é do que um ser humano tentando comportar-se como Deus.

Como tudo isso pode chocar, e até mesmo ofender alguns leitores, vamos tirar um tempo para investigarmos isso juntos.

Inicialmente, temos que afirmar aqui que Jesus realmente espera que Seus seguidores expressem todas as Suas muitas virtudes. As poucas aqui mencionadas anteriormente são apenas um pequeno exemplo das inúmeras características de Sua vida santa. Sim, Ele verdadeiramente espera que nossas vidas sejam cheias Dele e, em verdade, expressem todos Seus atributos maravilhosos. Não podemos, e de fato não devemos, nunca, simplesmente nos isentarmos de tal santidade e pureza por imaginarmos que isso é impossível.

Infelizmente, muitos crentes, depois de tentarem por muitos anos alcançar tais virtudes, simplesmente desistiram e mudaram sua teologia para se isentarem da expectativa de terem bastante santidade em suas vidas.

Afinal, qual é o plano de Deus? Como podemos alcançar o que vemos na Bíblia se não imitarmos aquilo que lemos a respeito? Como podemos ser visível e verdadeiramente justos? Qual é o caminho, senão o de estudarmos a Bíblia e tentarmos praticar o que lemos nela? Como podemos evitar sermos meros atores no palco cristão?

A VIDA DO PAI

Quando Jesus veio à terra, Ele foi a expressão de algo muito precioso – a vida do Pai. Nós lemos: “Nele estava a vida do Pai e essa vida era a luz dos homens.” (Jo 1:4 VDP). Essa palavra “vida” em grego é ZOÉ, que é usada quase exclusivamente no Novo Testamento referindo-se a vida do próprio Deus.

Jesus era cheio desta vida sobrenatural. Apesar Dele ter herdado de Sua mãe Maria uma vida humana, Ele escolheu viver por essa vida superior que estava dentro Dele – a vida do Seu Pai: Deus! Ele disse: “Assim como o Pai me enviou e eu vivo pelo Pai...” (Jo 6:57 VDP). Veja que este foi o segredo da vida santa de Jesus. Ele “vivia pelo Pai”. Suas incontáveis virtudes, grandioso poder, incrível santidade, amor e serviço à humanidade eram o resultado da vida Divina dentro Dele. Jesus não estava imitando o Seu Pai. Não estava atuando como um ator. Ele estava apenas expressando a natureza da vida santa que estava dentro Dele. Ele deixava a vida de Deus viver através Dele.

Deus é santo! Ele é justo, reto e bom. Ele não está meramente tentando ser assim. Não é o resultado de um esforço da parte Dele. Ele simplesmente é assim! A palavra “justo” é a definição da Sua natureza santa. Todas as virtudes que lemos na Bíblia a respeito Dele são apenas a expressão da natureza de Deus. Jesus falou e agiu, expressando tais características santas, como resultado da vida do Pai dentro Dele.

Não apenas isso, mas, como Deus é por natureza santo, Ele sequer pode ser tentado pelo pecado (Tg 1:13). Na verdade, Ele abomina o pecado. De maneira alguma o pecado exerce qualquer atração a Deus.

O pecado é, de fato, qualquer coisa que seja contrária à natureza de Deus. Foi Ele quem criou o universo e tudo o que nele há. Ele é o Ser Supremo. Ele é o Mestre de tudo. Como Ele é o criador, é o Seu caráter que define o que é certo e o que é errado. As coisas “certas” são as que harmonizam com o que Ele é. As coisas “erradas” são aquilo que violam ou são contrárias a Sua natureza.

O pecado é o que separa o homem de Deus. Isso ocorre quando praticamos coisas que são opostas a quem Deus é. É isto que causa uma separação entre nós e Ele. Pense nisso! Se você conhece alguém que constantemente age de maneira ofensiva, você começa a evitar esse tipo de gente. Não é nem um pouco agradável para você ter gente assim ao seu redor. Eles sempre te enervam, por fazerem e dizerem coisas que você não aprova. Dessa forma, você se distancia de tais pessoas para minimizar ou até eliminar a experiência desagradável de estar perto delas.

De maneira semelhante, o pecado nos separa de Deus. Além disso, os que vivem em pecado têm a tendência de evitarem intimidade com Deus, já que a própria consciência os perturba ao aproximarem-se Dele.

Como resultado da rebeldia de Adão e Eva, a humanidade caiu em pecado. Sua natureza humana foi alterada e tornou-se pecaminosa. A queda de Adão e Eva foi desastrosa, não apenas para eles, mas para todos os seus descendentes. Essa alteração da sua natureza foi profunda e irreversível. Eles, tornaram-se pecaminosos e, por consequência, nós também. Pecamos, não porque escorregamos de vez em quando e erramos, mas porque isso é parte intrínseca da nossa natureza: produzir o pecado.

A humanidade gosta de ignorar e esconder esse fato. A sociedade tenta com todas as forças mostrar um tipo de “retidão”, varrendo para debaixo do tapete a parte feia da natureza humana. Inventam por si mesmos um conjunto de regras mais fáceis de obedecer e condenam os que violam essas regras como sendo os “verdadeiros pecadores”. Assim, a sociedade cria uma forma humana – mais fácil – de retidão, tal como: não comer animais ou não criticar pessoas que tem certas tendências sexuais.

Porém, a verdade é que todos nós somos pecadores. Os piores e mais repugnantes pecados estão guardados dentro do coração de cada homem e mulher. Mesmo que muitas dessas expressões podres do pecado sejam mantidas em “cheque” através de normas sociais, nossa consciência, leis, policiamento, etc., o pecado habita dentro de cada pessoa.

Como mencionado anteriormente, as expressões mais “feias” do pecado são mais frequentemente expostas quando estamos sob pressão extrema. Quando tudo está indo bem, normalmente conseguimos esconder nossos impulsos internos de nós mesmos e dos outros. Mas, quando nos encontramos debaixo de situações insuportáveis como estresse, dor ou medo é que essas coisas são manifestas.

Um exemplo que demonstra isso é o que aconteceu em Nova Orleans (estado de Luisiana, nos Estados Unidos da América) depois de um furacão devastador que ocorreu há não muito tempo atrás. Quando os serviços de utilidade e recursos públicos foram interrompidos, as pessoas ficaram sem comida e água. Repentinamente, elas se encontravam em um cenário de fome e sede que poderia levá-las à morte.

Nessa situação de condições extremas, vizinhos do que se conheciam há anos começaram a agir de maneira diferente que faziam antes. Em vez de se cumprimentarem e serem amigáveis uns com os outros, eles começaram a atacar e, até mesmo a matarem-se para conseguir tomar o que necessitavam para sobreviver. Sob tamanha privação, o pecado que estava escondido lá no fundo do seus corações achou espaço para sair e expor-se.

Alguns podem justificar esse tipo de comportamento jogando a culpa nas circunstâncias em que os mesmos ocorrem. No entanto, deixe-me ser franco com você! Nada pode sair de você sem que antes já tenha estado dentro do seu coração. As circunstâncias não fazem de você quem você é, elas apenas manifestam o que você é!

Circunstâncias apenas removem as inibições naturais e as limitações sociais que escondem de nós mesmos e dos outros o que somos. A verdade é que somos capazes dos pecados mais horríveis. Assassinato, estupro, ódio, roubo e todo tipo de coisa indecorosa vive dentro do coração de cada ser humano. Se você não sabe disso sobre si mesmo, é porque nunca esteve em uma situação extrema, na qual o que está dentro de você fosse exposto.

Já ouvi dizer, por exemplo, sobre situações tais como acidente de ônibus ou de carro, em que os sobreviventes ou outros por perto, roubaram os mortos ou feridos, aproveitando a situação como uma oportunidade para levar vantagem. Isso é uma expressão da natureza humana caída aflorando.

Não estou insistindo aqui que todos os seres humanos pecarão da mesma forma, mas apenas dizendo a verdade: todos somos pecadores e este pecado é normalmente trazido à tona quando estamos sob privação, oportunidade e/ou estresse.

Obviamente, a pressão não é o único fator que traz o pecado à tona. Todos nós pecamos muitas vezes ao dia, naturalmente e sem esforço. Estes pecados podem não ser tão óbvios e repugnantes, mas ainda assim eles são atividades, pensamentos e palavras que violam a natureza do nosso santo Deus.

Talvez nós invejemos alguém. Talvez desejemos ter o que eles têm, seja boa aparência, dinheiro, fama, etc. Pode ser que contemos “pequenas” mentiras para evitarmos punição ou nos sairmos bem financeira ou socialmente. Às vezes, odiamos pessoas que nos maltrataram. Perdemos a cabeça. Machucamos os outros.

Talvez bebamos demais e pratiquemos sexo fora do casamento o que Deus ordenou como única condição, o casamento, onde o relacionamento sexual é por Ele aprovado. A lista é infinita, mas tal “lista” é meramente a citação de todas as atividades humanas que violam a santa natureza de Deus.

Essa tendência de pecar, essa natureza caída e feia que todos possuímos é incurável. Isso mesmo. Não há jeito de ser consertada. É uma falha fatal que foi bem inserida em nossa vida humana. Chama-se “carne” ou natureza caída.

Muitos da Igreja Cristã, hoje, reconhecem este problema. Então, começam a tentar corrigir essa tendência pecaminosa treinando a si mesmos a agirem como Jesus. Eles estudam, ouvem mensagens e sermões, praticam um tipo de “discipulado”, vão à conferências e participam de retiros – tudo baseado na ideia de que podem treinar a si mesmos a agirem de maneira diferente. Eles podem aprender a atuar, falar e até mesmo a pensar como um “bom cristão”. Muito, senão a maior parte do ensinamento cristão de hoje, envolve esse esforço humano em melhorar ou corrigir a velha natureza.

Porém, meus queridos amigos, isso é o que Jesus chama de “hipocrisia”. É mero teatro. É algo que Ele nos instruiu a evitar. Na verdade, Ele disse que isso era pra ser evitado “acima de todas as coisas”.

O site Dictionary.com define “hipocrisia” dessa forma:

“Do grego HYPOKRITES, um ator de palco.”

“Uma pessoa que finge ter virtudes, moral ou crenças religiosas, princípios, etc., mas que na verdade não os possui...” “Uma pessoa que forja alguma atitude desejável ou publicamente aprovada, especialmente alguém cuja vida particular, opiniões ou afirmações desmentem suas afirmações públicas.”

QUAL É A RESPOSTA?

Se estudarmos a Bíblia e nos treinarmos a tentar parecer melhores do que somos não é a resposta, então, qual é? Se essa natureza caída é incurável, o que podemos fazer? Como podermos cumprir os requerimentos de Deus e, de fato, nos tornarmos justos?

A resposta é: precisamos receber uma nova vida. Nós precisamos da vida de Deus. Assim como Jesus expressava a retidão do Pai por permitir que o Pai vivesse Nele e por Ele, nós também devemos ser cheios com a vida que de fato é reta. Nossa própria vida não consegue, e na verdade, nunca conseguirá alcançar esse padrão.

Aqui encontramos boas notícias! Através da morte de Jesus, o caminho foi aberto para nós, meros seres humanos, para recebermos a vida de Deus. Ele fez com que a santa vida do Pai se tornasse disponível para a humanidade. Jesus disse: “Eu vim para que eles possam ter a vida do Pai e tê-la em abundância.” (Jo 10:10 VDP). Deus aceitou o sacrifício de Jesus – Sua morte em nosso lugar como oferta – e abriu o caminho para recebermos Sua vida.

Quando cremos, nos arrependemos de nossa maneira natural de viver e abrimos o nosso ser para Ele, a vida de Deus nasce dentro de nós. Algumas pessoas chamam isso de “novo nascimento.” Mas não é a nossa velha vida humana que volta a nascer de novo, uma segunda vez, mas sim, a vida de um Outro Ser que é gerada pelo Espírito Santo no nosso espírito humano. Jesus chamou isso de “ser nascido do alto”.

Jesus nos ensinou isso em João 3:5-7 onde lemos: “Em verdade, em verdade eu vos digo, a não ser que alguém seja nascido da água [o nascimento físico] e nascido do Espírito [o novo nascimento espiritual], ele não pode entrar no reino de Deus. Aquilo que é nascido naturalmente é o corpo físico, e aquilo que é nascido do Espírito é o nosso espírito humano. Não fiquem surpresos por eu dizer, vocês devem ser nascidos do alto”. (VDP).

Que maravilhoso! Nós podemos ter a experiência do nascimento de outra vida no nosso espírito humano. Algo totalmente novo pode ser gerado lá. A vida “do alto”, a vida que é santa e justa em sua natureza, pode nascer em nós! Agora existe a possibilidade vivermos uma vida realmente santa ao invés de produzirmos uma imitação. Agora não precisamos tentar agir como Jesus, mas sim, Sua própria vida pode viver em nós e por nós. Essa é uma parte essencial da mensagem do evangelho.

Essa verdade nos é esclarecida em 2 Coríntios 5:17 onde lemos: “... quando alguém está em Cristo, existe uma nova criação dentro dele. O homem original {natural} foi suprimido {ultrapassado, no Grego}, e vejam, um ser completamente novo veio a existir [o novo homem espiritual].” (VDP).

Aqui está, então, o segredo do Cristianismo genuíno do Novo Testamento. Quando nós permitimos que a vida de Deus seja nossa fonte – quando nosso ser é controlado e animado por essa nova vida – aí sim, expressamos a natureza dessa nova vida.

Quando essa nova vida vive em nós, ela expressa espontânea e naturalmente sua própria natureza através de nós. Nós podemos ter uma vida verdadeiramente santa quando permitirmos que Jesus viva por nós. A santidade não pode ser obtida pela velha natureza e velha vida, mas é a expressão da vida de Deus em nós.

Mesmo assim, quando essa nova vida nasce em nós, ela nasce como todas as outras criaturas nascem: infantil. Assim como Jesus nasceu em uma manjedoura e depois cresceu, da mesma forma a vida de Deus não entra em nós já amadurecida. A Bíblia usa especificamente a palavra “nascer” para enfatizar o fato que é uma vida muito nova e imatura no início.

Apesar de todas as características e atributos de Deus estarem nessa nova vida, ela ainda nasce infantil e imatura. Assim como a semente de uma grande árvore contém a vida e a natureza daquela árvore, numa forma bem pequena e compacta, a nova vida de Deus que nasce em nós contém tudo o que Deus é.

Todos os verdadeiros crentes recebem a nova vida de Deus. Mesmo assim muitos, em vez de simplesmente focarem na nutrição desta vida para que ela cresça, começam a trabalhar nas suas vidas antigas para tentar melhorá-las. Esse erro é compreensível. Uma vez que eles conhecem a Jesus e tem um pequeno vislumbre da beleza e santidade da Sua natureza, eles querem ser iguais a Ele.

Além disso, leem no Novo Testamento que devem ser iguais a Ele. Então, dão início ao esforço de tentarem se conter, re-treinar e reformar sua velha vida. Como temos visto, esse esforço está condenado ao fracasso. É algo que não pode alcançar o objetivo proposto ou agradar a Deus. Acaba sendo apenas hipocrisia.

Ainda que todos os verdadeiros crentes tenham recebido a vida de Deus, não é sempre que a natureza de Deus é expressada neles. Uma grande parte de pessoas que se chamam Cristãos, não possuem vidas que refletem a natureza de Deus. Elas podem ter algumas experiências religiosas, tais como momentos de adoração ou oração, momentos especiais quando sentem uma “unção”, mas suas vidas cotidianas parecem estar cheias de si mesmas e não do Divino.

Como podemos entender isso? Naturalmente, já que essa nova vida dentro de nós é inicialmente imatura, nossa velha vida e natureza frequentemente parece prevalecer. Como ela é mais desenvolvida e madura, e como temos uma longa experiência de sermos guiados por ela, essa vida humana é a que frequentemente se expressa por nós ao invés da vida de Jesus.

Ela facilmente domina nosso viver. Isso se mostra especialmente verdadeiro em momentos de tentação ou estresse. Isso explica porque tantos Cristãos não são santos. A vida divina dentro deles é subdesenvolvida e ainda imatura, e assim sua vida natural é a que predomina.

A PRIMEIRA RESPOSTA

O que podemos fazer? Existem dois aspectos para responder a este dilema. O primeiro é que a nova vida dentro de nós deve crescer e (no sentido de se desenvolver) amadurecer a ponto de dominar e predominar em nós. Para crescer, toda vida precisa de comida. Esta é a chave. A nova vida espiritual tem que receber comida espiritual.

Muitos crentes erram aqui. Eles tentam ajudar a crescer essa nova vida espiritual através do aprendizado, do acúmulo de informações sobre Deus. Eles estudam a Bíblia. Talvez frequentem seminários. Eles leem muitos autores Cristãos. Eles participam de reuniões e seminários. Eles aprendem e aprendem, cada vez mais.

Mas acumular conhecimento e informação não ajuda em nada na alimentação da vida espiritual. Na verdade, pode prejudicar ou até mesmo matar essa vida! Mesmo as palavras do Novo Testamento podem ser usadas de maneira danosa. Lemos: “Mas a nossa competência vem de Deus que também nos fez despenseiros qualificados da nova aliança – não da letra, mas do Espírito – pois a letra mata, mas o Espírito transmite a vida de Deus.” (2 Co 3:5,6)

Por outro lado, há algo que faz com que essa nova vida cresça. Se chama alimento. É lógico. Toda vida carece de nutrição para crescer. Não há exceções. Então qual é o alimento espiritual que nutrirá essa nova vida? Jesus explica que devemos fazer Dele nossa comida. Devemos comer da Sua carne e beber de Seu sangue. Essa é a comida que nutre a vida de Deus em nós.

Nós lemos: “Então Jesus disse a eles, ‘Em verdade, em verdade, eu vos digo, a não ser que vocês comam da carne e bebam do sangue do Filho do Homem, vocês não poderão ter a vida de Deus em vocês. Aquele que se alimenta da minha carne e bebe do meu sangue tem a vida eterna do Pai e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é a verdadeira comida e o meu sangue é a verdadeira bebida. Aquele que se alimenta da minha carne e bebe do meu sangue reside em mim eu nele.’” (Jo 6:52-56 VDP).

Este comer e beber espiritual de Jesus não é algo físico. Também não é algo que fazemos durante um ritual religioso nos cultos de uma igreja. Isso é alcançado por meio de íntima comunhão com Ele. Quando abrimos nossos corações para Ele e gastamos tempo de amizade espiritual íntima com Ele, estamos comendo e bebendo Dele.

Essas “refeições” podem ter várias formas. Podemos nos alimentar de Jesus nas escrituras. Quando abrimos esse livro, não devemos tratá-lo como uma fonte de informação. Não devemos ler a Bíblia para “aprendermos” alguma coisa. Pelo contrário, quando abrimos suas páginas, devemos abrir nosso espírito para Deus para termos comunhão com Ele.

Nas páginas da Bíblia, Deus é revelado. Quando abrimos nosso espírito para Ele, Ele se revelará a nós. A medida que meditamos no que Ele nos revela de Si mesmo, nosso homem espiritual é nutrido. É bom ler e reler as passagens que Ele ilumina para nós. Podemos ruminar nelas, “mastigando e re-mastigando” o que Ele nos está falando. Essa é uma forma essencial do comer espiritualmente.

Nós também podemos beber do Seu Espírito. Momentos de adoração são muito bons para tal experiência. A medida que abrimos nosso espírito para o Seu Espírito durante momentos de adoração espiritual (individual ou coletiva) nós podemos beber profundamente de Jesus. Quanto mais pudermos beber, melhor.

Não estou falando aqui sobre experiências meramente emocionais de gritos, sapateados, pulos, palmas, etc. O que é realmente necessário é o contato íntimo com o Deus vivo. Durante estes momentos podemos beber de tudo que Ele é. Momentos de oração podem ser também momentos de íntima comunhão com Jesus durante os quais podemos comer e beber Dele. Tais experiências vão nutrir o nosso homem espiritual, fazendo que ele cresça.

É claro que maturidade não se alcança da noite para o dia. Toda vida requer tempo para amadurecer. Assim, devemos procurar a comunhão diária com o nosso Senhor para que a vida preciosa que Ele colocou dentro de nós chegue a sua capacidade total. A vida do Pai deve crescer o suficiente para que sua natureza santa seja expressada em nós.

A VIDA DIVINA EXPRESSA A NATUREZA DIVINA

Eis aqui uma verdade espiritual maravilhosa. A vida divina sempre expressa a natureza divina. Ela expressa a verdadeira justiça. Como é de sua essência uma vida santa e sem pecado, ela só pode ser assim. Uma verdade incontestável é a de que toda vida expressará sua própria natureza. A vida de Deus nunca peca. De fato, ela é incapaz de pecar. Ela é sempre santa. Logo, precisamos desesperadamente sermos cheios e dominados pela vida Dele.

Lemos: “Aquele que é nascido de Deus [isto é, o novo homem espiritual] não peca. Pois é a semente {sobrenatural de Deus} dele que passa a viver nele. De fato, ele [o novo homem espiritual] não pode pecar, pois é algo que é nascido de Deus [que é perfeitamente justo].” (1 Jo 3:9 VDP).

Olhe, essas são notícias muito boas! Nós podemos receber uma vida sem pecados e depois permitir que ela cresça dentro de nós. Podemos ter a vida do Deus do universo controlando todo nosso ser. Nós podemos tê-Lo controlando nossos pensamentos, sentimentos, desejos, decisões, e ações. Assim como Jesus “vivia pelo Pai”, também podemos ser cheios e animados por Deus. Dessa forma, viveremos uma vida que expressa o verdadeiro caráter da santidade.

Essa santidade “não é de nós mesmos” (Fp 3:9). Ela não se origina em nós. Ela é um dom de Deus. Ainda assim, ela é real. Ela é vista em nós e por meio de nós. Ela tem uma expressão visível aos outros. Não é algo que existe apenas nos pensamentos de Deus.

Essa é a boa nova, porém essa boa nova fica ainda melhor: Nós também podemos vencer as tentações. Como isso é possível? Nosso Deus não pode ser tentado pelo pecado. O pecado não O interessa. Ele abomina o pecado. Lemos: “... pois Deus é incapaz de ser tentado pelo mal e Ele mesmo não tenta ninguém.” (Tg 1:13 VDP). Dessa forma, quanto mais somos cheios e governados por essa vida, tanto menos acharemos o pecado interessante, e tanto menos sofreremos tentações.

Essa é uma vida verdadeiramente vitoriosa! É essa vida que nos liberta de nós mesmos e do pecado. É essa vida que está nos salvando de tudo que somos como seres humanos caídos e naturais.

Essa vida, crescendo lá dentro e vivendo através de nós, consiste em como somos libertos de tudo o que é negativo e mau na nossa natureza. Essa verdade é ilustrada para nós em Romanos 5, verso 10 onde lemos: “Pois se, quando nós éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus através da morte de Seu Filho, muito mais, tendo sido reconciliados, nós seremos salvos pela Sua vida [crescendo em nós].” (VDP).

Alguns imaginam que, depois que “nascemos de novo” estamos voltando ao Éden. Isso significa que voltaremos ao estado original de Adão e Eva antes da queda.

Mas esse não é o caso. Somos na verdade chamados para algo muito, muito maior e santo do que Adão e Eva foram. Sim, eles eram sem pecado, mas eles não eram santos. Eles não tinham a mesma natureza de Deus. Eles não tinham a vida eterna Dele, mas antes só tinham uma variedade de vida humana sem fim.

Nós entendemos isso, pois eles caíram. Eles foram tentados e sucumbiram à tentação. Por outro lado, como temos visto, Deus não pode ser tentado. Mas Adão e Eva foram. A vida que tinham era simplesmente inocente e sem pecado, mas não era verdadeiramente santa e reta como Deus. Assim, eles falharam no teste.

Interessantemente, a vida de Deus que lhes foi oferecida no Jardim do Éden na forma de fruta de uma árvore, a “árvore da vida”, mas eles nunca comeram dela. Eles nunca aproveitaram tudo o que Deus lhes ofereceu nessa árvore. Sendo assim, eles não resistiram ao pecado. Mais tarde, depois de pecarem, o acesso a essa fruta lhes foi negado por um anjo e uma espada flamejante. (Gn 3:24).

A SEGUNDA RESPOSTA

Nós estudamos a “primeira resposta” de como sermos libertos do pecado, que na verdade significa recebermos a vida de Deus e depois sermos cheios e movidos por ela. A segunda resposta é, talvez, um pouco menos aceita. No entanto, quando nós vemos o quão má e poluída é a nossa vida natural, entenderemos a necessidade dessa segunda resposta. A segunda resposta então é: Nossa vida natural da alma deve ser morta. Ela deve morrer.

Por que isso é necessário? É porque enquanto a velha vida natural viver, ela pecará. Ela vai, indubitavelmente, expressar a sua natureza própria. Esse é outro princípio imutável. Ainda que tentemos subjugar as tendências malignas dessa vida, mesmo que tentemos fortemente sermos melhores e não pecarmos, a verdadeira natureza da velha vida vai aparecer, inevitavelmente.

Nenhum volume de reeducação, privação, treinamento, “discipulado” ou reforma chegará à raiz do problema. Tais ações servem apenas para esconder a nossa verdadeira natureza. Elas acabam sendo somente uma representação – nosso próprio teatro pessoal. É isso que Jesus chamou de “hipocrisia”.

A única resposta para esse problema é a morte da vida que peca. Nós lemos: “Pois aquele que está morto está liberto do pecado.” (Rm 6:7). Enquanto a vida natural da alma permanecer viva, ela pecará. Apenas os mortos não pecam mais.

Talvez eu consiga contar uma estória aqui para ilustrar essa verdade. Há muitos anos, eu tive um amigo que caçava guaxinins para vender suas peles e sustentar sua família. Ele os caçava à noite com a ajuda de cães de caça que seguiam os bichos até que eles subissem numa árvore.

Para ajudá-lo a ter mais sucesso, ele comprou um cão de caça caro. Mesmo assim, quando ele levava o cão à noite para caçar, o cão só caçava veados. Isso era um problema grave para ele. Não apenas deixava de pegar guaxinins, como também perdia o cão que corria atrás de veados por quilômetros mata adentro. Era realmente um problema enorme para esse meu amigo. No dia seguinte à caça, ele tinha que gastar um bocado de tempo até encontrar seu cão.

Ele tentou de tudo para curar o seu cachorro. Por exemplo, ele chegou a colocar o cachorro dentro de um saco com cheiro de veado e depois chutou e bateu no saco. Ainda assim, nada deu certo. O cachorro simplesmente amava correr atrás de veados.

Então, em certo dia, lendo uma revista sobre caça, deparou-se com uma propaganda. Estava escrito algo assim: “Cura total para cães que caçam veados. Devolução do dinheiro garantida caso não fique satisfeito. Preço: U$12,00”. Meu amigo estava completamente desesperado. Ele mandou o dinheiro pelo correio e em pouco tempo ele recebeu um pacote. Abriu-o rapidamente e dentro encontrou duas balas calibre .22 com as seguintes instruções: “Atire na cabeça do cachorro duas vezes. Ele nunca mais caçará veados”. Da mesma forma, gente morta não peca mais!

Alguns podem sentir-se ofendidos com a ideia da necessidade de morrerem. No entanto, só nos sentiremos ofendidos quando ainda não conseguimos ver o lado degenerado da natureza humana. Se ainda não conseguimos perceber quão horroroso é o nosso pecado e o quanto precisamos desesperadamente ser salvos dele, muito provavelmente vamos resistir à ideia de morrermos.

Por outro lado, quando, pela misericórdia de Deus e pela Sua iluminação em nós, vermos quão malignas são nossas tendências, e nos livrarmos do pecado através da nossa morte, sentiremos grande alegria. Na verdade nos regozijaremos em saber que podemos ser libertos do que somos e do que fazemos.

Essa libertação maravilhosa também nos alcança através de Jesus Cristo. Quando morreu na cruz, de forma sobrenatural, nós também morremos com Ele. E pelo Espírito Santo, essa morte pode tornar-se real em nós. Ela pode ser aplicada à nossa velha vida e sua natureza caída. Através de Jesus, podemos experimentar a verdadeira morte em nós mesmos. De fato, nós podemos, e devemos participar dessa morte todos os dias. Como o crescimento da vida leva tempo, a morte também ocorre pouco a pouco naqueles que a desejam.

É claro que Deus não vai nos abençoar com essa experiência a não ser que desejemos isso. Ele nunca forçaria isso ocorrer em nós. Até nós enxergarmos nosso pecado e passarmos a odiar o que enxergamos, continuaremos a possuir tal natureza caída. Não poderemos ser libertos dela. Mas, uma vez que enxergamos nosso pecado pela luz de Deus e nos arrependermos, então sim, nosso Deus começará a aplicar efetivamente Sua morte na cruz no nosso velho homem.

Depois dessa morte libertadora vem a ressurreição. Não podemos experimentar apenas da morte de Jesus, mas podemos também experimentar da Sua ressurreição. Na verdade nossa necessidade é essa. Para que possamos andar “... na novidade da vida do Pai.” (Rm 6:4 VDP) devemos primeiro passar pela morte. Nenhuma pessoa viva foi ressuscitada até hoje. Apenas os mortos têm a possibilidade de passarem por essa experiência. Assim, quanto mais permitirmos que Deus aplique a morte de Jesus em nossa vida velha e natural, mais teremos a experiência de Sua nova vida e natureza na ressurreição. Que libertação abençoada!

Já mencionamos o fato que o arrependimento é parte desse processo. Então como isso funciona? Nós lemos em 1 João 1:9, “Quando concordamos com o julgamento de Deus sobre os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar nossos pecados e nos purificar de toda imoralidade de caráter [em ambos, coração e ações].” (VDP).

O “concordar com o julgamento de Deus” é traduzido em muitas versões como “confessar”. A palavra grega significa “falar junto”. Isso quer dizer que estamos falando a mesma coisa que Deus está falando. Nós concordamos com o ponto de vista Dele sobre nossos pecados e Seu julgamento sobre eles. Concordamos que a nossa natureza é maligna e que pessoas (especificamente nós mesmos) praticantes de coisas pecaminosas são dignas de morte. Isso é o que significa arrepender-se. Qualquer coisa menos que isso é apenas um reconhecimento de culpa, mas sem a vontade de morrer para o que temos feito e o que somos.

Quando nos arrependemos ou “concordamos com Deus” sobre nossas ações pecaminosas, lemos que Ele é então fiel e justo para fazer duas coisas. Primeiro: Ele nos perdoa. Segundo: Ele vai trabalhar em nossas vidas, aplicando a morte e a ressurreição de Cristo para nos purificar desses pecados.

Que salvação maravilhosa Jesus nos proporcionou, para que sejamos libertos do pecado! Não apenas podemos ser perdoados, mas através da operação da cruz em nossas vidas e a ressurreição consequente, podemos ser libertos da nossa vida e natureza pecaminosa. Aleluia!

ACIMA DE TODAS AS COISA, CUIDADO

Com esse entendimento fundamental de qual é o plano real de Deus, podemos seguir em frente e discutirmos o problema da levedura ou “fermento”. Começa a ficar aparente aqui em nosso estudo o porquê Jesus está tão preocupado em nos abstermos desse fermento – essa imitação altamente abominável a Ele – “acima de todas as coisas”.

A última coisa que Deus poderia querer de nós é uma imitação, algo que nossa carne poderia produzir, tentando agir e falar como Ele. Ele busca algo genuíno, algo que é real em nossas vidas. Seu plano é efetivamente nos transformar em Sua imagem. Ele não tem qualquer interesse em fingirmos ser algo que realmente não somos.

Um dia nós ficaremos diante Dele. Todas as nossas ações e tudo que somos será revelado. Tudo será trazido a luz. Se há alguma coisa em nós que não é real, se há qualquer fingimento, qualquer coisa falsa, qualquer coisa que for apenas uma atuação da nossa parte, será mostrada com total clareza para a nossa vergonha.

Jesus explica essa questão em Seu ensinamento sobre o fermento. Lemos: “Pois não há nada encoberto que não será exposto, ou escondido que não será revelado.” (Lc 12:2). Tudo será mostrado. Tudo será exposto diante do universo como plateia. Logo, você não vai querer ser pego vivendo algo que é na verdade apenas uma mentira. Você não vai querer ser flagrado com uma vida que foi apenas teatro, e não uma vida de realidade. Nosso Cristianismo precisa ser a expressão de Cristo, e não uma imitação Dele.

Essa expressão genuína só pode ser obtida através de uma vida de total submissão a Jesus. É alcançada pelo trabalho Dele em nossas vidas, para nos transformar em Sua gloriosa imagem. É pela Sua graça que Ele está nos enchendo de Sua vida santa, aplicando Sua morte e ressurreição no nosso homem velho e natural, com sua natureza pecaminosa.

Por outro lado, qualquer imitação dessa realidade é produzida pela carne. Consiste, tão somente, nos esforços do ser humano em mudar a si mesmo. É alimentada pelo desejo de parecer melhor do que somos adiante dos outros e movida por uma vontade forte de tentarmos nos controlar e agir melhor do que realmente somos por dentro.

REUNIÕES CRISTÃS

Tal hipocrisia é comum até mesmo em cultos cristãos. Muito frequentemente, tais cultos são apenas teatro. As pessoas vestem-se bem, vestem suas melhores roupas para que tenham boa aparência na frente dos outros. Elas também colocam suas máscaras, para que os outros não vejam sua tristeza, sofrimento ou pecado.

Muitas vezes esses cultos são também cheios de teatro de todos os tipos. Pode haver uma banda tocando com holofotes e outros tipos de decoração. Existe, quase sempre, um palco de algum tipo. Ainda que a maioria dos membros cante juntos, a triste verdade é que nem todos estão realmente em adoração. Até mesmo a fonte da música pode ser meramente da alma humana e não algo inspirado por Deus ou guiado pelo Espírito Santo. Resume-se apenas em teatro. É só um show.

Às vezes apresentam-se grupos de dança com fantasias ou faixas. Outros grupos possuem mímicos e até mesmo palhaços. Esses momentos promovem mais entretenimento do que a ministração genuína de Jesus Cristo. Se tudo isso não for uma expressão da vida de Jesus dentro de nós, será apenas hipocrisia.

Além disso, as pregações de hoje em dia são frequentemente teatrais. O pregador põe seu terno especial. A oratória pode virar uma bela representação, com o pregador usando modulações na voz, gesticulações e outras ferramentas para capturar e manter a atenção do público. Tudo isso pode ter aparência de santidade, mas em alguns casos, mesmo os que pregam não estão bem com Deus e tem pecados secretos em suas vidas.

Jesus frequentemente pregava sentado, em um barco ou sobre uma pedra. Ele não usava técnicas teatrais para atrair e manter o público. Ele ministrava humildemente aos outros o que Ele tinha recebido do Pai. Ele nunca buscou fama ou fortuna. Ele nunca fingiu ser mais ou melhor do que Ele era. Como isso se compara com o que temos visto e feito nos dias de hoje?

Se nossos cultos e reuniões não são uma expressão da vida de Deus, são apenas teatro. Se não estamos entrando no Espírito Santo, se não estamos tendo comunhão verdadeira com Deus, tudo isso é, apenas, um substitutivo para o que o Senhor realmente busca. Tais encontros contribuem muito pouco ou nada com o ministério genuíno aos que pertencem à congregação.

Os cultos que são meramente teatrais, podem não somente não edificar as pessoas, como também limitar o progresso espiritual genuíno. Através dessas amostras hipócritas de “cristianismo” muitos são erroneamente levados a pensar que estão bem com Deus. Pensam porque estão seguindo a massa está tudo OK. Eles estão praticando o que é esperado deles – o que todo mundo está fazendo. Eles estão sendo ensinados, tanto por ensinamentos quanto por exemplos, que isso é o que Deus requer deles.

No entanto, Deus nunca ficará satisfeito com um substituto. Ele não se importa com nossa atuação. Ele está procurando aqueles que o adorarão em Espírito e em verdade (Jo 4:24). Essa palavra “verdade” significa que o que estamos fazendo é genuíno. É real. É o resultado da real transformação do nosso ser interior. É a vida Dele que está sendo expressada, e não um substituto.

O ENSINAMENTO DOS FARISEUS

A admoestação de Jesus sobre a levedura ou fermento também é descrita em Mateus. Nós examinamos a passagem de Lucas, mas em Mateus encontramos ainda um pouco mais de luz.

Nós lemos: “E Jesus disse a eles, ‘Mantenham a guarda e tomem cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus’. Então eles discutiram entre si dizendo, ‘Não trouxemos pão algum’. ‘Como vocês não entendem que eu não falei com vocês a respeito de pão? Mas tomem cuidado com o fermento do fariseus e saduceus”. Então eles entenderam que Ele não disse que tomassem cuidado com o fermento do pão, mas dos ensinamentos dos fariseus e saduceus”. (Mt 16:6,7,11,12 VDP).

Aqui vemos que esse fermento, esse elemento que corrompe, pode também ser algum tipo de “ensinamento”. Então o que isso significa? Fica claro que Jesus rotulou os fariseus e saduceus como “hipócritas”. A vida deles era uma vida de teatro. Eles trabalhavam constantemente, aperfeiçoando suas habilidades teatrais, para parecerem justos diante dos outros.

Jesus disse: “Ai de vocês, escribas e fariseus, vocês hipócritas. Vocês diligentemente dão o dízimo da menta, do endro e do cominho que recebem. Mas vocês têm ignorado os assuntos mais essenciais da lei: justiça, misericórdia, e fé. Estes vocês deviam ter praticado sem negligenciar os outros. Vocês guias cegos. Vocês coam o mosquito e engolem o camelo! (Mt 23:23-28 VDP).

Os escribas e fariseus não somente atuavam em seus teatros pessoais, onde o mundo ao seu redor era o público, mas eles também estavam ensinando aos outros a atuarem da mesma forma. Eles estavam transmitindo aos outros os segredos de como enganar o povo e pensarem que eles eram justos, quando de fato eles não o eram. Eles estavam ministrando um conjunto completo de regras e regulamentos a serem seguidos. Ensinavam as pessoas a seguirem a lei. Estabeleciam princípios pelos quais eles deviam viver suas vidas para que pudessem aparentar serem justos.

Por acaso isso soa como algo que está acontecendo na igreja de hoje? Quanto do cristianismo dos dias de hoje está envolvido em tais atividades? Tantos e tantos estão ensinando aos outros como se comportar. Eles ensinam princípios, regras, e normas induzindo-os a segui-las. Isso pode envolver como: vestir-se (usos e costumes), quais tipos de esportes os cristãos devem participar, se o controle de natalidade é permitido por Deus, como se comportar no seu casamento e com sua família, como os cultos devem ocorrer nas igrejas, e inúmeras outras coisas.

Agora, sejamos honestos. Muitas dessas coisas que as pessoas ensinam são boas e corretas. Elas têm uma base bíblica. Elas são ações definidas por Deus e reveladas nas escrituras como sendo alinhadas com a Sua natureza santa. Então, o que há de errado com isso? Porque então Jesus as condena de forma tão intensa?

Jesus as condena, pois esses professores estão encorajando os outros a manterem esses altos padrões através dos esforços da carne. Ensinam os outros a agirem de forma a imitarem Deus, mas não estão ajudando ninguém a realmente entrar em Deus e tornarem-se livres de si mesmos.

Logo, muito do que é ensinado hoje cai dentro dessa categoria. São meras instruções de como reformar a velha natureza e fazê-la ter uma aparência melhor. É puro teatro. Não é algo que pode agradar a Deus. Além disso, não é eterno. Não vai conseguir passar na prova no dia do juízo.

Tais instruções são atraentes para a carne. Não apenas geram uma aparência de santidade, na expectativa que os outros admirem, mas também evitam a cruz. Evitam a morte. Nossa carne é muito esperta. Ela vai preferir negar a si mesma um pouco de prazer, do que morrer. Ela vai preferir muito mais se conformar com alguns padrões religiosos, mesmo que esses padrões demandem um pouco de sacrifício próprio, do que realmente deixar de existir.

Muitos não entendem que a carne pode ser muito religiosa. Pense a respeito disso! Existem uma infinidade de religiões nesse mundo. A maioria delas ensina alguma forma de auto-negação, e algumas privações muito severas. De fato, os seguidores realmente dedicados de algumas dessas religiões são muito mais severos em suas privações que a maioria dos cristãos.

Mas essas religiões não farão nada que, de fato, nos transforme na imagem de Jesus. Tampouco um cristianismo que é baseado em seguir regras, regulamentos e normas. Veja que, a carne do homem pode ser muito religiosa e até convincente nesse aspecto. Mas isso tudo não é uma expressão genuína de Cristo. Não é o que o nosso Deus está buscando. É por isso que as vidas de muitos cristãos são mero teatro e não refletem o que realmente está acontecendo dentro deles.

O plano de Deus é nos dar a vida Dele. Daí então Ele quer que essa vida cresça dentro de nós. Quanto mais ela amadurece, mais nós expressamos Sua natureza. Isso não é resultado de nosso próprio esforço. Não é uma imitação de algo. Não requer “treino” e ensinamento sobre como se comportar. Ao contrário, é uma expressão automática e espontânea de Jesus Cristo.

Nossa retidão não pode ser algo produzido por nós. Paulo condena os Judeus por esse tipo de atividade. Ele escreve: “Pois eu testifico a respeito deles que eles têm zelo por Deus, mas não de acordo com um completo entendimento. Pois sendo ignorantes sobre a retidão de Deus e procurando estabelecer sua própria retidão, eles não se submetem a si mesmos à retidão de Deus.” (Rm 10:2,3 VDP).

A “retidão de Deus” é simples assim. É Dele e somente Dele. Quando Ele está vivendo em nós e quando Ele está se expressando através de nós é que exibimos a verdadeira retidão que O agrada. Qualquer coisa além disso é hipocrisia. É algo que devemos nos evitar “acima de todas as coisas”.

David W. Dyer

Final do Capítulo 1

A sigla “VDP” que se encontra frequentemente neste livro se refere ao tradução do Novo Testamento “Vida Do Pai” que esta para ser editado no futuro por este ministério.

SEMENTES 2 ÍNDICE

Capítulo 1: ACIMA DE TODAS AS COISAS (Capítulo Atual)

Capítulo 2: CRIAÇÃO DE FILHOS

Capítulo 3: O DINHEIRO DE DEUS

Capítulo 4: PENSAMENTOS A RESPEITO DA LEI

Capítulo 5: UMA GAIOLA CHEIA DE PÁSSAROS

Capítulo 6: ANCIÃOS (PRESBÍTEROS) E DIÁCONOS

Capítulo 7: É POSSÍVEL A PERFEÇÃO?


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